Bem-vindo a mais um episódio de Bem-vindo a mais um episódio de Tem Mas é Juízo Final, um podcast sobre o fim do mundo. Meus amigos, não é preciso dizer qual é o tema. Basta-me revelar que este episódio foi escrito à mão.
Ah, foi escrito à mão, foi? Sim. Ontem Ricardo Aros Pereira revelou aqui que eu lhe disse certa vez que escrever à mão é podre.
Queria pedir desculpa por essas declaraçõ declarações. É podre, não é? Escrever à mão é podre.
Tem vergonha, pá. A frase correta é: "Escrever à mão é útil, sobretudo quando o conteúdo do meu frigorífico está podre". Ah, tendo em conta a tua versão por tudo o que é manuscrito, eu pensei que não conseguisses querer fazer o texto de hoje.
Fiz? Claro que fiz. Sabem que eu tenho amor pelo texto, tanto amor que ontem pensei, hum, vou fazê-lo à luz das velas.
Bom, ainda não me caiu a ficha, que ontem todas as fichas caíram. Foi, para mim, para mim não foi um apaguinho, foi um belo apagão. Foi um grande apagão.
Um apagão dos crescidos. Foi um rapagão. Em primeiro lugar, queria dar os parabéns a todos os profissionais da rádio.
Parabéns a todos. Grande parabéns. O Dia Mundial da rádio devia passar a ser 28 de abril, por exemplo.
Eu de manhã estive na rádio, passei a tarde toda a ouvir rádio e à noite escorreguei às curas na casa de banho, arriscando partir o rádio. O dia começou a correr mal, precisamente quando saímos daqui, Manel. Exato.
Devíamos ter ficado todos no estúdio porque aqui tínhamos acesso a notícias. É uma espécie de um búnker, não é? e tinha sopa da pedra, prato de providencia, nutrientes para mês e meio.
Ouvi dizer que fosse comprar um rádio a pilhas. Fui comprar um rádio a pilhas que nunca teve tanta procura desde que foi inventado, não é? Aliás, houve muita gente a varrer lojas e até ocorreram alguns crimes no dia de ontem.
Não sei se viram aquela notícia do grupo de bandidos que saqueou lojas em busca de pilhas e bilhas de gajos. Não via notícia do grupo de bandidos que saqueou então lojas em busca de pilhas e bilhas de gás. Pois, porque essa notícia não existe, mas devia existir.
Só para ter o título quadrilha, pilha, pilha e bilha. Hum. Quadrilha, pilha, pilha e bilha.
Quadrilha, pilha, pilha e bilha. Façam alguém do jornalismo. Sim, sim.
Quadrilha pilha pilha bilha. Estou perdido. Isto vai ser o meu dia hoje.
Quadrilha pilha pilha pilha. Quadrilha pilha pilha pilha. Fazer um remix.
Mas pronto, houve muita gente a fazer fila nos supermercados. Eu não julgo. Isto foi tão repentino que só não afetou emocionalmente quem já tinha dinheiro vivo, comida para uma multidão e um gerador.
Foi o dia em que todos tivemos inveja dos donos de relotes. Sim, sim. Olha, e tu correste para o supermercado?
Na verdade, só consegui ir a uma pequena merceria. Eh, comprei água e umas barrinhas proteicas. A água deu jeito, as barrinhas foram inúteis.
Porque não chegaste a comê-las? Não, porque tentei encostá-las ao telemóvel, mas não o carregaram. Enfim, quer dizer, se não tem eletricidade, não lhe chamem barrinhas energéticas.
Não se percebe. Meu Deus. Houve pessoas a comprar grelhadores, não?
Sim, sim, sim, sim. Eh, venderam-se muitos grelhadores e os taxistas tiveram imensos clientes. Ou seja, foi um dia em grande para os fugareiros.
Bravo, bravo. Em sentido contrário, comeu-se imensa tum e houve multidões retidas no metro. Portanto, foi um dia em que quem sofreu foram os ilatados.
Foi uma espécie de confinamento concentrado. É assim, eu acho que quem gostou do confinamento gostou do apagão, não é? Quem gostou de um, gostou do outro, porque isso foi muito semelhante com a diferença de que ninguém nos podia obrigar a participar numa reunião do Times.
Mas mas foi um confinamento com menos condições ainda. Sim, sim. Fomos obrigados a viver e como se tivéssemos a acampar.
Eu eu estive o dia todo de ontem numa tenda da quechua feita de tijolo. Não foi bem um confinamento, foi um confinacampamento. Mas ao mesmo tempo teve algo de emocionante, não é?
Sim, sim. Eu ontem quando me fui deitar quase que chorei. Tive um reencontro muito comovente.
Ah, mas com a tua namorada, não sabias dela? Não, não. Com o WhatsApp, né?
Ficamos separados durante 12 horas. Foi duríssimo. Até chorei quando finalmente voltou e pude ver stickers do Putin com a legenda calma já liga luz.
Os especialistas ainda não tem a certeza do que causou o apagão, mas tu certamente tens uma teoria bastante plausível, não é? A minha teoria é que isto foi vingança, mas dos russos? Não, não, dos pássaros.
Fundamenta, fundamentarei. Fundamentarei. Vejamos, as torres de alta tensão costumam ter cegonhas.
Ora, no domingo, o Benfica no seu estádio massacrou o Aves. Portanto, este apagão foi uma forma de aves criarem problemas na luz. Hum, isto é estupidez.
É, é estupidez. É. Eh, pronto, se foram os russos, deviam para o jogador Anatoli Trubin a vigiar o abastecimento de eletricidade.
Pera aí, o o guarda-redes do Turbin. Porquê? Primeiro porque ele é de uma da nacionalidade com experiência a combater o Putin.
Depois porque se há alguém habilitado a defender infraestrutura de eletricidade é um indivíduo que defende postes e redes. Bravo, bravo, bravo. Nem pensar nunca na vida esquece.
Não quero ouvir nem mais um podcast. Ó, bem mais só uma coisa. O que é que a quadrilha pilha?
Então, a quadrilha pilha. Pilha e pilha. Pois.