Marguerite é uma mulher bonita inteligente bem sucedida só que se sente deslocada Incomodada com ruídos mudanças de rotina aos 27 anos é diagnosticada como autista E tudo passa a fazer sentido a personagem dessa história em quadrinhos francesa tem a ver com a minha convidada uma garota que fala de autismo com sentido de quem conhece por dentro para seus milhares de seguidores na internet Seja bem vindo ao provoca Tabata Cristina falando sobre um assunto tão importante e que a gente batalhou tanto sabe porque quando eu me descobri autista a gente não tinha espaço de voz e
Olha onde a gente chegou né [Música] Como que você se descreve para quem não te conhece bom eu sou A Tabata eu tenho 32 anos apesar de não parecer muito né Eu sou designer parece menos né ainda bem eu acho que daí também Eu me comunico com vários públicos então é um ponto a favor até eu sou designer gráfico sou engenheira sou autista TDH Espera aí vamos já é muita informação ela é engenheira como assim Eu me formei engenharia Eu Queria Mudar o planeta engenharia ambiental que eu achei que eu ia salvar o mundo mas
eu não me vi nos números Então me formei trabalhei com projetos socioambientais e me apaixonei pelo design durante esse meu emprego como engenheira larguei tudo em 2018 comecei do zero construir uma carreira de designer hoje tem uma agência de design marketing como meu sócio e trabalho para uma empresa também então assim Demorou mas deu certo eu encontrei confiança iniciando a sua vida profissional de uma maneira incrível Mas você falou ali do TDH e do diagnóstico de autismo nós vamos falar disso antes me fala o que que o autismo não é que algumas pessoas que estão
te vendo agora falam Mas eu pensava que era isso mas não é anjo as pessoas um amor inocente angelical que olha não faz uma tatuagem nunca vai usar nenhum tipo de substância lícita nunca vai mentir a gente carrega esse fardo dos Anjos azuis e eu falo e repito é muito perigoso a partir do momento que você desumaniza uma pessoa colocando ela numa posição de anjo você pode estar fechando os olhos para vários problemas como consumo exagerado de álcool e outras substâncias dentro do espectro autista [Aplausos] [Aplausos] Por que que o seu canal se chama mundo
atípico porque a ideia é que fosse só um diário quando eu recebi meu diagnóstico eu fui para internet e eu só encontrava autismo infantil falei cara ninguém fala de autismo em adultos eu tô sozinha Eu sou invisível eu não encontro profissionais para me atender eu não quero que outros autistas se sintam da mesma forma que eu tô me sentindo agora então eu vou fazer um diário para contar as minhas vivências para ver se eu encontro algum autista por aí E se eu ajudar esse um autista se sentir menos sozinho então a missão foi concluída com
sucesso esse mundo atípico parece que é maior do que você pensava que a gente tem um típico que a galera que não tem nenhuma condição nenhuma neurodiversidade por exemplo são pessoas que não são autistas vamos trazer exemplos a maioria das pessoas e será que existe alguém que assim é absolutamente que você tem uma ansiedade você já não é exatamente típico a partir do momento que você tem ali um transtorno bipolar síndrome de Down Você tem uma deficiência física você não é típica então nós atípicos parecemos pouco porque a gente às vezes está muito isolado e
sem espaço de voz mas quando a gente se encontra nós descobrimos que nós somos muitos e que nós somos muito mais fortes juntos o que seria então neurotípico a pessoa que ela não é autista ela não é Down ela não é TDH ela não tem transtorno de ansiedade é uma pessoa que ainda não foi no médico eu acho porque acho difícil ser 100% porque nós estamos falando aí das ligações neurais que então quem tem as ligações neurais dentro de uma normalidade vamos chamar assim o normal o dito padrão [Música] [Aplausos] como que é a cabeça
do autista Como que você descreve Isso parece que roda um software diferente é isso a gente ouve diferente a gente enxerga diferente a gente processa as informações de forma diferente eu posso falar posso revelar os segredos do autismo eu tô aqui conversando com você mas eu sei que tem um barulhinho aqui atrás ó que se repete também e eu tentando querer olhar para ver o que que é esse barulho o cérebro do autista ele é ligar as pessoas acham eu acho tão bom você tá aqui hoje eu falo desse barulho e as pessoas não acreditam
eu ouço esse barulho esse barulhinho olha olha eu tenho a dizer que pessoas incríveis tendem a ter uma coisinha ali então vou sair com diagnóstico ele tá ligado em tudo as pessoas muito se enganam quando pensam que o autista quando ele não faz o contato visual quando ele não te Olha Nos Olhos ele não tá prestando atenção a gente tá prestando atenção em tudo é no barulhinho nas pessoas que estão aqui nas luzes o nosso cérebro é um cérebro que funciona constantemente e a gente tem muito problema inclusive para dormir então vamos dizer constantemente num
