o Olá eu me chamo Amanda carneiro e sou curadora assistente aqui no Museu de Arte de São Paulo essa é a exposição Abdias Nascimento um artista panamericano.com curada com Tomás Toledo com Abdias Nascimento Foi uma figura multifacetada e fundamental na história do Brasil foi poeta dramaturgo ator diretor jornalista exerceu cargos na política institucional de deputado federal e também de Senador e além de todas essas funções ele também foi um prolífico pintor de todas as suas facetas essa talvez seja a menos reconhecida e é por isso que esse projeto existe para iluminar a produção visual desta
figura tão importante para a história do Brasil recente o neologismo que está no subtítulo da exposição um artista Panamericano remete por 11 o pan-americanismo o movimento político bastante global ao qual o artista se associou por outro lado faz referência à expressão latina americana cunhada pela antropologia brasileira lélia Gonzalez para se referir a experiência Negra nas Américas a exposição conta com 61 trabalhos além de documentos de arquivo como fotografias poder de Exposições capazes mas também a Ampla produção bibliográfica e intelectual desse artista que também foi essa figura multifacetada a exposição ocupa o mezanino e a galeria
do primeiro subsolo do museu e se utilizou da cor cinza tanto no piso quanto nas paredes para criar uma uniformidade entre os espaços e para servir de fundo revelador das cor bom então vim vazio das formas tão marcantes presentes em sua produção a mostra é dividida em sete núcleos todos formulados a partir de um trabalho de arte ou um conceito desenvolvido pelo próprio Abdias e que revela a relação dele com conceitos formulações ligados a afrobrasilidades mas também a diáspora Africana e o próprio continente Africano em si mesmo o primeiro desses núcleos a intitulado teogonia afro-brasileira
teogonia é o estudo de religiões politeístas como é o caso por exemplo do Candomblé e da Umbanda A teogonia afro-brasileira do Abdias E inclui mitos insignia símbolos do Candomblé da Umbanda ligados também a mitologia egípcia e até ao Islamismo tudo isso ele mescla de forma bastante viva bastante vibrante bastante Colour bom e muito simbólica às vezes retomando dimensões figurativas mas sobretudo ligada a uma tradição de uma abstração geométrica então aqui as formas são sempre todas muito conectadas a geometria e bastante reveladora de uma perspectiva de olhar para essas tradições que constituem essa Ampla Gama do
que a gente chama de ser negro a partir de pontos de contato em de vinco mais de forma bastante sintética sempre bem ligadas a essa relação de apuração da forma até o seu mínimo necessário esse segundo núcleo foi intitulado o quilombismo como esse trabalho um livro do Abdias e o conceito que ele desenvolveu ao longo da sua actividade intelectual e que retoma a experiência dos quilombos esses lugares de resistência da população negra que foi escravizada e que procurava nesses territórios um espaço A Fuga e de resistência também mas é também um conceito visual é na
ideia de que um trabalho visual pode comunicar ideias que são ideias teóricas e intelectuais estão esse trabalho o quilombismo tá aí associando as cores do panafricanismo aqui no caso o verde o vermelho e o símbolo associar as insígnias dos orixás Ogun e Exu Ogum é o orixá da guerra mas há também o orixá da inovação tecnológica Exu é o orixá da contradição Mas também da mensagem do Poder da comunicação essas duas figuras e as suas características constituiria um para o Abdias O que é traduzido literariamente como o quilombismo esse núcleo toma como um partido Então
essa ideia da flâmula da Bandeira como uma característica para repensar a relação de povos marginalizados e o estado-nação e apresenta várias outras Bandeiras entre elas essa oke Oxossi em oke Oxossi a gente ver a bandeira do Brasil ela apresenta a saudação ao só se que é o orixá caçador na o que o que o que que é uma redução da expressão o que aro e o arco e flecha de Oxossi serve para cortar essa bandeira de maneira central e para rotacionar a bandeira também para cima nos fazendo questionar o que que seria do Brasil sem
essa presença afro-brasileira Deuses vivos é um núcleo dedicado a personificação dos orixás em figuras humanas ou animais aqui é possível notar a conexão do Abdias com diferentes lideranças do movimento negro dos Estados Unidos para onde ele se mudou em 1968 e onde residiu até a redemocratização do Brasil na década de e tenta EA relação que ele estabelecia com figuras que faziam parte da história de vida ou da história de saber conhecimento e aprendizado político dele com os orixás que eram a força vital da pintura que o artista produziu é o caso dessa pintura dedicada Alega
Garcia atriz do Teatro Experimental do Negro uma radical experiência de dramaturgia fundada pelo Abdias Nascimento e que tinha um elenco exclusivamente formado por pessoas negras e que ao sol é a Garcia a carreira de atriz ele produziu essa pintura que é uma referência também a oxumaré que a divindade que passa um ciclo da sua vida como serpente e um outro ciclo como arco-íris revelando na mitologia o processo de transformação da natureza germinal é o título dessa obra e também o título de o que faz referência a alma Cruz que na escrita egípcia significa o símbolo
