[Música] k [Música] [Música] [Música] Olá boa tarde boa Boa noite a todas todes e todos bem-vindo a mais um evento do seminário internacional mediação cultural em Pauta eu sou Pedro hermel e para aqueles que não conseguem me ver mas me ouvem eu vou iniciar a minha fala me auto descrevendo Eu sou um homem branco cabelo curto na cor castanho claro uso bigodes Estou vestindo uma camisa preta e também um fone com o microfone o meu fundo está desfocado e a parede é da cor branca bom vou contar um pouquinho da minha trajetória para vocês eh
eu sou bacharel em artes visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo também sou pós-graduada em museologia colecionismo e curadoria pela mesma instituição já Participei de Exposições coletivas salões e feiras de arte contemporânea onde apresentei uma série de trabalhos na linguagem interdimensional e também alguns projetos de instalações eu tenho atuação na área de produção e projetos culturais e educativos de 2019 a 2021 trabalhei como assistente de produção e posterior produtor executivo na base de sete projetos culturais na qual pude acompanhar e produzir inúmeras Exposições no mesmo período atuei como professor de arte de turmas
de um ensino fundamental 1 e 2 eh entre os anos de 2013 a 2018 eu colaborei como mediador E também como educador nas Exposições da fundação Bienal Internacional de São Paulo atualmente Estou como analista de projetos do Instituto arte na escola sou responsável pela área de formação continuada na organização coordenação e produção de cursos palestras eventos publicações semin e na articulação da rede de arte na escola vinculada à pró-reitorias de extensão das Universidades estaduais e federais presentes nas cinco regiões do território nacional para esse evento é com muita alegria né que eu gostaria né de
apresentar a convidada Tatiana venhas na qual foi um convite muito prazeroso e muito produtivo eh trabalhar com ela eh a Tatiana produziu um trabalho artístico exclusivo por contexto do seminário e o material vocês vão ver na sequência da minibiografia que eu vou ler dela a Tatiana ela é doutoranda em mudança social participação política na Universidade de São Paulo em que desenvolve uma pesquisa baseada Nas artes com foco na descolonização sobre imigração latino-americana maternidades corpos memórias e oralidade ac cunhando o termo migratorias ela possui mestrado em direitos humanos e democracia na América Latina e no Caribe
pela aan unsam Argentina é especialista em gestão de projetos culturais pela USP em feminismos comunitários camponeses e populares pela aala pela unui Argentina também eh em organização e administração pedagógica da sala de aula pela Universidade maiore San Andrés e há 10 anos trabalha como consultora em desenho metodológico para publicações atuando como gestora de projetos sociais e culturais com instituições regionais internacionais com as quais desenvolve metodologias para eventos de grande porche implementação de projetos e pesquisas como artista é narrador oral e vem pesquisando e atuando na relação da arte como ferramenta de descolonização e despatriarcalización dos
corpos e das oralidades como espaços de resistência sobretudo para mulheres eu convido a público para assistir o trabalho da Tatiana zenas que foi produzido no contexto deste seminário e intitulado fo [Música] plando la ov contar algran algun sa andar exeno tan solo un parcent saber [Aplausos] andar si Uno patas o un alas para vol ent un Simple Mont de palab che nada sa de contar Uno che Se diento tiene saber fr Y dejar las murallas atrás muchos dicen que Son los cuentos los culpados para que nosotros siempre queramos salir de nuestro lugar Y A digo
si después de escuchar tantos Y tantos cuentos decidim unía salir a viajar primero que empacamos Son nuestros recuerdos levamos un montent con nosotros recu padit a nu cuerpo para andar solal [Música] laor una tan BL per tan La abuela Plata laua Plata cabell larg Pero tan larg TR Vas al mundo ys ded eran largos Con ell tej Te su tejo Salan cosas hermosas del mundo cosas del aire del Fuego la tierra tejía y tejía y sobre su tejido danzan los destinos del mundo de Los Hombres de Las mujeres Y dioses tambén dec Ella tej cantaba
