[música] Olá, colegas farmacêuticos, sejam muito bem-vindos a mais um encontro do nosso curso. Hoje vamos dar uma atenção especial ao inalador pressurizado doimetrado, popularmente conhecido como bombinha, aerosol, spray, que é o dispositivo mais utilizado para a administração de medicamentos inalatórios. Antes de começarmos, quero apresentar a vocês dois materiais complementares que preparamos com muito cuidado.
O primeiro é um vídeo que demonstra um passo a passo da técnica correta de uso da bombinha. Nele você vai encontrar orientações importantes sobre como higienizar e armazenar esse dispositivo, como saber que ele está acabando, como fazer descarte correto e outras informações importantes. O segundo material é o folheto, esse aqui, ó, que aborda como usar a bombinha.
Ele contém informações ilustradas e práticas que reforçam o conteúdo que constam no vídeo. Esses dois materiais estão disponíveis para acesso aqui na plataforma e você pode acessá-los a qualquer momento. Eles podem ser compartilhado com seus pacientes durante os atendimentos.
Sabemos que, apesar da via inalatória ser considerada a preferencial para administração de medicamentos durante o tratamento das doenças respiratórias crônicas, o seu uso envolve etapas complexas e barreiras para adesão. Muitas vezes, a resistência em usar a bombinha por parte do paciente está relacionada a mitos de que a bombinha faz mal, que pode viciar. Portanto, é essencial o domínio da técnica de uso, tanto pelos profissionais da saúde, quanto pelos pacientes, seus cuidadores, a fim de garantir a efetividade terapêutica.
Infelizmente, os erros na técnica de inalação são muito comuns e o impacto desses erros é grande, pois a administração incorreta dos medicamentos inalatórios pode levar a uma entrega subótima do medicamento aos pulmões, comprometendo a eficácia do tratamento e o controle da doença. Na aula de hoje, vamos detalhar os erros mais comuns de uso da bombinha e o mais importante, como nós farmacêuticos podemos ser os agentes de mudança na vida de nossos pacientes. Vamos dividir os erros comuns em três grupos: erros no preparo do dispositivo, erros relacionados ao preparo do paciente e erros na técnica inalatória.
Então vamos começar pelos erros no preparo do dispositivo. Observamos que muitos pacientes cometem alguns deslizes, como não remover a tampa do bocal no momento de uso. Isso parece uma etapa simples, mas ela é frequentemente esquecida.
A tampa protege o bocal e precisa ser removida antes de cada uso para que o paciente consiga inalar a dose correta do medicamento. Essa orientação é importante porque mesmo com a bombinha tampada, o paciente consegue disparar o jato. Eu mesma já tive paciente que não tirava a tampa da bombinha, infelizmente.
Um outro erro comum é não agitar a bombinha. Quando isso ocorrer, o paciente não vai receber a dose correta do medicamento. A agitação, ela é necessária para assegurar a homogenização adequada do gás propelente com a solução ou suspensão do medicamento que se encontra aqui dentro do cilindro metálico da bombinha.
Uma dose dessa mistura, ela sempre é liberada através da válvula. Quando o cilindro metálico é apertado, permitindo que o medicamento seja inalado. Não agitar a bombinha pode reduzir a dose liberada em até 36%.
A orientação correta é agitar com força no mínimo cinco vezes. Dessa forma, agitar o dispositivo é essencial para garantir a liberação e administração da dose correta do medicamento. Próximo erro que a gente vai abordar é o segurar a bombinha de forma incorreta.
Infelizmente a gente ainda pega paciente profissional usando a bombinha assim, ó, de forma incorreta. A bombinha, ela deve ser mantida sempre com o frasco metálico virado para cima, nessa posição de L, a fim de garantir a correta liberação da dose. Se usada na horizontal ou de cabeça para baixo, a dose pode não ser liberada corretamente.
Agora vamos comentar sobre alguns erros relacionados ao preparo do paciente. A postura e a respiração prévia são etapas que o paciente precisa dominar. Os erros mais comuns que acontecem são não soltar o ar antes da inalação.
