É difícil especificar precisamente quando as escolas foram criadas. Na Idade Média, já existiam instituições educacionais, mas eram geralmente voltadas aos homens para fins de formação do clero. Sabemos que Martinho Lutero difundiu a ideia de formatos de instituições, ou seja, “escolas”.
Após a Reforma, Martinho Lutero motivou a criação de instituições nas quais as pessoas aprendessem a ler – para que pudessem ler a Bíblia individualmente –, mas, após a Revolução Industrial, as instituições para fins educativos assumem novas finalidades, e a expansão delas passa a ser ainda mais significativa. Durkheim compreende que o sistema educacional equivale a um fato social, logo, as famílias não podiam educar seus filhos conforme achassem melhor. Todos os integrantes da sociedade deveriam ser educados do mesmo modo, seguindo os moldes impostos pela sociedade.
Com a escolarização de grandes quantidades de crianças, fica ainda mais evidente que não são todas que aprendem ao mesmo tempo e nem do mesmo jeito. A partir de então, modificaram-se as formas de se relacionar com a aprendizagem, e, consequentemente, com a não aprendizagem. A escola passa ser responsabilizada pela sistematização de conhecimentos e sua difusão.
Eis que se fez a psicopedagogia. Os problemas de aprendizagem que vão se avolumando na Europa no século XIX, suscitaram explicações para as suas causas, bem como soluções para os seus entraves. Assim, a pedagogia, a psicologia e medicina começaram a investigar esses fenômenos e procuraram oferecer respostas para eles, mas nenhuma delas pareceu dar respostas conclusivas e satisfatórias.
Isso pode ser percebido com a interdisciplinaridade entre pedagogia e psicologia na formação da psicopedagogia. É necessário destacar que as hipóteses, teorias, descobertas e invenções que antecederam e que marcaram, de alguma forma, a formulação da psicopedagogia, ocorreram dentro de períodos históricos em que as pessoas tinham acesso a determinados recursos de pesquisa, e às teorias que já tinham sido disseminadas até ali. Na verdade, uma dá suporte à outra, em diversas situações, dependendo do fenômeno em foco.
Sabemos que toda ciência social precisa ser dividida. Foi se observando uma junção mais frequente entre a pedagogia e psicologia com a intenção de explicar e resolver as complexidades inerentes da aprendizagem. A psicopedagogia advém, então, dessas duas ciências, mais especificamente do limiar entre a pedagogia e a psicologia.
Esse espaço entre as duas áreas deu lugar à formação da psicopedagogia, cujo enfoque recai no estudo do processo de aprendizagem e, consequentemente, abrange as dificuldades de aprendizagem. Portanto, quando olhar para alguma teoria que já embasou a psicopedagogia, e que hoje, talvez, não seja uma teoria tão valorizada, lembre-se de que a construção do conhecimento é feita de forma lenta e desenvolvida, muitas vezes, por pesquisas que são repassadas de geração a geração por pesquisadores. Como dizia Paulo Freire, “ninguém ignora tudo.
Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa.
Por isso, aprendemos sempre”. Conforme as escolas vão expandindo com o intuito de proporcionar o mesmo sistema educacional a todos, é indispensável definir como será esse sistema, o que será ensinado por meio dele e por meio de quais metodologias. Assim, vão surgindo os primeiros pensadores que trabalham para construir esses dispositivos, e, então, a pedagogia vai sendo desenvolvida pouco a pouco.
Prezado acadêmico, bons estudos e até a próxima!