[Música] Quem não trabalha com dados de alguma forma em 2025 e acaba ficando para trás. A ideia do setor de análise de dados é ser um setor transversal dentro do clube. Que eu quero dizer é um setor que conversa com várias outras áreas do departamento de futebol.
Então, a gente trabalha com análise empenho, com o scout, com a comissão técnica, com a preparação física, com a fisiologia, com a diretoria, oferecendo ferramentas, subsídios e informações para que eles possam tomar decisões dentro das suas áreas. [Música] Meu nome é Té Benjamim. Eu sou engenheiro de formação.
Trabalhei com várias coisas ao longo da vida e sempre mantive o futebol ao longo de toda a minha trajetória quase como um projeto paralelo, um objeto de estudo, uma coisa, um interesse muito forte na minha vida. E aí a partir de 2016 eu comecei a escrever sobre futebol, a fazer, enfim, coisas relacionadas ao futebol e fui aos poucos entrando no mercado propriamente dito. Eh, depois eu fui ajudar a criar o departamento de análise de dados no Red Bull Bragantino.
E aí em 2024 recebi o convite de vir coordenar a área de análise de dados no Flamengo pra gente tentar impulsionar esse trabalho que, claro, já existia um trabalho relacionado a dados dentro do Flamengo. O que a gente tá tentando fazer é impulsionar e amarrar essas coisas e como o clube trabalha esse grande volume de dados. [Música] Basicamente a gente trabalha com três tipos de dados, né?
Primeiro é um dado que a gente gera dentro do clube através de tecnologias ou softwares que a gente tem aqui dentro. Então, por exemplo, aquele colete do GPS gera um monte de dados que depois a gente tem que processar e analisar para, enfim, trazer e informações que sejam relevantes pra tomada de decisão do treinador, do preparador físico, da fisiologia e por aí vai. O segundo tipo de dado são dados que a gente cria aqui dentro, ou seja, uma nota que a gente dá para algum jogador do mercado ou uma nota que a gente dê pros nossos próprios jogadores ou para uma atuação do nosso time e coisas desse tipo.
E o terceiro tipo de dados são dados que a gente compra no mercado. É um volume enorme de dados que a gente tem vários fornecedores que nos entregam tipos diferentes de dados e o nosso trabalho é integrar essas diferentes fontes pra gente ter uma riqueza nessa análise de informações pros tomadores de decisão. Eu acho que o dado, o número, a estatística em si é um insumo, é um tipo de evidência que a gente usa para tomar decisão.
tem vários outros tipos e a gente tenta unificar tudo isso, juntar tudo isso, contextualizar tudo isso para tomar melhores decisões dentro do clube. E o Flamengo hoje não poupa esforços para ter uma grande quantidade de dados, mas principalmente para integrar isso nos processos que são do futebol. Eu acho que o mais importante do nosso trabalho é que o trabalho dos dados esteja muito integrado dentro do trabalho que já é feito no futebol.
O nosso objetivo, no fim das contas, é pegar as perguntas que o clube em si, seja fisiologia, seja preparação física, seja análise de empenho, etc. , pegar essas perguntas e trazer pro mundo dos dados para procurar ali informações, padrões que podem ser interessantes, mas levar isso de volta na linguagem do futebol para que isso tudo esteja integrado e essa informação possa impactar a tomada de decisão que acontece dentro de campo ou fora de campo. No fim das contas, o que a gente tá tentando construir aqui não é um futebol feito a partir dos dados, mas é usar um grande volume de dados que podem trazer padrões interessantes para melhorar e aprofundar o trabalho que tá sendo feito no futebol.
E aí a grande o grande segredo é criar processos de tomada de decisão baseada em evidências, entendendo que os dados são uma dessas evidências que vão ser usadas ali dentro. Com a análise de empenho, a gente trabalha muito pré-jogo, então a análise do adversário, tanto individual quanto coletiva. A gente faz também análise da nossa equipe junto com a comissão técnica, faz relatório pós-jogo, uma análise mais transversal ao longo da temporada.
A gente faz também a busca por atletas no mercado junto com scout, precificação, controle de minutagem, enfim. Então, a nossa semana costuma ser muito variada. Claro que a gente tem uma rotina que segue a rotina dos jogos.
Então, a gente sabe quando que vai ter que fazer, por exemplo, o relatório pré-jogo e pós-jogo, porque o calendário é definido, mas ao longo das semanas a gente tem uma maleabilidade para planejar as nossas tarefas, para poder focar em alguma área que tá com alguma demanda específica e a gente possa ajudar essa área a responder melhor as suas perguntas ou automatizar algum processo ou usar algum tipo de dado que antes não tava presente na maneira como eles estão trabalhando. [Música] Como o calendário do futebol brasileiro é muito congestionado e o Flamengo, se tudo der certo, chega longe nas competições, então a gente joga muitas partidas ao longo do ano, a gente precisa tomar muito cuidado com o controle de carga dos atletas. Enfim, o clube precisa pensar sua temporada como um todo.
