Hoje eu vou falar para vocês quais são os 40 melhores quadrinhos de todos os tempos. E por que 40? Porque hoje é meu aniversário, você tem obrigação de me cumprimentar, faça isso. E eu estou fazendo 40 anos, que é uma data que você tem que comemorar, porque se você conseguiu chegar até esse momento e não morreu, acho que vale a pena comemorar. E caso alguém já faça aqueles comentários do tipo, está velho, está acabado, isso e aquilo, saiba que eu consegui chegar, quero ver se você consegue. Você que é jovem, quero só ver se você
vai sobreviver à mudança climática, à pandemia, à guerra. Mas esse é para ser um momento legal, bacana, um momento de alegria. Então, sem mais delongas, vamos para a listinha. Deixando bem claro, pessoal, que essa listinha é bastante honesta e que retrata o momento que eu estou agora, ou seja, o que eu estou curtindo mais. Ou até mesmo o que, ao longo da minha vida, eu sempre gostei. E já deixo bem claro que não é uma lista para eu tentar me eximir de críticas, como por exemplo, caramba, tem poucas mulheres. Ou a crítica de que, poxa
vida, podia ter mais brasileiros. Ou até mesmo o comentário bastante pertinente de não tem nenhum quadrinho africano. E um dos motivos para não esconder essas falhas, é porque este canal é de crítica e eu também estou sujeito à crítica. Eu acho muito covarde a gente esconder os nossos problemas, esconder o quanto que talvez a gente não seja perfeito dentro de uma idealização moral que as pessoas fazem na internet, apenas para se eximir da crítica. Essa postura cagona, eu aqui não endosso e também não quero que vocês pratiquem. Por isso, vai lá, uma lista honesta para
que vocês possam comentar e fazer as críticas de vocês. Mas antes de eu começar, eu peço que você curta o vídeo se estiver curtindo, se inscreva, caixa de notificação por aqui e compartilhe. Esse canal só existe porque tem apoiadores e recompensas bem legais, como lives aqui comigo, grupo de estudo, grupo no Telegram, sorteio de gibi e conteúdo exclusivo. Inclusive, nosso próximo encontro do grupo de estudos é analisando o mangá Lady Snowblood, que inspirou o Kill Bill. Então, vou deixar o link do nosso apoio na descrição do vídeo, no primeiro comentário fixado. E considere também ser
membro aqui no YouTube por R$6,90 ao mês e ter acesso à Sarjeta Flix, uma série de conteúdos exclusivos e lives com os apoiadores de 15 em 15 dias. Mas vamos para a listinha, mais uns comentários sobre ela. Alguns nomes aqui são mais vinculados a autores do que necessariamente em obras, às vezes é uma obra individual, às vezes é uma obra vasta. Enfim, o que eu tenho que ficar explicando para vocês? Avenida Dropsie, de Will Eisner, é só uma obra que faz parte da trilogia O Contrato com Deus. Inclusive o nome se dá pela primeira história,
que é O Contrato com Deus, e que é a mais lembrada. Depois tem a segunda parte dessa trilogia, que é A Força da Vida, que na verdade eu acho cafona para diabos. E o terceiro, que é Avenida Dropsie, que pouca gente dá bola, esse eu acho melhor. Na verdade, outros trabalhos de Will Eisner voltados a pensar a cidade com as suas pessoas anônimas, com as suas vidinhas banais, como, por exemplo, A Vida na Grande Cidade. Enfim, trabalhos desses do Will Eisner eu acho que são os mais bonitos, são os mais poéticos. O Eisner é um
grande poeta do urbano e é por isso que ele está nessa listinha aqui. Ici Même de Jean-Claude Forest, criador de Barbarella, e com desenhos de Jacques Tardi, que é um monstro pouco considerado aqui no Brasil. Esse é um grande clássico dos quadrinhos, muito importante para pensar em quadrinhos como literatura. Tem até um vídeo mais antigo aqui no canal em que eu falo dessa obra e até hoje o mercado editorial brasileiro não deu bola. Espero que esse vídeo aqui estimule alguém a lançar esse material no Brasil. A história é um tanto onírica, bastante poética também. A
gente acompanha um cara que não pode pisar em território de ninguém, ele apenas vive nos muros e ele é responsável pela organização da vida das pessoas intramuros. Dá aqui para discutir muita coisa sobre propriedade privada, sobre as relações que nós estabelecemos entre nós, entre vizinhos, o quanto que a vida humana se configura pelo uso e, muitas vezes, pela divisão da terra. Enfim, muito bom e lança no Brasil, pô. Alguma editora se toca. Chantal Montellier. Não, essa não é uma obra, é uma autora. Mas para falar de uma obra, posso comentar aqui Social Fiction, que saiu
recentemente no Brasil e tem vídeo aqui no canal. Eu ressalto mais a autora porque tem algo na Montellier que me intriga e até hoje eu não sei dizer o que é, seja a palidez dos universos que ela retrata, uma melancolia, uma tristeza. Ao mesmo tempo, ela constrói uma atmosfera que sempre é muito opressiva e fria. Além disso, os diálogos que ela constrói geralmente são reticentes, tem ali um silêncio sendo que é engraçado essa produção de silêncio, já que quadrinhos é totalmente sem som. Enfim, por tudo isso, ela é uma autora que eu recomendo bastante. Tank
Girl, de Alan Martin e Jamie Hewlett, o mesmo cara por trás de Gorillaz. Sabe a Arlequina, que hoje todo mundo curte? Então, ela é uma cópia descarada da Tank Girl, que era muito mais porra louca, muito mais selvagem, muito mais punk do que a Arlequina jamais vai ser. A Tank Girl foi uma personagem bastante ícone, principalmente de movimentos punk feministas e eu acho que é uma das obras em quadrinhos que melhor consegue traduzir o que é ser porra louca, inclusive indo no caminho onde a gente olha para a Tank Girl e pensa, menino, não faz
