[Música] agora a gente começa a entrar no segundo princípio Esse é um princípio prático muito importante a narrativa coerente quando eu falo de narrativa estou falando sobre o eismo sobre o quê eu ismo olha pro colega fala eu ismo o que é o eismo o eismo é a construção do eu eismo é a construção do eu mas é a construção do eu no sentido de e a construção que fez ou ser desse jeito é a narrativa que eu uso para dizer quem sou eu são as mentirinhas que eu conto para dizer eu sou assim por
causa de a isso é o eu [Música] ismo é o processo de construção de eu sou assim por causa de X eu sou assim por causa do papai eu sou assim por causa da mamãe eu sou assim por causa da minha cultura é a justificativa então quando eu falo de narrativa coerente eu estou falando de eu e o eismo é construção de uma identidade com base naquilo que eu acho ter sido o eismo ele vai ser assim ó eu olho para trás vejo A mais B mais C mais D então eu sou [Música] assim [Música]
e eu vou me convencer e vou dizer essa história para todo mundo não eu sou assim porque um dia eu acordei e bati o pé por isso que eu penso desse jeito as pessoas Ô faz todo o sentido Vocês entenderam essa ideia você cria uma narrativa que parece fazer sentido PR as pessoas passar acharem que acredito em você mas elas também não sabem se é verdade ou não não mas elas dizem que ok entenderam você então tudo é culpa do pai eu sou ansiosa desconto tudo na comida tudo é culpa do papai ess um tipo
de narrativa coerente é um tipo de constução de identidade com base em narrativas e aí essa narrativa coerente ela se resume a uma organização de experiências em um enredo estruturado é como quando a gente conta uma história de um amigo que a gente viu na rua eu conto uma história um outro amigo conta a mesma história só que um jeito totalmente diferente é o famoso telefone sem fio inclusive Então a maneira como eu aprendo hoje a o meu passado M da maneira de eu reagir a partir de agora então não é o meu passado determinante
a maneira como eu aprendo a falar do meu passado inclusive Isto é um enredo estruturado ou seja tem uma estrutura bem bem coerente é igual uma boa história um bom drama que a gente vê na televisão e é o famoso mimimi O que é o mimimi o mimimi é a ideia de eu eu eu vem do inglês mii eu eu eu é quando a pessoa ela justifica o problema dela o mimimi não é o problema tá a pessoa sofre quando ela explica Ah eu sofro assim por causa do meu pai e por causa disso e
isso é um mimi é a justificativa coerente com base numa visão pessoal numa visão eí stica e a gente vai construindo essa noção de eu com base em tudo isso e parece fazer sentido e a gente se convence disso só que a gente não tem de fato consciência ou seja controle percepção de tudo que tá acontecendo na Nosa vida a a narrativa coerente pode ser uma forma de aliviar a dor porque parece dar sentido a dor Se eu entendo que a Mente Consciente é um processo cereal que dá lógica e sentido quando eu começo a
botar a minha dor em uma lógica Isso parece fazer sentido então eu dou sentido a minha dor Então a gente vai no terapeuta e conta toda uma história bonitinha que nós criamos para fazer sentido e o terapeuta Eu até comentei isso acho que foi no sábado não lembro quem é endi primeiro aqui que o cliente terapeuti é o pior por quê Porque o cliente terapeuti ele já tem histórias de autoridades dizendo você é assim por causa disso então ao cente terapeuti ele vai pegar essas histórias juntar com a narrativa corente dele ele vai criar uma
história assim bombada turbinada um Pokémon evoluído aí ele vai dizer Nossa sou assim porque o meu terapeuta viu você não pode reclamar e truco fe Truco na mesa você entendeu Essa Ideia ela sintetiza décadas de experiências olha só que idade você tem Rael desculpa Raquel juntou décadas de experiência valendo de empirismo Eu acho que eu sou assim por causa daquilo aqui no caso T dando exemplo dessa menina que tá chorando no vídeo aqui meus eh pais brigam pais que brigam causam problemas aos filhos e isso se torna parte da narrativa eu sou assim porque meus
