Em 1825, Nicolau I assumiu o trono da Rússia como novo czar. Imediatamente houve uma rebelião liderada pela oposição que exigia mudanças no país e no governo. A revolta foi brutalmente esmagada por Nicolau, e o czar decidiu condenar Kondrati Rileiev, um dos líderes do movimento, à morte.
Ele deveria ser enforcado. No dia da execução, Rileiev subiu ao patíbulo, com a corda no pescoço. O alçapão se abriu, ele ficou suspenso no ar, mas a corda se rompeu e ele caiu vivo no chão.
Naquela época, ocorrências desse tipo eram vistas como um sinal de providência ou vontade divina. Aquele que se salvasse da morte dessa maneira deveria ser perdoado. Após a queda, embora estivesse machucado, Rileiev conseguiu se levantar e gritou para a multidão, comemorando a sua salvação.
Imediatamente um mensageiro seguiu para o Palácio de Inverno com a notícia de que Rileiev havia se livrado da morte. Apesar de ter ficado irritado e frustrado com esse acontecimento, Nicolau começou a assinar o documento que garantia o perdão ao rebelde. Prestes a entregar o documento, o czar decidiu perguntar ao mensageiro se Rileiev havia dito alguma coisa depois de sua salvação.
O mensageiro então respondeu: “Senhor, ele disse que na Rússia não sabem fazer nada direito, nem mesmo uma corda”. Nicolau imediatamente rasgou o perdão e disse: “Então, vamos provar o contrário”. No dia seguinte, Rileiev foi para a forca novamente, porém, desta vez, ele não se salvou.
Lei nº4 – Diga Sempre Menos que o Necessário Quando você procura impressionar as pessoas com palavras, quanto mais você diz, mais comum aparenta ser, e menos controle da situação parece ter. Mesmo que você esteja dizendo algo banal, vai parecer original se você o tornar vago, amplo e enigmático. Pessoas poderosas impressionam e intimidam falando pouco.
Quanto mais você fala, maior é a probabilidade de dizer uma besteira. Durante o reinado de Luís XIV, os nobres e ministros, integrantes da corte do rei, passavam dias e noites discutindo as questões relacionadas ao Estado francês. Eles conferenciavam, discutiam, faziam e desfaziam alianças, discutiam de novo, até que, finalmente, dois deles eram escolhidos para apresentar os diferentes lados do problema para o rei, que tomaria a decisão do que deveria ser feito.
Era aí então que surgia um grande problema: O que deveria ser falado para o rei? Como deveria ser dito? O que o agradaria, e o que o deixaria irritado?
Quando e em qual local do palácio deveriam procurá-lo? Finalmente, depois de tudo definido, chegava a hora crítica. Sempre com um problema delicado em mãos, os dois homens procuravam o rei, e explicavam todos os detalhes e opções relacionadas a questão.
O rei escutava em silêncio absoluto, com uma expressão indecifrável no rosto. Depois de falarem por muito tempo, os dois terminavam suas apresentações e pediam a opinião de Luís. O rei olhava para eles e somente dizia “Verei”, virava as costas e se retirava.
Os ministros e cortesãos não ouviam mais nenhuma palavra sobre o assunto. Os resultados da decisão e das ações que o rei havia tomado simplesmente surgiam nas semanas seguintes. Luís jamais os consultava novamente.
O rei Luís XIV era um homem de pouquíssimas palavras. Ninguém sabia exatamente o que ele pensava e ninguém era capaz de prever as suas ações e reações. Ninguém conseguia enganar o rei ou se aproveitar dele, dizendo a ele o que achava que ele gostaria de ouvir, porque ninguém sabia realmente o que o rei gostaria de ouvir.
Quanto mais os ministros e cortesãos falavam e falavam para o silencioso Luís, mais eles revelavam sobre si mesmos - informações estas que o rei, mais tarde, poderia usar contra eles com grande proveito. O misterioso silêncio de Luís mantinha as pessoas ao seu redor aterrorizadas e sob o seu domínio. E, durante seu reinado, isso lhe garantiu um enorme poder.
O poder é, de diversas maneiras, um jogo de aparências. Quando você diz menos do que o necessário, você se torna enigmático e, inevitavelmente, parece maior e mais poderoso aos olhos alheios. As pessoas ficam desconfortáveis com o silêncio.
Elas adoram conjecturar, interpretar e tentar explicar as coisas à sua volta. As pessoas querem saber o que o outro está pensando. Se você controlar cuidadosamente tudo aquilo que diz e revela para as outras pessoas, elas não conseguirão saber quais são suas verdadeiras intenções e o que se passa realmente em seus pensamentos.
Ninguém se sente confortável ao receber respostas curtas e misteriosas ou ao ter que lidar com um silêncio enigmático. Isso deixa as pessoas nervosas e apreensivas e, logo, elas tentarão preencher o vazio e o mistério com palavras e comentários, e, inevitavelmente, elas acabarão revelando suas opiniões, falhas, fraquezas e até os seus segredos. Em outras palavras, você não apenas ganha mais poder sobre as outras pessoas ao parecer profundo e misterioso, como também, descobre informações valiosas reveladas por elas.
Aprenda a lição: palavras, depois de pronunciadas, não podem ser tomadas de volta. Portanto, você deve mantê-las sob controle. Tenha um cuidado especial com o sarcasmo: a satisfação momentânea que se tem dizendo frases sarcásticas, em geral, é muito menor do que o preço que se paga por elas posteriormente.
Resumindo, falando menos do que o necessário, você cria a aparência de mistério e de poder. E, quanto menos você diz, menor é o risco de falar uma bobagem ou de revelar algo perigoso. Porém, há momentos em que ficar calado não é a melhor opção.
O seu silêncio pode acabar despertando suspeitas e inseguranças nas outras pessoas – especialmente, nos seus superiores. Além disso, um comentário vago e ambíguo pode gerar interpretações indesejadas e até equivocadas. Suas frases curtas e misteriosas podem acabar sendo entendidas exatamente da maneira contrária.
Portanto, ficar em silêncio e dizer menos do que o necessário são técnicas que devem ser praticadas com cautela e apenas nas ocasiões certas. Em alguns casos, entretanto, é mais sensato usar a estratégia do bobo da corte - que parece tolo, mas que, no fundo, é mais esperto do que o próprio rei. Falando muito e fazendo papel de bobo, ele consegue distrair e hipnotizar todo mundo.
Todos o menosprezam, pensam que ele é tolo, e ninguém desconfia dele. É o inverso da estratégia do silêncio: falando mais, parecendo mais fraco e menos inteligente do que você realmente é, você consegue praticar a dissimulação e distrair as pessoas. Sem desconfiarem do que realmente se passa em seus pensamentos, você pode se aproveitar da situação, enganar todo mundo e obter com maior facilidade aquilo que deseja.