Bom, vamos lá. O evangelho de hoje começa com uma cena muito interessante: se alguém, no meio da multidão de Jesus, eu sou louca, né? Sempre tem alguém.
Jesus está pegando; Jesus está ensinando. De repente, alguém levanta e faz uma intervenção: "Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo! " Essa é uma pergunta, um pedido, uma solicitação.
Bom, aparentemente, justos os seres são irmãos, e a coisa mais justa é que a herança seja repartida entre eles. Possivelmente, o outro irmão estava roubando algo, não que isso aconteça hoje em dia, mas naquele tempo acontecia. Bom, então Jesus me deu uma resposta, no mínimo, desconcertante.
Ele disse: "Homem, quem me encarregou de julgar ou dividir os vossos bens? " Essa resposta de Jesus é muito interessante e é muito ter essa que ela tem diversas implicações. Primeiro, o evangelho não pretende nos dar uma resposta sobre todos os problemas da sociedade.
Bom, e que o nosso convívio social traz consigo. Por quê que é importante nós entendermos isso? Se você não houver testamentos, a Deus estava criando um povo, uma nação, através de Moisés e de um ordenamento jurídico que tinha detalhamentos da natureza.
Moisés instituiu anciãos para julgar as doze tribos de Israel, 70 anciãos, e a missão deles era resolver esse tipo de questão. É porque, no Velho Testamento, Deus estava criando uma nação, um povo. O Novo Testamento, ele não está fazendo isso, que a salvação é derramada sobre todos os povos.
E aí, se você pegar outros textos religiosos, como o Alcorão, isso tem regras para divisão de herança e me diz como é que deve ser distribuída a herança caso seja uma filha primogênita, um filho primogênito, seja o filho dessa esposa, daquela outra esposa, daquela outra certa. A tampa regra é criada, codificadas, digamos assim, para a repartição da herança. No evangelho de Jesus, não tem essa função.
Não é esse o meu encargo. E isso, para nós, é muito importante. É porque o evangelho não pretende ser uma fórmula política, e o assunto é outro; o assunto está falando de eternidade.
Claro que ele tem implicações sociais. É evidente que nós temos que praticar justiça, nascendo. Somos cumpridores dos nossos deveres, precisamos ser caridosos, temos que ajudar os outros, etc.
O evangelho tem implicações sociais sem ser um projeto político. O projeto de sociedade é muito, pelo contrário. Nas questões políticas, há uma grande pluralidade de dentro de princípios doutrinais.
Então, por exemplo, existem sociedades para as quais uma forma de governo é melhor do que outra, de acordo com motivações históricas e circunstâncias diferentes. O evangelho não pretende criar um tipo de mentalidade única. Em segundo lugar, além dessa separação de esferas, que é muito importante — a eq, às vezes, objeto de confusão — Jesus mostra que por detrás de problemas legais existem problemas morais mais profundos.
E isso é muito importante porque o evangelho desmascara a nossa hipocrisia. Então, o que Jesus faz aqui é: "Homem, quem me encarregou de julgar ou dividir vossos bens? ", ou seja, está dizendo: "Pera aí!
Vai procurar o juiz! " Existe um ordenamento no povo de Israel. Você tem que ir atrás do seu direito.
O que é que está por trás disso aqui? E o que se esconde por trás dessa solicitação, dessa pergunta? O que se esconde por detrás dessa solicitação, dessa pergunta, tem uma coisinha bem simples: avareza.
A solicitação pode até ser justa, mas ela esconde uma motivação moral viciosa, ruim, que é a avareza. E, por isso, ele já diz na sequência: "Atenção! Tomai cuidado com todo tipo de ganância, com todo tipo de avareza, de apego às coisas materiais; porque mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens.
" E isso é algo que é muito evidente. A abundância de bens efetivamente não resolve nossos problemas mais profundos. E os ricos também choram, né?
Chegou a novela com esse título. Antigamente, chato, né? Quer dizer, os seus problemas são muito mais profundos do que os problemas meramente materiais.
