Que a graça e a paz de Jesus Cristo seja com sua vida, com sua casa, com sua família. Amém. Eu quero convidar você a abrir a sua Bíblia.
Muito obrigado, meu irmão. Deus te abençoe. No Evangelho de Marcos, capítulo de número dois.
Evangelho de Marcos, capítulo 2. Convido você à leitura do texto bíblico comigo. Evangelho de Marcos, capítulo 2, dos versículos 1 a 12.
A palavra de Deus diz assim: "Poucos dias depois, tendo Jesus entrado novamente em Cafarnaum, o povo ouviu falar que ele estava em casa. Então, muita gente se reuniu ali de forma que não havia lugar nem junto à porta, e ele lhes pregava a palavra. " Vieram alguns homens trazendo-lhe um paralítico carregado por quatro deles.
Não podendo levá-lo até Jesus por causa da multidão, removeram parte da cobertura do lugar onde Jesus estava. E pela abertura no teto baixaram a maca em que estava deitado o paralítico. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: "Filho, os seus pecados estão perdoados.
" estavam sentados ali alguns mestres da lei raciocinando em seu íntimo. Por que esse homem fala assim? Está blasfemando.
Quem pode perdoar pecados a não ser somente Deus? Jesus percebeu logo em seu espírito que era isso que eles estavam pensando. E lhes disse: "Por que vocês estão remoendo essas coisas em seu coração?
O que é mais fácil dizer ao paralítico: "O seus pecados estão perdoados? " ou levante-se, pegue sua maca e ande. Mas para que vocês saibam que o filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados, disse ao paralítico: "Eu digo a você, levante-se, pegue sua maca e vá para casa".
Ele se levantou, pegou a maca e saiu à vista de todos que atônitos glorificaram a Deus, dizendo: "Nunca vimos nada igual". Vamos orar mais uma vez. Senhor Deus, nós clamamos a Ti orientação, por discernimento, para que estando diante da tua palavra, não nos comportemos como quem analisa qualquer outro livro, mas que o Senhor nos traga profunda reverência, temor e tremor, porque estamos diante da santa e eterna palavra do Deus todo- poderoso, que tem o poder de nos transformar, que tem o poder de nos moldar, que tem o poder de direcionar as nossas vidas.
Então, Senhor, que pelo Teu Espírito Santo essa palavra não apenas faça sentido à nossas mentes, não apenas molde os nossos afetos, isto é, nosso coração, mas que a tua palavra também possa encontrar vida em nós e através de nós, frutificando como honra e glória ao teu nome. Abençoa a tua igreja. Estamos aqui prontos para te ouvir e prontos pelo poder do teu espírito para te obedecer.
Assim oramos no nome santo de Jesus. Amém. Amém.
O que é o evangelho? Eu sei, parece uma pergunta absolutamente basilar. Essencialmente é, mas o que é o evangelho?
Ou melhor, o que pensamos ser o evangelho? Porque eu creio que essa é uma pergunta que nós precisamos, no tempo em que vivemos voltar a nos fazermos vez após vez após vez. É claro, alguém diria: "Evangelho significa boa notícia".
Esse é o sentido original no grego. Evangelion, boa notícia. Mas que boa notícia é essa?
Talvez a resposta mais óbvia e o senso comum diria: "Bom, Diego, é a boa notícia de que Deus enviou seu filho ao mundo e ele morreu pelos nossos pecados para que um dia a gente possa ir pro céu? " Certo? Certo.
Mas é uma resposta reduzida. Sim, existe verdade nisso. É claro que o evangelho diz respeito a um Deus que interferiu na história, que enviou o seu filho, que viveu e habitou entre nós, que morreu e pagou pelos nossos pecados para que um dia pudéssemos gozar da sua presença, não apenas de modo temporal, mas de modo eterno, de modo pleno.
É verdade, mas é uma verdade insuficiente, porque o evangelho diz respeito a muito mais coisa do que meros benefícios individuais. que eu vou desfrutar no meu pós-me. A verdade é que se nós discernirmos e compreendermos o evangelho como um benefício ao indivíduo, afinal eu cresci dentro de igreja ouvindo pera lá, hein?
Salvação é individual. Quem não quiser ir contigo que, ó, vai ficar para trás. Você tem responsabilidade sobre a sua vida e sobre a sua caminhada.
De novo, existe verdade nisso, mas de novo é uma verdade reduzida. Eu cresci ouvindo que evangelho diz respeito a irmos para o céu. E até essa afirmação na sua plenitude é um tanto equivocada, porque o Apocalipse vai dizer que não somos nós que subiremos ao céu, mas o céu que descerá até nós, a vinda da nova Jerusalém.
