qual a importância de se falar sobre estética negra sobre autoestima sobre cabelo sobre roupa sobre corpos em um país em que as pessoas na igreja são tão violentadas qual a importância de falar disso frente ao genocídio da população negra ao encarceramento em massa ea tantas outras desigualdades estruturais que parecem muito mais emergenciais o que falar sobre estética - natalie nery civil calafrios e afins de muito bem vindo muito bem vindas eu quero começar trazendo um conceito que é altamente debatido na antropologia um conceito que eu aprendi desde o meu primeiro dia de aula essenciais que
é o de alteridade o conceito de autoridade e fala de uma forma bem simplificada sobre a visão do eu que só se constrói com relação com o outro fala sobre a construção de identidades coletivas individuais que só se estabelece quando eu percebo o que eu tenho de parecido o que tem de diferente do outro logo que a gente constrói sabe sobre nós é uma eterna relação de enxergar o outro em um país em que esse outro ao longo da história foi humanizado imaculado e elevado como o glorioso melhor mais bonito e muito mais perfeito do
que nós a idéia de eu acaba se construir de uma forma muito negativa partido do povo obviamente de que se eu sou negro e que esse outro que se colocam como proposição geralmente é branco você está muito abstrato espero que não mas para vocês entenderem que essa relação de que eu e outro é muito presente ela vai ocorrer quer a gente queira quer não e não é só sobre se enxergar os entendendo o ponto de vista da classificação ou de qual você é isso eu sou aquilo frança tornou um grande nome um grande intelectual negro
vai ser no começo do seu livro pele negra máscaras brancas unido que todo mundo tem que ler porque é muito importante mas é um pouco dentro falo pode ser justamente contra pessoas que foram analisadas e utilizadas durante a sua vida inteira se compreender enquanto grupo e construir suas identidades individuais e coletivas é fundamental para ser humanizado para se colocar na dialética do eu e do outro presságio de enxergar o meu outro na sociedade passa por observar que esse outro é que quando você é uma pessoa negra quando você nasce uma família negra quando você é
uma pessoa lgbt etc para esse outro geralmente é um outro que está socialmente melhor posicionado que você e quando você vai entender o que significa ser branco no brasil o que significa ser negro em contraposição ao que significa ser branco você começa a entender que talvez ele não seja uma coisa tão boa assim e as suas identidades individuais que vão ser construídas com base essas identidades coletivas do que é ser negro colocado por essa branquitude racista obviamente ele vai fazer com que você se o daee vai fazer com que você se despreze vai fazer com
que você não gosta do que você vê no espelho e você não gosta de pessoas que se pareçam com você logo falar sobre estética falar sobre autoestima negra é interferir justamente nessa imagem que nós temos de nós muito obviamente influenciada pela construção racista do que é ser negro que interfere diretamente no imaginário coletivo sobre o que é ser negro e automaticamente interferem na construção dessa identidade coletivas que novamente vai interferir na construção das suas identidades individuais então é um ciclo sem fim decidiu também quero fazer algumas referências para vocês pesquisarem depois sobre todas as questões
e se aprofundar em outros assuntos eu falei um pouco do falam bem brevemente de uma obra clássica econômica para o movimento para os movimentos negros do mundo que todo mundo deveria ler com um pouco de paciência porque é um pouco mais difícil mas também quero trazer uma falta professor cabeça de manga que me inspira muito nos estudos que ele faz ele tem um trabalho muito importante que eu usei como base para fazer o documentário nem todos brasileiras que se chama rediscutindo a mensagem do brasil ele fez em 1999 e dentro desse trabalho que começa também
falando a construção ea importância dessas identidades individuais e coletivas e ele disse que justamente essas identidades coletivas elas não são produtos acabados elas não são estáticas elas vão se transformar conforme a sociedade vai se transformando então o que significa ser negro hoje no brasil pode não ser a mesma coisa que significou ser negro no brasil há três décadas atrás e pode transformar o que vai significar negra no brasil daqui a 50 ou 60 anos e professor manda vai além e diz que no caso brasileiro a construção dessas identidades coletivas são plataformas mobilizadoras e uma das
