era o segundo dia que meu marido tinha ido embora e o vizinho amigo veio me visitar ouvi de longe um toque leve e sincero na porta deixei a panela cozinhando um arroz e nem percebi que precisava colocar algum tecido para tampar os melões abri a porta e lá estava ele com um sorriso fácil que penetrava a alma dei um abraço respeitoso sentindo a presença do contato no vão e eu o convidei para entrar e beber um café enquanto eu fazia uma comida para ele rainha tem segredo nome é Isadora tenho 35 anos e vivo numa
cidadezinha no interior do Paraná chamada São Clemente pequena pacata dessas onde a vida passa depressa e acontece algumas coisinhas interessantes aqui que até eu fico sabendo meu casamento durou 10 anos 10 anos de altos e baixos de promessas quebradas e sonhos desfeitos no início parecia perfeito até que um dia sem aviso sem discussão sem briga meu marido simplesmente fez as malas e foi embora mas eu preciso explicar um pouquinho de como o Elias meu cizinho me dava atenção um homem de 42 anos robusto com os traços Marcados pelo sol e pelo trabalho duro alto pele
bronzeada mãos firmes de quem lida com a terra todos os dias desde que vim morar ali ele sempre foi educado respeitoso e vez ou outra quando ele não estava presente ele fazia esse papel me atenção tá precisando de alguma coisa vizinha ele perguntava quando me via passando pela porteira eu sorria de leve e dizia que estava bem os dias foram passando e ele sempre arrumava um jeito de puxar conversa primeiro era sobre o tempo depois sobre as plantações as dificuldades do campo histórias antigas da cidade até que um dia a conversa se aprofundou um pouco
mais Isadora sei que não é da minha conta mas você tem andado meio calada demais ultimamente ele falou enquanto encostava na cerca da minha propriedade segurando um chapéu de palha entre os dedos suspirei é que às vezes a gente se perde um pouco quando a vida muda de repente sabe ele assentiu com aquele olhar de quem entendia mais do que dizia eu sei a vida no campo ensina a gente que tudo tem seu tempo tem coisa que a gente planta e demora a crescer mas quando cresce vale a pena aquelas palavras significavam alguma coisa e
pela minha experiência eu imaginava que ele queria comer pois hora ou outra ele percebia os melões e eu nem preocupava com aquilo pois meu marido já tinha parado de comer nos dias que se passavam Elias continuava ali por perto me ajudando com pequenos concertos me ensinando truques para melhorar minha plantação até que num certo final de tarde algo diferente aconteceu eu estava na varanda tomando um café quando vi Elias se aproximando com um saco de milho no ombro trouxe um presente para você ele sorriu ajeitando o chapéu milho para você fazer uma pamonha dizem que
mulher que sabe fazer pamonha boa tem o coração mais doce eu ri surpresa com o comentário imaginando várias possibilidades ah Elias Você tem cada uma havia um tom diferente na voz dele não era só brincadeira era um desafio algumas semanas se passaram e meu marido foi embora na da noite sem me comunicar nada apenas deixando um bilhete com um dinheiro em cima da mesa e dizendo que todo mês me daria um pouco de dinheiro e que a casa poderia ficar para mim na manhã seguinte me levantei Sem pressa sem relógio sem obrigação de preparar o
café para mais ninguém além de mim mesma ainda usava um vestido de algodão macio leve de alças finas caía solto no corpo desenhando a silhueta sem esforço como se o próprio tecido entendesse a liberdade que eu começava a sentir fui até a cozinha Preparei um café forte e me sentei à mesa encarando o silêncio até que um som conhecido me tirou do Trans batidas leves no portão me levantei e ao olhar para fora vi Elias parado ali segurando um chapéu de palha entre as mãos encostado na cerca com aquele jeito tranquilo de quem nunca tem
pressa Bom dia Isadora ele disse com Um meio sorriso acordei cedo e pensei que TZ quisesse pro almoço senti um calor Subir pelo rosto não esperava visitas ainda mais naquela manhã em que eu ainda tentava entender como seria minha vida dali em diante ah Elias eu não preparei nada muito especial só um arroz com feijão ótimo eu goo de comida simples melhor do que comer sozinho eu sabia que podia dizer não que podia inventar uma desculpa qualquer mas algo em mim quis que ele ficasse abri o portão e o deixei entrar em um abraço respeitoso
eu pude sentir o contato próximo ao vão como se um passarinho tivesse encontrado o seu ninho ele caminhou devagar até a cozinha e só então percebi que ainda estava com o vestido de pijama solto no Corpo Leve demais para um dia tão comum cruzei os braços instintivamente tentando disfarçar mas notei que os olhos dele passaram um segundo a mais do que deveriam ali naquela cena tão casual mas que de alguma forma carregava algo novo no ar Ele não disse nada sobre isso apenas puxou uma cadeira e se sentou como se já fizesse parte daquele lugar
há anos você tá bem ele perguntou enquanto eu servia os pratos Acho que sim não sei eu imagino que Deva ser estranho né depois de tanto tempo junto eu dei de ombros Sentando à mesa Elias assentiu pegando os talheres com calma cortando os pedaços da comida com uma paciência que me fez perceber o quanto ele era diferente do meu ex-marido meu marido sempre comia apressado como se tivesse algo mais importante para fazer Elias por outro lado parecia apreciar cada mordida cada segundo daquela refeição simples como se o mundo estivesse no ritmo certo você não tá
sozinha Isadora conta comigo para o que precisar a forma como ele disse aquilo fez meu coração bater um pouco mais forte ali naquela onde antes só existiam duas presenças silenciosas eu e a saudade agora havia outra energia e eu sentia que aquela visita de Elias não seria a última enquanto ele almoçava e percebia os melões volumosos a cada garfada Eu também precisava de um alimento o alimento que meu marido já não me servia há um bom tempo arredei A alça para que ele percebesse e entendesse que os melões já estavam prontos para comer não durou
dois minutinhos e ele alinhando a fome com a vontade de comer aquela cozinha era testemunha de um almoço que duraria por mais tempo segurei no fogão de lenha para que Ele pudesse sentir o aroma Doce Presente nas curvas enquanto isso Eu segurava no cabo de uma panela que estava no ponto e aberta para receber a comida cuidadoso a cada movimento como se fosse um chefe saboreando a maravilha de um sabor encantador eu recebia tudo com alegria percebendo a fome dele arredando para o lado o pano que atrapalhava o encaixe perfeito eu percebi que a cozinha
esquentava a media que o sol entrava na fresta da janela e para resolver isso caminhei mais perto da pia sentindo a frieza do mármore sobre os meus dedos depois de quase meia hora nos alimentando na cozinha ele sem querer derramou um copo de leite que estava na pia em cima de mim ele ficou sem jeito mas eu permaneci na posição sorrindo para ele dizendo que estava tudo bem não se preocupe Elias eu limpo o importante é saber que você estamos satisfeitos para falar a verdade eu queria beber aquele copo mais às vezes não dá tempo
e o importante é viver cada momento como se fosse único após isso ele guardou o cabo da panela e eu sorri dizendo a ele que estava muito feliz pela sua visita naquele mesmo dia ele permaneceu o dia todo comigo compartilhando experiências e me ensinando mais coisas sobre a vida ele parecia um psicólogo moderno me ajudando a esquecer tudo de ruim que eu tinha vivido Às vezes quem nos valoriza está do lado da nossa casa e a gente não percebe Espero que tenha gostado Beijos da rainha e até o próximo relato