Bom dia bom dia mas tá bom tem contato vamos dar Vamos tá dando continuidade né a Esse seminário seminário super potente que o Gai tem organizando né pra gente discutir outras perspectivas de Infância eh sejam bem-vindas e bem-vindos meu nome é Marlon sou arquiteto urbanista eh durante os últimos anos não sei quantos trabalhei muito muito próximo do Gai hoje sou Mestrando no Ipu e tô voltando né pra minha casa pro meu lado para Participar desse seminário que é muito caro muito importante para mim agora a gente vai est dando início a essa terceira mesa né
lugar das infâncias decolonize e a gente tem dois convidados super importantes aqui para compor essa mesa e para incrementar esse debate eh vou começar chamando pra mesa Leia tiriba que é graduada em comunicação P FJ é mestre em educação pela Fundação Getúlio Vargas Doutor em educação pela PUC Rio tem pós-doutorado em educação Com textos contemporâneos e demandas populares pela Universidade Rural do Rio de Janeiro é professora associada na Unirio atuando na escola de educação e no programa de pós-graduação e educação desta mesma Universidade atua no campo da educação infantil em interface com educação ambiental e
educação popular tem como foco Os desafios da produção de metodologias de Formação decoloniais teórico brincantes Que articulam processos de apropriação teórica Proximidade da natureza empoderamento político vivências corporais e estéticas seja [Aplausos] bem-vindo fica à vontade leia se você puder passar para essa eh por último mas não menos importante convido Rogério para compor a mesa aqui com a gente Rogério é graduado pela em pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais é mestre em educação Mestre Doutor em educação Também pela UFG tem pós-doutorado em antropologia e realiza pós-doutorado aqui no proac mais um é professor associado da
Universidade Federal de Minas Gerais e tem experiência na área de educação com ênfase em educação pré-escolar atuando Principalmente nos seguintes temas educação infantil criança infância indígena práticas e processos de aprendizagens organização de espaços e ambientes na educação infantil jogos e brincadeiras e culturas Infantis educação para relação e educação para as relações étnico-raciais tem uma apresentação que eu preparei para hoje eu vou falar um pouquinho de outras experiências mais recentes que eu tenho me envolvido que me Trouxeram e me que me prepararam para para falar hoje né e escolher o tema eu ao acho que ontem
a a mesa de ontem a segunda mesa a mesa da tarde foi muito importante que ajudou a clarear um pouco algumas ideias e me Arriscar um pouco no exercício de fazer fazer um exercício experimental aqui de pensar novos mundos novas infâncias novos projetos de infância que eu acho uma perspectiva que me traz aqui que nos traz aqui para essa discussão do tema das infâncias e decolonialidad ou descolonização da infância essa que a gente tem hoje né então Eh como como a minha apresentação Marlo me apresentou aqui uma das minhas um dos meus trabalhos envolve a
discussão da da Formação de professores de escolas indígenas e nesses últimos meses esse esse último ano tem sido uma agenda bem intensa eh dessa semana a gente aprovou lá na faculdade um projeto um curso de formação de professores eh para anos educação infantil e anos iniciais para as escolas indígenas do Estado eu fiquei responsável pelas ementas das disciplinas de educação infantil educação infantil né nas Escolas indígenas estágio a disciplina de corpo e movimento também acompanho dois projetos de formação de professores em aldeias ocupadas na região metropolitana de Belo Horizonte que dois grupos indígenas diferentes eh
em situações tensas que são dentro de terras eh que pertenciam à vale a mineradora dentro daquele complexo lá onde a gente tem notícia do desar do do crime ambiental então assim é uma é uma é um é uma caixa de de Dinamite lá e é sempre muito difícil e delicada lidar com essas situações Então mas tem trazido pra gente uma discussão nova que é a discussão de índios em indígenas em contextos urbanos cada vez mais presente e a migra a circulação deles acontece há muito há muito tempo né a gente brinca que eles também brincam
com essa ideia de tipo assim a gente já tava aqui as cidades que cresceram em volta então a gente então aí criaram essa ideia de índios em Contextos urbanos mas o território a gente já tava aqui há mais tempo eh qualquer coisa do tipo mas e e e é nessa discussão de índios contextos urbanos tem orientado uma aluna eh do mestrado que fala que trabalha com migrações que são os índios guaral aquele grupo indígena da Venezuela que a gente tem notícia que tá em todos os estados do Brasil migrando e a gente e eles e
ocupando escolas junto com os não indígenas e a gente pensando em desafios Paraa educação dessa população eles falam falam eh muitos deles só falavam guaral não falavam nem o espanhol e muitas crianças e um processo muito traumático de migração né que eles que as crianças vivem então tanto quanto as crianças eh eh que a gente tem lá na cidade em Belo próximo a Belo Horizonte da do do do os momentos lá do desastre ambiental né Eh então atuo desde 97 na na na formação de professores para educação eh formação De professores de escolas indígenas meu
doutorado também foi relacionado à educação eh de crianças indígenas e o que me traz aqui eh para para começar a fazer a discussão eh trago a a a Justamente a o o tema né o tema infância de Colonia idade ou infâncias descolonizando infâncias né E aí a primeira discussão que a gente faz é o que faz a gente para pra gente preparar bem fazer o nosso para casa Para chegar aqui é procurar eh a além da experiência que a gente traz né para poder refletir um pouco sobre ela é buscar material a respeito do nossos
colegas pra gente situar o campo da pesquisa e assim eu fiz no campo da educação especificamente no campo da Educação Infantil e E aí eh eh e a gente tem nosso encontro da na Associação Nacional de pesquisadores de educação da amped e no grupo de infâncias eu busquei a ajuda de um colega meu o Paco que já Trabalha há muito tempo com essa temática no doutorado latino-americano que existe lá na universidade também e a gente tem uma surpresa da pouca produção da a respeito e mesmo na pouca produção alguns artigos que ainda ainda trazem outras
perspectivas que não me reconheço n nas porque algumas alguns artigos truções que foram feitas paraos nossos colegas da educação infantil retiravam do campo semântico das palavras utilizadas povos Originários negros culturas afro-brasileiras e africanas e afro-brasileiras racismo eh e interculturalidade por exemplo Então essas palavras não estavam presentes na discussão e E aí eu não me reconheci mesmo que a mesmo ouvindo lendo a respeito da proposta que eles faziam e tal das discussões eu ainda ficava meio ressabiado em relação a essa então preferi seguir a que a gente tem os diálogos que a gente tem feito lá
no Campo com os outros pesquisadores lá do campo da educação né que aí Traz o pessoal lá do grupo modernidade E colonialidade esse grupo latino-americano aí que envolve entre eles pesquisadores também eh americanos mas que radicados em países da na América né a Caterine wash O Anibal kirano o Walter molo Esses são os autores que eu vou trazer um pouquinho para conversar e também lembra aqui de movimento Mesmo não tendo na na Faculdade na na amped ter esse essa pouca produção Assim eh a respeito eh a gente eu lembra ainda do Mas lembro de alguns
movimentos fora como seminário eh eh internacional sobre infâncias e pós-colonialismo que aconteceu né na Universidade Estadual de Campinas inclusive que a Leia participou de um deles né Lea eu acho que do segundo lá também que a gente encontra os an os anais do material e tal um livro publicado mas é que ainda tá difícil o Acesso porque tá foi publicado lá na Unifal uma editora pequena mas assim a gente vê movimento e material rico aí você encontra lá autores como Miguel Arroio e tal né para falar um pouco então dessa pode passar o slide para
falar um pouquinho do da temática e trazer aqui uma proposta de um exercício e o exercício vai ser um pouco aquilo que eu falei ontem é trazer o desafio de falar sobre infâncias de crianças indígenas o que temos aprender com essas Crianças né sobre com essas sociedades e sobre o lugar o lugar que que que eles eh o espaço que as crianças ocupam nessas sociedades é sua educação enfim para aprender um pouco nesse exercício de pensar novas metáforas né paraa escola a escola já já foi nos últimos anos pensado como metáfora da cidade hoje ela
tá sendo pensada já foi pensada em alguns projetos aí como Floresta educação e a floresta tô puxando aqui a um pouco a conversa com a com a Leia a Agora eu vejo aqui metáforas novas sendo surgindo como espaço a escola como quintal Vivo e porque não pensar a escola como Aldeia né então assim nessa ideia de pensar novos projetos né para de infâncias e de escolas né que muitos dos das das propostas descolonizar a infância tem passa justamente para rever um pouco as a instituição escolar as formas como a os métodos de ensino as práticas