isso com a sua vida, não. Sério, você está entrando em uma espiral de muita loucura e autodestruição e ela segue fazendo isso, gargalhando da nossa cara, além do estilo do desenho mesmo, que torna tudo ainda mais absurdo. Richard Corben, que também não é uma obra, é um autor, mas eu já comentei aqui em um dos vídeos mais cheios da história do canal, é sobre o Deus Rato e, recentemente, saiu uma coletânea de histórias dele no Brasil, que é o Sombras da Morte. Richard Corben também é um artista que me intriga, primeiro porque ele tem um
estilo muito único, ele tem um domínio anatômico e, ao mesmo tempo, distorce isso em direção de uma caricatura que é estranhíssima. Além disso, ele é bastante imaginativo para histórias de terror e ficção científica, produzindo cenários, ambientes, atmosferas que são todas muito estranhas. Às vezes parece que trabalhar com o estranho é fácil, mas, na verdade, é muito difícil, porque só botar um zumbi ou um monstro qualquer não é trabalhar com estranho. Estranho tem a ver com a sensação de você conduzir o seu leitor para algo que é familiar, não tem nada de muito esquisito ali, mas,
ao mesmo tempo, dá um desconforto para diabo e, nesse ponto, Richard Corben é um artista bastante único. Uzumaki de Junji Ito. Está saindo agora no Brasil uma cacetada de mangas do Junji Ito e, convenhamos, tem uns que são muito ruins, mas o Uzumaki continua sendo excelente. Pegando apenas um único tema, que é a espiral, o Junji Ito consegue nos conduzir narrativamente por uma espiral de horror, onde ele vai conseguindo trabalhar cada vez mais o senso de escala, chegando num ponto onde a gente mergulha num horror tipicamente Lovecraftiano, esse horror cósmico onde tudo se torna incomensurável,
incompreensível, indescritível. Apesar de ser um clichê sempre falar de Uzumaki quando se trata de Junji Ito, esse clichê tem seu motivo, porque o Uzumaki é muito bom. Thor de Walter Simonson, que é toda a fase que o Simonson passou pela revista do Thor. Aqui o que é bacana é o descompromisso. Quando você pensa em uma excelente história de super-herói, é a história do Thor do Walter Simonson. Ela é leve, é engraçada, também é cheia de aventura, tem uma imaginação gigantesca, inclusive, para conjugar elementos da Nova Iorque contemporânea com a mitologia nórdica. E, vamos ser francos,
tornar o Thor um personagem carismático é sempre um desafio, porque ele é um personagem sempre meio sem sal, não é à toa que muitas vezes ele é levado para o humor. E aqui o Walter Simonson faz isso na medida certa, fazendo desse arco bastante grande, que tem mais de mil páginas, uma leitura que vai num tapa de tão gostosa que é. Shigeru Mizuki, de novo, aqui estou falando de um autor, porém, estou pensando em um certo tipo de trabalho que ele fez ao longo da vida, que são mangás que exploram principalmente a figura dos youkais
ou, no geral, mangás que procuram desenvolver folclore, seja o japonês, seja até mesmo de outros países. Nesse sentido, uma obra dele bastante importante e que até hoje não saiu no Brasil é GeGeGe no Kitaro. Outra nessa pegada também é NonNonBa, que até tem um vídeo mais antigo aqui no canal e saiu no Brasil. Mizuki também tem uma série de trabalhos mais ligados à história, mas, para ser honesto, eu prefiro o folclorista do que o historiador. E, para além desses detalhes mais culturais, o estilo do Mizuki também tem uma grande singularidade, uma grande expressividade e consegue
produzir um mundo muito rico onde a gente consegue entender claramente esse animismo japonês, seja o outro uma coisa, um rio, uma floresta, um fantasma, tudo é vivo no traço do Mizuki. The Drifting Classroom, de Kazuo Umezu, que também não saiu no Brasil, o que é uma falha de caráter do mercado editorial nacional. Esse, para ser bem franco, eu nem terminei de ler, porque ele é profundamente perturbador. É, talvez, o mangá de horror mais perturbador que eu já vi, só que não espere monstros e coisas do tipo, o Umezu dilacera o seu psicológico, ele vai produzindo
angústia, ansiedade, você lê tenso para diabo. Eu já fiz aqui um vídeo no canal sobre um outro mangá dele, que também é excelente, mas estou devendo The Drifting Classroom, inclusive, digam nos comentários se vocês querem que eu comente. Tartarugas Ninja, agora, especificamente, a fase inicial, dos criadores Kevin Eastman e Peter Laird. Eu gosto muito dessa fase, porque é quando eles ainda estão desenvolvendo o conceito de tartarugas ninja. Então, elas não são ainda tão infantis, até pelo contrário, são bem violentas. As personalidades ainda estão sendo trabalhadas, os vilões estão sendo criados, o Destruidor aparece de cara,
mas depois vira um desfile de vilão cada um mais esquisito do que o outro. Tem uma selvageria criativa, um descompromisso independente que eu acho muito legal, além de ser preto e branco, que dá esse aspecto ainda mais marginal se tratando de tartarugas que vivem no esgoto. É uma parada muito criativa, muito rica e, até hoje, é a mina de ouro conceitual de tudo que vem depois. Por mais que, hoje, Tartarugas Ninja seja um negócio muito mainstream, os conceitos mais selvagens estavam lá nessa fase original, que, inclusive, saiu no Brasil e eu estou precisando comentar aqui
no canal. Jiro Taniguchi, de novo, estou falando de um autor, mas, mais uma vez, estou pensando em um tipo de obra que ele desenvolve, que é a que menos tem saído no Brasil, que são as histórias dele de Homem vs. Natureza. Um dos vídeos mais antigos aqui do canal é um sobre o mangá do Taniguchi, que é uma coletânea de pequenas histórias onde a temática Homem vs. Natureza é explorada nos mais diferentes tipos e, cara, ele faz isso muito bem. Eu, inclusive, não conheço outro quadrinista contemporâneo que faça isso melhor do que ele, de conseguir
