Exclusivo. Domingo Espetacular acompanha um treinamento militar duríssimo, nunca registrado por uma equipe de TV. De cada quatro candidatos que entram no curso, só um vai até o fim.
Os militares chegam ao limite da resistência física e psicológica. Eles querem ser a elite da elite da Marinha do Brasil. [Música] Estes são os alunos que restaram depois das três primeiras semanas de curso.
[Música] No início eram 47 homens. A maior parte pediu para sair. Dos 21 que sobraram, muitos ainda vão ficar pelo caminho.
Os militares que se inscreveram de forma voluntária serão submetidos à exaustão física e psicológica. A história mostra que só uma minoria resiste. No curso do senhor, quantos eram os alunos inicialmente e quantos se formaram?
No meu curso, nós tínhamos começamos com 32 alunos e oito se formaram. Bora, bora, boraia. Vamos desembarcar lá material, hein?
Tá lento, hein? Todos os candidatos já são fuzileiros navais à tropa de elite da Marinha, mas querem entrar para um grupo ainda mais seleto, conhecido como comandos anfíbios, destinado a operações especiais. [Música] Os fuzileiros combateram gangs que controlavam áreas no Haiti.
Fizeram parte da missão de paz no Líbano e atuaram com o exército na ocupação de uma das áreas mais violentas do país, o conjunto de favelas da Maré, que fica entre o aeroporto internacional e o centro do Rio. O Domingo Espetacular acompanhou o embarque dos alunos e instrutores para o encerramento da primeira das três fases do processo de [Música] seleção. Saímos de Itacuruçá, que fica entre o Rio de Janeiro e Angra dos Reis.
O destino a ilha da Marambaia, uma área de acesso restrito que pertence à Marinha. É um paraíso de praias quase sempre desertas. Um do 3 1 2 3 Mas também um inferno para aqueles que estão em treinamento.
O senhor não tinha dado pronto? Sim, senhor. Então mais 10 flexões.
Dos 21 desta turma, cinco desistiram numa primeira tentativa. Nenhuma dor que eu senti aqui foi maior do que a dor da derrota. A dor de voltar para casa, voltar pro meu batalhão, voltar a minhas tarefas normais.
Eu não consegui o que eu realmente queria. Há 5 anos, o sargento Silva, aluno 16, também pediu para sair do curso. Eu tenho que me tornar um caveira.
Não posso abandonar meus amigos, familiares, todo mundo que acredita em mim. Não sou eu sozinho conquistando a caveira com todos eles. O cabo Davi Almeida, aluno 37, vai ser pai daqui a duas semanas.
Ele fará o sacrifício de não assistir ao nascimento da primeira filha. [Música] É mais o motivo de prosseguir adiante no curso. Por quê?
Exatamente. Porque eu sei que vai ser melhor não só para mim, mas futuramente pra minha família também. Durante o curso, nenhum aluno é tratado pelo nome, são chamados pelo número.
Bora. Bora. Quanto maior a patente na hierarquia militar, mais baixo é o número pintado no chapéu, que é conhecido como gorro.
O primeiro tenente Rafael Rocha é simplesmente o 03. Tenho certeza que não vou pedir para sair. Tem muitos, muitos familiares, muitas pessoas que torcem por mim e seria muito desagradável muito desapontá-los, tanto a mim quanto a essas pessoas que me apoiam.
Mal chegaram à ilha e os alunos vão entrar numa fria. Na primeira noite, todos são tirados da cama às 4 da manhã. A ordem é marchar de volta para o CIS, onde haviam desembarcado algumas horas antes.
[Música] Pedaço de secou. Aqui começa uma nova etapa de avaliações. O primeiro teste no mar é o que se chama de prova de permanência.
Os alunos assim uniformizados vão agora pra água. Nas primeiras horas da manhã a temperatura varia entre 19 e 21º. A missão permanecer boiando durante 1 hora e meia.
Se o aluno for incapaz de flutuar, será imediatamente cortado. [Música] A permanência é tão longa que parece acabar o repertório de canções militares. Apela-se então pra música sertaneja.
Faz parte para levar a moral, né? e não se deixar levar pelo frio, pelo cansaço, né? É uma forma de incentivo para eles se motivarem a mais durante a atividade.
Alguns candidatos à Tropa de Elite já apresentam sinais de cansaço e de hipotermia, a queda de temperatura do corpo. Para piorar, a água está infestada de águas vivas. O aluno tenta se desviar de uma.
