[Música] Piagê é considerado dentro dos autores da psicologia como um dos mais importantes, né? Ele já foi até no chamado de Einstein da psicologia, né? Não é exagerado dizer que, digamos que os dois maiores e mais importantes autores da psicologia são Freud, por um lado, e Piag por outro. A importância da obra do Piagê eh é decorrência de vários pontos. Primeiro, é decorrência da influência desta obra durante o século XX inteiro, notadamente na psicologia da inteligência, né? Sendo que o tema essencial do Piag é a psicologia da inteligência. Por um lado. Por outro lado, a
importância do Piagê vem também do volume da obra dele, né? são por volta de 70 livros, inúmeros artigos, eh inúmeros temas relacionados à inteligência que foram abordados por ele. Então também, digamos, o volume da obra de Piag, né, a consistência da obra de Piag também, digamos, eh, faz com que ela seja extremamente importante. E finalmente, eu diria que a obra do Piagê é essencial, porque sendo a inteligência um tema, digamos, que se reencontra em qualquer abordagem psicológica e sendo a teoria dele muito consistente em relação a esse tema, acaba se utilizando o Piagão apenas na
perspectiva extrínseca eh intrínseca da inteligência, mas também em outras como afetividade, moral, eh, e, evidentemente educação. [Música] O que Piag fez? Basicamente a obra dele trata da questão do desenvolvimento da inteligência e da construção do conhecimento. Inclusive, ele batizou a sua teoria de epistemologia genética. Por que epistemologia? Epistemologia é filosofia da ciência, ou seja, a parte que estuda o fenômeno da ciência, do conhecimento. E genética significa eh uma epistemologia da construção do conhecimento, né? Genética deve ser entendido não na na no sentido habitual, né, de genética, cromossomos, mas de gênese, ou seja, de evolução. Então,
a obra dele chama-se Epistemologia genética e visa responder a uma pergunta básica que é a seguinte, né? Como é que os homens constróem conhecimento? Ou seja, como é que eles passam de o nível de conhecimento X para o nível de conhecimento X mais 1? Essa grande pergunta que Piagê tentou resolver durante toda a sua vida. Como a criança é o ser que mais evidentemente constrói conhecimento, ele fez essencialmente pesquisa com crianças. Mas a sua pergunta não é de psicologia da criança. A sua pergunta é uma pergunta epistemológica. Ou seja, como é que os homens, né,
sozinhos ou em conjunto constróem conhecimento, né, por que processos, eh, por que etapas eles conseguem fazer isto? Então, por isso que a obra dele é essencialmente baseada na inteligência e na construção do [Música] conhecimento. Para Piag, inteligência deve ser definida enquanto função e enquanto estrutura. Então, enquanto função para Pag a inteligência uma adaptação, né? Ou seja, né? Os processos da inteligência tem a finalidade do sujeito sobreviver, adaptar-se ao meio, modificar o meio para adaptar-se melhor a ele. Isso é a função da inteligência. E do ponto de vista estrutural da descrição da inteligência, na verdade inteligência
é uma organização, ou seja, a inteligência são é uma organização de processos que permitem, se a organização for complexa, um nível de conhecimento mais complexo, superior, e se for, evidentemente, um nível de organização menos complexa, um nível de conhecimento inferior. Então, a inteligência é uma organização e o crescimento da inteligência não se dá tanto por, digamos, eh, acúmulo de informações, mas sobretudo por uma reorganização dessa própria inteligência. Ou seja, crescer é reorganizar a própria inteligência para ter mais possibilidades de [Música] assimilação. Bem, a obra piajetiana eh cunhou um número grande de conceitos e, evidentemente, é
bom a gente, digamos explicitar alguns que são centrais. Então, eu começaria pelo conceito de assimilação, né? PG retira o conceito de assimilação da biologia. E na sua psicologia, a assimilação significa o seguinte, ou seja, quando uma pessoa vai entrar em contato com o meio, com o objeto de conhecimento, ela retira desse objeto de conhecimento algumas informações e essas informações eh retidas são essas e não outras, porque existe uma organização mental. Então, na verdade, assimilação significa interpretação. Ou seja, ver o mundo não é simplesmente olhar o mundo, mas é interpretá-lo, assimilar, ou seja, tornar seu alguns
elementos do mundo. Portanto, isso implica necessariamente em assimilar algumas informações e deixar outras de [Música] lado. Outro conceito central na obra de Pag é o conceito de acomodação. Acomodação significa o seguinte: as estruturas mentais, entenda-se, por estrutura mental, a organização eh que a pessoa tem para conhecer o mundo é capaz de se modificar para dar conta das singularidades do objeto. Portanto, se juntarmos agora assimilação, acomodação, nós vamos ter que conhecer o objeto é assimilá-lo. Mas como esse objeto oferece certas resistências ao conhecimento, a organização mental se modifica e a essa modificação dáse o nome de
acomodação. Por isso que o processo de inteligência, na verdade, é sempre um processo com assimilação, [Música] acomodação. Equilibração vem, como seu nome indica, a ideia de equilíbrio, ou seja, o sujeito que entra em contato com o objeto novo pode ficar em conflito com esse objeto novo no sentido de desequilibrado, né? Na verdade, a equilibração serve aqui de metáfora, né? Quer dizer, o objeto não se deixa conhecer facilmente, ele tem algumas coisas diferentes, singulares, então o sujeito fica em conflito, desequilibrado, digamos assim, né? para conhecer esse objeto, então ele tem que acomodar-se a esse objeto, ou
seja, modificar-se para dar conta do objeto. E nesse processo, eh, é a busca, digamos, do equilíbrio, né? Então, o equilíbrio, na verdade, é a estabilidade da organização mental que dá conta do conhecimento. Daí, inclusive, até a o fato da de o conceito de equilibração ser central se dá pelo fato do crescimento da inteligência, se dá por desequilíbrio, reequilibração, desequilíbrio, equilibração. É um processo dinâmico, né? O equilíbrio. Por isso que inclusive Piagê gosta da palavra equilibração e não equilíbrio. Equilíbrio daria a impressão de algo estável, né? equilibração da da sugere, digamos, algo móvel e dinâmico. Mais