trazer essa sensação do quanto a gente está sempre lutando contra a natureza, do quanto ela nos assombra, do quanto ela pode nos colocar no limite e, quando a gente chega nesse limite, a gente, de alguma maneira, se integra de volta com a natureza. A gente encontra o nosso estado selvagem, ainda que esse mesmo estado selvagem nos assombre profundamente. Editoras que estão lançando o Taniguchi, lancem também seus trabalhos sobre natureza selvagem. Os seus quadrinhos mais poéticos ou de mundo campo são legais também, mas eu ainda acho que vocês estão perdendo de lançar o que tem de
melhor. Tayo Matsumoto. De novo, o autor, mas aqui eu estou falando de obras como o Tekkonkinkreet, que até tem vídeo aqui no canal, também já falei aqui no canal de Ping Pong e eu vou falar mais vezes desse autor aqui por um detalhe muito simples, eu não consigo ver esse homem errar. le é um autor que despontou muito pós explosão dos mangás ali do final dos 80 e nos 90 e ele tem um repertório bastante único, conseguindo conjudar certos tópicos dos mangás shonen, daqueles mais mainstream, mas ao mesmo tempo ele consegue subverter tudo isso e
tem algo no desenho dele que eu acho maravilhoso, é um tanto trêmulo, essa instabilidade ao mesmo tempo serve para fortalecer a poética que ele busca desenvolver, que muitas vezes é sobre a relação entre meninos e homens. É um cara muito f*** que está sendo lançado no Brasil e eu recomendo qualquer trabalho dele. Hulk, sim, um super herói, mas principalmente suas histórias que são mais distópicas, onde o personagem é radicalizado naquilo que ele é, no que eu estou falando, Hulk é um típico herói trágico, é alguém que está sempre lutando contra o seu destino, que sempre
briga, não para de lutar, mas ele também está ciente que ele não é dono desse destino, que o horizonte dele é uma tragédia. E eu já comentei aqui no canal as duas histórias mais lembradas desse futuro trágico do Hulk, que é o Hulk: o Fim e o Hulk: Futuro Imperfeito. Ambas são do Peter David, que também é um autor que fez muita coisa bacana com o Hulk. Ainda assim também tem outras histórias do Hulk como encruzilhada, que eu também já comentei aqui no canal e o YouTube desmonetizou, e que é muito bacana para explorar a
tragédia psicológica interior do próprio Hulk. Então assim, ele é um personagem que sempre rende muito quando ele é pensado como um herói trágico. Esses quadrinhos todos que eu estou falando aqui vocês vão achar, acho que praticamente todos, sem muita dificuldade. Monstro do Pântano, de Alan Moore. É um clássico dos clássicos. Muito importante para a adultização dos quadrinhos mainstream dos Estado Unidos dos anos 80 e que também é uma explosão de conceitos muito interessantes. Começa com uma pegada mais de horror, depois explora toda uma ecocrítica e culmina na mais absoluta fantasia. Tem um vídeo aqui no
canal dando conta de toda essa fase do Alan Moore, mas eu estou sinceramente pensando em refazer esse vídeo e quebrando, falando dos arcos, porque cada um é muito rico e cara, que trabalho maravilhoso. Digam nos comentários também se vocês querem que eu volte a falar de Monstro do Pântano. Sláine, de Pat Mills. Esse também já tem vídeo no canal e é um personagem que saiu nessa leva de de machões selvagens dos anos 80. Conan fez uma escola imensa, então todo mundo tava fazendo seu machão selvagem. Até para criança tinha, é o He-man, que é o
machão selvagem de cabelo tigelinha e tanga rosa. Só que o Sláine, que foi nessa toada, acabou subvertendo o gênero, porque ele é um bárbaro, mas vinculado a uma cultura matriarcal e só isso, tão somente isso, já faz do personagem completamente diferenciado e produz debates que, na boa, você não vai encontrar em Conan. Sláine tem vários desenhistas que passaram por ele, mas cabe aqui falar da fase do Simon Bisley, que eu acho que conjuga muito bem o espírito de Sláine com essa pegada um tanto heavy metal, mas tentando produzir uma crítica a tudo aquilo que reprime
homens e mulheres, e também toda essa destruição da natureza que a gente vive agora e ainda assim com muita porradaria, muita magia. É melhor que seus anéis! Pronto, agora eu vou ser cancelado. Black Hole, de Charles Burns. Esse também já tem vídeo aqui no canal, até bastante recente e, sinceramente, qualquer trabalho do Charles Burns podia ser colocado aqui, mas o Black Hole é o que mais me tocou. Ele, a partir de uma história de terror um tanto alegórica, com adolescentes sendo contagiados por algum tipo de mutação, acaba conseguindo produzir uma história que, na verdade, é
muito, muito triste e que explora a solidão, a busca pelo amor e, principalmente, o senso de despertencimento, que é tão próprio da adolescência, além, é claro, também da puberdade, dos hormônios em fúria. E, apesar de ser uma história que tem como ênfase a adolescência, você estando mais velho, você reencontra o adolescente que você era lendo Black Hole, então fica a sugestão e Black Hole saiu também no Brasil mais de uma vez até. Monster, de Naoki Urasawa, e também dava para falar aqui de Pluto e eu nem terminei de ler 20th Century Boys, mas eu também
colocaria aqui. Na real, o Naoki Urasawa é um dos melhores roteiristas de mangá que tem hoje. Também é um grande desenhista, mas é no roteiro que esse caraa voa. E Monster é uma história que, à primeira vista, é aquela típica de menino que, talvez, seja o diabo reencarnado. Mas, pouco a pouco, o Urasawa vai desconstruindo esse subgênero e conseguindo injetar novidades ou até mesmo uma metacrítica sobre filmes de crianças endiabradas. Além disso, os personagens são carismáticos, ele é muito bom em produzir personagens carismáticos e você fica vidrado lendo não conseguindo parar. Além disso, o Urasawa