ritmo mais acelerado mas processando muitas coisas por isso que a gente costuma entrar tão facilmente nas crises porque a gente se sobrecarrega muito de informações que às vezes nem precisam estar sendo processadas poderia entrar em crise por conta do barulhinho porque eu não tenho tanta sensibilidade auditiva mais um autista que tem isso pode ser muito alto e aquele cérebro começa a ficar cansado e entra em exaustão e vem a crise muito irritante você fala sobre tudo isso com tanta clareza em um dia desses você falou da estereotipia estereotipias O que é isso vamos lá e
mostrou as suas É verdade você viu isso Ai que vergonha eu nervosa surtando Que vergonha na internet agora eu quero que você mostra aqui como é que é isso que eu não quero que as pessoas têm uma imagem da pessoa perfeita da internet estereotipias é o nome científico para movimentos repetitivos e estereotipados o que que é todo mundo tem né um ansioso balançar o pezinho tem gente que fica rodando lápis caneta estralar dedo o autista tem isso no nível um pouco maior mas constante e mais intenso por exemplo então tem as minhas que quando eu
tô numa situação de estresse eu faço isso eu faço isso quando eu tô às vezes concentrada eu faço isso mas tem também aqui astrologia que é um pouco prejudicial um pouco não bastante que a pessoa ser autogride então ela se morde ela começa a raspar a unha na pele até o ponto que machuca essas estruturas precisam sim de atenção a gente é uma luta porque muito terapeutas tentam tirar esse estereotipias porque elas não são socialmente só que elas são importantes para autista é a forma da gente que extravasar ou não tá legal ou tá muito
legal e a gente tá muito empolgada a gente tem que deixar isso sair de alguma forma Então os terapeutas às vezes tentam tirar isso e é uma luta dos autistas de não tire permita o autista ser quem ele é você não vai falar para um cadeirante vai levanta e sai correndo você não vai fazer isso então por que que você fala para o autista vai lá e deixa de ser autista você é designer de profissão hoje o autismo te limitou de alguma forma o autismo ele me limita Independente de ser designer no sentido de me
trazer muita dificuldade de planejar o que eu vou fazer na minha cabeça conseguir sequenciar isso um passo a passo então vou fazer isso vou fazer aquilo vou executar ajuda total para minha assim eu entendi que ser autista é precisar sim de suporte e pedir ajuda foi assim um momento de baixar a guarda e entender que eu não sou perfeita que eu tenho sem limitações então eu peço Olha estou com essa ideia me ajuda Como é por onde que eu começo para fazer a mala para vir para cá ela fez uma listinha comigo o look para
você no Taz é esse aqui então vai lá e pega arrasou é minha roupa do meu casamento [Música] dá nesse sentido organizando a minha mente que é muito cheio de informação quando você se descobre lésbica você consegue fazer uma analogia entre receber um diagnóstico de autismo como quais foram essas duas notícias na sua vida foi a mesma nos dois momentos Libertador porque tanto Antes quando eu fingia ser hétero era muito Parecia quando eu fingia não ser autista porque eu não sabia que era autista Mas eu sabia que eu era diferente e que eu tinha comportamentos
que eram socialmente vistos como inadequados Então eu reprimia então eu vi numa prisão da minha sexualidade e do quem eu sou que tava me deixando numa depressão absurda eu não tinha alegria de viver quando eu falei chega eu vou procurar ajuda e veio tudo junto ah veio TDH veio o autismo veio superdotação veio a homossexualidade que eu a partir do momento que eu tive os outros eu me senti na obrigação comigo mesmo de me permitir de olhar para algo que para você já estava ali você quer enganar quem você tá enganando só assim mesmo então
seja livre Será que eu preciso perguntar imenso [Música] o diagnóstico do autismo agora ele tá dividido em níveis de suportes vamos lá a gente tem três níveis de suporte antigamente a gente tinha Síndrome de Asperger hoje não temos mais ela entra no nível de suporte 1 Então o que significa não é que você é mais ou menos autista se você é nível 1 2 ou 3 significa que você precisa de menos Médio Mas suporte então ele tá dividido dessa forma que a gente chama popularmente de leve moderado e Severo qual é o nível de suporte
que é necessário aí vai depender muito da pessoa Eu por exemplo dirijo mas eu não ando de ônibus Eu não sei andar de ônibus eu entro em crise porque é muita informação então assim o niver de suporte ele vai variar conforme a necessidade de cada um por isso que se fala que cada pessoa recebe um diagnóstico Mas é uma pessoa única né o dois vamos lá o nível 2 parte normalmente costuma precisar um pouco mais de suporte na questão de vida diária que a gente chama então às vezes pode ser uma pessoa que tem dificuldade