Mas enfim, se nós pensarmos no evangelho como benefícios individuais e uma vida a ser desfrutada, ou melhor dizendo, recompensada, não apenas nesse plano da existência e nesse tempo da nossa vivência, mas naquilo que diz respeito a uma graça eterna apenas depois que morrermos, eu garanto a você, a nossa visão reduzida de evangelho vai afetar a maneira como eu enxergo a Deus, como eu enxergo a mim mesmo, como eu enxer enxergo o próximo e como eu enxergo a fé cristã. E me parece, ao longo dos anos, eu tenho pensado sobre isso, me parece que essa visão cooptada pelo individualismo do nosso tempo, sobretudo nos três últimos séculos, essa visão sequestrada pelo nosso ego, pela nossa sociedade, pela nossa cultura individualista e de consumo, me parece que isso tem moldado a igreja. em certa parte ou em certa medida.
E também me parece que se assim for, e se eu tiver certo nessa tese, nessa reflexão, isso faria todo sentido de o porquê eu olho para uma igreja evangélica brasileira e vejo cristãos absolutamente rasos. Por quê? Porque estou vendo então gente que quer ser individualmente beneficiada, se comportando de tal maneira para que depois que morrer, mesmo que tirando nota seis, passou de ano.
Isso, meus irmãos, repito, é uma redução do evangelho. E a gente vai falar mais sobre isso. O nosso texto começa dizendo: "Poucos dias depois, poucos dias depois do quê?
" Bom, poucos dias depois de tudo aquilo que vimos no capítulo um, não, não estamos numa série em Marcos. Se você não estava aqui no mês de janeiro, você não perdeu o capítulo um inteiro. É uma mensagem solta mesmo.
Domingo passado eu falei sobre João X, o desafio pras minhas, pras nossas vidas, para essa igreja, pra minha história, pra sua história de permanecer em Jesus, de aprofundar em Jesus. E agora eu quero dar um passo além a partir de Marcos 2. Mas quando você olha para Marcos 1, declaração extraordinária é feita por Jesus na inauguração do seu ministério.
Marcos 1, versículos 14 e 15, o texto diz: "Depois que João foi preso, Jesus foi paraa Galileia proclamando as boas novas de Deus. O tempo é chegado, dizia ele. O reino de Deus está próximo melhor tradução, o reino de Deus chegou próximo.
Por quê? Porque está diante de vocês. Essa é a ideia.
O reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas. Jesus fala isso.
E então o que ele faz? Ele começa a anunciar o evangelho, ele começa a falar, não apenas falar, mas demonstrar o que são as boas notícias do reino de Deus. Nas palavras do misiólogo Michael Gorin, é como se Jesus nesses versículos 14, 15 tivesse dizendo a todo o Israel e a todo o mundo, porque essas palavras ecoam até hoje nas nossas vidas, abre aspas, presta atenção.
É como se Jesus dissesse: "Boas novas, o reino de Deus chegou. O poder de Deus do fim dos tempos para salvar, curar e restaurar o mundo inteiro. Pessoas de todas as nações e toda a vida humana, do pecado e de todos os seus efeitos maus, está aqui.
Deus está restaurando seu bom governo sobre todo o mundo e o seu reino está irrompendo em meio à história nesse exato momento em mim. Jesus está dizendo pelo poder do Espírito Santo. Ou seja, o que é o evangelho?
O evangelho, meus irmãos, é o poder dinâmico de Deus para derrotar o mal e todos os inimigos da sua boa criação. É a chegada da salvação escatológica. Isso é a salvação dos fim dos tempos, de toda a humanidade, de toda a criação, do pecado e da sua maldição.
É o anúncio de que Deus está pouco a pouco restaurando o seu governo e o seu reino sobre toda a criação e toda a humanidade. E isso, preste atenção, está presente agora no meio da história através de um homem judeu chamado Jesus. Isso seria muito difícil para um judeu do primeiro século compreender, porque por todo o Antigo Testamento, a nação de Israel aguarda com expectativa fervente e ardente a vinda do Messias, aquela semente prometida por Deus a Eva, que esmagaria a cabeça da serpente.
Os profetas falaram sobre isso, os salmos cantaram sobre isso. Era a grande expectativa de que um dia todo mal teria fim. de que todo jo, todo fardo e todo pecado, afinal, essa é a nossa expectativa ainda hoje, a nossa esperança é que a dor se dissipe.
