Olá, moçada! Bom dia! Tudo bem?
Baita prazer falar com vocês. Mais um dia de reflexão estóica! Espero que estejam todos bem, todos em paz.
Hoje, dia 23 de março, vou compartilhar uma reflexão, uma meditação estóica desenhada por Sêneca, intitulada pelos nossos autores "A Alma Presa em uma Camisa de Força". Não se esqueçam, por gentileza, de compartilhar a meditação e de seguir o nosso canal. Eu vejo que alguns de vocês, carinhosamente, replicam essas meditações nas suas redes sociais e me marcam.
Eu agradeço muitíssimo quando vocês fazem isso, porque vocês são replicadores de uma mensagem filosófica muito importante. Agradeço muito, muito, muito! Pois bem, sem mais delongas, vamos à reflexão de Sêneca.
As doenças da alma racional são vícios duradouros e empedernidos, como a cobiça e a ambição. Cobiça e ambição são exemplos de doenças da alma, são vícios duradouros e empedernidos. São vírus!
São vícios que, uma vez instalados, são difíceis de serem eliminados. Dificilmente a gente se livra deles. Os apelos irracionais são muito intensos, são muito fortes, não obstante os péssimos resultados que trazem.
É uma loucura isso, porque nós nos agarramos aos vícios. Os resultados, nós sabemos, serão ruins, mas estamos sempre trabalhando em sentido contrário, tentando nos convencer de que não, não serão assim tão ruins, até que eles acontecem e a gente diz: "Puxa vida! Eu lá atrás poderia ter tomado uma decisão de natureza diferente.
" As doenças da alma racional são vícios duradouros e empedernidos, como a cobiça e a ambição. Elas puseram a alma numa camisa de força e se firmaram como males permanentes dentro dela. Males permanentes na alma!
Em resumo, a doença é uma implacável distorção do julgamento. A doença da alma é uma implacável distorção do julgamento, fazendo com que coisas não tão desejáveis assim sejam perseguidas com vigor. Coisas que, em si mesmas, vão nos tirar de um caminho de concepção saudável da alma acabam se tornando o input, aquilo que causa o movimento da nossa alma.
Claro que um movimento deletério, um movimento ruim, um movimento nocivo. Eu me lembro de um termo que, para os gregos, é muito importante, especialmente a partir de Platão, que é "periago". "Peri agogé" foi traduzido pela tradição como conversão.
Inclusive, depois, uma tradição cristã vai se valer desse termo grego "peri agogé" para falar de conversão. Em Platão, já tem esse sentido de conversão, mas não é uma conversão mística, não é uma conversão de natureza religiosa. Ele diz assim: "O conhecimento não é colocar à vista nos olhos que não tenham a vista.
O conhecimento é reajustar o olhar, pois a vista ele já tem. É reajustar a posição do olho". É você estar olhando para cá e o processo educacional te torcer, te empurrar pro outro lado e falar assim: "Mas você tá vendo isso aqui?
Você não tá vendo! " Por isso que o processo educacional, sem incômodo, ele não acontece. "Ah, não!
Eu não quero assistir às meditações estoicas porque isso mexe com as minhas convicções! " Porque você é uma mula! Você não é um ser humano racional!
O processo de aprendizado é um processo de incômodo, é um processo de dor, de tirar o olhar de cá e colocar o olhar para cá, onde ele não estava antes, e que você estava ignorando. "Peri" de "peri agogé" tem a ver com "per", né? Então, é, tanto quanto possível, um olhar 360º para eu não tomar vícios por virtudes, para eu não tomar coisas nocivas por coisas benéficas.
Essa é a proposta de uma vida estoica! Essa é a proposta de uma vida estoica para que a gente não tenha que aprender lá no leito de morte: "Puxa vida, eu deveria… eu deveria! " Ah, porque para mim, hoje, eu vejo que é importante!
Você tem que sofrer um acidente, se ferrar inteiro, para falar: "Ah, hoje eu vejo que é verdadeiramente importante! " Por que você não pode fazer isso enquanto ainda tem alguma saúde, e ainda pode dispor, em certa medida, de si mesmo? Porque aprender do jeito mais difícil… No comentário dos nossos autores, no desastre financeiro do fim dos anos 2000, nós tivemos alguns, né?
Mas este foi bastante impactante. Centenas de pessoas inteligentes e racionais perderam trilhões de dólares. Como, como indivíduos tão inteligentes, pessoas instruídas, gente do cinema, gente do mundo das artes, gente do mundo da literatura, gente do mundo da academia, como puderam ser tão insensatos?
Eles conheciam o sistema, sabiam como os mercados deviam operar e tinham controlado bilhões, senão trilhões de dólares. No entanto, quase unanimemente, estavam errados, e numa escala que devastaria o mercado global. Não é difícil olhar para essa situação e entender que a cobiça foi uma parte do problema, moçada!