pais brigavam tu não sabe filho vocabulário o vocabulário e a gramática vão interferir culpa raiva ansiedade angústia fome vou usar as palavras sociais que os outros usam para tentar exprimir o que eu sinto então acho que eu fiz com a monic ela disse eu sinto dor eu perguntei o que é essa dor aí ela disse no coração ou seja o que o outro chamaria de angústia vocês entendem porque às vezes a pessoa tá sentindo dor eu fiz a pergunta uma dor tipo uma ferida ou uma dor tipo angústia consegue entender essa diferença quando seu cliente
diz assim tá tudo bem Você tem que perguntar o que que é bem Entendeu Ana quando seu cliente diz ah ele tá bem ok O que é bem porque bem é um nome que você dá ao um sentimento e aí você perguntar ah ele tá o quê Ah ele tá feliz tá bom como ele se sente com essa felicidade Ah ele se sente leve por que que eu trago a ideia de leve ou pesado porque a tua percepção de Sofrimento está no corpo e não numa mente abstrata fora do corpo com nomes fofos como raiva
ou tristeza como que a Márcia sabe que tá com raiva Márcia então quando o teu estômago tá doendo tu pode pensar assim Eu tô com raiva né o cara falou tal coisa um não apontado é raiva quem percebe raiva é diferente da Márcia como é raiva para ti tu pron na mandíbula ó já é diferente observa que a resposta fisiológica dele e dela são diferentes mas eles usam o mesmo nome Esse é um dia a Márcia eh fugir da raiva por exemplo continuamente por causa de um trabalho ela começa a entrar em conflito com a
fuga da raiva a raiva é uma necessidade ela diz não quero não quero não quero não quero aí ela começa a sentir pontadas no estômago só que essas pontadas do estômago estão em casa não estão mais no trabalho então ela disse Por que que eu tô sentindo pontada do estômago em casa não tô no trabalho ah aí ela vai dizer que é um problema agora que é tá gerando stress nela ela tá ansiosa porque ela passa a ter medo de sentir aquilo mesmo fora do trabalho e aí como ela passa a ter medo de sentir
aquilo mesmo fora do trabalho ela passa a ter medo de ir para casa então final de semana ela não gosta de ficar em casa sozinha aí ela começa aar com qualquer um que vem do tinder para ela não sentir sozinha para não sentir aquele negócio ruim que foi adaptado pelo trabalho que ela não quer sentir aquilo a ela tá lá com um cara que é vazel que bate nela observa como as gambiarras vão se somando chega num ponto que ela não sabe mais o que que tá acontecendo ela só não quer sentir aquilo mas ela
vai criar uma narrativa não eu sou assim porque nemhum H me presta como minha mãe sempre dizia Vocês entenderam essa ideia ela criou uma narrativa memórias explícitas momentos específicos eu sou assim porque tal dia aconteceu aquilo ok Por que que toda vez que aquilo acontece ou melhor eu sou depressivo Porque meu chefe me demitiu ou seja demissão gera depressão não tem gente que vai ficar feliz da vida tem gente que vai ficar um pouquinho triste vai tem gente que vai pregar e viajar Vai de Férias finalmente vou pegar férias demissão não gera depressão não existe
uma causação aqui mas a pessoa vai pegar essa experiência e vai dizer que ela é assim por causa de assado e como é uma coisa social Todo mundo que ouvir vai dizer faz sentido faz sentido tua depressão porque tu foi demitido é óbvio faz todo sentido não a demissão faz parte de alguma outra coisa e essa sensação de tristeza que ele chama de depressão depois é parte de outra coisa parecem correlacionar-se mas não tem causação simbolismo Associação de coisas e associações então a pessoa acha que aquela situação que foi pesada Nossa Fulano fez eu passar
uma vergonha em sala de aula é horrível aquilo foi coisa do cap a pessoa ela cria associações a coisas e dá valores a coisas e estas valores essa valoração das coisas mesmo que não sejam reais para ela fazem sentido e ela sofrer por aquilo então ela pega um carro que estava amassado Ela diz que o carro que estava amassado fez ele sofrer não é o carro que ficou amassado É algumas Associação afetiva que ele tinha com aquele carro que fez ele sentir daquele jeito mas como ele não sabe disso ele vai dizer para todo mundo
