Meus queridos irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje nos apresenta a humildade, que é o verdadeiro tempero com o qual nós podemos realizar a caridade. Vamos explicar. Primeiro Jesus conta uma parábola para nos ensinar a humildade e arremata essa parábola com uma frase que diz tudo: "Quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado".
Aqui nós vemos claramente a dinâmica de Deus. Vejam, na antiguidade, antes de Jesus vir a esse mundo, entre os gregos, entre os romanos, a humildade não estava na lista das virtudes. Ninguém considerava a humildade uma virtude.
Humildade é uma coisa desprezível. Isso não é virtude. Virtude é a pessoa, né, ter ser altiva, ser ter alta estima de si mesmo, se considerar digna.
No entanto, Deus, o próprio Deus, veio a esse mundo. E como nos diz o segundo capítulo de Filipenses, ele, embora fosse Deus, não se apegouciosamente a essa sua igualdade, mas esvaziou-se a si mesmo e se humilhou. Humilavit Semetipsum.
Deus se fez homem num ato de infinita humildade. E por que ele fez isso? Que loucura foi essa de Deus querer vir, viver a nossa vida?
Sim, loucura. Porque imaginem se alguém dissesse para você, olha, é o seguinte, a sua vocação agora é você se transformar em minhoca e você vai com minhoca morrer para salvar, sei lá, as bactérias que vão se alimentar da sua carne. Qualquer um diria ser louco, uma minhoca para salvar bactérias, mas não vale a pena.
Não vale a pena eu fazer isso. Aquele negócio lá não vale nada. Pois bem, se nós disséssemos assim que a humanidade inteira, os 7 bilhões de homens e mulheres que estão nesse planeta, todos nós deveríamos dar a nossa vida para salvar uma barata.
Nós acharíamos isso uma loucura. Evidente que 7 bilhões de pessoas valem mais do que uma barata. Mas nós não ficamos escandalizados quando nós dizemos que Deus deu a vida dele para nos salvar.
Gente, Deus é muito mais do que 7 bilhões de pessoas. Nós deveríamos sentir uma vertigem diante da loucura de Deus. Mas é uma loucura de amor.
Deus, criador do céu e da terra, Senhor do universo, se fez homem. Por amor a mim, que não valho nada. Por amor a mim, ele se fez um escravo que morreu à morte de um escravo torturado na cruz por amor a mim.
Ao fazer isso, Deus deu a cada um de nós um valor infinito. Sim, porque nós fomos pagos, nós fomos resgatados, nós somos salvos por um preço infinito, de infinito valor. O preço que Deus pagou para nos resgatar foi esta humilhação.
Humilhação total de morte e morte de cruz. A humildade infinita de Cristo por amor a mim. Por amor a mim.
Meditar nessas coisas deveria nos mover em nossas próprias víceras. Deveria nos fazer com que nós sentíssemos vertigem diante de um amor assim. Loucura de amor.
As loucuras de amor que Deus fez por nós. Ele se humilhou e se entregou por mim. Eu que não valho nada.
Ele que vale tudo. Eu que sou nada e ele é tudo. Diante do Cristo que se humilhou.
e se humilhou por amor. Nós entendemos então também a segunda parábola. Não somente Jesus ocupou o último lugar, mas Jesus também prestou um serviço a quem não podia retribuir.
Jesus diz: "Oferece um banquete para os pobres, os alejados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz porque eles não te podem retribuir. Jesus preparou para nós um banquete e nós não podemos retribuir.
Retribuetribu. O que oferecerei? O que retribuirei ao Senhor por tudo aquilo que ele me deu?
Vejam, a humildade infinita de quem ocupa o último lugar, o lugar de servo, o lugar de escravo, mas faz isso por amor, sabendo que nós nunca poderemos retribuir. Que maravilha. Diante desta luz de Cristo, nós entendemos o evangelho.
Medite sobre isso. Essa luz que ilumina o evangelho de hoje é a luz que sai da cruz de Cristo. Eis aí o homem virtuoso.
E o Senhor vai dizer assim: "Sim, padre, entendi, mas tão distante de mim? " Bom, mas vamos entender a coisa mais profundamente. Vejam, nós para sermos felizes, precisamos amar com um amor que não é nosso, que vem do alto, que vem de Deus.