É fundamental soltar o máximo de ar que conseguir antes de colocar o bocal na boca, a fim de garantir espaço nos pulmões para receber o medicamento. Então, ó, o paciente tem que ser orientado sobre a expiração correta. A inalação, ela deve ser feita pela boca, erros que envolvem agora a técnica.
Esses são os erros mais comuns durante a realização da técnica da bombinha. Um deles é a vedação inadequada dos lábios. O paciente, ele deve posicionar o bocal entre os dentes e fechar bem os lábios ao redor do bocal, sem morder para evitar perda de medicamento.
Dessa forma, ó. Um outro erro comum é o paciente colocar o envoltório plástico dentro da boca. Uma vez eu identifiquei um paciente que relatava que a aflição que ele sentia no momento da falta de ar era tão grande, tão grande, que o que que ele fazia com o pretexto de diminuir essa falta de ar para aproximar o medicamento do pulmão dele, ele colocava o envoltório todo lá dentro da boca para usar.
E com isso, quando eu fui fazer a avaliação, eu percebi que o paciente já tava até com lesão na boca. Então, preste muita atenção nos relatos do paciente para vocês identificarem conhecimentos específicos que precisam ser compartilhados para melhorar o uso da bombinha. Então, nesse caso mesmo que eu acabei de falar, o paciente queria aproximar o medicamento do pulmão dele no momento da aflição.
Então, ele demonstrou para mim que ele precisava de novos conhecimentos e habilidades pro melhor uso. Fique muito atento ao comportamento dos pacientes. Um dos erros mais clássicos em relação da em relação ao uso da bombia é a falta de coordenação entre o disparo e a inspiração.
Então é muito difícil o paciente apertar e inalar ao mesmo tempo. Esse é o erro mais comum com o uso da bombinha. O paciente ele deve pressionar o frasco metálico e ao mesmo tempo puxar o ar pela boca de forma lenta e profunda e alguns pacientes, mesmo com treinamento, não irão conseguir coordenar a inspiração.
Nesses casos, a alternativa é administrar com o espaçador ou trocar o modelo do dispositivo. Não expirar de forma lenta e profunda também é um outro erro identificado. A bombinha, ela exige uma inspiração lenta e profunda com uma duração de 3 a 5 segundos.
Uma inspiração muito rápida pode fazer com que o medicamento se deposite na horo faringe em vez de nos pulmões. Outro erro na técnica é não prender a respiração após inalar. Então, após inspirar, o paciente tem que prender essa respiração por pelo menos 10 segundos ou o tempo que conseguir.
Essa pausa vai permitir que as partículas do medicamento se depositem adequadamente nos pulmões. Então, aquele momento do contato é 10. Outro erro muito comum é que quando o médico escreve, prescreve dois jatos ou dois puffs, o paciente acha que ele tem que aplicar assim, ó.
Então, dois jatos ou dois puffs, eu até brinco com os pacientes que bombinha não é desodorante, jamais ele pode fazer. Quando o médico prescrever dessa forma, ele quer que o paciente repita a técnica por duas vezes. Então, ele vai fazer uma técnica e depois ele vai fazer a outra técnica.
Então, oriente bem direitinho o paciente sobre o que que significa esses dois puffs ou essas esses dois jatos na receita. O paciente precisa ser orientado para não apertar então duas vezes o cilindro metálico da bombinha. Vale ainda ressaltar algumas informações que merecem destaque.
Além da técnica, é importante orientarmos sobre a limpeza do dispositivo. No caso das bombinhas que apresentam marcador de dose, a capa plástica e o interior do bocal, eles podem ser limpos com pano ou lenço de papel. Se a bombinha tiver entupida, essa essa capa plástica, ela pode ser lavada.
No entanto, alguns fabricantes não recomendam lavar essa capa plástica. Para as bombinhas que não t marcador de dose, é possível remover o frasco metálico e lavar apenas a capa plástica com detergente neutro e água corrente, deixando-a secar completamente ao ar livre. A limpeza deve ser feita uma vez por semana ou sempre que o medicamento não estiver saindo.
