Olá, na aula de hoje nós falaremos sobre as gerações românticas no Brasil. E como nós já vimos, o romantismo foi um movimento aí que teve como expressão, como grande força propulsora a liberdade. O romantismo no Brasil dá início à chamada era nacional da nossa literatura.
Vejamos quais são os movimentos, as escolas literárias que fazem parte dessa nossa era nacional. Nós temos o romantismo, o realismo e naturalismo, o parnasianismo, o simbolismo e o pré-modernismo no século XIX e o modernismo no século XX. Cronologicamente falando e apenas para fins didáticos, não se esqueça disso.
Essa é apenas uma classificação didática. O romantismo brasileiro tem início em 1836 com a publicação da obra Suciros Poéticos e Saudades de Gonçalves de Magalhães e também do primeiro número da revista Niterói. Isso lá na França, lá em Paris.
O romantismo brasileiro se estende até 1881, quando ocorre a publicação de Memórias Póstumas de Barrascubas, Romance Realista de Machado de Assis, e a publicação da obra Mulato, romance naturalista de Asluísio Azevedo. Ao contrário de Portugal, que apresentou o fenômeno das gerações em todos os gêneros, no Brasil isso não acontece. O fenômeno das gerações é uma característica da poesia.
Vejamos as principais gerações da poesia brasileira. Nós temos uma primeira geração conhecida como nacionalista ou indianista, uma segunda geração, a ultra romântica, também conhecida como a geração do mal do século, e uma terceira geração, conhecida como social e libertária, também chamada de condoreira. Nessa primeira geração, nós temos aí, como o próprio nome já sugere, o nacionalismo.
O nacionalismo, como também já vimos, uma grande marca do movimento romântico, ele aparece aí entre os nossos primeiros autores que vão cantar não só as belezas da terra natal, mas também a grande figura do índio. O índio aparece como bom selvagem. Ele é sempre bom, bonito e muito forte.
Vejamos quem são aí as personagens de destaque na primeira geração romântica. Nós temos Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias. Gonçalves de Magalhães é o introdutor do romantismo no Brasil e a Gonçalves Dias atribui-se aí a consolidação deste movimento.
Vejamos agora um dos textos mais importantes dessa primeira geração. Minha terra tem palmeiras onde canto sabiá. As aves que aqui gorgeiam não gorgeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas, nossas vársas tm mais flores, nossos bosques t mais vida, nossa vida mais amores. Em cismar sozinho à noite, mais prazer encontro eu lá. Minha terra tem palmeiras onde canto sabiá.
Minha terra tem primores, que tais não encontro eu cá. Em cismar sozinho à noite, mais prazer encontro eu lá. Minha terra tem palmeiras, onde canto sabiá.
Não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá, sem que desfrute os primores que não encontro por cá, sem que ainda viste as palmeiras onde canta o sabiá. Gonçalves Dias é o grande representante desse primeiro momento, dessa primeira geração romântica. A ele se deve a consolidação, a realmente a entrada pela primeira vez numa literatura realmente brasileira, realmente nacional.
Vejamos agora a sua imagem. Gonçalves Dias escreveu poesias líricas fiéis às características românticas, poesias medievais escritas em português arcaico e poesias nacionalistas como esta que acabamos de ver. Mas é na exaltação, na descrição do índio que Gonçalves Dias se destaca.
Ele é considerado pela crítica o maior poeta indianista da poesia brasileira. E um dos seus textos mais famosos nesse estilo é o conhecidíssimo texto e o capirama. E a pronúncia é realmente essa capirama, porque é um termo de origem indígena.
Nós escrevemos iu capiramba, mas pronunciamos iuká, que significa aquele que vai morrer. Vejamos agora um dos trechos mais famosos deste poema. Preste bastante atenção aí no ritmo do canto da morte.
Meu canto de morte, guerreiros, ouvi. Sou filho das selvas, nas selvas cresci. Guerreiros descendo da tribo tupi, da tribo pujante que agora andrante por fada inconstante guerreiros nasci.
Sou bravo, sou forte, sou filho do norte, meu canto de morte, guerreiros ouvi. Ufa, perceberam aí a força do ritmo do trecho? Realmente dá até para cansar.
Na segunda geração, nós encontramos o quê? Nós encontramos as as encontramos as características levadas aí ao exagero. A dor, a angústia, a morte, a saudade da infância são temas constantes neste segundo período.
Vejamos quais são os principais autores desse segundo período. Nós temos Álvares de Azevedo e Casimiro de Abru. Contam aí as histórias que os poetas dessa segunda geração, basicamente estudantes de direito lá da Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo, contam as histórias que eles amavam festinhas, mas até aí tudo bem.