em comprar um pão sozinha numa padaria ela precisa de um que alguém Oriente que alguém explique como é às vezes pode ter um atraso de fala na infância pode ter maior dificuldade às vezes na sua autonomia Tá mas é complicado falar porque eu tenho amigos de nível de suporte 2 que com as terapias hoje tem uma vida muito mais tranquila mas autônoma e o nível 3 de suporte costuma assustar mais pela carga que ele leva né aí autismo Severo normalmente é um autista que vai precisar de bastante suporte nas suas atividades nível ele se comunica
verbalmente por exemplo em alguns casos eles são Sim oralizados eles falam através da comunicação que a gente conhece a fala às vezes eles são verbais mas não oraliza o que significa isso que eles te entendem eles se comunicam mas não através da fala através de aplicativos que a gente chama de comunicação alternativa e às vezes eles não são oralizados nem verbais então o autista de nível de suporte 3 ele vai precisar sim de mais suporte eu falo mas com dificuldade por isso preciso desse apoio se a significa comunicação alternativa e aumentativa o que eu costumo
falar é que as muitas pessoas falar você não sabe a realidade que a gente vive é muito triste o autismo porque eu falo que a minha militância é ser feliz autista e feliz e as pessoas falam autismo é muito triste mas o problema não é o autismo é a nossa desigualdade social que não oferece uma estrutura para que aquele autista possa se desenvolver aquele autista entra em sofrimento porque aquela família entra em sofrimento porque você não tem acesso às terapias você vê o seu filho tendo ataques de se agredir de agredir as pessoas mas não
é o autismo vilão a gente precisa entender e aceitar o autismo é informação é o que você tá fazendo e é o que eu espero que a gente esteja fazendo aquilo pegou [Música] já duvidaram do seu diagnóstico quando eu comecei a duvidavam sempre aí eu comecei a mostrar que existe outras formas de ser autista não aquela midiática do autista que não é oralizado que se balança o tempo todo que não olha nos olhos existe autistas assim existe mas existe uma infinidade de outras formas de ser autista porque nós estamos falando é do tal espectro exatamente
e hoje quando se fala se lembra de figuras históricas né que provavelmente já foram autistas E aí lembra sempre assim Michelangelo mosa né nunca aparece assim um faxineiro uma pessoa o autista ele vive dois polos diferentes ou ele é aquele que as pessoas não esperam nada o autista nem vou contratar para minha empresa porque não faz nada ou ele é o super gênio ele tem obrigação de ser incrível e a gente fica gente a gente é incrível como você como nós somos pessoas incríveis mas não coloque essa carga em cima de nós não coloquem e
olha no próximo bloco nós vamos falar de algo valioso cada vez mais escasso para todo mundo que é a atenção como segurar a nossa atenção no mundo cheio de telas como essa né você não se perca aí até login alguns especialistas dizem que vivemos a era da economia da atenção eu concordo e cada um de nós tem uma quantidade limitada é de atenção muita gente brigando pela nossa atenção o Instagram WhatsApp Tik Tok Netflix trabalho família a minha convidada Tábata Cristine ela tem TDAH Transtorno do Déficit de Atenção com o hiperatividade como ela já disse
além de ter sido diagnosticada nível 1 no espectro autista o Tábata você que é portadora desse TDAH que que você pode nos ensinar como ter atenção em alguma coisa nesse mundo tão cheio de ruído não tem outra coisa senão desacelerar a gente não presta atenção nas coisas porque a gente está sendo a gente acha que a gente tem que dar conta de tudo que a gente tem que ser Fitness trabalhar 8 horas cuidar dos filhos a casa a casa tem que estar maravilhosa e a gente não dá conta e como que você desacelera olha é
muito assim difícil porque eu te falei um furacão é hiperatividade Traz essa dificuldade Mas é você o que que funciona para mim eu reservo horários para desligar então assim o que vamos lá nesse desligar eu aprendi que cada um desliga de um jeito o que funciona para mim pode não funcionar para você então é você entender o que te Relaxa é ele para uma academia você gasta energia lá e vai te relaxar é ler um livro é ficar com a sua família é fazer uma comida especial para alguém então é se conhecer e qual é
a sua prática Olha eu fico ali umas duas horinhas fazendo alguma coisa que eu gosto Então vou assistir um programa com a minha esposa eu vou brincar os meus cachorros eu saio para comer alguma coisa com as minhas amigas momento de qualidade com pessoas que eu gosto [Música] Você tem uma técnica para ter foco é muito parecida com desacelera muito parecida a gente tem que eliminar coisas que ao nosso redor que vão tirar o nosso foco então a gente viveu muita realidade do Home Office a criança na casa o cachorro latindo o carro passando a
