Olá, acadêmico! Estamos na Unidade 1: Psicologia e educação, Tópico 2: Desenvolvimento cognitivo. Neste tópico, você aprenderá as teorias de desenvolvimento humano de Piaget, Vygotsky e Bronfenbrenner e discutir como elas podem ser aplicadas em sala de aula.
Além disso, você aprenderá os distintos estágios de linguagem e explicaremos como você pode configurar sua sala de aula para promover o desenvolvimento do letramento. Vamos lá? O termo “desenvolvimento” refere-se a como as pessoas crescem, se adaptam e mudam ao longo de suas vidas, por meio do desenvolvimento da personalidade, desenvolvimento socioemocional, desenvolvimento cognitivo (pensamento) e desenvolvimento da linguagem.
As crianças não são adultos em miniatura. Elas pensam de forma diferente e veem o mundo de forma diferente. Um dos primeiros requisitos do ensino eficaz é que você entenda como os alunos pensam e veem o mundo.
Estratégias de ensino eficazes devem levar em consideração a idade dos alunos e os estágios de desenvolvimento. Duas questões centrais têm sido debatidas por décadas entre os psicólogos do desenvolvimento: o grau em que o desenvolvimento é afetado pela experiência e se o desenvolvimento ocorre em estágios. Afinal, o desenvolvimento é predeterminado no nascimento pela hereditariedade e fatores biológicos ou é afetado pela experiência e outros fatores ambientais?
Hoje, a maioria dos psicólogos do desenvolvimento acredita que a natureza e a experiência se combinam para influenciar o desenvolvimento, com fatores biológicos desempenhando um papel mais forte em alguns aspectos, tais como o desenvolvimento físico. Jean Piaget é o psicólogo do desenvolvimento mais influente da história da psicologia. Ele pensava em seu contexto aplicando princípios e métodos biológicos ao estudo do desenvolvimento humano e muitos dos termos que introduziu na psicologia foram extraídos diretamente da biologia.
Piaget explorou porque e como as habilidades mentais mudam com o tempo. Para ele, o desenvolvimento depende em grande parte da manipulação e da interação ativa da criança com o seu ambiente. A teoria de desenvolvimento cognitivo de Piaget propõe que o intelecto de uma criança, ou habilidade cognitiva, progride por quatro estágios distintos.
Cada estágio é caracterizado pelo surgimento de novas habilidades e formas de processamento de informações. Piaget acreditava que todas as crianças nascem com uma tendência inata de interagir e dar sentido a seus ambientes. Crianças pequenas demonstram padrões de comportamento ou pensamento chamados de esquemas que crianças mais velhas e adultos também usam ao lidar com objetos no mundo.
Usamos esquemas para descobrir e agir no mundo e cada esquema trata todos os objetos e eventos da mesma maneira. Quando os bebês encontram um novo objeto, como eles podem saber do que se trata esse objeto? De acordo com Piaget, eles usarão os esquemas que desenvolveram e descobrirão se o objeto faz um som alto ou baixo quando é batido, qual é o gosto, se dá leite e se ele faz um baque quando cai, por exemplo.
Ele separa sua teoria explicando a adaptação, assimilação, acomodação, equilibração e construtivismo. A adaptação é o processo de ajustar esquemas em resposta ao ambiente por meio de assimilação e acomodação. A assimilação é o processo de compreensão de um novo objeto ou evento em termos de um esquema existente.
Se você̂ der a bebês pequenos objetos que eles nunca viram antes, mas que se assemelham a objetos familiares, eles provavelmente os agarrarão, morderão e baterão. Você pode conferir com riqueza de detalhes a explicação no seu livro didático. Piaget dividiu o desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes em quatro estágios: sensório-motor, pré-operatório, operacional concreto e operacional formal.
Ele acreditava que todas as crianças passam por esses estágios nessa ordem e que nenhuma criança pode pular um estágio, embora crianças diferentes passem pelos estágios em taxas um tanto diferentes. No quadro ao lado, que também está no seu livro didático, você confere o detalhamento dos quatro estágios. Agora, vamos entender como Vigotski compreendeu o desenvolvimento cognitivo.
Lev Semionovich Vygotsky foi um psicólogo russo que morreu em 1934. Embora Piaget e Vygotsky nunca tenham se conhecido, eles eram contemporâneos que sabiam dos primeiros trabalhos um do outro. A obra de Vygotsky não foi amplamente lida em português até a década de 1980 e 1990, no entanto, e somente a partir de então, suas teorias se tornaram influentes globalmente.