que envolvem esse cuidado com a criança né sobretudo essa coisa do Controle sobre ela né governança Então vamos trabalhar um pouquinho o conceito de colonialidade pedagogia de Colonial intercultural interculturalidade crítica e a a gente vai avançando nessa discussão sobre infâncias intercultura idades fazer esse exercício pode passar então o postulado aí da da discussão da colônia de colonialidade Eh esses autores que que eu citei rapidamente aqui como kolo e a Catherine was destacam que a Colonialidade é constitutiva da modernidade E não dela derivada e sendo modernidade colonialidade como Duas Faces da mesma moeda e para dizer
o quê que graças a essa esse a modernidade com a modernidade surge também esse outro processo que vivemos ainda continuamos nalidade que é o qu que atra graças a esse processo né E aí nós vamos falar um pouquinho sobre ela sobre esse sobre esse conceito a Europa pode produzir ciências humanas as ciências humanas Como modelo único Universal objetivo na produção de conhe além de deserdar todas astrologias da Periferia e do da Periferia do ocidente fal um pouquinho sobre esse descarte né sobre essa desvalorização a desumanização que acontece em relação aos outros grupos étnicos aos outros
grupos que vivem aqui no mundo né e dentre os povos africanos Ah e os povos indígenas né então e então ao fal ao falar da descolonização nós vamos falar um pouquinho da da Insurgência da da do ressurgimento valorização de novas formas de ver o mundo novas cosmologias dias de novos e aí dentro dessas novas culturas e inclusive porque tá na palta do dia a faula do Rodrigo ontem foi muito forte em falar assim que estamos chegando num processo de esgotamento de todas as possibilidades do pensamento na que que hoje o modelo capitalista nos traz trazendo
problemas ambientais gravíssimos e estamos todos conectados Né O que que nos conecta a aldeia né a gente acha que é muito distante né aliás eu tava até comentando que ontem que a gente às vezes quando a gente fala de grupos indígenas ou fala de crianças indígenas a as as imagens ainda são muito distantes aquelas muito ligadas à escola né ao que aprendemos Então tá ainda Precisa fazer um upgrade aí a gente vai tentar fazer bem rapidamente hoje nem um pouquinho para começar essa conversa pode passar por favor Eh a colonialidade é um É é tem
como conceito é um padrão de poder que emergiu como resultado do colonialismo moderno se relaciona as formas como o trabalho o conhecimento ade as relações intersubjetivas se articulam entre si através do mercado capitalista mundial e da ideia de raça é um padrão de dominação e exploração com raízes Profundas em nossa sociedade que perdura para além do Colonialismo então a A colonialidade AT atinge Atua em vários várias esferas no no no a colonialidade do Poder hoje vai ser um trav língua difícil a gente vai colonialidade do poder do saber e do ser então em três esferas
pode passar por favor tem aí dentro do dentro de desses conceitos um que chama muita atenção formulado pelo okano que fala sobre esse essa Esfera do Poder né do do da colonialidade atingindo a esfera do poder que se refere a invasão uma Verdadeira invasão do Imaginário do outro né a sua ocidentalização processo por qual todos passamos né o colonizador destrói o Imaginário do outro em visibiliza o e subalternização do conhecimento saberes mundo simbólico a imagem do colonizador do colonizado e impõe novos Então chega a ponto da pessoa desconfiar da própria existência de se se se
questionar a própria existência né como se é e a ideia de invisibilização acontece então Isso se estende a várias as culturas os povos latino-americanos né e estamos dentro desse processo ainda vivendo ele né pode passar por favor e eh dessa forma esse a colonialidade do Poder opera então um aquilo que chamamos que o queano vai chamar de racismo epistemológico né opera através da inferiorização de grupos humanos não europeus do ponto de vista da produção e da divisão racial do trabalho do salário da produção cultural e dos conhecimentos Então indígenas e africanos eh foram foram Classificados
A partir dessa perspectiva com já foram classificados com primitivos irracionais não humanos negando-lhes inclusive o estatuto de humanos né e e e o eurocentrismo a ciência inclusive Trabalhou muito sobre para a favor né Desse colonialismo a antropologia deve fez uma revisão muito crítica em relação ao papel que ela õe em épocas passadas e fica muito atenta em em relação a isso eh Fica atenta Mesmo sai um documento agora recentemente de laudo antropológico a favor des desapropriação de terras indígenas o pessoal fica bravo Então tem que ficar atento o tempo todo vigilante né e e o
o eurocentrismo atuou sobre eh foi exercício desse poder né Eh caracterizando como povos eh eh não humanos né ou classificados como menos né não menos humanos que os demais como os povos que não tinham escrita os povos Que não tinham história os povos que eram considerados por conta disso atrasados e primitivos então na nossa história tem essas leituras documentos aí Até recentemente a gente tinha eh cartilhas que falavam tratavam dessa forma pode passar por favor E aí para trabalhar fazendo uma avaliação da necessidade da de de rever de fazer um enfrentamento essa colonialidade criando novas
perspectivas eh e com reconhecimento dos saberes e Conhecimentos desses povos originários né ehess povos ancestrais como o Rodrigo mesmo tava citando ontem né a Caterine was formula o conceito de eh eh interculturalidade e aí e é muito utilizado hoje em escolas indígenas porque hoje você tem um currículo que é o currículo e ocidental ali sendo apresent dado a necessidade de ter um de ter esse esse conhecimento passar pelo crio da crítica em relação aos povos Indígenas eh conhecer fazer uma leitura crítica desse conhecimento mas também tem os próprios conhecimentos indígenas seos saberes tradicionais que passam
a ser introduzidos nas escolas como língua como a língua a própria língua indígena por exemplo né E ela E aí vale Eu trouxe esses conceitos pra gente pensar um pouco nesse exercício que a gente vai fazer agora é um processo dinâmico e permanente de relação comunicação e aprendizagem entre Culturas em condições de respeito e legitimidade mútua simetria e igualdade é o intercâmbio que se constrói entre pessoas conhecimentos saberes e práticas culturalmente diferentes buscando desenvolver um novo sentido entre eles na sua diferença Então esse exercício de horizontalidade de respeito de reconhecimento de de de de de
saberes eh que se que são que não que não que não são superiores um ao outro mas que a necessidade de que ele haja esse Encontro e esse diálogo intercâmbio pode passar por favor é um espaço de negociação também então e a escola é o cenário da da dessa discussão né Desse encontro entre saberes e de tradução onde todas as desigualdades são reconhecidas não só reconhecidas mas também confrontadas tarefa social e política interpela ao conjunto da sociedade que parte de práticas e ações sociais concretas e conscientes e tenta criar modos de responsabilidade Solidariedade essa ação
aí essa Último Ponto diz respeito ao que acontece por exemplo com as escolas indígenas mas também o que o que acontece nas escolas hoje a partir da da Legislação da Lei 11645 da 10639 que aí a eh cria a a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira africana e afro-brasileira e história e cultura indígena também então passa a ser esse encontro então a nos nos traz a Necessidade e da e a e a vigilância de fugirmos ao exotismo né de trabalhar essa temática Como assim o mundo ainda muito distante mas trabalhar de fato esse
conhecimento e reconhecer esses valores esses saberes né e e e de certa forma Eh torná-los aí presentes na nossa valorização e contando que isso constrói novas identidades reconhece novas identidades constrói novas identidades da das nossas crianças pode passar e aí entre outros assuntos eh eh o que eu vi Falar da sobre pedagogias descolonizadoras eh h a necessidade de pensar outras epistemologias ou trazer essas novas epistemologias retirar as crianças da sua invisibilidade histórica cívica e científica Viver viver a criança e essa cidadania plena mais pesquisas que atribuam mais vozes às crianças conhecer as crianças em ambientes
escolares a partir de suas identidades étnicas pensar outra educação das crianças Pequenas para além da escolarização e a investigação das culturas infantis de pares e de infâncias das Crianças indígenas e afrodiaspóricas a gente cita aqui rapidamente o que Tem surgido como tema né pode passar e aí vamos avançando pra gente falar um pouquinho sobre as crianças indígenas né pode passar eh três cinco pontos para num Balan assim só para nós vamos falar bem rapidamente agora de cinco pontos que podem ser considerados por que que é importante Pesquisar as crianças indígenas o que que elas trazem
de conhecimentos e aprendizados né primeiro e o que que elas trazem deid alteridade o que que reconhecemos de potente assim para pensar se for tentando resumir primeiro o reconhecimento da Autonomia das crianças e sua capacidade de decisão muito fortes presente nas sociedades indígenas em relação ao lugar que a criança ocupa o reconhecimento segundo reconhecimento Das diferentes habilidades das Crianças perante os adultos terceiro ponto a educação como produção de Corpos saudáveis muito forte presente na educação dessas crianças quarto ponto a criança como mediadora de várias esferas cosmológicas e o quinto ponto o papel da criança que
