Narrativas compartilhadas tem o prazer de ouvir agora o professor Rogério Augusto Profeta, reitor da Universidade de Sorocaba. O professor Rogério Profeta foi pró-reitor administrativo da Unisul de 2007 a 2018, secretário executivo da Fundação Dom Aguirre, mantenedora da Uniso, e foi professor e coordenador dos cursos de Administração, Gestão da Produção Industrial e Gestão de Lógica na Uniso. Possui graduação em Administração de Empresas pela Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas de Sorocaba, que se transformou na Uniso; especialização em Gestão da Produção de Materiais pela Facas; especialização em Administração Industrial pela USP; mestrado em Administração pela PUC de São Paulo; e doutorado em Administração pela USP.
Atuou em empresas multinacionais de grande porte de Sorocaba e região, como a Jovem Case Moto Peças, YKK Zíper, e iniciou sua carreira acadêmica em 1988. Foi representante institucional da Uniso na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Regional de Sorocaba; professor visitante da Universidade Metodista de Piracicaba; professor visitante da Fatec de Sorocaba, Fundação Paula Souza; e participou de projetos de pesquisa financiados pela Fapesp. Tem experiência na área de administração, com ênfase em administração da produção e logística, atuando principalmente nos seguintes temas: produção, logística, estratégia, qualidade, produtividade e inovação.
Realizou consultoria em gestão em empresas de Sorocaba, São Paulo, e desenvolve também o trabalho de consultoria junto ao INEP em processos de avaliação de cursos de graduação. Desenvolve pesquisas na área de didática, particularmente voltadas para o ensino superior e a capacitação de pessoas em ambiente corporativo. Principalmente, é educador, não só enquanto professor em sala de aula, com milhares de pessoas que partilharam com ele momentos de aprendizado no processo de troca de conhecimentos, como exemplo de organização e liderança, com o uso da razão e sensibilidade em todos os contextos.
Nesse momento, ele tem a responsabilidade maior de gerir as ações de professores, alunos e colaboradores em uma universidade como a Uniso, envolvendo mais de 10 mil pessoas por dia, o que se multiplica na relação dessas pessoas com outras nos contextos onde vivem, sendo observado constantemente em seus atos, e tornando-se um exemplo a seguir por sua postura arrojada, com foco na pessoa, para que ela se transforme e ajude a construir um mundo melhor em todos os sentidos. Há muito para se dizer do professor Profeta, principalmente pelas últimas ações que ele tem desenvolvido pela universidade, buscando incluí-la no contexto internacional e sempre com os olhos no presente e no futuro. Mas agora eu me calo, porque a história que vai contar é a do professor Profeta.
Professor Profeta, é um prazer enorme tê-lo aqui na Narrativas Compartilhadas, e muito obrigado pela sua presença. Desde já, eu sei que não é fácil para você encontrar um momento para estar contando e vindo até aqui, mas você aceitou de prontidão, e sei que daqui a pouco já estará em uma outra reunião, então a nossa gratidão pela sua presença e por tudo aquilo que você tem sido para todos. Fique à vontade para contar sua história no contexto da formação escolar e profissional, e sinta-se à vontade para compartilhar um pouco da sua experiência de vida.
Seja bem-vindo! Obrigado, Roberto! Fiquei muito feliz com o convite e observei as pessoas que estão sendo convidadas; ter sido convidado junto desse grupo, para mim, é uma grande honra e uma grande satisfação.
Olha, eu tenho uma vida das mais comuns possíveis. Eu nasci aqui em Sorocaba, fui criado a vida toda em Sorocaba e estudei a minha vida toda em escola pública. Tive o grande privilégio de ter excelentes professores durante a escola pública, em todos os níveis, tanto no nível básico quanto no antigo segundo grau.
Isso foi um grande diferencial na minha vida. O contato com alguns desses professores foi bastante importante e decisivo. Eu tive o privilégio de poder ter atividade profissional ou semiprofissional desde os 8 anos de idade.
