o professor fez uma exposição ontem numa reunião de governo aqui nessa sala sobre a questão do clima ele é físico da USP e eu achei muito interessante trazer para vocês a apresentação que ele fez para nós bom Presidente Agradeço o convite para trazer um tema tão relevante importante paraa discussão para esse plenário e basicamente eh nós estamos aqui nessa sala discutindo por causa deste gráfico que é que as emissões apesar do acordo de Paris apesar da ciência mais 50 anos alertar que a humanidade está indo para uma trajetória perigosa do ponto de vista de mudança
do clima essencialmente as concentrações de gás de efeito estufa continuam a aumentar estamos emitindo cerca de 62 bilhões de toneladas a cada ano de gás de efeito estufa para atmosfera estamos aqui a maior parte dos gases de efeito estufa é dióxido de carbono no Brasil 48% de nossas emissões estão Associados com o desmatamento e cerca de 27 por adicionais são emissões da agropecuária o vice-presidente Alkmin ontem me perguntou sobre esses números de onde saem os números das emissões brasileiras né Eles saem deste relatório da UNEP chama-se UNEP GAP report né eu vou já peguei o
e-mail vou mandar pra sua assessoria que coloca que do ponto de vista de emissões totais de gás de efeito estufa o Brasil é o sétimo maior emissor do ponto de vista de emissões per capita o Brasil é o quarto maior emissor então nós temos sim eh culpa no cartório nós somos sim um dos 10 maiores emissores de gás de efeito estufa com a responsabilidade pelo que a gente eh está observando e quanto ao futuro o painel intergovernamental de mudanças climáticas que eu faço parte faz projeções pro futuro do clima do nosso planeta de acordo com
vários cenários de emissões num cenário de emissões que continuaríamos a emitir Como estamos fazendo hoje sem nenhuma basicamente redução o planeta pode se aquecer em média 4.3 GC num cenário de implementação do acordo de Paris e razoavelmente mediano um cenário de 3.7 g de aquecimento e o acordo de Paris implementado de uma maneira muito rigorosa um aumento de temperatura de 2.8 GC então vejam a gravidade da situação que nós estamos levando não só o planeta mas também o Brasil porque do ponto de vista da distribuição geográfica deste deste aquecimento num planeta 3º mais quente as
regiões continentais se aquecem mais do que as regiões oceânicas o oceano é 75% da área do nosso planeta E no caso de um cenário de 3º o Brasil se aqueceria da ordem de 4° a 4,5 de temperatura em média Isto vai ter um impacto enorme sobre os nossos ecossistemas sobre a quantidade de chuva sobre a saúde da população e assim por diante mas o clima Alé nem de ser temperatura também temos alteração no padrão de chuva e aí é que é uma questão chave pro Brasil com uma economia que basicamente depende do agronegócio o os
modelos climáticos prevêem que a parte central e a parte da Amazônia vai ser muito mais seca do que ela tem sido nos últimos 30 40 50 anos né E vai chover mais no sul do Brasil Rio Grande do Sul Florianópolis eh Santa Catarina e assim por diante então vejam que um cenário onde eh redução de precipitação de 30 a 40% na área do serrado onde hoje temos O agronegócio estruturado está sendo previsto por basicamente todos os modelos climáticos isso também é previsto pela Embrapa né isso daqui é uma publicação da Embrapa de 2019 que mostra
desde a década de 80 o avanço das regiões com alto índice hídrico ou muito alto índice hídrico veja o que acontece nessa década essa região atingindo Tocantins Goiás Mato Grosso e na próxima década atingindo até a região de Rondônia então Oi é a déficit hídrico muito alto déficit hídrico ou alto déficit hídrico Então o que a gente observa é que o serrado e a amazone já estão se tornando mais secos né um dos eventos que associa com essas queimadas análises do Map biomas água né ah feitas recentemente mostram que 76% dos Municípios do serrado perderam
superfície de água nos últimos 30 anos sendo que uma fração grande deles perderam até 75% da água então isso são dados de várias fontes diferentes de resultados de modelagem resultados de medidas e todas convergem pra mesma questão outro aspecto das mudanças climáticas globais é o aumento de eventos climáticos extremos como nós vimos no Rio Grande do Sul como estamos vendo com a de 2023 e 2024 na Amazônia e eles já aumentaram por fator 4ro desde a década de 80 do século passado né e eu enfatizo que isso é muito bem previsto pela ciência porque o
relatório do painel brasileiro de mudanças climáticas que fizemos em 2011 já mostrava que Rio Grande do Sul era uma região que poderia sofrer muito mais eh eventos climáticos extremos e grandes cheias e que é efetivamente o que a gente tá observando agora né Mesmo se vai para uma escala Urbana nós temos que cuidar das nossas cidades né você vê que a cidade de São Paulo a precipitação tá aumentando levemente desde 1935 mas o número de dias de chuva que chove mais de 100 mm ou seja uma chuva muito forte multiplicou por quatro nesse período então
quando chove chove muito mais intenso o que é ruim paraas cidades é ruim paraa agricultura e é ruim PR os ecossistemas né bom e o futuro dos eventos climáticos extremos né os modelos climáticos prevêem que um evento que ocorria a cada 50 anos no início do século passado vai se tornar 39 vezes mais frequente e vai ser cinco vezes mais intenso então basicamente o que a gente está observando esse crescimento de eventos climáticos extremos e é importante perceber Nós estamos vendo o início deste processo ele vai se agravar conforme o aquecimento vai se agravando e
o nosso país tem obviamente que se preparar para isso né falando um pouco da questão amazônica né a Amazônia é chave paraa questão das mudanças climáticas por várias razões uma delas é que as emissões de gás de efeito estufa por queimadas da Amazônia alimentam o aquecimento global mas mais recentemente temos tido muitos dados da ciência Brasileira de que o aquecimento global está trazendo uma degradação do ecossistema amazônico e isso é importante porque a Amazônia tem 120 bilhões de toneladas de carbono armazenado naquele ecossistema e se uma fração desse carbono for pra atmosfera aqueles cenários que
nós vimos do ipcc podem se tornar muito mais importante e mais drásticos né isto foi capa de uma revista importante capa da revista Nature a revista mais importante de ciência do mundo feito por brasileiros que mostra que uma transição crítica do ecossistema da Amazônia não está muito longe né Carlos Nobre também fala isso há 10 15 anos importante saber que regiões tropicais como o Brasil vão ser as regiões mais fortemente impactadas pela mudança climática né então a mudança climática não vai afetar a Suécia Noruega Canadá ou Brasil igualmente os países tropicais vão ser os mais
prejudicados incluindo [Aplausos] nós he