a criança C cumpre na construção e na reprodução organização social e como mediadoras dos diversos grupos sociais pode pode passar vou falar rapidamente né pode passar V já Vou passando pro próximo então Eh para falar pelo menos uma frase em relação a cada ponto desse pra gente destacar e pensar nesse exercício de de transpor de fazer essa exercício de olhar para pro diferente e conhecer nele um potencial pensar nele que ele pode ser soluções para muitos problemas que hoje enfrentamos também e promover esse diálogo né a o reconhecimento da Autonomia da Criança e da sua
capacidade de decisão é muito forte isso da na na No trabalho que as que a gente vê na na educação das Crianças as crianças indígenas possuem autonomia não Concebida pelos ocidentais a capacidade das Crianças tomarem decisões que afetam diretamente seus pais familiares ou comunidade eu dou um exemplo a criança quando vai nascer mesmo ela tando na barriga da mãe ela ela que decide nascer tem uma eu tinha umas expressões muito interessantes eu eu trabalhei com xakriabá E aí quando a gente eu ia Entrevistar as parteiras sobre o processo Como é o processo para como é
que faz para ganhar menino na sociedade lá entre os xakriabá aí eles falavam assim a determinado momento é é dado é dado a criança um uma bebida ela para ela para fortalecer para tornar ela forte para ela para poder para ela poder sair eu falei assim mas aí eu falei assim escutei bem falei assim é para criança é para criança mas não é para mãe não não é para mãe não é para Criança então quer dizer a criança ela mesmo na barriga da mãe ela ela ela ela é para ela que ela ela tem uma
uma ação também não é só a mãe que faz a força ela também faz a força para sair é a outra coisa também que diz respeito a à criança sobre a decisão dela tá no mundo ou não tá el dela permanecer no mundo né como no mundo do dos humanos as crianças a gente não sabe de onde elas vêm Elas têm uma autoridade já no seu nascimento elas eles eles acreditam que elas vêm de Um outro plano de outro mundo né quando chegam aqui e elas são predadas né existe um exercício de predação elas são
roubadas são retiradas elas existe uma relação que elas foram tomadas de um lugar se elas foram tomadas elas podem elas podem voltar para aquele lugar ou serem recuperadas pelo grupo que ah assim a as tinha antes né então quando para os Caiapó quando a criança eh chora o choro é sinal de que descontentamento o descontentamento diz respeito Diretamente a que não tá bem aqui não tô bem aqui não tá agradável não tô me sentindo bem não tô me sentindo feliz nesse mundo agora e a possibilidade dela voltar pro de onde ela veio é muito grande
então o que que o cuidado o choro entre os C quando as crianças choram pequenas choram entre os Caiapó elas são eh acolhidas são envolvidas com muito carinho e para poder eh como se diz eh tirar da cabeça da criança convencer a criança de que ela que aquele lugar que Ela mora que ela que ela tá bem aqui que ela vai ser bem acolhida permanecer vou vou pode passar tô falando só is Eu só queria falar mais de dois o reconhecimento das diferentes habilidades das Crianças perante os adultos a participação a o que a criança
sabe conta né na pedagogia indígena a o adulto pergunta pra criança o que ela já sabe fazer antes de pensar ensinar alguma coisa ele vai aprender a a a atacar atirar flecha ou produzir arco O Que que você já sabe fazer e é interessante uma história que um caçador me contou quando ele aprendeu a caçar ele aprendeu a primeira tarefa que ele aprendeu a caçar era descobrir e localizar as as onde os as as caças dormiam local de dormida das caças na mata eue só sabia isso primeira tarefa dele mas isso era importante porque que
que ele fazia os os adultos não tinham tempo para casar o tempo todo Tinha que trabalhar na roça e as Crianças ficavam Perambulando pelas matas pelas Trilhas e e ele o que qual que era a tarefa dele era encontrar onde dormiam onde se tinha algum bicho passando pela Mata naquela noite então ele chegava via via a moita e eh mexida lá avisava o caçador aí o caçador pegava a a ESP pingada I atrás da caça se tivesse sucesso na caçada ele ele dividia a caça com o menino né então era essa negociação então assim o
povo ele ele não era um caçador exim Caçador ele não tinha entendido tudo sobre a Caçada mas o pouco que ele sabia já contava para o sucesso da Caçada então era importante então cada lugar que a criança ocupa a partir do conhecimento do interesse da disponibilidade da observação cotidiana que faz das tarefas que faz junto com os adultos porque tudo se faz sem divisão entre mundo do adulto e Mundo da Criança na sociedade indígena conta e o que ele faz e agora imagina para uma criança que participa de uma caçada onde o que ele sabe
conta e tem Um e Opera er pro Sucesso quer dizer eh eh é já reconhecer que a criança já é completa em si assim mesmo é uma questão de conhecimento que ele vai aprendendo aos poos vai avançando só mais última eh a essa de Corpos saudáveis vale a pena só citar que educação do é um ideal de perspectiva de corpo e educação do corpo diferente da nossa sociedade eles se concebem eh o eles própr tem concepções próprias de desenvolvimento humano constituição humana e desenvolvimento Humano então por exemplo eh eh e a e todo toda a
educação se dá através da da da da o conhecimento é um conhecimento corporificado ou incorporado então e todas as marcas corporais que aquelas crianças recebem são marcas identitárias ou para para para dar identidade da sua faixa etária para dar identidade a qual clã ela eh ela é se ela é menina ou menina de qual clã ela pertence e são marcas de marcas que indicam mudança de eh de etária com novas responsabilidades Quando você é jovem quando você é adulto quando você é casado quando você é solteiro e algumas servem inclusive de proteção como patuá as
pinturas corpóreas que as crianças fazem alguns rituais de iniciação como a raspagem dos cabelos e tal né D as crianças novos estatutos e também passa pela pela alimentação são a a rigorosos eh dietas que que tão que tem como objetivo a formação de um corpo Belo forte e saudável inclusive e uma curiosidade Paraa criança que pra criança que tá pra mãe Esso eu acho muito curioso paraas crianças que tão ainda eh PR as mães eh que estão eh grávidas existe uma para alguns grupos indígenas marubo por exemplo Existe uma dieta forte rigorosa e e a
dieta é cumprida a risca pela mãe e pelo pai qualquer um dos dois que foge a dieta vai ter prejuízo pr pra criança que tá nascendo né E essa dieta se estende pela vida fora e é muito rigoroso e a a pode pode passar pode Ah Essa aí que eu queria falar só essa aí eu falo mais essa é a última porque essa é mais bonita porque que que acontece as crianças tem uma tem um lugar no Cosmos diferente então quer dizer elas eu eu conto duas histórias maxacali e os Guarani os maxacali as crianças
elas TM tem um ritual no machacalo Eu Já presenciei que é o ritual do tarta cui que é o ritual onde há uma iniciação das dos meninos para entrar na casa de Religião onde eles vão permanecer durante a os meninos a vida toda e recebendo os aprendizados do inham Os yamin são os espíritos do além que trazem conhecimento pros machac é um povo do Canto conhecimento vem através do Canto só que existe uma negociação para que os yamins desçam E esses yamins são crianças para que eles desçam eles precisam fazer uma negociação com os viventes
aqui que que fazem os viventes Eles entregam seus filhos para para a casa paraos Zamin e os yamins eh entregam seus filhos mortos paraas mães Essa é muito forte então é muito forte a religião nossa T demais mas assim o que é muito bonito é que é o seguinte sem criança não tem religião sem religião não tem machacalo porque essa negociação então é forte muito forte por causa disso porque ela tá na estrutura das das dessa sociedade né E a outra também é muito Forte são as crianças eh Guarani elas participam elas eh quanto mais
quanto menor mais a potência mais a presença do vou falar em outras palavras bem rápido quanto mais mais nova mais a potência do divino mais essa relação que ele tem com o plano espiritual porque ele acabou de chegar ele acabou de chegar de lá então Eh quanto menor a criança é e o e o e uma uma parte forte da da reza que acontece nos rituais de religião Guarani é são cantos que são que são cantados Durante todo o processo e quanto menor a criança mais forte a conexão dela com o plano espiritual mais potente
é o canto dela Isso quer dizer o seguinte quanto menor a criança mais o trabalho dela é reconhecido na na na no no ritual então e para algumas crianças o desafio delas é permanecer em pé cantando durante um tempo muito grande então necessariamente só porque você é criança você não é colocado como aprendiz entende então Você e às vezes as pessoas deslocam colocam a pessoa porque ela tá porque ela é criança porque ela ainda não aprendeu porque ela não sabe nada e pros Guarani Eles já chegam prontos fal assim não eles sab muito mais e
