O Ciência suja tem o selo da Rádio guarda-chuva jornalismo para quem gosta de ouvir trazendo pouco até pro pessoal Professor você sabe que uns tempos atrás eu caí sozinho e caí com o braço todo torto tive que fazer uma cirurgia de pulso aqui assim caiu sozinho não quase foi atropelado vai isso é quase foi atropelado pulei para trás e caí todo torto aqui ah fiz a cirurgia tudo Certinho no fim na alta a prescrição foi codeína esse seu estudo por exemplo se uma pessoa fosse levar a ferre a fogo seu estudo ele estaria sugerindo que
talvez não seja o caminho tomac codeína Talvez um outro analgésico desse conta do recado é isso Sim provavelmente você ah o que o nosso estudo sugere é que em comparação a tomar analgésicos mais simples se você tomasse por exemplo um paracetamol ou um ibuprofen ou qualquer tipo de Antiinflamatório você você conseguiria resultados semelhantes em relação ao controle da dor em comparação a toma codeína e você estaria um sobre um risco bem menor de ah desenvolver os efeitos adversos que eu comentei é às vezes jornalista não resiste e fala da própria vida com as fontes mas
em minha defesa esse meu caso tem a ver com a história que a gente vai contar aqui para quem não sabe a codeína esse remédio que foi prescrito depois da minha cirurgia é um Opioide os opio ides são analgésicos derivados do ópio e a morfina é o opioide mais famoso e Ok a codeína é um opioide de baixa potência entre aspas mais fraco que a morfina mas ainda assim é um opioide e pode causar vômito enjoo e dependência a fonte com quem eu tava falando aí é o Júlio Fiori Júnior ele se formou em fisioterapia
no interior de São Paulo e tem toda uma linha de estudos com pacientes em recuperação pós-operatória ele se especializou na Escola Paulista de Medicina da Unifesp e depois foi para fora do Brasil o Júlio já teve na Austrália mas agora faz seus estudos na universidade mill no Canadá ele tá há tanto tempo fora que diz que começou a esquecer uma ou outra palavrinha do português explicar meu trabalho em português tem sido muito difícil eu tô com problema agora contrário do que eu tinha quando eu mudei do Brasil mas não deu nada não o Júlio explicou
muito bem esse estudo Dele que saiu em junho desse ano no delenit em resumo ele e os seus colegas fizeram uma revisão sistemática de pesquisas randomizadas sobre o uso de opioides na aut hospitalar depois de cirurgias de pequeno e de médio porte como a minha é uma prática meio comum na medicina de hoje você dá um opioide para aliviar a dor nos primeiros dias de alta e tem esse pequeno adendo a revisão Se concentra na alta mesmo e não quando o pessoal ainda tá no hospital mas vamos Lá foram encontrados 47 experimentos randomizados e controlados
o Júlio consolidou os dados de todos eles E aí descobriu que os opioides não são mais eficazes do que outros analgésicos em reduzir a dor depois da Alta só que eles provocam mais efeitos colaterais então a princípio o paciente que passa por uma cirurgia de pequeno ou médio porte não deveria sair do hospital com uma receita de opioide salvo algumas exceções a prescrição de opioides para tratar dor Pósoperatório é algo que tá bem raizado na cultura médica Ah norte-americana aqui no Canadá e nos Estados Unidos então quando o impacto da cirurgia sobre a crise dos
opioides começou a chamar atenção na literatura científica os integrantes do nosso grupo principalmente os integrantes internacionais ficaram bastante intrigados e eu como pesquisador a principal pergunta que veio na minha cabeça é se existe realmente alguma Evidência científica mostrando que a prescrição de opioides beneficia os pacientes cirúrgicos em comparação com outros analgésicos analgésicos mais simples como paracetamol antiinflamatórios etc e aí que tá uma cultura médica de prescrever um remédio com potencial de dependência depois de pequenas cirurgias foi criada em cima de vapor Porque como o Júlio mostrou nunca teve evidência de alta qualidade de que essa
prática reduz mais a dor do que Intervenções menos intensas e não é só nesse contexto que a ciência dos opioides não bate com seu uso na prática Esses medicamentos foram usados muito mas muito além da conta nos Estados Unidos no Canadá e em alguns outros países foi esse uso indiscriminado que causou a tal crise dos opioides que o Júlio mencionou na América do Norte desde 1999 quando esse problema de saúde pública começou a ganhar força mais de 600.000 mortes foram causadas por Overdose de opioides nos Estados Unidos um número que continua subindo em ritmo acelerado
Só que essa epidemia Não surgiu do nada ela foi causada farmácias Profissionais de Saúde corruptos agência reguladora de medicamentos farmacêuticas todos TM culpa no cartório Mas tem uma turma que merece destaque é a família sackler e a farmacêutica deles a purd Pharma em 95 eles lançaram remédio ox que continha oxicodona um opioide mais Forte que a morfina E se fosse só isso tudo bem porque há casos em que é mesmo necessário usar remédios potentes assim para conter a dor só que a purd alegou que a fama dos opioides de causar dependência era injusta na verdade
segundo eles esse risco era baixíssimo menor do que 0,03% e que por isso o oxy Counting e outros opioides poderiam ser usados numa boa como primeira linha de tratamento para vários casos de dor inclusive as Crônicas e não só aquelas mais intensas e agudas como as dores de uma cirurgia pesada ou as de um câncer tá com dor nas costas ou de cabeça que não vai embora oxic conte nelas os representantes de vendas da purd diziam insistentemente pros médicos que esse era o analgésico para se iniciar e para permanecer com só que era mentira o
centro de controle e prevenção dos Estados Unidos o CDC mostrou que até 1 quarto das pessoas que tomam opioide de maneira prolongada Viram dependentes e investigações revelaram que os seers e os dirigentes da purd já sabiam do alto potencial de dependência do oxycontin pouco tempo depois do lançamento mas Eles resolveram ficar quietos para continuar lucrando com a dependência dos outros o que beneficiou até o tráfico de drogas só o oxic conting gerou 35 Bilhões de Dólares em receitas para purd E olha que tinham outras farmas como a Endo a teva e a Johnson e Johnson
correndo atrás desse Mercado e vendendo seus próprios opioides por outro lado o CDC calculou custo anual de 80 Bilhões de Dólares com a crise entre tratamento para dependência mortes perda de mão de obra estados americanos que processaram a purdo estimaram um prejuízo de 2 trilhões de dólares e apesar da empresa ter pedido falência em 2019 seus donos os sacklers continuam sendo uma família bilionária com contas offshore mansões e tudo mais tem um documentário excelente Que seate biou sobre o assunto com um título que dá o tom da gravidade que ele merece é o crime do