gente tem que buscar formas de reduzir essas desatenções é muito disciplina muito tem muito a ver com disciplina sabe não tem como a gente falar em Foco em Atenção se a gente não tiver uma rotina organizada e se dedicar para aquilo o foco ele não vem do céu ai me dê foco é você que constrói você cuida do seu celular por exemplo não fico perto assim hora de gravar conteúdo eu vou lá pego mas se não eu deixo em qualquer canto da casa e aí eu fico naquilo eu tiro os cachorros do quarto e foco
no que eu estou fazendo tira mais o seu foco o celular ou os cachorros porque eles são terríveis meu Deus do céu eles querem brincar na hora que não dá eles lá tem eles não têm [Música] foco o que que é isso é uma característica tanto do autismo quanto do TDH são dois transtornos que se parecem muito o hiperfoco que é a tensão demais necessidade demais de consumir determinado assunto e esquecer um pouco do que tá acontecendo e o assunto tem que ser muito específico às vezes ele pode ser um hábito por exemplo a leitura
eu não tenho um livro preferido um hiper foco mas eu tenho hiper foco em ler aquilo que me acalma que eu consigo fazer em momentos de estresse e que eu sinto que eu preciso é como uma válvula de escape é muito legal conversar com autista porque vai ser uma pessoa que vai conhecer de várias coisas é igual conversar com Wikipédia exatamente assim o assunto que ele gosta ele vai te dar uma aula com paixão compaixão e o que que isso é bom o que que isso te traz essa pergunta interessante porque ao mesmo tempo que
me traz o conforto ali de ter um momento de saber muita coisa ao mesmo tempo ter um lado muito negativo que é a fama de sabichona que a fama da arrogante do espertão a gente passa muito por isso até uma amiga minha postou esses dias Qual é o limite da gente falar sobre algo que a gente gosta sem parecer que a gente está querendo se sobressair sem parecer arrogante porque para a gente é muito prazeroso falar do assunto que a gente gosta para mim é muito prazeroso falar sobre autismo é um hiperfoco só que até
onde eu posso falar a ponta da outra pessoa não se sentir ninguém sabe porque o que eu vejo você falando de uma maneira muito natural muito sincera assim de algo que você gosta de estudar e te compartilhar nem sabe porque porque eu cansei das máscaras Eu Cansei de não ser quem eu sou então se você não quer ouvir o que eu tenho para falar você que saia porque eu vou falar é porque eu vou falar eu não aguento mais isso é muito importante você consegue enxergar sexualidade como espectro sim que nem todo mundo é 100%
hetero ou 100% gay os autistas enxergam muito isso tanto que existe umas pesquisas uma na Alemanha uma no Canadá que já comprovaram que a questão da sexualidade Ela é muito forte no espectro autista é muito maior o número de pessoas que se identificam na sigla lgbtqiapn mais vai né do que na população em geral então é muito maior no autismo porque porque a gente questiona mais a gente vive menos as regras sociais a gente vive menos isso é assim então você tem que ser assim não a gente se questiona você diz mais facilidade para assumir
essas condições para olhar para isso porque a primeira a gente precisa olhar para depois a gente se ver ali e aceitar e lidar com aquilo né Eu acho que muitas pessoas não se permitem nem olhar claro né e acho que isso é importante inclusive para as pessoas hétero é que é o meu caso eu sou hétero mas eu acho importante dizer que eu não me sinto 100% hétero e não me sinto inseguro com isso nem um pouco 100% lésbica mesmo porque eu já namorei com um homem e tá de boa assim [Música] você fala no
seu canal que os autistas são mais diagnosticados com depressão é porque como que eu vou te dizer é a gente viu uma realidade difícil demais assim de bullying de exclusão de não ter acesso de preconceito de preconceito de mercado de trabalho fechado para nós de pessoas rirem da gente das pessoas excluírem a gente então muitas vezes a gente é diagnosticado com depressão por conta dessa vivência dessa estrutura que a gente está inserido que não nos acolhe por isso que as taxas de suicídio principalmente no nível de suporte um são tão altas São altas em comparação
com outras né faixas da mesma e são bens comparada à população geral também geral e são pesquisas que já foram realizadas em diversos países inclusive no Brasil também a gente tem essas estatísticas mas justamente por isso porque você tem condições você quer ser inserido e você não encontra essa abertura né você encontra um mercado de trabalho que te fala assim a gente trabalha com pessoas com deficiência mas autismo não está na nossa lista é isso que a gente ouve e tem uma palavrinha nova para traduzir que é capacitismo o que que é que quer dizer
