Agendamento de terceiros. Por que Azão escolhi falar sobre esse tema para você? Porque pode ser um risco.
Eu sei que uma pessoa que recebe um resultado incrível, ela vai querer garantir para alguém que ela ama com certeza, que ela tem compromisso, que ela quer ver melhor o mesmo benefício. E com isso é muito natural quando você começa a apresentar resultados paraos seus clientes, se eles querem trazer a família toda, todos os amigos, colegas de trabalho e daí por diante. Mas qual é o perigo disso?
Quando a pessoa ela busca ajuda, o movimento dela de ligar, passar o WhatsApp, entrar em contato, receber as informações, tomar a atitude do pagamento, tudo isso é parte de um processo de amadurecimento pra primeira sessão. Quando alguém te procura e quer agendar por outra pessoa, na maioria das vezes essa pessoa tá impedindo ou limitando que o outro faça o próprio movimento interno na busca da sua ajuda. Então tem alguns casos que requer muita atenção, tanto na hora de agendar, tá?
Quanto o quem vai pagar, OK? Por exemplo, uma das coisas mais comuns dentro do consultório é a mulher querer agendar uma sessão pro marido. Então, ela liga, fala que o marido tá precisando, que o marido tá decidido e aí ela organiza para que ele chegue até lá.
Só que o dia que o marido chega, você percebe visivelmente que ele foi pressionado, que ele foi para não perder o casamento, mas que internamente ele não tá disposto, ele não tá preparado, não é o momento dele. E essa sessão vai ser para você desgastante, porque você pode entregar o seu melhor que essa pessoa não vai conseguir receber. Então, quando é um atendimento e quem traz a solicitação é o marido ou a esposa, eu sempre lidei com isso de uma forma muito clara.
Eu digo, mas ele tá realmente decidido, né? Como é que ele tomou essa decisão? Foi você que escolheu por ele ou é uma escolha própria?
E aí eu digo, então eu vou sugerir que você passe o nosso telefone para ele para que ele possa ligar, porque é parte do processo de desenvolvimento dele e de envolvimento no processo que ele marque a própria sessão. Sabe, às vezes a pessoa marca, ela tem que esperar horário, né? E quando ela não planeja isso na agenda dela, ela às vezes até esquece, ela às vezes nem comparece porque ela não se envolveu, tá bom?
Então é muito comum no relacionamento de casal, é mais frequente que a mulher faça esse movimento. E esse movimento exige um limite. E se você não coloca esse limite, essa questão que é uma questão simples, pode virar um problema.
Então você tem que fazer isso com toda a elegância, com todo o cuidado pra pessoa não se sentir excluída e você explicar para ela. Olha, parte importante do resultado para essa primeira sessão é um movimento que ele vai fazer antes de chegar aqui. Então, o ideal é que ele procure, é que ele peça o horário, que ele aguarde um horário disponível para ele, que ele confirme a vinda dele, porque durante todo esse processo ele vai se preparando internamente para um momento que é realmente relevante, se for bem vivido.
OK? Outro ponto importante, quando os pais pagam pros filhos. Ah, Mirela, mas geralmente é assim.
Sim, geralmente é assim. Então você já pode se conformar que existe uma tendência dessa pessoa ter um resultado muito menor, aliás, menor do que ela teria se ela mesmo tivesse pagando. Porque quando a pessoa paga, ela tá se responsabilizando.
É como se ela tivesse se comportando, aliás, como não. É um momento em que ela se comporta como uma adulta, né, autora da própria vida. às vezes nem um adulto, mas uma pessoa disposta a mudar a própria vida.
O pagamento é um envolvimento de responsabilidade, tá? Então é muito importante quando os pais vêm e acredite, hoje em dia nós temos adultos de 40 anos, de 50 anos, em que os pais estão pagando o tratamento. Independente da idade da pessoa, é importante você deixar claro para aquela pessoa que tá pagando que pagar o processo também é uma etapa da cura, tá?
É importante você dizer isso porque às vezes essa pessoa ainda nem foi até você. Ela recebeu lá três, quatro, cinco recomendações, nunca foi em você e agora tá confiante de que o filho dela vai encontrar a cura. Só que às vezes não vai, porque às vezes ele não decidiu.
