Olá, moçada! Tudo bem? Bom dia!
Obrigado por estarem aqui mais uma vez para esse bate-papo diário nosso sobre o estoicismo. Eh, lembrando a vocês uma solicitação sempre carinhosa: não se esqueçam de comentar, curtir e compartilhar o vídeo; é muito importante para manter o projeto vivo, a chama acesa, pra gente caminhar juntos até o final do ano e, depois, claro, com novos projetos que certamente virão, se a natureza não mandar nada em contrário. Moçada, o seguinte: hoje, com uma meditação de cênica intitulada "A verdade sobre o dinheiro", aqui nós veremos que a uma cênica nos chama a atenção para o fato de que, frequentemente, supervalorizamos a questão material; supervalorizamos o dinheiro.
Imaginamos que o dinheiro seja capaz de resolver problemas que o dinheiro não resolverá. O dinheiro não é capaz de resolver problemas internos; ele pode solucionar parte das questões que nos envolvem, mas ele não vai solucionar essa. Pelo menos, é uma visão estóica, e eu concordo bastante com isso: o dinheiro não vai solucionar aquilo que há de mais importante, que são as questões que dizem respeito ao interior.
Mas falemos sobre isso após a leitura do trecho. Cito CCA num texto intitulado "Consolação a minha mãe". É, passemos aos realmente ricos.
Quantas vezes eles se parecem muito com os pobres? Precisam restringir a sua bagagem, e, quando estão com pressa, dispensam comitiva. Aqueles que estão no exército, com poucos de seus bens, conseguem conservar.
Então, se vocês quiserem, aqui, né, numa imagem: mesmo que a pessoa seja muito rica, ela não pode levar tudo; ela tem que restringir alguma coisa. Existe um grau de restrição para ela se movimentar. Não dá para levar a mansão inteira, não dá para escavar a casa e levar junto com você.
Fazendo uma imagem, e quando estão com pressa, você dispensa uma série de coisas, né? Você precisa de leveza em alguns momentos da vida. Então, mesmo sendo muito rico, em alguns momentos, você vai procurar a leveza e vai se livrar de algumas coisas.
Aqueles que estão no exército, com poucos de seus bens, conseguem conservar. Dizer aqueles que estão em guerra, aqueles que estão em situação beligerante, perdem os seus bens. Esses bens são dissolvidos, esses bens são destruídos.
Enfim, os autores fazem um comentário interessante: o autor Scott Fitzgerald, que muitas vezes glamouriza os estilos de vida dos ricos e famosos em livros como "O Grande Gatsby", abre um de seus contos com a frase agora clássica: "Deixe-me falar-lhes sobre os muito ricos. Eles são diferentes de você e de mim. " Então, na visão de Fitzgerald, é como se os ricos fossem um troço diverso, seres diferentes, seres que estão em outro tipo de classificação humana.
Alguns anos depois que esse conto foi publicado, o seu amigo Ernest Hemingway causou de Fitzgerald ao escrever: "Sim, eles têm mais dinheiro. É isso o que diferencia um humano que tem mais dinheiro de um humano que tem menos dinheiro ou nenhum dinheiro. " O dinheiro não existe como outro elemento de diferença, e Hemingway tira uma sarro do seu colega com essa frase: "Sim, eles têm mais dinheiro.
" É disso que Sêneca está nos lembrando. Um dos homens mais ricos de Roma, talvez vocês não saibam disso, Sêneca era proprietário de uma extraordinária fortuna. Ele sabia em primeira mão que o dinheiro só muda a vida em parte.
Inclusive, quando Sêneca é preso, acusado de traição, ele é mandado para a cadeia, e na cadeia você não leva nada, né? E ele passa perrengues horrorosos. Ele é expulso de Roma e passa por momentos muito duros que testam o seu estoicismo.
O dinheiro não resolve os problemas que as pessoas pobres pensam que ele resolverá; na verdade, nenhuma posse material o fará. Coisas externas não podem resolver questões internas. Se você tem um distúrbio dentro, a gente até brinca, né?
"Tá, então tudo bem, eu vou ser depressivo em Paris. " Mas, brincadeiras à parte, você vai continuar sendo depressivo. Se você não se resolve internamente, legal, você vai lá ter a Torre Eiffel diante de você, você vai fazer passeios maravilhosos, mas você não vai usufruir maximamente daquela experiência porque dentro está tudo quebrado.