Então, a gente tem tentado apoiar a preparação física e a fisiologia na construção de ferramentas, de algoritmos, de modelos, de um acompanhamento mais constante para planejar a temporada, entender quanto cada atleta pode render, quando ele pode render e como ele pode render, pra gente conseguir manter um nível de performance muito alto, numa constância de disponibilidade do time muito alta também. [Música] Na verdade, o nosso trabalho aqui não é um trabalho abstrato, né? Não é um trabalho acadêmico.
Nosso trabalho é focado no Flamengo, no modelo de jogo do Flamengo, no modelo de negócios do Flamengo. Então, quando a gente quer olhar um atleta no mercado, nosso objetivo não é descobrir quem é o melhor atleta daquela posição, é descobrir quem é o melhor atleta daquela posição para o nosso jogo. E aí tem uma complexidade que é bastante interessante, mas no fim das contas isso só faz sentido se o Flamengo tem muito claro como ele quer jogar e como ele quer implementar essas ideias dentro e fora de campo.
O Flamengo tem dezenas de profissionais com diferentes conhecimentos que estão aqui todos os dias tentando impactar o que acontece dentro de campo, mas todos nós sabemos que o jogo é dos jogadores. São eles que jogam, são eles que decidem, são eles que fazem a mágica acontecer. O que a gente tá tentando fazer é criar uma estrutura de suporte para ajudar esse time a melhorar continuamente e trazer vitórias pro clube.
[Música] O trabalho de análise de dados tem muito a ver com grandes padrões, né? Então, dificilmente a gente vai destacar um lance, vai destacar um tipo de jogada, mas às vezes a gente consegue ajudar a identificar algum padrão do adversário, seja uma fraqueza defensiva que a gente pode explorar e acabar fazendo um gol, seja até uma fortaleza deles, né, um ponto forte, eh, que eles tenham para atacar a gente ou para se defender. Então, acho que nesse trabalho conjunto, a coisa se dilui um pouco.
É muito difícil você apontar e falar: "Ah, né, eu vi isso ou aquilo tal". Porque a ideia é que a gente tenha um trabalho feito a muitas mãos aqui dentro. Mas sim, é interessante, é legal quando às vezes a gente chega no jogo e fala: "Ah, realmente esse padrão que a gente tá vendo aqui é uma coisa que a gente conseguiu enxergar de alguma forma no pré-jogo, que a gente conseguiu debater com com análise empenho, que a gente conseguiu levar pra comissão técnica e tudo mais, né?
Acho que isso também faz parte do processo. [Música] Como a nossa área interage com várias áreas dentro do clube, a gente tem diferentes demandas, né, e diferentes ritmos de cada uma dessas áreas. Então, por exemplo, a análise de empenho tá sempre focada ali no quarto domingo, quarto domingo, quarto domingo, mas chega em dezembro, a temporada acaba, os campeonatos acabam, o pessoal sai de férias, enfim, acabam os treinos e tudo mais, só que aí abre a janela de transferência, então é o momento que a demanda do scout aumenta muito.
A gente precisa tá muito bem planejado para conseguir interagir com essas áreas nas suas diferentes demandas e nos seus diferentes ritmos. Então, por exemplo, a rotina de viagens acaba impactando no nosso trabalho. Quando tem uma viagem casada, né?
A gente vai fazer dois jogos fora seguidos e aí o time não volta, por exemplo, a delegação viaja e continua viajando e durante alguns dias. Isso modifica a nossa rotina de treinos aqui e modifica a forma que a gente tem de debater e de passar informações. A gente precisa se adaptar a esse contexto que é o contexto do futebol brasileiro.
Não tem jeito, não é um contexto só específico do Flamengo, né? E aí a gente precisa ter um processo muito ajeitado de troca de informações para conseguir manter o fluxo andando enquanto o calendário tá acontecendo no futebol e no Flamengo especialmente a gente tem só a análise de dados, mas uma série de setores trabalhando em conjunto para tentar vencer os nossos jogos. Quarto domingo, quarto domingo.
Eu acho que todas as pessoas que estão aqui dentro sabem da responsabilidade que é estar no Flamengo e sabem a dedicação que é necessária para fazer isso aqui acontecer. O nosso trabalho é só mais uma peça nesse quebra-cabeça. E aí a gente tenta ajudar a fazer um Flamengo cada vez maior.