século neste Episódio a gente vai trazer a ciência suja que promoveu a crise dos opioides E o que mais inflou esse problema gigante de saúde pública na América do Norte e também vamos mostrar como essa epidemia pode invadir outros países inclusive o Brasil um relatório de fevereiro de 2022 da comissão para crise dos opioides do lanet cita o nosso País entre os que estão na mira do braço internacional do seers a mund Pharma essa farmacêutica inclusive já comercializa o oxy aqui o mesmo documento aponta um crescimento na prescrição de opioides da ordem de 465 de
2009 para 2015 no nosso país do último ano para cá a gente sim tem recebido mais casos de pessoas com dependência de opio claramente a gente tem recebido Pode ser que antes o Brasil estivesse tratando pouco a dor pode e a Gente também não quer menosprezar a dor de ninguém não sofrer com dores intensas é bem complicado e os opioides às vezes TM um papel nesse cenário a gente deve valorizar o uso adequado que segue as melhores evidências e lida com os riscos de forma transparente O problema é que várias das justificativas Meia Boca usadas
para bombar os opioides nos Estados Unidos estão chegando aqui no nosso quintal meu nome é tel Prest e eu sou thí Manarini Esse é o quarto Episódio da segunda temporada do ci o podcast que mostra que em crimes contra a ciência as vítimas Somos Todos [Música] nós e vamos começar com um momento de recu na [Música] história substâncias Originalmente derivadas do ópio que é um subproduto da papoula 3400 Anos Antes de Cristo os sumérios que viviam na Mesopotâmia extraíam uma espécie de leite Dessa flor Para fins medicinais Aliás a papola era chamada de planta da
Alegria por lá na Grécia antiga o Hipócrates o pai da Medicina recomendava tomar uma mistura com esse néctar por diferentes problemas então desde muito tempo o pessoal já sabia que subprodutos dessa planta aliviavam a dor Mas vamos ser sincero aqui né o pessoal gostava também de se divertir com os efeitos do ópio não era só paraa saúde não no século XIX 12 milhões de chineses ficaram viciados Depois que a Inglaterra inundou esse país com ópio contrabandeado e produzido na Índia isso culminou nas chamadas guerras do ópio e terminou com uma China derrotada em 1860 tendo
que engolir a legalização da essa droga e a perda de Hong Kong um pouco antes no comecinho do século XIX O químico friedr Turner da Prússia tinha isolado o princípio ativo do ópio ele chamou essa substância de Morfina uma alusão ao deus grego morfeu o deus do sono a morfina meio que imita substâncias naturalmente produzidas pelo organismo como a endorfina e tem quem chame a endorfina de o nosso analgésico natural embora a morfina seja muito mais potente que ela como que funciona se se você tiver por exemplo um corte cirúrgico e essa cirurgia ela provoca
lesão tecidual então tem ali na naquela ferida vai gerar uma série de de substâncias que vão ativar o seu sistema Nervoso e para o córtex cerebral você vai perceber aquele estímulo aquela inflamação que está tendo naquele local da da cirurgia como dor a Angela Souza que você ouviu Aí é médica anestesiologista e coordena uma equipe que lida com as dores de pacientes com câncer no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo isesp ela vai voltar mais para frente no episódio mas a gente só queria que ela explicasse aqui como os remédios à base de
opioides funcionam Essas substâncias elas atuam nesses receptores modificam o funcionamento do do sistema nervoso e diminui a chegada de estímulo eh doloroso no cérebro né e tem um caso clássico da história dos Estados Unidos que deixa Claro o potencial dos opioides pro bem e pro mal eu te essa passagem do livro reportagem Empire of Pain é Império da dor em português do jornalista Patrick redden kiff nele o Patrick conta a história da crise dos opioides e principalmente da Família S da purd a farmacêutica que desenvolveu o oxy cing e que a gente falou lá atrás
muitas informações aqui desse nosso Episódio estão baseadas nessa investigação que durou anos e que tem um texto gostoso para burro de ler Aliás quando eu vi a capa do Empire of Pain eu fiquei com uma sensação que conhecia o nome do autor aí veio o estalo o Patrick reden kff do Empire é o mesmo Patrick do podcast Wind of Change que investiga uma história maluca De que a música mais conhecida da banda de rock Scorpions teria sido encomendada pela CIA na guerra cultural contra a União [Música] Soviética é um podcast Espetacular Mas voltando aqui ao
nosso ciência suja a história que eu queria contar é a da guerra da secessão ou a guerra civil americana de 1865 durante ela a morfina foi muito usada por soldados machucados de ambos Os lados da Batalha porque ela realmente alivia dor só que isso produziu uma geração de veteranos vidrados em morfina tanto no norte como no sul do país o livro Empire of Pain diz o seguinte em 1898 250.000 americanos eram dependentes por uma década depois o presidente Theodor Roosevelt apontou o Dr Hamilton wri como comissário do ópio para conter o flagelo do abuso nessa
mesma época a Bayer refinou a morfina e começou a vender o Que chamou de um remédio heróico daí o nome de heroína a farmacêutica alegava que esse medicamento teria todas as vantagens dos opioides mas sem a dependência aliás tinha gente defendendo o uso de heroína até contra dependência por morfina só que o tempo passou e ficou claro que a heroína era mais potente e igualmente viciante em 1913 a Bayer parou de produzir heroína em 1924 ela foi proibida nos Estados Unidos e só aí passou a ser vista como droga ou seja Já na virada do
século X tinha farmacêutica querendo criar narrativa de um opioide que não viciava ou que mal viciava [Música] então a perd a farmacêutica da família Seckler basicamente reciclou essa estratégia de marketing com os seus próprios opioides umas décadas paraa frente e de marketing médico os Ceres manjava o Arthur Seckler da primeira geração da família a ficar rica era meio Que um gênio inescrupuloso da propaganda médica era um gênio do mal vai em 1998 O Rol da Fama da publicidade médica e sim isso existe nos Estados Unidos apontou o seguinte nenhum indivíduo fez tanto para moldar a
publicidade médica como multitalentoso Dr Arthur Seckler o Arthur não tem nada a ver com oxon em si o principal responsável pelo lançamento desse medicamento foi o sobrinho dele o Richard mas o Arthur abriu um caminho pra estratégia de promoção usada pros Opioides modernos a partir de campanhas de Outras Drogas seu trabalho mais famoso foi com o Valium um calmante lançado em 1963 sem muita restrição de indicação o Valium gerou um Hype gigante ele foi o primeiro remédio a alcançar 1 bilhão de D dólares em vendas enquanto outros calmantes eram vendidos para pessoas com transtornos psiquiátricos
mais severos a roch sugeria que o Valium ajudava com os picos de ansiedade do dia a dia a Mensagem passada era de que o Valium não tinha efeitos colaterais severos e não viciava e o Arthur encheu as ruas de representantes de vendas que batiam na porta dos consultórios médicos para dizer isso e apontar a entre aspas literatura científica para ele isso não era publicidade era educação médica e o lance é que no mercado dos Remédios muitas vezes o anunciante não Mira o usuário final ou só o usuário final ele olha pro prescritor o cara que