Me digam se eu estou errado: as maiores merdas que a gente faz na vida, com muita frequência, nós sabemos que estamos fazendo merda. A razão tá lá gritando, mas aí: "Não, eu vou ouvir minhas emoções, eu vou ouvir meu coraçãozinho, eu vou ouvir os meus sentimentos…" É, reconheçamos! Isso é o nosso lado jegue, é o nosso lado apedeuta gritando.
E aí, é importante não ouvir; é importante ouvir a parte mais nobre, que já deu todos os códigos de erro para você fazer aquela coisa. Você vai lá e insiste naquilo! Foi a cobiça, que é um vício da alma, segundo o próprio Sêneca, que levou as pessoas a criar mercados complexos que ninguém compreendia na esperança de ganhar dinheiro rapidamente.
"Não, olha! O mercado tá te pagando 2% ao mês… Não, não! Mas eu tenho um negócio aqui que vai te pagar 10% ao mês!
" Como que alguém pode acreditar nisso? Não, mas é… Não, eu sou esperto! "Deixa, agora vocês vão ver eu ganhar dinheiro!
" Existe almoço grátis? Coloque o cérebro para funcionar. Não estão me ligando aqui que vão me oferecer isso, vão me oferecer aquilo, mas pera aí!
Coisa assim, caindo do céu, desconfie, né? Não pode deixar! Eu já tô te mandando.
Aí, agora, ó: eu vou te mandar 200. 000, mas você precisa pagar uma taxa de 3. 000 antes para eu te mandar 200.
000. Mas é assim: você tem que andar de quatro e tem que comer feno. A cobiça levou outros a fazer negócios com estranhos, financiamentos de dívidas.
A cobiça impediu que alguém chamasse essa situação pelo que era: um castelo de cartas esperando apenas que a mais leve brisa o derrubasse. Criticar essas pessoas agora não traz muitas vantagens para você; para mim, traz desculpa, autor! Para mim, traz.
Enquanto elas podem servir para mim de contraexemplo, de contraexemplo que nós já fizemos aqui, uma meditação a respeito, é importante olhar para as pessoas e emitir, sim, julgamentos, na medida em que essas pessoas, acertando ou errando, podem servir para nós de balizas. O melhor a fazer é perceber como a cobiça e os vícios podem estar causando um efeito semelhante em sua vida. Claro, foi o que eu acabei de dizer: tem que trazer isso para a sua vida.
Ah, como são idiotas por fazerem o que fizeram! Aí tá lá você seguindo o mesmo caminho, com um outro nome, com um outro rótulo, com uma outra marca. Quais deturpações seus vícios podem estar provocando em seus julgamentos?
Que doença você poderia ter e como sua mente racional pode intervir para ajustá-los? Aqui atrás teve uma proposta, né, pra gente escrever sobre fazer uma espécie de diário, como Marco Aurélio, fazer uma espécie de diário histórico, escrever sobre as nossas dificuldades do dia, as nossas evoluções. Eu, enquanto faço esse vídeo, recebi uma mensagem de uma amiga que nos acompanha do exterior, a Fá (e não vou falar seu nome todo).
Fá, e ela disse: “Puxa vida, eu perdi 300€ aqui num negócio, Denis. ” E foram as meditações históricas que me disseram o seguinte: “Falaram: pera aí! E eu vou fazer o que com isso?
Eu vou sentar nas calças aqui e rasgar? Ah, eu vou gritar de cima de um prédio? Não, vou respirar e vou atrás do controle daquilo que eu posso controlar, sem vícios, sem distorções na compreensão da realidade, sem pretensão de controle daquilo que eu não posso controlar”, e tudo mais que a gente tem aprendido aqui.
Então, vamos tomar cuidado com os vícios da alma, porque às vezes eles nos colocam em movimento rumo a uma coisa que, no frigir dos ovos, não faz o menor sentido para quem tem uma existência efêmera como a nossa. Se nós fôssemos seres divinos que vivêssemos para sempre, tanto faz a gente jogar esses anos infinitos que nós temos fora de qualquer maneira, com vícios, com prazeres, com corrupção da alma, com destruição do corpo. Eu vou viver para sempre mesmo!
Mas, nesse caso nosso, especificamente, não, né? É melhor viver de uma maneira um tanto mais comedida, controlada, racional, evitando problemas realmente desnecessários. Beijo para vocês, a gente se encontra aqui amanhã.
Cadê o Thalis? O Thalis não apareceu! Thalis nem para falar tchau, meu filho!
Thalis tá deitado, tá deitado! Eu já falei que ele tá virando uma estrela insuportável. Nossa!
Beijo para vocês, até amanhã!