Salve salve galera, sejam todos muito bem-vindos a mais um Wesle Podcast. No dia de hoje a gente falará sobre, nós falaremos sobre política. Antes de mais nada, eu gostaria de pedir que você deixasse o like neste episódio, se inscrevesse no canal e compartilhasse o podcast com as pessoas que você acha que tem interesse. A sua inscrição é muito importante porque muitos telespectadores acabam assistindo o podcast e não estão Inscritos no canal. Então, inscreva-se desde já, deixe seu like, porque assim o YouTube entende que o podcast de uma maneira geral e os episódios são relevantes e
aumenta o alcance da nossa eh da nossa audiência. Perfeito. Hoje nós temos aqui o deputado federal Kim Cataguiri. Obrigado pela sua presença, Kim. Obrigado pelo seu tempo. Eu que agradeço. Prazer participar. Sei que a sua agenda é bastante corrida, mas conseguimos encontrar aí uma uma brecha Para fazer essa entrevista. Kim, eh, você é figura pública, né? Deputado político há muito tempo já na militância dentro da política. Acho que todo mundo que tá assistindo o podcast conhece as suas inclinações ideológicas. Eu queria levar esse podcast aqui, na verdade, para um lado diferente das entrevistas que normalmente
os políticos dão. Eh, e queria falar um pouco mais sobre o que que acontece, não necessariamente por trás das cortinas, eu diria, mas o que Que acontece lá dentro na prática, eh, na política. Então, acho que vamos aproveitar que a gente tem um deputado aqui conversando conosco e tentar explorar um pouquinho eh o que que acontece no dia a dia lá e como que é feita a política hoje no Brasil. Na década de 50, um sujeito chamado Raimundo Faoro publicou um livro intitulado Os Donos do Poder, que é um extenso livro e bastante importante na
área de sociologia da ciência política. E ele, acho que o principal argumento daquele livro, eh, emprestando um termo do Max Weber chamado de patrimonialismo, ele diz que, na verdade, o Estado brasileiro, entende-se Estado como governo, poder judiciário, etc., é uma extensão da vida privada. Eh, e o argumento é que isso ocorre, na verdade, desde a coroa portuguesa, que era uma extensão de Portugal, e se se instaurou burocraticamente no Brasil, institucionalmente no Brasil, uma Puxadinho da vida privada de alguns oligarcas que sempre foram donos dos poderes desde as capitanias hereditárias. você é um sujeito que começou
como militante e acabou entrando pra política. E acho que quando você faz essa transição para dentro da política, você acaba enxergando muita coisa que nós do lado de cá, acompanhando na mídia, acompanhando debate público, a gente não consegue ver. Essa análise do Raimundo tá correta, Tá correta sim. Olha, eu vou até começar com uma curiosidade, né? Eh, uma das primeiras coisas, né, que acontecem quando você chega em Brasília, quando você ganha uma eleição para deputado federal, eh, são os sorteios de gabinete, né, para qual gabinete você vai. E hoje, acho que já teve uma reforma
que mudou isso, mas antes, quando eu entrei, os gabinetes mais disputados eram os gabinetes do anexo 4, né? Tem dois gabinetes, tem dois anexos Na Câmara, né? dois prédios que tem gabinetes de deputado, um anexo 3 e o anexo 4. Os gabinetes do anexo 4 eram disputados porque eles têm banheiro, né, próprio. Você não, você não precisa utilizar o banheiro coletivo do corredor e o do anexo três, não. O nosso regimento interno prevê que se você for filho de um de um de um ex-deputado, né, ou seja, vamos supor que, né, seu pai disputou a
eleição, venceu, aí na próxima eleição ele não Quer mais disputar, lança você, o se o filho e aí o filho ganha. Eh, já começa o patrimonialismo aí, né? O próprio regimento interno da Câmara prevê que o filho do deputado tem prioridade na hora de escolher eh o seu gabinete, né? Ou seja, como se o cargo público, mesmo que a gente tenha passado por um regime democrático e que teoricamente você não tem o poder herdado, mas como se o cargo público fosse uma coisa em que você passasse de pai para filho, né? E e essa Primeira
coisa um pouco mais singela, né? Um pouco mais simbólica sobre você sobre o poder, ter uma ter uma característica patrimonialista no Brasil, se estende para todo o resto, né? a grande maioria, né, dos dos líderes do Congresso Nacional, né, daqueles que eh lideram as suas bancadas, são de famílias políticas, né? São de famílias que há muito tempo estão no poder, né? Basta a gente pensar, por exemplo, em Artur Lira, né, que foi Presidente da Câmara dos Deputados e que eh bisneto de políticos, filho de um ex-senador da República. Eh, a mesma coisa a gente vê
e em outros como os Ferreira Gomes, que também tem uma linhagem desde, né, senhores de engenho lá atrás, até políticos, deputados, senadores, governadores, boa parte deles eh descendem de de governadores ou de senadores biônicos, né, que não eram eleitos, mas selecionados ali pelo governante de de ocasião. E o próprio o próprio eh eh orçamento brasileiro, ele é sequestrado, né, por interesses privados. E eu acho que esse é um dos problemas mais graves que a gente tem no nosso país, né? A maioria esmagadora dos deputados não se elege por pautas ideológicas. Eles não se elegem com
