Olá, meus caros! Estamos aqui, então, no nosso início de ano, no nosso primeiro encontro. Que realmente nós possamos ter um bom ano, abençoado e iluminado por Deus.
Eu gostaria, hoje, de refletir um pouco com você sobre o sentido da história. Será que, de fato, a história humana tem algum sentido? Mas antes de falarmos sobre isso, se inscreva aí no canal, deixe a sua curtida, compartilhe o vídeo depois e faça o seu comentário.
Repito: isso nos ajuda muito, tá bom? Ora, me parece que, no início do ano, é importante a gente refletir um pouco sobre isso, né? Querendo ou não, vê um monte de projetos na cabeça, mas, com tudo que está acontecendo, às vezes a gente fica meio desanimado e se questiona, né?
Será que a vida tem sentido? A história humana tem sentido ou tudo é obra do acaso, tudo é aleatório? As coisas acontecem, mas, no fundo, no fundo, a gente não sabe nem o porquê, nem para que se programar.
Tem coisa que não depende de nós, ou seja, será que a melhor coisa realmente não é simplesmente aproveitar a vida, viver o hoje, e esquecer, né? O que já foi, foi. O futuro é incerto, ninguém sabe nada; o importante é só o presente.
Falando sobre isso, eu gostaria de refletir um pouquinho sobre isso a partir do pensamento de Santo Agostinho. Ele que escreveu uma grande obra chamada "Cidade de Deus", né? Muitos consideram essa obra de Santo Agostinho como sua maior obra, né?
Porque ali encontramos como se fosse uma verdadeira síntese do pensamento dele. Ele, que foi, como nós sabemos, um autor cristão, um padre da igreja, né? Um dos primeiros escritores cristãos, e no contexto da Patrística Latina.
Ele nasceu em 354 e morreu em 430, e ali, em torno do ano 413 até o ano 426, ele foi produzindo essa grande obra, constituída de 22 livros, né? Como se fosse 22 capítulos. Ora, a "Cidade de Deus", de Santo Agostinho, ela é dividida em duas grandes partes, né?
Até do livro 1 ao livro 10º, nós temos o primeiro momento da obra; depois, do livro 11 até o 22, nós teríamos, então, o segundo momento da obra. Muitos entendem ou muitos até perguntam, né? Mas a "Cidade de Deus", de Santo Agostinho, foi escrita para quê?
Ora, naquele contexto, ali, nós precisamos lembrar que, no ano 410, houve o saque de Roma, né, pelos visigodos, etc. E isso, evidentemente, causou ali uma reação, uma comoção social, porque muitos entendiam, né, a Roma, cidade eterna, etc. E esse acontecimento, evidentemente, foi levando a uma crise cada vez maior do Império Romano até a sua queda.
Depois, o Império Romano no Ocidente, no Oriente, continuou e caiu só depois. Mas muitos entendiam que, ali, essa crise de Roma, né, e depois a queda, enfim, era como se fosse o fim do Ocidente, o fim da civilização. E muitos até entendiam que era, sei lá, o início do fim do mundo.
Isso, com certeza, colaborou, ou seja, esse acontecimento, essa crise, para que Agostinho escrevesse a "Cidade de Deus". Porém, me parece que ele não produziu essa obra apenas por causa disso, porque no entendimento de Santo Agostinho, se isso aconteceu em 410, esse saque de Roma e os problemas que vieram, ele só começou a produzir a "Cidade de Deus" em 413, ou seja, alguns anos depois. Então, ele não escreveu essa obra só por causa disso, por mais que, repito, esse acontecimento influenciou.
E também porque, devido a isso, os cristãos estavam sendo acusados, né? Ou seja, a ideia de que Roma está em crise, Roma está caindo, Roma está com um monte de problemas porque os cristãos se recusam a adorar os deuses romanos, a prestar um culto aos deuses romanos. Então, na primeira parte da "Cidade de Deus", Santo Agostinho, em primeiro lugar, começa na "Cidade de Deus" falando justamente sobre os malefícios, né, os problemas, dor, sofrimento, os males que atingem a humanidade e os povos, e também a questão da felicidade, né?
E o que ele vai procurar mostrar, no entendimento dele, é que essa acusação é falsa, ou seja, Roma está em crise por outros motivos. Roma não está em crise porque os cristãos adoram a Cristo e não adoram os deuses romanos. Então, ele coloca que os deuses romanos não são responsáveis nem pela glória de Roma, nem pelo sucesso, pela prosperidade que Roma teve, e muito menos eles também têm condições ou algum tipo de poder e força para socorrer os romanos no contexto de crise que estavam vivendo ali.
