Depois de abandonarem Pedro durante sua batalha entre a vida e a morte, esposa e filha retornaram algum tempo depois em busca da herança, mas encontram uma grande surpresa. Aos 42 anos, Pedro era um homem forte, dedicado ao trabalho e à família; no entanto, sua vida virou de ponta-cabeça quando, durante uma viagem de negócios, seu carro bateu de frente com um caminhão. O acidente pegou a família toda de surpresa, principalmente quando o médico disse que não sabia se Pedro escaparia da morte.
Era uma sexta-feira à noite. Pedro retornava de uma viagem de negócios que tinha feito até a cidade vizinha. Depois de uma reunião bem-sucedida, ele ligou para a esposa, Júlia, antes de pegar a estrada e a avisou que já estava a caminho.
Em casa, ela e a filha o esperavam para o jantar, com a mesa posta. No entanto, faltando apenas 4 km para chegar em casa, o carro dele se chocou com um caminhão que vinha em alta velocidade pela pista errada, acertando a lateral do carro de Pedro, que capotou e amassou por todos os lados. Menos de 20 minutos depois do acidente, enquanto ainda terminava o jantar, Júlia recebeu um telefonema informando sobre o acidente.
Ela e a filha correram para o hospital e receberam a notícia de que Pedro estava passando por uma cirurgia e que depois ficaria na UTI. Os pais de Pedro já eram falecidos, mas Júlia ligou para o irmão dele, que foi para o hospital imediatamente. Depois da cirurgia, o médico se reuniu com a família para explicar o que tinha acontecido.
Pedro sofreu um traumatismo craniano e as ferragens do carro perfuraram seu coração. "Nós fizemos a cirurgia na cabeça; agora vamos começar a reconstruir o coração," disse o médico. Júlia chorava muito e não sabia o que dizer.
O irmão perguntou: "Ele vai ficar bem? " Então o médico respondeu: "Não temos como saber. Agora temos que ir vendo como ele responde ao tratamento.
A questão do coração é complicada. Pode ser que ele se recupere totalmente, mas pode ser que ele sobreviva somente por mais alguns meses e acabe morrendo. " No dia seguinte, Pedro acordou sem se lembrar muito do acidente.
Ele conseguia falar, mas tinha dificuldades para se movimentar. Quando recebeu a notícia, através do seu médico, do que havia acontecido, seus olhos se encheram de lágrimas e ele não disse nada, percebendo que Pedro estava desanimado, como se tivesse recebido uma sentença de morte. O médico explicou que nem tudo estava perdido.
Ele precisaria fazer mais uma cirurgia no coração, mas logo poderia ir para casa. "Você sempre se alimentou muito bem, teve uma vida saudável e sem vícios. Isso pode fazer toda a diferença agora.
" Ouvindo isso, Júlia apertou a mão de Pedro e disse: "Nós vamos cuidar de você e tudo voltará ao normal. Eu creio, eu tenho fé. " Sua filha chegou mais perto e o abraçou, dizendo: "Vai ficar tudo bem, papai.
" Pedro não era um homem emotivo, mas naquela situação ele não conseguiu conter o choro e prometeu a si mesmo que lutaria, como em tantas outras ocasiões de sua vida. No dia seguinte, ele passou por uma nova cirurgia e, como tudo correu bem, recebeu alta e pôde ir para casa. O médico avisou: "Pedro, se prepare.
Agora começa a fase mais difícil e decisiva do seu tratamento. Você precisa seguir o tratamento à risca ou pode colocar tudo a se ligar e se cuide. " Júlia e Pedro ouviram as instruções do médico atentamente.
Antes de irem para casa, preocupado com sua família e a rotina da casa, Pedro quis saber quanto tempo duraria o tratamento. O médico explicou que não era possível saber como o organismo dele iria reagir; talvez alguns meses, mas talvez fosse preciso mais de um ano. Felizmente, a família pôde passar por essa fase difícil sem grandes preocupações financeiras, pois tinham um bom plano de saúde, moravam em uma casa própria e Pedro tinha algum dinheiro guardado.
Apesar de ter apenas 43 anos, Pedro já era um homem muito bem-sucedido dentro da sua área. Vindo de uma família humilde, ele começou a trabalhar muito cedo, aos 15 anos, como entregador num supermercado econômico. Aos 18 anos, ele comprou uma moto e passou a fazer entregas de moto.