base naquilo que eles acreditam. Eles não se elegem porque na campanha eles falaram: "Olha, eu vou defender eh o aumento do salário mínimo ou eu vou defender a distribuição de Cobertores para moradores de rua, ou eu vou defender que se endureça legislação penal, ou eu vou defender." Não, não tem nenhuma defesa de ideias, de projetos, né? Eu vou te dizer que pelo menos uns 300, 350 deputados federais são aquilo que a gente chama de centrão. É aquele cara que se elege inaugurando obra no seu reduto eleitoral. E daí a gente já começa com um problema
de educação grave no Brasil, né? A gente sabe que o último PISA mostrou que pelo menos 50% dos Brasileiros não tem o nível de português adequado para exercer a cidadania, né? Ou seja, a gente tá falando de de de pessoas que, segundo o PISA, não tem uma qualificação nem para entender direito como funciona a democracia, metade dos brasileiros, né? Não tô nem falando de uma leitura mais complexa. E aí o que acontece? As pessoas não sabem qual que é o papel de um deputado. E quando aquele sujeito inaugura uma praça, né, uma creche, asfalta a
rua Dela, ela agradece e acha que aquele deputado tá fazendo o trabalho dele, mas não é papel de deputado executar o orçamento, né? Eh, e boa parte da política hoje é discussão sobre emenda parlamentar, que é o quê? Eh, eh, a, a, a emenda ao orçamento, né? Existe um orçamento público que é votado, é encaminhado pelo poder executivo e o parlamento vota, né? E aí no Brasil a gente criou esse monstengo de emenda ao orçamento em que o deputado, né, eh eh Repassa, né, recursos para sua base eleitoral para fazer obras que deveriam ser feitas
ou pelo prefeito, ou pelo governador, ou pelo presidente da República. Então ele se elege como é que, por exemplo, a gente tem eh eh 99% ou até eu vou colocar até que virtualmente 100% da população é contra aumento de número de deputados. E como é que a gente teve uma maioria tranquila para aumentar o número de deputados se a se a população não acredita nisso? Porque a população vota num deputado que levou obra pro pra sua casa, pro seu bairro e sem se preocupar com aquilo que ele pensava, porque sequer sabia a importância do pensamento
daquele candidato, né? Então, resumindo aí a resposta, Esley, sim, né? O Faoro tem razão quando diz quando fala sobre o patrimonialismo e e diz que a nossa máquina pública tá sequestrada por interesses privados, né? Você como é que surgiu esse esse monstro de chamado Emendas parlamentares? Quando que isso começou a aparecer? Porque parece até uma fuga da do que teoricamente cada poder deveria exercer. Não seria o executivo que deveria fazer exercer, né, como o próprio nome diz, essa esse orçamento e agora tá no legislad tá crescendo toda hora. Aonde que foi o início dessa dessa
fagulha? Olha, eu acho que um um o princípio dessa disfuncionalidade, primeiro eh eh o patrimonialismo é uma coisa que já vem De muito tempo, né? Não vem da nossa constituição de 88, não vem da redemocratização, né? a gente sempre teve o o o político ou o detentor do poder sempre acreditou que aquele poder era propriedade privada dele. E não é só esse o problema. O maior problema é que o eleitor também acredita nisso. Ele acredita que o poder, mesmo que o eleitor vote, ele não entende que aquele voto é ele dando a parcela do poder,
é ele delegando aquele poder que é dele, Mas para ser exercido temporariamente por outra pessoa em seu nome. entende que o poder é propriedade, sim, daquele político e que, portanto, tudo que é feito com o poder, ele enquanto eleitor, enquanto plebeu, por assim dizer, deve ser grato por tudo aquilo que é trazido pelo poder. Então, é como se a pessoa esquecesse que ela paga imposto, que é é ela que sustenta a máquina pública, que é ela que vota, que é ela que delega o poder. E aí toda vez Que vem o sujeito, inaugura uma obra
no lugar em que ela vive, ela sente-se grata pelo próprio dinheiro dela, tá sendo gasto com ela. Uhum. Né? Agora, a disfuncionalidade das emendas parlamentares, que que é uma coisa que é uma franja do nosso patrimonialismo, mas é menos profunda do que o patrimonialismo, na minha visão, começou com a Constituição de 88. Porque a Constituição de 88 ela é uma constituição parlamentarista. Por quê? Porque quem eh eh escreveu a Constituição de 88 acreditava que a população brasileira fosse no plebiscito escolher o parlamentarismo em vez de escolher o presidencialismo. Tinha uma certeza tão grande que o
próprio regimento da Câmara, que a própria Constituição, toda ela foi desenhada em termos políticos pra gente ter um regime em que os parlamentares, a maioria dos parlamentares formam o governo. Então, aqueles parlamentares que são da base do Governo, ele eles eh eh compartilham da responsabilidade do governo, porque ah maior parte dos ministérios, né, no parlamentarismo, se não todos, são ocupados por deputados que fazem parte da base, né? E aí esses deputados eles eh eh qual que é a vantagem de você estar no governo, né? você ocupa esses ministérios e esses ministérios têm obras, t políticas
públicas e aí o seu partido e os parlamentares do seu partido vão dividir os dividendos Políticos daquele ministério. É assim que acontece no mundo desenvolvido nos países parlamentaristas, especialmente na Europa, né? Eh, só que a população brasileira escolheu o presidencialismo e a a e escolhendo o presidencialismo, eh, os parlamentares eles não têm mais a obrigação de fazer composições para o governo ter maioria. A gente tem um sistema que não funciona porque o presidente da República, Ele pode passar 4 anos sem ter maioria no Congresso Nacional e esses 4 anos continuam com um país basicamente ficando