Então, na realidade, Agostinho, enfim, vai fazer uma crítica fortíssima ao politeísmo, vai dizer que, no fundo, no fundo, esses deuses não têm nada de divino. São espíritos malignos, demônios, etc. Então, ele usa toda uma terminologia, né, da época dele, e ele mostra, portanto, né, ele argumenta que, no fundo, no fundo, só existe um Deus.
Então, ele vai fazer toda uma defesa da questão do monoteísmo, a crítica ao politeísmo e vai procurar mostrar que nada escapa desse Deus da providência de Deus. Os males não vêm de Deus; Deus não é causa direta dos males. Os males que ocorrem no mundo, a própria problema do mal, é porque o ser humano fez o mau uso de um bem que Deus lhe deu, que foi o livre-arbítrio da sua vontade, né?
Sua vontade, por livre-arbítrio, o ser humano usou o mal, isso abusou. E aí está a origem do mal, né, que entrou no mundo, etc. , segundo Santo Agostinho.
Então, não é uma substância, não é uma natureza, mas é a corrupção de um bem, né, que seria ali a vontade, o livre-arbítrio, corrupção parcial desse bem. E ele mostra que, portanto, os males não vêm de Deus; Deus não é causa direta disso. O mal vem por um processo de.
. . Deficiência não é apenas a perda de algo, porém é lógico que, para tudo isso acontecer, se nada escapa à providência de Deus, ao olhar de Deus, é porque Deus, de uma certa forma, autoriza e permite tudo isso.
Então, Ele mostra que, na realidade, todo sucesso e prosperidade de Roma são muito mais por causa de Deus, ou seja, Deus, na Sua infinita providência, permitiu isso e, de uma certa forma, foi ali fazendo determinadas coisas para que colaborassem com isso, e não tanto os deuses romanos; eles nem causaram isso, nem têm condições de socorrer. Além disso, em primeiro lugar, Ele coloca que, se Roma está em crise, é porque, no fundo, ela foi abandonando muitas virtudes e toda uma vida de virtudes por um monte de vícios que foi adentrando essa realidade romana. Então, para Agostinho, a causa da crise está no abandono dos bons costumes e na proliferação dos vícios e, no fundo, porque também a providência divina, de uma certa forma, é quem conduz todo esse processo, evidentemente sem anular o livre-arbítrio humano do ponto de vista agostiniano.
A partir disso, Agostinho chama a atenção, mostrando a especificidade do cristianismo, como Cristo, o único mediador que veio ao mundo para nos salvar, realizou Seu sacrifício de salvação, e isso chega até nós por intermédio da Sua Igreja. Então, Ele chama a atenção para esses pontos, mostrando como, infelizmente, os filósofos de tradição platônica não tiveram a devida humildade para reconhecer a necessidade da mediação entre o humano e o divino, o temporal e o eterno, achando que só o ser humano, com suas forças, seria capaz de fazer isso. Na primeira parte da "Cidade de Deus", encontramos, com certeza, muitos aspectos apologéticos de defesa do cristianismo, mas na segunda parte, a partir do Capítulo 11, Ele foca sua reflexão sobre a questão da Cidade de Deus e a Cidade dos Homens.
Assim, Ele procura explicitar como se originaram essas duas cidades, como elas surgiram, como elas se desenvolveram e qual vai ser o fim de cada uma. Para Santo Agostinho, vemos a importância do amor; Ele diz que dois amores geraram duas cidades: o amor a si, tão exagerado e desordenado que levou ao desprezo de Deus, dando origem à Cidade dos Homens; e um amor a Deus, tão intenso e verdadeiro que levou ao esquecimento de si, dando origem à Cidade de Deus. Então, veja, dependendo do amor que predomina na alma e no coração do ser humano, ele dá origem a dois modos de vida: a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens.
Em primeiro lugar, não são regiões geográficas, não são locais ou estruturas físicas, mas estados místicos e interiores. Fazer parte da Cidade de Deus é ter um amor ordenado na sua alma; é, de fato, ter sido chamado e escolhido por Deus para realmente receber e vivenciar essa graça. Assim, a Cidade de Deus é um dom, não é uma conquista meramente de esforço humano; é Deus que nos ama por primeiro, é Ele que nos dá a Sua graça, é Ele que oferta isso.
