Então bom dia para todos vocês Bom dia para Nilda Gláucia Gabriel Cristiane e também a Maria Avelina sejam todos muito bem-vindos bem-vindas eu queria viu glácia Gabriel e crisar nossa gratidão pela oportunidade singular de estar com vocês virtualmente na Universidade de Brasília glus é uma profissional que tem um carinho uma admiração muito grande viu GL pelo seu ativismo e a sua competência e a sua resistência nos Estados Unidos também Cris uma querida amiga parceira da novidade de harbard também e também hoje né tendo prazer de conhecer mais um pesquisador de portuguê para estrangeiros o Gabriel
Chagas sinta-se também viu Gabriel abraçado por mim de uma forma muito carinhosa por mim espero em breve recebê-los aqui na Universidade de Brasília seja muito muito bem-vindos muito bem-vindas eu vou passar a palavra a professora milda Lago que é Nossa parceira Nossa amiga uma Colega muito querida por mim que ela irá mediar todo o nosso diário que nós vamos ser então sejam todos muito bem-vindos e os meus alunos vão estar chegando já agora já tá isso é um prazer seja bem-vindo Nildo palavra é sua obrigada Cléber eu reforço a as boas-vindas Às nossas convidadas professora
Gláucia Silva professora Cristiane Soares e também é é a minha primeira vez encontrando o o professor Gabriel Chagas né ã a agradeço muito a vocês três por Terem Aceito o nosso convite tão gentilmente nós tivemos aqui professora glusa recentemente conosco no começo do ano professora a Cristiane esteve conosco em 22 no nosso batepapo desde 2021 nós eh criamos o Batepapo no gcal com com esse formato né mais informal eh ele é voltado para decentes de graduação de pós--graduação da UnB das Universidades da região né E também nós Recebemos sempre colegas professor profas professores de outras
regiões do Brasil e do mundo que são interessados nos interessadas nos temas que trabalhamos aqui né então esse formato interativo permite que a gente se sinta mais à vontade para conversar com as nossas e o nosso especialista Então nós vamos fazer a a nossa sequência dessa sessão seguindo a ordem do nosso banner né e eu vou só apresentar inicialmente cada cada um uma e cada um do das Pessoas que estarão conosco das especialistas e eles eh e ele e elas terão entre ao redor de 20 minutos para falar e depois nós poderemos abrir então paraa
interação quem quiser pode escrever quem preferir pode escrever aí no chat alguma pergunta algum comentário que queira fazer que eu posso ler depois e quem preferir também pode falar Eh só ã pode ficar à vontade né pra forma como a gente vai fazer essa nossa conversa Então a gente vai conversar com a Professora Gláucia primeiro professora glácia Silva tá tá tá em Rad Island glácia ou tá na universidade Não eu tô em casa então a professora glácia tá em bristle né meio geladinha aqui também e eu estou Ah Gabriel e Chris que vocês que não
é a nossa primeira vez conversando né Eu Sou professora da Universidade Federal de Goiás mas estô agora aqui na na University of Massachusetts dim né como Research schola e a minha esponsais é a professora Gláucia que é um prazer Ah recebê-la aqui com a gente Ela é professora do departamento de português e de educação da da umst e especialista em aprendizado de línguas estrangeiras de herança né e o e o foco é é português ela é coautora de quatro livros didáticos né de português e a autora lá de em 2013 ela escreveu o Ah o
World Order in brazilian portuguese e o livro recente que ela e professora Cristiane Lançaram eu vou deixar que elas falem né a a a a publicação dela né a Gama de publicação é bem bem vasta né com orientandos de pós-graduação e é tanto em inglês quanto em português ela tem Tratado de assuntos como atitude eh e motivação no aprendizado português encontros de serviço em português aqui em massus articulações gays ah do desejo no Rio de Janeiro o impacto da ansiedade no aprendizado português então tem esse Essa interface né com fatores afetivos o uso de canções
na sala de aula de língua estrangeira ensino de línguas baseado em tarefas interações mãe e filha então é bem eclético e bem amplo né o campo de de atuação da professora Gláucia então com você a palavra minha querida ah na realidade Nea eh se você puder apresentar os outros porque a gente vai direto Ok Fi quem vai começar será a Cristiane ah farei farei sim então então Me perdoem vamos lá apresentar a professora Cristiane ela ela é Doutora em estudos e e teoria luz brasileiros pela Universidade de massach DM Ah então aqui pela pela nossa
universidade aqui e é mestre pela University of massachusets em Boston né e o curso dela de graduação foi em literatura portuguesa brasileira né letras pela Federal do Rio Grande do Sul aqui no Brasil mas já está há mais de 20 anos né Cris e Estados Unidos e ela é atualmente a Coordenadora do programa de língua portuguesa da University of Harvard né e antes disso ela tinha ah coordenado por 12 anos na o programa de português também na tfts University e os interesses dela eh de pesquisa São português como língua estrangeira de herança né a aquisição
de segunda língua e pedagogia imigração brasileira e comunidade aqui em massach e a neutralidade de gênero né em português que a gente vai ouvir ela Falar a respeito hoje né então a e antes de desse trabalho de coordenação ela lecionou o curso de idiomas em todos os níveis né de cursos de Cultura música cinema e folclore brasileiro eh cultura e história do Brasil eh português na comunidade então pra gente é uma alegria muito grande que ela temha aceito né Eh e esse trabalho que ela tem feito junto com professora glusa sobre linguagem inclusiva não binária
em português né a gente vai ouvir um pouquinho mais A esse Respeito e o o professor Gabriel né Ele é bacharel em português inglês e com louvor né Que honra pela Federal do Rio de Janeiro e foi lá que ele fez o mestrado doutorado dele em Literatura comparada e ele tá fazendo agora um segundo doutorado na University of Miami é e ele é é professor de português instrutor de português né e aluno do do terceiro ano e o foco dele de pesquisa Ah vai principalmente na literatura comparada nos estudos brasileiros Latinoamericanos estudos afro-americanos diáspora africana
estudos negros globais pós-colonialidade decolonialidade interseccionalidade e a pesquisa dele entrelaça português espanhol e e Inglês e o livro e do do ano passado que Ele publicou eh pérolas negras na periferia foi premiado em primeiro lugar no prêmio Nacional Antônio Cândido de estudos literários lá no Brasil né e e também ele foi premiado com primeiro lugar no Simpósio de pós-doutorado e pós-graduação da University of Miami no ano passado e onde ele também foi coordenador adjunto do centro de humanidades né e agora ele é um F né da da Miami então Ah nós agradecemos de novo e
a fala é de vocês muito obrigada neilda eu vou compartilhar então e a Cris vai começar a nossa apresentação obrigada bom dia bom dia a todos eu queria começar agradecendo ao kéber e a Nea por esse convite a todo o pessoal do GC as pessoas que estão aqui nos ouvindo vindo participando aqui com a gente em especial agradecer a glusa e ao Gabriel por terem aceitado também a a participar desse bate-papo eh eu vou começar fazendo uma introdução Eh mais ou menos explicando como é que a gente chegou até aqui e depois a gente vai
passar pro foco da nossa da nossa discussão de hoje então como a glácia vai mostrar pra gente eh no próximo nesses dois próximos slides eh eu e a Glácia começamos a trabalhar já vínhamos trabalhando com gênero gramatical há algum tempo e em 2015 nós passamos a fazer alguns experimentos com o uso de linguagem não binária em português motivadas principalmente pelo fato das Universidades Americanas terem começado a dar às pessoas a opção de usarem pronomes nom binários em inglês então nós precisávamos criar opções nas nossas aulas de línguas estrangeiras né Nós investigamos quais eram as opções
as Alternativas que estavam sendo usadas pelos grupos lgbtq Ian mais no Brasil e em Portugal mas mais importante do que isso nós começamos a debater outras formas de inclusão e de Equidade nas nossas nas nossas a aulas de português como língua estrangeira o ple como nós nós H falamos eh que iam além né do uso simplesmente da linguagem neutra não binária área então eh a Gláucia pode passar por favor a partir de 2001 a gente começou a fazer Uma série de apresentações que envolviam esse tema eu não vou me alongar muito aqui mas vocês podem
ver até pelos títulos que H até a o ano de 2021 as nossas apresentações usavam sempre uma a linguística aplicada e a sociolinguística como o nosso Record teórico em 2022 a Você conhece o Gabriel foi fazer uma apresentação na apsa conheceu o Gabriel que adicionou a perspectiva de Colonial à nossas Análises E é isso que é é esse recorte que nós vamos trazer aqui na nossa análise de hoje então Eh vocês vão ver no próximo slide que ou nesse slide mesmo Desculpa glus Era esse mesmo das publicações pode voltar Obrigada eh no ano de 2022
então eu e a glácia publicamos um primeiro artigo intitulado português para todes percepções de profissionais de língua portuguesa sobre o uso da linguagem inclusiva eh e agora em 2024 nós publicamos o Nosso livro né inclus romance languages e que marca essa fase nova do nosso trabalho onde nós estamos tentando ver a inclusão de formas neutras ou não binárias h inseridas num contexto maior né então onde nós temos também feito esse esforço para tornar essas nossas sal a nossa sala de aula mais mais inclusiva de novo que V além da linguagem não binária então em 2024