parece ser um cara muito, muito maduro e os debates que ele traz para os seus mangás são, assim, bastante elevadíssimos. V de Vingança, de Alan Moore. Esse é bastante conhecido na galerinha da cultura pop porque tem um filme horrível, uma adaptação merda, mas o quadrinho é excelente para pensar anarquismo, para pensar fascismo, para pensar por que o fascismo fascina tanto, além de, enquanto quadrinho, ser uma quadranização muito, muito inspirada. Os desenhos do David Lloyd colocam a gente em um clima que, cara, é muito difícil você não se sentir envolvido por V de Vingança. Já tem
um vídeo aqui no canal falando de V de Vingança, mas eu acho que é uma obra que eu deveria voltar também, não sei, acho que devo. E deve estar disponível para venda, nem que seja em sebo. E, cara, V de Vingança é seguido e reeditado. A Morte do Capitão Marvel, de Jim Starlin. A história em que o super-herói, o Capitão Marvel precisa lidar com algo banal, ele está com câncer. E o Thanos, que os filmes estragaram, transformaram ele apenas em um neomalthusiano, aqui aparece como aquele cara que é realmente é apaixonado pela morte. O Thanos
é a encarnação do pathos da morte. E o Capitão Marvel, que foi seu grande adversário, agora também está diante da morte. Apesar de ser uma história de super herói, é de uma delicadeza tremenda, tem vídeo aqui no canal que, na época, inclusive, vocês não assistiram. Não, teve bastante gente que assistiu, mas podia ter mais. E, sinceramente, quando falam assim, qual é o melhor quadrinho da Marvel? Para mim, é A Morte do Capitão Marvel. O Homem Sem Talento, de Yoshiraru Tsuge. Na real, eu podia colocar também vários outros trabalhos do Tsuge aqui. Esse mangaká, caso você
não conheça, é o grande nome do manga underground. Além de ele ter uma série de trabalhos experimentais muito criativos, muito ousados, ele também tem uma sofisticação a partir dos temas que ele explora. E, no caso do Homem Sem Talento, que até tem um vídeo mais antigo aqui no canal, o que ele desenvolve ali é, basicamente, qual é o nosso lugar no mundo. Por que nós, como seres humanos, precisamos ser tão úteis? O que é a vida quando a gente tira dela esse senso utilitarista, que, inclusive, esvazia o sentido da própria vida? Então, a gente tem
aqui em Homem Sem Talento um debate muito consistente sobre o que é viver e indo na contramão, radicalmente na contramão, de todos esses papos do quanto a gente precisa ser útil, do quanto a gente precisa ser funcional, o quanto a gente se reconhece no trabalho, o trabalho enquanto eles dormem. Todo esse merderéu aqui, o Tsuge joga na privada e faz isso com o quadrinho belíssimo. O Homem Sem Talento saiu no Brasil, não sei se ainda está disponível, mas vocês dão um jeito de achar, porque é muito bom. Robert Crumb, e aqui, para variar, estou falando
de um autor e não de uma obra específica, porque aqui, nesse caso, é até mais complicado fazer isso. Crumb é o grande nome do quadrinho underground dos Estados Unidos e ele tem uma obra vasta tratando dos mais diferentes assuntos e isso que é legal. Além de ele dominar diferentes técnicas de desenho, então ele vai transitando entre registros, o Crumb tem uma visão ácida sobre a sociedade, mas ácida para um diabo. Ele sempre, para mim, foi o crítico dos críticos. Só para vocês terem uma ideia, quando ele despontou artisticamente, ele era muito adorado pelos hippies e
ele mesmo convivendo entre os hippies, era o cara mais crítico de hippies que eu já vi. Ler Crumb é importante enquanto vacina para ver se você não está virando um tanto careta. Além disso, é muito engraçado e quando ele quer é belíssimo e quando ele não quer também é belo, só que aí no sentido do grotesco. Tem diferentes trabalhos aqui do Crumb, eu já falei um aqui no canal, que foi Blues, também já falei de outro que é a adaptação que ele fez da Gênesis da Bíblia, mas vocês vão achar um monte de coisa do
Crumb, cara, leiam Crumb, simplesmente leiam o Robert Crumb. Aqui, de Richard McGuire. Esse é um quadrinho que não é muito pop, mas muito cultuado pela galera que estuda quadrinhos, justamente porque ele consegue trabalhar de uma maneira bastante rica a sequencialidade dos quadrinhos, mas também a simultaneidade. A proposta desse quadrinho é relativamente simples e, ao mesmo tempo, complexa para diabo, porque tudo se passa em um único ambiente, em uma sala, só que a gente vai vendo com quadros dentro de outros quadros, diferentes tempos, então a gente vai para a época dos dinossauros, a gente vai para
um futuro distante e é muito bacana aqui como McGuire procura explorar a memória dos ambientes. Sabe esse lugar que você está agora aqui me assistindo, sei lá onde é que você está? Esse lugar já teve muita vida que passou por aí, o que será que já aconteceu nesse cantinho que você está agora? Essa memória aqui do espaço é trabalhada de um jeito tão belo e com tanta virtuose da linguagem dos quadrinhos que não tem como não recomendar. Eu ainda preciso fazer um vídeo sobre Here aqui no canal, será que eu já não fiz? Agora eu
não lembro, acho que eu não fiz. Mas vocês também acham para comprar esse gibi, então se mexe aí. Akira, de Katsuhiro Otomo. O principal nome da invasão do manga/anime que aconteceu no ocidente nos anos 80, aliás, não foi só no ocidente, na China também. Akira foi muito importante para abrir portas, além do cyberpunk, para uma série de elementos que tornaram Akira tão emblemático, tem um trabalho muito, muito rico de revisitar a memória do Japão, repassando por traumas como as bombas nucleares, mas também o imperialismo, o neofascismo, o avanço tecnológico e a busca de si e
dos outros nas relações que vão se perdendo, principalmente a amizade. Aliás, isso é um ponto fundamental em Akira, ele é um grande tratado sobre a amizade, sobre o quanto nós somos, quem somos, porque temos os outros, os outros ajudam a gente a se entender no mundo, eu não sou ninguém sem vocês. Tem para comprar também, saiu no Brasil, seis volumes. Philémon, de Fred. Esse é um quadrinho que aqui no Brasil ninguém quis lançar, saiu muito tempo atrás apenas algumas histórias. E Philémon, eu não gosto desses paralelos, mas vou fazer aqui para ficar bem claro, é
