[música] [música] [música] [música] เฮ [música] [música] [música] [música] >> [música] >> Muitas vezes o passado é nosso melhor guia pra gente compreender [música] o presente. Por isso que no vídeo de hoje eu quero analisar as duas grandes guerras que acontecem hoje no mundo. Tô falando dos Estados Unidos contra o Irã e da Rússia contra a Ucrânia, mas vamos olhar para elas sobre uma ótica da história.
Quero comparar esses conflitos com dois outros conflitos gigantescos que determinaram de muitas maneiras a história do mundo. Vamos lá. A guerra que os Estados Unidos e Israel travam contra o Irã em 2026, ela é parecida com a guerra do Vietnã.
Já a guerra que a Rússia trava contra a Ucrânia desde 2022 é parecida com a guerra da Coreia. Não no sentido literal, não geografia, não na ideologia e claro, não na escala humana, mas na estrutura. E a estrutura que decide como é que a guerra vai terminar.
É por isso que olhando pro Vietnã e pra Coreia hoje, a gente pode começar a entender como que vão acabar as duas grandes guerras. estão rolando nesse momento no mundo. Antes da gente continuar, deixa eu fazer uma pausa para falar do nosso parceiro e patrocinador, a Surf Shark, que tem uma VPN.
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Mas vamos dividir isso por partes. A ideia central, na verdade, ela é bem simples. As estruturas restringem as escolhas.
Quando dois conflitos têm a mesma arquitetura básica, o mesmo tipo de adversário, ou o mesmo desequilíbrio de incentivos, as mesmas restrições políticas dos lados envolvidos, eles vão tender a desembocar num final do mesmo tipo. Pode até mudar a roupagem, mas o destino não vai mudar, gente. Vamos olhar primeiro pro Vietnã, porque é aí que tá o roteiro para entender o Irã.
A guerra do Vietnã, do ponto de vista americano, ela começa para valer em novembro de 1963. Naquele mês, os presidentes do Vietnã do Sul e dos Estados Unidos foram assassinados num curto intervalo de tempo. E com isso, o viceperidente do Kennedy, o Lindon Johnson, assumiu a Casa Branca, herdando os dois países em crise.
O Vietnã, a situação era a seguinte. As forças do Vietnã do Norte, comunistas, bem comandadas, altamente motivadas, junto com os guerrilheiros que operavam no Sul, estavam vencendo o regime aliado dos americanos em Saingon, né, que é a capital eh do Vietnã do Sul, era inepto. E se os Estados Unidos não fizessem alguma coisa, Saigon ia cair e o país inteiro ia cair na nas mãos dos comunistas.
O Johnson, então, e o seu time, eles não estavam otimistas sobre vencer a guerra, mas eles no fundo tinham mais medo das consequências políticas [música] que uma perda causaria. Então eles decidiram o quê? Aumentar o apoio ao governo aliado.
E isso acabou acontecendo em etapas. Primeira etapa foi ajuda econômica e conselheiros militares. E aí depois bombardeios aéreos, depois tropas terrestres, depois mais de tudo isso.
Mas o veterinando do norte não cedeu. Ele manteve os objetivos centrais e acabou não recuando. E aí em 1968 a guerra tava custando tanto sangue, dinheiro e gerando tanta turbulência política interna nos Estados Unidos que Washington começou a procurar aí como que se livrava desse problema e terminava a guerra.
Johnson, ele nunca aceitou uma derrota no fundo, né? Mas ele limitou a escalada, parou unilateralmente os bombardeios e se retirou da vida política e passou o problema para o seu sucessor. E o sucessor, você sabe, foi o Richard Nixon.
E junto com o conselheiro de segurança nacional dele, o famoso eh Henry Kensinger, o Nixon herdou a obrigação de terminar a guerra sem ter capital político para começar nada novo. Os dois, né, o Kissinger e o Nixon, eles queriam remodelar a relação com a União Soviética e com a China. E para isso eles precisavam liberar a agenda americana do peso que era o Vietnã.
Mas isso não podia simplesmente acontecer abandonando o Vietnã do Sul ou Saigon, né? Então, qual foi a primeira estratégia? blefar usando a força.
