meu cordial bom dia boa tarde boa noite boa madrugada para você que está do outro lado da tela sou Professor Augusto Rosa seja muito mais bem-vindo aí H um dia de aula da nossa série de aulas de obras literárias sobre o livro Sempre Viva de Antônio Calado no primeiro bloco A gente fez uma análise Geral do livro falando sobre o próprio autor sobre uma contextualização da obra se você pulou esse vídeo volta tá que é interessante e agora nós vamos começar a falar da parte do enredo analisando algumas partes específicas né o livro pessoal é
dividido em três seções em três partes tá a maior delas é essa primeira parte sobre a qual nós vamos falar nesse bloco é uma parte grande que tem ali por volta de 26 capítulos Tudo bem então é bem extenso Vamos lá eh interessante destacar um ponto que foi comentado na no bloco anterior que os trechos de esse livro eh diferente de um que a gente gosta muito de comparar porque foi uma obra muito importante do Antônio Calado que é o o livro chamado quarup aqui nós vamos ter períodos muito extensos é uma obra em que
o Antônio Calado vai utilizar muito do fator de um tempo psicológico quando se trata de memória do protagonista tá eh em vários momentos nós vamos entrar dentro do consciente eh doquinho que é o protagonista e pensar na sua forma eh de visão de mundo e isso compromete de alguma maneira a leitura linear por quê em alguns trechos eh principalmente no início dá a entender que algumas coisas estão no plano da concretude da realidade ali daquele livro enquanto Na verdade são coisas que estão se passando na na cabeça do protagonista certo mas a gente vai falando
aí tranquilo bem essa primeira parte tá essa parte um é chamada de regresso à Chácara materna tudo bem Aqui nós vamos ver o nosso protagonista o Quinho né e a gente sabe que o nome dele é Vasco Soares né eh Vasco Soares lanceiro né o lanceiro e relativo ao seu bisavô trisavô não sei qual avô que era mas que participou do Exército de osoro e serviu na região do Mato Grosso né então fala-se sobre essa questão tá de um antepassado né do quinho que é ligado a esse elemento de conflito e ao mesmo tempo de
resistência como também eh de uma memória da participação da construção de uma nação por meio de situações bélicas né e o Quinho ele nesse momento né E aí faz sentido falarmos Regresso a chakra materna quando a gente vê que ele está na Bolívia né Ele está em Porto suares ele está ali próximo da Fronteira né próximo do da Divisa Literalmente com o Mato Grosso do Sul para poder ir à cidade de Corumbá Lembrando que a cidade de Corumbá aqui pro Mato Grosso Do Sul é uma cidade das mais históricas que temos né quando ainda éramos
o velho Mato Grosso né com toda sua estrutura ali eh antes da divisão do Estado Corumbá era uma cidade que tinha uma relevância gigantesca paraa comercialização para uma questão militar né dos fortes eh da Marinha eh como também a questão Mercantil né E lembrando que a conexão do Mato Grosso com o Rio de Janeiro a capital ela se dava por vias fluviais né Eh por termos uma ausência de estradas né que ligassem de fato né a chegada a Corumbá isso coisa lá no passado né Corumbá se tornou uma cidade que girava muito em torno da
questão do Rio Paraguai que passa por ali tá E apesar né de falar Rio Paraguai ali nesse trecho a gente faz a fronteira com a Bolívia tudo bem bom e ele então está em Bolívia tá E ele está com muito receio de fazer a travessia Por quê o quinho é um foragido né num sentido da perseguição do regime militar né o quinho é um sujeito que eh tem um trauma e esse trauma afeta a sua questão da memória afeta a sua relação com a composição pesso psicológica tá de como ele vai fazer a sua tomada
de atitudes e por isso e outras questões que o Quinho ele é um sujeito que na verdade ele pensa muito e tem dificuldade de agir né tem essa dificuldade de tomada de decisões E no caso eh ele está com muito receio de fazer a travessia quem está o auxiliando para fazer essa travessia é um contrabando chamado Pepe né E esse Pepe é o cara que vai falar ó você vai passar assim assado né você já vai deixar ali um esquinho para poder deixar pros soldados ali da Fronteira né Por quê Porque todo mundo que passar