basicamente o Alice no País das Maravilhas dos quadrinhos. Porque aqui na história, o protagonista é um rapaz um tanto pacato, que é o Philémon, e ele vai parar em uma série de mundos fantásticos, cada um mais absurdo do que o outro. E, gente, além de ter páginas que exploram a linguagem dos quadrinhos ao limite, com composições muito, muito bonitas, Philémon também é um festival de conceitos, de ideias muito, muito ricas, tem ali uma criatividade, tem uma imaginação absurda e, ainda por cima, consegue fazer isso dialogando com crianças. Sim, Philémon pode ser lido por um adulto
e por uma criança, que nem Alice no País das Maravilhas. Eu sempre recomendei demais Philémon e é trisque que, aqui no Brasil, o pessoal ainda não se tocou para publicar. Talvez há um receio por ser um tanto diferentona, mas, cara, eu acho que tem que deixar coisa mais diferentona do que Philémon saindo por aí, e bem pior, cabe dizer. Eu fiz um vídeo mais antigo aqui no canal sobre o Philémon, preciso voltar a essa obra. Inclusive, digam nos comentários vocês querem que eu também fale de Philémon. Cidades Obscuras, série em quadrinhos de Benoît Peeters no
roteiro e com desenhos do François Schuiten. Já tem alguns vídeos aqui no canal sobre essa série, eu pretendo continuar. E, galera, o que torna Cidades Obscuras tão interessante é a capacidade que os autores têm de criar o mundo próprio. Mais do que isso, de arquitetar o mundo próprio. Essa HQ é muito lembrada pelo cruzamento entre quadrinhos e arquitetura, então há todo um cuidado de pensar a criação de cidades ficcionais e trazer para o debate do próprio quadrinho a construção dessas cidades, com personagens que muitas vezes são arquitetos, urbanistas ou mesmo pessoas que procuram viajar de
uma cidade para outra e acabam conhecendo um novo lugar. Mas, ao mesmo tempo, tem uma série de elementos extremamente fantásticos, sobrenaturais. É muito, muito criativo. Além do desenho do François Schuiten ser absurdo, seja colorido ou até mesmo em preto e branco. Eu costumo preferir preto e branco, porque daí a gente consegue ver em detalhes os trabalhos que ele tem de composição de página, de luz e sombra, de texturização. Eu sou um grande defensor de Cidades Obscuras no Brasil, até hoje não saiu, embora um passarinho me contou que uma editora está com os direitos, não sei
realmente qual é a editora e essa notícia já está velha, ou seja, até agora não saiu, mas quer me parecer que é questão de tempo. Building Stories, de Chris Ware. Tem um vídeo no canal sobre esse quadrinho, que na sua própria manterialidade já é um tanto inusitado, porque ele vem numa caixa com várias páginas soltas, algumas em formato de jornal, outras em formato de tira, às vezes é um livro menor em forma de caderno, enfim! A ideia é explorar a própria matéria dos quadrinhos, mas também a história nos prende, porque aqui a gente acompanha uma
mulher em diferentes fases da vida e, conforme você pega os materiais para ler, dependendo da ordem que você escolhe, a vida dela vai ganhando novos sentidos. Além de Building Stories trazer o domínio que o Chris Ware tem da linguagem dos quadrinhos, de explorar as múltiplas linearidades de leitura, seja pelos objetos que a gente escolhe, seja até mesmo pela própria página, quando às vezes você tem que escolher para que quadro você vai e toda essa brincadeira formal, ainda assim carregada de muita emoção, o que geralmente é difícil de fazer. Building Stories, eu acho que nunca vai
sair no Brasil. Ia ser um material tão caro, mas tão caro que eu acho que não rola, mas eu recomendo demais que vocês deem um jeito de ler Building Stories, só que esse é realmente para poucos, vamos ser honestos, porque a graça é ler mesmo pegando na mão. Porém eu consegui naquelas promoções que a livraria escreveu o preço errado, eu me dei bem, mas você não, você vai passar trabalho, você ferra aí. Ranxerox, de Stefano Tamburini e Tanino Liberatore. Esse já tem vídeo aqui no canal, é um clássico da ficção científica, mas também dos quadrinhos
alternativos que surge ali na Itália, pós-movimento de 77. Ranxerox é um android, no primeiro momento bastante punk, mas depois se torna um retrato de um mundo frio, asséptico, tecnocrático, onde as relações estão cada vez mais vazias e a gente só consome porcaria, violência, coisas horríveis, sempre com uma expressão blazê. O futurismo de Ranxerox talvez é um dos mais pessimistas que eu já vi e que consegue transmitir essa sensação, consegue nos preencher de pessimismo, ainda que a gente acompanhe de maneira um tanto trágica, o Ranxerox sempre em busca do amor, um amor que nunca vem e
quando vem também é de um jeito completamente errado, quem lê sabe do que eu estou falando. Ranxerox saiu recentemente no Brasil, acho que talvez ainda esteja disponível, não sei, mas também é daqueles trabalhos que volta e meia reaparece. Suehiro Maruo, aqui tô falando novamente de um autor, mas tô pensando especificamente os trabalhos dele de eroguro, erótico grotesco. Já tem uma cacetada de vídeo aqui no canal. E para além do estilo do Maruo, que é uma linha bastante delicada, bastante fina e consegue conferir bastante elegância a partir de referências românticas, surrealistas, entre tantas outras, o principal,
óbvio, é como o Suehiro Maruo consegue explorar o pior do humano, ele não tem limites. O grande mérito da obra do Suehiro Maruo, dos seus mangás e eroguro, é de conseguir pensar o que há de pior na humanidade e sempre explorando esse pior naquilo que ele conjuga violência com desejo. Sabe aquela coisa sobre a humanidade que a gente não tem coragem de assumir, inclusive de não assumir sobre nós mesmos? O Suehiro Maruo joga isso na sua cara. Ele mostra, no final das contas, o quanto nós somos monstruosos. Daí que essa explicitação do que todos nós