Às vezes ele topou só porque a mãe tá pondo pressão, só para satisfazer a mãe, só para não perder benefícios que ele tem, por exemplo, mesada, carro, essas coisas, compreende? E aí você não pode entrar nesse jogo. A mãe precisa ser bem orientada, porque se o resultado não for satisfatório do jeito que nós sabemos que ele poderia ter, então ela não vai colocar isso, essa conta em cima de você.
Ela não vai sair dizendo por aí não, minhas amigas tiveram bom resultado, mas comigo não foi. Tá? Então, muito importante, o pagamento preferencialmente ele precisa ser feito por aquela pessoa que tá buscando cura, tá?
Outra coisa que é muito comum, o casal quando um paga o tratamento do outro que tá num processo de separação, é preciso tomar cuidado porque isso também pode gerar um desequilíbrio na relação de casal, né? E você, eu acho que isso é um pouco óbvio para nós profissionais da ajuda, mas eu vou ter que dizer aqui porque você é meu aluno, eu não sei se você já começou a atender ou não, mas você não pode se refém de quem está te pagando. Não importa quem está pagando o processo, não importa.
A sua responsabilidade é única. entregar para esse cliente o que ele precisa e não o que ele quer. Não importa se você tá vendo ele envolvido ou não no processo.
É claro que você tem que ter estratégias para trazer o cliente cada vez mais, mas você não pode ser negligente em entregar o necessário por medo de perder o cliente, tá? Então, agendamento feito por outra pessoa que não o seu cliente requer muita atenção e um cuidado especial até a conclusão da primeira sessão e durante todo o processo, quando esse pagamento acontece do processo inteiro. E é comum quem está pagando às vezes se sentir no direito de ter controle do que tá acontecendo.
E isso é bem sério, porque a única pessoa que tem direito de participar do que está acontecendo dentro do consultório são os pais com seus filhos, parceiro, parceira, amigo, qualquer outro formato de relação que não tem uma hierarquia estabelecida dessa forma, não pode ter acesso ao conteúdo. E se isso acontece, o processo terapêutico, ele é todo comprometido de forma inconsciente. você já está destruindo o processo terapêutico do seu cliente, ele vai ter poucos resultados.
Então, quando se tem uma pessoa que tá pagando e ela quer ter o controle do resultado, você tem de forma obrigatória, porque isso é ético, que colocar limite nessa pessoa, mesmo que esse cliente não permaneça. Mas Mirela, quando você fala dos filhos, você tá se referindo só às crianças e os adolescentes? Olha, essa situação mudou um pouco nos últimos anos, acredite se quiser, mas o número de pessoas que chegam com 30 e 40 anos que ainda estão dependente emocionalmente dos seus pais tem sido cada vez maior.
Então, nesses casos, né, a gente também não permite e desde o primeiro contato a gente deixa isso claro para que a mãe não fique magoada depois, mas a gente não permite que essa mãe tenha acesso direto ao processo. Por que razão? Porque eh é é natural que esse filho se sinta invadido, que ele queira se preservar.
E como a lei garante que ele tem o direito disso depois que ele tem 18 anos, então se você abrir essa informação pros pais dele, você corre o risco impossível de ser acionada judicialmente em função disso. Mas o que deve ser acordado tanto com a mãe quanto com essa pessoa, deixar claro para eles que o quando a pessoa paga o próprio tratamento, ela tende a ter resultado melhor e dizer para ele, ó, ao final do tratamento, como foi a sua mãe que buscou, eu vou dar um feedback geral sobre o seu desenvolvimento. E ao concluir o processo, você liga para essa pessoa, não há necessidade de você marcar uma uma sessão.
Tô te ligando para e isso acordado com o cliente, tá, para comunicar que o processo concluiu e que de fato eu eu liberei ele, ele recebeu alta, né? Ou eu sugeri que ele fizesse mais tantas sessões, ele tá livre para isso. E aí você dá algumas informações gerais para concluir o processo com essa mãe também, combinado?
M.