parado porque o presidente não tem maioria. Eh, e ele constrói essa maioria com essas emendas parlamentares, porque para além dos os ministérios já não são mais suficientes para que aqueles deputados votem junto com o governo. Agora, o deputado para além de querer o ministério e cargos no Ministério e ter a sua imagem vinculada a tudo que aquele ministério faz, ele quer ele próprio ser o dono do dinheiro que vai ser executado na sua base. e o deputado tem permanentemente a ferramenta para colocar a faca no pescoço do executivo. Porque é diferente do parlamentarismo que se
o executivo não tem maioria, todo mundo vai para casa, né? E eu eu tenho um um amigo que era deputado em Portugal, chama Bernardo Blanco, Partido Iniciativa Liberal, né? E Portugal passou em 3 anos por três eleições. Por quê? Porque uma série de escândalos aconteceram, o governo caiu e nenhum partido conseguiu formar maioria para governar Portugal. E aí não é só os deputados do governo que vão para casa, todo mundo vai para casa. O deputado de oposição volta e disputa a eleição de novo, porque ninguém conseguiu formar maioria. No Brasil não, você não tem maioria,
não tem nova eleição. A população não vai pra urna de novo para, Né, falar: "Olha, se ninguém conseguiu maioria, vamos então escolher um novo partido para governar o país." Não. O a o deputado mantém o seu mandato com o governo tendo ou não tendo maioria. Então ele não tem nenhuma, o deputado da base, diferente do parlamentarismo, ele não tem nenhuma responsabilidade eh eh e por aquele governo dar certo, nenhum nenhum compromisso para que o governo dê certo. O único compromisso dele é achacar o governo o máximo Possível para em troca do voto dele ele levar
o máximo de dinheiro possível paraa sua base. E aí teve uma hipertrofia, teve um aumento demasiado dessas emendas no governo Bolsonaro. E por quê? Porque o Bolsonaro, pessoalmente, não gostava de fazer política. Ele não gostava de se reunir com deputados, com líderes partidários. Ele não gostava de ir nos estados, inaugurar obra do lado dos deputados da sua base. E aí o que que ele fez, né, Para como é que ele ia governar se ele não gostava de fazer o papel fundamental do presidente da República, que é a política, que é construir maioria para ele governar.
Ele delegou esse poder pro Artur Lira, o presidente da Câmara. E quando ele delega pro Artur Lira, né, e até um alguns deputados bolsonaristas me relatam isso, né, que a frase que ele teria dito é: "Olha, quanto vocês precisam para eu não ter essa incheção de saco? Putz! Quanto do orçamento que Eu dou para vocês para vocês resolverem o meu problema?" Aí nasce o orçamento secreto, né? operado por Artur Lira, que é o é o primeiro presidente da Câmara, que na realidade não é um presidente da Câmara, ele ele ele é o líder do governo,
o líder do governo Bolsonaro e é ele que constrói maioria. Só que a um custo, se antes emendas parlamentares já eram um problema, no governo Bolsonaro elas triplicam, quadruplicam, bate-se o recorde do governo Dilma que tava Vendendo tudo porque tava prestes a sofrer um impeachman. Então, eh, a gente tem essa disfuncionalidade hoje em que o Bolsonaro foi eleito presidente, mas ele tinha vai chutando alto 100 deputados, outros 100, vamos lá, eram de esquerda que já não iam apoiar Bolsonaro de qualquer jeito, mas 300 deputados não eram nem de esquerda, nem de direita, eram do centrão
em que você precisa pagar a emenda parlamentar para ele votar junto com você. Mesma coisa o Governo Lula. Ah, hoje tem o quê? 100, 120, 150 deputados de esquerda que votam ideologicamente com o governo Lula, mas ele precisa comprar com emendas o voto de outros 200 parlamentares em que o próprio eleitor do Lula votou no Lula, mas votou no deputado do centrão, sem ter a consciência de que aquele cara do centrão só existe para chacar o presidente que ele que ele elegeu. A mesma coisa no governo Bolsonaro. Uhum. E aí, como agora a gente tem
essa Hipertrofia de emenda, seria o equivalente a um a a uma a um uma família que começou a ganhar muito mais um salário, né, muito mais robusto, melhorou a qualidade de vida, melhorou o estilo de vida. É muito difícil voltar, né? Exatamente. Para desmamar isso aí é um trauma, né? Porque ninguém quer abrir mão de poder. Imagina, olha, eu eh eh existem as emendas, né, impositivas individuais. Essas são as emendas que são pagas para todos os deputados Obrigatoriamente, independentemente de como ele vote, né? Então, deputados de oposição indicam essas emendas impositivas. Quando eu entrei em
2019, eu tinha R$ 15 milhões deais por ano para fazer essas indicações para escolas, hospitais, enfim, aqui no estado de São Paulo. Hoje eu tenho 40 milhões de emendas impositivas individuais. E isso que eu sou um deputado de oposição, eu recebo isso de qualquer maneira. Deputados da base do Governo que recebem o que foi que é chamado de orçamento secreto chegam a receber aí 100 a 200 milhões por ano paraas suas bases eleitorais, dependendo da sua importância, né? Então, o líder partidário ganha mais, o presidente da Câmara ganha mais, o presidente do Senado ganha mais.
