Imagina que a sua mente é uma sala, uma sala onde vivem milhares de pensamentos. Alguns gritam, outros choram, outros só ficam dançando lá no fundo. Algumas ideias aleatórias surgem do tipo: "E se eu largasse tudo e abrisse uma cafeteria em Parati?
" Mas no meio desse caos todo existe uma pessoa sentada numa mesa de madeira com um papel e uma xícara de café na mão. Essa pessoa não grita e nem se desespera. Ela olha pro caos e pergunta calmamente: "Como iremos resolver esse problema de maneira lógica e estruturada?
Essa pessoa é o pensamento analítico. O pensamento analítico tá presente na cabeça de todos nós, dos mais inteligentes aos menos inteligentes. Alguns possuem ele mais treinado e pronto para resolver qualquer problema e outros ainda precisam de um esforço maior para utilizá-lo.
Acontece que nos últimos tempos ele tem ganhado um papel cada vez mais importante em nossas vidas e tem virado o centro das atenções, o queridinho das empresas do mundo todo. Segundo o último relatório do Fórum Econômico Mundial, pensamento analítico a habilidade mais demandada do mercado de trabalho do mundo todo e a tendência para os próximos anos. E não é de agora, não.
Nas duas últimas edições, em 2023, 2020, o pensamento analítico já ocupava a liderança do ranking. Mas afinal, o que que é esse tal de pensamento analítico? Pensamento analítico é a capacidade de resolver problemas sustentado por dados de maneira metodológica e estruturada.
Trata-se de seguir um processo racional e passo a passo que elimine vieses e nos faça chegar em soluções com base em dados e fatos. E é por isso que as empresas querem tanto profissionais que tenham esse tipo de habilidade. Afinal de contas, qual a empresa que não precisa resolver problemas complexos de maneira estruturada?
Acontece que no dia a dia não é tão simples e natural pensar de forma analítica. Quando chega um problema pra gente resolver, aquele carinha na nossa mente, responsável pelo pensamento analítico, tenta resolvê-lo de maneira metodológica e estruturada. Mas normalmente a nossa cabeça tá um caos e nós somos ansiosos.
Então várias ideias começam a surgir para tentar resolver o problema. Pensamentos que simplesmente brotam fruto de um chute ou um achismo e não de um processo analítico estruturado. Vários.
E se a gente fizesse isso ou se a gente tentasse outra coisa? E como se não bastasse, ainda a gente tá suscetível a diversas armadilhas das nossas mentes, os famosos vieses. Os vieses são atalhos mentais que a gente utiliza para tomar decisões de forma mais rápida, como por exemplo o viés da confirmação, quando você só procura por dados que confirmam o seu ponto de vista inicial, não se abrindo a novas ideias.
ou o viés de grupo, conhecido também como efeito manada, quando você segue o comportamento das outras pessoas, simplesmente porque a maioria tá fazendo aquilo e não porque você parou para avaliar se fazia sentido ou não para você. Eles funcionam como atalhos para tomada de decisão rápida e são úteis em muitas situações, como por exemplo, quando um carro tá vindo em alta velocidade na sua direção. Você não precisa pensar duas vezes para ver que você tá numa situação de perigo e que precisa pular pro outro lado.
Esse modo de pensamento mais agilizado é o que o autor e premio Nobel Daniel Kaneman chamou de pensamento rápido. O cérebro busca atalhos para economizar energia na tomada de decisão. Só que para resolver problemas complexos que precisam de um processo de pensamento mais estruturado e longo, o pensamento devagar seria o mais adequado ao invés do pensamento rápido.
Mas a nossa mente, ela costuma ser preguiçosa e vira e mexa ela busca que a gente tome decisões mais rápidas. Por isso, os vieses surgem para tentar nos ajudar, mas muitas vezes podem nos levar às conclusões erradas. Então, como a gente faz para não cair nessas armadilhas e desenvolver um pensamento analítico?
Existem alguns passos que você pode seguir e eu vou apresentá-los aqui agora paralelamente com um exemplo. O primeiro passo é entender que você está suscetível a esses vieses, que todos nós temos preconceitos, que muitas vezes o ego, as emoções atrapalham o nosso julgamento e a gente costuma também rejeitar o que parece estranho ou novo pra gente. Por exemplo, imagina que você quer se mudar de cidade com sua família, mas não sabe para onde.
