Oi, gente! Sejam bem-vindos ao meu canal. Meu nome é Rica Meurer e eu vim falar sobre livros.
O tema do vídeo de hoje é algo que eu fiquei com vontade de fazer depois que eu lancei o vídeo sobre a literatura inglesa. E um comentário meu a respeito da obra 1984 acabou gerando algumas reações nos comentários e eu decidi que eu queria fazer um vídeo falando sobre livros que me ajudaram a construir o meu senso crítico, trazer reflexões a respeito de posicionamentos que muitas vezes são considerados em certas épocas e em certas sociedades como adequados, mas que ela traz alguns questionamentos para que a gente comece a refletir se isso faz sentido pra gente ou não. Não apenas aceitar algumas verdades como verdades, somente porque disseram para você que é uma verdade.
E claro que eu gostaria de começar com o livro que gerou esse debate, que foi 1984 do George Orwell. Nesse livro aqui, a gente acompanha um mundo distópico em que os habitantes de uma certa sociedade não conseguem fazer absolutamente nada sem que eles estejam sendo observados pelo governo. Esse livro aqui, inclusive inspirou o programa muito famoso, principalmente aqui no Brasil, que é o Big Brother.
Essa é a premissa de 1984. O grande irmão é o nome por trás dessa observação do governo. Então, todas as casas têm sistemas de câmeras, um tipo de televisão que consegue fazer esse acompanhamento das pessoas na intimidade do seu lar.
Quando a gente fala sobre livros que fazem críticas a sistemas políticos, 1984 naturalmente é um dos primeiros livros que vem à mente e ele aqui traz uma crítica ao totalitarismo. O que que gerou um conflito? O que que gerou uma reação no meu vídeo sobre literatura inglesa?
Porque eu falei naquele vídeo que ele pode sim ser aplicado a governos de direita. E algumas pessoas não concordaram comigo e falaram que somente os governos de esquerda são totalitaristas. E daí eu só quero fazer um questionamento para vocês.
Observando o momento atual que a gente está passando e a realidade do país, que é o maior símbolo da direita e tudo que a direita representa, tudo que o capitalismo representa, o país que representa isso nas últimas décadas, o que está acontecendo lá neste instante, nessas últimas semanas. Se você não consegue ver sinal nenhum de totalitarismo nessa realidade, aí sinto muito, realmente não tem como a gente conversar. Recomendo que façam a leitura de 1984 com um olhar aberto, não pensando em direita, esquerda, capitalismo, comunismo, e sim como um olhar ao totalitarismo.
E tentem reconhecer esses sinais nos mais diversos governos que você tenha tido algum tipo de conhecimento. Do mesmo autor, nós temos também a revolução dos bichos. Esse daqui, com certeza, eu vejo como uma baita crítica ao comunismo, ao socialismo, por a gente acompanha uma fazenda em que o fazendeiro dessa propriedade fazia a criação de diversos tipos de animais para abate, para consumo da da sua carne, né?
Eles chegam num ponto que esses animais se organizam, eles fazem uma revolução e se revoltam contra o fazendeiro, tomando o poder dessa fazenda. Eles concordam que dali pra frente aquela fazenda vai ser o paraíso deles. Eles vão trabalhar juntos por um futuro promissor e alguns desses animais serão eleitos como seus líderes naturais para ir ajudando a direcionar esse futuro em conjunto, como aconteceu muito na história da humanidade.
Algo que era para ser muito bom, algo que era para ser muito positivo, acaba sendo deturpado pelos interesses de alguns poucos. Outro livro que me ajudou muito na minha construção de senso crítico foi O Sol é para todos da Harper Lee. Eu li tem uns do anos mais ou menos.
É maravilhoso. Ele é triste, ele é muito sensível, muito delicado, mas é um livrão e tanto. Com certeza merece o título de clássico contemporâneo que ele já tem.
conta a história de uma cidadezinha no interior do Alabama. Então é um dos estados mais ao sul dos Estados Unidos, que historicamente tem um maior nível de segregação racial. E nessa cidadezinha aqui não é diferente.
Essa história se passa lá nas primeiras décadas dos anos 1900 e ela tá sendo contada a partir do ponto de vista de uma criança. Esse é um ponto muito interessante dessa história, porque a criança ela tá contando realmente com o filtro dela. A gente vê durante vários momentos algumas falas dela que são preconceituosas sem que ela saiba que são preconceituosas, porque foi aquilo que ela aprendeu com outros adultos, né?