Mas assim, eh eh por baixo, né? por baixo, um deputado da base do governo tem o dobro triplo do que um um deputado de oposição indica, né? Então, para voltar atrás com isso é Muito difícil. Eu acho que só com a gente vivendo uma crise tão profunda ou um escândalo envolvendo emendas tão grande que force os parlamentares a recuar. E isso não é, a gente já viu isso na história. Eh, eh, você teve dois escândalos com emendas parlamentares que ficaram muito famosos e que fizeram momentaneamente os deputados, né, eh, recuarem nas suas próprias emendas, que
foi o escândalo dos anões do orçamento e o escândalo das sangue sugas, né? dos Anões do orçamento envolvia uma máfia ali que tinha até os próprios servidores da Câmara dos Deputados da Comissão de Orçamento levando propina ali nos repasses de emenda parlamentar e o escândalo das sangue sugas era um desvio de emendas paraa saúde, salvo engano, especialmente para ambulâncias, que tanta gente foi presa, tanta gente foi foi pega nesse escândalo, que aí o Congresso fica com medo e recua por um tempo, fica abaixo até voltar e colocar As fora de novo. Agora, alguns escândalos têm
pipocado, né, em relação a essas emendas. Eu me lembro na na legislatura passada, ainda no governo Bolsonaro, que um deputado da base do governo eh eh tinha mandado emenda pro município e aquele e o município ele tem limite, né, de de do o teto do que que ele consegue receber paraa saúde, por exemplo, que é a capacidade de execução que ele tem, né? E aí um município, para inflar a sua capacidade de execução Declarou que tinha extraído 23 dentes de cada habitante para receber os aqueles recursos de saúde. E aí obviamente que chega lá a
polícia e vê que a cidade não tá banguela, né? Se a cidade não tá banguela, o município mentiu. Muito bom. Ô Kim, e aí como é que faz? Só pr pr pr pra gente que a gente só acompanha a política de fora ou mesmo quem aqui tá assistindo no podcast e não acompanha política, né? Essas emendas caem na mão do deputado. O Deputado ele pode destinar para a onde bem entender, ou ele ou ele precisa destinar de acordo com a demanda daquela localidade, tipo um lugar que não tem ambulância, o cara pode construir uma praça
e de certa forma isso é uma compra de voto. Olha, são duas compras de voto, na verdade, né? Porque é o presidente da República comprando o seu voto, né? eh com emenda e você comprando voto do seu eleitor com a sua com a sua emenda, né? Eh, então, e não tem critério nenhum que você falou: "Olha, uma cidade que não tem ambulância pode receber praça, pode receber um show de R$ 30 milhões deais eh enviados por um deputado, por uma prefeitura fazer esse show sem que aquele eh sem que aquela cidade tenha eh eh esgoto
tratado, né? e isso acontece muito. Eh, então não tem nenhum não tem nenhum critério de eficiência, não tem nenhum critério de eh eh prioridade, nem nada disso, né? A maior Parte dos deputados mandam para aqueles prefeitos que colocam os seus vereadores e os seus secretários para trabalhar na época de eleição para eleger aquele deputado. E aí ele vai mandar para aquilo que considera que dê mais voto naquela cidade, né? E e muitas vezes, né? Infelizmente, mais uma vez, como a gente tem uma população em que metade não tem capacidade mínima de leitura, muitas vezes aquilo
que dá voto, que é o que a população quer, não é aquilo que a População precisa, né? Então, eh eh uma festa imensa no município pode trazer mais voto e mais felicidade paraa população do que você eh tratar o esgoto, que é uma obra que ninguém vê porque tá debaixo da terra, né? Eh, então isso isso isso acontece muito sim. Eh, eh, e é exceção, né, você ter parlamentares, por exemplo, eu não me elejo com base em emenda, né, então eu faço o o melhor uso e o uso mais eficiente das emendas que eh eu
consigo, Né? Então, financio eh eh pesquisa contra eh câncer eh no hospital de de câncer de Barretos, né? a gente tenho dois ou três artigos científicos publicados, né, sobre eh eh colonoscopia para identificar, né, câncer, que eh pesquisas foram financiadas com emenda, vacina contra o craque também da Universidade Federal de Minas Gerais também, que eu mandei mandei R$ 5 milhõesais em emendas. Mas a regra não é essa. A regra e aliás tem um estudo que Mostra que o centrão, quanto mais pobre e menor o município, mais ele vota no centrão, mais aquele deputado tem o
poder de mandar naquele município, na política daquele município e fazer com que trabalhe aquele município trabalhe pra eleição dele, né? Uhum. Então, o que você tá pintando aqui pra gente é que o debate, embora ele se polarize e se tribalize entre principalmente Bolsonaro e Lula, direita e esquerda, e que é um debate Que precisa existir para que eh a tese, as teses e as antíteses se choquem e vão criando novas sínteses pro pro debate público avançar e o debate técnico avançar. é assim que se constrói ciência, assim que se constrói tudo, eh, que envolve algum