já com a contribuição do Gabriel nós publicamos dois artigos que É o penúltimo e o último que vocês estão vendo aí penúltimo chamado for the children brazilian portuguese and the Rainbow es a gente vai voltar a esse a esse a esse artigo depois e hoje o segundo artigo né que nós publicamos as seis mãos e que é o foco da nossa da nossa apresentação eh que também tá eh enfim falando sobre essas questões de de inclusão de linguagem eh do uso da linguagem não binária da da aversão ao Uso da linguagem não binária e passando
por esse recorte então decolonial que eu já falava anteriormente antes da gente entrar no nosso artigo muito rapidamente e agora sim glácia por favor pode passar algo que a gente também tem considerado eh e temos tentado refletir eh sobre inclusividade né de uma forma mais amb Ampla e abrangente eh uma questão importante que aparece é a questão dessa geração específica que está nas nossas Salas de aula que é a geração z então aí no na na nessa nessa arte vocês podem ver que são pessoas que estão eh que nasceram não existe um consenso mas que
nasceram a partir de 1995 até 2010 e 12 então são realmente as pessoas que estão hoje nas nossas salas de aula nas universidades de acordo com research Center Essa é a geração mais diversa que já existiu do ponto de vista racial e étnico então se nós quisermos tornar as nossas salas de aula mais inclusivas né Nós temos que parar e considerar a diversidade que está na nossa sala de aula quem está na nossa sala de aula e também diversificar os nossos materiais para que eles sejam acessíveis a todas as pessoas né também para que os
próprios materiais sejam representativos dessa diversidade Então nesse livrinho que tá aí ao lado Geração Z explicada não sei se já tem tradução em português mas os autores falam eh de outras questões que a gente acha importante Levar em consideração os autores dizem por exemplo que essa é uma geração que está envolvida em ativismo que participa de causas relacionadas a mudanças climáticas a violência in Justiça racial E de gênero eles também estão impulsionando é uma geração que está impulsionando mudança ah mudanças nas ideias sobre inclusão sobre eh identidade de gênero então em outras palavras nós percebemos
que se essas questões eh de gênero nós percebemos que Essas eh questões de gênero e sexualidade mas também além delas de diversidade e inclusão elas são a base do interesse dessa nova geração e ao mesmo tempo nós entendemos que a linguagem inclusiva ela é só um elemento desse quebra-cabeça né então que nós precisamos abordar questões outras questões também né e partir de outras perspectivas Então hoje o foco da nossa apresentação eh pode passar glácia por Favor é esse artigo que nós publicamos Eh agora esse ano a academia de todes né uma análise da reação conservadora
contra o discurso de posse de Eloísa Teixeira e o que a gente vai fazer então a partir de agora Glau Você pode passar por favor eh eu vou fazer uma pequena introdução sobre eh esse evento que produziu o Corpus né que nos serve de base para trabalho a glácia depois vai fazer algumas considerações relacion a inclusividade O Gabriel vai trazer essa Intersecção entre língua e colonialidade e eu volto rapidamente para apresentar os dados e a gente passa então às perguntas e respostas então Eh o discurso de posse de Eloí Teixeira na academia 30 desculpa na
cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras foi publicado no canal do YouTube da ABL no dia 28 de julho de 2023 no seu discurso de posse ah Teixeira cita ela fala sobre a sua afiliação aos estudos feministas E de Gênero sobre o vínculo da sua pesquisa ao ativismo político sobre as reflexões ah sobre faz reflexões sobre o conceito do e o papel da língua como instituição social Ah e que tem desse modo segundo ela uma responsabilidade social e democrática e aí ela diz e eu cito aqui em aspas e a glácia mostra pra gente a
língua é principalmente a raiz onde se atuam as discriminações o controle de minorias etnias e territórios dessa forma os usos Da língua podem ser o espaço de pertença de exclusão de separação e até de eliminação do outro isso está no minuto na metade do minuto 34 do discurso dela que tem apenas 35 minutos de de duração E aí nos segundos finais da sua fala e Luiza diz o seguinte sentados juntos comigo nessa cadeira de número 30 estarão os sonhos e as propostas de muitos outros outras e outres dessa cidade infelizmente ainda partida e ela acaba
assim o discurso Então esse vídeo gerou 80 comentários até o dia 1eo de novembro de 2023 então um pouquinho mais de um ano atrás que foi quando a gente encerrou A análise dos dados todos todos esses esses comentários foram postados à época da publicação do vídeo em Julho e e manifestavam na sua maioria críticas ao uso da palavra outres né usado por por Teixeira ao final da sua fala então a partir da análise eh e categorização dos comentários nós Observamos que havia uma reincidência de uma retórica eh patologizante e moralizante como forma de timar a
linguagem não binária e quem usava eh e quem usa essa linguagem então agora o Gabriel e a e a a Gláucia primeiro trará eh trar uma base teórica que orientou a nossa a nossa análise Obrigada Cris eh reações à inclusividade não são novas não é eh os ataques à chamada linguagem inclusiva Linguagem neutra Depende de quem diz sublimam a hierarquia da sexualidades que já apareceu em outros trabalhos Ou seja a heterossexualidade e o binarismo são considerados a norma né E qualquer coisa que difere disso é desviante mas o que que acontece até mesmo formas eh
binárias podem ser questionadas como aconteceu com a Dilma Rousseff não é que escolheu ser chamada presidenta a leilan staufer eh analisou seis matérias em veículos de imprensa sobre tema entre eh 20111 e 2016 e dessas seis somente duas defendiam a marcação política da palavra presidenta e dessas duas só uma destacou o respeito em chamar uma pessoa como ela se autodenomina e as outras quatro reav que presidente é o termo correto não é pronto Ah Manuela Gonçalves e Bianca Guizo por sua vez analisaram comentário em dois canais de pessoas não binárias no YouTube Ah e a
análise revela alguns padrões nos comentários negativos havia comentários tanto positivos como negativos e esses um desses padrões identificados é é a equiparação entre gênero e Sexo biológico já tinha sido apontada por Judith butler Claro e a consequente patologização como a Cris vinha dizendo da não binariedade se o gênero é determinado biologicamente Então as pessoas não Binárias são doentes né A Gonçalves e guiso identificam também a caracterização da não binariedade como ficção científica né aproximando assim as pessoas não binárias da monstruosidade e esse eh imaginário de monstros eh tá na raiz da dominação Colonial que busca
desumanizar sujeitos não é e o Gabriel já vai voltar com essa ideia relacionada ao tema da colonialidade agora kti slamp Martha Black Juliana cortiana em 2020 Analisaram a a incorporação da linguagem inclusiva em espanhol nas plataformas Twitter e YouTube ah e né os comentários sobre o tema Ah e compararam isso esses comentários às posiç posições oficiais da real acadêmia espanhola e da academia Argentina de letras ah pro twitter A análise incorporou comentrios entre 2012 e 2019 mas não há menção sobre anos de publicação dos vídeos e dos comentários No YouTube mas enfim e meu ponto
já entre 2012 e 2019 o Twitter se revelava mais negativo aquela coisa mais não é podre enfim ah então no Twitter vemos uma equiparação entre gênero semântico e gênero gramatical o que mostra na melhor das hipóteses uma falta de entendimento sobre o assunto né havia também comentários Óbvio e eh ofensivos discriminatórios Ah e os que consideravam que a linguagem inclusiva é Uma ameaça à linguagem espanhola que a gente também aliás constatou no nosso texto anterior enfim ah e essa ideia da ameaça aponta paraa moralidade do idioma que é destacada por Mara glos Man glosem menciona
o sentimento de parte da população sobre a linguagem inclusiva e aqui eu cito como deformação de normas que representam traços de demarcação social eh para glusman é preciso desmontar o olhar normativo e moral sobre a variação linguística Eh o olhar moral sobre questões de gênero é reproduzido até por crianças como demonstra a Gabriele pedra eh pedra analisou questões relacionadas a gênero em quatro vídeos produzidos por crianças e em dois dos vídeos as crianças discutem a chamada ideologia de gênero e reproduzem o discurso predominantemente religioso não é que entende o gênero como algo natural ah e
diz que não se nasce homem ou mulher mas Deus os fez e Deus nunca erra Ah voltando né a equiparação entre gênero e Sexo biológico e pedra ressalta que esses vídeos revelam falta de empatia por parte eh dessas crianças que realizaram esses dois vídeos por outro lado Nem tudo está perdido os outros dois vídeos discutidos desconstroem a ideia de brinquedos para menino e para menina isso realizados por crianças mesmo né então há de fato crianças que compreendem questões de gênero como Construções sociais não é e não não como algo biológico a caracterização de indivíduos não
binários como Monstros Ou pelo menos como perigosos paraa sociedade é também atestada na análise de Ben Oliver e Adrian coyle e essa análise discutiu comentários em vídeos no YouTube a respeito de banheiros unissex e os dados analisados ah incluem noções aspas científicas que Se referem a uma minoria que não é natural a gente volta à ideia da naturalidade não é e tal como no Corpus de Gonçalves Guizo que a gente mencionou agorinha coliver cole também identificam a patologização do ã das pessoas trans não é que são consideradas mentalmente doentes e esses comentários online sobre os