Outra água viva passa perto do pescoço. Apesar de tudo, os 21 passam testime. Eles são obrigados a sair da água rastejando.
Os sinais de hipotermia são [Música] incontroláveis. O 22. Sargento Rumenig.
Treme sem parar. Depois disso, hora do descanso. Não.
Carregando mochilas e armamento, eles fazem flexões de braço com o punho cerrado sobre o chão de concreto. S dias depois, a turma contava com um aluno a menos. O 46.
Ele desistiu do curso durante um exercício na mata. A simulação do avanço por um território inimigo. De repente, tiros de fuzil.
De onde vem os disparos? Quantos são os atiradores? O aluno de número 10 cai gritando de dor.
Por ordem do encarregado do curso, ele finge que está ferido. Os tiros, na verdade, eram de festinho. Os alunos têm que socorrer o colega sob pressão dos instrutores de movimento.
Combate 15. levanta a ma tira o tirante. Sai daí, senhor é o subcomandante.
Os sinais da exaustão física são cada vez mais evidentes. Quantas horas o senhor dormiu de ontem para hoje? Dando serviço ali de 30 em 30 minutos, umas 3 horas no máximo, mas até pegar no sono mesmo, não deu 3 horas.
De uma semana para cá, em algum momento, você pensou em desistir? Não, senhor. Qual é a lógica de levar o aluno à exaustão?
Essa lógica busca trazer o máximo de realidade possível para o que eles vão encontrar num possível futuro de combate. O inimigo, ele não vai ter a compaixão muitas vezes de saber se o inimigo tá cansado, se tá com sono. E é essa a meta do nosso exercício aqui, repetição com correção até exaustão, para que a gente possa chegar ao nível de perfeição.
De fato, as tropas especiais têm que estar preparadas para missões que não admitem erros. Podem ser o terra e também pela água, daí o nome anfíbios. Este treinamento inspirou a criação de uma tropa famosa, o BOP.
O batalhão de operações especiais da Polícia Militar do Rio, mostrado no filme Tropa de Elite. A rispidez no trato com os alunos. Nenhum dos senhores é bem-vindo aqui.
Não é só coisa de cinema. É isso mesmo. 10 em pé.
Vai ficar em pé assim olhando pr ontem, pensando em casa, pensando na pizza. Vamos embora. Traz esse animal.
O aluno 03 está à beira de perder os sentidos. Logo mais você vai ver o que aconteceu com ele. Dois dias antes era o aluno 09, o da esquerda no vídeo, que parecia prestes a desistir.
Ele e os outros alunos foram punidos por um vacilo de parte do grupo. Se não superar o sono que tiver no ambiente hostil, vai morrer, vai ser capturado. O capitão já havia avisado, mesmo que alguns estejam ali numa situação eh de descanso, outros tê que estar preparados.
Isso, senhor pegar alguém, eles irão paraa água. Nós agora vamos até a área onde os alunos estão alojados, mas nós vamos apagar a luz para flagrar alguma situação de eventual desacordo na na conduta deles. Por que que tem aluno dormindo?
He 34. Quando a luz se acende o flagrante dormindo. E por que que tem gente dormindo, hein?
O aluno 10 é um dos que deveriam estar acordados. Todos vão pagar pelo erro. O 10 parece tão desorientado que se esquece do armamento.
E o pior está por vir. Se fosse o inimigo ia matar todo mundo. É assim mesmo, senhor.
É isso que vocês querem? em direção à praia, correndo. Como anunciado, a punição.
Todos são obrigados a entrar na água na madrugada mais fria do ano. Veja o estado dos alunos 09 e 10. Quantos desistiriam depois do castigo?
Nenhum. Na manhã seguinte, os 20 estavam [Música] apostos. Inclusive o aluno 10, que está na idade limite para o curso, 35 anos.
Ela tomei um susto. Eu fiquei com com medo de acontecer algo assim que eu não suportasse, algo que pudesse me prejudicar no curso, tendo mole que eu mesmo dei, entendeu? Ainda faltavam dois grandes testes para o fim do treinamento na ilha.
[Música] O confronto armado com um grupo que se passa por inimigo e dezenas de quilômetros de caminhada numa das áreas mais bonitas e desconhecidas da região [Aplausos] Sudeste. Penúltima missão, o confronto. De novo, a munição é de Festim.
Só que agora os alunos vão usar sensores a laser espalhados pelo corpo. Se o inimigo disparar na direção correta, o sensor acusa em voz alta. E o aluno perde ponto na avaliação.
