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E por que Schopenhauer dizia que é perfeitamente racional? Você está cansado? Não fisicamente, não só do trabalho, não só da rotina.
Você está cansado de existir, de ter que continuar, de ter que acordar todo dia e fazer tudo de novo. E você sente culpa por isso, porque te disseram que viver é um presente, que você deveria ser grato, que você deveria ter energia, que você deveria querer continuar, mas você não quer. Não sempre.
Às vezes você só quer parar de tudo. E Schopenhauer te diz que isso não é fraqueza, não é depressão, não é defeito, é lucidez. É você finalmente vendo a vida como ela é, um fardo, pesado, constante, interminável, até que finalmente termine.
Schopenhauer entendia o cansaço de viver. Ele via que a vida exige demais o tempo todo, sem pausa, sem descanso real, sem dia de folga, de ser você mesmo. Você acorda e imediatamente a lista começa.
Coisas que você precisa fazer, pessoas que você precisa atender, papéis que você precisa representar, máscaras que você precisa usar. E você faz todo dia por anos, por décadas, e vai acumulando o peso de todas as vezes que você fingiu estar bem, de todas as vezes que você engoliu o que sentia, de todas as vezes que você continuou quando queria parar. E chega um ponto em que você não aguenta mais, não porque algo específico aconteceu, mas porque você está simplesmente cansado de carregar.
de fingir, de continuar. Você olha pro futuro e vê mais do mesmo, mais trabalho, mais contas, mais obrigações, mais responsabilidades, mais anos, fazendo exatamente a mesma coisa. E você se pergunta: para quê?
Para chegar onde? Para alcançar o quê? E não tem resposta, porque não existe resposta.
Você só continua porque é isso que se faz. Porque parar não é opção. Porque desistir não é aceito.
Então você continua cansado, arrastando, sem vontade, mas continuando porque tem que continuar. Schopenhauer dizia que viver é essencialmente esforço, esforço constante para manter o corpo funcionando, para manter a mente funcionando, para manter as relações funcionando, para manter a vida funcionando. E isso, isso nunca parece.
Você precisa comer todo dia, precisa dormir todo dia, precisa trabalhar todo dia, precisa se cuidar todo dia, precisa lidar com pessoas todo dia. É interminável, é cansativo, é exaustivo. E para quê?
Para poder fazer tudo de novo amanhã. É circular, é sem sentido, é císifo empurrando a pedra eternamente até morrer. Você trabalha para ganhar dinheiro, para pagar contas, para poder continuar trabalhando.
Você come para ter energia, para continuar vivendo, para precisar comer de novo. Você dorme para descansar, para ter energia, para fazer tudo de novo. Não há progressão real, não há avanço, não há chegada, só repetição infinita, cansativa, até que seu corpo finalmente desiste e você para, não porque escolheu, mas porque não aguenta mais.
E Schopenhauer via isso e entendia porque as pessoas ficam cansadas de viver. Não é mistério, não é patologia, é resposta natural a uma existência que exige demais. e oferece muito pouco.
Você se cansa das mesmas conversas, das mesmas pessoas, das mesmas dinâmicas. Todo dia alguém te pergunta como você está e você responde bem, mesmo não estando, porque ninguém quer a resposta real. Ninguém quer ouvir que você está cansado, que você está vazio, que você não aguenta mais fingir.
Então você finge de novo, como sempre, e isso cansa mais do que qualquer trabalho físico. Fingir que você está bem quando está. Fingir que você quer estar aqui quando não quer.
Fingir que a vida vale a pena quando você duvida, todo dia, todo maldito dia. E você não pode parar de fingir, porque se você mostrar a verdade, as pessoas se assustam, te julgam, te abandonam. Então você continua usando a máscara e vai ficando mais pesada, mais apertada, mais sufocante, até que você nem lembra mais como é seu rosto de verdade.
Schopenhauer via o tédio como parte do cansaço. Quando você para de sofrer ativamente, você se entedia. E o tédio é sua forma de cansaço.
Cansaço de repetição, de monotonia, de fazer as mesmas coisas e sentir as mesmas coisas. e não chegar a lugar nenhum. Você já viveu esse dia mil vezes, já teve essa conversa mil vezes, já sentiu esse vazio mil vezes e vai viver mil vezes mais até morrer.