de uma vida eterna então no quadro a gente vê também uma figura humana sendo atendida esse lugar da eternidade e revela o contato do Abdias com questões de as políticas mais amplas como essa que retoma o Egito como parte do continente africano a retomada do Egito como parte da África foi o movimento fundamental articulado por várias lideranças negras na década de 60 em diferentes partes do mundo e constitui parte significativa da construção de um Imaginário das pessoas na diáspora africana nesse núcleo também é possível notar uma escolha Expô gráfica realizada para essa mostra e que
retoma um conceito visual bastante significativo na obra do abn em todos os núcleos dessa sala do 1º subsolo são constituídos por um lado desse x cruz Encruzilhada que foi constituído com paredes e que revelam como no quilombismo algo que o Habeas jogava bastante importante que era transformar uma ideia numa materialidade bastante física são Copa é um símbolo que constitui um conjunto de ideogramas significativos para uma população chamada Khan que reside atualmente entre gana e Costa do Marfim esse adinkra significa que nunca é tarde para voltar ao passado e recolher aquilo que ficou para trás esse
símbolo Foi bastante utilizado por diferentes pessoas da diáspora africana para pensar que nunca era tarde para buscar a sua própria sexualidade fez inclusive com que movimentos surgidos dessa vontade de retorno a retomar sem esse símbolo como um símbolo que traduziria esse sentimento de buscar aquilo que ficou para trás esse núcleo também ao novo eu dedicado aos trabalhos do Abdias com simbologias explicitamente africanas desde simbologias ligadas aos adinkras mas também as máscaras que constituirão parte significativa dos objetos de Cultura material Mas também da africano achar de sangue a um núcleo dessa exposição dedicado à reflexão visual
do Abdias Nascimento em torno do tráfico Atlântico de escravizadas desde o impacto psíquico na subjetividade das pessoas negras como também o impacto que o tráfico teve nas dinâmicas de poder de hierarquia e de território Bahia de sangue essa tela que a gente vê aqui revela como o artista concebia o território africano é um espaço idílico também o Atlântico é um mar de sangue para ele e isso se refere diretamente à quantidade de pessoas que na condição de escravizadas morreram no trajeto entre a África e as Américas e foram jogadas no oceano constituindo essa água toda
vermelha que a gente vê aqui e o lugar de cativo esse que é impossível identificar porque tão preso tão fechado que é um túmulo também como a própria pintura anuncia Esse é também o único núcleo em que se nota uma perspectiva de denúncia a partir da Anunciação de um processo de violência e não de valorização boa parte da produção do Abdias foi dedicada a revelar a contribuição da população Africana e negra brasileira para formação do nosso image é da nossa cultura e dos nossos saberes e em momentos bastante pontuais ele transformou Isso numa denúncia a
partir da violência algo que é tão mais recorrente na nossa iconografia do que a perspectiva que ele adotou Esse é o axé da Esperança o Habeas produzir um livro de poesias que chamava a chá de sangue e da Esperança a gente encerra a exposição com essa ideia de que um artista negro como era o caso do Abdias Nascimento podia produzir a e trabalhos com Imaginário muito mais amplo do que o Imaginário é estritamente relacionado as pessoas negras óbvio que isso foi uma característica Fundamental e importante do trabalho dele que ele almejava e que fez questão
de reafirmar Mas ele também exerceu a liberdade de produzir sobre temas amplos revelando o que é é singular e específico ao mesmo tempo que se é universal axé da esperança é também bastante ligado a relação do artista com a natureza é certo que o mundo natural fez parte de toda a exposição mas aqui ele se dedica a figurar animais e pinturas de paisagem talvez gêneros mais clássicos da pintura e que não necessariamente tinha uma conotação política histórica ou diretamente com textual a na mostra também um conjunto de documentos divididos em duas vitrines uma delas é
dedicada a faceta artística do Abdias não é possível encontrar documentos do Teatro Experimental do Negro fotografias do artista em cena além de catálogos de Exposições já realizadas por ele a segunda vitrine é dedicada a faceta política e ativista do artista a participação dele Oi negra brasileira a realização de diferentes Convenções nessa vitrine também se explícita a relação estabelecida nessa exposição com a lélia Gonzalez a um conjunto significativo de imagens em que os dois aparecem juntos em diferentes momentos e todos os livros já produzidos pelo artista e finalmente a na exposição vídeo dedicado a revelar os
temas que o Abdias abordou quando foi Senador no final da década de 90 Abdias Nascimento um artista Panamericana acompanhado de um extenso catálogo com reprodução das obras do artista material de acebo fotografias esboços cadernos de desenho cartazes e textos especialmente produzidos para o projeto e que conta com a contribuição de vários intelectuais curadores e ativistas revelando essas diferentes Faces do Abdias e este projeto Celebra a faceta artística do Abdias Nascimento e almeja que o público visitante reconheça a importância da produção do artista pro cenário de arte brasileira a contribuição abstração geométrica os paralelos e diálogos
que vão muito além de uma conexão com a luta pelo reconhecimento da Igualdade racial mas sobretudo para o exercício da liberdade de maneira plena