manda o Paciente comprar seu produto essa foi uma das grandes Sacadas do Arthur só que assim como no caso da heroína da Bayer o Valium não tinha nenhum estudo Clínico apontando que não causava dependência até porque ele causava e isso foi visto em pesquisas posteriores mas a ros resistiu no seu discurso até quase o fim da validade da patente e só em 1973 ela concordou a entre aspas voluntariamente submeter seu remédio a um processo controlado de [Música] prescrição e agora sim a gente chega no oxy conting que foi lançado no finalzinho de 95 como a
gente disse no começo Oxi vem de oxicodona aquele opioide mais potente que a morfina e conting remete a contínuo é que o comprimido vinha com uma espécie de revestimento que liberaria substância aos poucos e isso supostamente evitaria crises de abstinência e dependência a oxicodona em si foi desenvolvida em 1916 pelos alemães durante a Primeira Guerra Mundial a novidade era essa liberação fracionada a purd não fez nenhum estudo mais detalhado para de fato avaliar o potencial de dependência do oxon ao invés disso ela investiu tempo e dinheiro em negociatas com membros da fda a agência que
regula medicamentos nos Estados Unidos nove meses antes da aprovação final do oxy cing executivos da purd já sabiam que o medicamento seria liberado segundo Trocas de e-mails o principal responsável da fda por essa avaliação e aprovação era um homem chamado Curtis Wright e o negócio chegou absurdo de ele receber por semanas uma equipe da purd para ajudar a fazer a revisão das evidências de eficácia e segurança os caras alugaram um quarto de hotel do lado do escritório do wri para agilizar o serviço E aí só com base no racional de um mecanismo de em um
estudo antigo cheio de limitações que a gente vai Explicar mais paraa frente a purd conseguiu emplacar na bula a seguinte frase acredita-se que o sistema de entrega da droga reduz a capacidade de abuso da droga acredita-se a linguagem é uma maravilha né quem será que acredita nisso eu não sei só sei que cerca de um ano depois o w foi trabalhar dentro da própria purd com um salário de mais ou menos 00.000 por ano é isso que o pessoal chama de porta giratória o sujeito jeito sai da instituição que Limita regulamenta ou fiscaliza as ações
da empresa e aí vai trabalhar na própria empresa Trazendo com ele um monte de informações valiosas e até confidenciais bom aí o Richard sackler seguiu a cartilha do tio Arthur e contratou um monte de representantes de vendas que saíram repetindo pros médicos o seguinte discurso o oxy Counting não precisa ser usado só em último caso e sim em qualquer caso de dor moderada ou intensa porque afinal de contas ele é super Eficaz e não vicia ele era o remédio para iniciar e manter o seu tratamento Lembra no primeiro ano foram 44 Milhões de Dólares em
vendas no segundo isso dobrou e no terceiro dobrou de novo em 4 anos o oxic Counting bateu 1 bilhão de Dólares em receitas e superou viagra a droga sensação dos anos 90 no quinto ano o time de vendas da purdo duplicou de tamanho o mercado de opioid estava voando e fazendo um monte de gente ganhar dinheiro eram distribuidoras de Medicamentos clínicas de dor redes de farmácia outras farmacêuticas com seus próprios opioides só que aí os problemas começaram a pipocar quer dizer eles ficaram mais difíceis de negar porque a verdade é que desde 97 os representantes
de vendas já traziam relatórios com casos de abuso e os sers esconderam esses documentos e foi isso aí que deu origem a uma epidemia de dependência e mortes por overdose para alguns especialistas Essa é a mais grave crise De drogas enfrentada da história dos Estados estos Unidos aquele relatório do lanet fala em três ondas da crise a primeira veio nos anos 90 com oxy Counting e a campanha de marketing Pesada da purel a segunda veio em meados dos anos 2000 quando o número de dependentes de opioides cresceu ao ponto de turbinar o tráfico de heroína
uma droga mais barata e a terceira veio com opioides sintéticos altamente potentes como fentanil que é produzido por Farmacêuticas mas também por traficantes e é ainda mais barato que heroína essas ondas foram se somando e gerando um saldo assustador como a gente disse mais de 600.000 mortes foram provocadas nos Estados Unidos por causa de opioides lícitos ou não e a pandemia piorou o cenário como mostrou Júlio Fiori desde 2 2020 2021 os números do Canadá acabaram de ser de ser reportados cerca de 7.000 pessoas morreram no Canadá em média por Ano e nos Estados Unidos
os números subiram para 70.000 ah mortes por ano três fatores que são apontados como causas desse aumento de mortalidade por opioide durante a covid um é que o isolamento social e a covid em si causam estess e fazem os usuários de drogas consumirem mais drogas outro é que a restrição de viagens e o maior controle de fronteiras Mexeram com o mercado ilegal o fentanil ganhou espaço e alavancou as overdoses Às vezes o cara Até Ach achava que estava consumindo heroína mas a droga estava batizada com fentanil também com a covid-19 isolamento social teve uma diminuição
no acesso a serviços de usuário de drogas como centros para uso supervisionado até acesso a uso de terapia com metadona e etc segundo uma reportagem da vice A cada 15 minutos um bebê nasce nos Estados Unidos com dependência por opioide entre 2006 e 2014 100 bilhões de comprimidos de opioides foram Distribuídos por lá de acordo com Washington Post de 2015 a 2017 as convulsões causadas por fentanil triplicaram por ter catalisado essa cadeia de eventos e principalmente por ter maquiado e escondido informações a purdo foi processada por diferentes estados e indivíduos em diferentes ocasiões quando dava
ela pressionava o judiciário a arquivar o caso quando não dava fazer acordos com outro lado para silenciar o assunto e enquanto isso os Sers foram drenando o dinheiro da purd e colocando nas próprias contas bancárias em 2019 a purd entrou com pedido de falência e declarou só ter 1 bilhão de dólares em dinheiro ou ativos PR os credores isso é estranho para uma empresa que vendeu equivalente a 35 Bilhões de Dólares só com uma droga e que era de uma família com uma fortuna de 14 bilhões de dólares segundo a lista forbs de 2015 de
acordo com Empire of Pain o procurador-geral do estado da Carolina do Norte disse isso aqui o sacklers está traíram quase todo o dinheiro da Puddle e empurraram a carcaça da companhia para falência multimilionários são o oposto de falidos a história dos Saes e da crise dos opioids é cheia de complexidades Idas e Vindas e ainda tem o absurdo que nenhum dos membros dessa família foi condenado criminalmente a gente até queria entrar mais a fundo mas a verdade é que já existem reportagens livros filmes e até Séries espetaculares que detalham o caso de novo a gente