dois conceitos, eu acho, embora não tão conhecidos de Piagem, mas essenciais, são os conceitos de abstração empírica e abstração reflexiva. Isso é central em Pag pela seguinte razão. Abstração empírica são as informações que eu retiro do meu objeto do conhecimento. Então, por exemplo, eu olho um quadro e abstraio desse quarto, desse quadro ou desse desse pêndulo, dessa câmera, eu abstraio algumas informações. É uma abstração empíria, porque eu estou retirando informações do objeto do conhecimento. Porém, nesse processo de eu retirar informações do objeto de conhecimento, eu também posso pensar sobre a minha maneira de me relacionar
com esse objeto de conhecimento, ou seja, com as ações que eu faço sobre esse objeto de conhecimento. A absção reflexiva é justamente as informações que eu retiro não do objeto, mas da minha ação sobre o objeto. Então, por exemplo, se eu pego um livro e sopeso esse livro ou comparo esse livro com um outro mais pesado, menos pesado, eu tenho uma abstração empírica, que é o peso dos livros, mas eu tenho uma abstração reflexiva, que é o fato de eu estar comparando, pensar sobre o meu agir. E para apiager, a construção do conhecimento se dá
por abstração empírica e também por abstração reflexiva. Ou seja, o desenvolvimento da inteligência se dá muito a partir do processo da criança. pensar sobre o mundo e pensar sobre a sua ação sobre o mundo, o que se chama de abração em [Música] reflexiva. Mais um conceito extremamente importante em Piagê, que aliás é o conceito mais famoso, estágio. O conceito de estágio remete em Piagê a seguinte ideia: o desenvolvimento da inteligência não é um desenvolvimento linear, ou seja, simplesmente por acúmulo de informação, mas é um desenvolvimento que se dá por saltos, por rupturas, né? E os
estágios representam justamente uma lógica da inteligência que será superada radicalmente por um estágio superior, apresentando uma outra lógica do conhecimento. Então, os estágios significam que, por um lado, a inteligência dá saltos, ou seja, a inteligência muda de qualidade. Cada estágio representa uma qualidade dessa inteligência. Os estágios significam também que a sequência do desenvolvimento da inteligência necessariamente passa por esses estágios. Nenhum deles podem ser eh pode ser pulado. Os estágios eh podem ser divididos a rigor de várias maneiras. Depende da fineza, depende da da complexidade que a gente quer dar a questão. Mas os grandes estágios
que Piag definiu foram três. Primeiro estágio chamado de sensório motor, que vai de zero a por volta de 24 meses, 2 anos de idade. Após esse estágio, um novo estágio que se chama de pré operatório. Esse estágio pré-operatório vai em média de 2 anos de idade a 7 anos de idade. Após esse segundo estágio, vem o terceiro e último chamado de estágio operatório. Então, esse estágio operatório vai de 7 8 anos de idade até até o fim. Dentro do estágio operatório, Piag fez uma divisão entre operatório concreto e operatório formal, sendo que o operatório concreto
vai de 7 a 11, 12 anos de idade em média e operatório formal, que é o mais evoluído de todos, de 12 anos em em diante. Ч. Antigamente se pensava que o bebê, ou seja, a criança de 0 a 2 anos, eh, não apresentava nada de muito interessante do ponto de vista da inteligência e que, na verdade, a inteligência começava apenas com a linguagem, né? Essa é uma ideia que era muito forte e que ainda é forte a algumas pessoas. No fundo, o que Pag demonstrou com uma clareza muito bonita é que esta fase, essa
fase do desenvolvimento de Zara há 2 anos é extremamente rica, extremamente rica e que, portanto, a inteligência começa a se estruturar e a mostrar, digamos, a seu valor muito antes da linguagem. E, portanto, nesses dois anos de vida, de zero a 24 meses, uma série de conquistas praticamente cotidianas são feitas. Uma série de pequenos passos são dados, pequenos passos e conquistas essas que justamente preparam a possibilidade da criança a falar. No fundo, o que Pag afirma é o seguinte, quer dizer, quando a criança começa a falar lá por volta de 2 anos de idade, ela
só tem sobre o que falar. Ela só tem um mundo sobre o que falar, porque ela construiu esse mundo antes, né? Se ela começasse a falar sem absolutamente ter construído esse universo, ela não teria, digamos, ela não ela não poderia falar porque ela não teria sobre o que falar, ela não teria essa organização, né? Portanto, é uma fase extremamente importante, extremamente complexa e quem se der ao trabalho de observar um bebê vai ver quais a olhos vistos, né, essa esse essa essa esse desenvolvimento fenomenal. E também a afirmação, evidentemente importante de eh que é decorrência
de tudo que eu acabei de falar de que existe uma inteligência pré-verbal, ou seja, não uma inteligência sem representação, uma inteligência sem linguagem, uma inteligência sem comunicação, digamos, verbal com outro, portanto uma fase, digamos, sugêneres, né, da da da inteligência. é um dos pontos essenciais da teoria do PG, essa contribuição pro para compreensão do ser humano. Então, o período sensório motor é o primeiro estágio, período que vai de 0 a 2 anos de idade e também às vezes é chamado de inteligência prática. Inteligência prática, por quê? Porque é uma fase do desenvolvimento da inteligência, onde
a criança não emprega a linguagem, mas apenas a suas ações e percepções. Ações aí a palavra motor e percepções é a palavra sensório motor. Então, uma inteligência prática, uma inteligência em ação, ou seja, ainda não verbal, ainda não representativa. Para Piagê, esses dois primeiros anos de vida são absolutamente essenciais, porque a criança percorre uma complexidade de evolução absolutamente inimaginável. Para dar conta desta desta ideia, alguns conceitos são essenciais, notadamente o conceito de objeto. Tudo leva a crer, segundo as informações de Piag, que quando a criança nasce, ela não tem clareza de que no objeto onde