para algumas religiões de matriz africana é ainda muito interessante porque essa história de bater cabeça tipo assim não fulan você olha pra criança e fala assim eh você reconhece ela como aprendiz mas quando você vê o tanto que é Conhecimento que ela tem porque ela eh o conhecimento é de outra natureza e eles reconhecem né Eh você vê a potência dessas crianças então pros Guarani a criança é é é um ser de é um ser que vem de um outro mundo que traz toda todo o conhecimento e a espiritualidade desse mundo então se torna um
uma conexão forte com o plano espiritual também é importante falar da importância que tem essa religião aí pr pra vida desse povo né então nosso exercício agora passa a Ser pra conversa é como fazer conexões com com essas com essas com essa com essa sociedades para pensar Novas Novas possibilidades de uma educação com ambiental uma pauta ambiental com a discussão interessante pensar na educação que se dá nos Espaços ambientes educação indígena pensar na educação que se dá através do movimento das práticas corporais né e pensar nesse saber viver nesse Bem Viver né que é que
como é a pauta aí da das Das das constituições presentes em algumas alguns povos em algumas países latino-americanos né trazer esse esse espírito aí dessa relação eh de de como diz o Ailton krenak nessa dança cósmica né que eles propõem para viver com o mundo né viver paz e harmonia né e eu como se diz e sem ser muito romantizado mas eu gosto muito dessa fala de pensar a vida hoje né não deixar para futuro não é pensar bem viver agora é isso [Aplausos] Obrigado então sigo eu não é isso então gente muito obrigada viu
por eu tá aqui pelo esse convite eh para tratar de uma temática que é tão importante que é muito cara para para mim para muitos colegas de trabalho e professoras né professores é eu acho muito importante mesmo a gente tá pensando nessas articulações todas né de tantas áreas do de da sociedade Eh em torno eh do que tá em questão hoje que é as crianças são a espécie que se renova na terra né então é preciso pensar o agora e é preciso pensar que é esse agora que vai definir o que vai tá vindo aí
pela frente e a gente já sabe que a gente tá diante a gente já vive o antropo seano então e as Crianças o que que elas estão Fazendo nessa história a gente já sabe que é para nós e é paraas gerações futuras que vão ter que enfrentar situações cada vez mais complexas mais difíceis eu lamentavelmente eu perdi o dia de ontem eu tava fora eu tive uma vida meio corrida chi da Alemanha meio difuso horário enfim eu não pude mesmo mas eu gostaria imensamente de ter estado aqui porque mas eu queria assim eh de me
dizer que eu me sinto muito honrada de ser convidada para dialogar Com vocês né e eh o paninho delicado né Essa essa arte tão tão tão bonita tão interessante Enfim tudo me me me me soa a afetividade né e eu acho que essa que é a grande questão da nossa cação né Parece que o afeto fica de lado e tudo fica devidamente organizado né então eu eu venho aqui eu escrevi um pouco fiz uns cortes aqui em função da fala do Rogério Mas como eu falo muito sabe eu acho melhor eu eu vou ler tentar
ler de um jeito que que fique mais objetivo tá então eu venho aqui falar como uma Educadora que eu sou eu me me coloco Sou formada na na área de jornalismo mas me dirigi muito rapidamente à área da educação né eu trabalho especialmente no campo da educação das infâncias penso infância 0 a 13 Eu acho que isso de ficar partindo infância já é uma expressão dessa Modernidade que tudo partiu né né o Estatuto da Criança afirma infância 0 a 13 eu acho que essa é uma referência importante pra gente pensar inclusive as políticas educacionais as
crianças que até 6 anos podiam ir pro parquinho ter os corpos livres e a partir de 6 anos já não tem mais esse direito né e agora nem as pequenininhas cada vez menos e eu quero falar disso também né Eu Sou professora hoje da universidade pública brasileira né e eu me sinto comprometida Com essa educação pública e gratuita para todas os brasileiros né em função disso que a gente vem realizando projetos de pesquisa ação de extensão de de ensino que seja conivente que seja coerente comprometida com o compromisso com a cidadania e com aquilo que
o kenac chama de florestania que na minha maneira de ver significa devolver as crianças ao Cosmos a esse lugar que é o Nosso lugar é o é o é onde é o é o lugar que nós habitamos nós somos seres do Cosmos né Eh E então e eu também me dirijo E e esse trabalho todo a gente vem fazendo em territórios urbanos a gente trabalha com pesquisa em território Urbano tentando tirar as crianças de dentro das salas e oferecer liberdade e espaços de céu de terra e água esse é o nosso trabalho né mas eu
venho também já há 14 anos me aproximando e e muito próxima hoje do Trabalho dos povos ambá de Olivença do Sul da Bahia que são povos que perderam a língua foram os povos que receberam os portugueses né e que estão num movimento cada vez mais forte mais incisivo de retomada da sua cultura de de de conseguirem a homologação das terras das terras eh que já são já estão demarcadas né enfim e eu tenho trabalhado lá com os projetos educacionais especialmente com as com a educação infantil né e quero falar depois um pouquinho do que que
a Gente tá fazendo lá que que a gente tem tade né E aí então é isso o nosso compromisso é com a integridade dos seres humanos e de todos os seres viventes da terra eu acho que essa é uma questão e pro e por isso a gente atua na contramão mesmo Da Lógica devastadora do capitalismo colonialista Eu acho que isso precisa ficar cada vez mais claro né então eu me dirijo como uma mulher Sul Global né brasileira latino-americana né E que tá nesse Processo junto com outras mulheres outros parceiros e com outras espécies enfrentando essa
essa devastação que tá em curso a gente tem uma devastação em curso né E aí no Nesse contexto de devastação a gente precisa eu entendo que um seminário desse ele é um lugar em que a gente pode pensar planejar a possibilidade de existir um cotidiano a a viver um cotidiano né que não que não não precisa ele não precisa só oferecer espaços naturalizados né a gente precisa Pensar praças cidades com praças à disposição das Crianças com direito dirir né mas a gente precisa pensar cidades desarmadas acho que essa é uma questão central Então as nossas
políticas públicas elas precisam fica parecendo idealização Piração cidades armada ainda mais num momento desse que a gente tá vivendo tá aí a Palestina sendo bombardeada né ão aqui as milícias ocupando Os territórios todos e mais do que nunca a gente precisa falar disso né Porque isso já é é um processo de desigualdade social profunda e é um processo de desequilíbrio ambiental profundo e é um processo de Sofrimento psíquico profundo são três eh desequilíbrios que caminham né o o Félix Gu Traz essa questão das três ecologias eu acho que são referências pra gente pensar né então
a gente precisa pensar uma cidade que brinque uma cidade que cante uma cidade que dance uma cidade que alimente a memória das nossas Populações brasileiras marginalizadas que anime a gente paraa festa e paraa luta né Eu acho que essa é uma questão eh Então acho que assim como é ser criança no mundo de hoje eu acho que a gente precisa pensar isso né como é que tá sendo a vida das Crianças nesses tempos de antropoceno esse antropoceno ele vem sendo anunciado a h mais de de 50 anos a primeira conferência sobre o clima foi Na
década de 70 e 90 a gente teve a eco92 aqui há muito tempo que a gente sabe que é uma tragédia anunciada eu tô falando de tragédia mas eu também sou uma esperançosa eu tô aqui para ajudar a gente a a querendo encontrar caminhos mas eu acho que a primeira questão é a gente botar o pé na realidade eu tenho um amigo que me dizia assim não tem nada nem melhor nem pior do que a realidade a realidade é aquilo que é né E essa realidade tá aí e ela é muito dura né e Uma
realidade disfarçada porque isso vem sendo anunciado mas na verdade os movimentos ambientalistas vem falando disso mas é isso vem sendo muito ignorado que tem uma ordem financeira global que disfarça tudo com essa palavra de desenvolvimento sustentável foi a única palavra que eu particularmente não gostei na proposta de Congresso de vocês porque isso é uma falácia não existe possibilidade de defender os direitos Das Crianças humanas e imaginar que é possível um desenvolvimento que siga devastando florestas produzindo entrando com com na na Amazônia derrubando as florestas para para produzir campo de soja para alimentar o boi que
vai paraa carne que que que os europeus vão vão comer lá então a gente precisa eu eu eu não eu acho que o objetivo desse seminário Não é esse mas eu acho que essa é uma questão a gente a ser enfrentada né que desenvolvimento Sustentável é esse né O a as palavras de ordem do movimento Verde internacional que saem da eco-92 elas falam de redução de consumo reaproveitamento e reciclagem são esses três rrs ecológicos básicos o único que vingou Nessa proposta de desenvolvimento sustentável é o de reciclagem por quê Porque ele dá dinheiro mas a