O Nixon e o Kissinger acreditaram que conseguiriam intimidar o Vetinando do Norte com bombardeios mais brutais, ameaças mais malucas, pressão sobre a União Soviética e a China para forçar a Hanoi, né, que é a capital do Vetinan do Norte assentar para negociar e até indicaram umas pequenas retiradas de tropas para acalmar o público americano. E essa doutrina acabou ficando famosa e batizada pelo Nixon como Madman Theory, que é a teoria do homem louco. A explicação do próprio Nixon para essa teoria era a seguinte: ele queria que os norte vetnamitas acreditassem que ele chegou num ponto em que ele era capaz de fazer qualquer coisa para ganhar a guerra.
Os Estados Unidos começaram a vazar pros norte vietnamitas a informação de que o Nixon era obsecado por comunismo, né? odiava o comunismo, que ele era uma pessoa extremamente explosiva, um cara volátil e que no final das contas ele não hesitaria em usar bombas nucleares. Segundo o Nixon, seguindo essa estratégia, os norte vetinamitas implorariam rapidamente pela paz ou eles seriam coagidos a isso pelos soviéticos?
Claro, todo mundo sabe que isso daí não funcionou, né? Os soviéticos ou não podiam ou não queriam pressionar o Vetinã do Norte. E os comunistas do Vetinã nem colapsaram e muito menos piscaram.
E a guerra continuou. E no final de 1969, a Casa Branca estava de volta no mesmo lugar do começo, só que como algumas retiradas de tropas já tinham sido feitas, o que aumentava, né, a pressão pública americana por retiradas ainda maiores e dava aos norte vetnamitas o incentivo de simplesmente esperarem os americanos desistirem ou continuarem retirando as tropas até chegar na desistência. O Kissinger, frustrado, né?
Ele ordenou pro seu staff e pra sua equipe que preparasse os planos para um golpe selvagem e punitivo contra o inimigo. E a frase exata que ele usou foi: "Eu não posso acreditar que uma potência de quarta categoria como Vetinando do Norte não quebre nunca. Antes de atacar, o governo americano deu um ultimato aos soviéticos e aos norte vetinamitas, dizendo o seguinte: "Façam concessões ou aguentem as consequências".
Bom, os dois ignoraram o ultimato e os americanos não cumpriram. com a promessa. E aí veio a segunda estratégia, que foi uma retirada gradual das tropas americanas, um aumento da ajuda do governo ao Vietnando do Sul e uma busca incessante por um suposto acordo negociado, o que na época parecia que estava funcionando.
E aí em 1973 foi assinado o acordo de Paris. Os Estados Unidos pararam de lutar, trouxeram os prisioneiros de guerra para casa e formalmente não abandonaram o aliado. Mas tinha uma cláusula no acordo que mudou tudo, gente.
As forças comunistas, elas podiam permanecer nas partes do Sul que eles já estavam controlando. O problema foi que além dessas concessões, eh, se somou várias restrições que o Congresso americano acabou impondo sobre qualquer envolvimento militar dos Estados Unidos nesse conflito. E aí a soma dessas duas coisas acabou garantindo que dois anos depois Saigon, né, o Veterinand caísse nas mãos de quem?
Dos comunistas. Bom, até aí não tem novidade, né, essa história da guerra do Vetinã. É, agora vamos olhar pra analogia que eu quero fazer aqui com vocês no vídeo hoje, que é comparar isso com o Irã, começando em junho de 2025, quando os ataques aéreos coordenados pelos Estados Unidos e por Israel causaram um dano severo ao programa nuclear iraniano.
Mas o Irano saiu da guerra, pelo contrário, ele reforçou a repressão à sua população e dobrou aposta nas armas convencionais, como os drones e os mísseis. E aí Israel e Washington avaliaram que isso ia eventualmente criar um escudo convencional atrás do qual o Irã podia voltar a perseguir as armas nucleares. E aí o Trump comprou a tese, né, de que um golpe decaptador que atacasse direto o regime eh iria derrubar a República Islâmica de uma vez por todas.