ela se, no universo na qual ela se encontra, há objetos e que ela inclusive é um objeto entre esses objetos. Por isso, ela precisa construir a noção de objeto. E nesta construção, uma fase essencial que chama a fase do objeto permanente. O que que é o objeto permanente? Objeto permanente é aquele objeto que, embora eu não veja, sei que ele ainda existe. Ou seja, atribuição de existência do objeto, apesar de estar fora do meu campo perceptivo. Isso a criança constrói por volta de 9 meses de idade. Então, imaginem, digamos, o salto de qualidade da inteligência,
né? Num primeiro momento, é como se a criança acreditasse que só existe as coisas que ela vê, ou seja, que ela é o centro do universo de uma certa forma e que o mundo existe em função da sua percepção. E ela vai pouco a pouco entendendo que o universo tem uma objetividade própria e que independe da sua percepção. Daí a compreensão que ela tende que embora não seja visto esse objeto ainda existe e portanto eu posso procurá-lo. Outro conceito essencial para se entender essa face em sauromotor é o conceito de causalidade. Ou seja, o que
que é causalidade? Entender que os objetos do mundo e a criança como um objeto nesse mundo interagem, esses objetos interagem entre si e causam efeitos entre si. A tendência da criança até 1 ano de idade, um ano e pouco de idade, é a tendência que se chama de mágica, ou seja, a tendência a pensar que o objeto se move dependendo das suas próprias ações, da criança ou então dos seus desejos, né? Aliás, o fato que inclusive Freud também tinha eh tinha reparado chamando de onipotência infantil, né? Então a criança imagina no primeiro momento que na
verdade ela tem as rédias do mundo e pouco a pouco ela vai entendendo que não, né? Existem leis de causalidade, ou seja, o universo tem leis, o universo tem algumas regras que são seguidas e e essas regras, evidentemente, se aplicam à própria criança. Então, a construção da ideia de causalidade, a construção do objeto e também do tempo e também do espaço que se dá nesses dois anos, nesses dois anos de vida, digamos, faz com que a criança consiga, num primeiro momento, ter uma objetividade do universo. Essa objetividade pois será reconstruída no nível da linguagem, mas
o período sensor motor é essencialmente construção do universo, construção do real, lidando com esse real apenas através da percepções e das ações. Uma das conquistas importantes por volta de 9 meses, aliás, eh, na mesma época da da construção do objeto permanente, a diferenciação entre meios e fins. Então, imagina a seguinte situação. Você mostra uma bola pra criança, ela quer pegar essa bola, mas você coloca essa bola, digamos, e atrás de um anteparo, n atrás de um anteparo, portanto, ela não pode pegar esta bola diretamente. E veja que interessante, essa criança que tem 6, 5, 6
meses, ela sabe muito bem eh pegar uma almofada, digamos que um anteparo seja almofada e evidentemente pegar a bola, mas não lhe ocorre a seguinte sequência que qualquer um de nós faria e que ela fará quando tiver 9, 10 anos e 9, 10 meses, desculpe, né? É tirar a almofada da frente para pegar a bola que está atrás. Isso que chama diferenciação entre meios e fins. Ou seja, retirar a almofada é um meio cujo fim é pegar a bola. Então, veja bem, o que falta a criança de 5 6 meses não é saber pegar a
almofada, ela já sabe, não é saber pegar a bola, já ela já sabe, mas é, digamos, eh, hierarquizar essas duas condutas, né? Ou seja, associar essas duas condutas, né? Por isso que eu falei o tempo todo que inteligência é organização. Na verdade, a conquista da criança quando ela vai descobrir a possibilidade de meios e fins, vai ser justamente uma nova organização da inteligência. Como se ela dissesse: "Ah, eu posso pegar isso para depois pegar aquilo". Não é a habilidade que faltava, era a compreensão de que uma ação pode servir de meio para outra que então
é fim. Então essa essa passagem, digamos que dá por volta de 9 e 10 meses, uma passagem importante do desenvolvimento da inteligência. Outro exemplo agora é ligado ao espaço, a configuração espacial é, por exemplo, a criança perceber que um determinado objeto e tem três dimensões. Exemplo, quando a criança é bem pequenininha, por volta de 2, 3 meses, ela sabe já reconhecer uma mamadeira, né? Ela tá acostumada na mamadeira, mas se você apresentar a mamadeira pelo avesso, ou seja, não o bico para cima e o fundo da mamadeira, ela eh não lhe ocorre, digamos, eh virar
essa mamadeira, é como se ela não a reconhecesse. E já por volta de um ano de idade, você vai ver a criança que, embora ela veja a mamadeira apresentada a ela pelo avesso, ela reconhece mamadeira e, né, com o gesto ela, ou seja, ela conseguiu situar o objeto agora dentro do espaço, ou seja, né, ver que dependendo da posição, o que está na frente pode estar atrás, o que está atrás pode estar na frente. Eu daria um último exemplo também importante do ponto de vista da causalidade, né, a qual já me referi um pouco, é
justamente a ideia da mágica, né? Ou seja, às vezes a criança pequenininha no seu berço, ela com 3 4 meses, ela mexe alguma coisa e por acaso, digamos, acende a luz. Totalmente por acaso. Então ela tende a achar que foi a sua ação que fez com que a luz se acendesse. Então ela vai repetir essa ação até, evidentemente cansar. e e eh porque ela não ela não dá iso, ou seja, a criança pequena tem de achar que são as suas ações que promovem, que causam, digamos, as as transformações no universo. Pouco a pouco ela vai
entender que não, né, se o universo é rigida, rigido por leis objetivas e ela vai, digamos, situar-se objetivamente naquilo que realmente ela causa e aquilo que ela simplesmente não causa ou até é causada. [Música] [Música] com 2 anos de idade, há a mudança de estágio, né? Como eu disse, a mudança de estágio significa que a qualidade da inteligência se modifica. Então, Pag cunhou eh o nome de estágio pré-operatório, mas também poderíamos chamar esse estágio de estágio da representação. Então, o conceito essencial desse estágio de representação. O que que é representação? Representação é a capacidade de