ali dá um agrado Então já aparece essa questão da corrupção né da Fronteira e e ele tá de uma dessas dificuldades o Quinho pela memória pelo trauma da per da mulher que é a Lucinda tá por exemplo ele acorda em várias situações do livro e aqui no começo é muito marcante com uma memória muito ativa quase que um sonho acordado da esposa ao seu lado né da sua mulher a Lucinda a Lucinda que foi uma militante né que foi torturada que foi executada e ela estava grávida né então então o Quinho ele perdeu a mulher
e e a criança né no ventre da da da esposa e ele estava no cinema quando da prisão de Lucinda né e ele volta a essa cena do cinema da Escuridão ali os sujeitos chegando né ali da da polícia para poder capturá-la e tirá-la dali né e ele fica nessa sensação de um copo que está para cair né como se o copo ficasse suspenso próximo cair ele volta a essa situação a rememoração desse Episódio específico diversas vezes na narrativa né e ele comenta sobre isso ele pensa nisso e no início aqui do livro dá impressão
de que a Lucinda está ali do lado dele que eles inclusive estão ali tendo uma relação sexual ele é um sujeito que tem uma memória afetiva sexual grande com a com a Lucinda fala ele ele lembra muito das coisas íntimas deles né dos gostos ali das preferências né inclusive e detalhes do tipo assim ah ela gostava né de fazer por uma outra via que não a natural né ou seja sexo anal né e e d detalhes de o que era falado durante as ações e não sei o quê então ele tem muito Vivo Essa memória
e no início parece que ele tá tendo essa relação inclusive com a mulher e aí eh não Só essa vez como outras ele vai quando perceber né ter ejaculado assim tá todo úmido etc enfim tá então isso essa memória viva né de permanecer com ela viva e lembrar muito dessa questão sexual aparece mais uma vez no livro tá a ambição do quinho é voltar ao Brasil Tá mas motivado por uma Vingança vingança de quê de pegar os principais sujeitos eh que estavam relacionados com a morte da Lucinda que um deles é o Claudemiro Marx o
Claudemiro marqu ele é um sujeito inspirado no delegado fleu tá delegado Fleuri foi um personagem do regime militar no Rio de Janeiro eh vinculado muito a a à própria Marinha tá eh e ele foi o Fleuri o cara por exemplo que eh liderou a perseguição ao Mariguela tá e o Mariguela né que vocês devem lembrar da história eh bem como o Fleuri ele é lembrado por ser um sujeito violento um sujeito que eh não não media esforços para capturar os seus alvos se precisasse torturar o cara até morrer ele torturar né ele era muito conhecido
por ter um sucesso nas suas capturas eh em buscar os seus alvos porque era um sujeito que eh não tinha limites quando se tratava de eh conseguir êxito nas suas investigações né era um sujeito que ficou lembrado por isso tá então Claudemiro marqu o autor Antônio Calado ele tentou concentrar na figura desse Claudemiro Marques uma inspiração ali baseada num sujeito real que era o delegado Fleuri tá E esse Claudemiro Marques tá E ele na verdade está usando o nome de Antero Varjão tá então a gente vai contextualizar esse processo aqui eh de época como o
período de já quase ali da reabertura democrática eh do Brasil Então nós já estamos falando de um período eh ali da década de 80 tá em que por exemplo eh teria passado já quase ali uma década desde a morte de Lucinda tá então assim eh é um um um um sentimento que o Quinho vai remoendo que ele vai trazendo eh sobre essa Vingança tá há um tempo e o o Quinho antes dele vir para Bolívia no caso ali na fronteira ele estava na Europa ele estava em Londres eh numa situação ali de exílio né e
em Londres ele teve contato ah com algumas pessoas que também estavam dispostas a fazer eh suas investigações suas curas contato com pessoas locais para ver onde que foram parar certos sujeitos e que eram ativos na repressão eh E por que que de repente esses caras sumiram mas viram um cara muito parecido em tal lugar assim assado né como se fosse uma contrainteligência da época né do sni digamos assim tá eh tentando eh chegar a esses agentes da repressão para poder existir um julgamento internacional alguma coisa assim e um dos alvos que já é certeiro que
fala não é ele mesmo que tá ali é o Claudemiro Marx que está usando o nome de Antero varajão tá que é o proprietário de uma fazenda conhecida como la pantaneira tá que fica na região de Fronteira ali e Corumbá né Ladário ali com o o o o espaço de fronteira com a Bolívia que a fazenda é a onça sem roupa né a onça sem vestido que é ah principalmente por conta do que é que é feito nessa Fazenda porque o Antero Varjão esse nome fictício usado pelo Claudemiro Marx é ah o sujeito onse giro