E ao mesmo tempo ela também traz algumas situações que ela tá descrevendo pra gente e ela tá falando que ela não entendeu aquilo que tá acontecendo. Traz a interpretação que ela fez daquela situação. Mas daí nós, com o nosso olhar já maduro, adulto, conhecendo a história dos Estados Unidos e conhecendo as maldades e os preconceitos do ser humano, a gente consegue entender diferente dela aquilo que tá acontecendo e que ela tá nos narrando.
Só que um ponto muito central dessa história aqui é a respeito de uma jovem que ela é atacada, ela é agredida e ela vai até a polícia e faz a denúncia contra um rapaz que é preto. E esse rapaz tem família, ele é casado, tem filhos e ele jura de pé junto que ele não atacou essa jovem. Ele conta uma versão totalmente diferente da que ela contou.
E daí começa uma divisão das poucas pessoas que acreditam na versão desse rapaz e daí o maior número de pessoas que acredita na versão da jovem branca. Processo judicial, ele tem um impacto gigantesco nessa cidade, na vida de todas as pessoas, de toda a população. E a gente vai acompanhando o desenrolar dessa história pelo olhar dessa menininha que tá contando pra gente.
Merece a fama que tem e eu recomendo muito que vocês leiam. O Sol é para todos. Uma leitura que eu fiz no ano passado foi Capitães da Areia do Jorge Amado.
Foi um livro que eu não acredito que eu cheguei na casa dos 30 anos sem ter lido. Ele acompanha um grupo de crianças órfã ou abandonadas que vivem nas ruas de Salvador e elas sobrevivem fazendo pequenos furtos, cometendo pequenos crimes. Aí você pensa assim: "Ah, então ele é um livro sobre a criminalidade, é um livro que defende a criminalidade?
" Não, esse daqui é um livro que inclusive foi queimado em praça pública logo após o seu lançamento no período do Estado Novo, porque ele foi considerado um livro com ideologias comunistas, sendo que, na verdade, é um livro que faz uma crítica à sociedade, que fecha os olhos a essas crianças abandonadas. E é um tema que tá muito em pauta quando a gente considera que o abandono infantil quase não é tratado em um país tão religioso quanto o Brasil, em que se fala tanto sobre ser pródida. Só que as vidas das crianças, dessas crianças ainda em 2025 são muito semelhantes àquelas que são narradas aqui nesse livro da década de 30.
Ele me fez me sensibilizar e me emocionar em vários momentos, principalmente aqueles momentos em que as crianças que até então tem uma postura mais firme, mais resoluta, sou adulto, não preciso de ninguém e tudo mais, e de repente elas baixam a guarda e você vê que elas nada mais são do que crianças sem paz, sem amor e abandonadas. É um outro livro que foi um baita soco no meu estômago. Eu tenho um vídeo aqui no canal que eu falo especificamente sobre essa obra aqui, sobre essa leitura.
Eu vou deixar linkado aqui para vocês agora levando em consideração o papel do homem e da mulher na sociedade Ken nascida em 1982, que é uma obra da sulcoreana Cho Nanju. Esse livro aqui é bem rapidinho. Eu lembro que eu li ele literalmente em uma tarde e a gente vai acompanhar aqui em Dian, um nome muito popular na Coreia.
Se fosse aqui no Brasil seria, por exemplo, Maria da Silva ou Maria dos Santos, nascida em 1982. O nome da obra é esse, especificamente pelo fato de ela ser o retrato da mulher comum na Coreia do Sul. Desde criança viu no seio do seu lar a diferenciação entre ela e o seu irmão homem.
dentro da escola, a diferença no tratamento entre as meninas e os meninos na adolescência, na fase adulta, quando tá na faculdade, quando sofre alguma tentativa de assédio, quando você já tá na fase adulta, no seu local de trabalho, quem que é promovido, quem que é escolhido, quem que tem a voz mais ativa no ambiente corporativo e familiar, quem que tem o voto de confiança da sociedade? Por que que isso acontece? Garanto pr vocês que toda mulher que fizer essa leitura aqui vai se reconhecer ou reconhecer alguma mulher da vida dela nesse livro aqui, em algum momento falar sobre senso crítico, não tem como a gente não falar sobre jogos vorazes.
Com o passar do tempo, se mostrou ainda mais, ainda mais do que na época do lançamento, como um livro que faz uma baita interpretação da sociedade em que a gente vive. Ah, mas jogos vorazes é uma distopia, é um mundo completamente diferente. Não tem nada a ver.