A nossa esperança é que toda injustiça não apenas acabe, mas seja julgada. Se você tem visto os noticiários, seja sobre o Brasil, eu tenho visto noticiários sobre Estados Unidos e talvez você tenha visto, por exemplo, sobre esses arquivos de Jeffrey Apstin. É de dar nojo.
É de dar nojo. Não é justo que isso passe impune. A nossa esperança não é de vingança.
A nossa esperança é de justiça. Jesus Cristo disse no sermão do monte: "Bem-aventurados aqueles que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos. Há uma ira santa que se traduz em justiça.
Então nós queremos isso. A nação de Israel queria isso. Contudo, era difícil pro povo judeu entender essas palavras de Jesus em Marcos 1, 14 e 15, porque perceba, para eles o reino de Deus viria no fim da história.
O reino de Deus viria na consumação da história. Ou seja, Deus vem, o seu ungido vem, o seu Messias vem, ele julga os maus, ele julga os ímpios, ele acolhe para si o seu povo para participar do seu reino. E a história, então, como conhecemos, encontra o seu fim.
Faz todo sentido. É o que nós ainda ansiamos, é o que nós chamamos de segunda vinda, mas algo diferente acontece. Jesus invade o meio da história.
Já faz 2000 anos. Mais ou menos. Ele já veio e quando ele vem, perceba, ele não vem dizendo um dia apenas o reino há de vir.
É claro, o reino há de vir em concretude e plenitude, mas quando ele vem, ele pisa na terra, ele abre o texto sagrado e ele declara em alto e bom som: "Eu estou aqui, eu, o Rei dos Reis". Portanto, o reino aqui está diante de vocês, meus irmãos. Isso muda tudo.
Isso muda tudo porque o evangelho não pode ser um benefício individual pro pós-me. Isso muda tudo porque Deus invade o meio da história para nos trazer sentido hoje. Sim, para nos mostrar que um dia plenamente todo mal será desfeito.
Um dia plenamente todo pecado será dissipado. Um dia plenamente toda lágrima será enxugada. Mas hoje nós já podemos desfrutar da bondade de Deus na criação, no meio da história, na minha vida e na sua vida.
Hoje nós já temos perdão dos pecados. Hoje nós não precisamos mais viver opressos e escravizados pelo mal. Hoje já não somos mais vítimas das nossas próprias dores e da maldição que pairava sobre nós.
Iexplicavelmente, o poder do pecado, da maldade de Satanás ainda permanecem. A gente ainda vê isso por aí, mas de alguma forma o poder de Deus para salvar e reinar, curar e restaurar também se faz presente hoje. E as palavras de Jesus vem como um anúncio, vem como um apelo urgente.
Que apelo é esse? Creiam que isso é uma boa notícia. Creiam no evangelho.
E crer não é apenas considerar mentalmente. Crer, diferentemente do que muitos cristãos têm pensado hoje em dia, não é apenas uma agenda religiosa. Crer não é apenas confessar com boca.
Crer é viver plenamente todos os dias, como se essa fosse a maior verdade de todas. E é verdadeiramente crer que Jesus ressuscitou e a vida e o poder do reino já estão sobre nós. Esse poder para salvar pode ser agora conhecido por aqueles que se arrependem.
E o que é se arrepender? abandonar os nossos ídolos, dar as costas paraa nossa antiga vida e começar a seguir a Jesus em todas as áreas das nossas vidas. Assim como o evangelho não pode ser reduzido, a vida cristã não pode ser fracionada a um dia da semana.
Não existe ser ministrado por Deus no domingo e viver para os meus próprios ídolos na segunda. Não existe ser nutrido pela esperança do reino no domingo e viver como um pagão na segunda. Essa é a boa notícia que chega até nós.
Esse é o evangelho. Um Deus que tá restaurando toda a criação da maldição, do pecado e nos livrando de todas as nossas vidas marcadas pela idolatria. são boas notícias.
Agora que a gente sabe disso, a gente tá pronto para entender o que Jesus tá fazendo em Marcos 2. Porque quando eu leio Marcos 2, se a nossa visão do evangelho é reducionista, a gente olha para Marcos 2 como um sinal miraculoso apenas. Que que Jesus fez em Marcos 2?
Curou um paralítico. Que bonito. Jesus curou o paralítico.
Se eu orar, ele também me cura. Jesus faz algo bom para esse homem. Se eu pedir, ele também, quem sabe faça para mim.
Mas se essa é minha visão do evangelho, eu ficarei frustrado, porque nem sempre aquilo que eu desejo é aquilo que Deus me concede. Vamos entender melhor Marcos 2. O texto diz aqui nos versículos 3 e 4 que vieram alguns homens trazendo-lhe um paralítico.