aspecto de intelectualidade, etc. Mas apesar do debate hoje ser entre figura de Bolsonaro e Lula, principalmente, ou direita e esquerda, pelo que você tá pintando aqui, o problema do Brasil é o Centro. Isso. Eu acho que eu acho que um dos principais problemas sim é o centrão, porque é isso, ele não tem ele não tem compromisso com nada, ele não tem crenças, ele não tem visão de país. Eh, eh, eu vou até narrar um episódio aqui para você. O, o tem temos um vereador do movimento Brasil Livre, Israel Russo em Pouso Alegre. Não sei se
você viu esse caso, né? Ele é um vereador da oposição. Achei Eu achei que era mentira. Eu falei: "Não é possível que isso aconteceu, cara". Aí eu fui ler a matéria, eu falei: "Caramba, bicho". Então ele é o vereador de oposição, né? O prefeito mandou um projeto para criar 33 cargos. Ele apresentou uma emenda para mudar para sete cargos. O líder, o vereador líder do governo tara, tava fora da Câmara, é quem orienta no painel. Ó, o governo é para votar sim, o governo é para votar não. Ele não tava lá. Aí o o Israel
Russo como vereador de oposição orienta a oposição para votar não ao próprio projeto dele, a própria emenda dele para confundir os deputados da base que só olharam o não, falou: "Ó, se a oposição votou não, o governo é sim, né?" Então o governo votou sim e aprovaram a emenda dele. E eu digo para você que esse é o retrato também do centrão em Brasília, no Congresso Nacional. A maioria dos deputados não lê os projetos que eles votam. Eles olham pro painel, como é que Meu partido orientou? como é que o governo orientou, como é que
a oposição orientou e vota junto assim, assim, não tem não tem eh existem alguns eh poucos deputados que fazem um debate de mérito, que leem aquilo que é votado e que existe até uma margem de convencimento para se você chegar, né, num meio termo razoável. Existe gente que sim que é qualificada e que se aprofunda e que é especialista em determinados temas e que eh existe um um debate rico de Bastidores que a gente não vê nos microfones da TV Câmara, porque eh eh quando você tá usando a tribuna, quando você tá discutindo ou mesmo
no microfone de comissão, a regra não é você estar falando com os seus colegas parlamentares, a regra é você estar fazendo no discurso para fora, porque a maior parte das construções de texto, de aprovação, de rejeição, de obstrução, isso é feito nos bastidores. Tanto que antes nós temos as comissões da Câmara, Que é onde a maior parte dos projetos tramitam, comissões temáticas, né, saúde, educação, segurança e etc. A regra é que praticamente todas as comissões você tem um café da manhã antes da comissão que reúne os deputados daquela comissão para dizer: "Olha, isso aqui, esse
projeto aqui tem tanta rejeição que a gente até vai tirar de pauta. Esse tem tanto acordo que ninguém nem vai discursar, vai ser aprovado simbolicamente. Esse outro tem essa Divergência que se alterar tem maioria para aprovar, mas não é consenso, então vai ter debate, vai ter obstrução. Então, existe o isso foi uma coisa que me surpreendeu positivamente, né? Porque às vezes a gente acha que a Câmara é só a vacalhação que a gente vê na TV Câmara, mas tem um debate de mérito e técnico com eh alguns parlamentares que entendem do assunto, que têm visão
de mundo e que tem preocupação de discutir os textos da lei, das leis e que e que Negociam, né? Me vem à cabeça um exemplo agora. Tem um deputado que chama-se Zacarias Cali, um deputado de Goiás e que ele é um cirurgião que é que tem a capacidade de separar gêmeos e a meses, né? Ele se tornou conhecido por causa disso. Até brinco que ele é o Ben Carson brasileiro e é um cara que entende muito de saúde, é um cara que entende muito do do do seu setor, que faz um debate rico de mérito,
que é que é respeitado por isso, né? Eh, então existem, né, Parlamentares que fazem um debate sério, mas a regra é o sujeito nem ler o que ele tá votando e às vezes ele lê e não e nem entende. Você diria qual a porcentagem que faz um debate sério aí dos 513, uma porcentagem chutando assim que que que você acha que o sujeito lê, entende o projeto, sabe analisar o mérito, não só lê entende o projeto, mas sabe analisar o mérito, conversa com os assessores. Se a galera de sabe de casa não sabe, cada deputado
Tem uma verba para contratar diversos assessores. Então, mesmo que o deputado não entenda daquela pauta específica e e sem falar que deputado tem um monte de prerrogativa para chamar um monte de gente para perguntar também, né? Eh, não sei se fazem, mas qual que você chutaria aí que é uma porcentagem de deputados hoje do parlamento que consegue ler, entender e debater mérito? Olha, eu colocaria 20%. Caramba, cara. 80% não lê, não se Interessa, só quer saber o governo tá pagando para votar ou o governo não tá pagando para votar. É isso que interessa. E aí
usa aquele espaço para fazer o show e que que não tem problema ter o show. Tem que é o que tá acontecendo. Se você não fizer, você não alcance e tal. O problema é quando é só o show e não tem o debate atrás. Exatamente. Exatamente. Que é uma coisa que eu costumo dizer, né? Eh, eu sou um deputado de redes sociais. Eu sou um Deputado que na eleição faz um monte de palhaçada, né? E eh abertura de anime, vídeo dançando, desafios de teve, eu fiz uma vaquinha, né, para coletar a doação paraa minha campanha