Sempre nos esquecemos disso, o que causa muita confusão e dor. Como Hemingway escreveria mais tarde sobre Fitzgerald, ele pensava que os ricos eram uma raça glamorosa, especial. Romanticam a ideia de ser rico ou muito rico, e, quando descobriram que não eram, que eram seres humanos quaisquer outros, isso destruiu tanto quanto qualquer outra coisa que os tenha destruído.
Se não mudarmos, isso também será verdade em relação a nós. Eu até comentei isso em alguns encontros da Sociedade da Lanterna. Lá na Sociedade da Lanterna, por coincidência ou não, nós estamos vendo, desde o final de 2024, né?
Agora, em 2025, nós estamos nas filosofias helenísticas, e as filosofias helenísticas, de modo geral, não só o estoicismo — o epicurismo, o ceticismo, o cinismo desse cara aqui, né, do Diógenes, o cínico — essas filosofias helenísticas sempre nos chamam a atenção sobre esse ponto: cuidado para não focar a sua vida naquilo que pode até te trazer algum conforto material, e tudo bem, mas que não vai resolver questões internas. Outro dia, e aí eu queria citar exatamente esse passo, eu comentava com o pessoal da SDL, uma famosa psicóloga brasileira, até em podcasts e tudo, tem muita visualização. Ela comentava que o que mais tem no consultório dela é o novo rico: o cara que era pobre, o cara que não tinha nada, de repente, sei lá, no mundo digital ou no mundo empresarial, seja lá o que for, lá fora, no mundo digital, o cara faz fortuna, de repente começa a fazer milhões, e aí aquela coisa, né?
Já compra uma casa, sobe o padrão de vida, e aí já troca o carro. Carro importado, viagem a viagem, numa primeira classe já não é suficiente; você já precisa ir para. .
. Jatinho, aí o Jatinho já não é suficiente porque tem que levar a família inteira. Não sei que a coisa vai só tomando uma dimensão cada vez mais pesada, porque isso não tem teto, né?
Isso não tem teto para quem vive disso, para quem vive nesse registro. Não tem. Assim, no dia que eu morar num apartamento confortável com vista pro mar, eu paro.
Eu fico tranquilo. Não para. Já viu alguém aí que vive nesse registro e que tenha dito em algum momento assim: "Tem o suficiente, agora eu vou parar por aqui"?
Não. O cara vive disso, né? E ela estava dizendo: "Eu tenho muitos desses no meu consultório", porque esse é o cara que não tem paz.
Ele tem dinheiro, ele passou a ter dinheiro, mas ele mal consegue usufruir daquilo que ele tem, porque enquanto ele está no jato voando, ele está pensando: "Eu não posso perder isso, eu não posso perder isso, porque se eu perder isso, o que que vão pensar de mim? O que que a minha esposa vai pensar de mim? " Enquanto ele está pagando a mensalidade da escola do filho de R$ 2.
000, ele está pagando, mas ele pouco usufrui daquilo, porque ele está assim: "Eu não posso, então deixar de ganhar dinheiro. O que que eu vou fazer? Eu tenho que correr, porque e amanhã, se meu filho tiver que estudar numa escola pública, como é que vai ser?
Vai ser uma desgraça, vai ser uma tragédia. " Esse sujeito não respira. Esse sujeito não respira.
Eu achei muito interessante essa declaração dela como psicóloga, porque está muito alinhada com isso que a gente vê na realidade. Então não é a defesa de uma vida materialmente medíocre, não é isso. É a defesa de uma vida que busque se satisfazer em alguma medida com aquilo que é realmente suficiente.
Tem uma frase clássica da filosofia helenística que é: "A quem o suficiente não basta, nada basta. " E aí é muito perigoso vocês perderem isso e entrar num buraco de intranquilidade, num buraco de perda de si mesmo, de perda de controle. Se o que nós estamos buscando aqui é a ataraxia, é a imperturbabilidade da alma, cuidado, porque esse desejo por mais e mais e mais no mundo da matéria pode muito facilmente criar perturbações que vão trazer sérios problemas pro seu dia a dia.
Atenção a esse ponto aí, tá, gente? Um bom dia para vocês, bom trabalho e boas escolhas a todos. Até amanhã.