pensar um objeto através de um outro objeto. Por exemplo, se eu falo a palavra casa, eu estou utilizando esse som casa. para remeter algo que não é esse som, evidentemente, mas que é o objeto casa, né? Então isso que se chama de representação, ou seja, eu apresento de novo um determinado objeto através de um substituto desse objeto. Vou dar um exemplo deste comportamento novo que aparece por volta de 1 ano e meio, 2 anos de idade. Um um exemplo que Piagê não não pesquisou, mas que é totalmente coerente com a teoria de PAG, que é
o reconhecimento no espelho, né? A, uma criança por volta de um ano gosta de olhar espelho, fica na frente do espelho, mas os seus comportamentos nos leva a crer que ela não se reconhece no espelho. Ou seja, ela olha a imagem que ela vê, que é a sua, como se fosse a imagem de uma outra criança, como se fosse a imagem, ou seja, não uma imagem que diga respeito a ela mesma. Tanto é verdade que se você fizer uma manchinha de tinta na testa da criança, não lhe ocorre, digamos, passar a mão para retirar essa
essa mancha. Ora, por volta de 1 ano e meio, 2 anos, justamente na passagem do sensório motor pro próximo estágio pré-operatório, a criança se reconhece no espelho. Ou seja, né, agora crianças da amostras que se reconhecem no espelho. E veja bem, se reconhecer no espelho é um é um é uma é um comportamento relativamente complexo que pensem bem. Reconhecer-se no espelho implica pensar que esta imagem que eu vejo sou eu e não sou eu ao mesmo tempo. Sou eu porque me representa, mas não sou eu porque eu tô aqui e eu não tô lá. Então,
na verdade eu estou eh duplificado, se eu posso dizer assim, ou se eu estou aqui e estou em imagem. Isso que é a representação, ou seja, conseguir pensar o mundo através de imagens deste mundo. E a criança por volta de 2 anos e por volta de 2 anos entra nesse mundo da representação cuja cujos comportamentos são, por exemplo, o desenho, o brincar de fazer de conta, o reconhecimento no espelho, a imitação, a imitação que se chama de imitação de ferido, ou seja, você vê algo e você imita esse algo, digamos, eh, 24 horas depois, o
que mostra bem que aquilo ficou em imagem. E a prova mais, digamos, elaborada disso é a capacidade de utilizar, de empregar a linguagem. Então realmente muda a qualidade da inteligência ser essencial em Pag, porque a inteligência que antes era limitada às ações, agora vai ser, evidentemente ainda uma inteligência em ação, mas agora uma inteligência em representação. Aí a isso, um PG deu o nome de préoperatório, porque pré-operatório significará o seguinte, ou seja, a criança trabalha com representações, mas agora terá todo um trabalho de assimilação, acomodação equilibração, de organizar essas representações num todo coerente, ou seja,
né? E as operações significam justamente a capacidade de organizar esse mundo das representações de uma maneira coerente, estável. Isso somente acontecerá no período operatório que começa por volta de 6 7 anos de idade. Na verdade, Pag, e isso é interessante, ele dá o nome de pré-operatório a essa fase. Portanto, Pag insiste sobretudo na obra dele sobre as lacunas e as dificuldades dessa fase que serão superadas na fase operatória do que as características, digamos, positivas dessa fase, né? Isso é, digamos, é o sotag da teoria de PG. Mas em termos de eh pontos essenciais que ilustram
bem essa fase, eu el faria a eleição dos seguintes temas. Bom, um já foi falado, é a linguagem. Ou seja, a criança entra no mundo da linguagem e concebe uma competência discursiva, digamos, eh, bastante grande durante essa fase toda. Então, a linguagem, digamos, é um dos pontos mais importantes que permite uma socialização da inteligência, como diz Piagê, né? na Piag atribui a socialização muito pouca, muito pouca eficiência, digamos, no período sensório motor, mas agora graças a linguagem uma socialização de inteligências, porque a linguagem permite a comunicação. A linguagem é um tema importante. Acho que um
tema também que seria importante salientar dessa fase, que é a entrada da criança no mundo da moralidade, né? Nessa fase que a criança entra no muito dos valores, das regras, das virtudes, do certo, do errado, enfim. E isso, evidentemente, é um ponto extremamente importante. Não se pode falar em moral numa criança de 0 a 2 anos ou até três, mas por volta de 4 anos a criança penetra no mundo da moralidade. Isso evidentemente é, digamos, uma decorrência extremamente extremamente rica e séria, digamos, desta desta fase. Um terceiro conceito muito associado a essa fase é um
conceito perigoso que até Piagê até se arrependeu de ter utilizado, mas é o conceito de egocentrismo, né? O conceito de egocentrismo significa o seguinte: não significa absolutamente que a criança está como se fosse autista, totalmente centrada nele, nela. Mas o conceito de egocentrismo significa que a criança tem dificuldade em perceber o ponto de vista do outro, ou seja, ela vem muito o ponto de vista do outro centrada, daí a palavra de ego, centrismo, centrada no seu próprio ponto de vista. Exemplo, você, por exemplo, pede para uma criança, você pede para uma criança, digamos, de 5
anos, a quem você acabou de contar uma história nova, né? você pede a essa criança que ela conte essa história para uma outra criança e você vai verificar que a criança conta ah no fundo como se a outra já soubesse a história, né? Como outra já soubesse a história. Dá um exemplo caseiro, né? É frequente você ver uma criança de 3 4 anos chegar pro pai e pra mãe e dizer: "Cadê o meu carrinho?" Ela tem 500 carrinhos, né? Vários, pelo menos dois, mas ela diz: "Cadê o meu carrinho?" Claro que para ela está está
claro de que carinho, de que carrinho ela está falando, mas como ela sabe de que carrinho ela está falando, ela imagina que o outro também saiba. Enquanto que uma criança um pouco mais velha não dirá: "Quader o meu carrinho?" Mas quer dizer, o meu carrinho amarelo, estou procurando um carrinho, aquele que você me deu tal dia, etc e tal. Então são exemplos de egocentrismo, ou seja, né? a dificuldade de sair do próprio ponto de vista e colocar-se num outro ponto de vista de uma outra pessoa. Isso será um ganho do período justamente operatório [Música] concreto.