unissex incluíam o uso de imagens infantis não é que aumentavam essa vitimização ah e Transformavam o debate sobre espaços públicos numa questão de moralidade né a essa suposta proteção de crianças eu ressalto suposta aparece repetidamente em projetos de lei brasileiros que nós analisamos anteriormente e esses projetos visavam proibir o uso da linguagem inclusiva para proteger crianças não é e isso nos remete novamente ao tal Imaginário da monstruosidade de identidades que Desviam da Norma ah buscando portanto desumanizar essas pessoas não é tal Como era feito na dominação Colonial que o Gabriel vai a explanar muito bem
muito bem muito obrigado muito obrigado Cris e Gláucia pela contextualização e por mostrar De onde nós estamos partindo bom eu agradeço mais uma vez ao convite oportunidade de estar aqui e como eh a crise a crise a Glau Já disseram eu entro nessa pesquisa de já depois delas Teria um percurso sólido e para mim foi uma alegria muito grande porque eu tenho aprendido muito dentro de um campo que Teoricamente né que a princípio não é diretamente ligado ao que eu faço porque eu venho dos estudos de Literatura e sobretudo dos estudos dos Black studies né
que se diz em inglês dos estudos negros estudos étnicos raciais em perspectiva comparada e os estudos de colonialidade Eu acho que o grande barato do nosso trabalho eu acho que o Um dos motivos pelos quais a gente consegue trabalhar tão bem e produzir tão bem é justamente isso né que a gente vende perspectivas diferentes eu acho que fomenta eh um um diálogo que a gente traz bagagens distintas e é justamente isso que a gente vai mostrar hoje De que maneira eh a a o trabalho que veio da linguística aplicada se misturou com os estudos eh
decoloniais e enfim sobretudo e a chamada colonialidade de gênero Como diz a a Maria lugones ah e e e deu Origem ao que a gente tem discutido aí já há alguns anos então Vamos por partes Vamos por partes primeiro Eh quero falar começar falando de língua E colonialidade trazemos aí essa importante citação do Pero de Magalhães gândavo mas antes de entrar nisso acho importante nós definirmos algumas coisas né até porque existem alguns termos que são muito repetidos e que as pessoas não sabem o que significa né Eu sempre sempre digo isso que virou uma certa
Moda falar decolonial pós-colonial anticolonial contra Colonial né as pessoas vão repetindo essas coisas porque todo mundo entende que ok Colonial é alguma coisa ruim então vamos vamos inventar alguma coisa que não seja Colon n aí vão surgindo vários termos mas às vezes eles ficam muito muito vagos então eu gostaria de começar definindo alguns desses termos né quando a gente fala em colonialidade nós não estamos falando em Colonialismo né ou seja colonialismo e colonialidade a primeira distinção que a gente tem que fazer eu gostaria de deixar isso aqui bastante sólido para nós podermos construir a partir
daí colonialismo é um processo econômico e político né colonialismo é um processo econômico e político que se dá literalmente quando um uma determinada um determinado poder né um determinado eh eh eh eh estado se apropria de territórios que não que não eh eh que a Princípio não não não lhe pertencem então exemplos mais simples para nós aqui quando a Colombo chega em 14 1492 ao Caribe ou quando Pedro ávores de Cabral eh Pedro ávores de Cabral chega à costa brasileira em 1500 isso inicia um processo colonialismo que tem a ver com extração de Rique que
tem a ver com dominação política etc etc que é o processo literal esse processo literal acabou no Brasil em 1822 com a independência né oficialmente então o Colonialismo se encerra na independência oficial né 7 de Setembro 1822 no entanto a colonialidade é outra coisa né E nós desenvolvemos essa ideia sobretudo a partir de um importante teórico eh peruano chamado Anibal kirano né o anibel kirano ele distingue o colonialismo e colonialidade de maneira bastante eh interessante ele diz a colonialidade é um um um sistema né Ou seja é um conjunto de de de crenças e de
ideologias que se mantém para além do Colonialismo e é isso que nos interessa né Porque nós já estamos Independentes oficialmente em termos de Brasil há 202 anos desde 1822 então colonialismo oficial já não existe há dois séculos mas a colonialidade se infiltrou e se impregnou de tal maneira que ainda tá muito muito forte muito vivo entre nós então colonialidade é um processo cultural ideológico e psíquico ao passo que o colonialismo é um processo mais diretamente político econômico dito ISO Nós estamos falando de língua e colonialidade né porque não existe uma autoridade Portuguesa que nos obriga
e nos impõe no sentido oficial como se fazia no século XVI mas existe ainda um senso Colonial que perpassa nossas práticas culturais educacionais linguísticas etc então quando eu falo de língua e colonialidade a gente tá partindo de uma mentalidade de uma forma de entender língua que é baseado no autoritarismo Colonial E aí Por isso que nós começamos essa parte da nossa apresentação com essa importante frase do século X do Pero de Magalhães gândavo né a carta do perov caminha obviamente o texto mais famoso do século X Luso Brasileiro também tem menções e que são bem
interessantes mas o registro do pedo de magar gândavo é o registro de digamos mais Evidente mais explícito para falar sobre língua no contexto Colonial porque ele literalmente se refere a fenômenos a a fatores fonético Fonológicos né e isso é muito interessante porque a gente começa a perceber que há 500 anos né estamos falando de século XV há 500 anos a as digamos as ideologias linguísticas e o juízo de valor linguístico não é linguístico né é cultural não é al que faz parte do sistema linguístico em si algo que o nosso Marcos banho né explicou no
famoso livro preconceito linguístico eh que o preconceito linguístico não é linguístico né é Social Mas é interessante a gente pensar que a raiz disso data de cinco séculos pelo menos E aí leio com vocês o que diz o Pedro de Magalhães gand ele fala o seguinte ele tá descrevendo os povos né indígenas milhares de povos indígenas e ele especificamente se refere ao Tupi E ele fala o seguinte não se acha nela nessa língua f nem L nem R cousa digna de espanto porque assim não tem fé nem lei nem rei e desta maneira vivem sem
justiça e desordenadamente olha que Coisa interessante Então o gândavo parte né do Olhar absolutamente eurocêntrico absolutamente e eh eh eh eurocris também né que é uma questão de fé obviamente né de da Bíblia e da da expansão do do império cristão ele parte da sua visão etnocêntrica masculina Branca etc ocidental para dizer o seguinte Olha eu tô aqui ouvindo esse pessoal tô aqui ouvindo Esses povos indígenas e eu não consigo escutar ele ele faz eh ele parte de um de um fenômeno que é fonético não Existe o som de F esse f nem o som
de L Essa lateralização nem o som de R portanto se eles não têm o som de f l r Eles não têm fé não tem lei e não tem rei e olha coisa interessante ele parte de um fator fonético para passar para um fator lexical né do vocabulário que por sua vez também é semântico significado né das palavras fé lei e Rei para desembocar no fator er absolutamente ideológico né ele parte de uma coisa fonética mas ele termina com uma coisa Ideológica porque evidentemente eh Esses povos aos quais ele aos quais ele tá se referindo
tinha suas próprias formas de organização primeiro religiosa com a fé segundo eh legal né com a lei e terceiro política né com o que ele chama de Rei mas a por por devido ao fato de que aqueles povos não seguem exatamente o modelo que ele esperava enquanto um sujeito português século X Ele diz eles vivem desordenadamente ora pois né se eles não têm rei como a gente tem lá na Península ibérica se eles não têm fé que que é católica Cristã como a gente tem lá na Europa se eles não têm o modelo de lei
que a gente tem lá então não existe nada disso Isso é muito interessante porque a gente começa a perceber como o olhar Colonial que como a glao já nos disse muito bem desumaniza o olhar Colonial parte do princípio de enxergar no outro o não eu ou seja tudo que não diz respeito ao que eu acredito que eu faço primeiro não é legítimo e segundo Deve ser exterminado né Essa é a base do Olhar Colonial E isso se expande a diversas experiências coloniais experiência inglesa na na Índia ou no continente africano a experiência espanhola no Caribe
da América hispânica etc etc etc né Eh então essa ideia de impor um um um idioma que vem dentro de si embutido uma série de elementos ideológicos culturais religiosos políticos etc etc lembrando Inclusive só uma observação que a nossa grande Teórica afro--brasileira lélia Gonzales né esse ano é ano importante de lembrar da lélia que completamos 30 anos do falecimento dela a lélia Gonzales que desenvolveu a teoria do prtugues né português negro português Preto ela parte de de uma coisa semelhante né ela diz olha nós no Rio de Janeiro que dizemos Flamengo não é simplesmente porque
a gente entre aspas fala errado é porque esse R é o rotacismo do k bundo que veio de Angola BL blá blá e ela Desenvolve uma bela teoria dizendo na verdade falar Pranta ou falar Flamengo é uma uma raiz de um africanismo de um idioma que simplesmente não tinha essa lateralização né não tinha o l Então em vez de falar planta falava-se planta trocava o r pelo L enfim quem conhece de fonética fonologia sabe que is é um rotacismo né o r que o r entra no lugar do r Mas a questão toda é a
língua portanto ela vem sempre embutida num sistema eh Colonial né o jeito que você Decide utilizar esse idioma vem carregado de ideias de ideias e Valores que não sistema linguístico né nesse caso não são fonéticos fonológicos são ideológicos tá eh lembre por exemplo do nosso grande teórico Francis fanon que nos anos 50 tem a famosa e belíssima frase que ele diz falar é existir absolutamente para o outro aí depois ele completa dizendo eh falar um idioma não é apenas dominar sua fonética sua Morfologia e sua sintaxe mas é sobretudo suportar o peso de uma civilização
