Olá! É um imenso prazer trazer esta obra e compartilhar a minha experiência com você! O objetivo deste capítulo foi trazer os principais conceitos e aplicações para padrões de intercomunicação em saúde, além de definir, contextualizar e caracterizar o Prontuário Eletrônico do Paciente, bastante conhecido como PEP.
Separamos nosso primeiro capítulo em uma breve introdução, onde você irá encontrar um contexto geral sobre a informatização de dados em saúde, definição de PEP, algumas leis e portarias que regulam os registros dos pacientes. Neste tópico, procurei trazer a definição de padrões de comunicação e os principais padrões e terminologias de comunicação. Os padrões de comunicação estão bastante voltados para a utilização em Sistemas de Registro Eletrônico de Saúde (S-RES), muitos aplicados no prontuário eletrônico, no entanto, estes padrões que garantem a interoperabilidade entre os sistemas têm uma diversidade de aplicações.
Um exemplo é a interoperabilidade no governo. Quando utilizamos o portal da transparência, ou mesmo na transmissão do Imposto de Renda, há interoperabilidade, pois as informações buscadas podem estar em diferentes servidores de rede, programas e, quando há troca de informações entre sistemas diferentes, por exemplo, é importante que os dados permaneçam intactos, garantindo a integridade dos dados. Imaginem que você esteja participando de um grande projeto de implantação de prontuário eletrônico do paciente em uma Instituição Hospitalar.
Essa Instituição tem parceria com laboratórios de análises clínicas e de imagem de terceiros. Estes laboratórios possuem sistemas de intercomunicação já consolidados com as práticas internacionais de interoperabilidade (DICOM e HL-7). Se sua instituição estiver adquirindo um software que trabalham com padrões de interoperabilidade que possuem a capacidade de leitura das informações dos laboratórios, o esforço manual por parte da equipe será menor e as fragilidades e tempo de implantação também.
Caso contrário, o processo poderá ser moroso e propenso a erros, além do maior trabalho no mapeamento de todos estes códigos e terminologias para fazer a integração dos dados. Por que utilizar padrões para troca de informações é importante? Em um S-RES, são gerados muitos dados diariamente, e essas informações são importantes para melhorar o atendimento aos pacientes/usuários, auxiliar nas tomadas de decisão, gerar informações para pesquisas, demonstrar dados financeiros, cumprir requisitos legais entre tantas outras aplicabilidades.
Estas informações podem estar armazenadas em sistemas e locais diferentes. E se um dado gerado em um sistema é de difícil acesso, não confiável do ponto de vista da integridade, com baixa segurança no acesso aos dados, com possibilidade de erros na informação, qual é o valor deste? Quando utilizamos padrões de interoperabilidade, como o Dicom, a imagem gerada na sala de procedimento utilizando um equipamento com este padrão pode ser exatamente reproduzida em um computador da unidade de internação que tenha um padrão capaz de receber, armazenar e reproduzir exatamente a mesma imagem gerada.
Pacientes que são atendidos em uma unidade de saúde e precisam ser transferidos para outro nível de cuidado seriam beneficiados com a interoperabilidade entre sistemas, uma vez que os profissionais responsáveis pelo cuidado teriam acesso às informações de saúde como histórico de saúde, medicamentos administrados, evoluções diárias, sem a necessidade de receber o prontuário em papel, onde informações podem ser perdidas. Neste tópico tratamos dos principais tipos de interoperabilidade e do catálogo de definições de padrão de informação relacionado aos sistemas definido pela Portaria n° 2. 073, de 31 de agosto de 2011, do Ministério da Saúde.
Neste tópico você perceberá que existem benefícios e desafios do PEP que datam dos anos 1990. Ao longo dos anos, muitas instituições e grupos de especialistas de diversos países se uniram para trabalhar nestes desafios e tornar os sistemas aptos à necessidade das instituições, profissionais de saúde e dos pacientes, consolidando padrões, terminologias e proporcionando que os sistemas tenham um grau maior de interoperabilidade. É importante ressaltar que os desafios e benefícios não são engessados, eles mudam ao longo do tempo, principalmente motivados pelos avanços tecnológicos.
Instituições diferentes apresentam visões sobre benefícios e desafios dos PEPs diferentes também. Alguns apresentam maior dificuldade na implantação, outros na manutenção e um ponto interessante em um dos estudos analisados é com relação à resistência à adoção dos sistemas informatizados motivado pela falta de domínio em informática pelos profissionais. Este dado me fez lembrar que, em uma das implantações de prontuário eletrônico que participei, tivemos esta dificuldade com alguns profissionais.
É importante mapear este risco e formular um plano de ação para minimizá-lo. Na minha experiência, investimos em multiplicadores nas áreas para auxílio destes profissionais. Outro ponto que vivenciei nas implantações foi a importância da comunicação, envolvimento e gestão de mudança no engajamento da equipe nesta transformação digital.
Existe um custo para que haja maior interoperabilidade entre os sistemas, maior segurança na privacidade dos dados, transparência e agilidade no cuidado. Todavia, para garantir a sustentabilidade e competitividade das instituições é de suma importância que estas trabalhem de forma a se tornarem mais eficientes e prestarem um atendimento integrado, rápido e seguro. Neste capítulo compreendemos que os avanços tecnológicos estão transformando a área da saúde e que no desenvolvimento de um sistema de registro eletrônico é importante mapear benefícios, riscos e desafios para maximizar as potencialidades deste sistema.
Garantir o uso de padrões, modelos de referência e terminologias são primordiais para garantir a interoperabilidade dos sistemas e assim reduzir fragilidades e riscos de integridade, segurança e confidencialidade das informações. Não somente os sistemas são importantes neste processo de transformação digital na área da saúde, mas as pessoas também são.