primeira bandeira é redução de consumo e como que a gente vai dizer Olha os shoppings Olha o mundo do compra as cidades se transformam cada vez mais em shoppings então pensar uma outra lógica passa por pensar subjetividades não consumistas subjetividades que tenham outras alegrias e eu acredito como Educadora que essas alegrias que a gente pode oferecer pras crianças estão na relação com a terra com a água estão na arte na dança na música então isso me parece alguma coisa que a gente precisa Considerar né Eu acho que eu não vou falar mais disso né a
gente precisa assegurar territórios afáveis numa civilização que nos últimos issos são Dados gente de 2020 da wwf é um relatório que se chama planeta vivo é só colocar já tem os de 22 eu tô trazendo aqui os de 20 nos últimos 50 anos 60 8% de todos os mamíferos aves peixes anfíbias Rides se acabaram né é um estilo de viver que Deixou intocável só 25% das terras do Globo e é esse modelo de desenvolvimento que trouxe o Corona para nós porque os humanos ou melhor os humanos poderosos invadem essas áreas as áreas do planeta para
buscar matéria prima né e vender nos nossos mercados Enfim então eu eu vejo assim né que eh tem a questão Global tem a questão da derrubada das florestas mas tem a questão aqui no Rio de Janeiro que eu acho que a gente tá Precisando começar aar eu sou moradora de Santa Teresa eu tô escandalizada com o que a prefeitura fez na glória agora recentemente ela conseguiu cimentar tudo numa área de grande alargamento Então eu acho que nós estamos precisando nos ligar e entender esse é a vida é aqui e agora e em cada território a
gente precisa entender que o planeta não é alguma coisa o planeta é aqui onde eu estou o que eu piso é o ar espo Então essa é uma questão central e é isso que A gente precisa ensinar as crianças né então a gente tem uma legislação que em que as as legislações internacionais a legislação Nacional né a Constituição Brasileira afirma as crianças como sujeito de direitos eu vou ler aqui um pouco para eu não me perder mas elas são vítimas de políticas excludentes elas enfrentam situações de injustiça ambiental eu acho que essa é uma questão
central né Quais são as zonas de sacrifício do capitalismo que Existem no Rio de Janeiro hoje as zonas onde os lixos os materiais tóxicos são jogados as situações de racismo ambiental porque quem ocupa esses territórios degradados são exatamente as populações pobres As populações pretas dessa cidade e as populações indígenas que a gente ainda tem tão poucos dados aqui no Rio de Janeiro Então as Quem são as crianças a gente tem uma visão IDE de crianças as crianças vivem no mesmo a Gente as crianças sofrem nessas ocupa El Pais né contra contra as as quando a
Polícia entra numa região famílias As crianças estão ali né Então as crianças elas submetidas a uma situação de cerceamento Urbano né é uma cidade que não é feita pras crianças circularem e elas nas escolas elas estão submetidas a uma situação de emparedamento Esse é um conceito que eu Venho trabalhando e que eu acho que é muito importante né nas creches e pré-escolas brasileiras que atendem em horário integral o tempo de brincar é mínimo brincar não tem valor porque Qual o objetivo de brincar nenhum brincar não tem a ver com os objetivos do capitalismo por isso
que não se brinca nas escolas por isso que se brinca tão pouco né Então as crianças permanecem entre 30 e 60 minutos em Espaços abertos em escolas de horário integral em que elas passam 10 anos essa é a minha pesquisa de doutorado e cada vez vão aparecendo eu acho que essa é uma discussão para nós quanto tempo as crianças ficam em espaços abertos em espaços fechados Essa realidade do emparedamento ela é muito maior de zero a 2 anos e ela se acentua muito depois quando as crianças entram no ensino fundamental né para para dar uma
ilustrada nessa realidade endamento eu Queria ler aqui um trechinho desse pequeno que eu escrevi a partir do que eu tenho como uma professora de estágio em educação infantil eu acompanho Minhas alunas nas escolas da cidade então o que que eu tenho visto e o que que eu tenho ouvido dessas Minhas alunas uma realidade de muita parede muita grama sintética muito cimento raros espaços de céu terra e água e a vida sem sempre acontece entre A terra o céu não a vida que aconteça fora disso os estudos do ingold vem falando isso pra gente te ingold
do campo da antropologia né são comuns ambientes similares ao de uma empresa qualquer com muitas divisórias de alvenaria espaços improvisados em corretores internos pouca ou nenhuma circulação de ar natural eu não tô falando só de escola particular eu tô falando de escola Pública de escola particular salas de atividades apertadas repletas de mesas e cadeiras com pouquíssimo espaço para movimentação Ampla algumas delas sequer Tem janelas não é raro que as crianças fiquem ali por 4 horas em algumas não tem mais Recreio O que há é um tempo pequenininho de 15 a 20 minutos para brincar fazer
xixi e comer esse tempo já não é nem chamado de Recreio ele é chamado de Intervalo ou seja entre um produt uma atividade produtiva e outra né e o que antes era conhecido como Recreio tem o nome de brincadeira lá fora mas quando tem lá fora e às vezes só uma vez por semana que é o dia de brincar né e é importante dizer que hoje a gente tem pesquisas que mostram que 64% das escolas de educação infantil brasileiras sequer se tem um quintal as rotinas são Rígidas os tempos se sucedem como se a escola
fosse lugar de acontecer nada a não ser o que já tá previsto reações ríspidas impaciências castigos e diagnósticos as crianças sendo diagnosticadas laudados de de crianças com necessidades especiais aumentando de forma absurda né E isso tudo pros que não querem permanecer sados obedientes à única regra possível o tempo todo as crianças São guiadas pelos adultos elas não decidem nada sobre como gerir a sua própria vida o tempo todo elas são ensinadas a obedecer é uma antessala da fábrica um lugar de aprendizagem da subserviência as crianças vivem em ambientes de suspensão nenhuma criança anda da sala
pro refeitório ou para qualquer lugar da escola sem que lhe sejam mapeados os gestos vigiadas as intenções todos os tempos as atividades estão previamente Programadas pelos adultos as crianças não decidem nada sobre como viver a própria vida vi bom eu vou depois voltar para para exatamente pro que o o o o Rogério trouxe né quer dizer qual é o conceito de criança e de ser humano na nossa civilização na nossa cosmovisão capitalista Urbana industrial patriarcal e quais são que outras cosmovisões mostram outras outras concepções do que que é o ser humano do Que que é
o mundo do que que é a natureza então Eu gostaria de falar aqui um pouco que me parece trazendo de novo né O kirano que você também trouxe que essa realidade escolar Por que que as crianças estão por que que a escola tá desse jeito Por que que a gente tem hoje cada vez mais anos letivos e cada vez mais tempo as crianças emparedadas aprisionadas por que isso né Isso não é da tradição dos nossos povos dos nossos povos originários do mundo inclusive Me parece que essa realidade escolar corresponde ao Lugar das Crianças na ordem
quean denomina como sistema mundo Colonial moderno o colonialismo politicamente acabou não tem mais a colônia não tem mais o colonizador mas a insalubridade colonialista permanece né e a imposição do colonialismo esse processo que tá em curso é um processo de devastação né não é à toa que o que o Marco temporal tá aí Tem um projeto né os os povos indígenas eles atrapalham eles atrapalham né você não pode fazer a maneira você não pode plantar a soja então é preciso afastar e é preciso o colonialismo exige domínio e controle desde a infância acho que essa
é uma questão as crianças são exaltadas como sujeitos de direito na lei Mas elas vivem sub julgadas e escutar as crianças é um primeiro movimento de sair dessa lógica né Tem uma antropóloga a clariss con que Ela disse assim as crianças não sabem menos as crianças sabem outras coisas essa é uma questão importante me parece para nós né por quê se a gente for pensar no século X a destrução era se os índios eram os indígenas eram humanos não eram depois até 1942 na França não se votava a enciclopédia de dider vai falar de mulheres
que estão mais próxima dos Macacos do que dos seres humanos hoje nós mulheres ainda estamos na luta para Sermos reconhecidas mas as crianças não são capaz de fazer essa luta são as crianças que estão naidade crianas sonho é preciso ouvir as crianças mas somos nós adultos que precisamos assumir né porque as crianças é como se elas não soubessem nada é como se elas não existissem elas só vão saber depois que elas forem submetidas a uma lógica escolar né isso tem a ver com uma Concepção de ser humano a concepção do ser humano que orienta essa
civilização é a perspectiva cartesiana é a ideia e é cartesiana é partida e a perspectiva racionalista se a gente pegar os estudos do Pag ele vai mostrar que o humano só se torna humano um humano que tem raciocínio abstrato e o papel da escola é pass a primeira série para a segunda paraa terceira avançando nessa Perspectiva da da da abstração se esse é o Racionais é mas as crianças se torna o humano não é um ser racionalidade de razão ele não nasce como um ser de razão ele se torna mas o humano é um ser