né Essa frase que eu já decorei de tanto citar nas aulas essa frase está no primeiro Capítulo do pele negras Máscaras Brancas de 1900 ele começando 52 e o fanon ele diz isso né falar é suportar o peso de uma civilização ele diz isso como um sujeito negro da Martinica de uma colônia francesa que aprende o francês e vai estudar na França né E ele fala então falar é Suportar esse peso no caso dele do império francês né Então essas ideias nos ajudam a pensar que a a experiência colonial de dominação de subjulgação e de
de desumanização do outro vem sempre embutida de um fenômeno linguístico tudo bem vamos avançar um pouquinho por favor vamos pro próximo eh próxima página E aí associada a essa ideia nós temos o a ideia do autoritarismo infiltrado como linguagem social a gente parte sobretudo da da Lilia Schwartz né que também Imortal coincidentemente outra Imortal recentemente Imortal Lilia Schwartz eh antropóloga historiadora professora da USP professora da princeton eh ela tem uma série de livros e ela tem esse livro especificamente que fala sobre desse assunto inclusive o livro termina com uma referência às Comunidades LGBT kapn mais
mas o livro como um todo discute a ideia do autoritarismo isso é muito interessante e o que que argumenta a A Lilia Schwartz ela diz o autoritarismo Brasileiro eh e ela remete a toda a ideia da colônia e como acabamos de dizer aqui o último país a abolia escravidão que deixou consequências muito sérias eh esse autoritarismo não é simplesmente uma característica de momentos da história do Brasil esse autoritarismo ele se infiltrou como linguagem social isso é muito interessante para nós pensarmos do que a gente tá discutindo aqui porque o Brasil historicamente lida Com com o
fator com o fenômeno do autoritarismo de uma maneira muito ambígua né é um país por exemplo que até hoje 2024 insiste em celebrar um Imaginário democrático por exemplo da chamada democracia racial a despeito das suas graves sérias e profundas desigualdades de gênero de classe de raça etc etc então o Brasil e suas ambiguidades é justamente o cenário o palco a respeito do qual e sobre o qual nós erig o nosso trabalho e o fato de Nós estarmos discutindo a ABL né que é o símbolo máximo da língua portuguesa né que é o símbolo da língua
digamos oficial faz com tudo fique faz com que tudo fique mais interessante ainda porque esse caráter de oficialidade do idioma está o tempo inteiro em questão como a a Cris mostrar daqui a pouco nos comentários né Muito muito da retórica agressiva que se utiliza contra a academia e contra a Eloísa Teixeira é com a ideia de que mas a AB tem que Proteger a língua né é a guardiã da da da língua e essa ideia de proteger e guardar a língua ela muitas vezes vem embutida numa ideia de defender as Entre Asas a moral e
os bons costumes né porque a língua reflete a moral de um povo etc etc e É nesse ponto que eu quero trabalhar com você ideia de autoritarismo porque lembrem vocês que desde o século XV mesmo antes da Chegada ao Brasil desde o final do século XV os portugueses e os espanhóis que lideraram A expansão marítima tinham essa ideia muito muito muito clara Quando nós vamos estudar por exemplo no contexto hispano o cenário ali do sepúlveda do do las cassas e dos outros enfim vários outros cronistas do começo do século X há muito claramente essa ideia
de né a linguagem e o império a linguagem el Império né a a língua e o império a língua faz parte do império Então se eles estão falando o espanhol Eles já fazem parte do império se eles estão falando português eles Fazem parte do império e assim por diante né e isso é um fenômeno Tão Profundo e tão complexo e tão e tão diria concreto que até hoje a gente vê isso né até hoje a gente vê essa essa e hoje em dia não mais no império Português nem no império espanhol mas até hoje a
gente vê que essa expansão cultural por exemplo de Hollywood ao redor do mundo é diretamente ligada à língua né e e a questão da língua é sempre uma questão de uma disputa Ideológica uma disputa política não à toa Só uma observação o governo chinês nos últimos anos tem investido bilhões e bilhões e bilhões não sei se vocês TM acompanhado essa discussão que é interessantíssima o governo chinês tem investido bilhões no próprio cinema para que as crianças chinesas Ouçam o os filmes e assistam filmes em mandarim e não tenham tanto filme em inglês de Hollywood né
então tem uma questão muito interessante eh ideológica que tá sempre Embutida numa questão linguística Né desde como eu falei eu disse desde o século X porque a gente tá falando do contexto da colonização idade moderna Mas se a gente pensar no Império Romano a primeira coisa que o império romano Fazia era impor o latim né na na nos lugares onde ele chegavam então a autoritarismo colonialidade de língua são sempre eh tripés de um mesmo fenômeno tá então no caso brasileiro em específico a gente vê esse esse esse Essa característica do autoritarismo que desemboca nesse fenômeno
de uma perseguição de um ataque à linguagem nominar área H como se e como nós discutimos no outro trabalho do Rainbow scare né como se fosse uma grande ameaça uma grande agressão um grande perigo né o que será de nós o que será da Moral e dos bons costumes beleza como é que eu tô de tempo gente eu ia ligar aqui o cronômetro Esqueci Me desculpe Estamos bem de tempo Estamos bem de tempo né Estamos um pouquinho apertados Gabriel a gente tá tentando terminar as 10 Tem que apresentar os resultados mas vai terminando aí depois
não já tô concluindo já tô concluindo bom E aí eu queria só que eu já antecipei na verdade então fanom para quem quiser aí a referência para negras Máscaras Brancas eh a linguagem portanto né manifesta o poder então a linguagem sempre está manifestando o poder e eu gostaria só de encerrar eh mencionando aqui com vocês Algumas referências para quem quiser eh quem quiser se aprofundar nessa discussão que é no no que diz respeito à discussão de Rac etnia Ah o fanon maravilhoso que eu já falei e meu xará Gabriel Nascimento que lançou em 2019 Se
não me engano 18 esse livro racismo linguístico né que vem muito na esteira do fanon e muito na esteira da lélia Gonzales eu falei dela aqui que é outra autora fundamental a a propósito a lélia no discurso da Assembleia constituinte 1987 quando estavam né confeccionando a constituição que seria de 88 a lélia é um discurso extraordinário que eu recomendo todo mundo Leia tem disponível na internet eh a lélia fala uma coisa que eu acho assim perfeita e infelizmente muito atual ela falou em 87 isso mas ela fala o Brasil por conta de da da forma
como ele articula o poder e na sociedade brasileira o Brasil desenvolveu um método de aparti que é ainda distinto do J crow americano Norte-americano ou da África do Sul e ela conclui dizendo o Brasil tem um apartai mais sofisticado do mundo eu acho muito importante a gente ter isso em mente né o Brasil tem o apartai mais sofisticado do mundo por quê Porque é um apartai não declarado n um apartai que finge muito democrático então para pensarmos a nossa questão aqui é um país que tem a maior parada LGBT que é mais do planeta em
São Paulo é um país que tem hoje A drag queen mais famosa e Seguida do planeta que é Pablo vitar e ao mesmo tempo é um país que acumula dados absolutamente ediondos de crimes de ódio e e é o é o o país que mais tem crim de ódio contra as comunidades igbt que a mais tá E aí o último prometo que vou finalizar o último agora última referência só IMS anotar Eu já falei sobre isso quem quisesse aprofundar nessa discussão especificamente sobre binarismo de gênero eh Eu mencionei a Maria lugones né que é uma
teórica Decolonial ela tem um famoso artigo chamado por um feminismo decolonial que ela fala tudo isso que eu tô dizendo mas esse livro especificamente do Estevan Fernandes é muito interessante né o livro chama existindo OK e ele conta que decidiu botar o nome do livro assim de propósito porque ele fez uma longa pesquisa de anos e anos doutorado dele é sobre isso sobre colonização da sexualidade no século X e ele diz que toda vez que contava para algum amigo o Tema da pesquisa dele a reação era ué mas existe ind gay e aí ele botou
existe indio gay na no título do do livro então ele discute a de que maneira a colonização um fenômeno cultural religioso linguístico mas também coloniza a Sexualidade que a própria ideia de homossexual foi produzida foi inventada né Por uma lógica eh Colonial os os povos indígenas do norte do do Canadá até o sul da Argentina povos indígenas tinham múltiplas formas e Manifestações de gênero e sexualidade que não condiziam com a perspectiva eurocris do homem né do homem e mulher ou do étero do homem tá bom na época chamada de pederastia ou sodomia Obrigado Estorei um
pouquinho Sinto muito mas temos um tempo pronto fica fica evidente Porque que a gente convidou o Gabriel para participar do nosso do nosso trabalho né gente como enriqueceu eh nosso trabalho Obrigada Gabriel Obrigada Gláucia gente A gente vai passar então agora fazer uma análise muito rápida Dos comentários que ah foram gerados a partir do vídeo que eu já mencionei então 80 comentários né o vídeo da que foi postado do discurso da Eloí gerou 80 comentários e nós classificamos esses 80 comentários da seguinte da seguinte forma nove foram considerados positivos porque eram cumprimentos e opiniões elogiosas
outros noves foram eh classificado como comentários neutros Porque não existia assim um juízo de valor eles não tinham nenhuma marca linguística como exclamações letras em caixa alta ou uma ironia que fosse perceptível né que pudesse ali evidenciar um posicionamento contrário a favor Então nesse grupo é interessante porque a gente registrou cinco perguntas que eram Qual é a posição oficial da ABL sobre linguagem neutra que podiam ser realmente né questionar questões eh legítimas as pessoas querendo saber Sobre isso mas 62 dos 80 comentários foram classificados nós nos classificamos como negativos porque Claro amente evidenciavam críticas acusações
