Hoje eu vou contar para vocês a história de um dos maiores Justiceiros de São Paulo. Ele viveu nos anos 80 na Zona Leste da capital paulista. Gloriosa Z.
L. ! E se você curte esse tipo de caso Já prepara a pipoca que a história é boa.
Eu sou o Vinícius Esse é o canal Direito Dileve, onde a gente fala de curiosidades do mundo do Direito, de um jeito leve. O nosso personagem da história de hoje, ele ficou conhecido na crônica policial como Chico Pé de Pato isso porque ele tinha aquele jeito de andar com os dois pés meio aberto, como a gente costuma falar: dez para as duas né. E aí Parecia um pato andando por isso ele ganhou esse apelido de Chico pé de pato mas muito antes de ganhar esse apelido, ele se chamava Francisco Vital da Silva nasceu no Sertão da Bahia e nos anos 70 mudou com a família para São Paulo em busca de uma vida melhor, assim como centenas de imigrantes do Norte e Nordeste do Brasil, naqueles anos 70 e 80 migravam para o Sudeste em busca de uma vida melhor, já que o Brasil estava passando por um processo de êxodo rural e de urbanização da nossa população.
E como geralmente essas pessoas que vinham em busca de uma vida melhor não tinham muitas condições financeiras eles não conseguiam morar nos grandes centros da cidade como bairro Higienópolis, Jardins ou Morumbi então o Francisco ele foi morar com a família dele no bairro Jardim Camargo Novo na Zona Leste de São Paulo. Naquela época no bairro muito afastado com zero infra-estrutura, então não tinha saneamento não tinha energia elétrica e é óbvio que não tinha Segurança Pública. A polícia só ia lá muito raramente.
Por conta disso as famílias que moravam lá tinham muita solidariedade umas com as outras, mas ao mesmo tempo era uma região muita violência e a única Justiça que efetivamente chegava lá era a justiça que eles faziam com as próprias mãos baseado na lei do mais forte. E o Chico quando ele chegou em São Paulo ele começou a trabalhar como pedreiro afinal de contas São Paulo estava virando um grande canteiro de obras naquela época, só que depois de um tempo trabalhando com pedreiro ele conseguiu abrir um barzinho Ali no bairro mesmo onde ele morava. O problema é que justamente por causa da ausência do Estado naquela época existia muita violência e o bar dele era assaltado semana sim, semana também.
Além dos assaltos tinha muito malandro e bandido que morava ali naquela região naquela época e que iam no bar do Chico para consumir bebida consumir alimentos e não pagavam faziam fiado, diziam que iam pagar, depois cada hora inventavam uma desculpa diferente, muitas vezes ficavam o dando alteração lá no bar. . .
E o Chico que já tinha o pavio meio curto começou a estourar e botar para fora do bar dele quem ia lá tentar consumir fiado, quem ia lá para causar alteração e quem ia lá principalmente para tentar vender droga no local. Por conta disso o bar dele ficou mais visado ainda pela criminalidade da região e os assaltos continuavam semana depois de semana. O Chico avisava a polícia, fazia boletim de ocorrência, ia na Delegacia, e nada adiantava.
Até que numa tarde em 1984 o Chico sofreu mais um assalto, só que daquela vez ele conseguiu reconhecer os dois criminosos que tinham entrado no bar dele e feito esse assalto. Então no dia seguinte ele decidiu ir até a delegacia de polícia para fazer uma outra denúncia, mas dessa vez dando inclusive o nome dos assaltantes que tinham entrado no bar dele e levado tudo. Acontece que enquanto ele estava fora do bar e fora da casa dele se dirigindo até a delegacia para fazer a denúncia, os criminosos voltaram no bar, assaltaram tudo de novo e aproveitaram para estuprar a esposa dele e a filha dele de 16 anos de idade.
Aquele episódio mexeu muito com o Chico. Ali ele chegou à conclusão que ele não ia poder mais depender do Estado para proteger o patrimônio e a família dele, e naquele momento Francisco Alves deu lugar a CHICO PÉ DE PATO, o maior Justiceiro que são Paulo já conheceu. Chico procurou um fornecedor de armas da região, comprou algumas armas, comprou um carrinho.
Um carrinho não! Uma máquina! um Opala branco.
E resolveu fazer justiça com as próprias mãos. Os primeiros criminosos que foram alvo da Justiça do Chico Pé de Pato foram justamente os estupradores da família dele. Chico matou os dois e deu um recado muito claro para quem quisesse ouvir ali na região: já que a polícia não agia, ele ia começar a entrar em Ação.
Recado dado, bandidagem avisada e o Chico tomou gosto pela coisa. Sempre que ele podia ele pegava o possante dele e saía pela zona leste de São Paulo fazendo justiça com as próprias mãos. Com o passar do tempo o Chico foi ganhando tanta fama que a população enxergava ele já como um herói e as próprias forças policiais, que naquela época tinham uma diretriz de abordagem muito mais letal do que hoje, começaram Inclusive a se aproximar do Chico e passavam para ele nomes e endereços de criminosos que estavam foragidos da Justiça e que estavam escondidos na zona leste de São Paulo.
E o Chico fazia o quê com essas informações? Ia lá e liquidava os caras. Os registros que existem daquela época dizem que chegou um momento nos anos 80 que o Chico começou a receber mais acionamentos para fazer justiça por parte dos moradores da zona leste de São Paulo, do que a própria Polícia através da ROTA: Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar.
O Chico era chamado para resolver os problemas com muito mais frequência do que o Batalhão de Elite da Polícia Militar. E ele foi ficando tão famoso que chegou a ser inclusive entrevistado por jornais daquela época teve um jornal que era muito famoso naquela época e é famoso até hoje O glorioso Notícias Populares, que fez uma série de entrevistas com Chico Pé de Pato. Naquela época televisão não era ainda muito acessível a todos, mas o rádio fazia muito sucesso.
