Olá! Neste módulo 6 - Vivendo com Obesidade, precisamos falar sobre as dificuldades que as pessoas que vivem com obesidade enfrentam no seu dia a dia. É comum vê-las sendo discriminadas e recebendo olhares preconceituosos.
Esse estigma da obesidade pode estar em todos os ambientes, como na própria casa, no ambiente de trabalho, na escola e até mesmo no serviço de saúde. Todo esse preconceito pode culminar em danos psicológicos, até mesmo danos físicos. Alguns dados alarmantes: crianças com obesidade têm 63% a mais de chance de sofrer bullying na escola, 69% dos adultos com obesidade já sofreram algum preconceito por parte de profissionais de saúde, 54% das pessoas com sobrepeso relatam sofrer algum descrédito ou estereótipo por colegas de trabalho, as mulheres são as que mais sofrem.
As redes sociais se tornam um novo ponto de alerta para quem sofre com estigma da obesidade. Isso traz para aqueles que lutam contra essa doença um sentimento de culpa, fracasso, vontade de desistir do tratamento, tristeza e depressão. A desinformação leva a sociedade a dizer frases como "você não tem força de vontade", "você é preguiçoso e folgado", "só é gordo quem quer", "tá comendo muito", "você é acomodado".
O preconceito leva o indivíduo com obesidade a acreditar e a internalizar esses estereótipos negativos. Vejam essa reportagem de 2020, publicada em jornal de acesso público. "Tenho vergonha de sair de casa", diz uma mulher que ficou presa em uma roleta de ônibus em Guarapari.
Ao longo desse curso mostramos que a obesidade trata-se de uma doença multifatorial, que inclui causas modificáveis e não modificáveis, como fatores genéticos, culturais, ambientais, sociais, entre outros. De posse desse conhecimento, devemos culpar a pessoa com obesidade por sua situação de saúde? Citar frases como "só é gordo quem quer" é um equívoco, trata-se de desinformação.
A doença obesidade é um problema de saúde pública e não problema a ser resolvido por apenas um indivíduo. A pessoa com obesidade está sendo colocada como a única responsável pela resolução desse problema. Contudo, não é apenas uma questão de escolha, existe todo um sistema e esse sistema é obesogênico.
Nós esbarramos em questões como políticas públicas de saúde, indústria de alimentos, questões sociais, interesses econômicos, e, é claro, também a participação do indivíduo. O nosso sistema é obesogênico, propicia o ganho de peso, principalmente, entre aquelas pessoas com predisposição genética. É necessário agir na raiz do problema, as políticas públicas.
Vejam esse exemplo: álcool, cigarro e comidas ultraprocessadas correspondem a um terço da perda de saúde prevenível no mundo, mas apenas 04% do orçamento é gasto na prevenção desses fatores. Por falar em políticas públicas, no Brasil a luta contra obesidade é muito recente, iniciada aos poucos ao final da década de 1990, mas só em 2013 o Ministério da Saúde estabeleceu a linha de cuidado para obesidade no Sistema Único de Saúde e, aos poucos, nosso país está construindo sua luta contra obesidade. Mas ainda temos um longo caminho pela frente.
Diante de tudo que foi apresentado. Como nós podemos vencer o estigma da obesidade? Esta é uma ação que precisa ser feita em conjunto através das ações de educação e saúde, conscientização e empatia.
Só assim nós podemos vencer o preconceito, e, por parte daqueles que possuem obesidade, o sentimento de culpa. Para você que sofre com estigma da obesidade é importante que busque um acompanhamento diário e grupos de apoio. Essas são as referências que nós utilizamos nessa apresentação.
Conto com vocês para a quebra dos estigmas da obesidade, muito obrigada.