Educar crianças e adolescentes, não dá na mesma do que fazer um bolo. Não há receita para isso. Estou certa?
Vamos Conversar! Em educação, nós falamos muito de cenário, falamos muito de contexto e falamos um pouco sobre o não haver uma verdade absoluta, uma receita de bolo. Vamos dar um exemplo bem comum: hoje, mais do que nunca, num fenômeno global, existem famílias com um único filho.
Eu posso educar o meu filho único, como se ele tivesse irmãos? Não. Eu posso dar conta de um cenário de quatro filhos, como se eles fossem únicos?
Lógico que não. É muito trágico quando a família traz para a gente, assim: “eu preciso dar um jeito no meu filho único, porque eu não quero que ele fique mal acostumado”, ou “não tem o que fazer, porque ele é filho único”. Disso aí tem uma verdade: eu não tenho o que fazer.
Ele é filho único. Eu preciso aprender a mostrar o mundo, para um filho único. Coisas do tipo: “não existe só você no mundo.
” Para isso, você não precisa mudar o seu discurso, apenas alinhá-lo. O que a gente precisa mostrar e o que a gente precisa ter no radar é que o educar, vou usar uma coisa bem comum, é para o mundo. Sim, o educar é para o mundo.
No mundo não vai existir uma pessoa só. Então, é preciso que as famílias se atentem a isso. É preciso que as famílias mostrem para os seus filhos, o mundo dentro da casa, fora da casa, no planeta.
Mas é preciso que eles tenham uma visão de mundo. As crianças únicas precisam entender que ali, naquele contexto, ele é único. Mas ele precisa aprender a trabalhar num contexto macro, onde ele é mais um.
Quando nós falamos: “olha, o amor que eu tenho, eu dou só para ele. Então, isso está deixando ele mal acostumado. ” Saibam vocês, que os pais que têm doze filhos dão amor de filho único, para cada um deles.
Porque o amor da gente se multiplica, no mesmo tempo que tem filho. Cuidado para a gente não usar isso como uma desculpa, para não negar, para não mostrar a verdade, para não mostrar o mundo como ele é. Os valores não são divididos nunca, mas a atenção, os limites, as verdades, elas sempre são divididas.
Uma criança única na família, ela pode, sim, ter uma visão de que ali ela é única, mas ela não pode, nunca, ter a visão de que isso sempre vai ser feito dessa maneira, porque lá fora ela não é. Uma questão que sempre vem à tona é: “eu acho que preciso ter mais um filho, porque senão ele vai ficar sozinho. Eu não quero que ele seja único.
” Mil discordâncias podem acontecer com isso. Calma! Esse não pode ser um problema.
Existem formas de tratar aqueles que são únicos e existem formas de tratar os que não são. Uma família, ela não pode se render a isso. Se o plano, o projeto ou o momento é de um único filho, vamos trabalhar com isso.
Vamos trabalhar com esse único filho. Não é uma boa alternativa ter mais filhos, para que aquele não seja o único. Vamos construir um cenário.
Vamos construir um contexto, que contemplem um único filho, da melhor forma possível. Não façam disso um problema. Não façam disso uma batalha, porque não tem solução.
Então, problema zero, ser filho único. O problema não está aí. O problema é mostrar o que para esse filho único?
Como que é o mundo ali fora? O quanto aquele valor é dele? Mas, coisas têm que ser divididas.
Momentos de frustração vão acontecer, para o filho único, para quatro filhos, para dez filhos. . .
E amor, esse não é problema, sempre tem para todo mundo. Vamos conversar!