isso capacitismo Ele é o preconceito com as pessoas com deficiência é quando você acha que qualquer tipo de deficiência quando você acha que aquela pessoa é inferior é você que aquela pessoa é uma coitadinha que ela não vai com Deus então quando você fala assim poxa Tomara que Deus te cure dessa deficiência que você tem eu sei que tá carregado de boa intenção mas é capacitismo vou te dar um exemplo de capacitismo que não foi nem dito nada eu contei para o cara que corta meu cabelo que eu vim aqui aí ele perguntou para falar
sobre o quê autismo Você trabalha com autistas falei não só autista o cara ficou Mas você nem Mas você nem você você nem E aí ele parou você nem cuspiu em mim você nem ele sabia aliás eu quero falar para ele que o corte ficou excelente então pena que eu não vou poder fazer está muito bom conversou comigo simplesmente abriu mais a boca para falar comigo eu falava gente eu não sou menos eu sou diferente não menos do que você hoje eu dou risada e tenho até pena da falta de informação daquela pessoa sabe forever
tem uma coisa de não ler a emoção das pessoas demais demais tem dois lados o lado que a gente realmente tem muita dificuldade de entender as mudanças de expressão a gente não sabe se a pessoa está feliz se tá triste e tem um lado que eu acho muito prejudicial que muitos autistas fazem que é estar constantemente em estado de alerta então qualquer franzidinha de teste a gente já passa um milhão de coisas na cabeça tá triste não gostou do que eu falei tá bravo comigo Tá achando engraçado a gente fica passando a gente tá sempre
ai muita coisa muita coisa é tentando adivinhar o que é aquela situação social que tá acontecendo ali é muito desgastante Qual é a dificuldade de você entender se eu tô a gente tem dificuldade de entender coisas que não são claramente ditas a gente não costuma julgar eu não sei se às vezes as pessoas típicas de fato tem essa habilidade de identificar as expressões ou se elas têm habilidade de julgar o que está acontecendo Ainda bem porque é por isso que você é uma boa comunicadora você não tá nem aí para ficar julgando Você fala de
uma maneira muito direta se eu não entendo eu pergunto muitas pessoas acham que autista não tem empatia isso já ouviu muito mentira é muito fake News que às vezes acontece e que às vezes a gente não percebe o que está acontecendo por não entender as expressões os sinais a gente precisa que você diga para a gente estou triste aconteceu isso isso isso e não gostei disso não você me falou exatamente precisa da informação Clara mas não significa que a gente não tem empatia e não é demais ficar sendo Claro com autismo não tem problema não
eu gosto muito eu não posso falar por todas né mas assim quando a gente conversa a gente fala muito pô Por que que os caras não deixam Claro pra gente o que que eles querem dizer então eu vejo que é uma vontade nossa é uma ferramenta de acessibilidade para o autista da mesma forma que a gente faz a audiodescrição para uma pessoa cega eu acho que você falar eu estou sendo irônico a gente até coloca às vezes alerta de ironia entre parentes em alguns lugares é uma forma de você manter o autista como parte daquilo
que tá acontecendo não excluí-lo idioma é um código né de comunicação é importante de explicação e teve alguma coisa que alguém foi literal com você e deu confusão um dia eu acordei cedo abri a porta do meu quarto a minha mãe falou nossa o que aconteceu caiu da cama eu falei meu Deus cair e não percebi você ouviu alguma coisa mãe minha mãe morrendo de rir não meninão mas pressão eu acho pelo amor de Deus eu já tava aqui achando que eu era sou novo assim porque muita coisa a gente aprende a gente entende que
não tá chovendo canivete que quer dizer alguma coisa que eu não sei o que que é mas não é canivete a gente aprende mas coisas que a gente não vivenciou ainda que é surpresa a gente tem de levar chega literal que perigo eu não consigo imaginar como que é isso é muito confuso assim esses dias a pessoa falou ah você só conhece uma pessoa depois que come um quilo de sal tem uma expressão assim né Falei Caraca tem que fazer vou ter que comer um quilo de quem que eu vou convidar para comer um quilo
de suco depois eu entendi que é porque demora me explicaram mas tempão né dá Muita ansiedade porque por exemplo assim as orientações no vestibular nem sempre são Claras perguntas com pegadinha não gera Muita ansiedade isso é difícil conviver com isso teve um ex-ministro da Educação do desse desgoverno aí que diz que as crianças com deficiência atrapalham declaração que ficou para a história O que que é Inclusive a criança com deficiência era colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência ela não aprendia ela atrapalhava entre aspas essa palavra falo com muito cuidado ela atrapalhava o