Será? Existe uma capital mais 12 distritos e cada um dos distritos fornece para a capital algum tipo de suprimento, algum tipo de material para que a capital continue vivendo rica, no luxo, não faltando nada. E enquanto isso, os distritos estão passando fome, os distritos estão passando dificuldades e ainda por cima, todos os anos, existe uma colheita em que dois jovens são selecionados, sorteados para ir para uma arena em que ele vai lutar pela própria vida junto com dois jovens de cada um dos outros distritos e ao final somente um sobrevivente vai sair de lá.
Enquanto as pessoas estão vivendo na pobreza, estão morrendo de fome, estão fazendo tudo que é possível e impossível para sobreviver na capital, as pessoas vivem no luxo, as pessoas vivem no desperdício e as pessoas não conseguem entender que aquele sacrifício anual que acontece não é uma coisa que deveria ser festejada. Agora a próxima indicação que eu vou fazer para vocês é um pouco fora dessa curva, um pouco fora dessa linha de pensamento que eu tenho feito até então. Olhai os lírios do campo do Érico Veríssimo.
Eu lembro que quando eu fui começar a fazer leitura, uma conhecida minha falou que não tinha gostado, que achou muito pacata a história. E eu fiquei: "Nossa, mas eu ouvi falar tão bem e tudo mais". E quando eu terminei, esse livro aqui, ele entrou pros meus favoritos da vida.
Ele me sensibilizou de uma maneira que eu não consigo entender como que tem gente que não gosta dessa obra. Aqui nesse livro a gente acompanha um rapaz que nasceu em uma família muito pobre, teve oportunidades de estudo, mas estava sempre se comparando com os seus colegas que tinham uma situação de vida muito mais abastada do que a dele. E o sonho da vida dele era poder viver no meio da elite gaúcha, sem se preocupar com as contas, sem se preocupar com o dinheiro e realmente tendo como objetivo de vida essa imagem que ele tinha da elite, da alta sociedade ali do Rio Grande do Sul.
E por que que eu gosto tanto desse livro? E eu acho que ele deveria sim entrar nessa lista, que apesar de nesse livro aqui não existir diretamente uma crítica a algum sistema político ou algo assim, ele traz reflexões sobre quais que são as coisas que realmente importam na nossa vida. O que que a gente dá valor, o que que a sociedade dá valor e o que que a gente deveria realmente dar valor.
O título do livro é Olhai os lírios do campo, porque ele faz uma alusão àquela passagem bíblica. Tem um trecho específico que faz uma reflexão que é a seguinte: Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza.
Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu. Esse livro para mim é poesia.
Esse livro é lindíssimo. Esse livro entrou pros meus favoritos por esse motivo e eu recomendo que vocês façam a leitura, caso vocês estejam começando a se questionar sobre quais que são as coisas que realmente importam na nossa vida. Mouse do Art Spigelman.
Ele é todo em HQ e foi inspirado na história do pai do Art Spigelman, que foi um sobrevivente do holocausto, um sobrevivente da Segunda Guerra Mundial. Não se deixa enganar pelo fato de ele ser uma HQ, porque às vezes algumas pessoas têm a interpretação de que geralmente são coisas mais leve, são coisas mais gostosinhas de ler. Não, esse daqui é um baita livro, ele é super pesado porque, né, ele retrata acontecimentos, a vida das pessoas no decorrer da Segunda Guerra Mundial.
Considero que ele ajudou a fazer uma construção do meu senso crítico, porque ele foi me mostrando quem que são os verdadeiros monstros quando aperta a guerra, quando aperta a necessidade, quando as regras cristãs não são mais prioridade, quando as leis estão já tão confusas num período de guerra. o esforço que foi para muitas pessoas num período tão drástico e tão difícil de manter a própria humanidade. É um livro que vai te dar embrulho no estômago, mas é um livro que em certos momentos também vai te trazer uma certa esperança no futuro da humanidade por causa da resistência da bondade de uns poucos.
Que que é certo? O que que é errado em tempos de guerra, quando a sua necessidade é posta de frente com a necessidade do próximo. O que que é certo?
O que que é correto? O que que é cristão? É esse tipo de questionamento que você vai se fazer quando você tiver lendo mouse.
Laranja mecânica do Anthony Birdes. Esse livro aqui também é bem adulto, bem maduro, bem pesado. Já fica a dica.
Se você tem um pouco de sensibilidade a temas mais violentos, não entra nesse daqui não, porque esse daqui realmente foi tenso. Em laranja mecânica a gente também tá acompanhando mais um mundo distópico, mais um país distópico. A sociedade tá passando por uma crise em que existem várias gangues, vários grupos muito agressivos que cometem vários delitos simplesmente porque eles são maldosos.