Se você ficar sabendo que muitas pessoas estão se mudando para Sorocaba, por exemplo, não significa que lá vai ser a melhor opção para você. Ou se você tem apego emocional a um lago de Atlântida, que você costumava ver em propagandas de viagem, não significa que isso é um motivo suficiente para você se mudar para lá. E uma vez que você aceita que esses vieses são naturais do ser humano, você tá ciente que até mesmo se for um grande especialista em determinado assunto, pode cometer erros e que, por isso, precisa de um processo metodológico que te auxilia a tomar decisões de maneira mais racional.
O segundo passo é começar a aplicar esse processo metodológico. Ele consiste primeiro em fazer perguntas iniciais sobre o problema para tentar entendê-lo melhor. Se você tenta resolver o problema sem entender o que tá acontecendo, você corre sérios riscos de atirar para vários lados ou dar voltas no problema sem conseguir entendê-lo de fato.
Então, primeiro, faça alguns questionamentos para ter clareza do problema que quer atacar. No nosso exemplo aqui da mudança da cidade, você precisa perguntar quais seus interesses para fazer essa mudança e quais os interesses também da sua família, se existe alguma lista de opções que vocês estão cogitando ou se tem alguma restrição de lugar ou tipo de lugar que não querem. Essas perguntas iniciais ajudam a direcionar melhor pro próximo passo, pro passo três, que é simplesmente planejar o que irá analisar.
E para isso, se você quebra o problema em partes menores, consegue ter uma visão mais clara dos critérios importantes para tomar essa decisão. No nosso exemplo da casa, começar a analisar para qual cidade deve se mudar é muito amplo. A gente pode começar levantando critérios que são importantes com base no que a gente definiu na etapa anterior.
por exemplo, custo de vida, infraestrutura, lazer, proximidade com o trabalho e outros critérios que sejam importantes com base nos interesses e necessidades levantadas por você e pelas outras partes interessadas, que aqui no caso seria a sua família. E logo em seguida, o próximo passo, passo quatro, seria de priorizar esses critérios. Existem alguns critérios que são mais importantes que outros e por isso eles devem ter um peso maior na decisão.
Por exemplo, se segurança for um desses critérios, caso a cidade não atinja um grau mínimo de segurança desejado, você automaticamente pode eliminar ela. Essa abordagem nos ajuda a saber onde iremos colocar mais pesos no processo de decisão. E também otimiza o passo seguinte, que é o passo cinco, de coleta de dados.
Como o próprio nome diz, no processo de coleta de dados você coleta os dados da cidade com base nos critérios levantados. E por que a priorização desses critérios vai ajudar? Porque você não precisa coletar todos os dados de todos os critérios.
Se uma cidade já pontuou mal em um critério muito importante, por exemplo, segurança, você pode simplesmente eliminá-lo do processo de decisão e se concentrar nas outras cidades que satisfazem os critérios mínimos desse critério de segurança. No final, você terá uma matriz com as linhas sendo cada uma das cidades e as colunas sendo cada um dos critérios. E no cruzamento das linhas com as colunas, você vai ter a pontuação de cada cidade para cada uma das colunas, que seriam os critérios.
Desse jeito, você terá de forma bem visual e completa um panorama de cada uma das cidades e como ela é avaliada em cada um dos critérios e poderá tomar decisão muito mais assertiva e criteriosa com menos efeito dos vies. Essa abordagem, inclusive, facilita na hora de você apresentar e de convencer as demais partes interessadas do projeto, que nesse caso é a sua família, mas numa empresa poderia ser os diretores ou seus outros pares ou até mesmo seus clientes. Quando você utiliza um processo passo a passo e metodológico como esse, você coloca aquele carinha do pensamento analítico no seu cérebro no comando das operações e consegue detectar e desviar dos vieses com muito mais facilidade e de forma mais clara.
Espero que esse vídeo de alguma forma tenha te ajudado a desenvolver o pensamento analítico. Comenta aqui embaixo se você já aplicava esse tipo de pensamento ou se ainda sente dificuldades. E se você gostou desse vídeo e quer ver mais exemplos como esse, não esquece de se inscrever aqui no canal, se você ainda não é inscrito, deixar o like e ativar o sino das notificações para ser avisado quando um novo vídeo for pro ar.
Aproveita também e assiste esse vídeo sobre como desenvolver o pensamento estruturado de forma bem prática. Vou ficando por aqui.