Os Quatro Estados de Consciência. Mandukya Upanishad. Verso 1: Om!
— Isso que é o imperecível Brahman, é o Universo. Sua explicação é tudo isso: O passado, o presente e o futuro, o que foi, o que é, e o que será, tudo é apenas a palavra Om. E qualquer outra coisa que transcenda os limites do tempo - isso também é apenas a palavra Om.
Verso 2: Tudo isso, todo este Universo que vemos exteriormente é Brahman. Este Eu (Atman) que está no interior é Brahman. Este Atman, tal como é, consiste em quatro quartos, quatro estados de consciência.
Verso 3: O primeiro quarto é a pessoa universal, cuja esfera de atividade é o estado de vigília, que é consciente dos objetos externos, e que desfruta da matéria grosseira. Verso 4: O segundo quarto é a condição mental, a percepção voltada para dentro, cuja esfera de atividade é o sonho, cujo conhecimento são os objetos internos, e que aprecia o sutil. Verso 5: Quando alguém dorme, e não tem desejos nem sonha, isto é chamado sono profundo.
Este estado de sono sem sonhos é o terceiro quarto. Como a escuridão da noite cobre o dia, e o mundo visível parece desaparecer, assim, no sono sem sonhos, o véu da inconsciência envolve seu pensamento e conhecimento, e aparentemente as impressões sutis desaparecem da sua mente. Tudo se torna indiferenciado.
Como ele não experimenta discórdia nem ansiedade, é considerado abençoado, é o que experimenta Ananda, a Bem-Aventurança, e cujo rosto é a própria Consciência. Verso 6: Este é o Senhor de tudo. Ele é o conhecedor de tudo.
Ele é a ordem presente em tudo. Ele é o governante interno. Ele é aquele que habita no coração de todos.
Ele é a fonte de tudo. Ele é o fim de tudo. Ele é o ponto de origem e dissolução de todos os seres.
Verso 7: O Quarto, dizem os sábios, não é uma experiência subjetiva, nem uma experiência objetiva, nem uma experiência intermediária entre essas duas, nem é uma condição negativa que não é nem consciência e nem inconsciência. Não é o conhecimento dos sentidos, nem é o conhecimento relativo, e nem o conhecimento inferido. Além dos sentidos, além da compreensão, além de toda expressão, está O Quarto.
Ele é pura consciência unitária, onde a percepção do mundo e da multiplicidade é completamente eliminada. Ele é a paz indefinível. Ele é o bem supremo.
Ele é o Um sem um segundo, o Advaita (não-dual). Esse, dizem os sábios, é o quarto quarto, Turīya. Esse é o Ser (Atman), e ele deve ser conhecido.
Verso 8: Este Ser, além de todas as palavras, é a sílaba OM. Essa sílaba, embora indivisível, consiste em três letras, correspondentes às três condições do Ser: A-U-M. Verso 9: A condição de vigília, chamada de condição material, corresponde à primeira letra – A, o primeiro elemento, e é assim designado por derivar da raiz ap, “obter”, ou pelo fato de ser o primeiro.
Aquele que entende isso obtém aquilo que deseja; e também, se torna o primeiro. Verso 10: O estado adormecido, o Brilhante, o Sonhador, o Eu como a pessoa universal em seu ser mental, corresponde à segunda letra – U, assim designado por derivar palavras como “avanço” e “centralidade”, indicando exaltação ou equanimidade. Aquele que sabe disto exalta, de fato, a continuidade do conhecimento e se torna equânime; acima da diferença; olha para tudo com um olhar imparcial.
Em sua família, ninguém nasce que não conheça Brahman. Verso 11: O Eu como a pessoa universal no sono sem sonhos, o estado de consciência adormecida em sono profundo, corresponde à terceira letra – M. É assim designado por derivar palavras como “medir” e “finalizar”, indicando construção e absorção.
Ele é a origem e o fim de tudo. Aquele que sabe disso é capaz de medir e compreender tudo dentro de si, e se funde nisso, dissolvendo seu egoísmo no Ser. Verso 12: O Quarto, o Eu, aquele que é livre de elementos, é OM, a sílaba indivisível.
Esta sílaba é impronunciável, e está além da mente. Nela, o Universo múltiplo desaparece. Ela é o bem supremo – O Um sem um segundo.
Portanto, a sílaba OM é o próprio Ser. Aquele que sabe disso, entra no Ser com seu eu, e funde seu eu em Atman, o Ser – Sim, aquele que sabe disso. Aqui conclui-se a Māṇḍukyopaniṣad.
Que haja paz, paz, paz.