formas pelas quais os movimentos negros brasileiros devem organizar suas bases populares para renata então está dizendo que os movimentos negros brasileiros construíram uma base popular forte a partir de identidades coletivas consistentes eles têm que falar sobre estética e autoestima não necessariamente mas é um caminho que se precisa passar isso porque a forma como a gente se vê a forma como a gente se sente é fundamental para a gente recebe ficar transformar e melhorar construções racistas ligadas à estética a cultura afro brasileira e africana a interiorização a ridicularização a marginalização da estética negra e do que
significa ser negro no imaginário brasileiro é uma construção de séculos a imagem que nós construímos de nós mesmos e de quem se parece com a gente é completamente baseada no alto ódio olha os traços negros diz quanto mais largo nariz pior quanto mais larga ou pior quanto mais escura pele mais racismo mais interiorização - valor menos prestígio onde o cabelo crespo onde os estigmas que o corpo negro carrega oxigênio o que se ver com esse corpo negro passa como cresci com esse cabelo escuro essa pele com grande essa bunda e qual o objetivo ficados a
pessoa pode ser por ser negra ódio por mim e por que se assemelha a minha então como é que a gente constrói identidades coletivas fundamentais para o avanço da pauta negra no país quando essas identidades são construídas em cima de ódio em cima de emoções negativas a pessoa negra ea comunidade negra no geral essa interiorização essa depreciação essa ridicularização do que significa ser negro no brasil obviamente é uma ferramenta de dominação são ferramentas de sua organização da população negra que passa principalmente pelos corpos que como dito passa pelo ódio cabelo crespo aos traços largos a
pele escura e passa pelo corpo fundamentalmente porque o racismo é isso é a iraquização ea interiorização de traços de fenótipos quando você nasce assim você é inferior quando você não acessados é superior racismo é sobre isso não necessariamente é sobre dividir sobre dizer que minha e quem é branco e encerrasse a emoção racismo é uma violência que perpassa os corpos como diz rob batista do instituto guerrilha não dá para enfrentar o racismo quando você se odeia ele tem um texto inteiro falando sobre isso com esse mesmo nome que eu também vou deixar aqui na inscrição
para vocês e o alto ódio eo ódio aos seus semelhantes é uma tecnologia racista muito útil que não se pretende transformar e recuperar uma força coletiva pelo contrário se pretende negar todo curso negritude a miscigenação brasileira se estrutura em cima do ódio de pessoas negras por pessoas negras por isso negar o racismo fala diretamente sobre construir imagens positivas sobre estética negra sobre o cabelo sobre o tráfego sobre a pele escura como disneyland souza na escola social que vocês têm que lá tem uma obra chamada tornar-se negro que é muito importante para a gente entender como
funciona a identificação dos processos raciais do brasileiro da população negra no brasil é preciso entender que tornar-se negro no brasil se concentrou no plano simbólico não é só um dado biológico ela disse que não necessariamente porque você assinei automaticamente você vai entender e vai ter com você toda a herança e trajetória da população negra no brasil se tornar negro no brasil entender o que significa negritude se posicionar como em um posicionamento obviamente anti-racista se constrói no plano simbólico como você constrói se tornar se negro quando esse plano simbólico é absolutamente discriminatória teorizador a gente sabe
que isso não é novidade que muitos movimentos negros ao redor do mundo têm conversado e discutido pautado a estética de forma muito importante muito consistente ao longo da história a valorização do cabelo crespo também deu nome ao movimento black power é que não há todo um significado ter um black significa ter um black power e black power ligada à consciência luta negra e tetra e a gente sabe bem que hoje em dia um pente gato é um símbolo de resistência tal qual o punho fechado no brasil também as tranças no cabelo crespo questionamento esses lugares