ou comentários depreciativos desse 62 nós eh eh classificamos esse 62 em quatro subgrupos que vocês estão vendo aqui né e sendo a maioria desses comentários pode ser enquadrado em mais do que um subgrupo então o primeiro subgrupo eram comentários que exigiam um Posicionamento ou nota oficial da ABL sobre o uso da linguagem L binária totalizaram 51 15 postagens pediam eh justificavam né esse pedido eh de posicionamento Por reconhecerem que academia era defensora daa da língua portuguesa 36 comentários classificavam o uso de outres e da linguagem num binária em geral como abro aspas desvios linguísticos ou
desvio moral e quatro eram ataques o o quarto quarto subgrupo que Totalizavam seis comentários eram ataques pessoais a Eloísa Teixeira Então a gente vai analisar rapidamente cada um desses então no primeiro nos exemplos do subgrupo um eh a gente vê essa exigência de posicionamento né ou de uma nota oficial da ABL Então a gente tem facil urgente uma nota de repúdio da ABL contra a linguagem neutra é de suma importância que ABL se manifeste contrário ao o pronome supostamente neutro outra Isabel vergonha vergonha Vergonha né então numa Clara oposição ao uso da linguagem não binária
mas dentre estes o que mais nos chamou a atenção foi esse último continuo no aguardo da posição da B quanto a linguagem neutra já enviei e-mail mensagem no Instagram e nada de resposta e para coroar a dona Eloí usando todes bom o que é muito interessante sobre isso é que a palavra todes nunca foi utilizada no no no discurso da Eloísa de Teixeira né então comentários que eram repetidos porque Havia muita repetição assim exatamente dos mesmos comentários comentários Breves O equívoco desse último comentário usando todes nos fizeram pensar que algumas pessoas nem viram nem assistiram
o vídeo né pelo menos não na íntegra mas engajaram na discussão simplesmente por se oporem ao uso da linguagem na não binária E aproveitando aquela ocasião para registrar esse descontentamento a abjeção ou a vergonha Como é utilizado nos comentários né nos Exemplos do subgrupo dois eh que exigiam né que venha ABL como defensora da língua nós temos então Eh pode passar glácia nós temos então Eh exemplos como ah a b não respeita sua missão Está debochando da história da da história da casa não fundou uma casa de militância ou a BL defende a língua portuguesa
ou ela se prostitui por respeito humano eu tô até agora tentando entender o que que isso significa porque é complexo né a BL Envergonha sua história e assim por diante então aqui além da recorrência né dos princípios eh civilizatórios e tal que a gente eh que a gente pode ver como respeito vergonha eu acho que a gente tá eu acho que eu passei na verdade um que eu pulei eh se tu puder passar o próximo Gláucia também eu já vou ler do os exemplos do grupo três ã que viam a língua né como esse desvio
linguístico e moral a gente vê outres desrespeito né outres é Associada à ideia de desrespeito de desprezo pela língua pela falta de zelo com o idioma linguagem é chamada de linguagem ideológica é chamado como é referido como um escarnio com a língua um desvio uma tentativa de destruição de desmantelamento da língua portuguesa né de novo a palavra vergonha é usada 13 vezes nesses comentários Ah e alguns comentários dizem que a linguagem inida é inadmissível que é um equívoco que é um deboche vilipêndio que É patético malfadado né fala da índole da índole libertina ou patológica
né então usam safadeza Tenebroso aberração bizarrice degenerado e de Ono maligno tá todos todos esses termos relacionados à linguagem no binária e muitas vezes como uma como uma extensão também as pessoas que a usam Então essa recorrência a gente vê aqui essa recorrência desses princípios que são iz atório né de respeito de vergonha e fica muito Evidente né que a ABL ela é então voltando aos aos slides do do grupo anterior né que a é vista como um órgão que deve defender a língua a Qualquer Custo E aí por defender a língua a gente entende
né que é não permitir que nenhuma transgressão da Norma ocorra mas fica também Evidente a ideia da língua como um sistema absolutamente rígido e estanque que não tá aberto a mudanças né Eh e Que que tem regras né que são totalmente desvinculadas de qualquer quaisquer fatores externos incluindo as necessidades de quem a usa né então é muito interessante Porque como a gente falou lá na introdução eh Eloí fala né sobre o papel da língua né como como um espaço de inclusão ou de exclusão mas em nenhum momento desses comentários a gente vê qualquer referência ao
que ela disse né é simplesmente eh em todos esses comentários estão Dirigidos unicamente à palavra outres né então seria muito interessante ver ao lado também dessas postagens qualquer argumento que fizesse menção as colocações que ela fez antes mas a gente realmente eh não não não não vê nada disso nesses nesses comentários então Borba e Milane em 2019 eles propõe a noção de intertextos coloniais para nomear as conexões linguístico visuais entre o arquivo colonial e a representação dos corpos outri ficados e Esse conceito nos ajuda a entender como nesses comentários há essa tentativa de deslegitimar né
a a linguagem não binária tratando-a como uma uma devassidão H como como a moral e tal eh de modo a re reencenar esses discursos europeus né que que que o Gabriel bem bem eh relatou pra gente antes eh sobre os provos africanos e ameríndios então Vale lembrar que desde o século XIX quando o discurso médico desenvolve a noção Moderna de homossexualidade o questionamento né da índole tem sido uma ferramenta bastante poderosa para seguir para perseguir Os Pequenos perversos né conforme Foucault mas repete-se também nesses comentários essa patologização que a gente já tinha falado da não
binariedade e a discriminação contra a comunidade LGBT quean mais verificadas em outros estudos eh no próximo nesse nesse slide que a que a Gláucia agora eh tá mostrando então que é o subgrupo Quatro nós temos eh nós temos aqui os ataques pessoais a Eloí então você vê uma moral que não sabe a própria língua a nova ocupante da BL não respeita a própria língua materna acredito que ela estava um pouco alta essa senhora está senil e incapaz isso se referindo a Teixeira Vai envelhecer podre então nós vemos aqui que o uso de outres eh põe
abaixo toda essa trajetória de lutas de aprendizados e conquistas de Teixeira né não importa Quem ela seja o título que ela tenha o emprego a partir partir do momento que ela emprega que ela usa a linguagem não binária Esse ato insere instantaneamente no grupo de pessoas delinquentes e e degeneradas para usar os termos utilizados pelas pessoas que que que que escreveram os comentários né E e aí inserem nesse discurso de ódio e no plano de extermínio do outro que merece ser desmoralizada e ridicularizada o etarismo também praticado contra a Teixeira assim como os comentários que
questionam né a capacidade mental ou intelectual dela são exemplos dessa violência que aqueles que defendem a ordem e a Moral Entre aspas né se dispõe a praticar em nome de uma pureza linguística e do saneamento dos corpos Ah e da sociedade brasileira eh então a gente vê que ao usar o outres a techeira revela para ela uma escolha específica né inconsciente ah de usar tanto a língua quanto a cadeira 30 da Academia como espaço de inclusão renovando assim o compromisso que ela assumiu a décadas com uma multidão de pessoas marginalizadas que sempre foram o foco
dos estudos da sua dedicação profissional e mas é justamente essa essa essa escolha né que que que traz aí de volta então todas toda essa agressividade toda essa tentativa de silenciamento de extermínio desse outro que nessa socied pelo menos para esse grupo de pessoas é Absolutamente inaceitável eu vou parar por aqui pra gente poder ter um tempinho de discussão eh e enfim deixar as pessoas fazerem suas perguntas seus comentários estamos abertos aqui eh para um bate-papo fiquem à vontade muito bem então que aula fantástica né gente foi muito B Muito bom ouvir vocês ah agradeço
antes de agradecer a vocês Três eu quero agradecer a todos né a todas todos que estão aqui conosco né na sala e quem vai nos assistir depois offline né agora professora Cris Gláucia a Gabriel muito respeito muita gratidão a vocês por se dispuserem a a compartilhar o seu tempo seu conhecimento né com a gente aqui nesse bate-papo vocês realmente formaram um trio fenomenal Deu para entender perfeitamente o terceiro elemento Incluído Gabriel foi muitíssimo bem escolhido né e as experiências pessoais de vocês e as suas perspectivas únicas né eu diria nessa forma como vocês abordaram as
questões ideológicas e e coloniais na na Vilan na na demonização da linguagem inclusiva abriram realmente ente um espaço fundamental para pra reflexão pro diálogo né Obrigada por inspirar a gente a buscar um entendimento mais profundo e aí eu deixo então aberto agora para quem quiser Fazer né Eh um comentário ou pergunta se vocês quiserem escrever no chat ou falar né como eu tinha falado fiquem à vontade para fazer uso ah do microfone né o professorer tinha levantado a mão pode e depois o Vítor Então vamos É acho que eu lev a mãozinha o Vítor aí
não sei se o Vítor quer começar Vittor depois pode ser eu pode f Com Vontade Olá bom dia ah Bom primeiramente gostaria de fazer couro aqui com com a Neuda eh professora glus Cristine Professor Gabriel Foi simplesmente uma aula fantástica Eu também sou dos estudos de de Literatura e também da linguagem que eu trabalho com ensino de literatura Inclusive eu já eh já tinha visto algumas palestras do Gabriel lá no literatura inglesa Brasil né Foi muito bom Ah então com relação assim especificamente aos estudos de linguística eu ainda não não sou um especialista né como