somos nos nossos recônditos mais sombrios servem, talvez, para prevenir violências, mas acima de tudo para a gente ter coragem de assumir quem nós somos e, a partir disso, talvez, operar algum tipo de mudança. Como eu falei no inpicio do vídeo, crítica é importante e o Suehiro Maruo é aquele cara que fala: vamos nos críticar? Vamos fazer uma autocrítica da mais dolorosa possível? E é isso que os mangás eroguro dele fazem. Além de te deixar traumatizado também. Tem alguns mais antigos dele aqui no Brasil, que saíram pela editora Conrad. O mais recente foi Ilha Panorama, que
tem vídeo no canal também, então vão atrás, embora o Ilha Panorama é o mais light, tem coisa bem pior. Sergio Toppi e aqui, novamente, tô falando de um autor, mas eu tô pensando mais nas histórias dele que são, vamos dizer, alegorias antropológicas. Tem uma série de histórias que se passam em vários lugares do mundo e ele procura explorar esse multiculturalismo para basicamente qualquer lugar do mundo que ele resolva explorar. Além disso, Toppi é um desenhista bastante único, apelando para um decorativismo nos quadrinhos e que produzem imagens que são belíssimas. Sergio Toppi é um dos melhores
desenhistas que já existiram de histórias em quadrinhos. E cabe dizer, muito pouco copiado, porque é muito, muito singular. Tem alguns vídeos de Sergio Toppi aqui no canal, preciso fazer mais e cabe lembrar que esses álbuns estão saindo no Brasil em edições muito bonitas, então, se você nunca leu nada do Sergio Toppi, tome vergonha na sua cara, porque isso é uma questão de caráter. Quarto Mundo, de Jack Kirby, que é o quadrinho em que surge o vilão do Darkseid, o grande vilão da DC Comics, mas têm personagens muito interessantes, como o Senhor Milagre, a Grande Barda,
Órion, é uma típica space ópera, mas com o detalhe de ser do Kirby... Ou Kirby, fala Kirby mesmo! O Quarto Mundo, além de ter uma série de personagens bastante interessantes, é uma profusão de conceitos que não acaba mais. Aliás, uma das coisas que, às vezes, é difícil de ler no trabalho do Kirby, é que ele é praticamente um geômetra barroco, então ele, basicamente, vai brincando com formas geométricas e vai produzindo uma história dentro de outra história, de um conceito que explica outro conceito. Se, por um lado, isso soa muito confuso, muito pesado, muito carregado, por
outro, é uma explosão de criatividade, e não é à toa que até hoje a DC Comics mama na teta conceitual que o Jack Kirby inventou. Vou ser bem franco com vocês, uma das poucas vezes que eu me emocionei lendo o quadrinho de super herói, foi lendo o Quarto Mundo do Jack Kirby. E o Quarto Mundo do Kirby foi o segundo vídeo a ser feito neste singelo canal, então assistam, porque é quase um registro histórico. Esse também saiu no Brasil, mas eu não sei se saiu completo, não sei como foi esse negócio e também acho que
não deve ser fácil de achar, mas problema de vocês. Vamos agora para o top 10! Perramus, de Juan Sasturain e desenhos de Alberto Breccia. Perramus é excelente. Tem um vídeo antigo aqui no canal, mas, você é bem franco, ele está aqui muito em função mais do Breccia, e eu poderia trazer outros trabalhos dele, como Informe Sobre Cegos, Mort Cinder, as adaptações que ele fez, principalmente, de Edgar Allan Poe. Alberto Breccia também é um monstro do desenho, um artista expressionista bastante experimental e que consegue traduzir o grotesco na sua dimensão mais espiritual. Em Perramus, isso é
explorado a partir de uma série de alegorias políticas, e que acabam pensando muito a própria história da Argentina, seja pela ditadura, seja na relação com a própria literatura fantástica da Argentina, Jorge Luis Borges, por exemplo, é um personagem. Além disso, Perramos tem uma série de aventuras bastante divertidas, inventivas, selvagens em termos de ideias, e repito, belo demais. Breccia é um dos maiores desenhistas de todos os tempos das histórias em quadrinhos, fim. Perramus saiu no Brasil, aliás, todos esses que eu falei saíram, então acho que você consegue achar isso sem grandes dificuldades. Roda de Versalhes, de
Riyoko Ikeda. Esse aqui é um mangá shoujo, de menininha, que é do caralho. A personagem da Lady Oscar é um dos personagens mais interessantes que eu já li em mangá ou em quadrinhos como um todo, não é à toa que, inclusive, ela rouba a cena, porque ela nem começa como protagonista, e pelo que eu soube, parece que foi um mangá que não vendeu muito bem aqui no Brasil. Eu fiz um vídeo aqui no canal, aliás, fiz dois vídeos, também foram dois vídeos que não foram tão assistidos, e o fato das pessoas não reconhecerem a grandiosidade
de Rosa de Versalhes explica o quanto você só consome porcaria, você só gosta de merda. Não, pera, talvez você goste de coisas boas, no caso, coisas que eu também gosto, mas se não for coisas que eu gosto, daí não é bom. Rosa de Versalhes é uma história que se passa durante a Revolução Francesa, na verdade, um pouco antes da Revolução Francesa, então trabalha muito questões, óbvio, revolucionárias, questões históricas, mas também traz um debate de gênero... Isso para os anos 70... porque, afinal de contas, a Lady Oscar é uma mulher criada como homem, mas que ainda
se entende como mulher, inclusive, tendo um namorado. E, além disso, as páginas da Riyoko Ikeda, a composição que ela faz, o uso que ela tem de elementos para conseguirem eles expressarem uma determinada emoção, um sentimento, o lirismo como um todo, muito presente ali no mangá shoujo dos anos 70. Gente, isso aqui é feito à maestria pela Ryoko Ikeda. Então eu recomendo demais Rosa de Versalhes, que saiu não faz muito tempo no Brasil, não sei se está disponível, talvez você tenha que correr atrás de sebo, sei lá, mas, sério, leia Rosa de Versalhes, é um dos