Se você é verdadeiro cristão, se você é verdadeira cristã, se você quer ser feliz no céu, você tem que dizer o seguinte: "Jesus, eu não tenho o amor com o qual vós quereis que eu vos ame, porque não temos mesmo, ele que nos dá". É a graça. Quando nós somos batizados, ele nos dá a graça.
E nessa a graça que tá no nosso coração, vem o amor com o qual ele quer ser amado. Então, vejam que maravilha de Deus. Nós católicos, nós não somos como tantas religiões por aí que acham que serão salvos.
ou serão santos a partir de nosso próprio amor, nosso próprio esforço. Quantos espíritas fazem obras de caridade pensando exatamente que com este amor humano, esta compaixão humana com que eles amam o próximo, eles irão alcançar não o céu, mas um estágio superior de salvação. subir no estágio superior de salvação.
Não estou duvidando que muitos deles creem nisso de boa vontade, realmente creem e fazem, né, essas obras de filantropia para com o próximo de boa vontade. Mas acontece que qualquer um que tentar amar os outros vai chegar a um ponto daquele do casamento de Canada da Galileia, em que Nossa Senhora vai olhar pra pessoa, dizer para Jesus: "Eles não têm mais vinho. " Qualquer um que tente amar a vida inteira, experimente você com suas forças amar seu marido, amar sua esposa, só com sua própria força, o vinho vai acabar.
Mãe, pai, tente amar seus filhos com suas próprias forças a vida inteira. Um dia o vinho acaba. Tente amar os pobres.
Tente amar os órfãos, as viúvas, os necessitados, os marginalizados, a vida inteira com suas próprias forças. Um dia o vinho vai acabar. Um dia os recursos serão tão escassos que você não vai conseguir mais.
Você vai se desfazer na verdade. Mas Deus quer nos dar o amor com o qual ele quer ser amado. Ou seja, unidos a Jesus.
Jesus veio do céu. Ele se humilhou e nos amou. Ele veio do céu, ocupou o último lugar no banquete e ele é o que passa servindo a cada um de nós.
Nós somos os pobres coxos, alejados que somos servidos por Jesus. Jesus passa servindo a cada um de nós e nos dando aquele recurso celeste, aquela realidade que vem de Deus, que nos torna capazes de amar. Nós estamos sentados como pobres que entraram num banquete.
Que coisa admirável. Vou usar a linguagem moderna. Que Jesus seja o nosso garçom.
Que Jesus seja o servo, o escravo que passa servindo as mesas na minha mesa. Jesus passa servindo na minha mesa porque sabe que eu não tenho amor para dar, porque eu estou morrendo de fome, porque eu sou um faminto, porque eu sou uma pessoa que está exausta. Eu estou, vamos dizer com toda a sinceridade, se é isso que você tá sentindo, diga: "Padre, eu estou cansado de amar".
É isso. Eu estou cansado de dar e nunca receber nada de volta, de ser ter paciência e ninguém ter paciência comigo. De servir os outros e ninguém me serve.
De sorrir, mas ninguém me sorri de volta. Mas se você está assim, sente-se à mesa, a mesa da Eucaristia, porque ele se humilhará outra vez do alto céu e virá, virá outra vez para ser o escravo que nos serve, que digo eu, para ser o próprio alimento que irá nos dar a Força que vem do alto, a força para nós amarmos, nós que não temos amor para dar. Meus queridos, essa é a maravilha do cristianismo, o caminho de Jesus.
E aí, então, uma vez entendendo isso, faz sentido nós tirarmos lições morais do evangelho de hoje. Uma vez que nós contemplamos o que Jesus fez por nós, faz sentido então dizer: "Ele se humilhou por mim, por amor a mim. Eu quero me humilhar por amor a ele.
Quando Satanás teve notícia da humilhação que Deus faria para amor, por amor dos seres humanos, Satanás se ensoberbeceu. Deus disse a Lúcifer e aos anjos rebeldes e a todos os anjos bons também. Eu irei me fazer escravo do ser humano para servi-los e para amá-los.
Lúcifer se revoltou e disse: "Não vou imitar isso. Não vou me rebaixar e servir a esta gentalha. Não servirei, não irei me rebaixar.