Então, veja bem, o que é interessante na teoria de PG é que ele vai chamar uma determinada fase de pré-operatória e a fase sucessiva de operatório. Portanto, a questão da operação é central. E como eu disse, Pag vai ver na fase pré-operatória essencialmente o que falta para a criança ser operatória. Então, por isso temos que definir o conceito de operação. Não, o conceito de operação, tecnicamente é o seguinte, é uma ação interiorizada reversível. Bom, então vamos explicar esses três termos. Ação significa ação, ou seja, manipular o mundo, trabalhar o mundo, agir sobre o mundo. Isso,
a ação existe, evidentemente, desde o nascimento, mas é ação interiorizada, portanto, é ação através da representação, que significa ação interiorizada. Agora, eu vou mexer no mundo, mas através da representação deste mundo. Então, uma coisa é eu pegar essa câmera e colocar no outro lugar. É ação. Ação interiorizada será eu imaginar colocar esta câmera em outro lugar, mas não colocar esta câmera. Estou imaginando que eu estou fazendo isso através das imagens que eu tenho desta câmera. No sensório motor, a criança tem ação. No pré-operatório, a criança tem ação interiorizada. E no operatório, ela tem ação interiorizada
reversível. Irreversível significa o seguinte, é a possibilidade de em imaginação na cabeça, de forma interiorizada pensar a ação e a anulação dessa mesma ação. Ou seja, rever significa eu posso pensar o que eu fiz e voltar exatamente ao ponto de partida, sem cometer contradições. Uma criança pré-operatória justamente não consegue isso. Não consegue isso. Exemplo, você pergunta para uma criança de 5 anos de idade, daqui até Campinas tem quantos quilômetros? Vamos imaginar que ela saiba a resposta. Ela vai dizer 100 km. Ou seja, né? Ela não tá indo até Campinas, ela tá parada pensando, então, de
São Paulo a Campinas a 100 km. Aí você pergunta para ela a reversibilidade. A reversibilidade no caso seria o quê? Agora vamos pensar de Campinas para São Paulo. Evidentemente, em boa lógica, se de São Paulo até Campinas a 100 km, de Campinas a São Paulo também haverá 100 km. Nada mais do que eu fazer a volta. Só que a criança pequena dirá: "Não sei". Outro exemplo clássico da teoria de Pag é a questão da parte do todo. Uma criança pequena poderá entender eh que ela mora, digamos, num bairro, né? Digamos Butantã. Ela sabe também que
mora num lugar chamado São Paulo, mas terá muita dificuldade em entender que Butantã é dentro de São Paulo. Se ela tá pensando em Butantã em Butantã e quando ela tá pensando em São Paulo, é São Paulo. Nessa mesma linha, se você pergunta para uma criança, tem mais rosas ou tem mais margaridas? Digamos que tenha essas flores na frente dela e que tenha mais rosas, ela vai dizer tranquilamente, porque a percepção basta para isso, ela vai dizer: "Tem mais rosas do que margaridas". Mas aí você faz a seguinte pergunta para ela. O que que tem mais
flores? Significa o conjunto das margaridas mais as rosas ou mais rosas. Aí você tá pedindo para ela comparar o todo, que é juntar margaridas e rosas, com a parte que é separar margaridas e rosas e ficar apenas com as rosas. E a criança não sabe e respondeu. Então responde frequentemente, tem mais rosas. Ou seja, o pré-operatório é sintetizando, ação interiorizada, mas ainda não reversível. entenda-se no reversível, ainda não com a organização lógica dessas representações. O período operatório será justamente a conquista dessa organização lógica do pensamento que permite chegar à verdade sem contradições. Olha, uma um
aspecto importante da passagem do operatório, do pré-operatório para operatório, é o sentimento de necessidade. Vamos dar um exemplo. Uma criança pode até eh aprender, decorar que eh, por exemplo, se daqui até Campinas dá 100 km, que também de Campinas até São Paulo dá 100 km, tá? Ela pode até saber isto, só que no pré-operatório esse conhecimento é para ela apenas provável. Ou seja, ela poderia, e se alguém, se alguém disser para ela, gozado, eu não acho que seja 100 km, fala, então talvez não seja, ou seja, ela tem até a resposta correta. Ela pensa a
resposta corretamente, mas para ela isso ainda não é uma certeza. Em compensação, essa mesma criança quando estiver no operatório, na paz operatória, ou seja, a partir de 7 anos de idade, aquilo será necessário para ela. Ou seja, né, na verdade uma das dicas eh do pensamento operatório em relação ao pensamento pré-operatório é o seguinte: no pré-operatório as coisas são prováveis. No operatório as coisas serão necessárias. necessárias, evidentemente, se deduzidas a partir de um de um raciocínio. Então, você pode até, eu diria, enrolar, né, uma criança sobre coisas lógicas quando ela tem 5, 6 anos, não
mais quando uma criança tem sete, o se falar, olha, daqui até Campin tem 100 km, mas de Campinas para lá tem menos. El vai dizer: "Bom, tem truque nisso, tem você tá você tá gozando de mim. Tem algum truque? [Música] Então, veja bem, e a G diz: "A partir de 7, 8 anos de idade, a criança entra no período no estágio operatório, ou seja, ela consegue já organizar o seu pensamento através da lógica". Mas PG diz também que esse estágio operatório é dividido em dois, operatório concreto e operatório formal. Portanto, eh, tudo está acabado ainda
por volta de 7 e 8 anos de idade. Então, a diferença entre o operatório formal, operatório concreto é a seguinte: os dois são operatórios, portanto, os dois têm ação interiorizada reversível. Só que no operatório concreto, a criança faz uso desta capacidade operatória apenas em cima de objetos que ela possa manipular ou de situações que ela possa vivenciar ou lembrar a vivência. Enquanto no o período operatório formal, ela vai trabalhar agora com puras hipóteses, ou seja, agora ela vai ser capaz e aplicar a sua lógica a objetos, com textos que sejam puramente hipotéticos, por exemplo, um