Três militares fazem o papel da tropa adversária. O objetivo também é avaliar a capacidade de liderança do aluno sob pressão. Não há tiros de verdade, mas o exercício provoca uma baixa.
O 03 mal consegue andar. Dá água para ele. Vamos embora.
Processo de transporte. Vamos embora. Bora, bora, bora.
Boa, boa, boa. Tá bom, tá bom. Dos instrutores, nenhuma palavra de incentivo.
Pelo contrário. 03. Olha agora até sendo filmado.
Não tem perfil 03. O aluno seria mais tarde diagnosticado com hipoglicemia, a queda de glicose no sangue que pode levar à perda de consciência e até a convulsão. Levanta ele.
Vamos embora. Já deu um negócio para ele ruminar aí. Abre essa dessa ração e dá um negócio para ele comer.
Pô, o tenente é levado para o centro médico. Teria ele condições de seguir no curso? Na manhã seguinte, a turma está com um aluno a menos.
O 03 saiu? Não, o 33 está fora. Ele foi desligado por insuficiência técnica.
O 03 diz estar recuperado para o capítulo final dessa história. Sei que vai ser difícil, vai ser complicado. Fisicamente eu não tô 100%, mas eh eu tenho certeza que aquilo que faltar no físico vai não vai faltar força de vontade.
Os alunos colhem sangue antes da partida. O médico dos fuzileiros também analisa amostras de urina. Quanto mais densa, mais desidratado e mais preocupado vamos ficar.
Dependendo do nível de desidratação, a gente já vai hidratar ele antes da marcha. Indícios de desidratação. Dois alunos apresentam, o 03 e o 08.
Eles recebem soro e glicose na veia. 1 hora e meia depois, os dois se juntam ao grupo. Para fechar esse período de 10 dias de treinamento na ilha, os 19 alunos têm agora uma missão duríssima.
Vão ser horas e mais horas de marcha na areia, carregando armamento, munição e a mochila que pesa entre 25 e 30 kg. A marcha começa agora nas primeiras horas da manhã e só acaba no fim do dia, a 30 km daqui. O mar à esquerda do vídeo, a chamada Baia de Cepetiba ao lado direito, e ao centro uma interminável faixa de areia.
É por este caminho que eles vão seguir num dia de céu claro e sol forte. Do chão parecem marchar pelo deserto. De novo, não se esperam do instrutor palavras de conforto.
Vamos reagir, vamos reagir, hein, Zé TR? Tá transpirando demais. Nem começou ainda.
Uma longa jornada pela frente, viu Zé F3? Só o dia todo. Só o dia todo.
Vamos ver quanto tempo o senhor aguenta. E assim, em fila indiana, os alunos avançam pela restinga da Marambaia, uma área reservada a atividades militares. 6 horas depois, uma parada.
O aluno 15 pisou em algum objeto que perfurou a sola do coturno e furou o pé dele. Os pés do 03 estão em carne viva. É bolha.
É, na verdade é o pé todo. Esse aqui já tava antes de eu começar a marcha. Agora surgiu aqui na parte de baixo do pé.
Na reta final existem trechos de areia ainda mais fofa, o que dificulta a caminhada. O sol já está se pondo e eles entram na oitava hora de marcha pela [Música] restinga. Da linha de chegada já se observa o grupo à distância.
Quantos alunos não resistiram e foram socorridos pelo caminhão de apoio? E quantos cruzariam a pé? Já estava me esquecendo.
Eu já estava me esquecendo do combatente que eu sou. No combatente que eu sou. Agora sim, é possível fazer a contagem.
Dos 19 candidatos à elite da tropa, 19 cumpriram a missão. Precisa me beijar. Não precisa me beijar.
Me mostra a sua competência. Me superar a cada dia. Com a ajuda dos meus companheiros, isso foi fundamental para que eu pudesse concluir essa primeira etapa do curso.
Mas tem muito caminho pela frente ainda. Você sabe disso, né? Com certeza.
Aqueles que conseguirem chegar até o fim estarão aptos a fazer dois outros cursos de mergulho e paraquedismo e então recebem um aumento de salário de 20%. Termina ali a primeira etapa de sanas. Faltam outras 18.
você pensar em seis meses, você vai embora cada dia um dia, com a saudade da família, mas só que mantendo firme e forte para conquistar o objetivo. E chega até o fim? Sim, senhor.
Certeza. Sim, senhor. Parabéns.