Nesse último mês, tivemos a Copa do Mundo de Clubes nos Estados Unidos, torneio nunca visto antes, reunindo 32 times do mundo todo. E essa primeira edição foi um sucesso, batendo recordes de audiência no Brasil todo. Apesar da exibição gratuita, alguns detalhes passaram batidos.
Uma das novidades foi uma versão avançada do impedimento semiautomático que utiliza inteligência artificial e sistemas distribuídos, a marcação de um impedimento em menos de 5 segundos. E eu vou te explicar uma das várias formas que a inteligência artificial mudou o futebol e você nem percebeu. Para você que não me conhece, eu sou Luig.
Eu sou um estudante de engenharia da computação. Se inscreva para mais vídeos sobre tecnologia, educação financeira e tudo que me der na telha para falar. Ative o sininho para não perder nenhum vídeo e vamos para o vídeo.
Uma revolução silenciosa está em curso. Uma das mudanças e inovações mais visíveis foi o impedimento semiautomático. Para tornar tudo isso possível, cada estádio nos Estados Unidos recebeu 12 câmeras.
Elas foram posicionadas estrategicamente para registrarem 50 quadros por segundo. Elas alimentam um sistema de visão computacional que analisa os jogadores com altíssima precisão. É importante lembrar que vídeos na verdade não existem.
Esse vídeo que você tá assistindo agora nesse momento, na verdade é apenas uma ilusão da experiência humana. O que chamamos de vídeo é uma sequência de fotos sendo exibidas cronologicamente. Quando um algoritmo recebe um vídeo, na verdade, ele tá recebendo várias fotos.
um conjunto de foto. E para cada foto dessa entra uma rede neural convolucional, que a gente chama uma CNN. Ela funciona como um olho treinado.
Primeiro ela reconhece contornos, formas simples, depois vai subindo de nível até formar uma estrutura mais complexa, como pessoas, olhos, troncos. Esse processo de identificação de partes do corpo é chamado de pos estimation. Aa do impedimento semiautomático identifica 29 pontos de cada jogador frame a frame.
Depois ela transforma tudo isso em uma representação 3D, formando um esqueleto virtual. Enquanto isso, a bola desenvolvida pela Adidas possui um imu, um inertial miser unit que envia dados 500 vezes por segundo. É o mesmo tipo de tecnologia utilizado em satélites, aviões e sondas espaciais.
No futebol, o imu permite identificar exatamente o momento em que o jogador chuta a bola, coisa que vídeo nenhum conseguiria detectar. A empresa, por trás do impedimento semiautomático, a Hulk E Innovations, integra os dados visuais e sensoriais com extrema precisão. Como?
Bom, eles utilizam um mecanismo muito comum chamado time stamps, ou seja, sincronização. Assim, dá para criar uma representação 3D do jogo em tempo real. Depois que tudo está alinhado, entra um outro algoritmo decisivo.
Ele compara a posição do atacante com a posição do defensor mais recuado. Tudo isso no instante exato do passe. Para isso, elas usam o Kpint, aquelas marcas no corpo que eu falei, detectando exatamente ombro, joelho, pé e traça a linha de impedimento baseado na matemática.
Só para vocês terem uma noção, uma única partida de futebol pode gerar até 172 milhões de pontos de dados. 22 jogadores, 29 pontos por jogador, 50 frames por segundo e 90 minutos por jogo. Tudo processado frame a frame, em tempo real por GPUs.
Esses vídeos que vocês estão vendo agora foram gerados por um software que eu mesmo desenvolvi chamado Trocker. Ele foi escrito em Python e usa modelos de detecção como a Iolo. A partir de apenas um vídeo, o sistema rastreia jogadoras de futebol, é capaz de estimar velocidades máximas, distância percorrida e outras métricas importantíssimas pro jogo.
Além disso, o Trocker, ele gera mapas de calor, trajetórias e vídeos interativos de análise, permitindo uma leitura visual e tática de cada atleta. Embora tenha sido pensado inicialmente por futebol, ele pode ser facilmente adaptado para qualquer outro tipo de modalidade. Eu fiz de uma maneira super versátil para que qualquer pessoa consiga usar.
A inteligência artificial já tá moldando o futebol dentro e fora de campo, de decisões milimétricas do VAR até prevenções de lesões. Ela deixou de ser uma promessa futurista e passou a fazer parte do cotidiano de clubes. Ela mudou o jogo e você nem percebeu.
Muito obrigado e até o próximo vídeo.