E no fim de fevereiro de 2026 foi autorizado, né, o Trump autorizou um novo ataque combinado com as forças americanas e israelenses. Os ataques destruíram boa parte da capacidade militar iraniana. mataram muitos oficiais, inclusive, né?
Tem um conhecido eh líder supremo, o Ayatolá ali Caminei. Mas aí vem o ponto que começa a mostrar algumas falhas na estratégia, que o regime iraniano não caiu e o filho do Raminei, o Mojtaba, sucedeu o pai. E a República Islâmica, que estava profundamente enraizada na sociedade iraniana, continua funcionando.
Só que a história não para por aí. Na verdade, ela piora porque o Irã começou a atacar os vizinhos todos no Golfo Pérsico. Ele fechou inicialmente, de forma parcial, o estreito de Ormous.
Isso gerou a maior crise energética da história do mundo. E aí em abril, já frustrado, né, o Trump fez exatamente o que o Nixon fez no Vietnã. Ele recuperou a estratégia do homem louco, o Madman Theory, que era pressão maior, ultimato, ameaça, oferta de negociar, dizem que vai explodir, que vai acabar, que vai extinguir com a civilização iraniana, etc.
Tudo aquilo que vocês já conhecem, que tem um precedente na história, que é a teoria do Madman. E aí então no dia 8 de abril saiu o cessar fogo, primeiro cessar fogo deles. E as conversas diretas entre os Estados Unidos e o Irã, que foram intermediadas pelo Paquistão, também se iniciaram.
Mas a estratégia do Madman Theory, ela até hoje não tá produzindo as supostas concessões que o Trump precisa e acreditava que fossem produzir. Bom, primeiro o estreito de Ormo do fechamento parcial foi para um fechamento total. E aí depois de muita conversa e discussão, agora com esse recente, último suposto novo acordo, que é o tal do memorando de intenção, o estreito foi reaberto.
Mas a fragilidade que ele foi reaberto, o próprio acordo já indica que daqui 60 dias eles vão voltar pra mesa para ver se o acordo parou de pé ou não. Sem falar que todos os dias tem uma notícia nova dizendo que o acordo pode não tá sendo cumprido, o Irã tem atacado e a qualquer momento esse acordo é muito frágil. O ponto aqui é mostrar que o estreito de Orm continua fechado totalmente ou parcialmente fechado ou completamente vulnerável às vontades e desejos e anseios do regime iraniano.
E isso é uma uma novidade pro mundo e algo muito grave e muito ruim pra geopolítica, pra estabilidade geopolítica do mundo. Claro, pros Estados Unidos que entrou numa guerra para alcançar um objetivo e no final das contas acabou se deparando com um problema muito maior, talvez do que o objetivo é final, que era, né, evitar o Iran de ter uma bomba atômica, mas ter uma das maiores passagens de comércio e navegação do mundo, correndo risco vulnerável às vontades de um regime fundamentalista como o iranian. Mas não é só o estreito que é um problema, gente.
Tem outras demandas dos dois lados, tanto o lado americano quanto iraniano, que elas ainda, é, não estão nem perto de se chegar num consenso, num acordo. Quando a gente fala das proxis, né, os grupos terroristas que o Iran financia, quando a gente fala do programa nuclear, que é a causa inicial do início da guerra, eh, então tem um monte de coisas ainda não solucionadas. E como os americanos nunca tiveram um plano para uma guerra longa contra o Irã, lembra?
O Trump chegou no poder dizendo que ele era contra as guerras. Ele só resolveu fazer esses movimentos em direção a intervenções militares porque ele viu uma oportunidade, ele percebeu que isso podia ser feito de uma forma rápida, eh, bem feita e com resultado, como aconteceu na Venezuela parcialmente. Eh, então ele achou que essa fórmula ia se replicar no Irã.
Não existia plano para guerra longa contra o Irã, eh, e os custos subindo tão rápido, o apoio doméstico, óbvio, né, o apoio interno nos Estados Unidos só vai desabar. Ou seja, o Trump tá procurando uma saída do mesmo jeito como o Nixon e o Kissinger estavam procurando no começo dos anos 70. E os iranianos, como os norte vietnamitas, tão apostando que eles conseguem ganhar a guerra da resistência e do sofrimento.