foguete na Lua ou não sei o que em Marte, tá certo? E também totalmente estranhos a sua a sua, digamos, a a sua vivência. Então, na verdade, a diferença é um é um grau de abstração. Mas para dar um exemplo, né, a criança, por exemplo, do ponto de vista operatório concreto, chegará facilmente à conclusão de que, bom, todos os planetas são redondos, a Terra é um planeta, logo a Terra é redonda. E ela sabe inclusive que a Terra é redonda, mas você coloca para ele o seguinte: todos os planetas são quadrados. A Terra é um
planeta, logo, em pura hipótese, a Terra é quadrada. Mas como ela sabe que a Terra não é quadrada, ela tem muita dificuldade de aceitar, né? Porque ela ainda está relacionada ao concreto, a sua vivência. Então, operatório formal, na verdade, é conseguir pensar de maneira lógica, reversível, operatória em cima de puras proposições, puras frases, puras hipóteses. Então, a diferença é essa que no colégio tem uma tradução clara. né? Os problemas de matemática que são colocados à crianças, digamos, em primeira quarta série, costumam ser complexos, mas sempre concretos. É alguém que compra não sei quantas bananas, vende
a metade, um preço X, um preço Y, né? São sempre é a matemática aplicada em cima de objetos. Mas é preciso esperar a quinta série em geral, ou seja, por volta de 11, 12 anos, para que no colégio se introduza álgebra, notadamente a ideia de variável. O que que é a variável? A variável é pura forma. O X, o Y é pura forma. Isso é típico do operatório formal. O operatório formal é o último estágio daqueles identificados por Piagê no desenvolvimento da inteligência. Portanto, uma criança por volta de 12, 13 anos, né, acende essa, constrói
esse esse pensamento operatório formal, que é o nosso dos adultos, claro, mais elaborado, digamos, eh, com mais conteúdos, mais, quer dizer, a criança de 2, 3 anos é capaz de pensar sem cometer contradições através de hipóteses, com hipótese, e nós também. [Música] Embora Piagê tenha escrito um só livro a respeito da moral, né? esse livro chamado Juízo Moral na Criança, ele fez uma obra fundamental, ou seja, a o livro Juízo Moral na Criança, as pesquisas e a teoria deste livro são até hoje atuais e deram base para uma série de pesquisas, notadamente nos Estados Unidos,
ou seja, um livro eh fonte de uma série de pesquisas e teorias, né? E nesse livro, na verdade, Piag diz uma coisa nova pra época. E essa coisa nova é a seguinte, ou seja, assim como a inteligência, assim como o conhecimento evoluem, a moral também evolui. Ou seja, existe um desenvolvimento moral na criança. Por que que isso é importante? Porque antes se pensava muito que a moral nada mais era do que uma mera interiorização dos valores e das regras que estavam colocadas fora. Então, os pais diziam: "Faça isso, faça aquilo". professores, os valores são esses
e a criança, digamos, pouco a pouco eh interiorizava e e esses valores, né, por e simplesmente, o que era fora ficava dentro e acabava a conversa. O que Pag demonstrou com pesquisas e mais pesquisas que na verdade há uma um desenvolvimento moral na criança, ou seja, há estágios também. Então, o primeiro estágio é a anomia, a criança está fora do universo moral. O segundo estágio, que é justamente a entrada da criança no mundo moral, é chamado de heteronomia. Eteronomia significa basicamente que a moral é baseada no respeito pela autoridade e pela obediência. E essa fase
de heteronomia depois é superada por uma fase chamado autonomia, onde agora a legitimação da moral não se dá mais pelo respeito pela autoridade, pela obediência, mas sim pelo contrato, pelo respeito mútuo, pelas relações e reciprocidade. Então a importância desse livro foi mostrar que também a moral evolui e existe, digamos, uma participação ativa da criança na construção da sua própria moral. Então, vamos dar um exemplo. Você pergunta para uma criança de 5, 6 anos quem é mais culpado? Alguém que quebrou 10 copos sem querer ou alguém que quebrou um copo mais querendo, né? O que está
em jogo aqui é o tamanho do dano material, 10 copos versus um copo e a intencionalidade. Quem quebrou 10 não tinha intenção porque fez sem querer, mas quem quebrou um tinha intenção de quebrá-lo. Pergunta-se pra criança, então, qual dos dois, primeiro, os dois são culpados e a criança heterônoma de irá? Sim, já que houve um dano material cometido. E depois pergunta-se qual o mais culpado? É a criança heterônoma. opta pelo autor da quebra dos 10 copos, porque 10 copos é mais do que um copo. Se ela se baseia no, digamos no tamanho do do do
estrago, digamos assim, e não na intencionalidade. Você inclusive tem exemplos desse tipo com a mentira, seja numa criança heterôno, maior a mentira é pior, ou seja, e não é a intenção da mentira, mas é o, digamos, é a distância entre a verdade e o que foi dito. Como sempre em viagem a autonomia, portanto, o estágio posterior será uma superação do estágio do do estágio anterior. Então, nos exemplos que eu dei, a criança autônoma dirá: "Bom, não, os dois não são culpados. Apenas é culpado aquele que teve a intenção de quebrar. Evidentemente, ele teve a intenção
de quebrar e quebrou um copo. Seja o fato de haver 10 copos quebrados absolutamente não conta mais. Como a mentira, o que vai contar não é o tamanho da mentira, mas sim a intenção de de enganar. [Música] É, às vezes acontece uma confusão que é a seguinte, ou seja, pensar que Piag foi um educador ou que Piagóica. E essa é uma confusão muito grave, eh, porque pode, eh, fazer as pessoas pensarem que vão encontrar em Pag propostas pedagógicas ou preocupações pedagógicas. Então, sejamos claro, Pag preocupou-se com pedagogia, como aliás todo e qualquer pensador, mas a