aprendizado dos outros Quem estava atrapalhando a educação para ele é um como lidar com pessoas que não entendem a gravidade às vezes de uma de uma agressão dessa né contra pessoas com deficiência foi tentar assumir uma postura educada O que que a gente tentou mostrar que nós não prejudicamos que nós agregamos porque a diversidade só faz as outras pessoas também crescerem junto aprender a lidar com diferente que a gente reforça a importância da empatia do acolhimento e que a gente precisa conviver com outras pessoas porque a partir do momento que a gente convive com outras
pessoas essas pessoas elas aprendem a lidar com diversos E qual é o papel do estado no Cuidado com os autistas a gente tá muito longe de ter qualquer cuidado né a gente não o acesso ao laudo é extremamente caro terapias são caras a gente não encontra muitas vezes profissionais especializados pelo atendimento gratuito então assim o Estado tem papel fundamental de oferecer qualidade de vida para que a gente pelo menos tenha acesso a um diagnóstico acesso a uma terapia Poxa por que que não tem políticas de verdade de inclusão para que o autista realmente seja acolhido
nas escolas é uma luta e a gente está falando de escola não falei nem de Universidade que não tem nada e nem mercado de trabalho que não tem nada né [Música] o autismo agora entra em conversas de mais qualidade por conta de pessoas como a minha convidada a designer Tabata Cristine que é uma autista e tem um canal sobre o tema na internet no próximo bloco nós vamos conhecer a infância da Tábata saber como o diagnóstico precoce pode ajudar ou não no bem-estar de quem está no espectro Até logo [Música] um dos autores mais importantes
do século 19 Edgar Alan poe influenciou muitos os que vieram depois ele disse o seguinte não fui na infância como os outros e nunca vi como os outros viam tudo que amei amei sozinho a quem especuli que o Paul tava no espectro do autismo a minha convidada a Tábata diagnosticada já adulta vai poder me dizer essa descrição do Paul aí no poema pode significar um sentimento comum a nossa autistas de ser diferente e estar sozinho gente eu não pertenço a esse lugar eu sou um alienígena muitos autistas adoram alienígenas porque é como a gente se
sente um ET [Música] com 29 anos do autismo com 30 confirmei o como foi a reação da família a minha mãe ela ficou meio espantada porque ela não achava que era meu jeito de ser que eu era muito tímida que eu era muito recatada que eu era muito inteligente de algumas formas mas que era o meu jeito ela não viu os déficits exatamente quando eu comecei a explicar para ela fazer ela entender o que é o autismo que não é o autismo midiático estereotipado que a gente conhece que ele vai além daquilo ela falou Realmente
você é autista pelas características da sua infância de tudo que você passou hoje eu tô entendendo Tábata o meu filho Miguel foi diagnosticado com autismo com 20 anos e é claro que ele me autorizou tá contando isso aqui para você quando saiu o diagnóstico é muita coisa da infância dele fez sentido para ele e para a gente o quanto que isso é Libertador mas se conversado assim na família e mais porque a gente cresce com uma carga muitas vezes a gente cresce ouvindo que a gente é mimado que a gente é fresco que a gente
é velho que a gente arranjos a gente se apropria disso a gente acredita a gente acredita ah estão falando que eu sou isso eu sou isso então quando a gente entende que tudo isso teve uma explicação um porquê de ser a gente tira o peso da culpa e a gente abre um diálogo que é muito importante sabe do tipo Poxa me desculpa mãe às vezes eu não sou ser tão carinhosa te abraçar de beijar é porque eu não consigo é por isso que hoje eu não sou uma adulta que abraça que beija então assim a
gente tudo bem a gente pode explicar isso tipo de relação afetivo exato só que muitas vezes as pessoas acham que é porque você não ama porque ela não entende que você tem o autismo que te dá aquela limitação não todos os autistas eu tenho essa limitação Então você saber o porquê te permite se conhecer e te permite fazer com que as outras pessoas também te conheço não te entendam sabe e eu fico muito grato ao Miguel por exemplo dele poder da gente poder estar falando aqui dele e ele te mandou uma pergunta como autismo se
relaciona com quem nós somos e com a nossa identidade enquanto vamos lá o autismo ele é parte de nós a gente precisa aceitar isso ele vai estar presente 100% das vezes mas ele não te limita a o Miguel autista não é o Miguel é a Tábata é um ser humano com habilidades personalidade coisas que gosta coisas que não gosta e que tem um autismo ali como vamos dizer assim um tapete que cobra aquela casa toda e que deve ser aceito como parte da personalidade da nossa personalidade é parte da forma que a gente vê o