né a gente chama de onse giro o sujeito que mata as onças e vende o couro dessas onças né a pelagem etc e bem como ele também caçava outros animais né enviava para algumas pessoas que gostam e gostavam mais era um pouco menos fiscalizado esse tipo de comércio e tudo que o vale eh nessa fazenda então é uma fazenda especialista digamos assim em caça de animais para eh motivos comerciais tá só que ele além de estar relacionado com a questão da caça e também é vinculado ao tráfico de cocaína tá nós sabemos né até hoje
um dos principais eh locais de entrada da cocaína no Brasil é a região aqui do Mato Grosso do Sul de Corumbá al a fronteira com a Bolívia né a Bolívia é uma grande produtora de Coca tá e muito dessa cocaína entra pelo Brasil pelo corredor ali que a gente chama corredor do tráfico por via ali de Corumbá tá então e ali famoso desde muito tempo por ser um corredor de tráfego e o Claudemiro está ligado também a essa questão um outro alvo importante que é ali buscado tanto pelo sujeito Quinho como por outras pessoas que
estão eh ali nessa intenção de buscar os agente da repressão é o sujeito um médico Legista chamado arut tá que esse especificamente não se tem uma confirmação de qual seja a sua identidade falsa mas os agentes locais e a informação que chega para o Quinho né que vai entrar em campo digamos assim para tentar tirar as fotos e causar alguma exposição em crimin ação das coisas há uma forte suposição de que seja um sujeito usando o nome de mekis zedk tá eu não sei se a pronúncia correta seria milkis zedk tá porque é um nome
diferente tá eu tive um tio que se chamava me Kids né mas aqui na grafia parece meu keric tá E esse sujeito é um capatas ali da Fazenda uma espécie de gerente da Fazenda como se fosse ali um um braço direito do oniro né Antero Varjão e dá a entender que seja o próprio arik nut tá beleza mas é o único né desses dois que ainda faltaria uma confirmação de alvo né tipo assim não é ele realmente ou não não é tá bem uma personagem an dessa parte é a Jupira a Jupira ela é sobrinha
do Pepe tá do colega ali que está auxiliando está dando as orientações para o Quinho em Bolívia e o Quinho quando vai fazer a travessia ele teme ele fica ancioso ele ele gruda numa árvore ele fica numa sensação de pânico até a chegada de um Volkswagen vermelho né um carro da volks vermelho melho para ao lado abre a porta fala entra e o Quinho ele vê nessa pessoa a Lucinda só que a gente ainda não sabia que era Jupira mas ah ele acha que né que vai entrar ali e ver a mulher então há alguns
momentos que para o leitor de primeira viagem é uma confusão muito grande de saber se a mulher realmente está viva se ela está morta que que é que tá acontecendo tá e a Jupira que é a sobrinha ela abre a porta ele entra ele vê nela a Lucinda né fala nossa Lucinda tal e ela passa ali pela Fronteira tal e a gente vai descobrir que a Jupira ela tem uma semelhança física muito grande com a Lucinda então isso vai ser um fator de atração muito grande né do Quinho com a Jupira a a Jupira ela
tem uma filha chamada herinha né e o pai da erinha foi morto também durante a repressão né a erinha não teve assim uma contato com o pai a erinha é uma menininha de ali os seus 12 anos de idade aproximadamente tá E ela é uma menina muito ligada à natureza tá e na própria casa de Jupira no quintal existem muitas gaiolas ali de animais principalmente de cobras né a Jupira vai falar que ali essas cobras são utilizadas paraa extração do veneno paraa produção de soro antiofídico né E que fazem ali essa captação do veneno e
eles exportam o veneno né faz uma espécie de contrabando de veneno e teria sido isso por uma questão da ausência né de soro antiofídico um trauma ali da região da Jupira principalmente ela tem a lembrança eh de um lacrau né que teria picado a erinha e que ela sobreviveu para milagre enfim sim tem uma história relacionada a essa questão de veneno de animal e uma tentativa de consertar né uma solução ainda que na ilegalidade que isso tudo representa para nós no livro Uma metáfora né para as tentativas de consertar as coisas por vias não oficiais
