Módulo 7 aula 10 Muito bem, nós falamos sobre DTT, mas você pode estar se perguntando por que o DTT funciona? O DTT funciona porque ele está baseado em dois procedimentos muito importantes. O primeiro deles é transferência de controle de estímulo e o segundo é chamado de aprendizagem sem erro.
Vamos falar sobre esses dois procedimentos que compõem o que a gente chama de DTT. Então pense primeiro no seguinte exemplo. Quando um terapeuta quer ensinar uma criança a identificar as partes do corpo, ele pode simplesmente dar o SD e esperar que a criança acerte sozinha.
Ele pode falar, toque o seu joelho e esperar que a criança acerte. Quando ela acertar, o terapeuta vai elogiar e talvez entregar um reforçador para o cliente. Esse ensino é conhecido como ensino por tentativa e erro.
Esse ensino tem um problema porque ele é ineficiente. Imagine que eu tenho que esperar o cliente responder corretamente e eu vou tentar muitas vezes até que por alguma razão ele acerte. Esse é um ensino que pode demorar muito tempo e na verdade o cliente pode nunca acertar.
Então sem uma dica, sem uma ajuda, esse cliente pode ficar lá a vida inteira e nunca conseguir dar a resposta correta para aquele SD que é me mostrar o seu joelho. Além disso, o ensino por tentativa e erro, pode trazer alguns efeitos colaterais. Por exemplo, a criança pode ficar muito entediada, pode desistir, pode chorar, pode ficar muito insatisfeito porque ela nunca acerta, portanto, nunca vai ter acesso à consequência reforçadora, o estímulo reforçador.
Em última análise, todo terapeuta quer que a criança emita a resposta correta diante do SD. É por isso que nós usamos o ensino por tentativas discretas. Então no DTT a gente faz isso com estímulos antecedentes suplementares, que são as dicas, ajudas ou prompt.
Algumas pessoas ainda chamam de suporte, nível de suporte, mas nós aqui estamos chamando de dicas. Esses estímulos antecedentes suplementares, que são as dicas, são apresentados quando as respostas ainda não foram aprendidas, mas a gente precisa ensinar qual é a resposta correta diante daquele SD. Então quando as respostas corretas passam a ocorrer com o uso das dicas, a gente começa a retirar essas dicas para que o comportamento correto seja emitido sem a necessidade delas.
E esse é um ponto essencial. A gente chama essa passagem das respostas com dicas para respostas sem dicas de transferência de controle de estímulos. Então a transferência de controle de estímulos é justamente a retirada gradual dessas dicas para que os SDs, os estímulos discriminativos daquela atividade, naturais daquela atividade, a instrução, a instrução mais uma imagem.
Que isso passe a controlar as respostas ao invés das dicas. Então a gente transfere as respostas que ocorrem primeiramente por causa das dicas para os SDs. Então quando eu falo para a criança, aponta o seu joelho, não dou dica nenhuma, não olho para o joelho, não aponto o joelho.
E ela, como a gente costuma dizer, com uma resposta independente, sem nenhuma dica, aponta para o próprio joelho, essa agora é uma resposta que ocorre sob controle do SD, que é a frase Me Mostre o Seu Joelho. Então a gente fez aqui uma transferência de controle de estímulos. Inicialmente a criança respondia apontando o joelho sob controle de uma dica gestual, por exemplo, eu apontei o joelho e depois ela passa a dar a mesma resposta mas sob controle da instrução.
Me Mostre o Seu Joelho. Bom, a outra parte do DTT é a aprendizagem sem erros, que a gente conjuga com o que é chamado de esvanecimento. Então a aprendizagem sem erros é um procedimento baseado em alterações graduais nas dicas para evitar que a ocorrência de erros aconteça e facilitar essa transferência de controle de estímulos.
Então esse é o procedimento de aprendizagem sem erros. O outro termo que é também utilizado às vezes é o esvanecimento, que descreve essa retirada gradual das dicas. Essas dicas, como nós já mencionamos num vídeo anterior, podem ser dicas de estímulo e dicas de resposta.
Vamos falar primeiro das dicas de estímulo. Então dicas de estímulo são mudanças em dimensões dos estímulos, ou seja, dos materiais de ensino, que controlam uma certa resposta para que isso facilite uma discriminação inicial e aumente as chances de o cliente emitir uma resposta correta. Então a gente faz a modificação gradual de alguma dimensão desses estímulos.
A gente pode estar mudando a cor do estímulo, o tamanho do estímulo, a forma do estímulo. Várias dimensões podem ser alteradas. Eu posso acrescentar algo ao estímulo, por exemplo, eu posso mostrar três figuras e diante do SD que eu dou, a resposta correta seria uma das figuras que é a figura que tem uma moldura em volta.
Eu poderia acrescentar uma moldura, ou poderia acrescentar um adesivo. Seria também nesse caso aqui uma dica de estímulo. Então, mudar as dimensões dos estímulos devem ser usadas para promover a redução das diferenças entre os estímulos das discriminações iniciais e finais.
Então se, no meu caso, por exemplo, coloquei lá como um exemplo que eu dei em outra aula. Eu coloco o cachorro grande e os outros dois animais menores e a resposta correta é a figura do cachorro. Eu vou ter que fazer a mudança dessa dimensão do estímulo gradualmente, diminuir o tamanho do cachorro até que ele fique na mesma escala das demais imagens para que essa criança passe a responder àquela imagem sem a dica do tamanho da figura.