eu disse eu venho dos estudos de literatura mas sou um pesquisador queia de estudos de gênero e sexualidade eu fiquei interessadíssimo na na pesquisa aí me surgiu só uma questão com relação até mesmo a expressão linguagem neutra né que obviamente eu vi eu percebi que vocês usaram em vários momentos linguagem Inclusiva mas eu fiquei com é mais é mais uma provocação uma pergunta também o que que vocês acham desse desse conceito linguagem neutra sendo que a linguagem não é neutra Ah seria mais adequada a gente pensar em utilizar daqui em diante eh linguagem inclusiva O
que que vocês acham disso com relação à linguagem neutra uhum ótimo você quer que eu comece Glau você é não é contigo vai que é tua tá Farel Então olha só é muito interessante Isso Vitor muito obrigada por essa por essa pergunta quando a gente começou a falar sobre essas questões em português em 2015 não havia um consenso sobre essas nomenclaturas e agora mais recentemente parece que tem H agora já há então a gente muitas vezes até porque às vezes a gente falando não pensando muito na tradução do inglês pro inglês que não tem ess
exatamente a mesma diferenciação a gente acaba usando todos os termos Como sinônimos mas eles não são uma coisa que a gente sempre faz é usar o que a comunidade queer no Brasil principalmente tá usando né seja de escolha de pronomes sugestões de de adaptação da língua conceitos então lá eh tem um site que a gente sempre usa de de referência que é o politize.com.br E nesse site eles fazem bem a diferenciação dessa dessas duas terminologias então a linguagem eh inclusiva ou não sexista até puxei aqui De novo também para não cometer erro mas a in
a linguagem inclusiva ou não sexista é aquela que busca comunicar sem excluir ou invisibilizar nenhum grupo e sem alterar o idioma que conhecemos Então Inclusive a não sexista usariam a as palavras que a gente já já já usa então por exemplo não sei se hoje eu fiz muito isso mas eu eu uso bastante a palavra pessoas as pessoas que estão na nossa sala de aula Ao invés de dizer alunos ou ou até mesmo estudantes né então a linguagem inclusive ela não alteraria já a linguagem neutra eh ou não binária seria aquela que também é uma
linguagem que que quer que tem o mesmo propósito de incluir todas as pessoas mas que altera o idioma então todes outres seriam exemplos de linguagem neutra ou não binária eh na nossa opinião eu acho Na minha opinião particular eu acho que a gente Tem que ouvir eh e seguir O que a comunidade LGBT tá tá dizendo as nomenclaturas elas são sempre complicadas né e inglês a gente usa inclusive language para falar de formas eh binárias não binárias neutras e tudo mais então Eh GL eu não sei se você tem uma opinião pessoal a respeito sobre
o que que acha da nomenclatura mas a gente tenta seguir o que as comunidades lgbtq n mais estão usando eu só queria acrescentar Que nas nossas análises aparece muito o que a por exemplo no nosso texto anterior Não este o que os projetos de lei mencionavam e existe e chamam de tudo né os comentários nesse nesse caso a mesma coisa Ah então como não existe consist e a gente tá fazendo essa análise a gente acaba trazendo muito o que essas pessoas dizem não é não necessariamente o nosso entendimento sobre o que é o quê uhum
ah bom eu eu super compartilho da da da Opinião de vocês o eh inclusive em pensar que a gente tem que ouvir a comunidade né Eu acho que a gente precisa pensar numa prática queer isso obviamente tem a ver com o escutar as comunidades né porque antes de chegar à Academia já há lutas nas ruas né ah mas assim como professor mesmo Eu sempre fico aí é mais um comentário né sobre a minha experiência eh por exemplo a gente saava de aula esses dias Agora mesmo eu tô trabalhando com Orlando de Virginia Wolf né E
que Orlando passa por uma mudança de sexo ali no Meio do romance e eu percebi que os alunos ficaram muito preocupados em usar o pronome correto porque no início do romance ele ri depois fica né a própria a a própria narrativa muda isso mas ao mesmo tempo é um personagem que né que a gente pode entender Até como uma personagem transexual apesar do seu viés Fantástico Mas eu percebi uma uma uma interesse dos alunos em falar Professor eles estavam se referindo ao Orlando como Day o tempo inteiro aí mas aí um aluno fez uma pergunta
que eu fiquei pensando Professor Mas qual é o correto foi a palavra correta a qual eu eu me apeguei qual seria o correto a gente usa D eu falei ok D seria a linguagem neutra a eu falei a mesma coisa que a Cristiana acabou de dizer a linguagem neutra essa que não muda o idioma e tem a que muda o idioma mas para mim ficou parecendo que eu estava Dando apenas uma opinião pessoal sobre Ah vamos usar então o Day do que ter de fato um consenso acadêmico então eu fiquei um pouco na dúvida com
relação a isso o que que vocês acham seriam H um senso porque eu já ouvi inclusive professores assim progressistas da esquerda discordando da mudança do idioma mas eh concordando com a linguagem inclusiva por exemplo Então eu não sei é realmente uma dúvida assim o que que vocês acham na experiência de Vocês em sala de aula enfim ah eu vou desculpe Cris mas eu vou trazer o Gabriel porque ele tem uma ele diz uma uma coisa fantástica sobre concordar ou discordar Gabriel você quer trazer aquilo pra gente Claro claro eu acho que tudo a ver é
importante eu uso uma analogia né que já usei várias vezes relo com a Cris porque acho que quando a gente traz uma ciência exata as pessoas eh conseguem entender como a materialidade que eu tô Dizendo mas eu costumo dizer que perguntar se nós linguistas concordamos ou discordamos da da linguagem não binária igual a perguntar para um físico se ele concorda discordo da gravidade né e eu uso essa analogia porque a gravidade está dada está posta da mesma maneira que o outris o todes o elo já está dado está posto então não é uma é é
um fenômeno que circula e que existe e não cabe a nós sentee concordar o discordar infelizmente a sociedade Contemporânea sobretudo nas redes sociais tem uma necessidade urgente de ter opinião sobre tudo e concordar ou descordar sobretudo né E tem coisa que não é para achar né Tem coisa que a gente não tem que achar ou deixar de achar Então eu acho que quando se trata desse assunto restringir o debate simplesmente para Ah mas você concorda ou discorda é apequenar demais a conversa né porque é um fenômeno que já existe ponto a Pergunta não é concordar
ou discordar a pergunta é como é que a gente vai lidar com esse fenômeno né como é que a O que que a gente vai fazer a gente vai eh no caso de da língua estrangeira aqui nos Estados Unidos a gente vai ensinar de uma maneira ou de outra inclusive existem divergências dentro das pessoas que abraçam tem pessoas por exemplo que desde a primeira aula de português 101 já colocam Elo como um dos pronomes outras pessoas optam por esperar um Pouquinho botar mais à frente e etc etc e eu acho que tudo todos eu sinceramente
eu acho todas as abordagens são válidas né O que não dá é a gente apequenar discussão com essa coisa de Ah mas Eu discordo né Ah mas eu concordo o fenômeno Já está dado a questão é como a gente vai lidar com com esse fenômeno né acho que isso que é o ponto Fundamental e só um rápida observação sobre isso do Orlando eu acho IMP legal se trazer esse exemplo da literatura que eu acho também Bacana como diz o nosso recente ente falecido Jameson né o saudoso já saudoso Jameson always historici né Eu acho importante
a gente historicizar as discussões num romance como da Virgínia wuf ela não usaria a linguagem da maneira que a usaria em 2024 né então quando a gente se volta para esse tipo de de discussão na casa da literatura histórica é importante modalizar né Essas coisas e eu dou aula de de literatura norte-americana também aqui Na em Miami e eu trabalho muito com autores dos anos 20 né que é minha pesquisa assim principal e autores negros anos 20 o tempo inteiro usam palavras que hoje seriam consideradas inadmissíveis né chamada and Word toda hora tá no texto
deles nos anos 20 e 30 e é muito curioso porque a gente vê a lunos norte os brasileiros de língua estrangeira como do inglês estrangeira às vezes não tem essa sutileza mas os alunos que TM inglês com primeira língua Ficam extremamente incomodados com os textos extremamente assim extremamente é toda todo semestre eu tem alguém comentando ai mas eu acho errado ai mas não sei o qu então always History siz né a gente não pode voltar para um 3 1922 e falar assim ah não mas isso aqui não vamos ler mais porque 2024 não falar mais
essa palavra Então eu acho que é importante nós entendermos que como qualquer fenômeno cultural eh o uso da da língua vai se modificar o tempo Inteiro e Que bom né que se modifica a gente tem que conseguir historicizar a discussão Quando se diz quando se diz sobretudo eh eh do estudo de literatura né de de gênero e raça e só is já pra gente já passar pro Cléber não eh mas H só voltando aquela tua pergunta do que que é correto a fazer principalmente dentro da sala de aula né porque assim tudo bem a gente
tá falando sobre um texto e o Gabriel acho que coloca muito bem dessa questão né de de de pensar que São textos escritos em épocas diferentes e e o que seria possível e não naquela época e é hoje eh O que é correto Na minha opinião na nossa sala de aula com as pessoas que estão na nossa sala de aula é usar os pronomes que as pessoas escolhem então se eu tenho uma pessoa que se diz se declara uma pessoa não binária eu preciso usar com ela o pronome Elo eu não vou me referir a