recomenda o Empire of Pain e o documentário o crime do século que é dividido em dois Episódios tem também a série dramatizada dopsick com o Michael kit andando um show mas só para fechar esse capítulo com mais umas picaretagens rápidas eu vou chamar thí de novo para me ajudar aqui com uma das nossas listinhas do ciência suja Bora lá Taís Bora número um segundo a perd o oxy conting não era viciante por causa Daquela liberação contínua ou lenta da oxicodona que a gente comentou antes a purdo dizia que o paciente ia recebendo a dose aos
poucos durante 12 horas o que evitava abusos mas até esse tempo de efeito era mentira gráficos foram manipulados para vender essa suposta ação da droga pros médicos quando começaram a chegar Os relatos de que os efeitos do remédio não duravam esse tempo todo a solução da purd Foi simples prescrever uma dose mais alta número Dois para provar que doses altas não eram um problema nos anos 90 purg conduziu um estudo de caso com um ex-dependente de heroína um cara que tinha alta tolerância a opioides ele chegou a receber 50 pílulas de 160 mg por dia
o equivalente a 200 doses de heroína e ainda assim ele sobreviveu só que esse caso para lá de específico foi usado por vendedores da purd para argumentar que o oxy Counting era seguro mesmo se tomado em doses altíssimas é Mole número três em 2007 a purd foi processada e parte da diretoria admitiu sua culpa pela venda irresponsável do oxy a aí ela fez um acordo com o departamento de justiça dos Estados Unidos para pagar uma multa de 600 milhões de dólares parece alto mas é um valor relativamente baixo já que a purg tinha lucrado 9
Bilhões de Dólares só com a venda desse remédio até 2006 enfim tem muito mais absurdo mas a gente aqui do ciência suja resolveu seguir outro Caminho até para não repetir as mesmas coisas do que já tem publicado por aí então agora nós vamos tentar responder duas perguntas a epidemia americana dos opioides pode se tornar uma pandemia e atingir países como o Brasil e os fatores que impulsionaram esse problema de saúde pública por lá estão sendo exportados depois do intervalo a gente fala [Música] disso Oi gente Essa paradinha aqui é Para lembrar que a segunda temporada
do ciênci suja só se tornou possível por causa do Instituto serrapilheira que apoia projetos de pesquisa e divulgação Científica dá uma olhada no site deles para ver o tanto de coisa bacana e o Ciência suja faz parte também da Rádio guarda-chuva uma rede com um podcast jornalístico melhor que o outro entre eles tem o pauta pública o podcast da agência pública sexta sim sexta não eles trazem jornalistas de diferentes Redações e mais entrevistados para abordar perspectivas que nos ajudam a entender esses tempo tão complexos o pessoal de lá gravou um recadinho para vocês Oi ouvintes
do ciência suja aqui é a Clarissa Levi eu sou apresentadora do podcast pauta pública junto com Andreia DIP tô aqui para convidar vocês para ouvirem o pauta pública que é um podcast semanal em que a gente faz entrevistas com pessoas que nos ajudam a explicar o Brasil nosso último episódio por exemplo 42 a gente conversou com um pesquisador que explica como e por tantas armas foram liberadas pra população civil durante o governo bolsonaro a cada sexta-feira de manhã bem cedinho sai um novo episódio com entrevistas exclusivas espero vocês lá no feed do pauta pública um
abraço [Música] até Sabe aquele relatório da comissão paraa crise dos opioides do lanet que a gente já mencionou Então tem um Parágrafo dele que merece ser lido na íntegra o consumo de opioides per capita na Holanda quase dobrou Na década que terminou em 2017 internações e mortes relacionadas aos opioides triplicaram no mesmo período os últimos dados sobre prescrição de opioides das Nações Unidas mostram um aumento de consumo de 96% na Islândia nos últimos 7 anos mortes por overdose estão em Franca ascensão e agora a Islândia tem uma das mais altas taxas de morte por overdose
dos países Nórdicos entre 98 e 2016 a dosagem de ada de morfina por pessoa na Inglaterra cresceu 127 por. de 2009 a 2015 as prescrições de opioide no Brasil aumentaram 465 por. Segura que a gente já vai focar no Brasil volta pro texto clé na Austrália de 1992 a 2012 a dispensação de opioides cresceu 15 vezes no mesmo período as hospitalizações associadas ao uso de opioides mais do que dobraram e agora Superam as internações por heroína no México a prescrição de opioides aumentou em média 13% a cada bimestre entre 2015 2019 embora a taxa média
seja cerca de 150 vezes menor do que nos Estados Unidos nesse mesmo período a proporção de finlandeses recebendo prescrições de opioides saltou de 1% em 95 para 7% em 2016 e o que a gente apurou é que os próprios argumentos da purd se disseminaram para outros países e outras Farma ticas a cloé Pinheiro a nossa Produtora foi atrás do Peter got para tentar pegar esse lado da história o Peter é um médico dinamarquês que escreveu o livro medicamentos Mortais que fala dessa e de outras histórias de ciência suja envolvendo a Indústria Farmacêutica E aí ele
indicou pra gente um colega dele o também médico dinamarquês carsten jorgensen o carsten é líder do Centro de Medicina baseado em evidência de odense na Dinamarca e protagonizou um caso meio a lapio entre 2017 e 2018 ah e o carsten não fala Português então o Pedro vai fazer as vezes de carsten agora was inv Então na verdade eu me envolvi Nisso porque a televisão dinamarquesa Nacional o canal estatal da Dinamarca entrou em contato com o nosso centro de pesquisa a nossa especialidade é avaliar e sintetizar a ciência médica os repórter estavam interessados em um derivado
moderno de opioide da Farmacêutica grun nental que também atua no Brasil toda a campanha de marketing dizia que ele abre aspas raramente causava dependência só que o consumo desse remédio estava aumentando num nível preocupante e os repórteres entrevistaram várias pessoas que tentaram parar mas sofriam com Claros sinais de abstinência como tremores vômito malestar eles então pediram pra agência regulatória local os documentos que justificaram a aprovação e essa Alegação de que esse opioid dificilmente viciava depois mandaram pro carsten analisar então eu olhei os documentos enviados e vi que nenhum realmente examinava essa questão da dependência alguns
na verdade suavam um alerta alguns eram experimentos com animais em um deles macacos apertavam um botão e aí recebiam esse remédio depois de um período relativamente curto os macacos não paravam de apertar o botão e Eventualmente um dos Macacos morreu eles preferiam esses remédios do que comida ou qualquer outra coisa já os estudos em humanos não discutiam a questão da dependência aí os repórteres voltaram pra agência regulatória e perguntaram como é que vocês deixaram a grun nental alegar que esse produto raramente causava [Música] dependência e basicamente o argumento foi que a aprovação de drogas não