de desejo e o primeiro desejo é permanecer Vivo e para permanecer vivo é preciso fazer Encontros com aquilo que alimenta a nossa humanidade e esses encontros são com outros humanos mas são com todos os seres da biodiversidade E é isso que os povos indígenas tem né Eu já sei que Passi da minha hora Né Eu acho que primeiro o adult centrismo que nos aista precisa serado né e é esse adultocentrismo que assegura o isolamento Ecológico a imobilidade dos corpos e essa visão né do humano ninguém é feliz em estado de submersão em estado de aprisionamento
Então eu penso que que a gente precisa aprender com os povos indígenas eu teria aqui algumas né Por Exemplo uma criança indígena Guarani a partir de um ano a partir do momento que ela anda ela procura o a mãe não precisa mais oferecer né um agasalho uma criança também ela é capaz há uma confiança no corpo o emparedamento é o oposto é o aprisionamento dos corpos então eu vejo que a gente precisa pensar em termos da arquitetura da engenharia né primeiro começar a pensar não pode ser rever esses essas esses manuais essas de orientação do
que é a construção de uma Escola né então por exemplo não pode ter primeiro limpar o terreno o que que é limpar o terreno limpar é tirar todas as espécies que não somos nós mesmos botar emar botar o cimento eois botar uns coquelin para fazer de conta que ali uma areazinha uma Terrinha agora já tem material pedagógico você leva as folhinhas para dentro de sala leva os pauzinhos mas não sabe porque aí juro que é a última coisa que eu falar porque assim gente tem um conceito que eu acho Que precisa a gente assumir para
nós que é o conceito de biofilia esse conceito ele traz a ideia de uma atração inata do humano e de todos os seres vivos por tudo que é Vivo né Vamos pegar as fotos das escolas que vocês puderem achar internet a gente vive num num mundo de coisas mortas eu acho que esse é um conceito que porque eu mesmo já tô questionando com ing mas o que que tem Vivo aqui dentro dessa sala a não ser nós mesmos então a gente Tá precisando retomar por quê eh esse alguns estudiosos do campo da Psicologia ambiental eles
vêm falando desse essa atração inata Por que é que as crianças se jogam na água se jogam na terra buscam esses espaços porque elas elas precisam É nesse ambiente de nesse estado de interconexão com o que é humano e não é humano que a gente se potencializa que o nosso corpo se alegra que o nosso corpo se fortalece Essas são as filosofias indígenas mas essas também São as perspectivas dos filósofos da complexidade da filosofia da diferença tão muito próximos né é uma cultura que alimenta a biofilia ela vai educar pessoas voltadas para esses outros seres
afetivas em relação à terra à água uma pessoa que não alimenta uma cultura que não alimenta a biofilia como essa dessas escolas que eu tô lendo aqui ela vai formar pessoas indiferentes a Terra ao seres ao planeta E aí tem relação entre se sentir parte e desejar proteger se você não tem uma educação que alimente esse afeto e afeto se faz não é com folhinha dentro de sala mas é de pé de chão é com terreno é com árvore é com terra é preciso arrancar os cimentos enfim Gente desculpa tá mas eu me estendi muito
obrigada viu Eh fica complicado encerrar Né Essa discussão tão potente depois de duas falas muito importantes eu vou dar uma pequena costurada antes da gente abrir PR PR discussão PR [Música] perguntas pronto eh a fala do Rogério muito voltada né pra experiência das Crianças indígenas e a fala da Leia trazendo uma urgência muito ente a ao avanço da das estratégias capitalistas né no no planeta como um todo eu acho muito Importante a gente na verdade pensar um pouco sobre como a infância foi construída na colonialidade para se manter de maneira subalterna né não é à
toa que eh dentro desse sistema colonial a gente vai ter eh cientistas né como Foucault que vão eh versar sobre os dispositivos de segurança e vai vai identificar as escolas Como de fato um dispositivo de controle para Eh de alguma forma conseguir cercear a o que esses pequenos indivíduos ou mini adultos ou adultos do Futuro podem vir a ser não de fato reconhecendo essas crianças como indivíduos enquanto eh a partir da sua própria existência né E aí a gente vai para um para um lugar de discussão que vai discutir a colonialidade não apenas como um
elemento que interfere nas crianças negras nas crianças indígenas mas que vai interferir na infância de maneira Geral e posteriormente na nossa sociedade eh um exemplo né que a gente pode trazer eh como a gente tá falando da da perspectiva indígena na relação com o corpo né de de construir um corpo saudável e como isso é uma perspectiva muito eh deixada a parte né na na na Perspectiva do dos não ind indígenas eh a gente tem pode traçar um paralelo né Por exemplo em relação à questão da alimentação a a alimentação indígena tem Essas eh diretrizes
dietéticas e numa perspectiva Colonial né a gente tem tanto para crianças negras ou não eh algum tipo de prejuízo né a gente pode ver crianças negras e pobres em estado de miséria enquanto crianças ricas e majoritariamente brancas F se alimentando de ultra processados de tudo aquilo que o capitalismo indica como essencial né alguns em miséria alguns em extremo consumo eh e aí A partir dessa reflexão toda Dessas duas falas muito muito interessante queria fazer uma provocação né a gente tá relacionando infância e educação a gente vem discutindo que a educação é uma ferramenta de poder
muito limitado eh e nesse contexto de colonialidade e de educação qual é o lugar do do ensino e da pedagogia nessa discussão Quais são os caminhos possíveis a gente consegue traçar de fato alguma contribuição robusta que consiga Enfrentar eh os avanços desastrosos né desse processo de eh dizimação né da da humanidade em geral jogo esse questionamento para vocês mas antes eu queria também saber se alguém tem uma pergunta e a gente faz uma uma rodada com três você podia só repetir a pergunta qual é o lugar do do da pedagogia do ensino no enfrentamento Dessa
desse desastre social econômico e político que a gente tá vivendo tanto nas infâncias que se rebate na vida adulta alguém temum uma pergunta Tem alguma [Música] provocação você fala seu nome Bom dia bom bom dia Rogerinho eu sou de Belo Horizonte eh Rogerinho eu tenho uma questão para você e para lé fiquem à vontade de responder no bloco de questões Eh Ontem nós somos muito provocados pelo modelo de Infância Urbana pela própria Fernanda né quando ela apresenta o trajeto cotidiano de circulação do Davi pela cidade e não sei se vocês vão se recordar o primeiro
ponto depois que ele desenha a casa eh e ele é um menino que que circula pela cidade eh em termo de 3 horas pelo que eu calculei mais ou menos só dentro da V né de Idas e Vindas pro seu para entre casa e escola e ontem quando ele mostra a casa ele mostra na Sequência a padaria eh e isso me chamou muita atenção porque a padaria inclusive é maior que a própria casa del no desenho e me chama atenção pelo seguinte podaria um espaço de socialização muito potente assim como é o supermercado para as
crianças por conta do elas são permitidas ir Vir S dias junto com amigos né normalmente e lá é o local das goloseimas também né então nos sinaliza que eh não só dav a Ele é permitido irv sem a presença de um Adulto Mas também se Analisa ele escolher o que quer chegando na padaria com o dinheiro que tem em mãos né isso a gente também tem visto na pesquisa que temos feito discuta das Crianças sobre os direitos delas lá em Belo Horizonte tá sendo muito interessante eh que eles né normalmente os fos são permitidos aí
ir e vir são a padaria e os mercado nos ves e ess sinalizando essa ideia né da Liberdade da circulação muito do que a Leia fal fala dentro de zonas do permitido né em seus bairros na periferia né ela sabe exatamente onde elas podem o que querem ir onde que pode ir e até certo ponto ir a pé ir junto ou ir eh acompanhar então G eu queria saber dentro dessa desse paralelo que estamos aqui fazendo o tempo todo quando ouvimos vocês nas estâncias indíos do que seria padaria né emem termos de espaços de tempos
né né de circularidade porque exatamente o oposto pelo menos do meu Imaginário do que é essa infância urbana do Davi né mas certamente tem algo na infância ind diso também que é a que que torna ela né dentro dessa lógica da socialização da relação com o tempo e do espaço e do ir consideramos espaços totalmente abertos né O que a Leia tá nos propondo um espaço de eh de vivência com os elementos da terra da natureza do ar enfim que que ligando um pouco as falas de vocês né E para Leia é você bem objetiva
Leia eh em relação à questão da Escola dentro do modelo de escola que você nos nos anuncia e realmente é uma situação extremamente séria mas também penso que os próprios professores estão dentro desse modelo de emparedamento totalmente né estão dentro de um sistema que não não permite a eles essa circularidade na própria prédio porque o prédio tem todo reserv momento de esp que aquele que quer circular não é permitido né porque já tem gente no outro espaço porque vai atrapalhar Porque faz barulho Porque isso e aquilo então acho assim e ainda assim ainda com esse