Qual o problema? Qual é o jovem que não gosta? Mas sabem de quais festinhas eles gostavam?
Eles amavam se encontrar nos cemitérios da cidade. Diz a história que numa dessas festinhas eles contrataram uma prostituta e acabaram coroando-a como a rainha dos mortos, com caixão e tudo mais que uma rainha fúnebre tinha direito. Sabe qual foi o final da história?
A infeliz acabou morrendo de tanto medo. Brincadeiras à parte, coincidências ou não, todos os poetas importantes dessa geração acabaram morrendo muito cedo. Todos morreram aí antes dos 24 anos de idade.
Vejamos agora um dos textos mais significativos desse período. Se eu morresse amanhã, viria ao menos fechar meus olhos minha triste irmã. Minha mãe de saudades morreria se eu morresse amanhã.
Quanta glória precinto em meu futuro. Que aurora do porvir que manhã eu perdera chorando essas coroas se eu morresse amanhã. Casimiro de Abreu é outro autor, outro poeta importante deste período.
Ele foi muito popular, principalmente por sua linguagem fácil e por pelo seu lirismo ingênuo. Vejamos agora um de seus textos. Ó que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais.
Que amor, que sonhos, que flores. Naquelas tardes fagueiras, a sombra das bananeiras debaixo dos laranjais. E para fecharmos, nós falaremos agora da última grande geração da terceira geração romântica na poesia brasileira.
Essa terceira geração é marcada pelo aprofundamento do nacionalismo. É a geração tida como crítica, como social e libertária. Ela é também chamada de geração condoreira.
Mas de onde será que vem esse termo condoreira? O Condor é uma ave que consegue voar acima da cordilheira dos andes, assim como eram os ideais dessa geração. Os poetas condoreiros tinham ideais tão elevados que, semelhantes ao voo da ave podiam alcançar grandes alturas.
O grande poeta, o grande autor dessa terceira geração romântica é Castro Alves, conhecido não só pelo seu tema abolicionista, mas também pelo seu tema de amor. Ele fala de um amor erótico, ao contrário de outros poetas. Ele também fala do liberalismo e das questões políticas da época.
Vejamos agora uma imagem de Castro Alves. Por sua poesia abolicionista de denúncia das injustiças e repúdio pela escravatura, Castro Alves até hoje é conhecido como poeta dos escravos. Vejamos agora um de seus textos mais conhecidos no tema abolicionista.
Nós ouviremos agora um trecho de um navio negreiro. Estamos em pleno mar do firmamento. Os astros saltam como espumas de ouro.
O mar em troca acende as ardentias constelações do líquido tesouro. Era um sonho dantesco, o tombadilho, que das luzernas a vermelho brilho em sangue a se banhar. Tinir de ferros estalar do açoite, legiões de homens negros como a noite horrendos a dançar.
Negras mulheres suspendendo as tetas, magras crianças, cujas bocas pretas regam o sangue das mães. Outras moças, nuas e espantadas, no turbilhão de espectros arrastadas, em ânsia e mágoa vans. Levantai-vos, heróis do novo mundo.
Andrada, arranca este pendão dos ares. Colombo, fecha a porta de teus mares. Perceberam a força aí na no texto de Castro Alves?
O seu texto se assemelha a um discurso político. Ele clama, ele chama as pessoas. Inclusive chega a pedir que Colombo, o desbravador dos mares, feche as suas portas.
Por quê? Porque nós tínhamos aí os negros que vinham da África para trabalhar como escravos nas terras brasileiras. Não se esqueça, Castro Alves era o poeta abolicionista.
Ele defendia a causa aos ideais dos escravos. E para que nós guardemos muito bem quais as características dessas gerações românticas, um tema que volta e meia aparece nos grandes vestibulares, vejamos novamente a tela que nos mostra quais são essas gerações. Nós vimos uma primeira geração conhecida como nacionalista ou indianista, em que nós encontramos o índio, o bom selvagem exaltado pelos poetas, uma segunda geração conhecida como ultra romântica e também tida como mal do século, em que nós encontramos aqueles jovens que gostavam de passear pelos cemitérios, entre outras coisas.
E uma terceira geração, essa geração do texto que acabamos de ler, a geração social e libertária, também conhecida como geração com doreira. Todo este período, o período das gerações românticas no Brasil, ele é muito importante. Por quê?
Porque ele assinala o início de uma literatura realmente genuinamente brasileira. Pela primeira vez, o homem brasileiro começa a escrever sem a grande influência do europeu, do português. Por hoje é só.
Um abraço e até a nossa próxima aula.