Trazendo a quem? a Jesus carregado por quatro deles, não podendo levá-lo até Jesus por causa da multidão. E aí o texto se segue.
A história começa com um desejo e com uma impossibilidade, uma realidade equânime, um grande desejo e uma enorme impossibilidade. Quatro amigos querem levar um quinto amigo com paralisia até Jesus. Mas a casa tá cheia.
Não apenas a casa tá cheia, eles não conseguem nem chegar perto da casa, porque nem multidão fora da casa, querendo saber o que tá acontecendo dentro da casa. E o que que tá acontecendo dentro da casa? Cura, sinais, maravilhas.
Não. Palavra de Deus, evangelho. As multidões estavam se acotovelando.
Essa é a expressão que João vai usar algumas vezes no Evangelho. Se acotovelando para ouvir Jesus. O que eles fazem?
Algo absolutamente inusitado. Consiga no texto comigo. Versículo 4.
Removeram parte da cobertura do lugar onde Jesus estava. Os caras arrancaram o teto, tá? É isso que tá acontecendo.
E através de uma abertura no teto, baixaram a maca em que estava deitado o paralítico. Meus irmãos, eles tinham uma missão, não apenas um desejo. E nada os impediria de cumprir a sua missão.
Guarde isso em mente. A gente vai voltar a isso. Qual era a missão desses homens?
levar um amigo até Jesus. É claro que eles tinham ouvido o que Jesus pregava. É claro que eles haviam ouvido os rumores ou até tinham sido testemunhas oculares das curas que Jesus realizou.
Algumas descritas inclusive no capítulo 1 de Marcos. Provavelmente eles pensaram: "Tudo que a gente precisa é chegar perto dele. " Isso me lembra a mulher do fluxo de sangue?
Lembra da história? uma mulher com fluxo contínuo de sangue por 12 anos. E na cabeça dela ela colocou: "Se eu apenas tocar a as a borda das vestes dele, quem sabe virtude saia de lá e eu possa ser curada".
Isso acontece. Então esses homens estão pensando, se a gente chegar até Jesus, algo vai acontecer. Talvez até meu amigo seja curado.
Talvez ele não seja curado, mas a mente dele se expanda. Talvez esse homem, Jesus tenha algo a dizer que vá trazer esperança pro meu amigo. Tudo que nós precisamos fazer é chegar até Jesus com o nosso amigo.
Imagina a cena. Eles fazem o impensável. Bir ao desrespeito.
Jesus tá numa sala ensinando. Ele ouve um barulho. Ele olha para cima, tem palha caindo, tem barro caindo.
Jesus põe a mão na testa, ele fala: "Mas estão me jogando argila? Que que tá acontecendo? " E daqui a pouco desce uma maca com cordas.
E na ponta, nas pontas de cada buraco, tem uns caras descendo, uma maca com um homem paralítico deitado. A cena é estranha. A cena não é bonita, a cena é estranha.
Mas olha o que o versículo 5 diz. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: "Filho, seus pecados estão perdoados. " Vendo a fé de quem?
Lei o texto, vendo a fé hã dos amigos. Interessante. Alguns de nós aprendemos que Deus responde à nossa fé, não é verdade?
Tem verdade, mas é uma verdade reduzida. É claro que por vezes nós precisamos caminhar com fé, agir com fé, uma fé operante, uma fé viva, uma fé que tem materialidade. Mas a fé operante aqui não é do sujeito que está prestes a ser curado.
E a fé observada não é a fé do paralítico, como se a cura ao paralítico fosse uma recompensa da sua fé. A fé que eles tinham, quem? Os amigos que sabiam que só precisavam levar o paralítico até Jesus.
O que eu acho interessante nesse texto é que a fé do paralítico sequer é mencionada. A gente não sabia nem se ele tinha fé. Talvez ele tava ali literalmente carregado, espiritualmente carregado, pensando, tá bom, não tenho muito o que fazer.
Os cara quer me levar, eu tô sendo levado. Pode ser, pode ser que ele cresse fortemente, pode ser que ele fosse profundamente incrédulo, mas fato é que sua fé sequer observada, não apenas aqui, mas no texto todo. E aí Jesus diz algo intrigante, aparentemente deslocado.
Ele olha para aquele homem, vamos fazer um exercício aqui de reflexão, de análise de milagre simples. Um homem paralítico que é descido pelo teto até Jesus não precisa ser um grande teólogo. Que que ele quer?
Hã? Ser curado. Não, não é pegadinha não.
Eu não faço isso. Ele quer ser curado. Ele quer andar.