e [ __ ] um dos desafios era eu ficar no carro de drift fazendo live e gritando, enfim. Eh, mas o ponto é você colocar as redes sociais, os vídeos, o espetáculo como um instrumento para você conseguir ter o poder de implementar suas ideias e aquilo que você acredita, né? Ou seja, Para você ter um mandato e aquele mandato tá a serviço daquilo que você acredita e de aprovar e de mudar o país de acordo com a sua visão de mundo. E não o contrário. E não você utilizar, e eu vejo muitos parlamentares fazendo isso,
utilizar o mandato como um instrumento para você crescer em rede social. Aí você transformou a sua rede num fim em si mesmo, né? E e na minha visão, ela é um meio, um meio paraa gente atingir o poder, para uma vez Atingindo o poder, comunicar aquilo que a gente quer fazer, porque que aquilo é bom pro país e ter o poder efetivo de de promover uma mudança real, né? Eh, eh, a minha preocupação pessoal, que é eu acho que em parte é altruísmo, em parte é vaidade, é deixar um legado, né, eh eh pro meu
país. E isso implica, né, eu, eu promover alguma mudança estrutural, né, nas nossas leis. e eu ser lembrado por isso e eu receber os méritos por isso na história. Eh, se eu morrer com, sei lá, 30 milhões de seguidores em menos de uma geração, vai até uns 5 anos, já todo mundo esqueceu, já não sou mais influenciador, já não tenho mais like nada, né? Não, não tem legado. Eu fiquei grande, fiquei famoso no meu período de vida, passou aquilo, não deixei nada para trás. Isso para mim é muito fútil, isso é muito vazio, mas infelizmente
tem muita gente que se nebria por isso e que e que e que fica viciado como se fosse uma droga e começa A utilizar o o mandato para se perpetuar nesse vício, né? Perfeito. Ô Kinho, você eu vi uma entrevista sua estudando aqui para fazer elaborar pauta que você critica enfaticamente a Constituição de 88. Eh, o qual que é a tese por trás dessa crítica, não só do ponto de vista teórico, mas considerando o nosso escopo do podcast, que é a política aí dentro da Câmara dos Deputados. Por que que a Constituição de 88 na
sua análise não tá funcionando para para Brasil, considerando que você vive lá dentro das? Ela impede que as coisas aconteçam, porque tudo tem que ser PEC. Qual que é o caminho aí? É, acho que o primeiro ponto ou o o o primeiro ponto de fracasso do ponto de vista político da nossa Constituição é que em qualquer país desenvolvido, o presidente da República, o primeiro ministro, ele governa tendo a maioria do parlamento, ou seja, 50% mais um, que no Caso da Câmara dos Deputados são 257 deputados. No Brasil, o presidente da República, mesmo tendo maioria, não
consegue governar, porque todo assunto que o presidente queira tratar tá na Constituição. E a Constituição exige, né, um quórum qualificado de 3/5 para alterar a Constituição, né? Ou seja, 308 votos, uma maioria de 257, tá bem distante de uma maioria de 308. Então, primeiro problema político da Nossa constituição é todos os temas são tratados na constituição. Quando eu digo todos, eu tô falando de todos mesmo, né? Então, se você quer mexer no sistema tributário, constituição, previdência, Constituição, saúde, Constituição, Educação, Constituição, tudo passa eh eh pela Constituição, né? E isso faz com que você não consiga
formular políticas públicas com uma maioria simples no Congresso Nacional de 257. Se a gente soma isso, a lógica Patrimonialista da qual a gente acabou de conversar de que você compra o voto do deputado com emenda para governar, fica muito mais caro você governar, porque você não precisa só dos 308, você precisa de uns 350 para ainda ter uma margem para você não não ter susto na hora de abrir o painel e votar, né? Então você precisa ali de 350, 380 deputados quando num mundo eh eh ideal. né? E nem tão ideal assim, porque é como
funciona na prática na maior parte dos Países sérios. Você governaria com seus 257, vai 270, 280 deputados, precisa de 350. Então é altamente disfuncional. Qualquer mudança é muito custosa, qualquer mudança é muito demorada, qualquer mudança é é muito traumática, né? Eh, e o outro ponto é de do próprio conteúdo. Não é como se a gente tivesse jogado a educação, a saúde, os tributos e a previdência paraa Constituição e a seguridade social Com um bom texto. Não. Além do erro de forma da gente ter políticas públicas na Constituição, quando ela deveria est eh em lei ordinária,
que, aliás, o próprio nome constituição remete a a a do que que o Estado é constituído, né? Ou seja, as diretrizes básicas fundamentais para existir uma república com democracia, com uma federação, não entrar em detalhes de tudo aquilo que que que vai funcionar como política social, por exemplo, daquele regime. Mas voltando, Eh para além do erro dessas políticas estarem na Constituição, o próprio texto dessas políticas é ruim. A gente fracassou em todos os setores, né? Quando se compara o Brasil com os países do sudeste asiático, países que eram muito mais pobres, países que tinham uma