é Baseada no perfil de segurança se você documentar que tem o benefício você pode comercializar e fazer propaganda ou seja o argumento era que como não tem documentação de que causa end e sabemos que H benefícios você pode vender é aí pegou mal né a campanha de marketing toda voltada para essa alegação de segurança e no fim não tinha evidência disso com a repercussão do caso esse medicamento deixou de ser prescrito para todo tipo de dor crônica E foi categorizado que nem a morfina que é bem mais controlada Isso prova que jornalismo podcast e program
de TV podem ajudar a mudar as coisas melhor Valeu pela moral carsten por outro lado nem a Gru nental nem ninguém foram punidos nesse caso e isso porque essa Farma já tinha um histórico aí no final da década de 50 ela desenvolveu a talidomida contra enjoos e permitiu a venda para mulheres grávidas Poucos Anos Depois uma onda de abortos e bebês com deformidades nasceram por causa desse medicamento a Gru nental resistiu Mas acabou tendo que indenizar muitas famílias e esse caso motivou a exigência de estudos randomizados para aprovação de medicações em boa parte do [Música]
mundo e agora sim vamos falar do nosso Brasil em 2013 a farmacêutica mund Farma abriu um escritório aqui essa farmacêutica atua em dezenas de países e Tananã foi fundada pelo sacl sim a mesma família da purd e a pegada era mais ou menos a mesma o livro Empire of Pain diz o seguinte na América Latina e na Ásia centenas de milhões de pessoas estavam se juntando à classe média esses indivíduos de repente tinham maior acesso à saúde e mais dinheiro para gastar em bem-estar então mesmo Enquanto a purdo enfrentava diferentes processos nos Estados Unidos a
mund Farma se preparou para cultivar novos mercados Para analgésicos um ano depois de desembarcar aqui em 2014 A mund Farma soltou um levantamento que recebeu a atenção da grande imprensa alegando que 80 milhões de brasileiros ou cerca de 40% % da população conviviam com dores crônicas na Colômbia o número seria de 47% no México 40 milhões dos habitantes sofreriam com esse problema depois de acusar uma epidemia silenciosa de dor crônica não tratada era hora de trazer Os entre aspas educadores médicos eles aliás fizeram seu trabalho muito bem porque até hoje essa coisa de epidemia silenciosa
é repetida por muitos profissionais no Empire of Pain e em uma reportagem do Los Angeles times o nome do médico Joseph goiz Júnior é citado como um dos que vinha dos Estados Unidos pro Brasil D seminários pros colegas sobre as ferramentas para lidar adequadamente com a dor ele e outros especialistas com a mesma missão eram Pagos pela mão de Farma O Curioso é que essa turma reciclavam os argumentos já gastos nos Estados Unidos como de que menos de 1% ou 0,03% para ser exato dos usuários de remédios à base de opioides desenvolviam dependência então um
adendo aqui para entender esse número mágico que a e a mund Farma adoravam repetir pros Profissionais de Saúde o principal argumento que foi utilizado pela perd Farma para justificar O o reduzido nível de dependência com uso de opioides foi baseado NS dados que foram publicados numa carta ao editor publicada no New England Journal of medicine E era uma carta que tinha cinco linhas tá aí o Júlio Fiori de novo colocando os pingos no zis dessa história tudo bem que em uma revista científica uma carta ao editor pode trazer dados e insights interessantes mas o fato
é que esse tipo de texto não passa pela revisão criteriosa de outros Pesquisadores como um artigo científico propriamente essa carta ao editor em específico foi publicada na década de 80 no periódico New England Journal of medicine seus autores eram da Universidade de Boston e coletaram dados de 11.000 pacientes que usaram opioides em hospitais Mas além da metodologia científica desse levantamento não se o fato é que ele se concentrava em indivíduos internados que em geral fazem um uso mais rápido e com doses Calculadas de opioides em um ambiente controlado nessa turma o número de dependentes teria
sido de 0,03% só que as farmacêuticas do secl estendiam esse número para todo o usuário desses analgésicos inclusive os com dores crônicas que a princípio não tem data para parar com tratamento nesses cenários o CDC indicou que na verdade um quarto das pessoas ficavam dependentes como a gente falou no começo é uma diferença de 0,03% para quase 25% com pesquisa básica a gente consegue medir de certa forma isso né Eh desse jeito opioide tá nas mais alto nível de dependência junto com nicotina são as duas substâncias com maior potencial depend gênico a voz que você
ouviu Aí é da Renata zevedo ela é uma psiquiatra especializada em dependência química e coordena o ambulatório de substâncias psicoativas do Hospital das Clínicas da Unicamp foi a Renata que Disse na abertura do episódio que tem recebido mais casos de pessoas que abusam de opioides a gente já vai tocar no perfil desses pacientes mas antes vamos arrematar umas coisas Começando por essa história de usar o opioide para dor crônica de maneira inadvertida então por exemplo dor crônica a resposta tende a não ser muito boa a resposta para dor crônica é melhor Com remédios derivados de
gabapentina com antidepressivos que são já bem estabelecidos pra dor crônica Principalmente se for uma dor crônica tipo fibromiálgica que tem um componente de ansiedade que também responde bem a Renata afirma que dá para recorrer aos opioides por um tempinho mesmo no contexto de dor crônica só que enquanto as outras medidas como a fisioterapia não surtiram efeito por exemplo ou mesmo pros casos de pessoas com pouca expectativa de vida em que a dependência não é um grande problema se eu sou uma pessoa com câncer que só tem mais sei lá 5 se meses de vida talvez
não seja com dependência que eu vou me preocupar e sim com meu bem-estar e com o manejo da minha dor enfim há Outros tantos cenários que merecem ser analisados em profundidade mas em geral usar um remédio que gera tolerância Ou seja que cada vez você precisa aumentar mais a dose para ter o mesmo efeito e que também gera dependência não é uma boa se a prescrição não tem data para acabar e fora que Esses medicamentos causam Náuseas constipação E por aí vai agora vai dizer isso pro povo da purd e da mund Farma Teve até
um diretor da purd que cunhou o termo pseud adição em um panfleto que os representantes de vendas distribuíam para médicos dava para ler o seguinte a pseudo adição parece com a adição em si mas ela ocorre em decorrência da dor não controlada Ou seja a fissura pelo remédio na verdade seria apenas uma necessidade urgente de resolver a dor no mesmo panfleto era Sugerido que isso se resolveria dando mais opioides pro paciente hoje em dia esse conceito de pseudo adição até pode ser usado por profissionais como a Renata nos contou mas não como justificativa para tomar