que o problema é o carro ele só vai dizer que vai ficar feliz quando o carro tiver arrumado justificativa isso acontece por causa daquilo ó todas esses pontos todos eles não são sequenciais Tá mas todos eles servem para que a pessoa crie uma narrativa então eu sou assim porque os meus pais brigavam eles diziam que era feia e eu lembro certinho do Natal onde eles brigaram e me chamaram de feia e aí eu ia comprar uma Barbie que significava o mundo para mim o papai não comprou a Barbie ele comprou o comprou o qu mesmo
a Suzi ele comprou a Suzi que as minhas amigas odiavam e por causa da su as minhas amigas não brincaram comigo viram ela criou uma historinha toda e aí adulta vai dizer assim e é por causa disso porque você sabe né quando a papai não compra a boneca da filha ela passa a ter raiva do papai a a criança nunca parou para perceber isso mas a adulta ela vai é pela crença dela hoje ela vai querer justificar uma escolha que ela tem hoje dizendo que foi coisa da criança a criança nem percebeu isso criança nem
sabia o que que era Suzi Na época você entendeu Essa Ideia os adultos você hoje olhando para trás você cria problemas que nunca existiram Hoje nossa minha família era tão triste a gente não tinha dinheiro a criança nem sequer sabia disso ela comia farinha com linguiça el tava bom para uma linguicinha com aquela farinha branca lei já comeu isso linguicinha frita já comeu lingui frita com farinha branca quem já comeu já comeram é bom demais hã hã eu comia puro mesmo com açúcar Ainda bobiar Aham eu pava farinha botava açúcar e botava na xícara e
comia já já fez isso já fez isso já fez isso um dia eu peguei muito farinha com açúcar B isso i lá comia com colher assim ó vendo Jaspion lembra do Jaspion Jaspion que JP E aí um dia eu botei muito na xícara pensei não quero peguei fi lá botei no pó de novo minha mãe foi fazer bocara com na farinha Quase que eu morro aquele dia eu só lembro ela dis assim mamã ela cham mano falei o que foi você que botou a farinha Aqui botei ela tava com açúcar tava por que que tu
fez isso porque eu não queria mais a mulher foi fazer lá um pirão pro meu pai ai meu deus do céu doce ficou Pirão doce com linguiça então aí hoje o adulto que come picanha e meu Deus a minha vida era tão sofrida comia Pirão com linguiça mas a criança nem sequer sabia da Picanha ela nem queria picanha ela queria aquilo mesmo não sabia nem o gosto da Picanha ela não tava triste porém o adulto ele pensa nossa tão ruim não ter picanha eu era tão triste quando era criança aí ele olhar para trás e
ele começa hoje a ficar triste por algo que nunca aconteceu aí ele ficando triste agora ele começa a dizer para todo mundo que é porque quando ele era da infância ele não tinha comida era pobre e aí com base nessa crença ele começa a atuar no mundo desse jeito e aí vai entrar em conflito não com questões emocionais dele e isso tudo vai isso tudo vai a noção de eu sou então eu sou desse jeito Um dia meu pai e mamãe brigaram eles me diziam me chamavam de feia e eu lembro certinho do Natal que
eles brigaram porque eu pedi uma Barbie pra mamãe e o papai comprou uma Suzi E aí por causa da Suzi minhas amigas não brincaram comigo e com certeza isso fo porque uma criança não pode ficar sozinha no verão isso é a duta falando e é por causa disso que eu sou assim por isso que eu sou se menta hã hã o quê é eu sou centa porque eu não gosto de perder porque meu pai e minha mãe fizeram isso por causa da Suzi e eu fui na psicanalista que confirmou isso que eu disse principalmente pelo
fato de a consteladora ter visto a boneca na roda de constelação aí pronto aí fechou o circuito aí a pessoa tem a crença absoluta de que ela é assim por causa da boneca Suzi e do papai da mãe aí tu bota em hipnose faz o processo da terri e no final nunca foi aquilo aí a pessoa abre o olho e diz e o meu trauma aí tu diz eu não falei para ti que não tem esquece esse no final das contas era o fato da vovó que por exemplo eh bateu nela e deixou de castigo