E tinha um radialista em São Paulo que era o equivalente ao Datena hoje: todo mundo ouvia no fim da tarde para saber de assuntos policiais. Esse radialista se chamava Afanasio Jazadji, e o Afanasio Jazadji inclusive ficou muito próximo do Chico Pé de Pato, chegando a entrevistar ele várias vezes. Guarda essa informação porque ela vai ser importante para nossa história daqui a pouco!
E o problema é que com a fama, o Chico foi começando a tomar tanto gosto por fazer justiça com as próprias mãos, justiçamento, que ele já não conseguia mais parar. Se ele tivesse outras opções de distração talvez ele pudesse desistir ou pelo menos abandonar aquela sede de Vingança, até porque àquela altura do campeonato ele já estava mais do que vingado. Mas ao contrário do Chico Pé de Pato, você tem outras opções de distração.
Por exemplo o canal DIREITO DILEVE. Então não dá esse mole: curte o vídeo, se inscreve no canal para assistir outras histórias bacanas iguais a essa. Me ajuda a crescer e a levar informação para mais e mais pessoas!
E agora que eu sei que você já curtiu esse vídeo e já renovou o balde de pipoca, bora voltar para história. Então tava lá o Chico Pé de Pato, famoso, herói da Zona Leste, Justiceiro, matador, e ele foi um belo dia para um bar para tomar uma cerveja e ficar um tempo por ali, Nesse bar Ele percebeu que tinha um cara estranho e que esse cara também estava armado. Até porque quem é polícia aprende sempre olhar primeiro para a "costela quebrada" do cidadão para ver se tem alguém armado no ambiente ou não.
O Chico não era polícia mas não era bobo. Esse cara esquisito que estava armado também percebeu que o Chico estava carregando uma arma assim que o Chico entrou no bar. O cara parece que não tinha reconhecido que era o Chico, mas viu que ele estava armado.
Então ficaram os dois ali meio se estranhando, se acompanhando, se encarando, até que teve o início de uma treta, uma discussão, e o Chico Pé de Pato foi mais rápido no saque e mais certeiro no gatilho, matando o cara que estava no bar armado também e que havia tretado com ele. E quando Chico chega no corpo do cara para pegar a identificação dele o nome completo e avisar a polícia que ele tinha passado mais algum outro bandidinho lá da região, o Chico descobriu que na verdade o cara era um Policial Militar à paisana. Isso mesmo: o Chico tinha acabado de matar um PM à paisana.
O PM se chamava Moacir Ferreira de Melo e a partir daquele momento Chico Pé de Pato estava na mira da polícia. O Chico sabia que quem matava Polícia naquela época só tinha um fim: CAIXÃO. Então ele sumiu da região, fugiu por um tempo, enquanto passou a ser procurado por todas as forças policiais de São Paulo.
Era uma verdadeira caçada ao Justiceiro Chico Pé de Pato, que da noite para o dia tinha virado matador de Polícia. E o que que o Chico fez para tentar sobreviver: lembra que eu falei para vocês que ele fez amizade com o Datena da época, Afanasio Jazadji? Chico entra em contato com o radialista famoso e por intermédio do Afanásio Jazadji o Chico se entrega na Polícia Civil de São Paulo, no DEIC.
Como a prisão foi intermediada pelo radialista ela virou praticamente um evento midiático e dizem que no dia que ele se entregou na delegacia havia cerca de 500 pessoas do lado de fora pedindo a liberdade do Chico Pé de Pato, o herói da Zona Leste de São Paulo. O Chico foi julgado pelo homicídio do policial e foi julgado também por vários outros homicídios que tinham sido responsabilidade dele e no final por todos esses homicídios que ele colecionou ao longo da vida ele recebeu uma sentença de seis anos de prisão. Seis anos.
O cara matou gente a dar com pau e foi condenado a seis anos de prisão. Os estudiosos, historiadores e jornalistas da época dizem que essa pena tão baixa pode ter sido o resultado da pressão da opinião pública. No dia do julgamento do Chico Pé de Pato tinha duas mil pessoas do lado de fora do fórum de São Paulo esperando para saber o resultado e clamando pela Liberdade do Chico.
E depois do julgamento o Chico foi para cadeia para começar a cumprir a pena de 6 anos dele. O problema é que a cadeia, como todo mundo sabe, está cheia de bandido. E bandido, como vocês já perceberam nessa história, é o tipo de gente que o Chico havia passado os últimos anos matando.
Então quando ele chegou na cadeia para cumprir a pena todo o criminoso que estava lá dentro queria uma oportunidade de acertar as contas com Chico Pé de Pato. E não deu outra: no dia 27 de janeiro de 1987 o Chico Pé de Pato foi assassinado dentro da Penitenciária de São Paulo com 91 golpes de estilete. E os criminosos que queriam na verdade acabar com Chico Pé de Pato, com essa morte trágica na cadeia conseguiram aumentar ainda mais a fama do Justiceiro que até hoje é conhecido como o maior Justiceiro da cidade de São Paulo.
E você, concorda com a ação do Chico Pé de Pato? Acha que ele passou do ponto e quem tem que prover a Justiça é o Estado sempre em toda a situação? Conta pra gente qual a tua opinião aqui nos comentários e conta pra gente se você já conhecia a história do Chico Pé de Pato.
E se tem algum caso de algum criminoso ou algum caso jurídico famoso que você gostaria de os detalhes conta pra gente aí nos comentários que ocorra atrás e faça um vídeo bem bacana Obrigado por ficarem comigo e mais esse bate-papo Lembrando que toda semana a gente tem vídeo novo por aqui. Fiquem com Deus !