silaba un canto Bito un canto antigo misterioso Hero [Música] cheata Conar una Person normal con algod con Lana en tares o con rcaa no solo a enhebrar hilos sino también que les ensea a poner en SUS tejidos los cantos y los cuentos las memorias los mapas Y caminos de vuelta a casa algunas tejs propi lugares Y otras hacían como laela Plata Ian lugar en lugar AAS personas como teer Así fuon teendo como grandes arular una inmensa tooa Plata [Música] que en algunos pueblos del sur a las nias así que nací les envolv SUS manitas con
telas de araa para que laela Plata se f ell tejer bien y bonito cuentan tambén algunas mujeres sabían el arte de tejer Las ropas de Los guerreros con pelos de Jaguar Y después A los sacab nuer pod comprender mejor entender ideas de SUS enemigos de esta manera las hijas de abuela Plata construyeron una Red que duró muchos siglos Y que unió a muchísimos [Música] pueblos Pero un a cosas cambiar tamente la no del Maran oro palaban [Música] crada 500 las hijuela Plata fuon prohibidas de Susi memorias de haar suia lengua para too lo Constru tei
laela Plata con SUS hijas fue destruido poco a poco inclusive se empezó a dibujar a mano alzada encima de monta y ríos unas l que seab a lasam fronteras erancar h [Música] Son pere La abuela Plata se aparecía cantando Y Silvando bajito a person que tej y le recordaba que guarden SUS cantos ys cuentos Eni tejidos Y en losos Y Así lo hicieron SUS hijas hasta Hoy ha pasado tanto tiempo desde Entonces pueblos que laa Plata la misia la Miles milr primero las ciudades después a otros países donde su trabajo era requerido Pero sus cuerpos
no eran cargar con a familia a memori [Música] laa [Música] Plata caminando unao Paulo queur estaba sentada una Plaza Cabello traa cubierto estaba tejiendo te con SUS L vi claramente como de Hil tej sal nuev Ilan costur perc una palabra Tom mis cabellos y los empezó a mezclar con tejido que estaba haciendo fue así queal algunas palabras algunos que ho a f Ella vao parao lugar haam caramente porro nombre Ella tambén que me cont sobre chaskis aquell personajes tio antes de la Colonia form pal también me contó sobre la abuela Grillo que hacía Lover encima
de Las cosechas Cuando el suelo estaba seco tamb cont de laichi la guardiana Bonora lora se si unu sarata [Música] alg alg para salvar que tanto neit [Música] boa tarde boa noite Tatiana é um prazer tê-la aqui conosco nesse momento agora Contando um pouco do seu processo criativo do seu trabalho também né momento para conhecermos um pouco mais de você seja bem-vinda muito obrigada Pedro boa tarde boa noite a todas todos e todes Eh meu nome nome é Tatiana Senas eu agradeço o espaço de de escuta do do trabalho criativo que foi apresentado aqui fico
muito feliz de estar nesse espaço do seminário que T com uma temática muito cara para mim muito importante eu acho paraa sociedade Tatiana eh pra gente iniciar Então nossa conversa eu gostaria de fazer uma primeira pergunta para você vinculada um pouco a seu trabalho e processo artístico Como que você a materialidade no seu processo de trabalho artístico a oralidade as narrativas autobiográficas as histórias coletadas as experiências migratórias são uma forma de materialização de memórias escutar narrar contar como é trazer eh em concretização todas essas narrativas Com certeza n eu acho que tudo sempre que a
gente cria alguma coisa eh a gente cria para colocar em comum né para compartilhar e nesse sentido eh muitas vezes a gente pensa no no produto artístico desde que ele sai para paraa luz para ser compartilhado mas a gente sabe que antes desse momento tem todo um processo de gestação desse desse produto dessa expressão eh que é muito mais no no meu ver muito mais importante inclusive que que que o próprio o própria a própria materal realidade dessa dessa obra desse enfim por exemplo no caso do conto né Eh por exemplo este conto da da
abuela Plata é é um conto que é autoral né meu mas ele nasce num contexto muito específico né 2019 no contexto da saída do Evo Morales do governo os conflitos sociais que teve na Bolívia muito fortes eh que além das digamos da da polaridade que teve esse conflito eh e a leitura eh de fora desse desse conflito de dentro a gente viveu esse ess essa problemática de uma forma muito assim eh Muito dolorida mesmo porque a gente conseguiu ver eh muito claramente a ferida Colonial como que ela pegava tão fortemente na nossa sociedade nos dividia