por vias da ilegalidade que é a galera que estava tentando acabar com o regime ou fazer um Justiça eh por vias não legais porque a via legal a época estava de acordo com o sistema então é uma tentativa imagino de uma metáfora para essa situação e no caso a herinha ela tem três animais que acompanham Principalmente um é o jurupixuna que é um macaquinho né um macaquinho que fica ali no ombro dela tal etc inclusive esse macaquinho Ele carrega um bornal tipo uma sacolinha né atravessada no corpo com milho por qu o jurupixuna ele já
tinha se perdido e aí ela coloca esse esse embauzinho porque eles ela sempre vai saber por onde ele vai né vai deixando um Rastro tá tem o verduro que é um sabiá laranjeira tá e a Joselina que é o quê uma cascavel né a Joselina Cascavel bom é você imagina não é um animal que a gente normalmente tem né em casa porque você pensa um macaco né ainda parece que é uma coisa mais aceitável porque a pessoa pensa bom o macaco ele tá próximo de nós é mais afetuoso né a gente conhece algumas pessoas que
já tiveram uma uma relação amistosa né com esses animais que não eram para ser petos mas enfim o verdurin passarinho que mal faz um passarinho Sabe a laranjeira né que canta muito né Lembrando que olha o verdurin sendo um sabiá laranjeira é muito importante essa questão simbólica porque o canto do sabiá né é lembrado bastante e na nossa literatura principalmente por conta dos versos de gonçalv dias lá no início do romantismo brasileiro com a canção des exílio minha terra tem palmeiras onde canto sabiá as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá né no caso
a representação de uma ave Nacional né o canto do sabiá E você já deve ter escutado muitas vezes o canto do sabiá ter escutado de manhãzinha quando ele canta bastante ao amanhecer né É um pássaro que existe com muita frequência também no espaço urbano e é um animalzinho muito delicado e que o canto dele é bonito né o canto dele é majestoso é doce e esse verdurin canta muito bem né então tem esse símbolo de uma questão Nacional aí também tá eh enfim o pai da Jupira é o velho iriart né velho iriart é o
irmão do PEP tá o velho iriart assim como o irmão PEP mexe com contrabando né faz contrabando de quê cigarros importados bebidas importadas né produtos importados hoje em dia se você vai à Fronteira ali né com a Bolívia hoje o mercado não está tão bom Como já foi antes né de ir lá fazer compras hoje se você quer ir lá fazer compras na fronteira da Bolívia com o Brasil é interessante comprar às vezes roupa que você vai achar mais barato principalmente roupa de frio né mas aqui no Mato Grosso Sul quem e é da região
sabe que o nosso grande Polo de compra de produtos Import dados de pesca de de de eletrônicos de roupas de enfim o que você quiser que seja gringo né importado eh e quer comprar mais acessível o preço né É lá na fronteira com Pedro ran cabaleiro aqui para nós é mais forte tá nós temos também a fronteira mais ao sul né enfim com outros pontos mas aqui para nós Pedro ran cabalheiro é mais forte essa presença dos Importados tá então é só um comentário porque eu sei que nós temos alunos de várias regiões do Brasil
tá E que às vezes não sabe dessa e questão de um fluxo comercial contra bando ou não né A questão da receita vocês já devem ter visto aquele programa que a PRF fica na pista eh e aí de repente pega lá iPhones no carro enfim que a galera com Compra lá e revende né faz uma grana bem e existe um um sujeito um personagem chamado Juvenal Palhano esse Juvenal Palhano cara eu coloquei aqui como um naturalista entre aspas por quê Porque naturalista é a palavra que a gente usava com mais frequência antes hoje a gente
poderia falar um amante da natureza tá Por quê Ah o naturalista antes eram os sujeitos que hoje nós damos o nome de biólogos né de cientistas da natureza eh O Juvenal Palhano é um sujeito intelectual um sujeito que ama eh cuidar de plantas só que ele tem um carinho especial por plantas carnívoras das mais variadas espécies é também uma coisa um tanto peculiar né Por exemplo Normalmente quando a gente fala assim Ah eu adoro plantas aí você fala ah nossa você imagina a pessoa deve ter ali Samambaias né a pessoa deve ter ali Violetas eh