Eu lembro que uma vez eu testemunhei uma cena muito interessante. Eu vi uma senhora que morava no terreno, e já é comum, digamos assim, ocorrer o que passa por dentro da sua casa. Ela tinha uma casa muito simples, um nadinha muito limpinha, muito bonitinha, mas não muito pequena.
E aí, no quintal dela, uma árvore de 70 anos, muito, muito bem cuidada. E, do outro lado, uma pessoa de muita condição social, mas profundamente perturbada, profundamente angustiada. Ela se sentou debaixo daquele pé de árvore e falou assim: "Olha, eu trocaria tudo que eu tenho para estar nesse lugar aqui, porque aqui eu estou em paz.
" Quais são os sentimentos tranquilos? Pois é, é verdade. Muitas vezes, a opulência, o dinheiro atraem pessoas interesseiras, que são usurpadoras, que são seus amigos apenas para usufruírem do que você tem, apenas para estarem ao seu lado por causa da sua imagem.
E, às vezes, a nossa insegurança, a nossa carência é tão grande que a gente se sujeita a isso, porque não tem coragem de perceber que, na verdade, a vida não consiste nisso. A vaidade, a juventude passa rápido, né? E logo, depois dos 30, se fosse, vão diminuindo.
Aos 40, já as dores vão aparecendo, os remédios vão entrando, e eles vão te acompanhar até o caixão. Bom, e você percebe que tudo é muito efêmero, e você pode fazer. .
. está na moda a harmonização facial, mas por baixo tem reumatismo. E por baixo tem dificuldade de se levantar.
Por baixo você tem cansaço; por baixo você tem problemas que não foram resolvidos, infantilidades que não foram amadurecidas. A vida de um homem não consiste nisso, e o livro de Eclesiastes. .
. Que eu amo de todo meu coração não é o livro. É, como dizem alguns comentadores, escrito por alguém deprimido, em momento de altíssimo pessimismo.
Não é isso que indica que você acha que foi escrito por Salomão, depois de ter sido o rei mais rico de Israel e aquele que teve mais mulheres ao longo da vida? E que, depois de ter feito tudo que fez, eu disse: "vaidade das vaidades". Eu falava: a idade tem a ver com aquilo que é vão, como a tia que passa.
. . E, no fundo, tu passas lá e você pode ter uma vida super legal, no caso de vista material.
Você pode ter sido muito famoso, mas na hora que o câncer aparece no teu corpo, você vai a lugar nenhum e você não é nada. Você se sente fraco, abandonado no universo, como um órfão. E você pode ser a pessoa que tirou mais fotografias no mundo, a celebridade mais conhecida, e na hora que.
. . É, sim, motivo aparente, você é trocado.
Ah, e não sabe lidar com a rejeição; você se torna a pessoa mais frustrada que existe. E o que Salomão, portanto, está nos descrevendo na primeira leitura é o realismo de que intercede: que tudo é besteira. E aí a gente se importa com um monte de coisas que são caducas, efêmeras e evanescentes; que são fumaça.
A palavra "vaidade", no hebraico, é essa: a palavra fumaça. E se desfazem. "A vaidade das vaidades", diz o Eclesiastes, "vaidade das vaidades, tudo é vaidade".
E, por exemplo, um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Aquelas pessoas que dependiam de você, ele havia inteiro. E também isso é vaidade, que grande desgraça!
Te falo: o que resta ao homem de todos os trabalhos e preocupações que desgastam debaixo do Sol em toda a sua vida? Sofrimento, ocupação do tormento. Nem mesmo de longe repousa seu coração.
Tudo isso é vaidade; ou seja, o que ele está nos mostrando é que as nossas preocupações, no fundo, são muito inúteis. O que vale muito mais a pena é confiar, crer, apostar naquilo que é eterno. Em São Paulo, na segunda leitura, disse que a cobiça é idolatria.