Meu pai era proprietário de uma pequena fábrica, uma pequena oficina; lá a gente fazia de tudo, aprendia tudo. Essa "gente" que eu digo era minha família, meus irmãos, minha mãe, alguns primos e amigos; era uma microempresa, e aquilo, muito provavelmente, me vocacionou para a administração. A administração é uma área que aconteceu na minha vida de forma bastante interessante.
Não pensei em fazer Administração logo de princípio. Eu pensei em fazer Administração depois de ter passado seis meses estudando na Universidade de Campinas, em um curso de Estatística Aplicada. Por conta de estar na Estatística Aplicada, percebi as múltiplas aplicações da estatística relacionadas a negócios e pensei: "Poxa, eu gosto da aplicação, mas não gosto necessariamente da ciência da estatística.
" Então, aconteceu uma difícil decisão: sair da Unicamp e ir para a Facas. Essa decisão, que a princípio foi contestada, principalmente pela parte da minha família, que era mais escolarizada e ligada no peso que se tem em um diploma, me dizia: "Olha, você vai estudar em Sorocaba, numa faculdade pequena e desconhecida, e vai deixar a Unicamp. Isso é um erro.
" Eu pensei: "Acredito que não; eu preciso fazer algo que eu me identifique, algo que eu goste, algo que eu tenha mais prazer em fazer. " Foi quando decidi vir estudar na Facas. Um pouco antes disso, na época do colégio, já tinha tido um problema de difícil solução para quem tinha 17 ou 18 anos de idade.
Eu entrei no colégio técnico no Colégio Rubens de Faria e Souza, que continua sendo uma das melhores opções em Sorocaba. Na época, ele era junto do Estadão a melhor opção. Foi difícil de entrar, e foi mais difícil ainda para se formar lá, porque a seleção era muito boa, e os alunos eram muito bons.
Eu, naquele contexto. . .
Grupo, eu era mais um. Eu tenho que correr atrás de acompanhar aquele grupo todo o dia, em todas as matérias. Não tinha alguma coisa que me desse tranquilidade e eu tive que tomar a decisão, na época em que eu estava no colégio: ou eu fazia anos e saía de lá com um diploma simples (não de técnico), ou eu fazia quatro anos para ter o diploma de técnico.
E eu, naquela época, decidi: eu não quero ser técnico, não é essa a minha pegada. Eu estava precisando de outras coisas, né? A despeito da questão do fazer, do hands-on, isso está na minha veia há muito tempo.
Eu sou da época em que a escola possibilitava muita atividade prática para os alunos, ainda que a escola pública. Isso desenvolve a criatividade, o senso de pertencimento, trabalho em equipe, relacionamento e desenvolve plenamente o aluno. Então, a despeito disso, eu queria algo diferente, que ainda nem sabia o que era.
Coincidentemente, a Wipro-Unicamp, ao ter contato com os usuários, departamentos, percebi que a área de negócios é uma área que me interessava muito. Vim para a universidade, fiz o curso de administração, e tive o grande privilégio de trabalhar com muitas pessoas que eram muito mais experientes do que eu. Eu tinha, na época, 20 anos.
Com 20 anos, eu tinha contato com muita gente, já era gerente de empresa, diretor de empresa, supervisor. . .
enfim, eu era um estagiário. Minha primeira função como estagiário na JT foi interessante. Quando eu entrei na J Case, eu tinha 21 anos, estava cursando, começando o segundo ano do curso de administração e entrei na JT Case não pela competência, mas pela incompetência.
Eu explico: eu fiz vários processos seletivos, foram cinco, e no sexto deles eu fui aprovado. No quinto, fiquei retido por algum motivo que nem vem ao caso. No sexto processo seletivo, a primeira pergunta que o meu futuro gerente, na época, me fez foi: "O que você sabe sobre determinado assunto?
" Eu nunca tinha estudado aquele assunto, que envolvia a administração de produção, que eu não tinha na universidade ainda. Eu falei pra ele: "Olha, senhor, me desculpe, mas eu tenho que ser sincero, eu não sei nada sobre esse assunto. Mas me dê uma oportunidade, eu vou aprender tudo sobre esse assunto.