Com o tempo, Pedro conseguiu comprar outras motos e contratar entregadores, criando uma pequena empresa de entregas. Dessa pequena empresa de entregas, a família tirava seu sustento e vivia muito bem. Não eram ricos, mas não eram pobres e tinham uma vida bastante confortável.
Sabendo que não poderia trabalhar durante um tempo, ele deixou a empresa aos cuidados de seu irmão, que já trabalhava com ele e era muito de confiança. Para ser justo com o irmão, eles combinaram que as motos ficariam arrendadas e o irmão ficaria com todo o lucro, pagando apenas pelo arrendamento. Pedro era um homem justo, mas também era um homem de negócios.
Ele sabia que o irmão se esforçaria mais se tivesse a oportunidade de ganhar mais. Assim, apesar de apreensivo, Pedro tinha fé e sentia dentro do seu coração que ainda tinha muito o que viver e que iria se curar. Por isso, ele encarou o tratamento com coragem e determinação.
O tratamento era mais difícil do que ele imaginava. Ele se sentia fraco e com pontadas no peito ao respirar. Ele não podia fazer qualquer esforço para não forçar o coração e precisava tomar muitos remédios a cada 4 horas.
Com tantos remédios no organismo, Pedro não conseguia comer e, quando comia, acabava vomitando tudo. Como passava o tempo todo deitado e não comia, ele rapidamente emagreceu muito e foi perdendo os músculos do corpo. Às vezes, quando algum vizinho vinha visitá-lo, tinha um choque ao ver sua aparência fraca e cansada; um contraste com o homem ativo e saudável que ele sempre fora.
Ninguém acreditava que ele sobreviveria por muito tempo. Apesar disso, dentro de si, Pedro lutava para se recuperar. Determinado a sobreviver e superar tudo aquilo, no início, a esposa e a filha se revezavam nos cuidados com ele.
A esposa o acompanhava quando precisava ir ao médico e se desdobrava para tentar encontrar alguma coisa que Pedro pudesse comer. Ele sentia orgulho da família que tinha construído e pensava muito no futuro que teriam pela frente quando tudo aquilo passasse. De ajuda com praticamente tudo e banhos, remédios, alimentação, trocar de roupa e até para se virar de um lado para o outro na cama, ele precisava de ajuda.
Depois de três meses de tratamento, o médico disse que ele poderia começar a tentar fazer algumas pequenas tarefas, com cuidado, consciente da dificuldade que cuidar dele significava. Pedro começou a fazer um esforço para tentar ser mais independente. Ele passou a pedir tudo para a esposa e para a filha, mas muitas vezes, até as tarefas mais simples, como alcançar um copo de água, eram muito exaustivas para ele.
No entanto, essa atitude dele acabou tendo um resultado inesperado. Pedro notou que, agora, sempre que ele pedia alguma coisa, havia um suspiro de má vontade antes que fosse atendido. Nas primeiras vezes que isso aconteceu, ele ficou tão surpreso que até pensou que estava enganado, que era algum tipo de mal-entendido, mas, infelizmente, ele estava certo; as duas realmente tinham mudado e já não atendiam suas necessidades com a mesma presteza do início, de forma que, muitas vezes, ele passou por situações indignas, esperando por meia hora até que alguém viesse ajudá-lo a ir até o banheiro.
A filha adolescente, em especial, passava o tempo todo no celular e, quando ele precisava de alguma coisa, ela dizia: "Estou estudando, papai. Tenho uma prova amanhã na escola. ” Todo este esforço dele acabou provocando uma piora na sua condição, e o médico explicou que ele realmente precisava ficar em repouso.
Sabendo que precisaria voltar a precisar de ajuda para tudo, ele resolveu tomar uma atitude, pensando em preservar a família e seu lar, que sempre foi um refúgio onde ele encontrava forças. Pedro resolveu ter uma conversa honesta com as duas. “Meninas, preciso ter uma conversa franca com vocês.
Eu compreendo que meu tratamento tem demorado muito mais tempo do que nós imaginávamos e sei que vocês estão cansadas de tudo isso. Me desculpem por estar atrapalhando a rotina de vocês. ” Júlia, a esposa, tentou justificar: “Pedro, é difícil manter toda a rotina da casa e cuidar de você, mas estamos fazendo o possível.