mais analgésicos e sim para traçar o perfil de uma pessoa que tem mais dificuldade de largar uma droga porque de certa forma ela placa algum sintoma que ele [Música] tem segundo o Empire of Pain outra Palavra inventada por um médico pago pela purd e outras farmas é a opi fobia o termo define o medo de profissionais em prescrever remédios à base de opioides principalmente em situações de dor crônica e é provável que existam profissionais que deixem de receitar Esses medicamentos por receio mesmo quando eles são úteis de verdade mas vamos combinar que uma dose de
cautela com uma das substâncias que mais causam dependência não é de todo ruim né de Qualquer jeito o fato é que essas definições foram criadas com o objetivo de seguir empurrando opioide para casos em que certamente há opções melhores e menos danosa e esse vocabulário inventado já tá desembarcando no Brasil em 2019 o material da campanha nacional Brasil sem dor da sociedade brasileira pro estudo da dor a sbed usa o termo apof Bia no site da sbed a grun nental lá do caso da Dinamarca aparece como uma das Patrocinadoras esse tipo de apoio é comum
nesse universo gente o argumento é o de que se tiver tudo as claras e com limites bem estabelecidos beleza mas não dá para negar as relações aqui em 2018 um ano antes aconteceu o seminário viver com dor realizado pela Folha de São Paulo com o patrocínio do laboratório cristala e apoio da mund Pharma e da sbed Ali os palestrantes também apontaram o medo como uma das principais causas de Sub tratamento da dor no nosso País mas esse medo Pelo visto deve estar diminuindo como a gente já disse de 2009 a 2015 as prescrições de opioides
aumentaram 465 no Brasil e uma matéria de abril de 2022 da mesma folha traz mais dados nessa linha a pedido da reportagem a Anvisa fez um levantamento de comercializações desses remédios no primeiro semestre de 2021 o ritmo de vendas indicava um crescimento de mais de 33% nas prescrições em relação ao ano Anterior e só nos primeiros seis meses do ano passado as vendas de oxicodona e metadona já foram 2% maiores do que em 2020 isso porque em 2020 foram 20 milhões de embalagens vendidas E lembra que eu falei que eu saí do hospital com prescrição
de opioide depois de uma cirurgia no pulso sendo que aquela revisão do Júlio Fior indicava que o mais adequado era recorrer a outros analgésicos Então na verdade o médico me receitou codeína sem nem perguntar se eu Tinha histórico de dependência na família e eu tenho e eu recebi uma de codeína e eu também nem na época nem entendia muito bem e vou te falar é porque era curto não foi atrás mas assim a sensação é muito diferente e olha que codina é pouco poder pouco poderosa dizem né mas el D uma uma liberação de sei
lá que Acontece aquilo parecia que eu não tinha mais dor nenhuma sei lá que tinha acontecido ex é muda toda a percepção ágica do organismo né quando Eu terminei minha residência na França e e na época lá 92 faz um tempo h eu trabalhei num serviço que tinha bastante dependência de heroína no Brasil nem passava perto dessa questão e um paciente me falou que a sensa que ele não lembra como ela mas a a ele acha que a sensação para ele era de de útero materno que ele se sentia termicamente acolhido como se fosse um
ambiente meio fofo né do ponto de vista tátil e um Silêncio um silêncio paz não é um silêncio incômodo né então é uma descrição que é melhor passar longe mesmo porque realmente é É arriscado meu caso é anedótico eu sei e eu também sei que aumento de prescrição mesmo quando é um belo aumento não significa que a gente necessariamente vai ter uma crise como nos Estados Unidos naquele seminário da folha foram mostrados dados de 2016 que apontam que a média de consumo per capita de Remédios à base de opioides nos Estados Unidos era da ordem
de 500 mg aqui tava em 10 então a gente tá em outro patamar mesmo e muita gente refuta a possibilidade de algo parecido acontecer por aqui mas o ponto É parece que não é medo ou opi fobia que vão segurar o abuso não no Brasil ou em qualquer outro lugar pelo menos não vão segurar isso no Médio prazo aliás um estudo de 2019 da Fiocruz mostrou que 4,4 milhões de brasileiros já fizeram uso ilegal de Opiáceos sem prescrição médica tá se não é o medo o que mais poderia ajudar a evitar uma epidemia de opioides
por aqui talvez nosso perfil de uso de drogas ilícitas como o consumo de heroína é inexpressivo no país Isso daria uma curada no mercado ilegal de opioides só que tem dois pontos o primeiro é que antes da purd e de outras farmas inundarem a América do Norte com esses remédios e criarem uma legião de dependentes o mercado de heroína também Tava caidinho lá foi por volta de 2010 que o negócio Começou a Mudar de acordo com a sociedade Americana de Medicina em adição quatro a cada cinco pessoas nos Estados Unidos que usaram heroína nesse período
tinham começado com analgésicos prescritos por médicos o segundo ponto ponto é que o mercado ilegal não se resume ao que o traficante produz na crise norte-americana dos opioides um dos grandes problemas na verdade era o desvio de remédios fabricados pelas Próprias farmacêuticas haviam várias clínicas de dor que abasteciam o mercado paralelo no Empire of Pain o Patrick redden kiff conta um caso digno de filme em Los Angeles membros de uma organização criminosa recrutavam moradores de rua colocavam noos em vãs e pagavam $5 para cada um ir até a clínica Lake médical para uma avaliação médica
falsa depois eles escutavam esses pacientes de mentira para uma farmácia onde apresentavam a prescrição que o Dr Santiago havia acabado de receitar e pegava um pote de oxic conte o crime organizado então vendia esses comprimidos para traficantes de drogas o detalhe é que a purdo contratava um sistema de monitoramento refinado de vendas e prescrições de oxycontin Então ela sabia que essa tal Clínica Lake Medical tava prescrevendo quantidades de opioide muito fora do padrão em setembro de 2008 a gerente da região da purle Michel ringler visitou a clínica com um Dos representantes de vendas de Fora
o prédio parecia abandonado mas dentro eles encontraram um pequeno escritório lotado de pessoas ringler relatou depois que alguns dos indivíduos ali pareciam que tinham acabado de sair da prisão Estou certa que há um esquema de crime organizado ali a polícia não deveria ser contatada ela escreveu para um oficial de compliance da purle mas a Lake Medical não foi reportada para as autoridades aqui no Brasil no Ambulatório da Unicamp que a Renata trabalha com dependência química há basicamente dois perfis de paciente então no ambulatório que tem chegado Profissionais de Saúde que começaram a em geral a
se autoescrita [Música] de um quadro de dor que o alguém julgou que era grave o suficiente para merecer uma prescrição de opioide e em num dado momento o profissional de resolve que não passou do ponto assim então assim Também não vai ser por incapacidade do contrabando que a gente vai ficar mais protegido de uma eventual crise dos opioides [Música] Mas e a questão da publicidade diferente dos Estados Unidos o Brasil não permite que farmacêuticas divulguem remédios vendidos com prescrição pra população em geral por lá os opioides eram anunciados em propagandas de TV cheias de gente