mão de obra muito menos qualificada, que tinha um analfabetismo maior, que tinha menos saneamento básico, que tinha menos segurança, países que saíram destruídos Da guerra, assim, eh hoje o Brasil apanha de praticamente todos os países sudeste asiático no PISA. Se você pega um aluno de uma escola no Brasil que custa R$ 5.000 por mês, o resultado dela em matemática é pior do que o estudante mais pobre do Vietnã. Então assim, é é uma tragédia humanitária. Segurança pública, eu não preciso nem falar, né? E eh todo mundo hoje fala sobre segurança e e reconhece O estado
de guerra civil que a gente vive. Não, só a gente tem o domínio do crime organizado, que hoje governa mais pessoas do que muitos governadores, né? Hoje tem milhões de pessoas que moram em territórios dominados pelo crime organizado, eh, e que dá mostras de poder publicamente, né? Aí organiza shows, baile funk, pancadão, com assim milhares de pessoas com fuzil para cima, com um cantor cantando hino de facção criminosa. Mas a o próprio crime Desorganizado também dominou, né? o assalto, o furto, assim, eh eh é um negócio generalizado. E a gente tem uma realidade em que
o cidadão que é roubado fica mais tempo na delegacia do que o bandido pego em flagrante na audiência de custódia, né? Eh, e uma vez que o sujeito é punido, que é assim uma porcentagem muito pequena, você tem uma ideia, o o o índice de esclarecimento de roubos já chegou a ser 2%, ou seja, 98% sequer são esclarecidos e dos 2% a gente Nem tá entrando no detalhe se aquele sujeito foi condenado ou foi preso. Só tô dizendo que na fase do inquérito policial descobriram que foi ele, mas não tô dizendo que ele ficou preso.
E então é um negócio e para e para e para mexer em qualquer coisa dessa de envolvendo endurecimento penal, qualquer coisa, demanda mexer em constituição, demanda PEC, demanda 3/5 e aí é todo esse esse rolê. É o o se você mexer no Código Penal, no Código de Processo Penal, você não precisa de 308. Mas, por exemplo, a uma questão que foi muito debatida e que foi mudada pelo Supremo, prisão em segunda instância, é PEC, né? E é o sujeito ser condenado, eh, o sujeito ser preso a partir da condenação em segunda instância depende eh eh
da aprovação de uma PEC. Então, eh eh ou então uma coisa que é tem sido muito defendida pelos governadores, que é os próprios estados poderem decidir sobre legislação penal, processual penal, que E e política penitenciária, que é uma coisa que eu defendo, até porque paralelo que a gente tem aos Estados Unidos, né? Não não existe outra federação do tamanho do Brasil com o modelo político do Brasil que não seja os Estados Unidos. E lá, eh, bom, cada estado eh, e aqui assim o, o o, assim como nos Estados Unidos, no Brasil, cada estado tem uma
realidade muito diferente um, um do outro, né? E e e as nossas assembleias legislativas não têm Competência para legislar sobre nada. os nossos deputados estaduais, é o orçamento do estado, nome de ponte viaduto. E que é isso assim, eh eh legislação de trânsito, o estado não pode definir comercial, o estado não pode definir eh penal, o estado não pode definir processual penal, não pode definir penitenciária, que a maior parte são administradas pelos estados, eles próprios não podem definir a própria política. Eh, então, além de serem Realidades muito distintas, você não tem poder nenhum paraos deputados
estaduais, que são aqueles que teoricamente têm um conhecimento maior e uma vivência maior eh sobre o Estado do que o deputado federal ou senador. Eh, então é é disfuncional em todos os sentidos. Não existe nenhuma área que, graças à nossa Constituição, nos últimos 40 anos, o Brasil tenha se destacado. Por isso que eu defendo uma nova Constituição do zero. Não é uma reforma aqui, outra Reforma ali. A nossa Constituição fracassou completamente. Abusos do Supremo Tribunal Federal. Eh, muito tá na nossa Constituição. Eu vejo alguns deputados influenciadores, jornalistas de direita falando: "Olha, é só derrubar o
Alexandre de Moraes que tá resolvido o problema. É só punir tal ministro que tá resolvido o problema". Não tá. O problema não tá em um ou outro ministro do Supremo. O problema tá nos poderes que a própria Constituição brasileira dá Pro Supremo. Então, por que que todo o assunto para no Supremo? Primeiro, primeiro ponto, tá tudo na Constituição. Então, se tudo que tá na Constituição, eu posso provocar o Supremo. Se tudo, se tudo, se todos os temas da, da sociedade estão na Constituição, posso provocar o Supremo por qualquer coisa. Outro ponto, o número de legitimados
para provocar o Supremo. O número de pessoas que t a capacidade de entrar com processo que imediatamente vai ser analisado pelo Supremo sem passar por nenhuma outra instância. É, o Brasil é o país que mais tem legitimados. Qualquer partido político com um deputado federal ou um senador pode entrar com uma ação de inconstitucionalidade ou de declaratório de constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. Então, vamos supor, 512 deputados votaram a favor de uma lei. Um discordou. Esse um tem o poder de provocar o Supremo Tribunal Federal e reverter esse entendimento. Mas vai Além, não é só partido.
