Eu quero começar logo de cara com uma pergunta e é para responder com sinceridade. Você já se sentiu como se sua cabeça tivesse toda bagunçada? Tipo os pensamentos todos embaralhados?
Nos últimos tempos, eu tenho visto muitas pessoas falando dessa sensação de não conseguir prestar atenção que andam esquecidas demais. A sensação de que a nossa cabeça é um navegador com 50 abas abertas ao mesmo tempo e aí tá saindo som de várias ao mesmo tempo e tem um anúncio piscando na tela e você não consegue achar de onde tá vindo. A gente vive num estado de distração constante.
A nossa capacidade de foco, de sentar e mergulhar em uma única tarefa, por meia hora que seja, parece que tá sumindo. E a verdade é que se você sente que a sua memória tá pior, que a sua clareza mental sumiu e que você tá sempre meio no modo automático, você pode tentar melhorar um pouco isso de formas bem simples. O grande culpado, ou pelo menos um dos culpados disso tudo, provavelmente tá na sua mão ou na sua frente nesse exato momento, a tecnologia.
E assim, não vai me entender mal, porque eu adoro tecnologia. Ela facilita nossa vida de muitas formas diferentes, mas a forma como a gente interage com ela mudou a configuração do nosso cérebro. O digital é muito fluído, é rápido demais, é descartável demais.
E é aqui que entra o tema do vídeo de hoje. Eu quero te convencer e te ensinar a resgatar uma tecnologia milenar, mas que é o remédio perfeito para essa poluição mental, o papel e a caneta. Muitas vezes a gente acha que escrever à mão é algo romantizado.
Agora também tem essa coisa de falar que é performático, mas na real a ciência mostra que é muito mais do que isso. Quando você digita no teclado, o movimento é praticamente o mesmo para cada letra. É um toque na tela.
Pro cérebro, o gesto de digitar a letra A é idêntico ao de digitar a letra Z. Agora, quando você pega uma caneta, o esforço cognitivo é outro. Existe um desenho manual, uma pressão diferente, um movimento complexo do seu corpo.
Eu não quero entrar muito aqui na parte científica, mas para quem se interessar, tem esse vídeo aqui que inclusive foi o que me inspirou a falar sobre esse assunto. E nele tem alguns estudos que falam de como o nosso cérebro funciona diferente quando a gente digita e quando a gente escreve a mão. Mas de forma resumida, atividades manuais em geral ensinam o nosso cérebro a focar.
Existe uma conexão profunda entre o nosso corpo e a nossa mente. Quando você escreve, você é forçado a desacelerar. E nesse mundo onde tudo é com pressa, tudo é urgente, você conseguir desacelerar, prestar atenção, é tipo você ter um super poder.
Escrever a mão permite que você erre, permite que você rabisque, permite que você visualize o seu pensamento enquanto ele vai tomando forma. E esse processo de limpeza visual é o que ajuda a organizar a bagunça da nossa cabeça no computador ou no celular. O próprio corretor já vai completando as palavras, você digita rápido, você não consegue nem se envolver com o que você tá escrevendo porque não dá tempo.
Interagir com um objeto real, físico, sempre vai fazer mais sentido pro nosso cérebro. É uma coisa biológica mesmo. A gente foi feito para interagir com coisas, peso da caneta, a textura do papel, o cheiro do caderno.
Tudo isso cria uma experiência cheia de sensaçõezinhas. E por que que isso importa? Porque quanto mais sentidos estão envolvidos numa tarefa, mais aquela informação fica marcada na sua cabeça.
Você se lembra da sensação física de ter resolvido aquele problema no papel. Isso não é nostalgia, não é mágica, não é performático. É só a sua cabeça funcionando como ela foi feita para funcionar.
Mas o grande segredo para isso funcionar não é comprar o caderno mais caro da loja ou tentar fazer uma letra bonita. O segredo é encontrar o seu próprio jeito de fazer. Você precisa se sentir confortável de uma forma que os seus pensamentos saiam de uma forma mais natural.
Mesmo se você se sente meio intimidado olhando pra folha em branco porque o caderno é muito bonito ou porque você pagou caro, você nunca vai escrever nada útil nele. O seu caderno precisa ser um lugar confortável para você. Agora vamos entrar mais a fundo nos materiais, mas antes deixa um like, se inscreve aí, por favor, porque é isso que me permite continuar criando vídeos aqui pro canal.
Vamos lá. Como escolher os seus materiais? Algumas pessoas se adaptam melhor naqueles caderninhos pequenos de bolso.
A vantagem deles é óbvia. Ele tá sempre com você. Surgiu uma ideia no trem, teve uma ideia numa reunião, almoçando no restaurante, ele tá sempre lá com você.
É ótimo para não perder aqueles pensamentos que vem do nada. Quando eu preciso projetar alguma coisa mais complexa, desenvolver um projeto, daí eu já prefiro usar o meu fichário no tamanho A5, que tem mais espaço paraa ideia fluir, para desenhar gráficos, fica melhor também para consultar depois. é um lugar melhor para registrar coisas que são mais importantes no longo prazo.
E sim, não é um caderno, é um fichário. Para mim, o fichário é melhor porque você consegue reorganizar a ordem das páginas, mudar sessões diferentes de lugar, enfim, eu curto mais do que o caderno comum, vai de gosto. E na real, até o tipo de folha influencia como o seu pensamento vai se organizar.
Por exemplo, uma folha pautada, que é aquela mais comum com as linhas, te induz a ter uma escrita mais linear, um texto longo, por exemplo. É ótima para quem quer fazer um diário, para fazer lista, para quem gosta de textão mesmo. Já uma folha sem pauta ou pontilhada te dá uma liberdade visual maior, te incentiva a rabiscar, desenhar gráficos, a criar conexões com seta, rabisco.