Se a gente voltar e olhar pra história de novo, os próximos capítulos dessa história são bastante previsíveis. Por quê? Eh, estamos falando de um acordo, né?
Os dois chegarem num acordo, o acordo vai ter que liberar o estreito de Ormus e empurrar com a barriga as outras questões que são a fonte inicial da disputa e o destino do programa nuclear iraniano e do regime iraniano em si. vão ficar para ser decididos um ou outro dia, exatamente como aconteceu com o Veterinando do Sul em 1973. Bom, eu comecei o vídeo explicando para vocês que isso daqui é uma comparação é de uma analogia com de duas guerras.
Falamos da primeira, agora vamos falar da outra guerra. E é uma outra comparação histórica, porque tá relacionado com um outro conflito na história. Vou [música] começar voltando no tempo.
A guerra da Coreia, ela começa no final de junho de 1950, quando as forças norte-coreanas atravessaram o paralelo 38 num ataque de surpresa. O objetivo era o quê? Colocar a [música] península inteira sob controle comunista.
A administração americana do Truman interpretou a invasão como uma jogada importante da na Guerra Fria e comprometeu os Estados Unidos com a defesa da Coreia do Sul sob o patrocínio das Nações Unidas. E aí durante o verão de 1950, os norte-coreanos empurraram as forças da ONU para uma pequena área em torno de Buzan, no sudoeste da península. E parecia que os norte-coreanos iam vencer.
Só que aí em setembro o general americano famoso Douglas McArthur fez um desembarque anfíbio em Inan e atrás das linhas de defesa norte-coreanas. E claro, eh isso é famoso na história militar, foi um sucesso espetacular e acabou invertendo a guerra. E aí as tropas da ONU barra Estados Unidos começaram a empurrar os norte-coreanos de volta.
E aí em outubro, a confiança alta e a oportunidade aparente de unificar a península sob bandeira sul-coreana, os Estados Unidos liberaram o Mc Arthur para perseguir os norte-coreanos território adentro e ele aproveitou e saiu avançando sem limite nenhum. Mas quando as forças americanas chegaram perto da fronteira chinesa, a guerra virou de novo. E aí as tropas chinesas entraram na guerra em massa e empurraram as tropas americanas numa retirada caótica de volta pro Sul.
A Índia e o Reino Unido começaram a pressionar os Estados Unidos para negociar e o acordo que foi proposto na época envolvia abandonar Taiwan e admitir a China comunista com o seu acento e a sua representação na ONU. O Truma, naquele momento, ele recusou e ele apostou numa reviravolta no campo de batalha e a revira-volta veio sob um novo comandante terrestre, o Matthew Rageway. As forças da ONU, elas reverteram a tendência mais uma vez no começo de 1951.
E aí foram empurrando os chineses e os norte-coreanos de volta pro norte. Aí foi quando os dois lados perceberam a mesma coisa, que para sair do impasse ia ser muito caro e tava na hora de começar a pensar em terminar a guerra. E aí o Mark Arthur discordou e ele decidiu sabotar a política do próprio governo americano.
E ele fez algumas declarações públicas belicosas. Ele criticou a administração dos republicanos no Congresso e o Truman acabou demitindo ele em abril de 1951. e colocou o Redway no comando geral.
E aí, em junho de 51, o embaixador soviético na ONU sugeriu num discurso de rádio um armistício no paralelo 38, onde tudo tinha começado. E aí em julho começaram então as conversas diretas para um cessar fogo. Os observadores da época achavam que a guerra ia terminar em semanas.
Os primeiros negociadores americanos, eles foram instruídos, inclusive a levar um uniforme de gala paraa cerimônia da assinatura. Já os negociadores chineses, eles só levaram a roupa do verão, porque eles achavam que ia acabar naquela estação do ano mesmo. Só que nada disso aconteceu.
Essa negociação durou 2 anos e foram mais dois anos de combates sangrentos que quase não moviam as linhas de batalha. O armistício foi assinado finalmente em julho de 1953, próximo de onde os dois lados estavam quando começaram a negociar. Ou seja, nós tivemos dois anos de luta para nada, porque avançaram um pouco, retrocederam um pouco, ganharam um pouco, perderam um pouco e no final, depois de dois anos de terem lutado para nada, perdendo dinheiro e e armas e soldados, eles pararam no mesmo lugar onde eles tinham começado a negociação.
