Um plano de Donald Trump que prevê que os Estados Unidos ocupem Gaza e que os palestinos sejam retirados do território chocou a comunidade internacional e causou muita polêmica. Esse plano, apresentado por Trump ao lado do premiê israelense Benjamin Netanyahu, prevê transformar Gaza no que ele chamou de riviera. E já foi recebido com muitas críticas e como uma afronta aos dois milhões de palestinos que habitam o território.
Eu sou Julia Braun, da BBC News Brasil e neste vídeo vou abordar em 4 pontos esse plano que gerou fortes reações. Começo com o que se sabe sobre o plano. Trump anunciou que quer que os Estados Unidos tomem posse de Gaza.
Lembrando que o território palestino no momento está em estado de cessar-fogo, depois de quase um ano e meio sob bombardeios de Israel, que destruíram ou danificaram 70% da infraestrutura local. O cessar-fogo havia permitido que parte dos 2 milhões de palestinos de Gaza se reassentassem no território nos últimos dias. Mas o plano de Trump prevê que a população palestina seja, na verdade, transferida para fora de Gaza e absorvida por outros países da região, como Jordânia e Egito.
E que Gaza seja transformada em uma “Riviera no Oriente Médio”. O plano desafia a lei internacional que proíbe a transferência forçada de populações. O correspondente da BBC, Tom Bateman, ressalta também que, na perspectiva do povo árabe, isso tende a ser visto como uma tentativa de expulsão e limpeza étnica de palestinos.
O que nos leva ao segundo ponto: as reações. Riyad Mansour, embaixador palestino na ONU, disse que Gaza é parte da pátria-mãe dos palestinos. E que a autonomia de seu povo, de voltar para casa e reconstruir suas casas, deve ser respeitada.
Líderes de Egito e Jordânia, para onde os palestinos seriam supostamente reassentados, também rejeitaram imediatamente a proposta. Em comunicado conjunto com outros países do Oriente Médio, eles disseram, abre aspas: “Essa medida pode ameaçar a estabilidade da região, arrisca ampliar o conflito e acabar com qualquer perspectiva de paz e coexistência entre os povos”. Já Benjamin Netanyahu declarou que o plano de Trump merece ser ouvido e que o presidente americano vê um futuro diferente para Gaza, algo que pode mudar o curso da história.
Netanyahu afirmou também que Trump é o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca. Além das polêmicas, o plano ainda tem muitas perguntas sem resposta. O que significaria, na prática, transformar a região numa Riviera?
Também não está claro como os Estados Unidos poderiam ter a posse de um território que, perante a comunidade internacional, pertence ao povo palestino. Alem disso, não está claro quem moraria lá - e qual seria o plano efetivo para reassentar a população local. Vale lembrar que boa parte da população de Gaza já é formada por descendentes de palestinos que forçadamente mudaram para lá depois da criação do Estado de Israel.
Outra dúvida é qual o impacto da medida no cessar-fogo entre Israel e Hamas, e também nas trocas de reféns israelenses e prisioneiros palestinos que estão em curso. O que se sabe, segundo analistas, é que as possíveis consequências desse plano seriam drásticas numa região bastante volátil. Tom Bateman, correspondente da BBC, explica que a almejada solução de dois Estados – um israelense, e um palestino – coexistindo lado a lado seria potencialmente eliminada.
Existe o risco que essa interferência aumente o ressentimento dos povos árabes contra os Estados Unidos e Israel, servindo de combustível para potenciais conflitos futuros. Dentro de Israel, a proposta de Trump vai na linha do que é reivindicado pela direita ultra-radical, cujos líderes já fizeram parte da coalizão de governo de Netanyahu. Esse grupo defende expandir assentamentos judaicos em territórios palestinos.
Por enquanto, nem mesmo analistas experientes escondem a surpresa diante da proposta de Trump e ainda tentam entender quais implicações ela pode ter. Como deu pra perceber, essa discussão está longe de terminar. A gente, é claro, vai continuar acompanhando.
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