Vai depender muito de como você se sente melhor pr botar as coisas para fora da sua cabeça mesmo. Mas escolhe com consciência disso. E a caneta também é um pouco do que eu falei do caderno.
Não adianta nada você comprar uma caneta de R$ 20, R$ 30 e ficar com dó de gastar ela. Hoje em dia eu uso uma caneta que você acha em qualquer papelaria custa menos de R$ 2 e ela me serve melhor do que todas que eu já usei. Quando acaba ou se eu perco, por exemplo, eu acho mais fácil para comprar, não tenho receio de levar ela pros lugares e perder.
E a caneta tem que ser isso mesmo, útil. É uma ferramenta mesmo que te encoraja a escrever. Hoje a gente tá falando sobre pensar no papel, mas se você também tem interesse em organizar a sua vida no papel, na descrição tem um link pro meu guia Não é só um caderno, onde eu ensino algumas técnicas para você traçar metas, acompanhar seus hábitos, organizar sua semana.
É bem legal e custa menos de R$ 10. Dá uma olhada lá. Beleza?
Mas e agora? Como que se pensa no papel na prática? Às vezes você só ficar encarando a página em branco não funciona, mas existem várias técnicas que você pode e deve treinar para conseguir tirar as suas ideias da cabeça com mais facilidade.
A primeira delas é o despejo mental, que é simplesmente colocar tudo que tá na sua cabeça para fora sem filtro. Pendências, preocupações, ideias. Geralmente se faz em formato de lista, colocando cada tópico separado.
Esse é o jeito mais simples de usar o papel para pensar melhor. Funciona super bem em um caderninho de bolso, por exemplo. E é muito bom porque quando você tira da cabeça e coloca no papel, o cérebro realmente relaxa, porque ele entende que aquela informação tá salva em outro lugar e ele não precisa ficar gastando energia tentando não esquecer.
Eu também gosto muito dos mapas mentais. Essa aqui acho que é a melhor forma de organizar ideias que não são lineares. É como se você fosse caminhando com a ideia um passo de cada vez.
Eu usei muito isso na minha pós-graduação para conseguir visualizar de forma mais simples ideias que são complexas. Isso ajuda a ver hierarquia nas coisas. Às vezes, um desenho de dois blocos com uma seta no meio vai explicar melhor do que três parágrafos de texto corrido.
E quando você vai revisitar aquelas ideias, fica mais fácil de relembrar, porque o nosso cérebro processa imagens de uma forma muito mais rápida do que texto. Então, se você consegue transformar um pensamento em uma imagem, num esquema visual, você ganha clareza de uma forma meio que instantânea. E no fim das contas, você também pode usar textos corridos mesmo.
Tem algumas ideias que só escrevendo um textão você vai conseguir colocar para fora. A grande sacada de pensar no papel é entender que o papel aceita qualquer formato, inclusive todos os formatos ao mesmo tempo. Encara como se fosse um laboratório do seu cérebro.
Experimenta, vê o que funciona e o que não funciona. Muitas vezes eu começo um projeto e ele parece um monstro de sete cabeças. Aí eu sento com o meu caderno, começo a escrever, a desenhar, a rabiscar e de repente aquele nó vai se desfazendo, você vai conseguindo enxergar o todo.
No fim das contas, o que eu quero que você entenda é que você tem que enxergar o seu caderno como uma ferramenta de trabalho e não como uma obra de arte. Existe uma tendência hoje no Instagram, no TikTok, até aqui no YouTube de mostrar cadernos perfeitos com aquela letra maravilhosa, todo colorido, todo desenhado. E se isso te ajuda, tá ótimo.
Mas para mim e pra maioria das pessoas, isso é mais um bloqueio. A gente fica com medo de estragar a folha com um pensamento incompleto, um pensamento que ainda não tá claro, que ainda não faz sentido, sendo que às vezes o que vai fazer ele fazer sentido é justamente escrever. O seu caderno serve para resolver esses problemas.
Ele serve para você visualizar os seus pensamentos. Ele provavelmente vai ser feio, vai ter erro, vai ter rabisco para todo lado. E se ele tiver assim, que bom, porque significa que ele tá sendo usado.
Você pode achar que tá perdendo tempo porque digitar seria mais rápido, mas a questão aqui não é a velocidade, é a qualidade do seu pensamento. É melhor gastar 30 minutos planejando algo direito no papel, uma ideia que vai ser levada pra frente, que você vai dar atenção do que anotar no celular em 2 minutos e depois nunca mais levar aquela ideia pra frente. Vai ficar lá largada no aplicativo do bloco de notas.
Então, meu convite para você hoje é esse. Usa o seu cérebro como ele foi feito para ser usado com um objeto físico. Compra um caderno ou só pega aquele caderno que tá parado na sua gaveta, escolhe uma caneta que você gosta de usar e começa.
Não espera ter a ideia perfeita. Começa rabiscando o que você tá pensando agora. Começa listando os problemas que você precisa resolver amanhã.
Tira um tempo para pensar sem celular, sem televisão, só você e o papel. Percebe como aos poucos aquela desorganização mental vai começar a desaparecer. Espero muito que esse vídeo tenha te dado o empurrão que faltava para você resgatar esse hábito.
Se você já usa o papel para pensar, me conta aqui nos comentários como você organiza os seus pensamentos no seu caderno. Vamos trocar essa ideia e se você gostou, já sabe, se inscreve no canal, deixa o seu like, compartilha com aquele amigo que vive reclamando que tá distraído, sem foco. E é isso, tamo junto e até a próxima.