Bom, essa é a história do passado. Vamos olhar agora pro presente pra Ucrânia. E a guerra na Ucrânia começa em fevereiro de 2022 com um ataque russo surpresa, como os norte-coreanos fizeram em 1950.
Os russos avançaram dramaticamente, tentando reconquistar o que consideravam território histórico nacional. Do mesmo jeito que em 1950 os americanos e os [música] europeus se comprometeram a ajudar a vítima no caso a Ucrânia. Como na Coreia o primeiro ano ele foi de movimentos militares grandes, avanços, contra-ataques, reversões, retrocessos.
E aí depois disso, mais alguns anos de impasse, de alta intensidade, ao longo de linhas de batalha relativamente fixas. E quando o Trump assume em 2025, ele tenta forçar um acordo e aí ele chega acenando pra Rússia, vocês lembram, sugerindo que ela poderia manter os ganhos que ela tinha conquistado territoriais e pressionando a Ucrânia muito para aceitar esse acordo, né, inclusive ameaçando de não apoiar mais a Ucrânia. E no final das contas, nenhum dos dois lados aceitou, nem a Rússia e nem a Ucrânia, e a guerra continuou.
Mas quanto mais os dois lados seauem, Rússia e a Ucrânia e se resignam, mais sobe a chance de um acordo que ratifique esse impasse. A guerra na Ucrânia, como a guerra na Coreia, é extraordinariamente violenta. E o total de mortes em combate tá na casa das centenas de milhares.
Já falei disso muitas vezes aqui para vocês. Total de baixas na casa dos milhões. E existe um esforço enorme sendo feito para que eles conquistem um território muito pequeno.
E óbvio que isso deixa uma marca profunda, né? Por exemplo, na Coreia, se a gente somar eh os civis com os militares, nós estamos falando de milhões de baixas. Bom, o a conexão aqui, o raciocínio final é que como na Coreia, uma vez que a guerra pare, pode ser difícil dela recomeçar, porque a linha de demarcação, ela vai ser muito fixa, ela vai ser muito protegida, muito guardada, do mesmo jeito que o paralelo 38 é hoje, é as trincheiras, os campos minados, mobilização militar dos dois lados vai est pronta.
Recomeçar uma guerra dessa é praticamente impossível. E então o armistício pode ser mais estável, durador do que a maioria dos observadores hoje em dia fala. >> Agora, três padrões aparecem nas duas comparações [música] e vale a pena a gente nomear eles.
O primeiro padrão é a chantagem nuclear sem uso real. E esse padrão foi estabelecido na Coreia e foi o primeiro conflito da história em que uma guerra nuclear geral ou total entre dois lados era uma possibilidade real. As potências nucleares, né, e de ambos os lados ameaçaram usar a bomba atômica para conseguir concessões.
Claro, felizmente nenhuma delas cumpriu a ameaça. É, os Estados Unidos não usaram armas nucleares na Coreia e nem no Vietnã. E a Rússia, aparentemente a entender que também não vai usar na Ucrânia.
Claro, às vezes o Putin ameaça, mas isso faz parte também desse padrão que nós estamos, que eu tô tentando mostrar aqui para vocês. Mas eh vamos imaginar que a Rússia não vai usar também e nem os Estados Unidos ou Israel vai usar no Irã. Ou seja, por mais que a gente tenha uma retórica de fim da civilização, fim do mundo, né, esteja presente a todo momento, nada disso se torna prático, porque se tornasse também era o fim de tudo.
Mas tem um ponto importante aqui, né? Eh, isso não significa que não tenha consequências. Por exemplo, pressões por proliferação nuclear certamente vão aumentar.
Ninguém vai esquecer que a Ucrânia foi atacada depois de abrir mão da sua capacidade nuclear que ela tinha herdado da União Soviética. Como ninguém vai esquecer que a Coreia do Norte nuclear tá segura enquanto o Irã nuclear tá em ruínas. Então, né, a questão da proliferação vai voltar pra pauta e também se você tiver que lidar com algum país desses, se você tiver uma bomba atômica, certamente é melhor.