e nos continua dividindo né E nesse sentido e e eu e mais umas companheiras eh fazíamos parte de um coletivo chamado el kep del treque que era um espaço para falar de Economia eh de de economia solidária né da da circulação dos bens desde outra lógica que não seja a lógica mercadológica e a gente fazia férias de treque né Eh então trocávamos Eh coisas e às vezes experiências saberes também nesse contexto el elas me convidaram bem pertinho desse conflito que a gente teve social muito forte a criar um conto para fazer uma roda de conversa
com as pessoas que assistiram naquele encontro né e eu criei o conto da Abela Plata pensando justamente no tecido social que tinha ser quebrado com aquela situação tão dolorida que passamos na Bolívia nesse momento e que é continuidade de de muitas feridas assim de muitos essos sociais né que tem a ver com o racismo com o colonialismo e foi o eh criado para isso né abuela Plata nasceu para ela eh para ela tentar traz noos lembrar como que importante tecer essas relações com os outros e eu falo que é um conto que migra E vocês
viram que agora ele ganhou uma nova Parte que tem a ver com eh a migração justamente né Eu sinto que a a o ponto ele viajou comigo eu migrei Faz 2 anos eu tô morando aqui em Guarulhos em em no Brasil e eu sinto que ela me acompanhou para me lembrar né como é importante esse tecido que a gente faz essa prática eh quando as nossas abuelas nossas nossas ancestrais teciam não era só o fato de fazer roupas para as pessoas né elas teciam e elas nos teciam os guardavam a sabedoria guardavam a possibilidade de
por exemplo os caminhos de volta paraa casa as coisas que valiam a pena ser colocadas nos tecidos então a gente vê aí por trás dessa figura eh muitas metáforas muitas ensenanzas e é o que a arte traz né E quando a gente pensa em mediação artística eh a gente está pensando em como a gente pode passar eh e dar valor para essas memórias dar valor para que às vezes é esquecido na sociedade então com certeza tem um diálogo né para trás da do do conto por exemplo da produção e paraa frente né qual que são
os diálogos que esse conto pode gerar e ele já foi apresentado agora né no espaços que eu trabalho com mulheres mais migrantes latino-americanas aqui em São Paulo em Guarulhos eh e paraas para as mulheres migrantes poder contar a nossa própria história em primeira pessoa né é a pesquisa que eu tô fazendo no no contexto do doutorado e eh eu tenho utilizado esse conto eu tenho contado esse conto para eh começar a falar sobre o que significa migrar o que significa as fronteiras na nossa vida tanto as fronteiras que nos colocam externamente como as fronteiras internas
que a gente tem que atravessar quando eh a gente se vê confrontada com a realidade de maternar fora dos nossos territórios quando a gente se vê confrontada com ser estrangeira com habitar um lugar que não é o nosso que não falar uma língua que não é a nossa eh consultar aqui com uma cara que é é de fora um corpo que de outras paisagens e com certeza eu acho que sim o que a aela nos traz essa importância de escutar de tecer do Canto próprio que é escutado e depois colocado no tecido e o final
do conto né que ele que ele traz a importância de que apesar das coisas a gente pode ainda Tercer com a esperança né Eh então para mim eh é isso muito obrigado Tatiana você falou agora muito de tecido social né dessa relação também de ancestralidade né de familiaridade sobretudo na relação do te né um As Memórias eh de mulheres que utilizavam essa prática né como uma forma de existência de contar histórias entre outras né e a ar texo ela é uma linguagem muito presente nos países da América Latina sobretudo também né nos povos originários eh
enquanto Label La Plata a gente consegue ver V algumas imagens que você utiliza de tear e daí eu fico com questão né Quais as semelhanças relações e analogias entre arte textil e seu trabalho artístico como essa relação acontece no seu processo de criação Então para mim a figura das tecelã né as tcel no caso andinas né que é o contexto mais do meu país da Bolívia eh é uma inspiração elas me trazem muitas metáforas muitas ensinança e eh eu pesquisei essa figura eh desde vários pontos de vista mas eu vou ressaltar um agora que é
o que nos traz a pesquisadora artista e telan também Andina a Elvira espejo né a Elvira espejo ela é diretora do do museu de etnografia e folclore na Bolívia e ela tem feito uma pesquisa como tcel como eh integrante da de uma comunidade eh Aimara que TCE né de tecelã e de cantadoras também eh ela tem nos trazido uma visão eh que ela chamou como a criação mútua das Artes e ela tem nos chamado atenção nesse sentido em como quando a gente pensa em criar né no contexto artístico Pensa a partir do momento que a