mundo não tem como separar Tem muita gente que fala Eu amo meu filho mas eu odeio o autismo não tem como separar nós somos uma coisa só a gente precisa amar também o autismo do seu filho porque é que ele você não é autista você é normal bom o autismo não é uma anormalidade e sim uma neurodiversidade o meu cérebro funciona normalmente só que de um jeitinho diferente dos neurotípicos que cenas da sua infância que ganharam novos sentidos assim a questão por exemplo de eu não comer eu tive seletividade alimentar que é uma característica do
autismo onde a gente só come determinado alimento e bloqueia todos os outros eu tive anemia eu tive raquitismo eu não comia praticamente nada eu só tomava Leite a minha mãe sofreu muito sempre abaixo do Peso sempre precisando ir atrás de suplementação porque era muito anêmica e minha mãe muito sofrimento do tipo essa criança vai morrer porque tá cada vez mais magra hoje eu entendo que um diagnóstico teria feito a diferença ali então como tem uma questão forte com toque isso refletia na minha questão com a comida porque a comida é toque é uma troca Claro
Então eu rejeitava as texturas os gostos a aparência já não queria Então a seletividade alimentar é muito séria quando que virou essa chave quando a minha mãe começou a usar o meu hiperfoco para me influenciar como outras coisas Olha filho eu gostava muito de desenho animado gostava muito Castelo rá-tim-bum Olha filha eles estão comendo tal coisa Mamãe fez para você também vamos comer junto aí eu comia junto ela teve que se esforçar muito ela fez uma terapia ela fez é o meu desenvolvimento se deu por conta da dedicação total dos meus pais e me parece
que também revela uma coisa assim não seja rígido com algo que não tá acontecendo né o filho não quer fazer uma coisa né a paciência ela é primordial seja amoroso seja acolhedor tente entender aquela criança e buscar uma estratégia para se conectar Não tente romper aquele porque isso vai criar uma barreira não tenta forçar Tem muita gente que ai vai comer sim calma tenta se conectar deixa rolar mas tenta se conectar eu não sei se você vai se identificar as primeiras vezes que o Miguel foi à praia ele não queria tirar o tênis e a
meia calça jeans e ficou assim Acho que dois ou três dias era uma temporada você fez isso também e a gente falou tudo bem porque ele tava curtindo ali praia de tênis eu até comecei a olhar para você sabe que talvez não seja uma barriga às vezes com o pé úmido ali naquele contato tal então É legal deixar rolar né É se desprender das regras né a gente tem muita gente porque não pode ir na praia dele a gente que inventou isso claro que você tira o tênis e curte aí depois ter que lidar com
uma pessoa autista é uma desconstrução o tempo todo de regras sociais é aprender de boa claro que com a seletividade alimentar que é muito sério envolve saúde é muito difícil é de boa e não recomendo vai atrás atraso de fala vai atrás mas não coloque uma carga pesada em cima senão o processo vai ficar muito mais difícil autismo é moda agora você só é tímido deprimida não eu não acredito [Música] enfim estou na moda você se achava esquisito eu me acho muito eu sempre fui eu acho esquisito uma qualidade todos os meus amigos são esquisitos
eu acho ótimo hoje mas quando eu era criança eu sofria muito que eu queria ser igual as pessoas Riam de mim eu não era amiga das meninas porque eu era uma menina esquisita eu não era amiga dos meninos porque eu era uma menina então ficava naquele Limbo de não ter amigos e tentar se modular para fazer parte de algum grupo hoje eu acho que excelência esquisito eu acho triste é normal Claro mas na época você sofria muito quando era criança assim eu sofria porque eu via que eu não fazia parte e muitas vezes eu não
queria fazer mas eu queria ser convidada para as festinhas eu queria eu queria poder ter escolha de falar vou não vou eu não tinha essa escolha era sempre não vou porque eu não fui chamada [Aplausos] [Música] e como é a vida de uma criança autista conta IDH e sem diagnóstico por causa assim na escola sofri muito porque eu simplesmente saía da sala de aula eu ficava em pé eu fui agredida por uma professora que me arrastou pelo cabelo na sala de aula porque eu bagunçava eu andava muito eu tinha seis anos eu tinha acabado de
entrar na primeira série né eu tinha 6 anos e ela me arrastou assim pelo rabo de cavalo então passei por muito perrengue porque é bom você falar isso né porque muita gente que te vê toda elegante toda desinibida falando assim uma criança deveria passar por situações tão agressivas que nem eu passei né de ser agredida de ser excluída de sofrer bullying de levar de água na cabeça Como já aconteceu nenhuma criança deveria para os pais de crianças que têm o gel diagnóstico ou a hipótese Vocês são tudo na nossa vida se a gente vai se