Certo? Que que Jesus fala? Filho, seus pecados estão perdoados.
Não é isso? E a gente vai explicar, mas é quase como se chegasse alguém aqui com fome, morrendo de fome, e falasse: "Pastor, Rafa, Ton, Alisson, Marcelo, tem uma cesta básica e a gente respondesse: Deus te abençoe". Que tipo de fala é essa?
A necessidade aparente, aparentemente não é respondida de imediato. Então, há uma necessidade para nós óbvia, óbvia. Você não precisa ler esse texto muitas vezes para entender que todo esse esforço é porque o cara quer andar.
E Jesus, ao invés de lhe, ao invés de lidar com aquilo que é a necessidade aparente e óbvia, Jesus diz: "Filho, seus pecados estão perdoados". A pergunta então é: por que Jesus faz essa afirmação? E por que agora?
Que que esse homem queria? Andar. Que que os amigos dele queriam?
Que ele andasse. Às vezes acontece a mesma coisa com a gente. Nós nos aproximamos de Jesus com um pedido, com uma oração, com um desejo, com uma necessidade legítima.
Legítima. E aí a gente clama a Deus, a gente pede a Deus, a gente chora na presença de Deus, a gente se angustia na presença de Deus. Eh, pros mais místicos assim, espero que você já entenda que isso não vale nada, mas vamos lá.
Faz voto, faz promessa, faz sei lá o quê. Repito, não vale nada, mas tudo bem. A pessoa, ela tá ali, ela tá entregue.
E aí parece que Jesus não responde. Não tem momentos assim na nossa vida que a gente pede uma coisa, Jesus faz outra. A gente tá indo pra direita, Jesus vai pra esquerda.
A gente tá indo pra esquerda, Jesus vai pra direita. Enfim, púlpito hoje tá tão difícil que só de falar de direita e esquerda, eu já penso que vocês estão falando de política. Eu não tô.
É, é uma figura de linguagem. Sabe por que Jesus faz esse tipo de coisa, meus irmãos? para mostrar para aquele homem e para nós que nem sempre os nossos maiores desejos são verdadeiramente as nossas reais necessidades.
Ai de nós se Deus nos desse tudo que pedíssemos a ele. Eu vou repetir. Ai de nós.
Se Deus dissesse sim para todas as nossas orações, nós estaríamos perdidos. Que bom que a palavra de Deus vai dizer que os seus pensamentos são mais elevados que os nossos pensamentos e que os seus caminhos são distintos dos nossos caminhos. Então Jesus, o que ele faz aqui?
Ele tá indo muito mais fundo. Antes de lidar com a necessidade aparente, é uma necessidade. Ele quer lidar com a necessidade real, porque ele sabe qual é a condição espiritual desse homem.
Ele sabe que esse homem vivia um estado de alienação com Deus. Ele sabe que esse homem pela lei era excluído da comunhão. Ele sabe que pela lei esse homem não podia entrar no templo.
Sabia disso? Se você tinha alguma paralisia, alguma deformidade, alguma mutilação, você não podia entrar no templo, você não podia adorar a Deus. Imagina a cabeça desse homem.
Será que ele cria em Deus? Bom, era judeu, provavelmente, mas qual era a relação dele com Deus? Muito possivelmente conturbada, duvidosa, porque na tradição de Israel, nascer ou viver nessa condição era sinônimo de ser vítima do juízo de Deus.
Ah, você tá assim. Opa, deve ter cometido um pecado complicado, hein? Não bastasse o juízo sobre o próprio coração, a depender da doença ou da realidade.
Por exemplo, quando a gente vê o cego de nascença em João 9, cego de nascença, você é cego de nascença, não pecou para ser cego, certo? Dentro dessa tradição, então sabe o que eles diziam? Na verdade, literalmente eles disseram, os próprios discípulos chegaram para Jesus e falaram: "Mestre, João 9, versículos 1 e 2, mestre, quem pecou?
Esse homem ou seus pais para ele nascer cego? " Então, na tradição de Israel, essa condição e muitas outras era sinônimo de juízo. Quantas pessoas ainda hoje não são massacradas?
pela demoníaca, falsa doutrina chamada de maldição hereditária. Quantas pessoas ainda hoje não se perguntam por que Deus não me dá aquilo que eu tanto peço? Quantas mulheres não sonham em ser mães e parece que a dádiva da maternidade simplesmente não vem.
Quantas mães vêm seus filhos enfermos e parece que a dádiva da cura não vem. Essa semana eu sepultei um bebê de 11 dias de vida. Me ajuda.
Que que eu digo? para uma mãe dessa. Ah, Deus sabe que que eu digo?