E isso não te anima, não te motiva, te cansa profundamente, existencialmente. Você está cansado não do dia, mas da repetição infinita, de dias iguais. Você acorda e já sabe como vai ser.
Você vai fazer as mesmas coisas, ver as mesmas pessoas, ter os mesmos pensamentos, sentir os mesmos sentimentos e deitar tão vazio quanto acordou. E amanhã vai ser igual e depois de amanhã vai ser igual e daqui a 10 anos vai ser basicamente igual. Só que você vai estar mais velho, mais cansado, mais perto do fim.
E isso, isso não é vida, é só existência mecânica, automática, sem sentido. Você se cansa das próprias emoções. Quantas vezes você já ficou ansioso?
Quantas vezes você já se sentiu inadequado? Quantas vezes você já teve aquela crise existencial? às 3 da manhã, centenas, milhares, e vai ter milhares mais, porque suas emoções são cíclicas, elas voltam, sempre voltam.
Você resolve uma ansiedade, outra aparece, você supera uma insegurança, outra surge, você encontra um pouco de paz e logo ela se vai e você está de volta aos mesmos sentimentos, às mesmas lutas internas, aos mesmos demônios que você já enfrentou mil vezes e vai enfrentar 1000 vezes mais. Isso cansa porque você não evolui de verdade. Você só circula entre os mesmos estados emocionais infinitamente.
Schopenhauer dizia que a velice é o cansaço acumulado. Não é só o corpo que envelhece. É a vontade de continuar.
Você já viu tudo, já sentiu tudo, já tentou tudo e nada, absolutamente nada preencheu, nada satisfez. Nada valeu a pena de verdade. Então você fica apenas cansado, sem ilusões, sem esperanças, sem energia, para fingir que ainda acredita.
E você continua por inércia, porque seu corpo ainda funciona, porque as pessoas ainda esperam que você continue, porque você não sabe o que mais fazer além de continuar, mesmo cansado, mesmo vazio, mesmo sem vontade, você se cansa de se cuidar, de ter que comer bem, de ter que dormir suficiente, de ter que se exercitar, de ter que manter esse corpo funcionando. Para quê? Para viver mais, para ter mais anos desse cansaço.
Você se cuida para poder continuar se cansando. É absurdo, mas você faz. Porque é isso?
Que se espera. Você se cansa de ter esperança, de acreditar que vai melhorar, que você vai encontrar sentido, que você vai finalmente se sentir pleno. Quantas vezes você já esperou que algo mudasse sua vida?
um emprego novo, um relacionamento novo, uma cidade nova. E mudou por quanto tempo? Dias, semanas e depois você estava de volta ao mesmo cansaço, a mesma insatisfação, ao mesmo vazio, porque o problema nunca foi externo, sempre foi existir.
E você não pode mudar isso, só pode aguentar até não aguentar mais. Schopenhauer entendia. Por pessoas desistem, não porque são fracas, mas porque são honestas.
Honestas sobre o peso, sobre o cansaço, sobre a futilidade de continuar. Ele não glorificava a desistência, mas entendia, entendia que tem gente que simplesmente não aguenta mais, que carregou o quanto podia, que tentou o quanto conseguia e que chegou ao limite. E não há julgamento possível para quem chegou ao limite, só compreensão de que viver é pesado demais.
para alguns, para muitos, para quase todos, em algum momento, você provavelmente não vai desistir, provavelmente vai continuar porque tem medo, porque tem pessoas que dependem de você, porque ainda há uma fagulha de esperança, por menor que seja, mas o cansaço, o cansaço vai continuar crescendo, acumulando, pesando e você vai carregar ele todos os dias, acordando cansado. vivendo cansado, deitando cansado e fazendo tudo de novo amanhã e depois de amanhã e depois até que finalmente você possa descansar de verdade, permanentemente. E Schopenhauer dizia que esse descanso, essa pausa final, esse fim do esforço constante não é tragédia, é alívio, é merecido.
é a única recompensa real por ter carregado, por ter aguentado, por ter continuado mesmo cansado. Você não precisa gostar disso, não precisa concordar, não precisa aceitar. Mas talvez, talvez você reconheça que você está cansado, que sempre esteve, que sempre vai estar e que isso, isso não é fraqueza, é só a verdade brutal.
honesta, inescapável, de que viver cansa e que estar cansado de viver é perfeitamente compreensível. M.