desenvolver é por conta de vocês porque a gente não encontra muito apoio na sociedade então a gente tem que ter um ambiente Um porto seguro em casa então Ame a colha escute perceba comportamentos se o seu filho ainda não fala se ele não é oralizado todo o comportamento diz alguma coisa seja essa pessoa tenta para o seu filho aquela pessoa que segura pela mão e fala eu vou junto eu vou lutar junto é isso que importa [Música] que que será que eles estão perguntando para você vamos lá Lucy Tábata você sente que com maior número
de autistas adultos com diagnóstico tardio falando sobre isso na internet o interesse em saber mais sobre autismo tem aumentado e ela ainda é completa ou fora da nossa bolha o estereótipo permanece não alterado eu acho que não permanece não tem nada é difícil a gente alcançar todo mundo eu acho que a gente tá num processo de mudança ganhando vós até dois anos atrás o autista não era convidado para nada a gente não tinha visibilidade hoje a gente tá ganhando cada vez mais espaço então tenhamos paciência não vamos querer que a gente mude um estereótipo da
noite para o dia que isso não vai acontecer mas vai ficar com isso ganhando visibilidade você ganha mais o quê pancada preconceito você sente isso também às vezes vem um julgamento o que acontece muito aquela mãe às vezes ela só conhece o filho dela como autista e ela vive aquela realidade e ela quer ver aquela realidade em mim falo mas eu não sou seu filho eu não tenho quatro anos eu não vivo as coisas que ele vi você não vai ver ele em mim então calma não adianta você vir aqui me xingar dizer que eu
não sou autista por conta disso daquilo a gente é diferente então tenta explicar com paciência mas vem eu imagino que muita gente em casa que tá ouvindo você falar fala espera aí será que eu também não estou nesse espectro O que que a gente também tem que se prevenir para não achar que tudo é autismo Sim a gente tem que tomar muito cuidado que as pessoas confundem muitas vezes você ser tímido você não gostar de muitas interações sociais você ser mais reservado com autismo autismo é muito mais do que isso é dificuldade de comunicação e
socialização é hiper foco é disfunção do processamento sensorial quer dizer essa sensibilidade aos ruídos as aos toques é comportamento restrito ou seja rotinas dificuldades de lidar com mudanças mudança de plano e os movimentos repetitivos são condições que causam algum deste na vida daquela pessoa e a frase todo mundo é um pouquinho autista que me dá nos nervos essa frase ela não pode ser verdadeira porque não tem como você ser um pouquinho autista o autismo ele é complexo ele tem uma série de limitações na nossa vida você só é tímido Às vezes você só é antissocial
calma não venha com essa desculpinha para se encarar algo que é tão complexo que traz sofrimento para tantas pessoas [Música] você se vai deste mundo tá depois de algum tempo Chega Deus e te pergunta você quer voltar autista ou neurotípica com certeza com certeza com certeza sim porque eu vejo testes nos neurotípicos que eu não gostaria de ter um neurotípico te falo uma coisa pela metade o outro entende o que ele quer não questiona assume que aquilo é uma verdade e os dois nunca mais se falam porque um entendeu uma coisa e ele que eu
não vou querer entender ele teria que ter entendido a gente não aguentaria viver desse jeito tendo que adivinhar coisas tem que julgar ai não muito cansativo calma não precisa se preocupar também não é nada demais e a gente aprendeu muito né neurotípicos aprenderam como é que funciona a coisa né e a gente pode melhorar com esse conhecimento do autismo vem para ensinar muitas coisas é que a sociedade não prestou atenção nisso ainda porque a sociedade gosta de colocar o diferente abaixo Mas a partir do momento que a gente for valorizado as pessoas vão perceber que
a gente tem muita ensinar também naquilo que dizem que a gente é pior que é na comunicação a gente fala tudo gente a gente fala que a gente pensa o que a gente sente o que a gente quer o que a gente precisa o neurotípico tinha que aprender com a gente também um pouco isso para facilitar o mundo né Então me diga direto do seu mundo atípico o que é a vida posso responder de forma longa que eu falei assim gente ele vai me fazer essa pergunta filosófica para uma pessoa autista literal e eu não
consigo pensar em nada além de e é o resultado de um processo reprodutivo E aí Conversei com um amigo meu que é cego e ele falou eu acho que você faz muito bem responder isso porque a vida ela é única cada um vai ver de um jeito você vê de um jeito eu cego vejo a vida de outro jeito então como é que a gente pode limitar em poucas palavras o que é a vida então eu falei é isso é um processo é uma consequência de um processo reprodutivo e o que acontece a partir daí
só você e Deus sabe eu ouvi esse barulhinho o tempo inteiro do espectro Vamos eu tenho certeza só extraterrestre depois eu te passo meus contatinhos Obrigado por dividir tanto conhecimento aqui hoje Eu que agradeço o convite o espaço carinho muito obrigada tão direta tão sincera não é legal gente vamos praticar [Aplausos] [Música]