Não há resposta humana que tire a dor de uma mãe como essa. Não tem plausibilidade, não há nada racional no qual eu consiga me apegar para explicar o que aconteceu, porque tem coisas que não se explicam na vida. E olhar pro evangelho de uma maneira reduzida é olhar para um Deus punitivo.
É olhar para um Deus que condena pessoas enquanto favorece outras. É olhar para famílias com mesas fartas, enquanto outras famílias estão em privação. Enxergar a vida desse jeito não é o jeito que Deus nos ensina a enxergar.
Em outras palavras, o que esses discípulos querem saber, o que Israel quer saber. Deus tá punindo quem e por quê? Porque é essa lógica que a gente opera.
Se eu sou bom moço, Deus me dá tudo que eu mereço. E se eu piso na bola, aí Deus arregaça com a minha vida. Mas não é sempre assim, né?
Já leu Jó? Homem fiel, temente a Deus, reto, íntegro. Já leu o que acontece com Jó?
Ah, mas Jó, pastor, tem tudo restaurado depois. Ó, queria eu passar pelo que Jó passou, ganhar o dobro. Jó perdeu 10 filhos, meu camarada.
Você pode ter mais 20, os 10 não voltam. Quem é pai e mãe sabe, vidas são insubstituíveis. A pergunta para esse homem que pairava na sua mente e coração é: "Por que Deus tá me punindo desse jeito?
" Ou seja, não bastasse o sujeito sofrer com uma condição física, a religião institucionalizada lançava sobre ele o estigma de que Deus o havia abandonado. E repito, não se engane. Tem gente que pensa assim ainda hoje.
Ao entender isso, a gente começa a entender porque que Jesus não lhe dou imediatamente. E que me perdoem aqui a a a meu Deus, a expressão que eu vou usar. como quem não deseja diminuir qualquer condição humana.
Mas agora você começa entender o por Jesus não resolve algo tão pequeno como uma realidade física e começa a lidar com algo gigantesco como a eternidade com ele. Percebe a diferença? Voltando aqui para Marcos 2, Jesus quer tratar algo muito mais profundo que a incapacidade de caminhar fisicamente.
Jesus quer conceder a esse homem, como ele quer conceder a nós, como ele fez isso um dia, a capacidade de uma caminhada espiritual. Ao dizer: "Os seus pecados estão perdoados". É como se ele amorosamente estivesse dizendo, e eu amo o fato de que antes de dizer seus pecados estão perdoados, ele disse: "Filho, filho, Deus não está contra você, filho.
Deus não tá te punindo. Eu queria que você parasse um momento nesse momento. E talvez sua vida tá boa nesse momento, mas talvez numa audiência como essa, certamente algumas pessoas têm sofrido a pressão de orações não respondidas, a pressão de desejos não satisfeitos.
Eu quero que você possa permitir a voz do teu pai amado, ecoar no seu coração nesse fim de tarde e que você ouça essa doce voz dizendo: "Meu filho, minha filha, eu não te abandonei. Meu filho, minha filha, eu não sou contra você. Meu filho, minha filha, eu não estou lhe punindo.
Meu filho e minha filha, eu não me esqueci de você. " Não é, meus irmãos, porque não é que você sofre que Deus não está presente, pelo contrário, Deus quer se fazer presente e se faz presente na sua vida, mesmo em meio ao sofrimento. O texto segue.
Versículo 6 a 7, é dito que os mestres da lei estavam ali sentados. Opa, que papo é esse? Perdoar pecados.
Só Deus pode perdoar pecado. Eles estão pensando no íntimo. Eles não falaram.
Aí eu acho maravilhoso, né? Deve ser muito legal ler a mente das pessoas, né? Jesus conseguia.
Eu que bom que a gente não consegue, né? Não ia prestar. Versículos 8 e 9.
Jesus percebeu logo em seu espírito. Veja, não há verbalização. Ele percebe, ele discerne o que eles estavam pensando.
Maravilhoso isso. E eles disse: "Por que que vocês estão remoendo essas coisas? Já pensou?
Você tá pensando mal de Jesus? " Aí Jesus olha e fala: "Tá pensando mal de mim por quê? Deve ser meio constrangedor, né?
Por que que vocês estão remoendo no íntimo de vocês essas coisas? O que é mais fácil dizer? Preste atenção na expressão que Jesus usa.
O que é mais fácil dizer ao paralítico? Os seus pecados estão perdoados ou levante-se e pegue sua maquiante? Bom, falar até papagaio fala, né?
