[Música] Olá, está começando agora o Café Filosófico, um programa que leva a você um momento de reflexão. Hoje nós recebemos o professor Tassos Licurgo, do Departamento de Artes da UFRN. Tassos, bem-vindo.
Eh, a ideia é conversarmos a partir de uma única questão que é uma questão muito instigante, que certamente já moveu mundos, né? Afinal, Deus existe, Tassos? Sim, né?
Sim. Há várias eh formas de abordar a questão. A questão é tão relevante que ela não pode ser abordada unicamente pela perspectiva filosófica, mas também tem que ser abordada pela perspectiva do existencialismo.
O próprio existencialismo parece ter existido para pagar as contas que não foram pagas pela filosofia, não é? Quer dizer, filosofia em determinado momento ficou tão cerebral, tão mental, tão racional que foi preciso desenvolver um tipo de pensamento que lidasse com o fenômeno da existência numa perspectiva mais ampla que é unicamente racional. Eu acho que nós podemos enfrentar essa questão, professor, por essas duas vertentes, uma filosófica propriamente e outra numa vertente existencialista que você destaca da da filosofia.
Da filosofia. Hum. Como assim?
Do ponto de vista filosófico, as principais questões, os principais argumentos paraa existência de Deus podem ser tripartidos da seguinte forma: na origem, na questão da origem, na questão do design e na questão da moralidade, da perdão, da origem, do problema da questão. fala como é que tudo se originou, como é que o universo se originou, como a vida se originou na questão do design, houve um projeto inteligente por trás da forma pela qual nós somos estruturados. O universo é feito dessa forma de maneira unicamente aleatória ou não?
É necessário que nós admitamos a existência de uma vida inteligente por trás do universo, tal como ele é estruturado. E a questão da moralidade vai dizer respeito, nós falaremos mais aproximadamente sobre isso, com maior pormenorização, vai dizer respeito ao fato de que para que nós tenhamos conceitos de moralidade, de bem, de mal, de certo e de errado, a necessidade da pressuposição de uma regra a partir da qual nós possamos medir esse elemento moral. Nós vamos parto eh parte a parte.
Vamos parte a parte. Primeiro, o que me me chama atenção é o seguinte, que filosoficamente a questão de Deus se coloca como questão ao longo da história da filosofia. em algum momento, eh, essa noção de Deus surge para o filósofo.
Eu não acredito, a gente pode entender que ela, a filosofia não nasce com essa questão ou com esse questionamento, mas isso vai sendo, vai entrando, de algum modo, se incorpora na tradição metafísica ocidental, no pensamento filosófico, até que num certo momento isso perde o sentido e a gente ouve com Niet a morte de Deus. Então, hoje, no começo do século XX, retornarmos essa questão como algo próprio da filosofia, deve ter os seus argumentos aí, não é isso? Essa questão da origem que você tenta, o que me parece é que há uma tentativa ideológica de colocação da questão, tentativa da universidade e de ambientes intelectualmente favorecidos, de colocar a questão no âmbito relativista com argumentos que não se sustentam ao que eles mesmos afirmam.
Por exemplo, se você pegar um argumento de Hilm, David Hilm, por exemplo, que ele vai dizer o quê? Vai dizer que a verdade ou ela surge de afirmações autoevidentes ou ela surge de observações que são empiricamente verificadas. Mas isso mesmo que é expresso dessa forma não é nenhuma das duas coisas.
O que Hilm diz não se sustenta ao critério que ele mesmo propõe. Se você vai para uma interpretação possível de Kant, sem querer aprofundar, mas você vai para interpretação possível de Kant, que vai dizer que a experiência que você tem unicamente fenomenológica, você não tem experiência com a coisa em si, eh, denota um problema no sentido de que é preciso que você tenha o conhecimento da realidade para que você tenha a possibilidade de afirmar essa impossibilidade de conhecimento da realidade. Então, o relativismo, que é um ambiente que ideologicamente é muito forte no ambiente universitário, é algo autodestrutivo, porque sempre não se sustenta o que ele menos propõe.