essa pessoa como ele ou como ela a menos que seja uma Opção dela usar todos os pronomes que isso é uma coisa que muitas pessoas dizem pode usar qualquer pronome Desde que não fique sempre numa não use sempre o mesmo e às vezes eu pergunto paraas pessoas e como é que eu vou saber se você quer naquele dia que você seja chamado de ele ou ela ou Elo E aí as pessoas dizem Olha como eu tô vestida uma pessoa disse esses dias às vezes eu me monto toda eu levei duas horas para fazer a minha
maquiagem para fazer meu Cabelo eu chego na sala de aula você me chamar de elo eu vou ficar muito de de ele eu vou ficar muito triste naquele dia minha personalidade é uma personalidade feminina então eu e a Gloss fizemos uma apresentação na semana passada e foi interessante porque uma pessoa disse assim pra gente professora de português aqui nos Estados Unidos Ela disse assim eh eu não acho certo a gente impor isso a ninguém eu falei Ninguém está impondo nada se você se considera Uma pessoa né se você usa o pronome masculino Você vai continuar
usando o pronome masculino a aí essa pessoa disse essa professora disse ela falou é pois é então Eh eu não acho certo também que a gente tenha que exigir dos demais alunos usarem o pronome neutro eh com alguém na sala de aula eu acho que a gente tem que deixar isso como uma escolha para todo mundo eu falei olha Eu discordo plenamente de você eu falei porque se eu quero criar uma sala de aula inclusiva Tem que ser inclusiva para todo mundo então a partir do momento que eu tenho uma pessoa hétero que se nega
a usar um pronome não binário com uma pessoa que tá dizendo que é uma pessoa não binária eu não tô sendo inclusiva com aquela pessoa então essa pessoa não faz parte da minha sala de aula essa pessoa que se nega a usar o pronome com a colega o coleg eh não cabe na minha sala de aula né então eu acho que essa questão de ser correto ou ser Incorreto tem muito a ver com com isso né a gente tem que criar eu quero criar uma sala de aula inclusiva para todes né acho que a gente
tem kéber e tem i isso Ão só comentário meu acho que é bem rapidinho viu Nilda é bem rápido o meu comentário primeiro lugar viu clusia viu Gabriel viu crisa queria agradecer muitíssimo né a belíssima apresentação de vocês eu tô muito impactado com informações que vocês compartilharam agradeci muitíssimo o nosso grupo de Pesquisa e eu queria só fazer um comentário assim rapidamente um comentário mesmo ouvir vocês eh né Eu estive fortemente ligado à equipe do manual da presidência da república que vai ser o novo manual agora e a discussão viu Cris viu Gláucia viu Gabriel
muito grande a gente incorporar no manual da presidência da república a linguagem inclusiva então depois eu queria viu glácia marcar um dia com você o Gabriel e também com Cris e neilda pra Gente conversar um pouquinho sobre o que vocês pensam sobre esse assunto eu queria aproveitar eh marcar um café Talvez né um um chá nosso E aí eu queria pegar algumas impressões de vocês pra gente inserir na discussão da equipe tá do manual da presidência da república esse seria o meu pedido segundo que eu queria também só fazer um alento assim viu Gabriel né
a crise né Gláucia né meu a partir do que vocês falaram eu acho que vocês trazem uma esperança pra gente De que é possível a gente trabalhar com a linguagem inclusiva até coloquei algumas discussões aqui no chat de alguma discussão já publicada no Brasil sobre linguagem binária linguagem inclusiva E aí eu só termino talvez essa minha intervenção esse comentário meu só para falar que a gente tá nesse movimento agora de uma valorização das diversidades Então eu queria só terminar talvez com esse tom eh quando o Inep agora coloca uma discussão sobre História africana dentro do
Enem eu acho que é é muito interessante né então eu como membro da equipe do Enem eh hoje eu confesso para vocês viu Gabriel eu tô muito eu tô muito alegre eu recebi o o o telefonema do MEC ontem eh lá na ele tava em Salvador tava em Salvador fazendo uma conferência em Salvador e aí automaticamente eu eu senti isso sabe Cris eu queria ouvir você glácia Gabriel esse movimento desses temas entrar numa discussão no Nível de política educacional né Eu acho que daqui uns dias espero viu Gabriel viu Cris viu glácia que a gente
tem uma discussão acerca da linguagem inclusiva no ENEM por exemplo e agora só da gente ter esse movimento de ter uma a questão da afro afrobrasilidade como tema do Enem eu acho que é uma discussão interessante né tô bem assim eu tô Ontem eu falei que academicamente falando ontem para mim foi um dos dias mais um dos melhores dias da minha vida Acadêmica né de pensar que aquilo que a gente tá fazendo na academia tá ressoando em prol de políticas públicas e políticas educacionais Então queria só fazer eu queria ouvir vocês acerca disso e Fi
à vontade Muito obrigado Leber só antes de glácia a Cris e e Gabriel A falarem eh eu já queria dizer novamente Parabéns querido que orgulho né que alegria orgulho de você e alegria né dessa conquista que é uma conquista Nacional Pra gente ah eu vou deixar só I que fazer a fala e aí já passo pr pra Cris ah Gláucia e Gabriel para vocês já fazerem os comentários e já encerrarem que aí a gente já conclui a nossa Live pode ser então e que você pode falar e a gente passa já pras nossas convidadas e
o nosso convidado bom dia a todos e todas né agradeço né Por esse espaço de compartilhamento de experiência o debate Foi muito rico e a minha questão né é com relação que a esse tema que a sociedade ainda Uma boa parte da sociedade não tá aberta a debate a algo sobre esse tema né Há alguns ainda contrário né a respeito da linguagem inclusiva de que uma sala de aula tem que ser uma sala inclusiva que abraça todos os alunos N sem nenhuma eh diferença discriminação sem criar estereótipos né uma sala inclusiva é é uma sala
que abrace todos né significa Que uma sala que cria um ambiente seguro confortável para todos os alunos e eu queria colocar uma provocação para vocês né diante dessas múltiplas identidades de gênero e sexualidade né Principalmente para professores que trabalham com adolescente é um tema que eu tenho também muito interesse né E que recomendações vocês fazem né para um um professor né deve trabalhar como ou como um professor pode trabalhar com os alunos de uma forma engajadora e Respeitosa n sobre o tema com os alunos né Uhum E obrigada pela sua pela sua pergunta eh vou
fazer uma pequena propaganda eu e a glossa temos um artigo que nós publicamos e que tá que tá numa que é open resource que eh se chama publicado em 2022 se chama P para todes desafios e ideias para o desenvolvimento de um currículo inclusivo nas aulas de português eh eu acho que é esse né Glaucia acho Que é sim é esse o título ou alguma coisa parecida com isso e tá no portuguese language Journal e a GL deve estar procurando o link ali para colocar no chat mas ali a gente tem assim algumas alguns eh
steps Passos mesmo de como tornar a sala de aula da gente mais inclusiva uma coisa que a gente fala bastante que é o fato de não é simplesmente a gente fazer a linguagem um pronome não binário mas essa questão das representações mesmo Sabe a representatividade é muito importante então assim de trazer pessoas trans como exemplos né então há pouco o Gabriel mencionou Pablo vitar né Por que não quando tiver falando sobre celebridades incluir Pablo vitar por que não incluir uma pessoa não binária que usa que se que se diz uma p pessa não binária assim
como pessoas negras assim como pessoas indígenas então a gente tá como a gente tava mencionando antes ali Né sobre sobre essa geração z que que quer dizer que ela é a geração mais diversa que a gente já viu ela vem de backgrounds totalmente diferentes ela é uma uma uma geração racial socioeconômica absolutamente diversificada Então a gente tem que ter sabe nas nossas salas de aula se eu quando eu tiver dando uma aula a gente tá falando de língua português como língua estrangeira aqui né Se eu tiver dando uma aula sobre família e mostrar Só fotinho
de família branca com pai mãe um filhinho uma filhinha eu não tô sendo inclusiva Então a gente tem que pensar nessas questões assim básicas mesmos mesmo e eu acho que abri muito para paraa questão eh de conversar assim eh muito claramente muito diretamente sobre sobre isso com com com as pessoas na nossa sala de aula então Vitor Anes no no na pergunta dele disse que as pessoas estavam muito interessadas em saber qual Era a forma correta o que que Como é que deveriam se se né se referir à aquela personagem e é isso ter essas
discussões Porque sim essa é uma geração que está muito aberta que quer fazer uma transformação social que é maior do que os próprios interesses pessoais a gente vai achar pessoas radicais racistas homofóbicas vai o tempo inteiro como é que a gente combate isso com dignidade mostrando que ninguém é melhor do que ninguém e sim nessa sala de aula Nesse espaço que eu sou responsável por criar aqui dentro cabe todo mundo né então eh eu acho que se abrir a conversas e discussões é é é é importante Cléber parabéns pelo teu por todo o teu trabalho
e e e é uma conquista é uma conquista imensa eu acho que a gente tem uma longa longa longa jornada ainda eu acho que a gente finalmente tá começando a ver as questões eh de raça eh a gente tá começando a Ouvir e e e e e e inserir mais as falas negras indígenas eh né nos discursos oficiais no país muito muito ainda a gente tá muito long ainda do Ideal com relação à linguagem não binária Eu acho que a gente vai ter um percurso bem mais longo ainda pela frente sinto te dizer assim por
mais que eu quisesse que fosse diferente porque assim talvez já pensando fazendo uma reflexão final sobre sobre E aí passo para meus colegas e Cal minha boca mas o que eu acho que a Gente observa nesses comentários né que foram feito sobre o discurso de Luísa Teixeira é uma mensagem eh bastante Clara né de que essa é uma linguagem degenerada essa é uma linguagem de pessoas incultas de pessoas transgressoras da Norma né que a academia e a língua portuguesa e a sociedade brasileira não tem espaço para esse tipo de linguagem eu acho que é isso