Então, dizer é mais fácil dizer: "Um Deus te abençoe". Pro cara que quer cesta básica. Seus pecados estão perdoados.
Pro cara que é paralítico, vai embora. Ó, trouxe aqui, leva de volta. Inclusive incomodou meu estudo bíblico, foi um pouco constrangedor.
Leva embora. Deus te abençoe, meu filho. Não, ele fala, é mais fácil dizer isso.
Mas versículo 10, para que vocês saibam que o filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados. Veja a ordem de prioridade. Então ele diz ao paralítico, eu lhe digo: "Levante-se, pegue sua maca e vá para casa".
Ele se levantou, pegou a maca, saiu à vista de todos. Esses ficaram atônitos e glorificaram a Deus, dizendo: "Nunca vimos nada igual". O que ele tá dizendo é para que vocês saibam quem eu sou.
Para que todos saibam quais são as verdadeiras boas notícias. Quais são as boas notícias? Qual é a boa nova?
O que é o evangelho? O evangelho é a boa notícia de que Deus resolve problemas temporais que nos afligem? Não é muito mais.
O evangelho é a boa notícia de que Deus resolve o único problema que médico nenhum, ser humano nenhum, psicólogo, nenhum terapeuta nenhum, vacina nenhuma, remédio nenhum consegue resolver o problema da nossa inimizade com Deus. A boa notícia é: "Nós fomos perdoados". Essa é a primeira parte.
Mas Jesus tá ensinando várias coisas aqui. Primeiro, e isso pode nos gerar um certo incômodo inicial, ele tá nos ensinando que ele não está tão interessado no seu bem-estar e no meu bem-estar físico momentâneo quanto ele está interessado em nosso bem-estar espiritual eterno. Prioridade.
Ele também tá nos ensinando que ele pode e que ele faz milagres em nossas vidas, mas essa não é a razão pela qual ele veio. Porque, meus irmãos, se Jesus resolvesse todos os nossos problemas terrenos, físicos, materiais, emocionais, financeiros, abre parênteses, seria maravilhoso, inclusive eu não reclamaria. Mas se ele não resolvesse o nosso problema com Deus e com o pecado, nós seríamos aquilo que Fernando Pessoa disse que o homem é um cadáver adiado.
Interessante. Deus me cura agora, eu morro amanhã. Cadáver adiado não presta para absolutamente nada.
Primeiro Jesus quer tratar o nosso coração para depois tratar nossas aparentes necessidades. E acredite, até os nos deus são sinais escandalosos do seu amor por nós. Porque há coisas que ele não nos concede pelo simples fato de não estarmos prontos para receber.
Primeiro ele trata o nosso coração. Primeiro ele lida com a nossa interioridade. Primeiro ele resolve a nossa inimizade com Deus.
Então, assim como no capítulo um, assim como perguntado várias vezes, eu pergunto mais uma vez, o que é o evangelho? À luz disso tudo, eu diria que o evangelho é a boa notícia de um Deus que veio ao mundo para restaurar para si todas as coisas, destruindo o poder do mal, do pecado e reconciliar-nos em nosso relacionamento com ele. O evangelho são as boas novas do reino que permitem que ele cure fisicamente esse homem.
Não apenas para melhorar sua existência momentaneamente, mas para demonstrar que na plenitude do reino não haverá mais dor, mais enfermidade, mais lágrima e mais morte. Perceba, não é uma cura solta, é um anúncio de que um dia o reino em plenitude, quando vivido na sua totalidade, será isso e muito mais. Não mais morte, não mais choro, não mais ansiedade, não mais angústia, não mais depressão, não mais separação.
Ou seja, é um vislumbre, é uma pitada, é um antegosto, é um um aperitivo do reino para nos dizer que a vida do reino já pode ser experimentada aqui e agora por todos aqueles que se arrependem, por todos os que abandonam seus ídolos, por todos aqueles que permitem ser transformados no todo das suas vidas. e se colocam agora na posição não apenas de beneficiários, mas de proclamadores da boa notícia. O que Jesus tá fazendo em Marcos 2 é dizendo: "O reino chegou e ele também é para você e é hoje.
" Isso muda tudo. Isso muda absolutamente tudo. Muda a minha maneira de enxergar Deus.
Muda a minha maneira de ler a Bíblia. muda a maneira de eu enxergar o amor de Deus por mim, o meu amor pelo meu próximo, ou seja, o que nós tiramos e aprendemos aqui. Primeiro que todos nós já fomos como esse homem, espiritualmente paralisados, absolutamente incapazes de chegarmos até Deus.