Coisas do tipo: "A verdade não é possível". OK, essa afirmação é verdadeira. Mas de onde provém essa afirmação?
Que pelo contrário, o que mais a gente escuta são as afirmações peremptórias de poder, de ciência. Onde onde é que você tá encontrando esse relativismo? nas na nas humanas.
Você quer dizer sim como é que isso acontece na universidade? Primeiro você tem essa perspectiva metafísica que vai avaliar se existe ou não a verdade fundamental. Quando você admite que pode existir uma verdade fundamental, você passa para uma perspectiva epistemológica.
Quando você vai dizer que mesmo que exista a verdade fundamental, não é possível você conhecê-la. Mesmo que você admita que existe a verdade fundamental e é possível você conhecê-la, você vai pra perspectiva linguística que vai dizer que pode ser que existe uma verdade, você pode conhecê-la, mas você não pode comunicá-la. E mesmo que você vai admitir que existe a verdade fundamental, você pode conhecê-la e você pode comunicá-la, você vai para uma perspectiva hermenêutica.
Quando você vai dizer que mesmo que a verdade exista, você possa conhecê-la, você pode comunicá-la, a outra pessoa não vai entender o que você vai dizer. Então existe, a meu sentir uma estruturação, um ambiente relativista. secularista na universidade, que é legítimo, mas em certo sentido, porque por outro lado perde a ideia da própria universidade, que é encontrar uma unidade na diversidade.
Sim. Mas Tos, essa argumentação que você coloca agora, ela na verdade retoma o argumento de de Gorgeas, né? Era um pouco ex nada existe, se existe, eu não tenho como aprendê-lo.
E se eu posso aprender tampouco vou poder comunicá-lo mesmo, né? Você acrescenta mais um, né? Ainda que eu posso comunicar, como é que o outro vai entender?
Mas isso é um argumento sofístico, né? Você sabe que há níveis aí de compreensão disso aí. Quando você fala, por exemplo, relação à verdade, não há uma verdade absoluta.
De fato, a gente dentro da universidade acho difícil alguém argumentar por aí, mas eu não vejo que exista essa perspectiva metafísica por trás, a não ser no sentido de tradição da própria história que nos trouxe até aqui. Essa afirmação não é uma verdade absoluta, é uma verdade absoluta. É, pois é.
Aí a gente vai aqui nesse campo de é de do do cético. E não, se isso que eu tô dizendo, a afirmação de que não é verdade absoluta cai nesse campo relativista. Se você propõe que não é a verdade absoluta, absolutamente você não poderia ter dito isso.
Porque se o que você diz não é absoluto, é relativo, então não faz sentido para mim, faz sentido só para você. OK? Mas vamos voltar porque quando você interpreta a universidade, você tá deixando de deixando de lá se as questões, você acredita que esse tópico especialmente, né?
A existência de Deus não é motivo de especulação ou de estudo, de investigação ou de pesquisa. Talvez isso se direcione mais para uma antropologia ou para uma ciência das religiões, que nós não temos isso aqui, mas outras universidades têm, né? um uma ciência da religião ou uma sociologia da religião, não.
O que eu creio que é um tópico de investigação, eu eh nós podemos conversar sobre isso, é facilmente demonstrável que é muito mais razoável a crença na existência de Deus do que a crença na ausência da existência de Deus. Essa é a vertente. É preciso muito mais fé para ser ateu do que para ser cristão, para ser teísta.
Esse é o argumento. O que é passado de modo geral é a perspectiva de que a racionalidade leva ao ateísmo quando é facilmente demonstrável que não. A racionalidade leva a perspectiva de que Deus existe.
Para o Deus cristão especificamente, isso é uma indicação que a própria Bíblia faz em primeiro Pedro 3:15 determina que você tem de estar preparado para apresentar as razões da sua fé. tem que estar preparado para apresentar os caminhos que a razão sustenta para que você efetivamente tenha a certeza de que Deus existe. Agora, é importante dizer o seguinte, nós estamos aqui estabelecendo a perspectiva de que a razão leva à existência de Deus.