cenário todo de escola a gente pergunta pras crianças o que elas mais gostam elas ainda falam a escola elas ainda estão sinalizando que a escola é um espaço que a elas é permitido algo para além da casa né E nessa pesquisa que eu que eu comento só para exemplificar também nessa pesquisa uma das meninas de 9 anos 7 anos ela nos diz assim que não gosta de escola mas que Ela gosta da quatra da escola e aí o colega ao lado que a gente fez a esca temem grupos pequenos grupos de três a cinas fala
assim ela gosta da matéria de brincar então Eh por causa do Recreio por causa do uso da quadra né Acho que concordando muito com o que você nos coloca Então são essas coisas que eu queria que vocês comentassem obrigada mais alguém tem alguma [Música] questão Bom dia eu queria só Complementar as perguntas que foram feitas pedi rogo paraar um pouco sobre como é a escola indígena assim né esse cotidiano dentro da Aldeia porque não vai ter Eu imagino que não vai ter aula de matemática casira né entu um p como é essa esse ensinamento você
falou um pouco sobre a questão religiosa né Os ruag Religiosos talvez passar um pouco também como esse momento escolar né ass sem ser a gente chegando com essa né com essa formato né de Escola bom parabéns a Rogério e leia eh o senos inspirados queela verdadeira aula que vocês nos deram e como arquiteto professora também eh de uma faculdade de arquitetura né nossos alunos tem muitos alunos aqui da graduação que fazem eh projetos de escola né então a gente se sente eu vou repetir a palavra que eu falei ontem se sente convocado também né como
eh pensar nesses espaços que compõem o edifício escolar né como eh eh dar protagonismo Aos espaços livres que compõem o edifício escolar que a gente sabe como você bem falou eh os espaços Livres né as áreas de recreação as áreas de convivência as áreas que você consegue ver o céu mas nos edifícios que a gente encontra são espaços residuais e eh a gente fica pensando né nessa nossa responsabilidade como arquiteto como projetista mas também eh eh em que medida né que o que o professor que o educador que é também COC Construtor e Eh dessa
esses tempos escolares como é que mesmo tendo às vezes um belo Pátio um um um espaço livre com muitas árvores né uma uma um contato com a natureza muitas vezes a criança se sente paredado porque o tempo escolar ele acaba né determinando que tem que seguir todo aquele ritual aquela formatação então a escola ela é ainda muito formatado então o que que a gente pode mudar e aprender com os povos originais as ancestralidades aí também complementando O que a Viviane falou né como é que essa escola indígena o que que essa escola indígena pode nos
ensinar muitas questões boa sorte respondendo [Música] eh acho que eu fe as crianças né lá a pesquisa os dados da minha dados da minha pesquisa sobre as crianças né eu acompanhava meninos de 8 a 14 anos nas tarefas diárias que eles tinham eh no início Eles começam bem cedo Acompanhando a família para todas as tarefas que a família participa né então trabalho na roça as atividades na na cidade toda atividade coletiva eles participam depois eles começam a assumir sozinho algumas tarefas e não autonomia tá entre ele escolher Que hora que ele vai fazer quando ele
vai fazer e como ele vai fazer tá a tarefa ele vai escolher e a circular pelo território e aí são tarefas locais distantes eles circulam pelo território circular para Eles é eles T muita autonomia e um aprendizado grande porque circular pelo território é você promover para mim encontros então na mata Você tem os seres da Mata então seres vivos e não humanos e não humanos né então assim eh eh e e a observação a a é a atenção o tempo todo aprendendo a a a andar no determinados locais né então nas nas matas o cuidado
era com as cobras nas nas Encruzilhadas com as aleivosias são os espíritos dos Mortos né e na na casa De não parentes É com os cachorros assim porque era uma cachorrada danada todo mundo os cachorros avançam na quem não é parente né eles avançam é então eh eh circular acredito que seja ó é por pares Acontece muito por pares Então você mizam pelas crianças maiores e menores então acontece é importante circular pelo território garantir e eu acredito que as que os que os trabalhos eh eh que a essa essa essa essa tarefa de mapear o
território e colocar sobre o território Da cidade o território das culturas infantis promovendo incentivando e potencializando elas a gente vai lembrar por exemplo do da rua como espaço do brincar recuperar retomar eu acho o trabalho dessa discussão da infância cidade é retomar a cidade né que foi né das Crianças assim retomar o espaço da rua retomar eh Busca das praças e ocupar mesmo que ainda o projeto não seja amplo de eh ocupar aos poucos também tem uma estratégia meio de guerrilha mesmo eu Tenho um colega que é o Faria que é o mestre faria né
lá do brincante que ele atua em todos os lugares mas ele falou que ele conta os casos que uma vez ele começa a brincar no NS becos assim na porta do do senhor lá que depois depois de um tempo depois de tanto reclamar com medo dis os meninos não iam embora e começou a participar então quer dizer se ocupar pequenos espaços né criar novos espaços iso é importante com relação à escola escola indígena trabalha com Muitos conhecimentos ettin matemáticos conhecimentos assim qual é a matemática que eles utilizam para medição para medir terreno para medir peso
e tal e qual a equivalência que tem com a com a matemática nossa né então eles começam então eles vão T fazendo esse intercâmbio intercalando entre os dois conhecimentos e muita atividade prática mesmo né o território é o campo de experiência deles toda toda atividade acaba virando uma pesquisa ou Entrevistar as outras pessoas ou fazer eu colocar em situações práticas né Eh circular pelo eh o pessoal tem falado muito de de de um determinado de um tipo de currículo que é que ele perambula mesmo a gente circula né não tá só na escola tá tá
nos saberes das outras pessoas né as pessoas também são responsáveis pela educação eu acho que é mais ou menos isso que que que eu poderia falar bem rapidamente sobre esses dois temas É eu são muitas questões né Eu Assim tentando eleger algumas eh eu acho que Dele por exemplo essa questão que você coloca né os arquitetos uma articulação entre os arquitetos e os educadores né você tem que ter não pode ser só o arquiteto Nem só a engenharia a construir o prédio escolar é preciso chamar as professores mas eu acho que mais do que talvez
um belo começo seja de um projeto Seja chamar as crianças e perguntar o que que vocês que como é que você queria que fosse a sua escola e existe alguns projetos já né Eu queria que aqui tivesse uma montanha você quebra o cimento faz uma montanha do lado e abre a terra né Por exemplo eh eh eh nem sei mais o nome aquilo que é o o de areia aquele tanque de areia tanque de areia gente acabou nas escolas não tem mais tanque de areia se você for pegar os estudos do do do do winot
sobre A importância que tem areia isso de construir e de desfazer e fazer na Constituição da subjetividade humana na resistência a vida não tem mais isso né Eh então eu acho que a gente precisa convocar as crianças eu tenho achado cada vez que esse caminho da rede me parece muito importante né uma rede de sensibilização pra questão né el acho que ela ela é muito acho que por exemplo eu lembro do do do Rousseau que escrevia Em 1750 naquele discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens e ele eu não lembro se a liia
exatamente mas ele vai dizer onde é que o problema aparece na hora que você perde a dimensão Comunitária né então como você eh é são muitas questões né como é que a gente pode pensar como Educadora como educadores uma pedagogia que saia dessa ideia de uma professora com 25 crianças andando de um lado pro outro né portas Abertas nas escolas liberdade de circulação é o mínimo é o mínimo né que se precisaria assegurar mas a gente sabe que tudo isso é muito difícil porque há um paradigma há um padrão há uma ideia há uma cosmovisão
que entende humano separado da natureza se eu pedir aqui para todo mundo desenhar a natureza desenha a natureza muita gente ou a maioria de nós vai colocar ah desenho os passarinho desenho as montanhas des o mar a água tem humano no teu desenho não Tem a gente não se vê neste lugar a gente não se sente nesse lugar então é mudança numa cultura mesmo né é um trabalho de Formiga mas ao mesmo tempo é um trabalho absolutamente necessário eu queria só assim para finalizar talvez entrar na questão indígena e na e na Urbana Hoje eu
desenvolvo trabalho o meu trabalho é o mesmo na escola indígena e na escola da cidade porque eu entendo que nós somos os nós somos os povos da floresta as crianças das cidades são as Herdeiras culturais dos nossos povos né Isso é um epistemicídio a gente se esquece disso né é a gente a gente se esquece que eu sou a indígena eu sou a sudanesa negra n que o jeito que eu trato a criança tem a ver com o jeito que eu fui olhada que eu fui sentido há uma memória corporal a gente gosta de dançar