melhores mangás de todos os tempos. Arzach, de Moebius, que, na verdade, não é o Arzach, é o Moebius. Moebius, ou Jean Giraud, é um desenhista também dos mais importantes, inclusive, extrapolando o campo dos padrinhos, sendo influente em uma série de filmes como Alien, Blade Runner, Duna. Moebius também é um desses artistas que tem um estilo muito próprio e também mega influente, um monte de gente tentou copiar ele, e que tem uma imaginação absurda. As suas histórias de ficção científica/fantástica parecem que vão nos recônditos do nosso inconsciente, basicamente, Moebius é o cara que sabe quadrinizar sonhos,
ou mesmo pesadelos, e seja em preto e branco, seja em colorido, o trabalho dele é maravilhoso. Até mesmo em histórias mais pé no chão, como, por exemplo, o Tenente Blueberry, que é um personagem de Western, até nesse ponto, o Moebius, conforme vai amadurecendo no estilo, se torna um cara grandioso, até mesmo uma história de Velho Oeste parece um sonho. Tem coisas aqui e acolá do Moebius, ou mesmo de coisas que ele assina como Jean Giraud, mas é um artista que está merecendo ser resgatado, tem mais coisa dele para sair, tem muito material bom e o
mercado brasileiro não está lançando. Diomedes, de Lourenço Mutarelli. Esse tem vídeo no canal, que o YouTube também desmonetizou! Pô, YouTube, que implicância, cara! E eu já falei abertamente. Diomedes é o melhor quadrinho brasileiro de todos os tempos. Inclusive está no top 10. Seja por ser ua história hiper noir, com personagens que são muito, muito interessantes. Tem também o fato que o Mutarelli sabe trabalhar bastante o grotesco e cruzar com uma série de referências literárias, poéticas. Outra coisa muito bacana que o Diomedes explora é a tetralidade, é um quadrinho teatral, e que consegue estrear aquilo que
é de mais singelo, mais humano, num poço, num mundaréu de lixo, que no caso aqui é São Paulo. Eu recomendo demais que vocês leiam a Trilogia do Acidente, que são todas as histórias do Diomedes, que até deveria ser chamada de tetralogia, porque a última tem duas partes, mas enfim, recomendo a leitura e que vocês, ao menos se for para ler um quadrinho brasileiro, se mexam e leiam o Diomedes. Do Inferno, de Alan Moore e Eddie Campbell. Mais uma vez o Alan Moore aqui. Eu acho que é o cara que está conseguindo pedir música no Fantástico,
que aliás é uma piadinha tosca. Do inferno é considerado por muitos uma obra menor do Alan Moore, eu considero a melhor, é aquela que consegue melhor traduzir uma série de investigações mágicas que ele estava fazendo na época e sem cair em uma parte tão aulinha, cursinho de magia, como às vezes acaba acontecendo em Promethea. Em Do Inferno, ao Alan Moore explorar a história do Jack Estripador, de tentar explicar quem foi o Jack Estripador, a partir disso tudo se torna possível, não só as críticas à Inglaterra vitoriana, mas também sobre todo o pensamento do papel da
magia nas decisões humanas. Inclusive com um momento que eu acho maravilhoso, que é com o Jack Estripador vindo para os dias de hoje e percebendo que o mundo hoje é muito mais frio e cruel do que ele. Os desenhos um tanto rabiscados do Eddie Campbell ajudam a produzir uma atmosfera bastante envolvente e eu trago como falha neste canal não ter ainda um vídeo sobre Do Inferno, embora eu já falei várias vezes dele aqui e acolá, um vídeo dedicado inteiramente ao Do Inferno eu preciso fazer. E vocês leiam, porque saiu no Brasil e você tem que
ler. Agora estamos indo para o top 5. O Eternata de Héctor Oesterheld e Francisco Solano López. Esse é o grande quadrinho argentino, inclusive tá para sair uma série na Netflix, e que também é uma das maiores histórias de ficção científica já feitas. Uma neve tóxica começa a cair em Buenos Aires, as pessoas morrem no contato com essa neve, aos poucos a gente descobre que é uma invasora indígena e o nosso protagonista, Juan Salvo, precisa circular pelas cidades, conseguir mantimentos para sua família e seus amigos usando um escafandro. Essa solidão em um primeiro momento dá vez
a uma conspiração que faz com que você nunca entenda direito quem é o invasor. E esse senso de desorientação, essa perplexidade é muito envolvente, além dessas paisagens cheias de neve, enfim, O Eternata é perfeito. Héctor Oesterheld é um dos maiores roteiristas de quadrinhos de todos os tempos, inclusive ele rivaliza com Alan Moore. Se ele não fosse tão vira lata de só valorizar quem é gringo ou quem está acima da linha do Equador, a gente reconheceria com facilidade Oesterheld como um dos maiores roteiristas de quadrinhos de todos os tempos. E Eternauta, o primeiro, principalmente, é a
expressão máxima do quanto esse cara é bom. Pelo que eu soube parece que vai sair uma nova edição de Eternauta no Brasil, então, gente, leiam, simplesmente leiam. Eu já fiz vídeo aqui no canal, antigo, preciso também voltar a falar de Eternauta. Em quarto lugar, Jojo's Bizarre Adventures, de Hirohiko Araki. É difícil explicar Jojo, porque como o nome já diz, é só bizarro. Não é só bizarro, aí que está, Jojo é a expressão máxima da criatividade selvagem, onde você vai apenas explorando um exagero atrás de outro, onde o desafio é sempre pensar algo mais criativo do
que o anterior. Então, basicamente, Jojo, o que é interessante é porque ele é imprevisível, as ideias vão ficando cada vez mais estranhas, mas, ao mesmo tempo, são envolventes, os personagens são engraçados, a situação toda é muito cômica, além de ter toda uma estilística bastante fashion. Eu ainda estou devendo um vídeo aqui no canal sobre a importância da estética da superfície e Jojo faz isso melhor do que qualquer outra obra. Por causa de toda uma herança, até mesmo cristã, a gente tende a dizer que a obra boa é aquela que é profunda, mas Jojo é rico,