obra dele não é de pedagogia, né? A obra dele é sobre a pergunta como os homens constróem o conhecimento e especificamente como a criança constrói conhecimento, né? Essa que é a pergunta dele. Ele escreveu um texto ou outro sobre pedagogia, dizendo sempre claramente pros professores: "Olha, o meu texto sobre pedagogia vai ser, na verdade, eu apresentar a minha teoria sobre o desenvolvimento infantil. Vocês educadores que façam a tradução pedagógica desta minha teoria. Por que Pag é tão lido, é tão estudado, tem tanta presença na educação?" Eu diria isso tem duas duas razões para isso. A
primeira razão é clássica, ou seja, na verdade, assim como a medicina, que é uma técnica lê biologia, né, para justamente eh saber o que fazer, encontrar as novas técnicas, a pedagogia lê as teorias que tratam do seu do seu aluno. Portanto, todas as teorias que falam de criança, notadamente desenvolvimento da inteligência ou do conhecimento, interessam a pedagogia. Então, como o Piag tem uma obra muito consistente, muito vasta sobre o desenvolvimento da inteligência na criança, é natural que a pedagogia se interesse por esses dados e eh traduzam esses dados na sua pedagogia, né? A segunda razão
pela qual Pia é também bastante lido na pedagogia é de outro nível. Na verdade, Piag acaba sendo o autor em psicologia que dá base teórica para movimentos pedagógicos que foram inclusive anteriores à Piag. Então, por exemplo, a renovação pedagógica. E nisso você pode colocar escola nova também, Montessor em parte, Renê, enfim, os educadores eh encontram em Piag, no fundo lhes dá razão. Então, digamos, a teoria piagitiana é a teoria que se adapta a uma certa corrente pedagógica, notadamente aquela que se opôs ao formalismo e ao verbalismo do ensino tradicional. Então, essas duas razões pelo fato
dele estudar a criança e de ele ter ideias sobre a criança que, digamos, são coerentes com uma certa pedagogia renovada. E a utiliza a palavra construção, até que tem um livro dele chama construção do real. E ele diz que a sua pedagogia, a sua pedagogia, esquece isso, que a sua psicologia é uma e a sua epistemologia também eh é uma epistemologia construtivista. Então, Pag, sim, cunha e se considera um construtivista, mas evidentemente construtivista com todos os conceitos piajetanos. Só que a palavra construção também é uma metáfora, ou seja, em Piag ela tem uma definição muito
clara, mas ela pode ser utilizado como metáfora. Tanto a verdade que hoje há muitas perspectivas construtivistas que não são muito claramente construtivistas por um lado e por outro lado não necessariamente piaos. A palavra construtivismo acabou ficando muito mais ampla do que especificamente a teoria piajetana. Então hoje você tem dentro da educação perspectiva construtivistas que utilizam Pag. Sim, mas podem utilizar Valum, podem utilizar Vigotsk ou então subárias, tipo Emília Ferreiro, etc e tal, né? Ou seja, embora a palavra construtivista tenha sido cunhada por Piagê, não é necessariamente esta mesma definição de construtivismo que você vai encontrar
nas escolas [Música] hoje. Como toda a teoria, notadamente, como toda a teoria complexa, algumas incompreensões inevitavelmente acontece, só que infelizmente algumas incompreensões acabam se tornando dominantes. E a gente poderia chamar essas incompreensões dominantes de mitos. Eu veria basicamente dois mitos em relação à teoria de Pag, mitos no sentido que é uma interpretação claramente errada da teoria de Pag, né? O primeiro mito, diria, é o mito do maturacionismo. Como o Piagê diz, e a sua definição de construtivismo é esta, que existe construção endógena. Algumas pessoas, porém simplesmente diz: "Bom, Piaguracionista que acredita que, na verdade, as
coisas se dão de maneira interna, sem absolutamente nenhuma relação com contexto, nenhuma relação com atividade, etc. e tal." Então, isso é um erro grave. Piag diz textualmente, as construções internas endógenas se dão, em primeiro lugar desencadeadas por demandas do meio, portanto não se dão de maneira puramente isolada e sobre as demandas do meio com os objetos do meio. Então, teoria de PG, absolutamente não é uma teoria maturacionista, mas sim uma teoria interacionista construtivista. Primeiro mito. Segundo mito em relação à teoria do Piag de Piag, que na verdade uma decorrência do primeiro sobre o maturacionismo, é
o seguinte. Quer dizer, Piagê negaria a importância do social no desenvolvimento da inteligência da criança. Então é um mito. Por quê? Porque é falso. Então devemos dizer o seguinte: sim é verdade. Piagê não fez estudos, não aprofundou essa questão, né? Então se encontram poucas referências em Pag em relação a social no desenvolvimento. Mas veja bem, não aprofundar e não fazer pesquisa sobre um tema não negar a sua importância, né? Piag tinha 24 horas por dia, ele tinha que fazer determinadas opções. Então, na verdade, é o segundo ponto. Na teoria de Pagê, a interação social tem
um lugar bem claro, embora não aprofundado e não pesquisado. E esse lugar diz claramente o seguinte: se não houver interação social, se não houver demanda do meio social, se não houver comunicação, não há desenvolvimento cognitivo. Então, é um mito pensar que Piagância do social, como é um mito pensar que Piag pensava que apenas a maturação por si só explicava o desenvolvimento. Quanto ao método de PG, método de PG é basicamente um só, ou seja, ele cria situações, problemas, ou seja, situações que devem ser resolvidas. Ele coloca essas situações problema a crianças de várias faixas etárias,