ros né enfim eh flores né no geral ou plantas que são mais usuais de se cuidar mas não ele gosta mesmo é das plantas carnívoras né e ele é um obsecado pela questão da ciência e tudo mais ele a gente percebe que representa muito de um um racionalismo e ao mesmo tempo ele tem um lado eh intelectual forte ele se porta com aquele sujeito eh deslocado do tempo do espaço no meio de Corumbá daquela época né de Corumbá que é uma cidade portuária uma cidade que eh enfim não esperamos ver um sujeito como aquele né
parece tá perdido ali ele usa inclusive um pincin né aquela coisinha aquele óculo aquele oclinho típico do século XIX que ele gostava de falar né que adquiriu um antiquário no Rio de Janeiro e que teria pertencido ao próprio olav blac né o poeta parnasiano o príncipe dos Poetas que inclusive ali ele conseguiria ver certas estrelinhas quando colocava ele tem toda uma visão poética ele fala de uma maneira muito parnasiana também ele parece que ainda tá preso no século XIX ele tem duas eh empregadas mãe e filha aqui são tipicamente ali representadas como um resquício de
escravidão ainda são personagens muito né retintas Né são negras que estão ali eh servindo esse sujeito enfim eh tem todo um aspecto meio Colonial ainda meio Brasil do século XIX H nessa figura do Juvenal e ele tem uma proximidade com a Jupira com a a erinha com o velho Artes eh ele serve como uma espécie de com Ciro tá e e e hã ele gostava muito ele pedia muito que a herinha levasse o verdurin lá pra casa dele onde ele soltava o verdurin junto com outros pássaros num num num num enfim num gaiolão lá e
gostava muito de ouvir né o canto ele gravava alguns cantos dos pássaros enfim é um sujeito um tanto esquisito também um tanto exótico né como algumas pessoas falam tá eh e o Quinho tá ele é veio da Europa como eu falei para vocês agora ele está no Brasil fica no hotel fica visitando ali a Jupira tal a Jupira ela funciona eh como uma espécie de também agente em campo digamos assim entre muitas aspas Ah dessa contrainteligência né Eh analisando para ver ter certeza dos alvos etc só que ela é motivada por uma causa muito mais
coletiva né de tentar resgatar a memória das pessoas que morreram durante a repressão Como foi o pai da erinha né e tudo mais eh e enquanto o Quinho ele vai ter uma postura diferente de a investigação tá isso vai dar inclusive problemas entre os dois quanto a o que eles pensam sobre eh eh uma possível exposição desses agentes ah da repressão tá que estão se escondendo outros nomes o Quinho ele como veio da Europa eh ele se corresponde com uma namorada dele lá eh que trabalha em Londres né que é a Liana e a Liana
ela envia cartas que T códigos né para eles se comunicarem Caso haja uma eh eh eh eh um estravio desses documentos que tenta dar informações para ele também sobre a a possível eh presença do Juvenal palano do juven palano não desculpa do arik nut tá do arik nut lá em Corumbá né no Brasil que seja para poder alcançá-lo tá e a Aliana por ter um relacionamento com o Quinho às vezes eles vão falando de saudade também né tem essa coisa é namorada tá e inclusive o Quinho ele tem meio que um acordo com a Liana
porque essa memória viva da Lucinda eh faz como que se fosse um praticamente um relacionamento a três sabe assim ela aceita que ele às vezes reviva até no corpo dela a a mulher que morreu sabe assim essa essa coisa essa fixação E e essa memória eterna e viva e contínua da mulher abala o cara até nesses seus relacionamentos tá bem e tem uma carta que o o o Quinho vai trazer de Europa né de um cientista de um professor para o próprio Juvenal Palhano beleza Eh foi encomendado ele vai inclusive ter eu coloquei aqui uma
um comentário tá ele tem até uma espécie de conexão familiar com o Juvenal quinho que ele vê na figura ali do Ju anal no aspecto assim da da da casa natureza uma coisa muito de um tio né de um aspecto interior an tem uma espécie de um laço afetivo que o Quinho meio que transpassa e coloca nessa figura do Juvenal tá eh o o o Quinho vai conseguir o acesso à Fazenda la pantaneira tá para fazer as suas investigações e ele né vai levar máquina fotográfica um caderninho para anotar só que ele se passa por