Eu não estou querendo dizer que a conversão individual é algo que pode ser feito racionalmente. Esse estudo que defende a perspectiva da existência de Deus é um estudo que faz com que o intelectual tenha entre ele e o evangelho os obstáculos racionais destruídos. Aí ele é exposto ao evangelho.
Essa conversão é uma conversão de índole espiritual que é que acontece efetivamente nas pessoas. Mas o que não é defensável, do meu ponto de vista, é a perspectiva de que fé e razão são opostos, fé e ciência são opostos. O que eu gostaria de ter a oportunidade de demonstrar é que como os argumentos científicos e racionais levam a existência de Deus, a começar por esse argumento que destrói o próprio relativismo.
É isso que eu quis dizer. O sofismo, o relativismo são argumentos que não se sustentam ao que eles mesmos estão dizendo. Isso é perspectiva filosófica, mas tem perspectivas científicas também, se me permite que entre.
Por exemplo, a ciência durante muito tempo que quis demonstrar de que o universo nunca teve origem, era eterno ou como alguns físicos preferem, estáticos. É, foi muito constrangedor pra ciência admitir que o universo teve uma origem. mesmo os cientistas hoje ateus, hoje ateus ou agnósticos não condenam, não vão de encontro contra a perspectiva de que o universo teve uma origem, sim, com o Big Bang.
Então você tem vários argumentos do que o universo teve uma origem. Isso é isso é um relato unicamente bíblico. Em Gênesis, no primeiro capítulo, você tem a descrição do universo que é exatamente idêntica ao que a a ciência de ponta faz hoje.
E você tem vários argumentos para isso. Não é só a questão do Big Bang. Eu posso citar rapidamente alguns, se me permite.
Por exemplo, a segunda lei da termodinâmica, que é chamada de entropia, que é a perspectiva de que as coisas tendem naturalmente a um estado de maior desorganização. Se elas existissem desde sempre, se não tivesse tido uma origem, já teria o tempo mais do que o suficiente, que é eternidade, para se desorganizarem totalmente. A entropia é um argumento a favor do que o universo teve uma origem.
Você tem muitos outros argumentos, a própria relatividade, Einstein ao criar relatividade, a teoria da passasse a dar um modelo de universo sem origem e os cálculos começaram a dar errado. Inclusive, um dos erros do cálculo é um erro bem simples, que é uma divisão por zero, que que as crianças é na matemática que sabem que isso não pode. Então ele tira a constante cosmológica da relatividade e a teoria volta a passar a definir o universo com origem.
Você tem as descobertas no laboratório Bell que escutavam sons, radiações de fundo. Eles até pensavam que eram sujos de que eram atuações de pombos nas antenas, interferência de pombos nas antenas. Aí quando foram ver, não viram que era, estavam escutando a radiação do Big Bang, da origem do universo.
Existem muitos na química você pode encontrar também, por exemplo, urânio radioativo. Se você deixar durante muito tempo, ele se transforma num determinada substância, chumbo. Se você tivesse um tempo eterno para isso acontecer, todos os urânios radioativos já teriam tempo suficiente para se transformar em chumbo.
Você tem argumentos filosóficos. Se você tem uma sucessão real, infinita de dias, você não pode ter o amanhã. Você não pode somar um dia a uma sucessão real infinita.
Você pode somar uma sucessão imaginária, mas uma sucessão real você não pode somar. Esse argumento é chamado calã. Então, tudo isso leva a perspectiva de que o universo teve uma causa.
A própria ciência diz que essa causa foi uma causa que criou o universo e juntamente com o universo foi criado o espaço, foi criado a matéria e foi criado o tempo. Então, necessariamente essa causa criadora desse universo que criou o espaço, a matéria e o tempo tem de ser uma causa imaterial, não espacial e atemporal. Essa é exatamente a descrição de algumas das características do Deus cristão.