” Maria Fernanda também se desculpou: “Desculpe, papai. Eu tenho tanta coisa para estudar e, às vezes, quando você me chama, eu não posso vir imediatamente. ” Com esta conversa, Pedro se sentiu melhor, mas, temendo que tudo continuasse da mesma forma, ele propôs uma solução: “Acho que devemos contratar uma enfermeira para cuidar de mim.
Muitas famílias fazem isso e meu tratamento ainda pode demorar algum tempo. ” As duas concordaram imediatamente; pareciam até aliviadas de certa forma. Pedro também se sentiu aliviado, pois não precisaria mais pensar duas vezes antes de pedir ajuda.
Antes de contratar alguém, Pedro teve o cuidado de conversar com seu médico e pedir uma indicação para encontrar alguém de confiança. Afinal, a enfermeira precisaria morar na sua casa por algum tempo. Rosa, a enfermeira indicada pelo médico, realmente era muito prestativa e profissional; ela já tinha cuidado de muitos naquela situação, mas seu coração ainda tinha compaixão, e ela tratava Pedro com carinho e dedicação, levantando de madrugada para dar seus remédios e preparando alimentos especiais que eram mais agradáveis para seu estômago fragilizado.
Assim, a presença de Rosa trouxe alívio para toda a família, mas isso logo começou a mudar. Júlia começou a se sentir incomodada em ver uma outra mulher cuidando do seu marido. Rosa cuidava de Pedro tão bem que Júlia não conseguia acreditar que não havia algum interesse dela com o seu marido.
Pedro, por sua vez, tinha piorado e atravessava um estágio difícil do seu tratamento e não podia abrir mão dos cuidados de Rosa. O tratamento já durava alguns meses e ele já não era mais o homem que sempre tinha sido; ele tinha perdido mais de 20 kg e mal conseguia ficar em pé. Muita gente achava que ele não escaparia e que estes eram seus últimos dias, e sua esposa, ao invés de se preocupar com ele, passou a implicar com Rosa, reclamando sobre tudo o que a mulher fazia.
Até mesmo a mãe dela telefonou para Pedro para reclamar da presença de Rosa: “Pedro, escute bem o que eu vou te falar; é uma afronta à sua esposa. Os vizinhos estão comentando que você colocou outra mulher para morar com vocês. ” Aquilo não era verdade; os vizinhos conheciam bem a situação de Pedro e sabiam que Rosa era apenas uma enfermeira.
Mais tarde, nesse mesmo dia, Pedro ouviu a esposa conversando com a mãe no telefone e percebeu que a mulher sentia ciúmes, pois Rosa era uma mulher bonita e mais nova do que ela. A irritação da esposa com a presença de Rosa foi se tornando visível e até constrangedora para a enfermeira. Pedro resolveu conversar com ela e lhe assegurou que não havia motivos para este tipo de ciúmes e que logo ele estaria restabelecido e eles não precisariam mais da enfermeira.
Júlia concordou com tudo que o marido disse e ele se tranquilizou, pensando em concentrar forças no seu tratamento. Mas, poucos dias depois, chegando em casa após uma consulta, ele foi surpreendido pela ausência da esposa e da filha. Em cima da mesa da cozinha havia um bilhete: “Querido Pedro, não posso mais aguentar viver nessa casa vendo outra mulher tomar meu lugar.
Vou passar um tempo na casa da minha mãe até que você termine o tratamento. Com amor, Júlia. ” Pedro tentava entender o que estava acontecendo; ele estava tão fraco que mal conseguia ficar em pé.
Não conseguia acreditar que a esposa realmente tivesse tantos ciúmes a ponto de ir embora. No hospital, ele via. .
. muitos doentes desacompanhados e ouvia comentários sobre como muitas famílias se desfaziam durante o tratamento: maridos que abandonavam suas mulheres na hora da dor, filhos que abandonavam os pais no pior momento de suas vidas. Pedro nunca pensou que um dia seria como essas pessoas, mas lá estava ele, sozinho em sua casa, com uma enfermeira contratada para cuidar dele há apenas dois meses.