Depois, em um outro momento, segundo Santo Agostinho, o ser humano corresponde a isso. Mas a iniciativa, em primeiro lugar, é de Deus; a graça é gratuita. Por outro lado, a Cidade dos Homens vai ser movida por outro amor; ou seja, é a pessoa que só pensa em si, é a pessoa que está preocupada com essa vida, com as coisas temporais, e não quer saber de nada que seja eterno.
Então, Ele coloca que esses dois amores geram dois estilos de vida: uma vida na carne e uma vida no espírito. A vida na carne quer dizer a pessoa que não procura adequar a sua vontade à vontade de Deus, que não quer saber de nada que é eterno, só quer saber do aqui e do agora e dos prazeres da vida. Enquanto que a vida no espírito é aquela pessoa que tem a preocupação de adequar a sua vontade à vontade do seu Criador.
Segundo Agostinho, isso posto, ou seja, dois estilos de vida estabelecidos por dois amores, um ordenado e outro desordenado, e portanto essa Cidade de Deus não é a mesma coisa que a Igreja, da mesma forma que a Cidade dos Homens não é o Estado. Então, a Cidade dos Homens nunca pode ser identificada com o Estado, segundo Santo Agostinho, porque o Estado vai depender de quem governa. Eu posso ter um Estado governado por pessoas virtuosas que vão procurar fazer leis e organizar a sociedade de uma maneira que ajude as pessoas a se aproximarem de Deus, mas eu posso ter um Estado também liderado por governantes corrompidos, cheios de vícios, que vão fazer um monte de coisas erradas que só vão fazer com que as pessoas reproduzam o mal cada vez mais em suas vidas, os vícios e os pecados.
Assim, para Agostinho, um Estado sozinho nunca vai resolver os problemas do ser humano, porque somente Quem criou o homem pode consertar o homem, segundo ele. Ora, o Estado pode ajudar a Cidade de Deus ou pode ser o instrumento da Cidade dos Homens, da cidade do diabo. Essa é a visão de Santo Agostinho.
Enquanto a Cidade de Deus não é exatamente a Igreja de Cristo, também não pode ser desvinculada da Igreja. No entendimento dele, ele sempre fala da Cidade de Deus vinculada com a Igreja; a Igreja é o maior instrumento da Cidade de Deus, segundo Agostinho. Mas a Cidade de Deus é algo mais amplo que a Igreja, porque uma pessoa poderá fazer parte da Cidade de Deus e não fazer parte ainda da Igreja, e há pessoas que estão na Igreja que não necessariamente fazem parte da Cidade de Deus.
Essa é a visão de Santo Agostinho. Mas ele não desvincula, né? Ele sempre aproxima a igreja e a Cidade de Deus, mesmo reconhecendo que a Cidade de Deus é uma coisa mais ampla do que a própria questão da igreja.
Ora, essa visão, por que que eu estou expondo aqui e o que que isso tem a ver? É refletir sobre isso no início do ano e sobre o sentido da história. Porque, nesse modo como Santo Agostinho escreve tudo isso e elabora essas questões, ele acaba desenvolvendo – e muita gente também diz isso – um certo tipo de filosofia e teologia da história, mostrando que, de fato, nós não temos como descobrir o sentido da história baseado só no tempo, porque a gente não tem como ver o todo.
A gente vê o passado, que já foi; vivemos o presente no sentido desse instante, mas o futuro não tem como nos abarcar em muitos aspectos. Deus não. .
. Deus vê tudo. Portanto, é óbvio que Agostinho quer mostrar que existe o tempo da criação, né?
Aquele instante inicial onde Deus fez tudo, criando até o próprio tempo, criou todas as coisas junto com o próprio tempo. E ali, o ser humano, nesse início, tinha uma certa estabilidade. Não no sentido de ser eterno, mas tinha uma certa estrutura estável.
Porém, eu não tenho só o tempo da criação; eu tenho o tempo da queda, que é o tempo do pecado, e o tempo da redenção. O tempo da queda é o momento em que o ser humano virou as costas para Deus; é o ser humano dizendo "não" para Deus, movido pelo seu orgulho. É o tempo da queda, é o tempo do pecado, é o tempo, né, de entrar num caminho de condenação.
Mas, por amor e bondade de Deus, o Verbo se fez carne e habitou entre nós. O eterno entrou no tempo. E aí, o tempo, que era só apenas um homo de queda e pecado, se torna também um tempo de redenção, ou seja, de possibilidade de salvação e retorno para Deus.