gente vai criar a obra mas por exemplo não tem a gente perdeu muito a relação com a matéria prima das nossas criações né tanto eu tô falando desde a parte da materialidade mesmo Por exemplo quando se faz cerâmica como a gente pensa na argila como a gente pensa nas terras nas cinturas diferentes tipos de terra enfim por exemplo para dar um exemplo né ou por exemplo eh as tecelã quando elas pensam na sua matéria prima da onde ela bem né Eh então a elira nos lembra como é importante E desde as culturas eh ancestrais a
arte por exemplo da tecelagem tinha não era só o momento que a pessoa sentava no tear e começava a confeccionar o eh por exemplo tecidos né senão era a partir inclusive da criança dos animais né como se criava os animais que eles iam andar lá e como a lá era tratada era atingida como da onde se pegava os instrumentos e os eh as a por exemplo as sementes os elementos da natureza que eles vão permitir atingir né esses esses essas lã eh nesse sentido ela nos lembra que as comunidades indígenas eh tem uma relação diferente
com esses objetos eh além de ser objetos eles chegam a ser sujeitos tantos animais quanto os próprios tecidos As lã Inclusive a produção isso colocado como a gente hoje entende a arte nos faz eh entender que pode desde desde as cosmovisões eh outras né a gente pode entender a arte de uma de uma outra forma não de um jeito utilitário aonde a gente né o ser humano domina a natureza então cria a arte a partir desse domínio da natureza e sim como uma expressão eh a partir dentro entender que a gente é parte de uma
comunidade que conforma tanto os seres humanos quanto os seres outros vivos da da terra e a própria Terra inclusive né Eh por que é importante isso né lembrar nesse sentido de dessa outra concepção porque isso nos permite e entender como artistas eh que essa essa visão que a gente tem pequena né eu crio a minha obra então eu que di a luzo pro mundo é minha cria né nas comunidades eh andinas Isso é pensado diferente né ninguém Cria sozinho porque ninguém pode né Precisa da lá precisa da terra o mato que vai comer o bichinho
depois tingir o o aá e nesse sentido eu acho que assim as minhas inspirações elas não são bem do tecido muitas vezes occidental né a mirada ocidental nos faz ver um tecido um aguao por exemplo um tecido andino colorido e nos perguntar que que está falando esse tecido né procurando Talvez uma grafia uma certas letras certos certos símbolos que tenham um significado unívoco né Aí eu quero ler quero saber o que fala aquele tecido e na verdade eh passa por outras coisas né não passa tanto por nos apropriar do significado e entender logo aquela situação
do tecido e sim talvez está mais no processo dessa criança mútua eu te cuido você me cuida eu te crio você me cria até com objeto né então Elvira por exemplo tem falado nos textos dela que eh é muito comum falar por exemplo eh eu viajei sozinha mas eu levei minha amta então eu viajei com minha tia amta ela me cuidou né Então essa relação que é muito que que expressa uma certa Ternura um certo cuidado com o objeto ela não é pontual ela é uma outra forma de entender as coisas que para mim abre
um espectro de de situações que podem ser reflejadas tanto no no tecido social quanto na criação artística eh então eu tenho aprendido muito nesse sentido Elvira também nos lembra que por exemplo nos grandes museus os tecidos que são levados as obras que são levadas eh de todo aala mas por exemplo as obras andinas que estão expostas em grandes museus lá na Europa eles são colocados em quadros né e e enmarcados e ela como teslan fala assim pra gente isso não tem sentido Não faz sentido porque a gente precisa ver eh como que está o avesso
desse tecido como que foi feito a técnica desse tecido aí que está falando mais coisas do que S aquele quadro bidimensional Então ela fala também da tridimensionalidade do do dos tecidos nesse eh nesse ponto né de poder ver o avesso e ess nos ensina muito né Quantas coisas a gente poderia entender se a gente vê o abeo do que a gente faz e por outra parte também essa tridimensionalidade do do tecido que é objeto é sujeito como eu já mencionei mas também é parte da do corpo da telá é como uma extensão do corpo da