Tiago, em sua carta, diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, porque só atrai a efemeridade. E o convite do Evangelho, portanto, é que nós não caiamos naquilo que Jesus chama de loucura. Na parábola que Ele conta na sequência, Ele fala de um homem rico que teve uma grande colheita e disse: “não tem onde guardar minha colheita”.
Então decidiu destruir tudo que tinha para poder construir mais. Ele disse: “Vou guardar meu trigo junto com todos os meus bens, e depois vou dizer: meu caro, descansa, come, bebe, aproveita”. Jesus fala: “Louco, louco, o louco é porque tudo acaba!
” Isso é só infantilidade. Não ser jovem, você tem aquela ilusão: “ah, eu vou ficar rico”, depois você faz cinquenta e percebe que não deu certo. E você vai aprender: se contente com o que você tem.
Mas o que a palavra de Deus está nos dizendo é: olha, pare de ser doido! Invista naquilo que é eterno. Não adianta nada você ter uma existência abundante, cheia de coisas, mas ter uma mente inquieta, um coração perturbado.
Eu não consegui lhe dar um copo de água em paz, eu não consegui dormir tranquilamente, não consegui ter uma vida serena. E o que é que me dá isso? É simplesmente querer que eu tenha um Deus que é pai providente, que cuida de mim.
E ter a coragem de, muitas vezes, abrir mão de algo para ajudar alguém. Você vai percebendo ao longo da vida que, na verdade, a felicidade individual não existe; toda a felicidade é coletiva. A gente percebe que, no fundo, a gente se sente contente quando faz os outros felizes, potencializa os próximos, é capaz de criar à nossa volta círculos, em vez de ficarmos focados somente em nós mesmos, somente no nosso trabalho, somente nos nossos resultados.
E vamos marcando as nossas relações, e vamos deixando de lado pessoas e fazendo com que a nossa vida se transforme em um círculo concêntrico: contorno da carreira, do dinheiro, dos nossos bens, das nossas posses. Bobagem, a estupidez, que infantilidade! Em primeiro lugar, Deus; a minha vida espiritual.
Nós vamos, geração, as coisas estão muito desequilibradas e eu tô correndo demais atrás de um monte de coisas que eu vou deixar por aí! Meu Deus, a minha alma! Conhecê-lo, adorá-lo e fazer com que o meu coração esteja junto de Cristo; aspirações nas coisas celestes.
Em segundo lugar, as pessoas. Fazendo ações que precisam ser baseadas em valores qualitativos, em confiança, sinceridade e estima. Eu já vi muita gente surtar; e por quê?
E a cobiça cegou seu entendimento. Então, a pessoa idealiza. Avarento na cabeça, de repente aquilo desmorona.
Ou a pessoa surtou porque ela coloca em primeiro lugar o que tem; estar ter uma vida farta. Que loucura! Jesus chama isso de loucura, loucura porque a morte bate à nossa porta!
Nós temos que ser ricos, gente; ricos diante de Deus. O que é ser rico diante de Deus? Segundo o Evangelho, Kiko, diante de Deus, aquele que é amigo de Deus, que fez amigos com o dinheiro, como diz o texto da Escritura; ou seja, aqueles que souberam repartir e fazer com que à sua volta houvesse mais e mais pessoas cobertas sob a sua sombra.
Mas isso por interesse, simples, verdadeira interação humana, verdadeiros sentimentos e de fraternidade. Olá, queridos irmãos! Vamos pensar: hoje, nós vivemos escravos do mundo financeiro, especialmente quem trabalha, pois você dá resultado, vende produtos, e o tempo todo acumula e faz estratégias, a pressão e pressão de cá, a pressão de lá, estresse, angústia e aflição.
E você não sabe o que fazer? É preciso sair dessa escravidão, perceber que existe um mundo acima disso, bom, e que esse mundo diz respeito a Deus, ao próximo, a ter profundidade e olhar no estudo com uma objetividade maior. Que Deus nos ajude, então, a trocar a cobiça por uma vida espiritual centrada em Deus e nos irmãos.