que se coloca a pessoa negra de forma imperceptível analisada ou inferiorizado têm sido questionadas massivamente a ascensão eo grande impacto da chamada geração tombamento fala justamente sobre isso sobre esse resgate sobre a sua ressignificação de texturas cores de heranças de referências para a construção da identidade afro brasileira e pra quem não sabe que eu tô falando quando eu digo geração um fundamento não falando esse movimento começou há uns anos atrás que ganhou força principalmente nos centros urbanos com jovens negros periféricos também que algumas formas em sabão esse mundo digital e começaram a trocar referências de
trança cabelo estilo muito conectados cultura pop com a sociedade em rede que começaram a discutir novas formas de usar o corpo de usar o cabelo de levar estética negra o nome do momento inclusive faz alusão à música tombei da karol conká já que button ba tão bem que é porque ela é eu acho que é um grande símbolo do que significa essa afirmação a procura está toda a estética negra hoje só de constantemente as pessoas landu que essa geração do momento ela é a geração do lacre e para mim esse lacre de forma negativa pejorativa
ruins ea relação desses jovens que não têm nada a ver uma coisa com a outra que dizem isso fazem essa crítica geração tomar além de uma forma geral é porque dizem que é um movimento que não necessariamente ao movimento mas que só fala de estética de uma forma muito vazia que foi cooptado pelo mercado isso não está completamente errado mas quando a crítica é feita só isso como o movimento fosse isso eu fico bem chateado porque obviamente foi colocado tudo é cooptado pelo capitalismo e as pessoas começaram a achar provas e afirmado estética negra você
precisaria começar a comprar vários tênis roupas caras das pessoas nas periferias necessariamente têm dinheiro ou você precisaria ficar pagando pra colocar extensões de cabelo colorido super caras no seu cabelo que você também não tem grana e que pessoas que realizam o cabelo que porventura não querem fazer parte é ou não se identificam com essa estética fossem finalizados ou colocados como menos negros etc para as coisas acontecem às vezes de formas complexas nas melhores famílias em todos os movimentos não existe um movimento 100% puro é que vai ser completamente 100% ligado aos ideais porque da mesma
forma que a geração do momento acontece aqui no brasil afirmando essa estética negra seja por quais forem as ferramentas que ela esteja afirmando-se pelo cabelo e pêlos dos produtos ou pelas tranças ou pelas roupas ou por negar algumas coisas da mesma forma o movimento propõe que tem acontecido no mundo inteiro e impactado muito como as pessoas enxergam e constrói essas imagens essa imagem ética corporal do que é ser negro hoje no que pode ser o do que pode vir a ser negra amanhã e obviamente falando sobre a propaganda se você for comparar é um movimento
ainda pimenta neves é estético mas ainda mais cooptados pelo capitalismo porque aí é um festival que você paga uma grana pra entrar tal está muito mais ligado a interesses econômicos do que estaria com as meninas da periferia de repente quando muito creme no cabelo e sendo dizendo que qual você não é não faz parte de um movimento que conta disse mas tanto a ocupante quando a geração do momento eu tô falando esses dois movimentos porque são os que eu conheço hoje na minha geração eles estabelecem novas referências corpóreas estéticas visuais mais éticas cinematográficas musicais bem
atrás do que é e do que pode ser uma pessoa negra eles quebram com uma estética hegemônica euros entrada de cabelo liso de pele clara de uma beleza padrão vendida em capas de revista ou de miss universo eles resignificação cores formatos e texturas regras no campo da arte da moda da música do cinema e da produção cultural no geral de tudo trazendo elementos próprios às suas realidades periféricas e das diásporas africanas a crítica que também se faz essa galera é que essa e empoderamento estético não necessariamente está alinhada uma consciência política e social além de
ter sido computado pelo capitalismo então o argumento geralmente da galera que a empresa geração de uma amiga dizendo ai é só o capitalismo e eles não têm consciência política nenhuma e no caso brasileiro isso até é bastante compreensível porque geralmente os jovens que fazem parte da geração tombamento e tetra ele não está bem também com textos de ativismo de projetos políticos sociais ou então dentro da universidade que essas coisas são discutidas né dentro de toda uma linguagem específica e com uma agenda política muito clara ou não é muito escura do caso que acontece talvez a