Vamos pro segundo padrão, né? O primeiro eh era são as ameaças não cumpridas que têm efeitos. O segundo padrão, ele já é diferente.
Ele mostra eh a briga entre aliados, entre amigos. E não são só os adversários que brigam. Eh, os aliados também brigam entre si, mesmo estando dentro de uma aliança, porque no final das contas os países são soberanos, têm seus próprios interesses, têm suas próprias realidades e no final, em última instância, eles vão fazer o que eles têm que fazer e não o que o outro ou que o amigo gostaria ou que seria melhor pra aliança, assim por diante.
Inclusive, eu comentei, expliquei bastante isso, né, na em relação aos Estados Unidos e Israel, por mais que sejam amigos, são países independentes, soberanos, com vontades [música] diferentes. E a gente pode enxergar esse padrão na Guerra da Coreia, quando as potências grandes elas decidiram que era hora de parar, elas arrastaram as menores juntos. Depois da morte do Stalin, por exemplo, uma nova liderança soviética que tinha assumido, ela decidiu cortar as perdas e permitir que surgisse o ar mistício.
Já em Washington, acabou forçando a Coreia do Sul a aceitar um acordo que seu não queria. E quando a gente olha 20 anos depois no Vietnã, o Washington forçou o Vietnã do Sul a aceitar o acordo de Paris contra a vontade do governo e de Saigon. Do mesmo jeito, na Ucrânia, KIV tá resistindo até agora à pressão americana e europeia, mas se a Rússia em algum momento aceitar um acordo razoável, certamente os Estados Unidos e Europa vão dar um jeito de forçar aqui assinar.
E no Irã, a mesma regra vai vai entrar em jogo aqui. No momento que o Trump achar um ponto comum com o Irã, o Washington vai passar por cima das demandas de Israel e dos países [música] do Golfo que tiverem ali protegendo os seus interesses. Não, não vai dar nem sinal.
Aliás, é exatamente isso que a gente tá assistindo com esse memorando de intenções aí, eh, com a briga ou a discussão mais e ferrenha entre Israel e os Estados Unidos. tá totalmente alinhado com esse padrão que a gente pode identificar na história. Bom, vamos pro terceiro e último padrão aqui.
E esse é bem importante. [música] Tem muita gente falando hoje que o fracasso dos Estados Unidos em alcançar os objetivos contra o Irã é um sinal de declínio inevitável nos americanos. Inclusive, tem uma manchete recente no New York Times que disse que a China cada vez mais vê os americanos do Trump como um império em declínio e muita gente dentro e fora dos Estados Unidos [música] concorda com essa visão.
E a mesma coisa foi dita sobre o desastre americano no Vietnã. Mas vocês lembram bem da história, em poucos anos depois daquela derrota, os Estados Unidos se recompuseram e entraram em décadas de supremacia de hegemonia global. OK?
Eh, a gente sabe que os tempos são diferentes, o contexto [música] é outro. Não existe uma garantia de uma recuperação dessas muito precisas. Se bem que se a gente falar, por exemplo, de inteligência artificial e os americanos forem os primeiros a realmente dominar essa tecnologia, a gente pode ver uma recuperação ainda maior e e mais surpreendente do que aquela.
Isso somado com o dinamismo criativo do capitalismo americano e a capacidade regenerativa, né, da democracia americana, eh, vem mostrando que eles são capazes de tirar um coelho da cartola há algum tempo, talvez século já. E não dá paraa gente dizer que isso parou agora. Então, talvez seja cedo pra gente julgar eh que a história no Irã é uma evidência clara da decadência ou do fim eh da força americana.
Bom, pessoal, eh essas comparações históricas são muito interessantes porque ajudam a gente ver como que algumas coisas do passado acabam seguindo caminhos diferentes do que a gente acha que vão seguir. Eh, e particularmente e essa relação, né, eh, dessas dessas duas guerras do passado com essas duas guerras do presente são muito parecidas e é muito interessante. Espero que vocês tenham gostado.
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