É, mas tá, então voltando justamente você falou do Deus cristão e se há uma época que é marcada por essa preocupação de Deus e de tudo que gira em torno dele, é justamente a Idade Média, onde a gente vai encontrar grandes compêndios, pensadores que abordam a questão de Deus, a existência de Deus, não só em Tomás Aquino, mas desde Santo Anselmo, Agostinho, enfim. Eu me pergunto, o que que você encontra de diferente naquelas argumentações, naquelas querelas todas, eh, com hoje em dia você aqui sentado defendendo a necessidade ou a importância ou a relevância da razão para conduzir-se, né, dentro da vida? Porque no fim para você essa questão de Deus é uma questão existencial, me parece que e filosófica também é filosófica.
Mas é o que eu que minha preocupação mais é pensar o seguinte, quer dizer, o Rider quando fala da da morte de Deus diz assim: "O problema da da morte de Deus é que essa falta de Deus ainda não foi pensada ou percebida como falta. Então, se você vive numa época totalmente sem Deus, fé ou argumentos racionais que levem à conclusão de que há esse começo, essa origem é totalmente em vão, né? Então, na verdade, essa conversão é uma conversão radical da da existência das pessoas.
Então, voltando, é, primeiro essa questão, que que você encontra diferente no seus avanços da própria ciência? É, o que eu o que eu estabeleço, gostaria de dizer é o seguinte, não é o caso de discutirista e aprofundar um sistema específico de pensamento. é achar o seguinte, quais são os fatos que nos são apresentados hoje em dia e investigá-los de forma racionalmente clara, transparente e entender que esses fatos levam à percepção de que a crença na existência de Deus é mais plausível racionalmente do que a crença na sua inexistência.
Então, este é um argumento que me parece simples se você enfrentar os fatos que existem atualmente e que não é levado adiante por muitas pessoas. Não é, não, eu não tô não é a defesa da religião, não é a defesa do sistema de pensamento X, não. Anselmo tem argumentos belíssimos.
Deus é o seu do qual não se pode pensar nada maior. É o argumento de Anselm. Correto?
Tem vários sistemas. Agora, o que nós pretendemos não é investigar um sistema, uma religião, é investigar os fatos que acontecem. Então, um conjunto de fas importantes para dizer que o universo mesmo para o cientista ateu, ele tem que lhe ou ele, o cientista ateu na origem do universo vai dizer o seguinte: ou nada criou tudo a partir do nada, ou Deus criou tudo a partir do nada.
Então, são essas duas hipóteses. Isso é um argumento da origem. É que você pode até encontrar casos onde essa palavra nada é o nome próprio de Deus, né?
Aí a gente teria começar a repensar esse nada e o lugar do homem nessa história toda. É, se nada for se encontrar sinonima com Deus, nós só temos uma uma saída. Deus criou o tudo a partir do nada, a partir dele mesmo.
É, é que veja só, o que eu entendo é o seguinte, é que esse Deus que você tá indicando, ele não tem nenhum aspecto pessoal, ele não tem relações pessoais, ele não é nem trino. E essa chegada que você nos nos eh conduz, né, através dos argumentos, é um outro tipo de Deus. é um Deus totalmente outro perante a tradição.
Eu não sei como é que você encara aí se você é cristão ou não, porque Mas você remeteu a Bíblia aí num certo momento, né? Me permite dizer, é pessoal. Por quê?
Porque só pessoas, só elementos pessoais tomam decisões. E a criação do universo foi uma decisão. As próprias leis da natureza foram criadas na criação do universo.
Para o próprio físico, a criação do universo foi um ato de decisão anterior à existência das próprias leis da física. Então é pessoal nesse sentido. A questão da trindade é uma questão de difícil explicação.
É verdade, é uma questão complexa. Agora faz sentido. Para você visualizar a trindade, você pode imaginar como se fosse as dimensões de uma caixa, a altura, largura e comprimento.