que esses comentários dizem né e e me parece que analisando os comentários Fica muito claro que esse tipo de discurso deve ser eliminado repudiado da né e e as pessoas e as instituições que utilizam e defendem essa linguagem devem ser totalmente desacreditadas né então uma professora como eu linguista falando sobre linguagem não é uma pessoa que se deve que deve se levada a séria né então é essa consequência obviamente dessa lógica Colonial que que o Gabriel muito bem nos nos trouxe eh então eu acho sim que a gente tem um longo período ainda Não que
a gente Deva esmorecer e ficar achando que é uma luta Ah enfim que não vale lutar porque vale sim mas eu acho que a gente tem um longo Progresso ainda para para fazer vai pela frente Desculpa me alonguei imagina foi excelente eh qux concordo com tudo isso aí eu posso CL quer falar posso falá tá não eu agradeço de novo também pelo pela troca pelas perguntas eu quero só concluir Minha contribuir minha participação aqui em relação à sala de aula especificamente eh a Gláucia e a Cris tem até Enfim uma uma trajetória maior pensando especificamente
ensino de português mas uma coisa agora mais empírica baseada na minha própria experiência que eu acho que funciona e e funciona para diferentes áreas né tanto para ensino de literatura quanto para primeira língua língua estrangeira enfim eh e com vou vou partir do que a Cris Falou né de trazer exemplos de representatividade eu acho isso importante eu quero destacar eu sempre quando converso sobre esse assunto eu falo de representatividade orgânica Ou seja é uma representatividade que ela parte da aula e não aquela ideia de tenho que ser diverso então agora é o momento de falar
sobre pessoas pretas isso não é não é isso não é orgânico senão eu acho que às vezes vir um tiro no pé quando quer quando fica uma Representatividade que fica que tá na cara que aquilo ali não estava planejado na aula que foi só enfiado para fingir que tem diversidade fica uma diversidade artificial então assim exemplo práticos eh como diz a Cris vai dar aula de língua estrangeira sobre família não precisa ter um momento que você para e fala assim agora vamos falar sobre famílias LGBT não precisa ser uma coisa que eh não precisa escancarar
para a turma que você vai ser diverso Diversidade tem que tá embutida na atmosfera do curso inteiro né a diversidade tem que tá na espinha dorsal do curso inteiro Então vai falar de personalidades do mundo lusófono você vai falar do Caetano e do Chico mas também vai falar da como da pal Claro da Liniker ou da Seja lá qual for a personalidade que quiser então eu acho que é isso que é importante eh conseguir construir o curso com o diversidade a diversidade tem que ser a a lente Através da qual a gente enxerga a disciplina
e não simplesmente sabe semanas oito e nove são as semanas de adversidade não é essa a ideia é que esteja atravessando tudo e eu acho que isso é é é é fundamental né Essa representatividade orgânica e bom mais uma vez eu agradeço então isso acho que isso que a Cris comentou sobre que ainda temos um caminho longo eu concordo porque a resistência apesar de ser de ter pontos de contato a resistência a Linguagem eh não binária eu eu diria que ela tá muito atrelada como a gente conversou aqui nessas últimas 1 hora e meia essa
noção de Norma né que é uma coisa muito ainda profunda mesmo em grupos periféricos porque é tentador é tentador nós pensarmos que existe um binarismo né da galera muito legal e pra frente de um lado e da galera conservadora e preconceituosa de outro lado mas não é verdade porque dentro das Comunidades minoritárias é extremamente Comum a gente ver discurso semelhante é muito comum por exemplo gays homens Guis de classe média que falam ah não mas todes é não todes é demais né pelo amor de Deus a gente tem que ter ativismo mas Ah todes também
não pode então eu lembro a vocês um exemplo que eu sempre trago o exemplo que eu oi fala isso é linguagem do musum tem um ouvido é ex Ah isso é exatamente olha PR conceito várias camadas n não com certeza coisa do o a figura o musum Valeria um estudo inteiro Sobre o uso o uso político da imagem dele Porque essa coisa do do uso do is no final da palavra todis Adis enfim as coisas do que vem embutido com uma questão de classe de raça de letramento blá blá blá é importante mas um exemplo
que eu sempre falo nas aulas de African American studies aqui em Miami é o elri cleaver o eldre cleaver ele foi um dos grandes líderes do movimento Pantera Negra No começo dos anos 70 ali e enfim é um cara muito importante ele escreveu Um livro chamado sou Nice 19 8 e nesse livro sou Nice ele ataca o James bwin que é outro importante autor afro-americano abertamente escancaradamente de maneira homofóbica né então eu acho muito importante a gente ter Eu uso esse exemplo por quê pra gente entender que dentro dos discursos progressistas também tem muitas nuances
e muitas coisas para nós pensarmos não é um grande bloco monolítico no caso do cleaver Especificamente ele fala de maneira muito clara que a obra do James Bod é legítima e não faz parte do movimento negro porque o movimento negro é movimento heterossexual ponto né Eh lembra vocês que os an 70 o James bwin era chamado por outros ativistas negros de Martin Luther Queen né era eles se referiam a bwin como Martin Luther Queen justamente para diminuir o ativismo dele e dizer olha esse cara não tem como fazer parte do movimento negro porque o Movimento
negro é masculino e é eh heterossexual né daí surgiu o feminismo negro nos anos 70 né que teve que criar outro movimento à parte mas enfim que eu tô trazendo esse exemplo para para esclarecer isso assim eu acho que a gente ainda tem um caminho longo eu concordo não significa dizer que não vale a pena vale muito a pena mas é importante a gente complexificar a questão né não há não há um um monolito de a galera Progressista em maneira e a Galera conservadora não dentro da Galera Progressista maneira tem muito debate ainda para ser
feito tem muitas coisas para serem discutidas mesmo entre quem se identifica como o Progressista tá bom com isso eu encerro agradeço muito muito muito e passo a palavra para Gláucia caso queira falar mais algo o ar não colegas tão brilhantes o que que me resta dizer agradecer a crise ao Gabriel e ao Cléber e a nelda por tudo e a todo mundo que ficou até agora Muitíssimo obrigada mesmo muito bem então ó eu vou eu vou falar a mesma coisa glácia o s s então muito obrigada a vocês glácia Cris Gabriel por por ter proporcionado
pra gente essa discussão tão profiqua né sobre gênero moralidade linguagens inclusiva não binária né e a expertise de vocês e e o seu compromisso com a educação que ficou muito patente aqui na na fala de vocês eh e o respeito que vocês têm pelo ser humano que também Ficou muito Evidente estar na base né do da sua pesquisa do seu estudo das publicações isso tudo é notável e e também nos motiva muito a nos engajar mais nessa conversa né que é essencial obrigado por esse ambiente aqui de aprendizado tão acolhedor e pelas contribuições inestimáveis de
vocês então a gente vai encerrar eu gostaria só de de chamar para fazer uma foto se for possível vocês que estão aqui abrirem a câmera se não for tudo bem Também tá tá seu nome aí se for possível vamos fazer a gente tem o costume de fazer a nossa fotinha assim mesmo GL no no no feminino acho engraçado a gente eu fal fotinha né então quem puder Abrir quem não puder vamos lá a gente põe no Instagram tá gente e Facebook etc Então vamos ok muito bem então quer concluir meu bem tá Fechado Gabri e
também saudar de forma muito carosa de vocês eu termino com uma um texto meu viu glácia que vai sair agora no Correio Brasiliense que eu escrevi baseado num provérbio africano até que os leões tenham seus próprios historiadores a história de caça continuarão a glorificar o caçador então ah depois sendo publicado esse texto posso mandar para vocês ou antes agora posso mandar para vocês eu acho que essa causa que Vocês estão defendendo nos Estados Unidos é uma causa muito cara para nós aqui no Brasil e o Vittor né que vai ser meu orientando de pd que
tem me ajudado também viu glácia viu Gabriel viu Cris a Entender esse processo interseccional e até que ponto viu Gabriel a interseccionalidade alinhavada com a literatura vai nos ajudar a combater esses preconceitos essas representações sociais que as pessoas mantém contra a as minorias e também queria agradecer Muito também a professora Cátia Martins que é minha grande parceira do Pró formação que sempre tá conosco as nossas iniciativas também existência da Cátia no Canadá me motiva muito a continuar eh nessa luta né companheiro na luta por direito Mais uma vez agradeço você beijinhos beijinhos eu tava dirigindo
e não podia Abrir a câmera beijinho Gláucia Cris Gabriel obrigada aí viu adorei ouvindo de novo marav Maravilha e eu botei meu e-mail e Instagram no chat Quem quiser bater um papo continuar a conversa eu ficaria muito feliz de manter contato vou deixar meu e-mail meu Instagram aqui eh meu meu projeto atual chama literature intersectionality Então se vocês quiserem falar intersectional ade Eu Tenho pensado nisso 24 horas dormindo e acord dado eu fico com as ordens tá meus dados estão no chat e eu mandei meu WhatsApp para você aí também tá se você puder depois
mandar um oi eu queria dialogar com você também viu Gabriel se Claro claro não será um prazer é Vitor Pedro I quem mais quiser conversar fico super à disposição tá bom eh meus dados estão todos no chat Muito obrigado Gabriel obrigado mesmo gente foi maravilhoso obrigado viu Nilda pela pela iniciativa e ótima T todos vocês viu boa semana gente para Valeu tau tchau