Nós não poderíamos dar um passo sequer para mais perto de Deus, porque o apóstolo Paulo vai dizer que nós estávamos mortos em nossas transgressões e pecados. Ou seja, a nossa paralisia espiritual era plena. Nós não tínhamos fé.
Repito, a fé do paralítico sequer é mencionada. E mais uma vez é o evangelho nos ensinando que o perdão dos nossos pecados não acontece a partir daquilo que nós fazemos por Deus, mas daquilo que ele decide fazer por nós. Mas há uma segunda realidade.
Quem sabe alguns de nós ainda vive a plenitude desse estágio ou parcialmente esse estágio. Explico. Não é porque você tá aqui que necessariamente, por falta de uma expressão melhor, que você entregou verdadeiramente sua vida para Cristo.
Talvez você gosta de Jesus, talvez ele tem umas palavras boas, talvez isso te atrai em alguma medida, mas você já recebeu a vida do reino? Essa é a pergunta. Ou você já experimentou isso?
Você já desfrutou isso, mas algo na sua vida, algum pecado, algum fardo, algum tropeço, alguma amargura, alguma angústia, alguma falta de liberação de perdão tem te aprisionado e parece que você tá estagnado na caminhada. O chamado de Jesus para você, se você se encontra nessa realidade, é arrependa-se, abandona o que precisa ser abandonado e creia novamente de todo coração, mente e vida. Viva o evangelho na integralidade da sua existência.
Mas há um terceiro ponto, uma terceira realidade, e eu faço dessa a minha oração para minha vida e paraa sua vida, que nós assumamos um outro papel nessa história, não apenas do paralítico, mas dos amigos. que sejamos essas pessoas que têm como motivo e missão de vida levar mais e mais amigos para perto de Jesus. Porque no fundo a gente sabe que para algumas pessoas tudo o que elas precisam é de um encontro real com Jesus.
Como é que nós podemos viabilizar esses encontros? Não é apenas um conselho, não é apenas um remédio, não é apenas uma terapia, não é apenas um novo emprego, não é apenas uma nova casa, um novo carro, uma viagem internacional. Essas coisas podem trazer meras animações para algumas pessoas, mas o que realmente transforma pessoas de dentro para fora, momentaneamente e espiritualmente e eternamente, é um encontro real com Jesus.
Se nós acreditamos nisso, nós iremos fazer o que esses amigos fizeram. Levar o maior número de amigos para aquele que um dia também transformou as nossas vidas. Se nós acreditamos que o evangelho é verdadeiro, a gente vai viver isso 24 horas por dia.
Se nós acreditamos que o evangelho é o poder de Deus para curar, salvar, restaurar, transformar, moldar, perdoar pecados, nós vamos nos dedicar a essa tarefa. Que tenhamos uma fé tão operante ao ponto de ser necessário carregar pessoas para que elas tenham esse encontro com Jesus, mas não para que as expectativas delas sejam supridas. Não como quem apresenta o evangelho como um bom negócio, benefícios individuais para uma recompensa pós morte, mas que apresentemos o evangelho para que essas pessoas saibam que não estarão imunes de dor, de sofrimento, de angústia e de aflições nesse mundo, mas que acima de tudo Cristo venceu o mundo, venceu a morte, venceu o mal, venceu o pecado, reina e há de reinar plenamente.
E um dia, um dia todos nós estaremos com ele, sem choro, sem angústia, sem aflição, sem enfermidade, sem dor, sem morte, porque o autor da vida estará diante de nós face a face. Amém. Feche seus olhos, abaixe sua cabeça, vamos orar.
Senhor Deus, nos ajuda a realmente crer no evangelho. Nos ajuda não apenas a afirmarmos que cremos no evangelho, mas nos ajuda a vivermos o evangelho. Um dia o Senhor veio até nós.
Nos ajude também a levar pessoas a um encontro contigo. Eu sei, vários de nós podem pensar: "O que eu faço? Por onde eu começo, o que eu falo?
É mais simples do que parece. Quando a gente vive uma vida do reino de Deus, esse testemunho fala por si só. Nos ajude a viver uma vida de testemunho, uma vida de santidade, uma vida de retidão, uma vida que intrigue as pessoas a tal ponto que elas olhem para nós e pergunte: "O que é que você tem de diferente?
" Eu quero saber. Por que que você é assim? Por que que seu casamento é assim?
Por que que sua família é assim? Por que que você tem este olhar paraa vida? E a gente vai poder apresentar os nossos amigos, o nosso grande e verdadeiro amigo Jesus Cristo.
Nós te louvamos, agradecemos e oramos no nome santo de Jesus. Amém. Amém.
Que Deus te abençoe.