As três dimensões formam uma coisa só. Isso dá uma uma percepção espacial. Mas tem outros argumentos também para o cristianismo.
Por exemplo, o amor existe antes da vida e não há possibilidade de amor se não ver alguém para ser amado. Um Deus que seja em si amor, um Deus monofacetado, não pode ser amor, porque ele vai amar quem? Então, a trindade faz sentido no sistema.
Agora, eu não quero dizer que a trindade é provada cientificamente. A existência de Deus é ora, esse Deus é pessoal. Agora, esse Deus pessoal que para você e se decide pela criação, isso de certa forma Agostinho colocaria, você sabe aquela passagem, né?
Eh, não é uma contradição, afinal de contas, como é que é isso? Deus muda de ideia, a vontade, hora ele quer criar, ora, antes disso ele não queria. Como é que você consegue marcar um momento de querer aí dessa decisão divina?
Essa essa sem ferir essa imutabilidade da sua vontade, né? Perfeito. Quando a gente disse que por antes e porque depois ele não criou, a gente tá pensando em um Deus pessoal que vive na dimensão temporal.
O próprio tempo, a gente não pode se esquecer, foi criado com o próprio universo. Então, não faz sentido de usar termos como antes, depois, durante, antes da criação do próprio tempo. É como você perguntar, por exemplo, o gosto da cor.
Não faz sentido. Então o não há uma cronologia específica que permita a possibilidade de você usar termos como antes, depois, antes da criação do próprio tempo, entende? Então Deus não tem, não, não se submete ao tempo.
Ele inclusive, inclusive, é, mas um tempo que existe para nós, né? Como é que a gente vai pensar Deus para quem? Do tempo?
Tempo a própria física trabalha com esses conceitos. Prap física, o Big Bang foi algo que existiu antes do tempo. Fisicamente você não quase, né?
Quase não. Isso é isso qualquer físico vai concordar. O Big Bang é algo que cria o próprio tempo.
Inclusive, se você me permite, essa definição de que Deus está fora do tempo resolve problemas como o da ciência do futuro e do livre arbítrio do homem. O homem pode ter livre arbítrio e Deus ter ciência do futuro dele. Por quê?
Porque ele está vendo o tempo de fora do tempo. E o livre arbítrio também, se você me permite, é uma condição sinequa não existência do amor. O sistema é perfeito.
O amor só existe na possibilidade de você não amar. Você pode forçar uma determinada pessoa a se comportar como se ela amasse, mas você não pode forçá-la a amar verdadeiramente. Você só vai conseguir fazer com determinada pessoa o ame se efetivamente ela tiver a possibilidade de não amar.
Então é um sistema. Agora, agora tem argumentos também de índole, não da origem. Eu tô falando muito da origem, mas se é vamos ter recuperar o argumento eh teleológico, por exemplo, esse argumento da finalidade da criação do mundo, ele pode se dividir tanto na própria vida que nós temos como também na estrutura do universo.
Vamos ainda nos manter no universo, depois eu falo da vida. Veja bem, o universo é estruturado de forma tal, a estruturação do universo é de tal maneira que nós temos 122 constantes antrópicas conhecidas. O que são constantes antrópicas?
São situações que se houvesse uma pequena variação, por menor que seja, a vida não seria possível. É absolutamente impressionante. São 122 constantes antrópicas.
O matemático calculou que para que qualquer outro planeta tivesse as mesmas condições que nós temos, a probabilidade seria de um sobre um número que é mais de duas vezes superior ao número de átomos do universo. Então, há constantes antrópicas muito radicais, como, por exemplo, nível de oxigênio na Terra, gravitação. Se a gravidade tivesse uma variação mínima, a expansão do universo não permitiria a formação de galáxias do sol e a vida não seria possível.
Se o oxigênio tivesse uma concentração maior, haveria combustão espontânea. Se tivesse uma concentração menor, nós não respiraríamos. Inúmeros outros.