a gente gosta de cantar a gente gosta de terra de água e eu acho que é pelo caminho do corpo pelo caminho do desejo que talvez a gente possa se Mobilizar né pelo caminho da festa da mas aí eu queria contar que há 14 anos atrás eu fui convidada pelo Ministério da Educação pela coordenação de educação infantil para entender Por que indígena tava pedindo creche e aí ao invés eu achei que eu ia paraa Amazônia mas não me mandaram para Olivença sul da Bahia e lus Sul de lus e eu cheguei lá na hora de
escrever um relatório e o que que eu ia escrever era uma escola que as crianças eram livres para circular na Escola existia uma organização por faixa etária elas não eram obrigadas a permanecer ali todo dia elas tinham ritual que era o poran né que era uma espécie de mantra ali que se gerava que havia paciência com as crianças que as crianas todosos Dias iam fora não tinha planejamento organizado não tinha avaliação Ou seja eu ia dizer pro MEC O que era que não tinha do ponto de vista do que que é uma escola formal mas
aí eu falei e o que é que tem o que tem a Liberdade o que tem a possibilidade de circulação o que tem a conexão com a natureza o tempo todo o que tem são relações de respeito de adulto com criança são maiores cuidando dos menores não é como aqui que o irmão entra um de cinco e outro de um ano outro de c e ele só se encontra no fim da tarde né enfim aí eu bom então isso passou eu fiz o relatório sair de lá decidi trabalhar com pesquisas buscar nesses povos isso que
eu não via aqui né buscar nessas e Eu e eu fui nesses últimos anos eu fui estudar essas perspectivas indígenas né E aí eu voltei lá há do anos atrás continuei voltando mas há do anos atrás eu voltei e tinha uma escola Toda Bonita toda arrumada cheia de cerquinha as crianças cadav uma escola indígena ainda escola indígena que agora era apoiada pelo Estado e pelo município e aí as professoras tinham que participar das reuniões das coordenações e tava tudo diagramado e ela dis você achou o que Que você tá achando agora aí eu falei É
eu falei olha gente quando eu vim aqui há 4 anos atrás eu encontrei isso e agora eu falei agora V encontrei uma escola do Branco vocês estão fazendo a escola do branco e essa que é a grande questão porque muitas vezes hoje nós temos lá em Olivença aprovação de um prédio a gente fez uma uma uma uma proposta de uma construção uma construção orgânica Como é que chama Bio biomassa né bioconstrução É mas tem Um aa entre a própria comunidade indígena porque tem uns que acham que para ser legitimado tem que ser de tijolo de
alvenaria você percebe então a própria produção de uma escola indígena diferenciada ela é também um campo de disputa né a gente fala indígena você pensa naquele indígena que tá lá na floresta mas nós temos os indígenas aqui em Olivença por exemplo que alguns estão nas aldeias mas alguns estão na Vila estão na cidade então a Escola diferenciada indígena ela é justamente uma possibilidade ela propõe uma possibilidade de diálogo uhum entre uma Cultura né que se a gente não cuidar ela vai reproduzir a escola do Branco do Branco entre aspas que eu quero dizer a escola
que tem um modelo eurocêntrico né que é a nossa escola Então eu acho que passa mesmo por um resgate Nosso pessoal grupal comunitário né vencer algumas começar a parar essa história de Dividir por faixa etária isso não leva ninguém paraa frente né pensar em outras lógicas outras dinâmicas enfim um outro processo civilizatório me parece né mas eu acho que é isso eu só comentando rapidinho aqui lembrando de modelos de escola né xakriabá xakriabá E aí falando de um outro modelo que talvez mais potente Assim eh a eh quando você conversa quando a escola tem uma
coisa que é forte nas escolas indígenas assim pelo Menos que a gente tem algumas que eu acompanho gosto de dar exemplo é sobre a o a o compromisso que as escolas com os projetos da sociedade daquele grupo né os projetos de vida daquele grupo então a gente faz uma discussão sobre economia sobre problema socioambiental eh no xacriabá qual o problema principal lá água falta água a e as nascentes poucas que tem estão desaparecendo aí como é que trabalha eles atuam em rede um projeto a Associação consegue recursos para de um projeto do Ministério do Desenvolvimento
eh meio ambiente para cercar as nascentes a a comunidade faz reuniões para convencer As populações indígenas próprias populações indígenas da que aquilo que tá trazendo que vai traz que Aparentemente parece que traz malefício pra pessoa porque el estão a pouca água que tem é servida para para pro gado eles plantam próximo à nascentes isso eles acabam com as matas ciliares então Eles só só serra abaixo mesmo porque quanto mais o uso que eles fazem por por não reconhecer por reconhecer que não tem outra alternativa acaba gerando o próprio problema então convencer a comunidade de de
que não precisa não pode plantar na próxima margem do rio que precisa proteger as matas as nascentes é outra etapa importante e a escola tem papel importante de duas formas primeiro conversando com as crianças sobre isso e as crianças vão Entendendo acompanham o projeto que acontece na sociedade e produzem cartilha produzir uma cartilha explicando da visão a perspectiva delas Qual que é a importância que aquele projeto tem e leva isso para casa a segunda coisa é que elas fazem na escola viveiros elas produzem eh PL viveiros de plantas de matas para recuperação da mata ciliar
E aí a a produção é feita pra escola mesmo plantar as crianças vão plantar na beira dos rios e também paraa Comunidade que também participa desse plantio desse viveiro para ela buscar ali material para levar para próxima para onde elas moram né e fazer o plantil então quer dizer um projeto desse onde a escola tá integrada o resultado Vem rápido mesmo a Médio prazo elas conseguem ver o resultado aí eles avaliam então aí as crianças estão lá avaliando assim aumentou ou não Aumentou a quantidade de água porque e E aí você percebe o tanto que
é forte um projeto Dele porque a escola entra no participa de um projeto que é para todos a comunidade então o benefício daquele projeto se der certo porque conta também tem mu muita Aldeia que não deu certo tem ideia que não quis abrir mão do Gado E aí não funcionou então inclusive serve de exemplo fha que onde é que onde é que deu certo onde é que não deu certo para convencer os outros então um processo lento mas a escola entra assim com toda com todo o que ela pode oferecer para Tentar favorecer o projeto
né Mais ou menos assim essa vinculação entre projeto e comunidade né enfim posso eu acho que você falou né Eu acho que a gente assim porque isso também é possível na escola da cidade do Rio de Janeiro né Eu penso assim que a gente precisa pensar que a aldeia que a escola é uma aldeia né que a escola é uma aldeia a eí você que não é isso que a gente sabe que para cuidar das crianças é preciso uma aldeia pois bem não pode Ser a professora com as suas criancinhas né a a próprias lei
de diretriz e base da Educação Nacional no artigo 29 ela vai dizer que a educação é um projeto dos professores com a escola com as famílias com a sociedade Então cadê as avós Cadê os primos Cadê essas crianças não são órfãos eu acho que a gente tem que pensar o conceito de cidadania o conceito de cidadania el tá muito muito frágil pra gente encarar né Eu preciso ir me deslocar para um conceito de ser Humano que se aproxima dos indígenas que já vê as crianças como alguém ao nascer já tem o que dizer pra vida
e elas TM fica grávida e faz um bebê para você ver que a tua vida vira de cabeça para baixo da tua família ela já tá te dizendo uma outra coisa né Então as crianças eu acho que as crianças não sabe não adianta esse negócio Ah faz um buraquinho bota tinha depois tampa aí filma e diz que as crianças tão tão vendo não tão nada é de mentira isso as criança a gente pode Fazer esses viveiros Eu já trabalhei escola que faz isso a gente planta Quais são as áreas da cidade que estão sendo reflorestadas
vamos plantar com as crianças essas vamos fazer alianças com a Secretaria de Meio Ambiente com a Secretaria de Cultura e vamos pensar atividades que as que a gente que as crianças cuidem dessas e que que levem para essas regiões a a a pedagogia não pode ser de mentira você fica lidando com a representação do mundo em vez de Lidar com o mundo de verdade uma escola que plante uma escola que dance uma escola que pesque uma escola que cuide do território na vida dia possível me parece agora tem que ter vontade digamos assim né e
tem que ter desejo e esse desejo aí é básico né Eh bom queria agradecer a presença daé do Rogério a gente teve uma discussão conseguiu criar bastante o nosso debate eh Deixo aqui a recomendação né que um dos caminhos pra Gente enfrentar a colonialidade é a ampliação das nossas referências a gente tem que procurar outras Pontes pesquisa outros meios de de reflexão sobre a cidade e aqui a gente teve duas ótimas aulas ótimos inícios para para alcar outras perspectivas Muito obrigado