tecela né Eh Então nesse sentido se a gente pensa nossas criações como elas vem tomando o corpo a partir da nossa própria vivência a partir do que a gente é eh com quem a gente se encontra no caminho como a gente dialoga e como a gente consegue hum se colocar no mundo as ideias que a gente tem as apostas que a gente faz na vida né E a nossa obra como artistas nunca pode estar muito longe disso né Eh sempre está perto dessa maneira de sentir e pensar que a gente a gente tem e pratica
na vida né Eu acho que as tecelas nos lembra muito isso Tatiana muito obrigado eu lembrei também né da da palavra abrigo né para nomear a vestimenta que também né ajuda principalmente eh em períodos mais frios né do ano das estações e essa palavra acho que vai de encontro também com essa afetividade né com o material né com essa vestimenta Muito obrigado pela contribuição eh a gente tem uma última pergunta Tatiana que é relativa também à suas outras atividades né e eu gostaria de saber como elas influenci o seu processo de criação sobretudo a prática
da educação as experiências em salas de aula as experiências com coletivos né como esses esses processos ajudam a Gerar né os seus trabalhos artísticos se você puder nos contar um pouquinho mais então acho que o BOL assim eu eh e acho que um processo que muitas das pessoas que fazem arte e se aproximam da academia ou vice-versa passa né Eh que muitas vezes a gente se sente obrigada a separar as nossas trajetórias né A minha trajetória mais acadêmica intelectual e a trajetória eh mais artística né Eh eu tenho apostado neste último eh tempo né a
juntar essas duas trajetórias né A não me sentir mais partida isso foi também uma uma coisa eh muito interessante que eu aprendi de migrar né porque quando a gente parte para um outro lugar parece que a gente precisa não estar mais partida né Eh mais do que do necessário assim né Eh então acho que é muito importante eh esse último tempo eu postule por exemplo o doutorado que eu tô fazendo no programa de mudanças e participação política na EA na USP eh ele é é uma proposta de projeto de pesquisa que junta eh eh né
Eh o objetivo é pesquisar as maternidades e as migrações de mulheres latino-americanas mas por meio da arte e desde uma investigação baseada Nas artes isso significa então tentar utilizar as formas da arte para pesquisar não só para eh a gente desde a academia pesquisar a arte e sim mais bem utilizar as formas de que tem a arte que a gente não que a gente sabe né que a gente usa nas artes Para pesquisar né então esse tem sido um desafio muito lindo eh muito fértil para mim e nesse sentido eh eu posso falar que tudo
percorrido artístico Né desde né eu faço teatro desde que eu estou na escola né Eh assim des experiências muito amadoras até as formações em diferentes espaços os diferentes espetáculos a dramaturgia que eu já escrev mas sobretudo Os encontros de oficinas Sobretudo com mulheres de narração oral que eu tenho feito desde a pandemia acho que tem alimentado muito o que o que eu crio o que eu pesquiso também e vice-versa né porque eh é no encontro com as outras pessoas pessas e no meu caso muito eh eu tenho encontrado uma como uma triada bem fértil para
mim que é o seguinte eu encontro entre mulheres e alguma coisa para criar com nossas próprias mãos então nos devolver esse espaço de criatividade de de fazer alguma coisa eh bem no sentido do artesanal né que tem né A gente sabe que as as as artes elas diminuem na parte artesanal e exaltam as as belas artes né E então vem em contra disso mesmo e tomando o nosso lugar de artesãos e fazedoras da vida também né E essas duas coisas e e e a terceira coisa seria o o intuito a possibilidade e a brincadeira de
narrar nós narrar narrar alguma coisa e e utilizar a palavra para para contar eh esse eh essa fórmula essa eh essas três coisas sumadas assim às vezes de uma forma bem intuitiva outras vezes eh sumada com processos de outras artistas eh sobretudo na Bolívia esse processo mais coletivo tem dado resultados muito interessantes muito lindos muito eh bebidos assim para mim né Que Eles cobraram um sentido muito forte também agora na pesquisa e também na minha vida né Eh eu acho que essa construção coletiva é muito importante mas também eh é uma construção coletiva que respeita