Nós podemos imaginar aqui Lúcifer revoltado e blasfemando contra Deus, perguntando: "Quem que você acha que você é para exigir isso de mim? Você não vê quem eu sou? Eu sou a mais perfeita de todas as criaturas.
Por natureza, ninguém tem mais o do que do que eu. Eu estou no ápice, no cume de toda a criação, a perfeição de toda a criação. Disse Lúcifer.
Eu sou o maior, o mais luminoso de todos os anjos. Que velhacaria é esta? querer agora que eu me rebaixe para servir aquela mulher de Nazaré para que ela seja maior do que eu.
Que velhacaria é esta que eu agora sirva aos seres humanos para salvá-los? Lúcifer se revoltou. Lúcifer não quis se rebaixar.
Ao contrário, a Virgem Maria, ao receber a notícia do projeto de Deus, correu alegremente para se humilhar. Eis aqui a escrava e saiu correndo para as colinas da Judeia para ser a escrava de Isabel. para servir e passar a sua vida servindo.
Porque se ele veio para me servir, eu preciso servir também. Se ele se humilhou por amor a mim, eu preciso me humilhar por amor a ele. Portanto, meus queridos, a humildade dentro do cristianismo adquire uma coloração completamente diferente do que simplesmente simplesmente o reconhecimento da minha verdade.
Claro, está correta Santa Teresa quando diz que a humildade é a verdade. Sim, quando eu vejo quem eu sou, eu ocupo o meu lugar de nada. Mas se fosse somente isso, a humildade seria fria, a humildade seria negativa, a humildade seria sem fogo, sem energia, porque é simplesmente a humildade de dizer: "Ah, eu não sou, eu não tenho, eu não posso, então tá bom, fiquei no meu lugar".
Mas quando nós olhamos a humildade de Jesus, a humildade de Jesus é um fogo, é uma fornalha ardente de amor. Ele se humilhou. Quando nós ouvimos esta frase, ele se humilhou, nós f deveríamos ficar na ponta dos pés.
Nós deveríamos ficar na ponta da cadeira, surpresos, entusiasmados. incendiados por essa humildade. Por mim, ele se humilhou por mim.
Ah, vou amar de volta. Vou me humilhar por ele. Eu quero ser humilhado por amor a ele.
Meus queridos, passar esses dias servindo e aceitando as humilhações que a vida nos impõe. Ninguém de nós que está aqui pode dizer que nunca foi humilhado. A vida nos impõe às vezes diariamente humilhações.
Nós podemos ter duas reações. A reação de Lúcifer que diz: "Não, não aceito, não servirei". a humilhação de Maria que diz: "Ele se humilhou por mim, porque eu não irei me humilhar por ele".
E então nós iremos notar que essa esse segundo tipo de humildade é aquecido interiormente por uma caridade. A caridade de quem serve por amor. Servo por amor.
Servir por amor. Lavar os pés uns dos outros. Um dia São Felipe Neri, que viveu no século X, época do descobrimento do Brasil, logo depois do descobrimento do Brasil, ele nasceu em 1515.
Ele era padre lá em Roma e já estava, já era um padre já experimentado, conhecido na cidade, embora ele fosse muito humilde, muito escondido, ele já tinha fama de santo. Ele fazia de tudo para esconder essa sua santidade. Então, como todo mundo começou a ir ao redor dele, achando que ele era santo, ele começou a fazer coisas estranhas para acharem que ele era louco.
Vestia a batina pelo avesso, saía de casa, ao invés de calçar sapatos, colocava um tamanco, não é? E para que todo mundo dissesse: "Não é louco, não é santo". Mas o Papa, bispo de Roma, sabia que ele era santo.
E um dia chamou: "Padre Felipe, venha cá, eu quero que você me faça um favor. Tem um mosteiro aqui perto que o pessoal tá dizendo que tem uma monja que é muito santa, que está fazendo milagres. tendo visões.
Jesus tá falando com ela. E eu queria que você fosse lá como meu enviado para verificar se essa mão já é santa de verdade. Padre Felipe.
Pois não, santidade. E foi. Era um dia chuvoso.
As estradas daquela época, muitas não tinham asfalto, lama. Padre Felipe chega ao mosteiro com os sapatos todos sujos de barro. Quando ele chega, ele pede para anunciar a santa que ele tinha vindo, que o papa tinha enviado ele ali para falar com ela.