Numa situação como essa, muita gente teria desistido de lutar e se entregado à dor, mas Pedro não era esse tipo de homem. Sozinho na cozinha, sentindo dores por todo o corpo, ele se lembrou de quando começou a trabalhar como entregador: 10 dores no corpo depois de um longo dia no trabalho, das humilhações que tantas vezes sofreu em condomínios de luxo, dos dias em que trabalhou debaixo de chuva. Essas lembranças fizeram com que ele se sentisse agradecido por estar em sua própria casa, com um bom médico cuidando da sua saúde e com ajuda profissional para cuidar dele todos os dias.
Ele fechou os olhos e agradeceu a Deus por tudo o que tinha e não pensou mais na esposa e na filha que certamente tinham ido embora, imaginando que ele morreria em breve. Enquanto Pedro lutava com todas as suas forças para recuperar sua saúde, Júlia e Maria Fernanda não deram nenhum telefonema para saber como ele estava, mas com força de vontade e ajuda de Rosa, ele sobreviveu e, depois de quase um ano, seu médico anunciou que a pior parte do tratamento tinha chegado ao fim: seu coração estava cicatrizado e funcionando bem. "Pedro, meus parabéns!
Você agora vai iniciar um tratamento de recuperação nessa segunda fase doat. Então ele já não tomaria remédios tão agressivos para o seu organismo e passaria a fazer fisioterapia para recuperar sua musculatura e treinar o coração. " Assim que mudou os remédios, seu estômago reagiu, ele voltou a ter apetite e podia comer de tudo.
Com a ajuda de Rosa e de uma nutricionista, aos poucos ele foi recuperando a vitalidade e o peso. O irmão foi visitá-lo e perguntou se ele queria ir buscar a esposa e a filha, mas ele respondeu que ainda não sabia o que queria e nem o que iria fazer. Pedro tinha medo de estar sendo injusto com as duas e queria pensar melhor sobre o assunto.
Ele tinha esperança de que elas se arrependessem e voltassem para casa, mas isso nunca aconteceu. Um dia, quando já estava melhor, ele foi até o banco ver como estava a situação de sua conta e descobriu que a esposa estava gastando todo o dinheiro que tinham guardado na poupança, até mesmo a reserva que tinham feito para a faculdade de Maria Fernanda. Aquilo foi a gota d’água.
No dia seguinte, ele procurou por um advogado e deu entrada no pedido do divórcio. O advogado tentou entrar em contato com a esposa, mas ela nunca respondeu. No bairro onde moravam, os vizinhos sabiam do acontecido e Pedro percebia os cochichos pelos lugares por onde passava.
As fofocas e cochichos eram frequentes; as vizinhas fofoqueiras diziam: "Olha lá vai o homem que foi abandonado pela esposa e pela filha, um pobre coitado. " Pedro lutou muito para não deixar que toda aquela experiência o tornasse um homem fechado e amargo. E, de fato, durante suas sessões de fisioterapia, ele conheceu uma mulher que também fazia tratamento no hospital e se interessou por ela.
Olívia fazia tratamento para uma artrose, passava alguns minutos na bicicleta e na esteira, e depois fazia alongamento com a mesma fisioterapeuta de Pedro. Por isso, os dois conversavam às vezes. Ela era uma mulher calma e reservada, estava sempre com algum livro embaixo do braço e sorria amigavelmente para os funcionários da clínica.
Sem que se desse conta, Pedro começou a pensar nela cada vez mais, até que um dia resolveu que a convidaria para sair. Ele já estava em condições de fazer alguns passeios e sentia a falta de companhia. Ela aceitou e Pedro percebeu que ela também tinha interesse nele.
Eles começaram a sair e a ir para almoçar, depois da fisioterapia, com frequência. Iam a lugares simples na região onde ficava a clínica, mas era sempre muito divertido, pois estavam em boa companhia. Pedro voltou a sorrir e a olhar o futuro com ânimo.
Num final de semana, seu irmão veio visitá-lo e notou que ele andava mais alegre e comentou: "Você está diferente! O que está acontecendo? É o fim do tratamento?
De fato, sua saúde está quase recuperada. " Ele se sentia bem fisicamente e emocionalmente. "Ah, meu irmão, eu logo devo receber alta do tratamento!
" "Que ótima notícia! Vai ser muito bom ter você de volta ao trabalho. " Os dois se abraçaram felizes.