a singularidade né porque cada uma tem uma história que contar cada uma tem um percorrido e não precisa ser igual que a outra né para para poder fazer e contar sua história e a gente tem descoberto isso coletivamente e eu acho que a potência disso assim tem alimentado muito os anos da minha vida assim sobretudo a partir da pandemia né o momento de tanta solidão de tanta eh desse tecido social tão tão quebrado por tantas coisas tanta morte tanta desumanidade E então à frente disso a possibilidade de nos juntar para para criar e para escutar
também né porque o contar ele precisa de escuta e eu acho que eu gostaria de fechar com com isso né Eh porque a escuta tem tomado um lugar bem secundário em todas as a as questões que a gente faz tanto na academia quanto na arte eh a gente termina sem sem querer saber inclusive sem estar interessado por como essa escuta tem reverberado né Eu acho que a mediação da arte tem tudo a ver com isso né Eh se a gente não tem escuta dessa dessa da arte que que a gente pode apresentar eh não tem
como ter mediação né a mediação está Justamente eu acho para a gente fazer essa ponte para conseguir fazer esse tecido e por exemplo aqui nas escolas com com as mais migrantes as professoras da rede pública com com as que eu trabalhei até agora eh tem dado uns resultados muito bonitos né eu pergunto para as professoras aqui da Rede Pública de São Paulo quem é migrante e no primeiro momento ninguém fala eu sou migrante todo mundo fala não né a gente atende migrante aqui na escola mas a gente não é migrante né E aí aos poucos
dando um chance para alguém que se animar não mas meus pais migraram né meus pais migraram da Roça do Sertão né Aí vem Os relatos aí a escuta nos faz lembrar Olha só o exercício de memória né memória coletiva que é singular mas também é é do do Comum né né então uma se anima a falar a outra lembra a outra primeiro talvez vai se animar a falar mais das migrações europeias que sempre né esbranquiçadas mais bem-vindas e logo mais a gente está sabendo que todo mundo migrou alguma vez que a humanidade é migrante que
a humanidade é e não tem como não ser nossa história como humanidade eh vinculada com a migração que as fronteiras são inventadas que são um uma imposição da colônia e e logo depois a gente está outro lugar ubicada nessa história da migração é a partir daí que eu começo a trabalhar o direito de migrar os direitos dos Migrantes com as professoras porque não tem como você entender e ser empático com uma coisa que você acha que não tem a ver com você primeiro a gente precisa sentir em nosso corpo entender qual que são esses pontos
aonde a gente pode conectar com o outro fazer tecido com outro eh E então aí isso é só a partir da escuta só a partir da escuta que a gente pode nos vincular com o outro e essa escuta às vezes a gente está meio surdo né como sociedade a gente precisa de uma mediação artística né Precisa de uma mediação que Que incomode que pergunte Até você achar esse lugar aonde você pode se abrir e se vincular com com aquilo que você acha que é o outro né que não é você ser que não é próprio
que é estrangeiro né então é isso Tatiana muito bom escutá-la eh e também né a gente ter um pouco mais de proximidade com o seu processo criativo né e com todas as suas atividades como você traz elas estão conectadas né cada vez mais alinhavadas né e fazem parte de um todo né e não só isoladas eu agradeço imensamente a sua presença a sua participação no seminário é muito importante a gente trazer os processos de criação também né Para que o público consiga se aproximar dos Artistas né e a gente difundir mais eh as práticas artísticas
e também os processos artísticos Muito obrigado Tatiana muito obrigada Pedro a vocês ao Instituto de arte na escola ao Sil né Por este espaço que eu acho tão importante e espero que tenha mais ocasiões da gente continuar trocando só queria mencionar que na no vídeo vocês escutaram música que ela é feita pelo meu companheiro Sérgio Leandro que ele é brasileiro mas tem morado 7 anos na Bolívia comigo e a gente tem um filho brasileiro boliviano e tem muitas criações nesse sentido e também a a arte que vocês viram na na eh fazendo o cabelo da
boela Plata é feita pela rei cotac que é uma artista também textil maravilhosa E então é é sempre assim né são construções que se faz com outros e acho que é importante continuar tecendo muito obrigada pelo espaço Eu que agradeço Tatiana gostaria também de agradecer o público que nos acompanhou até o momento e amanhã a gente tem continuidade com o segundo dia do seminário muito obrigado uma boa tarde e uma boa noite para todas todos e todos Boa noite obrigada tchau l