é poderoso, é forte justamente porque é superficial. Então, aqui para fazer um trocadilho meio maluco, Jojo é uma obra que explora em profundidade toda a superfície, conseguindo fazer com que a página da história em quadrinho pule em você e que te envolva cada vez mais numa escala de poderes, de aventuras, de peripécias que você nunca sabe exatamente onde vai chegar, mas que te suga como se fosse uma espiral. Quem não vê essa riqueza em Jojo, eu acho que a pessoa já perdeu o sentido, você está dessensibilizado, está na hora de você fazer uma Jojo Pose
e soltar para fora toda a criatividade que tem em você. E agora, top 3! Juiz Dredd, criado por John Wagner e Carlos Esquerra, mas que é bom na mão de muitos outros autores. Aqui estou falando de Juiz Dredd como um todo, toda a série do Juiz Dredd. Esse juiz que, na verdade, é o policial, o júri e o executor, em um futuro distópico, neofacista e que sempre traz um dilema ético bastante interessante, que é o que acontece quando você é o cara certinho no mundo que está profundamente errado? Juiz Dredd, por ser um cara truculento,
uma pessoa bastante desumanizada, acaba, ironicamente, se tornando muito interessante, muito carismático. E indo além dessa coisa da ficção científica, que é produzir janelas que, na verdade, são espelhos da sociedade, Juiz Dredd consegue também fazer muita sátira, debochando, tripudiando os valores de certo e errado da nossa sociedade. Eu já fiz uma cacetada de vídeo sobre o Juiz Dred aqui no canal, inclusive vou fazer mais, vou sempre fazer, e também tem vários materiais deles no Brasil. Muita gente que pergunta por onde começar e a resposta é qualquer um, são histórias geralmente autocontidas, então simplesmente pega um Juiz
Dred e começa a ler, porque é muito bom. Love and Rockets, de Gilbert e Jaime Hernández, e aqui eu estou falando dos universos Locas e Palomar, mas principalmente Palomar. Tem até um vídeo aqui no canal que eu falei que é o melhor quadrinho que eu já li na minha vida, e, gente, até é difícil explicar por que Love and Rockets é tão bom. Porque se você passa os olhos, você vai ver algo que talvez seja um tanto simples, mas é essa simplicidade que esconde a maior riqueza. As personagens em Love and Rockets são muito interessantes,
são ricas, são complexas, as relações entre as pessoas são muito carregadas de sentimentos, sem ser com isso meloso, sem ser piegas, pelo contrário, há muito humor, mas também às vezes até mesmo muito cinismo. Mas, assim, talvez o que eu possa melhor explicar por que Love and Rockets é tão bom é que você sente que está diante de algo muito vivo. Sabe esse papo clichê de que toda história é cheia de vida, que todo livro, todo quadrinho, todo filme, ele tem uma alma? Em Love and Rockets, essa alma está na tua frente, irmão. Você sente ela
lendo, é um quadrinho que tem muito, muito espírito. Em uma época de tanta inteligência artificial, com coisas tão automáticas, Love and Rockets é quase o exato oposto disso. Você sente que aquilo foi feito por uma pessoa que você está lidando com seres humanos e que esses seres humanos, no caso, são os personagens do papel, cara. Ou seja, você realmente se sente ali habitado por um monte de espírito feito em quadrinho. E se você gosta de autores como Gabriel García Márquez, Jorge Amado, você, principalmente com Palomar, vai se sentir profundamente identificado. E agora, em primeiríssimo lugar,
quem é que eu vou falar? Ora, Batman! Sim! E eu estou falando de tudo do Batman! Gente, é óbvio que vão ter histórias do Batman que são bem merda e também tem aquelas mega famosas que são boas, O Cavaleiro das Trevas, A Piada Mortal, Asilo Arkham, Batman Ano Um, O Longo Dia das Bruxas, O Messias, Batman Ano 100, O Filho do Demônio... Isso para não falar de uma série de outras histórias que até não são tão famosas, mas são muito interessantes. Batman tem para mim um vínculo bastante afetivo. Eu cresci vendo e lendo Batman, minha
dissertação de mestrado foi sobre Batman e mesmo no meu doutorado, quando eu falei de quadrinhos como um todo, Batman ganhou um espaço especial. E, sinceramente, quem tenta fazer leituras simplificadoras do Batman tende a falar merda, justamente porque o Batman conjuga uma série de contradições e que, em certa dose, consegue ser um personagem que sintetiza muito os tempos que vivemos, seja por aquilo que ele tem de heróico, mas também por aquilo que ele não tem de heróico. Fica até difícil recomendar aqui um vídeo do canal, porque eu faço também uma cacetada de vídeo sobre Batman e
vou fazer mais também. Então digam qual história do Batman vocês querem que eu comente. Por fim, cabe acrescentar que essa lista não está completa e, se eu tiver que fazer ela na semana que vem, ela já não vai ser igual. Inclusive, eu deixei de fora algumas histórias que eu estou lendo, então eu não terminei ainda e que eu não sei se eu vou achar tudo isso, mas, conforme eu estou lendo, já estou achando, é o caso de Vinland Saga, de Ken Parker. Eu também podia ter falado de outras obras aqui, como Corto Maltese, Little Nemo,
Demolidor do Frank Miller, enfim, podia ter entrado muito mais coisas, mas o que não entraria é Sandman. Sim, se você achou que ia ter Sandman nessa lista, não vai ter e, se eu tiver que fazer um top 100, o Sandman vai passar trabalho para entrar. Você é fã de Sandman e está chateado com o que eu estou falando? Bem, são só opiniões. Esse monte de gibi que eu falei aqui, vocês encontram em diferentes lugares e alguns até vocês não encontram. Mas é aquela coisa, vão sempre em lojas de quadrinhos, em livrarias, mas, se forem pela
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