Pedro decidiu contar ao irmão sobre Olívia, mas, para sua surpresa, o irmão ficou um pouco desconfiado. "Pedro, por favor, tenha cuidado! Você é um homem bem-sucedido, isso pode atrair um tipo de mulher perigosa.
" No dia seguinte, quando foi almoçar com Olívia, após a fisioterapia, ela avisou algo que ele ainda não estava preparado: "Estou terminando meu tratamento e não vamos mais nos ver na fisioterapia. " Surpreso, Pedro teve medo que ela anunciasse que estava de partida, mas ela disse algo muito diferente: "Queria que você viesse conhecer minha casa, passar um final de semana comigo lá. Eu moro em um sítio sozinha, tem espaço suficiente para nós dois.
" Olívia, então, revelou que morava sozinha em uma casa muito grande, num sítio próximo à cidade. Nesse sítio, ela tinha um viveiro de plantas que eram vendidas em lojas nas cidades da região. Ele deu folga para Rosa durante o final de semana e teve um final de semana encantador ao lado de Olívia.
Depois disso, ele começou a visitar Olívia com frequência e resolveu fazer uma horta no sítio, com a ajuda de um dos homens que trabalhavam com ela. Os dois fizeram uma cobertura e plantaram muitas ervas e hortaliças. Olívia sugeriu que ele começasse a vender os alimentos na feira e Pedro estava.
. . Tão feliz que decidiu fazer algumas mudanças nos planos para a vida, primeiramente, ele resolveu deixar a empresa de entregas nas mãos do irmão.
Os dois combinaram que seriam sócios e chegaram a um acordo. Isso encheu o coração de Pedro de felicidade, pois, com a sociedade, seu irmão teria mais condições de começar uma família. Ele também resolveu dar a própria casa para a Rosa, sua enfermeira, como agradecimento por tudo o que ela tinha feito por ele.
Ela foi a única que não o abandonou quando ele mais precisou. Como ele e Olívia planejavam se casar em breve e ele se mudaria para o sítio, ele não tinha mais necessidade da casa. Rosa, por sua vez, era uma mulher sozinha que dependia do próprio trabalho para sobreviver, e Pedro pensava que, uma vez que ela não teria mais forças para trabalhar, ela ainda não tinha sua casa própria.
Quando soube da notícia, ela chorou muito e disse que nunca tinha feito nada esperando por uma recompensa, mas agradeceu de todo o coração. Depois de tanto tempo cuidando de Pedro diariamente, os dois já tinham uma relação de amizade e carinho um pelo outro. Alguns anos depois, quando Pedro já morava no sítio há alguns anos, alguém bateu na porta da casa de Rosa procurando por Pedro.
Rosa olhou pelo olho mágico e reconheceu a ex-mulher de Pedro, Júlia. "Olá, aqui era a casa dele. Pedro não reside mais.
" Com essa resposta dúbia, Júlia imediatamente pensou que Pedro tinha falecido. "Ah, e você é a enfermeira que cuidava dele. O que você faz aqui, hein?
" "Ele me deu essa casa em agradecimento pela minha dedicação a ele," respondeu Rosa. Júlia, em estado de choque, claramente não acreditou em Rosa. "Ah, eu sempre soube!
Eu sabia. Uma interesseira como você! " "Tá vendo, Maria Fernanda, eu não estava louca dizendo isto.
" A ex-esposa tentou empurrar a porta, mas Rosa conseguiu fechá-la para fora. Júlia e a filha ainda bateram na porta por algum tempo, até que desistiram e foram embora. Rosa imediatamente pegou o telefone e contou ao que havia acontecido.
De tarde, Pedro recebeu a visita do irmão, que veio avisar que Júlia estava à procura dele pelos quatro cantos da cidade. "Ela acha que você morreu e que eu me apropriei indevidamente da empresa e da casa," disse. "Ela e a filha são as herdeiras legítimas.
" Preocupado, Pedro ligou para o advogado para saber o que fazer, mas como o advogado já havia feito o divórcio e como ela já tinha ficado com todo o dinheiro da poupança, ela não tinha direito à herança. Poucos dias depois, ela voltou à casa de Rosa, querendo saber da herança. Sabendo que Pedro preferia que elas pensassem que ele tinha morrido, ela confirmou sua morte.