ela não gosta de ficar isolada das pessoas mas ela cria uma justificativa racional para aparecer para dar sentido a dor dela que é uma gambiarra também porque não resolve e mantém-se outro PES outro problema Resumindo por exemplo aqui a menina tá dizendo assim meus pais eram horríveis Eles brigavam o tempo todo e me brig com todo o almoço eu chorava Eles brigavam comigo na verdade até hoje eles brigam por tudo ela tá criando uma narrativa para explicar porque que ela é obesa ela é obesa porque os pais brigavam e obrigavam ela a comer não esta
é uma das razões que me ajudaram a entender de que o problema não é o problema porque eu comecei a perceber que todo cliente ele dava uma narrativa maravilhosa perfeita não vinha nada daquilo na terapia quem já dos meus alunos repararam isso o cliente fala fala fala fala fala fala na hora que entra mesmo não tem nada a ver com o que ele falou e o cliente Hã mas é algo que ele construiu ele nem sabe ele construiu com base em trechos de histórias com base em conceitos sociais com base no que Ele lembra Com
base no que Ele leu hoje que as crianças sofrem de X aí ele cria uma narrativa falsa para justificar um problema que ele não sabe de onde vem ele quer fugir daquilo mas às vezes ele não tem nem tem ele nem tem total consciência porque aquilo começou a ser tão doloroso Em algum momento que ele simplesmente já rechaçou não não quero sentir não quero sentir não quero sentir e ele foi criando estratégias a dor vinha junto a dor vinha junto então quanto mais Ele criava estratégia mais a dor vinha junto então onde ele pisa a
dor tá então ele não por exemplo assim se eu estou com um pé machucado eh cada passo que eu dou a dor vai junto aí você me pergunta onde essa dor começa eu digo Cara eu não sei a dor sempre esteve aqui eu acho que foi o r fato que bateu no meu pé porque quando eu passei do lado dele eu senti dor mas também senti dor quando eu Passi perto da Ju Então acho que a Ju também tem Associação com o meu problema é assim que a gente vai construindo a narrativa coerente ele até
sabe mas ele não sabe o que é exatamente porque aquela dor acompanha ele é tanto tempo que ele não sabe mais o que é a pessoa pega pedaços de filme histórias de livros o que ela aprendeu na escola na religião ela vai criando uma coxa de retalhos ela coxa de retal e olhando de Fora a gente diz é uma colcha mas olhando de perto são vários panos costurados Essa é a narrativa coerente uma construção aleatória de várias coisas que parece dar um sentido para ela lidar com a dor dela tem migalhas de verdade porque uma
colcha não é um pano único uma colcha de retalhos é uma junção de vários panos um ou outro ela acertou Aí você fica com aquilo na sua cabeça só enquanto faz a terapia com a pessoa alguma coisa do que ela falou tu vai usar na terapia mas não tudo que ela falou ali fora porque a maioria Ela errou eu eu lembro de uma cliente eu gosto sempre desse caso uma cliente muito antiga é uma cliente que ela me procurou por bulimia e ela ah tanto que tava assim bulimia para quem não sabe enfi o d
na garganta para ventar e aí ela só tinha duas pessoas que sabiam de da bim da bulimia dela eu e o e o dentista porque o dente já tava apodrecendo e ela foi contando a história dela quando ela era nova ela tinha anorexia anorexia não comer fica magro ela foi num terapeuta que ajudou ela a lidar com anorexia aí com passando anorexia ela ela passou a ter bulimia aí ela casou casou com um cara que batia e não deixava ela sair de casa aí ela não tinha nada enquanto era casada nem Bolim nem anorexia aí
ela cansou do cara e separou voltou a ter Bolim olha que legal olha como o sistema encontra estrategas para manter-se no sistema autopoético independentemente do gatilho o que era o problema dela quando ela era criança papai mamãe separaram e ela se sentia culpada por não gostado por ter medo do papai só isso problema era a culpa e para lidar com a culpa ela foi quando estratégias ao longo da vida para não sentir a culpa mas não adianta aquilo sempre tá lá as gambiarras não acabam com o problema só trazem de outro jeito