feliz e jovem dançando em anúncios e Revistas de grande circulação e a at outdoors é só que o próprio Arthur sackler ensinou que o marketing nessa área é muito voltado pro prescritor ou seja o médico e isso também acontece aqui para entender melhor esse cenário a gente conversou com Mateus Falcão ele é um advogado especializado em saúde coletiva muito gente boa que trabalha no idec o Instituto de Defesa do Consumidor bom Eu sempre gosto de começar esse assunto falando que a Indústria Farmacêutica é uma das Indústrias que mais investem em marketing no mundo né Nós
somos aí falando de uma Indústria que tá no top três de investimento em marketing no mundo só que de forma muito interessante a gente não vê esse marketing no dia a dia a comissão pra crise dos opioides do lanet relata que em 2016 as indústrias farmacêuticas investiram 20,3 Bilhões de Dólares em marketing dos seus produtos pros médicos Segundo Mateus em muitas farmas os Gastos de Publicidade inclusive superam os com pesquisa e inovação essa dinheirama toda inclui aquelas visitas de representantes aos consultórios mas vai muito além disso E aí abrindo um pouco o debate a gente
consegue pensar em estratégias específicas do tipo levar o profissional do saúde para um Congresso então por exemplo eu convido um profissional de saúde para um Congresso às vezes até um congresso com vários Ares luxuosos por assim dizer no Transatlântico Como assim dizer a gente sabe que isso existe né Eu convido esse profissional e tenho ele aí ah por quatro dias à minha disposição pagando tudo para ele para tentar convencê-lo cada vez mais de que meu medicamento deve ser prescrito mais vezes as farmacêuticas ainda patrocinam os próprios congressos científicos ou eventos específicos desses congressos onde trazem
sua visão sobre determinada doença e o tratamento dela elas também Financiam sociedades médicas e até ações de associações de pacientes e eu não tô querendo dizer que todo congresso sociedade médica ou ONG é comprada não é isso mas a gente pode ser adulto e dizer que as farmas investem nessas linhas para influenciar o mercado a seu favor aí aquele jogo de como o apoiado e o apoiador lidam um com o outro e de como as autoridades regulam essa relação com transparência e limites Claros baseados em evidências científicas sérias na purd O pessoal alocou 9 Milhões
de Dólares só para pagar um programa de jantares aos médicos em um e-mail escrito em 96 o próprio Richard sackler escreveu que médicos que vão aos nossos programas de jantar ou aos encontros de fim de semana escreveram mais que o dobro de prescrições de oxy cing do que o grupo controle sim Eu também tirei essa história do Empire of Pain e aliás O livro conta que a purd e outras fabricantes de analgésicos gastaram 700 Milhões de dólares entre 2006 e 2015 em Lobby político nos Estados Unidos isso é oito vezes mais que o Lobby armamentista
mas para Além disso as farmas investem bastante em inteligência de dados e eu consigo ver quem tá consumindo o quê Qual que é o perfil dessa pessoa e até Qual médico tá prescrevendo o que qual que é o perfil de prescrição desse médico com isso é consigo agrupar os médicos como médicos que prescrevem muito que eu quero e médicos que Prescrevem pouco que eu quero e consigo fazer um marketing perfilização a desses remédios disse que as próprias empresas Puxaram o freio de mão em ações mais ostensivas nessa hora que ela disse isso a gente estava
conversando sobre outra estratégia de marketing das farmas que é pagar médicos respeitados para darem aulas aos seus pares então assim já teve situações em que a pessoa me chamou para dar aula e que eu fui e falou assim olha eu dou aula de opioide Tá eu não vou dar aula sobre o seu remédio vou dar aula sobre um opioide por quê Porque é importante que as pessoas saibam usar então eu vou dar aula sobre isso E aí depois que que terminou a aula A pessoa veio e falar Ah mas você não falou muito de tal
medicamento falei assim olha como eu falei para você eu aceitei dar aula porque eu ia falar de opioide não vim aqui para dar aula sobre o seu remédio se você tá querendo alguém que venha Aqui estimular o uso indiscriminado de tal medicamento Então acha outra pessoa é esse tipo de cobrança mais cara de pau que diminuiu segundo ela é depois dessa questão aí dos Estados Unidos diminuiu bem né o hoje as coisas estão mais mais tranquilas né porque tem os compliance das empresas Não elas não podem mais fazer e coisas muito assim fora da né
mas eh hoje tá bem mais difícil de acontecer isso mas isso já aconteceu sim 10 anos Atrás 15 mas mesmo com esse aprendizado a verdade é que os médicos brasileiros também são frequentemente impactados por ações das farmacêuticas Então essa porta para uma crise de opioides também segue aberta para dizer o mínimo Mas e o nosso SUS ele não seria capaz de reduzir o risco de abusos Esse é um bom Ponto Até porque nos Estados Unidos a forma de encarar saúde pública é diferente da nossa lá é quase cada um por si mesmo naquela lógica de
entre Aspas autorregulação do mercado princialmente nos Estados Unidos não só não tanto no Canadá mas os hospitais eles recebem o reembolso dos planos de saúde são altamente dependentes da ah dos relatos de satisfação dos pacientes então todo paciente que sai do hospital eles preenchem o questionário de satisfação com tratamento Então os o os hospitais que TM um nível mais baixo de satisfação eles recebem menos dos convênios isso Tem um lado interessante de ouvir quem tá sofrendo mas também faz com que os profissionais super valorizem ações que agradam o cliente no curto prazo se o cara
tá com uma dor e eu prescrevo um negócio que some com essa dor em poucos minutos ele tende a ficar mais satisfeito do que se eu mandar ele fazer fisioterapia por uns meses Então as instituições tinham uma motivação para receitar soluções que focam no hoje e não no amanhã então ISO Isso foi um é um Dos fatores descritos ah dos fatores que acabaram levando a esse uso indiscriminado de de opioides por aqui o SUS é outro história ele tende a olhar mais pro sistema de saúde e é estruturado em cima de protocolos clínicos que determinam
caminhos específicos de tratamento se num protocolo para um problema x não tá escrito que pode dar opioide o médico do SUS via de regra não vai dar opioide quem contou isso pra gente foi o médico Jorge bermudes ele é pesquisador da escola nacional de saúde pública da Fiocruz por isso que é importante um instrumento ou mecanismo que existe aqui no Brasil né que são protocolo de tratamento que tem que ser utilizado Então esse Ele eles são derivados de um consenso de especialistas vai discutir se esse é o melhor eh produto ou não essa é uma