"Eu não sei se você ficou sabendo, ele estava muito doente e morreu de desgosto quando foi abandonado pela filha e pela esposa. " Sem conseguir nada de Rosa, Júlia e a filha bateram na casa dos vizinhos, mas como todos sabiam que ela havia abandonado o marido doente, ela não foi bem recebida em lugar nenhum. Contudo, uma das vizinhas fofoqueiras acabou soltando uma informação: "Os vizinhos informaram que ele deixou a casa para a Rosa quando ainda estava vivo e foi morar com uma moça chamada Olívia num sítio na entrada da cidade.
" Júlia resolveu ir até lá, pois achava que essa Olívia poderia ter ficado com a herança que era dela e da filha. Não foi difícil encontrar o sítio; Olívia era bem conhecida na região. Olívia já sabia de toda a história e confirmou a morte de Pedro, pois sabia que ele preferia assim.
"Pedro faleceu faz alguns anos. Ele falava que tinha tido uma esposa e uma filha, mas elas nunca apareceram. " Ofendida, Júlia entendeu esse comentário como uma provocação e começou a arrancar as plantas que havia em volta, jogando vasos para cima e gritando muito, igual uma louca.
Os trabalhadores, preocupados com a patroa, enquanto isso, Pedro ouvia tudo do lado de dentro da casa, mas a confusão foi se tornando tão grande que ele resolveu dar um basta na situação e foi confrontar a ex-esposa e a filha. Ele abriu a porta da casa e saiu exatamente na varanda, onde Júlia e Maria Fernanda faziam escândalo, um verdadeiro barraco. As duas não perceberam de quem se tratava até que ele segurou a mão da esposa e disse: "Chega, Júlia!
Chega! " Pensando que o ex-marido tinha morrido, Júlia levou um susto ao ver Pedro, mais forte do que nunca. Era até cômica a situação: de um lado, Júlia descabelada, mal vestida e envelhecida; do outro, o homem que ela pensava que tinha morrido, bem cuidado, forte e musculoso.
"Pedro, eu pensei que você tinha morrido! " "Sim, eu sei, mas estou vivo, vivíssimo! " Astuta, a mulher tentou reverter a situação.
"Seu canalha mentiroso, por que você não veio nos procurar quando ficou bem? " "Mas me diga, por que eu procuraria uma mulher que me abandonou no momento mais difícil da minha vida, hein? Mas nem mesmo sua filha.
. . " "Ah, que tipo de pai é você?
" Pedro olhou para a filha e viu nela o olhar maligno e perverso da mãe. Ela já era maior de idade e nunca havia se importado em saber dele; também estava ali de volta em busca de dinheiro. Mas, antes que Pedro pudesse responder, um carro da polícia chegou para saber o que estava acontecendo.
Ao ver as duas mulheres destruindo as plantas e gritando com Olívia, os trabalhadores do sítio haviam chamado a polícia, que, diante da invasão de propriedade, das ameaças e da destruição, perguntou a Pedro se ele gostaria de registrar uma queixa contra as duas. Depois de pensar por um momento em tudo que as duas haviam feito, Pedro decidiu prestar queixa. Ele percebeu que essa seria a única maneira de garantir que elas não continuariam importunando Olívia, Rosa e o irmão.
Assim, todos foram para a delegacia. E Pedro ficou sabendo que a esposa tinha gasto todo o dinheiro da poupança e, por isso, tinha resolvido voltar em busca da herança. Como ela nunca assinou os papéis do divórcio, ela imaginou que o divórcio não tinha se concretizado e que tinha direito à herança, ou que, na pior das hipóteses, a filha tivesse direito a uma parte da casa e dos bens do pai.
Sabendo desses detalhes, Pedro pediu que seu advogado viesse até a delegacia e explicasse para as duas que eles já estavam divorciados há muito tempo e que ela já tinha recebido sua parte dos bens quando deixou a casa e gastou todas as economias da família, que eram de valor superior a uma casa. No fim das contas, Pedro e Olívia voltaram para casa e continuaram vivendo juntos, enquanto Júlia e a filha responderam a um processo por vazão de privacidade e agressão. As duas finalmente foram procurar um trabalho para pagarem suas contas em outra cidade, pois Pedro havia pedido uma ordem para que as duas não pudessem mais se aproximar dele pelo resto da vida.
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