movimento inverso é esses jovens começam a pensar discursos políticos sociais começam a questionar suas realidades uma vez que eles começam e tem o desejo de procurar saber se aproximar dessa estética negra que absolutamente não formadora transmissora e diferente do que eles estão acostumados movimento de mulheres negras que começaram a questionar suas realidades ou que começaram a entender que gritava de fato ser uma mulher negra que tornaram-se negras né como dizê-lo santos souza quando começaram a entender as necessidades possibilidade de transformação do cabelo pela transição capilar é gigantesco gente agora um outro nome muito importante pra
vocês pra gente continuar essa nenhuma lino gomes é uma doutora em sociologia poda os três delas são incríveis eu admiro demais a mulher e ela tem uma tese de doutorado de 2002 chamada corpo e cabelo como símbolo da identidade negra olha como resta até serve pra tudo que a gente está discutindo e garanto que você talvez queira discutir mais pra frente por favor leia se você puder porque vai ajudar demais a entender muito mais sobre a importância do cabelo principalmente para a construção de identidade no brasil é professora nilma lino gomes vai falar principalmente sobre
a importância do ambiente do cabelo para a construção identitária negra no brasil e sobre como ele não é só um dado biológico não é só sobre ter cabelo na sua cabeça e significa muito mais do que isso ele constrói e ela faz toda uma iconografia em salões de beleza de cabelo afro enfim não é uma tese que vale muito a pena ler porque ela exemplifica e traz alunos muitas coisas que a gente ainda se questione não entende muito uma das coisas mais interessantes dessa tese que eu quero trazer a vocês aqui porque eu acho que
cabe no que a gente está conversando é que ela disse que no brasil o cabelo crespo ativa conflitos porque ver uma pessoa negra com o cabelo crespo tido como ruim logo cria a imagem de que existe um cabelo bom ligado ao branco e você querendo ou não você estando dentro da discussão social não sendo militante ou não você vai se colocar dentro de um bate racial de desigualdade pode levar a gente concluir que não tem como você passar por um processo de afirmação da sua identidade racial negra no brasil sem ativar conflitos sem dar de
cara com a desigualdade social racial sem entender que esse país e raça pra não tem como mesmo que em níveis mais cotidianos do que o que as pessoas elaboram universidades ou nos próprios movimentos sociais logo dizer que não há consciência social ou política na maior parte desses jovens que estão passando por esse processo de afirmação identitária negra pela estética é ignorar as dezenas de conflitos que são ativados todos os dias quando essas pessoas jovens decidem sair com os seus corpos transgressores na rua espero que tenham gostado esse vídeo se você gostaria de deixar um like
se inscrever aqui não fazia feliz porque tem muito mais conteúdo das questões a minha estética negra não falam dos meus produtos naturais nas maquiagens roupas em casa ou na forma como decidiu utilizar as coisas no meu rosto faço os meus dreads sobre os processos com ele enfim muitas outras mulheres falam sobre isso aqui no youtube para justamente a gente questionar essas identidades das construções a partir de uma pluralidade obviamente do que significa ser negro então se não dá boliveira que fala muito sobre as questões estéticas do ponto de vista de uma mulher retira de uma
mulher contatos muito negróides que obviamente dentro dessa lógica de opressão acaba entrando na base da pirâmide sendo ainda mais interiorizada e mulheres como ela igualmente então se outras pessoas sigam jaci julho e também de falar muito sobre estética cigana paulo alexandre se pronunciarem assistiram patrícia meninos iam muitas mulheres que me falam sobre essa questão que a plataforma porque elas estão sim fazendo política trabalho de base talvez não no sentido que a gente está acostumado mas ajudando a construir uma imagem positiva sobre o que é viver e ser uma pessoa negra qualidade no que significa negritude
de uma folha mas resgatar a subir