um sujeito que vai escrever um livro sobre o pantanal né E aí que ele estaria eh indo a certos locais para poder conhecer um pouco mais sobre o espaço etc ele vai eh eh encontrar alguns jagunços ali e perceber que tinha uma espécie de ainda eh composição de comportamento policialesco a própria casa grande ali né a sede da Fazenda porque é uma fazenda de uma época colonial a a casa grande com seus vários quartos pareciam os quartos à medida que ele olhava assim gabinetes de delegacias né de sala de interrogatório e ele vai tipo assim
nossa o cara é tão fixado passou tanto tempo na polícia o Claudemiro né eh no caso antério Varjão etc que ele até remonta Talvez esse espaço delegacia alesco digamos assim policialesco para a sede da Fazenda né E os seus jagunços ali os seus funcionários como se fossem ainda também uma espécie de capitães do mato da repressão só que ali agindo para a questão da caça e a retirada do couro dos animais e eles vêm com um papo assim de olha não vá você ficar falando né de que aqui se faz crueldade com animal etc e
não sei o qu e tal fala não não não tá o Quinho Ele vai tentar conversar com algumas pessoas ele vai ver o cheiro forte da questão da decomposição dos animais ele vai ficar chocado com a medida que e ele vê a como que era feita a o treinamento dos cachorros né os cachorros os oniros os cachorros que iam pra caça eh que eram os cães eh eh m com mastim com com fila né fila é uma raça muito bonita né de cachorro que eles embebedava-se esse Faro do do sang e os cachorros né Eh
eh atacavam com uma ferocidade muito grande né esses esses novilhos então ele vai ver ele vai se deparar com uma Crueldade Animal muito grande e é óbvio que isso vai significar uma metáfora uma uma simbolização de eh o sujeito antério Varjão Claudemiro Marx ainda que não estivesse praticando essa violência com os e os alvos dele da época né de polícia de investigação mas com animais como se ele sentisse ainda essa sede de sangue essa sede de violência eh a enfim praticá-la Nem que fosse com os animais aí se fala ah Professor mas os animais eles
não reagem como não sei o que e tal bom eh as pessoas também quando são presas elas ficam na situação também Deão reagir né então assim é é uma espécie de metáfora mesmo para essa questão da violência internalizada nesse sujeito tá bem E existe uma Senzala assim como tem uma casa grande né existe uma Senzala em que já havia a suspeita de que havia corpos enterrados ali naquela fazenda e o nosso protagonista ele vai ter a certeza de que existem esses corpos enterrados lá quando ele vai conversar com um sujeito chamado Edmundo que é o
Edmundo chequen fundo né digamos assim é um sujeito que está ali praticamente é cativo né na fazenda ele é um argentino que em Fuga do regime em Argentina fala né de um sotaque também portenho e Ah nós vamos ter esse Edmundo conversando com Quinho certa noite falando olha você eh deve ter algum conhecido um figurão que possa me ajudar etc e o o cuquinho tenta puxar a língua dele para poder eh que esse sujeito então Eh falasse mais sobre a sua vida a relação ali na pantaneira etc Ah e aí a gente vai saber que
esse é de mundo é um um o coureiro né é o cara que vai fazer o trabalho de extrair a pele dos animais e ele tinha uma fixação por se higienizar porque ele sentia que o cheiro né ali que era muito forte não saía dele tá eh e que ele acabou caindo lá meio que de gaiato e como ele já tinha experiência na área mas ele queria mesmo era voltar a trabalhar de forma administrativa nos antigos empregos no na questão de mexer com cano mexer com outras coisas enfim eh que ele tava com vontade logo
de ir embora dali como se ele tivesse sendo obrigado a fazer aquelas coisas mas meio que também se ele fosse embora ou falasse mais seria o seu destino selado como foi o de Violeta e Corina que também eram mulheres estrangeiras né que inclusive eram colocadas ali como objetos sexuais ali da fazenda e que por eh tentativa de Enfim buscar saídas e enfim não conseguir eh se submeter as a essa função sexual ali né que eram estupradas no espaço elas morreram né inclusive ah na fazenda ali o morto faz o seu próprio Ah sua própria cova
né E ele fala estão bem ali enterradas né como e de forma que a terra ainda eh sobreposta ali não não não fazia nem questão de esconder muito né e como era um espaço escuro ali o Quinho não vai conseguir tirar fotos né etc mas ele vai ter essa certeza de que os corpos dessas mulheres estavam ali na senzala né enfim Ah o Quinho e a Jupira eles vão ter um trelelê que era já algo bem previsível dada a questão da semelhança com a Lucinda né como por exemplo a eles têm ali a a a