Nesse contexto, portanto, é que vai se estabelecer o tempo histórico. Então, eu tenho o tempo da criação e eu tenho o tempo histórico. E o tempo histórico é constituído neste jogo constante do tempo da queda e do tempo da redenção.
Ou seja, a história da humanidade é uma dialética entre pecado e graça, entre possibilidade de condenação e salvação. Santo Agostinho chama muita atenção para isso e mostra que não tem como compreender a história da humanidade se nós não levarmos em consideração a fé, é aquilo que a revelação nos diz. A razão humana sozinha não consegue abarcar esse todo, e a fé nos mostra que o sentido do tempo, o sentido da história, está na eternidade.
Ou seja, é a partir de um princípio transcendente que eu consigo compreender o desenvolvimento histórico. Portanto, a história da humanidade não é obra do acaso; a história da humanidade não é um desdobramento cego de uma força cega, aleatória, que não tem nenhum sentido. A providência de Deus vê tudo, por isso que, para Agostinho, o tempo histórico é um desenrolar, uma manifestação desse grande poeta que é Deus.
Deus é o grande poeta, é o grande músico, o grande maestro que vai conduzindo essa grande sinfonia da história. Então, ele vê tudo; nada escapa do olhar da sua divina providência. Portanto, muitas vezes a providência nos surpreende.
Às vezes, olhando humanamente, parece que nada tem sentido e o mal vai vencer. Mas Agostinho deixa isso bem claro, né? Se levarmos em consideração a fé, o que Deus revelou em Cristo e a partir desse princípio transcendente e eterno, nós vamos ver que a história está caminhando.
Então, o tempo não é um tempo cíclico, como os antigos achavam, né? Agostinho critica isso. A ideia de Eterno Retorno: o tempo não é um tempo cíclico, quando as coisas vão e voltam.
Ele tem essa concepção desumana. Ou seja, a pessoa vivenciou tudo isso, depois tem que voltar e passar por tudo isso de novo. Mas o tempo é linear; teve a criação, tem a queda, tem o momento da redenção, e hoje vivemos esse tempo histórico.
A ambivalência do tempo: por um lado, tem o pecado, o mal; mas, também, tem a graça e a possibilidade da redenção em Cristo. Portanto, tanto a Cidade de Deus quanto a Cidade dos Homens, nessa vida e nesse mundo, estão misturadas, mas lá no fim tudo será separado. Por isso que lá no fim do livro ele fala do Juízo Final, mostrando que, no fim de tudo, a Cidade de Deus está caminhando para o seu fim, que é a glória de Deus, que é a visão beatífica, que é contemplar a Deus face a face.
Mas a Cidade dos Homens também está caminhando para o seu fim, que é a ruína eterna, é a condenação eterna, né, junto com todos os anjos decaídos. Então, no fundo, Santo Agostinho mostra como é importante, de fato, se abrir à graça de Deus, porque, se nós somos condenados, é porque tomamos a iniciativa, nos permitimos a isso, persistimos, né? E se fechamos a graça, ou seja, o caminho da condenação é uma iniciativa do próprio ser humano.
E chega o momento em que Deus realmente não faz mais nada, segundo Agostinho. Enquanto que o caminho da salvação é uma iniciativa de Deus. Ele nos chama, Ele realmente nos dá sua graça, e ao mesmo tempo, depois, a gente vai cooperando com o nosso pouco ali, mas vamos correspondendo a essa graça, segundo Agostinho.
Esse é o caminho da salvação. Portanto, a história tem sentido. O problema é, lógico, que, nessa história, muitas vezes a dor, o sofrimento, a angústia, o vazio vão tomar conta.
Mas, segundo Santo Agostinho, existe um grande maestro, um grande regente, um grande poeta que conduz esse tempo histórico, e que Ele viu o todo. Nós, muitas vezes, nos angustiamos porque só vemos a parte, mas aí entra a importância, que para ver. .
. Sentido e ter esperança; precisamos ter fé nesse Deus providente, que é o princípio e o fim de todas as coisas. Muito obrigado pela sua atenção.
Que você possa ler "A Cidade de Deus", de Santo Agostinho. Com certeza, ele vai—o texto vai ter muito mais elementos do que eu disse aqui. Tá bom?
Um forte abraço, bom início de ano e até os nossos próximos encontros!