lógica interessante porque em teoria ela ajuda a blindar os pacientes de interesses comerciais no caso das dos Opioid não deixa de ser diferente quer dizer há o interesse em em dominar esse mercado não são muitas as as empresas que estão produzindo então eles têm interesse em em ter esse esse mercado muito bem dominado e fragmentado ou eh ou impondo a sua marca impondo e uma outra questão gravíssima que nós temos que é a propriedade intelectual é a patente né agora só para não deixar de falar esses protocolos também podem ingessar o tratamento e aumentar o
tempo De chegada de novas tecnologias no SUS a Angela acha que isso acontece com os opioides especialmente no caso de pacientes com câncer Que Que Tem no SUS se você for pegar lá as portarias dos do do do do Ministério da Saúde sobre os medicamentos disponíveis na rede pros pacientes a gente vai ter codeína e morfina eu acho que metadon também a limitação de acesso é muito grande pros pacientes do SUS como contraponto a comissão nacional de Incorporação de tecnologias no SUS a conitec chegou a avaliar a inclusão de novos opioides para dor crônica no
sistema público e concluiu que isso não seria custo efetivo de qualquer forma Realmente parece que um sistema salto de saúde serve de amortecedor contra prescrições indevidas de opioides Esse é um argumento que todos os nossos entrevistados usaram só que assim no Canadá todo mundo também tem acesso gratuito à saúde independente disso a Crise dos opioides atingiu em cheio a população claro que o Canadá tá colado nos Estados Unidos e inclusive compartilha tradições e culturas médicas com o vizinho Mas isso é para dizer que o SUS provavelmente não aguentaria a bronca sozinho porque nenhum sistema é
capaz de fazer isso sem que a sociedade Entenda os reais riscos e benefícios dos remédios à base de opioides e discuta isso de maneira Franca inclusive com leis que desestimulem abusos e práticas Predatórias no mais 25% da nossa população tem seguros de saúde ou parte para atendimento particular mesmo e nesse segmento há uma mercantilização constante Segundo Mateus a gente entrou em contato com a mund Farma E eles devolveram os nossos questionamentos com uma nota eu vou resumir um pouquinho aqui abre aspas a mund Farma reconhece que o uso de medicamentos opioides prescritos está associado a
riscos incluindo o uso Indevido abuso dependência e uso Recreativo como uma empresa que vende medicamentos opioides para uso médico apropriado e responsável estamos comprometidos em mitigar esses riscos a decisão de prescrever analgésicos opioides deve considerar cuidadosamente as circunstâncias individuais do paciente o histórico médico e equilibrar a necessidade de alívio adequado da dor com os riscos Associados a efeitos adversos da terapia com opioides o Acompanhamento médico regular é essencial para garantir que o uso contínuo desses medicamentos atenda a uma necessidade de saúde e para garantir que seja cuidadosamente prescrita a dose mais baixa necessária e que
a duração de tratamento não seja maior do que o apropriado clinicamente a mifarma segue rigorosamente todas as leis regulamentos e diretrizes nacionais e internacionais que regem o desenvolvimento fabricação promoção e Distribuição adequados de Medicamentos opioides fecha aspas a nota completa você pode ver no nosso site na página do episódio não houve uma resposta sobre o nosso questionamento a respeito da pesquisa da mund Farma que teria descoberto que incríveis 40% da população brasileira tem dor crônica [Música] não dá para fazer pouco caso das milhões de pessoas que sofrem com dores não tratadas a própria comissão paraa
crise dos opioides do lanet reconhece isso Naquele relatório e diz que o abuso de opioides não deveria distrair as autoridades de que a falta dos mesmos opioides causa sofrimento em vários países pobres mas aí vem uma frase Na mosca países de baixa renda não deveriam ser forçados a escolher entre deixar seus cidadãos sofrerem desnecessariamente ou cederem a predação corporativa na crise dos Estados Unidos as atitudes criminosas da purd não foram Contidas por outras empresas pelo contrário mais farmas tentaram capturar esse filão com práticas questionáveis empresas gigantes que distribui medicamentos pagaram Milhões de Dólares em acordos
judiciais por terem negligenciado alertas de prescrições abusivas vindos dos seus próprios softwares de trabalho redes de farmácia também deixaram de barrar vendas suspeitas E alertar as autoridades só para ganhar mais dinheiro clínicas de Dor pipocaram pelos Estados Unidos receitando opioides sem qualquer critério e ainda seguem fazendo isso não dá para as instituições públicas esperarem que a mão invisível do mercado resolva o problema das Dores não tratadas nos Estados Unidos Isso terminou em 600.000 mortes tem uma frase de efeito do livro Empire of Pain que cabe bem aqui E ela diz o seguinte a crise dos
opioides é uma parábola sobre a incrível capacidade da indústria Privada subverter instituições [Música] públicas o Ciência suja é apresentado por mim thí Manarini e por mim T Prest a produção é da nave reportagens do Felipe Barbosa e do Pedro Belo este Episódio teve a apuração da cloé Pinheiro do Pedro Belo e do Prest o roteiro é do telr Prest e foi revisado e editado pelo resto do time Aliás quando a clo tava revendo o roteiro ela falou que toda vez que Lia Seers lembrava dos slackers que é uma banda de SC americana que todo mundo
aqui do cen suja curte e até já foi em show o Felipe que é de Santos de Santos Bach diz que lá em 2006 veio para São Paulo ver os caras tocarem e isso meio que ajudou a decidir que se mudar para cá seria legal por causa do cenário cultural e tudo mais então viva os slackers e vocês devem imaginar o que eu acho dos SAS Eita voltando aos créditos aqui para Evitar o processinho as trilhas e a edição de som são do Felipe Barbosa nesse Episódio nós usamos trechos de áudios do documentário crime do
século do filme Guerra do ópio do podcast Wind of Change de um vídeo promocional da purd Pharma de 1997 de uma versão de 1904 da música Battle Cry of Freedom da guerra da secessão Americana da música propaganda da banda slackers que foi lançada pelo selo hellcat records e de áudios Encontrados no YouTube e em redes sociais o nosso projeto gráfico e as artes de capas do episódio são trabalho da dupla ma tan ferre e Guilherme Henrique para saber mais e para ter acesso ao conteúdo extra desse Episódio acesse o nosso site que é uma criação
do estúdio barbatana ou as nossas redes sociais a gente tá no Instagram no Twitter e no Facebook você encontra o nosso Podcast nas principais plataformas de áudio e no YouTube esta segunda Temporada tem um apoio do Instituto serrapilheira que promove pesquisas e projetos de divulgação Científica sem esse financiamento não teria ciência suja as vozes complementares são do Pedro Belo da cloé Pinheiro e do Felipe Barbosa a gente volta com mais um episódio inédito em duas semanas e com o mesac em parceria com o Instituto questão de ciência na quinta que vem até [Música] [Aplausos] Lá
Y