A santa veio toda, né, emlevada e disse: "Pois não, padre, irmã, eu queria falar com a senhora, mas antes de falar com a senhora, olha como estão meus sapatos sujos de lama. A senhora não podia limpar para mim? " A suposta santa ficou aterrorizada e disse: "Eu não tô acostumada a fazer esse tipo de coisa".
Ah, tá bom, irmã. Muito obrigado. Calçou o sapato de novo e foi embora para Roma.
Quando chegou lá, disse pro Papa: "Santo padre, não se preocupe, não é santa. E o papa disse: "Mas como você sabe disso? Não tem a virtude em cima da qual está construído todo edifício, a humildade.
Se não tem humildade, não é santa. Porque o santo sabe que a santidade dele não é dele, é de Deus. É Deus que age nele.
Um santo que não veja isso não é santo. Todos os santos, verdadeiramente santos, veem que existe dentro deles uma caridade que não é deles, que vem do céu, e que aquele amor que eles têm para amar deles, vem de Deus. E não tem como se ensoberbecer.
Porque Deus, olha a nossa miséria. Ele se humilha, passa nos servindo e nos dá o amor com o qual ele quer ser amado. Nós não temos, não há do que nos envaidecermos.
O que tendes que não recebestes nos recorda São Paulo. Tudo recebemos de Deus. Tudo.
E precisamos compreender que olhar para a nossa miséria e ver as grandes coisas que Deus faz em nós é cantar o hino da Virgem Maria. O Senhor olhou para a humildade de sua serva. Deus foi atraído pela humildade da Virgem Maria.
E por isso o Senhor fez em mim maravilhas. Agora sendo muito práticos para concluir e você levar alguma coisa para casa para colocar em prática. Como viver a humildade?
Bom, a primeira coisa, nos alimentar dessa fornalha de amor, que é humildade de Cristo, que nos serviu, que nos amou, né? Que passa a mesa nos servindo, morreu por nós, humilhado na cruz. Mas a segunda coisa bem prática, então isso se alimentar disso quer dizer meditar isso constantemente e querer ser humilde como ele para amá-lo de volta.
uma humildade motivada pela caridade, pelo amor, que quer retribuir. A segunda coisa, porém, é uma coisa bem prática, que é o seguinte: não tentem se humilhar na frente dos outros, vai virar vaidade. A humildade é uma virtude que, embora ela possa se manifestar em atos, é uma virtude secreta.
Você se humilha diante de Deus. Não, não diga pros outros: "Ah, eu sou um pobre miserável. Eu sou o pior dos pecadores.
Eu não valho nada. Eu não sou nada. Eu sou esterco.
Você faz isso. Isso é um ato de vaidade. Você tá se vangloriando da sua suposta humildade.
Dá para enxergar isso? Agora, se você bico calado diante dos outros, se humilha diante de Deus, ah, bom, com Deus não tem máscara. Com Deus não tem teatro.
Quando você diz para Jesus, Jesus, eu não presto, ele sabe que é verdade. São Felipe Neri, esse grande santo da alegria e da humildade, dizia, tinha uma oração bastante jocosa, dizendo assim: "Jesus, põe a mão na cabeça de Felipe, porque se você tirar a mão, ele é capaz de cada coisa". Põe a mão na cabeça de Felipe, entendeu?
Jesus põe a mão na cabeça do Paulo Ricardo, porque se vós tirardes a mão, ele vai fazer cada coisa. Cada coisa. saber que tudo que nós fazemos, se nós hoje estamos em estado de graça, nós devemos isso, a pura bondade do Deus humilde que se fez homem para nos servir e passar a mesa servindo a nós, que não podemos em nada retribuir.
Então, é isso que nós precisamos fazer e viver constantemente alegres de por ele nos humilharmos, alegres de receber humilhações que retribuem a ele. Então, esta alegria de ser pequenos e de tudo receber deve ser para nós fonte de profunda comunhão com Cristo. Só o Espírito Santo, unindo nosso coração ao coração de Cristo, nossa alma, alma de Cristo, é capaz de nos dar esta qualidade de humildade que é o tempero da caridade.
Essa caridade escondida, essa caridade que serve, essa caridade que faz sem querer receber de volta, porque já recebemos tudo daquele que tudo nos deu.