um um uma tensão sexual que aparece muito forte tá eles vão acabar depois de uma briga eh aquela coisa bem de filme né do tipo ah eles vão ter um um um problema ali uma discussão porque enquanto o Quinho tem uma ideia de eh entregar fotos sobre essa fazenda para poder expor o Antero Varjão vulgo né vulgo er Varjão mas o Claudemiro como um sujeito que né tá ali fazendo horrores com os animais e tudo a Jupira fala tá mas beleza a causa é importante com os animais H os animais eu tenho que animais Mas
e as pessoas que morreram e as pessoas que foram torturadas como a sua esposa como foi também né O pai da herinha e etc e tal e aí o Quinho fala uma coisa né que assim deixa Evidente e uma fala bem crítica mas né racional os gringos se importam mais com essa questão ambiental do que com a questão da repressão ditatorial é mais fácil as entidades do estrangeiro virem e jogarem seus holofotes e fazer um escarcel com uma questão ambiental do que com uma questão humanitária tá mas a Jupira acha que essa ideia esse plano
do que é uma porcaria que ele tá sendo movido por um interesse muito pessoal né uma Vingança muito própria e não Dea questão Coletiva dos vários que desapareceram enfim nessa treta deles depois ele acaba voltando né E tem ali um relacionamento né E ela meio que no início fica com pé no saco do tanto que o cara fala da mulher né e mas aos poucos vai entender então vai ter até uma parte que ela mesma vai ver a própria Lucinda num sonho e tal há uma parte né que dá para o leitor ficar um pouco
desconfiado da Jupira porque tem a sala da casa dela tem muitas peles de onça Como tapetes naquela ideia de tentar levar o leitor a pensar será que essa Jupira Ela é confiável Será que ela não tá fazendo um outro jogo por que que tem lá essas peles de onça sendo que né o cara é oniro e tal enfim mas aí nós vamos entender que o Claudemiro tem um interesse muito grande na Jupira que aquilo ali era um presente do Claudemiro que o Claudemiro desde que havia chegado né ele tem assim uma fixação pela Jupira para
ter um trem com ela só que a Jupira né tinha uma força uma imponência que conseguia fazer o Claudemiro não avançar né que ele até chegava assim para né ter com ela e ela falava não e aquilo remoía ele por dentro né aquela ali mexia muito com ele com o ego dele tá e a gente vai perceber que tanto o Claudemiro quanto o Juvenal tem interesse na Jupira só que o Juvenal enquanto toda aquela polidez aquela coisa mais refinada né muito educado né que vai fazer cortesias né tem todo um gesto de como tratar etc
e que a Jupira encanta-se ela né bom que pessoa que não gosta de ser tratada bem né de tratada com respeito né com a cortesia com educação né ela tem um encanto pelo Juvenal Mas prefere não estragar digamos a amizade dos dois tá E assim Tenta colocar um limite ali enquanto o Claudemiro tem essa coisa mais bruta mas selvagem ele não não quer fazer corteza ele já quer chegar chegando né mas a a Jupira ela tem uma força capaz de né ele ficar não pera aí tá E e o Claudemiro vai ficar possesso com esquinho
quando né Um dia fazendo a campana né Campana para quem não sabe eh um termo policial utilizado né na gía policialesca de você ficar ali cuidando uma casa ali você ficar ali degir ali meio discreto tal só fazendo a observação tá a gente fala de campanar e ele que né quando e aqui é uma outra observação interessante Ah o quando a gente passa para entrar num num protagonismo do Claudemiro né do Antero Varjão a voz narrativa fica agressiva a voz narrativa fala muito palavrão entrando dentro da cabeça da memória desse sujeito em que ele lembra
dos tempos de polícia em que ele fala de maneira muito agressiva que ele fala em em violentar ele fala em estuprar ele fala em enfiar cabo de vassoura no rabo dos outros né Ele fala de de dar tiro ele fala de sangrar ele e ele tem nesses vazios nesses momentos de ausências nesses vislumbres em que parece que eles sai da realidade fica preso na memória ele tem uma memória muito forte de um gato Maracajá né uma espécie de jaguatirica que ele havia pegado e na maldade né pegou assim um Machete e rancou o rabo Desse