O personagem principal dessa história aqui, que faz parte de um grupo desses, que gosta de fazer maldade contra as pessoas. E em um desses ataques, esse grupo ele é preso, esse rapaz ele é levado para a prisão e ele é selecionado para participar de um projeto do governo em que eles vão fazer uns testes. Esses cientistas, esses militares desenvolvem um processo de condicionamento para que esse criminoso, para que esse rapaz não consiga mais cometer crimes, cometer essas maldades quando ele voltar pra vida em sociedade.
É muito difícil de fazer essa leitura. É muito tenso de você acompanhar e pensar que um ser humano, por mais maldoso, por mais insensível que ele seja, é um ser humano passando por esse tipo de condicionamento, por esse tipo de tortura, realmente, sabe? Então, a gente acompanha antes do processo, ele no decorrer do processo de condicionamento e o resultado desse condicionamento na vida, esse impacto na vida dele.
É um livro que faz a gente refletir sobre até onde seria correto ou seria justo ou seria humano para conseguir evitar que outros crimes sejam cometidos. Você vai se questionar muito, vai refletir muito sobre qual que é a sua resposta para essa pergunta. E por fim, vou finalizar com algo mais levinho.
É um romance que se chama Norte Sul da Elizabeth Gaskel, um vídeo sobre construção de senso crítico e você me traz um romance. Sim, gente, a Elizabeth Gaskel traz aqui a história de uma jovem, a Margaret Hale, que foi criada no sul da Inglaterra, que é uma área mais rural, mais fresca, mais bonita, cheia de cores e flores e verde é o paraíso na Terra. Só que ela é filha de um pastor que entende que tudo que ele poderia fazer por essa comunidade a serviço de Deus, ele já fez e que agora ele precisa se mudar para uma localidade em que ele seja mais necessário.
E ele decide se mudar com a família de Malaicuia para o norte da Inglaterra, um norte mais industrial, mais cinza, mais cheio de fumaça por causa das fábricas daquela região. E daí o nome da obra é Norte e Sul, porque é um constante conflito entre os valores da Margaret Hale, que foi criada no Sul, com os valores do senor Thorton, que é um senhor, um empreendedor, um empresário da área industrial que vive a sua vida toda no norte inglês. Eles têm muitas diferenças de valores morais, muitas diferenças daquilo que eles entendem como correto, como justo na sociedade.
Um dos pontos centrais dessa história é exatamente os direitos dos trabalhadores. A Inglaterra estava finalizando ali a revolução industrial. as pessoas ainda estavam aprendendo a conviver com a revolução que foi inserir as máquinas no processo produtivo.
Isso estava tendo impactos na saúde das pessoas, principalmente aqui é focado na indústria do algodão, em que aquelas pequenas partículas de algodão podia entrar no pulmão das pessoas e causar uma doença muito grave. E também nesse período estão nascendo os primeiros movimentos sindicais ali na Inglaterra. Então, a gente acompanha personagens secundários ali da história que tão envolvidos com esses movimentos sindicais e que tão muito empenhados nessa luta pelos direitos dos trabalhadores, que, OK, o empresário é quem tem o maior risco, ele tá colocando o maior valor, o maior investimento, ele que tá gerenciando tudo, ele que tá se arriscando, tentando entrar num novo mercado.
Beleza, tudo bem, a gente entende esse ponto de vista, mas tem o ponto de vista dos trabalhadores. Os trabalhadores que estão ali tantas horas do dia deles dedicado a trabalhar pelo sonho do empresário, pondo em risco a sua própria saúde pelo sonho do empresário, deixando de lado a sua família e tentando receber um pagamento justo pelo sonho do empresário. Apesar de ser um romance, a grande estrela dessa história para mim é esse movimento sindical, é esse movimento dos trabalhadores e inclusive é um dos maiores embates entre a Margaret Hale e o Sr.
Thorton, porque ela olha o lado dos empregados e ele, é claro, olha somente o lado dos empregadores. É claro que existem muitas outras obras que foram me ajudando no decorrer da minha vida a fazer essa construção, só que essas foram as que eu decidi trazer aqui. E eu gostaria de saber agora de vocês que outras obras que vocês recomendariam além dessas ou também se dessas que eu indiquei vocês já fizeram alguma leitura, o que que vocês acharam.
Sempre lembrando, por favor, de manter o respeito. Não é porque a minha opinião ou a opinião de alguma das pessoas nos comentários é diferente da sua, que você vai ser mal educado. Por favor, não me faça excluir o seu comentário.
Bom, pessoal, esse foi o vídeo de hoje. Muito obrigada por ter ficado até aqui. E se você gosta de conteúdo de literatura, por favor, curta esse vídeo e sinta-se à vontade para se inscrever no canal.
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