A teoria vygotskiana é agora uma força poderosa na psicologia do desenvolvimento e muitas das críticas que ele fez à perspectiva piagetiana há mais de 90 anos vieram à tona hoje. Seu trabalho é baseado em duas ideias-chave. Primeiro, ele propôs que o desenvolvimento intelectual pode ser entendido apenas em termos dos contextos históricos e culturais que as crianças vivenciam.
Em segundo lugar, ele acreditava que o desenvolvimento depende dos sistemas de signos com os quais os indivíduos crescem, ou seja, a linguagem: os símbolos que as culturas criam para ajudar as pessoas a pensar, comunicar e resolver problemas. Em contraste com Piaget, Vygotsky propôs que o desenvolvimento cognitivo está fortemente ligado aos dados recebidos (input) aos quais a criança é exposta. Lembre-se de que, na teoria de Piaget, sugere-se que o desenvolvimento precede a aprendizagem.
Em outras palavras, estruturas cognitivas específicas precisam se desenvolver antes para que certos tipos de aprendizagem possam ocorrer. Já na teoria de Vygotsky, é a aprendizagem que precede o desenvolvimento. Para ele, a aprendizagem envolve a aquisição da linguagem.
O desenvolvimento ocorre à medida que a criança internaliza as diferentes linguagens para poder pensar e resolver problemas sem a ajuda de outras pessoas, habilidade chamada de autorregulação. O primeiro passo no desenvolvimento da autorregulação e do pensamento independente é aprender que as ações e os sons têm um significado. No caso da aquisição da linguagem, as crianças aprendem a associar certos sons a significados.
A segunda etapa no desenvolvimento de estruturas internas e autorregulação envolve a prática. A etapa final é o uso de signos, ou seja, de diferentes linguagens, para pensar e resolver problemas sem a ajuda de outras pessoas. Nesse ponto, as crianças se autorregulam e o sistema de signos é internalizado.
Vygotsky acreditava que a aprendizagem ocorre de maneira mais eficaz quando as crianças estão trabalhando em sua Zona de Desenvolvimento Proximal. As tarefas dentro da zona de desenvolvimento proximal são aquelas que uma criança ainda não consegue realizar sozinha, mas poderia realizar com a ajuda de colegas ou adultos mais competentes. Vygotsky acreditava que habilidades complexas, como raciocínio e resolução de problemas, são desenvolvidas por meio da mediação com adultos e colegas de alto desempenho.
Ou seja, crianças mais velhas e adultos ajudam os alunos explicando, modelando ou simplificando habilidades, conhecimentos ou conceitos complexos. Uma ideia-chave derivada da noção de Vygotsky de aprendizagem social é a de andaime: a assistência fornecida por pares ou adultos mais competentes. Normalmente, andaime significa fornecer à criança um grande apoio durante os primeiros estágios de aprendizagem e, em seguida, diminuir esse apoio e fazer com que a criança assuma responsabilidades crescentes assim que ela puder.
Agora, vamos nos aprofundar no último teórico destacado neste tópico, Bronfenbrenner. Urie Bronfenbrenner descreveu um modelo “bioecológico” de desenvolvimento humano (BRONFENBRENNER, MORRIS, 2006). O foco de seu modelo está nas influências sociais e institucionais no desenvolvimento de uma criança, desde a família, escolas, locais de culto e bairros, até influências sociais e políticas mais amplas, como mídia de massa e governo.
A principal contribuição de Bronfenbrenner (1996) foi mostrar como o desenvolvimento é influenciado em cada um dos níveis. Bronfenbrenner critica a visão piagetiana por seu foco limitado além da criança (o microssistema). Ele nota a enorme influência do lar e da família e as influências mútuas entre a criança e a família.
Esse mesossistema também liga crianças a pais, alunos a professores e amigos a amigos. O exossistema (por exemplo, comunidade, governo local, igreja) afeta o desenvolvimento diretamente e por meio de sua influência nas famílias, e o macrossistema, incluindo valores culturais e religiosos, bem como a mídia de massa, define um contexto importante para todo o desenvolvimento. Finalmente, o cronossistema consiste na passagem do tempo e nos eventos históricos imediatos que mudam todos os fatores que cercam a criança.
Bronfenbrenner enfatiza que todos esses fatores estão em constante mudança e que a própria criança influencia muitos deles, principalmente a família. A importância da abordagem bioecológica está em enfatizar a interconexão dos muitos fatores que influenciam o desenvolvimento de uma criança. Uma mudança na família, como um divórcio ou perda do emprego, não só influencia a criança diretamente, mas também pode causar mudanças na vizinhança, escola, local de culto e amigos da criança.
Este foi o segundo tópico desta unidade! Nos vemos em breve no próximo tópico deste livro didático! E vale a pena lembrar que você não está sozinho nesta caminhada.
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