gato Maracajá e viu que esse animal ele o instinto é tão forte da mãe que mesmo sangrando ali com dor tentava ainda proteger os filhos e tal e ele tem essa coisa com gato Maracajá com essa coisa de arrancar o rabo de ver o bicho sofrer sangrando sabe com uma ideia de de troféu então ele tem essas fixações violentas né de ter o poder e tudo mais enfim é é Em alguns momentos desconfortante né a gente lê certas coisas e isso Isso é uma questão da literatura né provocar essas sensações em nós né Eh principalmente
por exemplo eu sou uma pessoa que tem um um um um carinho muito grande por animais né e de vários Portes espécies etc ah por exemplo uma coisa é quando a gente fala assim matou outra coisa é o fazer sofrer do animal né Desse enfim tem tem um um impacto ainda mais prof fundo isso né na sensibilidade do leitor né isso obviamente é também uma estratégia para poder provocar né já no leitor Essa visão de ó esse cara não presta esse um cara um um filho da né esse a gente tem que criar essa sensação
de jeriza do personagem eh e ele vai ficar puto né o clademir vendo Quinho sai da casa da Jupira ele nota né pô o cara ele já tinha uma intimidade com erinha né de andar com ela ali não sei o que e tal ele ele começa a ficar grilado com aquilo tipo assim pô o cara chegou aqui agora esse paisano aí né ele chega como não quer nada tá falando que eu tá escrevendo as coisas vai lá na fazenda eu vou matar esse cara né E aí numa Campana ele avança com a caminhonete com tudo
para cima do do do do do Quinho quase o mata E aí o Quinho já começa a pensar bom o cara tentou me atropelar né ele fica assustado ali ele fica na naquela coisa inclusive ele tenta falar com o Juvenal sobre isso né e falou ó o cara tentou me matar e tudo enfim e o Juvenal mostra que né não gosta muito do Claudemiro e tal etc enfim só que ele sabe que e quando fosse se encontrar com o cara de novo é ele ia morrer né ele já viu ali que escapou por pouco né
escapou por pouco tá eh e só para poder finalizar aqui com vocês essa parte Ah tá tem uma observação importante aqui que é a erinha chamar o quintal lá da casa de pai né que é uma coisa estranha né mas que a erinha ela coloca a visão de pai uma coisa meio poética né meio manuelina né digamos assim Manuel de Barros assim de ver o quintal ali como um espaço paterno como fosse filha daquele espaço da árvore da natureza onde ela tem o contato né ela gostava de passar o dia ali eh Outro ponto tá
que a gente vai ver é do sumiço do jurupixuna tá o jurupixuna vai sumir não me lembro ainda se era nessa parte ou noutra mas o jurupixuna vai sumir o macaquinho dela ela vai ficar muito preocupada tá com o macaquinho que some e no final tá do capítulo a gente vai no do final dessa parte a gente vai ver o PEP conversando com o velho artes com o irmão descarregando assim a muamba né descarregando assim a o contrabando comentando que ouviu de um argentino que trabalha lá que é o Edmundo sobre os corpos lá na
szala ou seja o Edmundo tava falando demais né tipo assim o Edmundo tá falando muito e a gente sabe que quem fala muito no meio né das coisas ilícitas acaba acordando com comab boa cheia de formiga né não vai ficar para contar história mais tá falando demais eh e a gente ainda vai saber que tá vai existir um churrasco né organizado pelo secretário da que é um tal Tarciso né um cara ali do governo que ah muitas pessoas ali da cidade estavam sendo convidados para um dia festivo e que ali provavelmente seria o encontro que
estava próximo já de acontecer do Claudemiro com o Quinho eh e provavelmente a gente fala assim ah tá próximo do momento de um encontro que vai ser de embate do tipo assim o Claudemiro já está com vontade de matar o Quinho por motivos passionais né e o quinho é é um cara que não é violento então como é que será que ele vai se defender disso e tal então já vai criando essa tensão Ah no final da primeira parte notem que eu gastei um certo tempo aqui falando com vocês sobre essa primeira parte do do
do livro mas é que ela é a maior parte Como eu disse para vocês são 26 capítulos elas se estende bastante tá mas é uma parte que nós vamos Olha só construir aqui nós vamos analisar nós vamos pensar numa série de personagens as suas interações a memória né o fluxo de consciência aqui nesses sujeitos tá bem galera num próximo bloco A gente vai falar sobre a parte dois do livro Sempre Viva de Antônio Calado tudo bem Já já no próximo bloco