em geral de 6 anos a 12, 13 anos de idade, e verifica, por um lado, se as crianças conseguem resolver o problema e, por outro, e mais importante ainda, quais são as dificuldades que ela encontram para resolver este problema. Então, eu diria 90% da obra de Pag foi feita em cima desse tipo de experimento, né? Ele também fez alguns estudos com seus próprios filhos, né, mas apenas com seus próprios filhos de zer a 2 anos de idade. Aí com observação, né? Com observação. Portanto, seria um erro pensar que Piag baseou toda a sua teoria na
observação dos seus próprios filhos. Na verdade, ele fez essas observações de 0 a 2 anos, mas todo o resto da sua obra, eu diria, 90%, portanto, é feito com soluções, a procura de como as crianças resolvem. problemas que ele coloca para essas crianças de em geral de 6 a 12 anos de idade. Hoje, 20 anos após a sua morte, isso já não é mais verdade, né? Ela continua sendo extremamente importante, mas hegemônica não. Primeiro houve o redescobrimento de Vigotsk, né, que em geral não era um autor conhecido na época em que Piag trabalhava. Também um
certo um certo reviver da teoria de Valão. Valão também existe, digamos assim, essas cognitivas. Eu diria hoje a psicologia de desenvolvimento vive mais uma fase de, digamos, de de difusão das ideias, de não concentração, né? Eu diria que a, digamos, a psicologia do desenvolvimento vive um momento de turbulência. Nenhuma visão pode ser considerada hegemônica, tão pouco de PAG, mas também não se sabe muito bem em direção ao que essa área, essa área vai. Então, ela foi dominante, sim. Hoje em dia, não há contestadores dessa teoria. Claro, há dois tipos de contestadores, aqueles que dizem bom,
PG errou, ou seja, aquilo que ele diz não é verdade, mas também os contestadores de um tipo um pouco diferente que diz: "Bom, o que Pag disse tá muito bom, não está errado, mas a rigor tem tanto mais coisa para dizer, até coisa mais importante. Então, a rigor precisam, não precisam nem ler o que Piag escreveu, né? Ou seja, uns podem contestar Pag porque ele errou e outros podem contestar Pag porque ele falou coisas certas, mas não essenciais. O essencial estaria em outro lugar. Então, hegemonia hoje não há mais. O que é bom, aliás, a
hegemonia nunca é saudável, sobretudo em ciência. [Música] é uma teoria extremamente rica, extremamente importante, eh, que inclusive nos permite entender melhor filhos e alunos em geral. Portanto, eu acho que o professor tem muito a ganhar estudando Pag, não apenas PG, mas evidentemente estudando Pag. É uma obra enorme, 70 livros, que livros ler? Então, evidentemente é uma opção pessoal. Eu diria para Lepia é preciso ir com paciência, não é um texto que vai se entregar muito facilmente. Eu sugeriria que o primeiro livro que se lesse sobre Piagê fosse o Nascimento da Inteligência na criança, que fala
do período sensório motor, mas eu diria mesmo para alguém que não se interessa porque o seu trabalho não é com crianças dessa faixa etária, é o livro onde Piagê explicita muito claramente o seu construtivismo. Então eu diria melhor livro para se começar a lepiagia o nascimento da inteligência na criança. Após isso diria dois outros que forma a trilogia, né, do sensório motor, a construção do real na criança para entender a construção do conhecimento nessa faixa etária e as ideias básicas de Piagia estão lá e a formação do símbolo na criança, que é justamente o estudo
da passagem para representação. Então, nascimento da inteligência na criança, a construção do real na criança e a formação do símbolo na criança. 13 livros que eu acho são três clássicos da psicologia. Eu acho absolutamente necessários para se compreender além disso, eu aconselharia a leitura de um livro árido, mas que também coloca muito claramente a a teoria piajetan, que é a da lógica da criança, a lógica do adolescente, né? texto de pesquisa, onde justamente ele vai ver como é que as crianças de 5, 6, 7 até 12, 13 anos resolvem a sua maneira ou deixam de
resolver os mesmos problemas, né? É, notadamente é um livro que explicita muito bem o que é operatório formal. Não poderia deixar de aconselhar também a leitura do juízo moral na criança, um livro extremamente rico, como eu disse, único na obra de Piagê, porque a moral não é o seu tema, mas extremamente produtivo em termos do pensamento nesta área durante o século XX. Então, o juízo moral na criança. E se forem me pedir livros assim, digamos, mais de resumo, eu aconselharia a psicologia da criança que Piag escreveu com Inel. E um livrinho muito simpático, muito simples
e que em geral frequentemente é um livro de iniciação a Piag, que é os seis estudos de psicologia, né? Mas há tantos outros, mas eu acho que essa lista já tá bem razoável. Eu acho que a teoria de PG, notadamente para quem lida com criança, pode ser pai, mãe e pode ser professor, ajuda muito a entender os comportamentos da criança, né? Às vezes você vê coisas que você poderia até desprezar, mas tendo lido piag diz: "Olha que coisa interessante, olha que coisa, olha que momento importante do desenvolvimento". Então acho que ele instrumentaliza para você entender
a criança, não apenas do ponto de vista da sua inteligência, mas também do ponto de vista das decorrências dos do desenvolvimento da sua inteligência, sua moral, sua personalidade. Acho que é realmente uma teoria que de fato instrumentaliza para você entender o que é uma criança e lidar com uma criança. [Música]