Armazenamento na farmácia. Em relação ao armazenamento na farmácia, fique muito atento às recomendações específicas de cada fabricante. Por exemplo, o Foster ou Trimbol, eh, o fabricante indica mantê-lo sobre refrigeração entre 2 a 8ºC antes da dispensação.
E pra gente saber como que o medicamento está acabando, alguns modelos t contador de dose. Esse oriente o paciente a observar o contador e descartar o aparelho quando ele indicar zero, mesmo que ainda saia alguma algo, alguma fumacinha, pois pode ser apenas o propele. Para os que não tem contador de dose, como este, alguns fabricantes recomendam colocar o farasco metálico em um copo com água e verificar o nível, como é indicado na imagem a seguir.
Se o aparelho boiar, é porque acabou a quantidade de doses. É importante ressaltar que essa técnica para bombinha sem marcador de dose tem limitações e nem todos os fabricantes recomenda colocar o cilindro na água. Outra observação que é importante eh orientar os pacientes é sobre a forma de segurar a bombinha.
O paciente pode segurar a bombinha de diversas maneiras, dependendo da força que ele tem nas mãos e da habilidade que ele possui. O importante é garantir que o frasco metálico fique virado para cima em forma de L e que o dedo tenha força suficiente para pressionar o frasco. Ele pode apertar o frasco com o polegar ou até mesmo com dois dedos indicadores, dependendo da facilidade.
Agora, como facilitar o uso da bombinha? Para facilitar o uso da bombinha, ela deve ser recomendada a ser usada com espaçadores, principalmente no caso de crianças, idosos e pacientes com dificuldade de coordenação ou destreza manual. Os espaçadores facilitam o uso da bombinha, contribuem para o aumento da quantidade de medicamento que chega aos pulmões e reduzem os efeitos a diversos locais.
Existem espaçadores comerciais vendidos nas farmácias ou também podem ser produzidos de forma caseira. Teremos vídeos e livreto específico sobre os passadores. Recomendo que vocês visitem a outra aula que trate desse assunto.
Recomendamos inclusive que você acesse após essa aula. Compartilhamento da bombinha dentro de instituições. Essa foi uma dúvida muito comum durante a pandemia.
pois existia risco de escassez de medicamentos e de dispositivos. Isso levou alguns contextos hospitalares a decidirem sobre a prática de compartilhamento de inaladores entre pacientes. No entanto, essa conduta exige extrema cautela, dada a possibilidade de contaminação cruzada.
Atualmente não há evidências científicas robustas que comprove a segurança do uso compartilhado de dispositivos inalatórios. Tampouco a avaliação de risco de contaminação viral. Estudos indicam que mesmo com protocolos de desinfecção implementados após cada uso, o risco de contaminação cruzada permanece elevado.
Ele tá frequentemente associado a baixa adesão às medidas de higienização. Dessa forma, a recomendação prioritária é a adoção de um dispositivo individual por paciente. O uso compartilhado deve ser evitado sempre que possível.
O uso compartilhado, então, ele não é recomendado. Porém, em situações de escassez nas quais o compartilhamento não puder ser evitado, é indispensável ter um protocolo institucional e segui-lo de forma rigorosa, contemplando os seguintes passos: revisar sempre o protocolo institucional para uso compartilhado de inaladores e a limpeza e desinfecção dos espaçadores. Evitar o compartilhamento em pacientes que estão em isolamento respiratório ou são imunocomprometidos.
reutilizar o dispositivo apenas após a alta do paciente ou a suspensão do uso pelo paciente anterior. E pro uso de espaçadores no ambiente hospitalar de urgência, manter o uso individual do espaçador e cumprir os protocolos de limpeza e desinfecção. garantir desinfecção dupla independente realizada tanto pela farmácia quanto pela equipe de enfermagem, utilizando algodão embebido em álcool 70.
Lembrem-se, caros colegas, que todos os dispositivos são eficazes quando utilizados corretamente. Nosso papel é garantir que o paciente tenha as ferramentas e o conhecimento para isso. Seja um educador em saúde e ajude os seus pacientes a obterem o máximo de benefício com o tratamento que utilizam.
Até a próxima.