É uma questão de oportunidade e eu estou aqui porque eu quero trabalhar nesta empresa, porque é a melhor empresa que nós temos em Sorocaba. Eu tenho amigos aqui dentro que gostam da empresa, eu já gosto da empresa sem conhecê-las ou trabalhar nela. " Então, essa é a sexta vez que estou aqui e eu não vou desistir.
Vou trabalhar nesta empresa, quem sabe nessa função? Eu não estou escolhendo a função, estou escolhendo a empresa na qual quero trabalhar. E aqui cabe a minha função de administrador.
Esse gerente ficou observando por algum tempo, que hoje eu tenho a sensação que foram horas, e me falou: "Você tem possibilidade de começar a trabalhar segunda-feira. " Para mim, foi a glória! Eu digo que eu não fui contratado pela competência técnica, mas eu fui contratado primeiro porque eu fui sincero e segundo porque eu fui muito objetivo quanto aos meus planos e aos meus sonhos.
E não deixei dúvidas para a pessoa que me contrataria sobre o que eu estava pensando e o que eu estava sentindo naquele momento. Aquilo foi um grande divisor de águas para mim. Entrei nessa empresa.
Essa empresa me possibilitou muitas oportunidades, tantas oportunidades que eu fiquei conhecido por uma outra empresa, no caso era a Moto Peças, que acabou lançando o processo seletivo e eu fui aprovado. Fui sair bem, para sair da JT 15, eu fui me despedir do meu gerente, expliquei toda a situação e ele me disse que sentia muito à minha saída, de não ter oportunidade pra mim naquele momento, mas que ele tinha gostado muito da minha postura no primeiro contato, de ser claro e franco, de ser objetivo, de ser pontual. Fui para essa outra empresa, a Moto Peças, que também me possibilitou muitas oportunidades, que viu crescimento, ATP, promoções.
Então, fui contratado pela YKK. Pela YKK, também fui contratado a partir de um processo seletivo público em jornal: naquela época funcionava assim. E quando eu respondi à YKK, a pessoa que estava contratando me disse que depois me ligou e disse que estava esperando a minha resposta.
Ou seja, ele fez um processo seletivo muito pontual, mas ele foi extremamente ético. Poderia ter ligado direto pra mim, ter levado um profissional de uma empresa para outra, mas não. Ele esperou que eu me candidatasse.
Também fiz um processo de saída, ou seja, eu saí das três empresas em que eu trabalhei e da JT, da Epsilon. Kaká, é mais interessante ainda, mais as portas ficaram completamente abertas. Até hoje eu falo com as pessoas que ainda estão lá.
Eles ainda me recebem de portas abertas, tanto da mesma forma que os recebo aqui. Então, esse é outro ponto que acho fundamental, né? Você tem que trabalhar na vida para abrir portas e para deixá-las abertas.
A porta fechada, eu acho que é igual ao coração fechado, não vai funcionar. Então, portas abertas nos catapultam pro futuro ou nos catapultam para situações melhores. A YKK foi mais interessante ainda porque eu já era gerente, já tinha uma posição, uma posição mais elevada na empresa, já tinha um salário melhor, e aí apareceu o professor Aldo.
Durante um dos contatos na universidade, ele falou: "Olha, nós vamos mudar algumas coisas na universidade, que não era universidade ainda, e isso estava se transformando em universidade. Então, nós vamos ter que ter coordenadores de curso. .
. " Demais, chefes de departamento, coordenadores de cursos. .
. Esse perfil precisa do tempo integral, e eu mal sabia o que era um tempo integral. E você já estava vendo aqui, então já estava.
Eu comecei as aulas aqui em 1988. Dois anos depois, me formei em 84, 85 e 86; 84 anos depois de informar quais. Então, se já estava, estava fazendo mestrado, já tinha terminado.
Eu fiz o mestrado, terminei o mestrado em. . .
Comecei em 91 e terminei em 95. Então, nós vamos fazer, porque nenhuma opção é tão. .
. você vai com terno sobre o seu mestrado e a entrada no universo DF, onde, daqui a pouco, nós continuamos ouvindo o professor James Profeta.