Então primeiro eu coloco essa dica e aos poucos vou retirando essa dica. Eu poderia usar a outra dimensão do estímulo, aqui eu usei o tamanho, mas eu poderia usar, por exemplo, a cor. Então o estímulo correto é sempre o estímulo colorido e as demais figuras ficam em preto e branco.
E aí eu vou aos poucos, tornando aquela figura colorida preto e branco para que a criança passe a ficar sob controle, não da cor, mas da forma do que é aquela figura, porque as demais também estão em preto e branco. Então a dica de estímulo é basicamente isso. Eu posso alterar cores, eu posso alterar formas gradualmente, eu posso alterar a posição dos estímulos, acrescentando figuras, retirando figuras, adicionando molduras e retirando molduras.
Eu posso cobrir com linhas pontilhadas. Então quando a gente utiliza lá no ensino de escrita, isso é muito comum até no ensino regular, que as professoras dêem uma folha com linhas pontilhadas das letras. E a gente vai cobrir com lápis em cima das linhas pontilhadas.
Isso também é uma dica de estímulo. Isso vai acostumando a gente a fazer esses movimentos e vai dando a dica de qual é a letra que eu devo escrever. E aos poucos eu poderia ir deixando essas linhas pontilhadas mais apagadas até que eu falo, escreva a letra M e aí eu vou lá cobrindo com as linhas pontilhadas.
Eu vou reduzindo a cor dessas linhas até que a criança aprenda a fazer letra M sem a necessidade de linhas pontilhadas. Então esse seria também um exemplo. Isso vale para letras, números e um tanto de outras coisas.
Eu posso ensinar alguém a desenhar casa, bola, bicicleta, tudo usando essa estratégia que seria aqui no caso uma dica de estímulo. Passando agora para dicas de resposta. Então as dicas de resposta são estímulos antecedentes suplementares.
Vamos ver alguns tipos de dicas de resposta. A primeira delas é a orientação física total, também chamada de mão sobre mão. Então o terapeuta tem que tocar na mão do cliente e conduzir a mão do cliente até a resposta correta para aquela tentativa de ensino.
Então se eu quero ensinar o meu cliente a encontrar o gato dentro de uma cena, eu falo para ele: onde está o gato? E ele olha a cena no livro, aquela imagem complexa com vários elementos e eu pego a mão dele e com a minha mão sobre a mão dele, eu vou levando ele até ele conseguir apontar onde está o gato. Isso seria um exemplo de ajuda física total.
A gente também usa ajuda física total em outros tipos de ensino. Por exemplo, se eu quero ensinar uma criança a imitar movimentos motores, então eu posso dar dica física total ou ajuda física total. Eu posso fazer um movimento e dar uma instrução.
Faça isso e levanta os braços. E aí imediatamente eu pego nos braços da criança, eu ajudo ela a levantar os braços e eu acabei de dar uma dica física total ou uma orientação física total, como a gente também chama às vezes. Então, é um tipo de dica que a gente diz que é mais intrusiva, ela interfere mais na ocorrência da resposta do que outros tipos de dica.
O terapeuta pode também tocar levemente o cliente para auxiliar na ocorrência da resposta correta e adequada àquela tentativa. Ao invés de pegar e fazer junto com a criança, é dar um toque, bem mais leve para facilitar e iniciar a ocorrência da resposta. E uma vez que o cliente esteja respondendo, eu vou retirar essa dica dentro do meu sistema de retirada de dicas.
O outro tipo de dica é a dica gestual. Então, eu estou indo aqui das dicas que interferem mais fortemente para aquelas que interferem menos fortemente. Então, a dica gestual é aquela na qual o terapeuta faz movimentos de apontar, por exemplo, para alternativa correta ou faz um gesto que sinaliza alguma coisa, mas sem tocar o cliente.
Um outro tipo de dica, é a dica de modelo ou imitação. Então, quando o terapeuta demonstra a resposta correta, essa é a dica. Eu não estou fazendo um gesto indicando o estímulo correto, por exemplo.
O meu movimento que é a dica e o cliente deve realizar exatamente o mesmo movimento para que ele imite a resposta correta. Então, essa pode ser chamada, dica modelo ou imitação. E nós temos também as dicas verbais ou vocais.
Às vezes, a gente vai chamar de dicas verbais, às vezes, vai chamar de dicas vocais. Geralmente, essas dicas são palavras ou frases que vão servir como ajuda ou como um modelo sonoro para a resposta alvo, para o comportamento alvo esperado naquela situação. Essa dica também é, às vezes, chamada de dica ecóica.
Porque se eu falo assim, se eu mostro uma figura e falo, o que é isso? Camiseta. E eu dei a dica, camiseta.
E a criança repete, camiseta ela está fazendo um ecóico. Ela está repetindo, a gente chama isso de comportamento ecóico. O mesmo som vocal que eu fiz.
Então, essa é uma dica muito utilizada quando a gente está ensinando alguns comportamentos verbais, alguns operantes verbais. O esvanecimento das dicas de resposta pode ser feito com diferentes procedimentos. E nós vamos falar sobre esses procedimentos em outra aula.
Mas é muito importante que você saiba que, além do uso de dicas de estímulo e dicas de resposta, a gente precisa ter um plano muito claro e executar esse plano para que essas dicas sejam gradualmente retiradas.