Então, existe uma sintonia no universo para que a vida exista. Agora eu durante grande parte da minha vida, a maior parte da minha vida, eu fui ateu. Inclusive quando nós, quando fiz departamento de filosofia, o que eu mais estudava era ceticismo, ateísmo.
Eu fui ateu. E o argumento que mais me impressionava pro ateísmo era o seguinte: realmente a perspectiva geográfica, espacial, nós parecemos que somos muito pequenos diante do cosmos. Se você comprar a Terra com Júpiter, só para dar uma ideia, Júpiter tem, se você olhar para Júpiter, você vai ver certas manchas em Júpiter que são frutos de colisão de objetos espaciais com esse planeta.
que são essas próprias manchas maiores do que a Terra. O Sol, o Sol é muito maior do que a Terra. E se você colocar o Sol diante de uma estrela como Antares, por exemplo, o Sol fica na tela.
Se você colocar Antares na tela do computador, o Sol fica do tamanho de um pixel. Agora, isso era um argumento forte para mim da perspectiva de que o ateísmo era viável, mas até que eu tive a seguinte percepção. Veja bem, como é que eu tão pequeno sei disso?
Foi aí que eu consegui distinguir absolutamente o que é uma grandeza metafísica de alguém como nós, seres humanos, que somos criados à imagem de Deus, de uma posição espacial no cosmos. E a própria Bíblia diz: "E o céu é criado para quê? " Se você quiser ver Deus, ter a dimensão do que ele é, ele manda olhar pros céus.
Só para citar um exemplo, Júpiter, só para citar Júpiter, que eu já falei, ele serve como grande aspirador de pó, sai varrendo os céus para que a terra não seja atingida. O nosso tempo tá acabando, o problema é esse. É muito instigante todas.
Ainda faltou argumento moral que dá tempo de eu falar só do um pouco sobre a questão da vida. Fale da vida. Olhe aí o moral, concluindo, vamos tentar concluir porque o tempo tá acabando.
Falando só o documento da vida. Para vocês terem uma ideia, o ser humano em qualquer uma das suas manifestações, seja científica ou seja no dia a dia, identifica que há vida inteligente quando ele vê uma mensagem. Se você chegar na sua casa, tiver em cima da mesa escrito com eh macarrão de letras assim: "Meu filho, bote o lixo para fora".
você automaticamente vai achar que aquilo ali foi feito por uma vida inteligente, provavelmente sua mãe. Então, há programas espaciais como Set milhões e milhões de dólares para investigar apenas uma mensagem inteligente fora para provar a própria vida. Então, uma mensagem para o nosso critério científico, prova vida inteligente por trás.
Se você pegar o DNA de uma mea, que é uma vida simples e não é tão simples assim como os evolucionistas gostariam de dizer, depois outra oportunidade nós podemos falar sobre evolucionismo, mas se você pegar um ameba, a informação no DNA de uma ameba e o DNA da mais um alfabeto de quatro letras. Se você pegar a mensagem, informação de um DNA de uma amebra é equivalente a 1000 volumes da enciclopédia britânica. 1000 volumes e nós temos trilhões 100.
Eu acho que eu tenho mais que eu sou muito grande, mas normalmente uma pessoa tem 100 trilhões de células. O que quer dizer que nós temos informação suficiente a 25. 000 livros de 200 folhas.
E se somos capazes de dizer que por trás daquelas cinco palavras sobre a mesa com letrinhas de macarrão, a inteligência por trás, como é que nós não podemos dizer que por trás de 25. 000 1000 livros de 200 folhas que formam o nosso DNA, não houve uma inteligência por trás que programou tudo isso. Muito bem, terminou o tempo.
Eh, Tassos, obrigado. É um tema realmente muito legal, né, pra gente conversar e eu acredito que tá em casa também pode ter acompanhado e ficado motivado com tudo isso. Eu conversei com Tassos Licuro, professor do Departamento de Artes, sobre uma questão simples.
Deus existe? A gente se vê semana que vem. Até lá.