Sindicato tem o poder de provocar o Supremo. Associação de atua de âmbito nacional tem o poder de provocar o Supremo. Todos os governadores têm o poder de provocar o Supremo. Todas as mesas de Assembleia Legislativa tem o poder de provocar o Supremo. Então assim, é óbvio que com tanta gente podendo provocar o Supremo, qualquer derrota para qualquer um desses desses legitimados vai chegar no Supremo e o Supremo vai decidir em cima da Daquela lei, né? Então o outro ponto é restringir ao máximo o número de pessoas que podem eh provocar o Supremo Tribunal Federal, né?
Eh, e mais do que isso, o Brasil é o único país que tem dois modelos ao mesmo tempo de controle de constitucionalidade. É o modelo anglo-saxão, americano, inglês, eh, e o modelo europeu. Eh, o que que eu quero dizer com isso? O modelo europeu é existe uma lei e eu acho que aquela lei é inconstitucional, então eu provoco o Supremo para decidir sobre a constitucionalidade daquela lei. Esse é o controle abstrato, né, eh, de constitucionalidade. O controle feito nos Estados Unidos, na Inglaterra, que é o controle concreto, né, ele é o seguinte, olha, tem um
caso concreto, né, esse caso foi julgado por um tribunal, aí foi julgado por outro, subiu pra Suprema Corte. Esse caso concreto traz uma questão que envolve a Constituição e é relevante o Suficiente para eu gerar efeitos, não só para aqueles que são parte daquele processo concreto, mas para todos os outros processos. Aí você tem o controle de constitucionalidade concreto, baseado num caso concreto, baseado em partes que estão discutindo um caso concreto, mas aquele caso concreto remete a uma questão maior que é uma lei em relação à Constituição. No Brasil, esses dois sistemas estão em vigor
ao mesmo tempo. Qualquer juiz de primeira instância pode Declarar a inconstitucionalidade de uma lei para gerar efeitos num caso concreto. Assim como 1 milhão de legitimados que a gente acabou de falar, podem provocar o Supremo para julgar uma lei em abstrato. Então o judiciário aqui desde a primeira instância já tem muito poder. Uhum. Para chegar nos tribunais superiores. É, é pior ainda. E o nosso Supremo ainda concentra o poder de julgar as leis e de julgar os políticos. Então, ao mesmo tempo que o Congresso Nacional deveria exercer o controle sobre o Supremo, então, ó, Supremo,
você abusou do seu poder, o Senado vai te punir. Eh, o Supremo que julga os senadores. É, exatamente. O cara fica com pis em ovos, né? Como é que esse cara vai começar a peitar um ministro supremo se é difícil? Ainda mais que, sei lá, boa parte dos senadores aí devem ter algum rabo preso, né? Difícil. Exato. E aí? E aí você olha, vamos comparar com os Estados Unidos, não tem Foro privilegiado. Então o político vai ser julgado pela primeira instância, não vai ser julgado pela Suprema Corte. Na Europa existe foro privilegiado, mas a Corte
Constitucional ela não tá no judiciário. A Corte Constitucional ela é autônoma. Quem julga o político é outra corte, ou uma corte eh eh comum ou uma corte especializada em julgar quem tem foro. Mas essa corte não concentra o poder de julgar constitucionalidade. Só aqui mais uma vez é que a gente tem Uma corte que concentra os dois poderes. Perfeito, Kim. Eu acho que eh aproveitando o tempinho que a gente ainda tem, eh eu vi recentemente um relatório da Câmara dos Deputados, salvo engano, alguma consultoria da Câmara, não não sei exatamente quem que produziu, mas estava
no no site da Câmara dos Deputados, eh apontando um estrangulamento das contas públicas em 2027, salvo engano, que começaria a verba, o gasto Obrigatório a a comer o 100% do que tem hoje de de faturamento, né? Você pode explicar mais ou menos pra gente o que que é isso e quais as áreas que seriam impactadas, o que que é o gasto discricionário, obrigatório, as porcentagens, pra gente entender um pouco melhor esse cenário? Claro. Aliás, até retomando uma coisa, né? Você falou: "Olha, o deputado tem assessores, ele também tem acesso a especialistas que não são seus
assessores." O concurso Para consultor do Congresso Nacional, tanto do Senado como da Câmara dos Deputados, é o concurso mais concorrido do Brasil. é mais do que juiz, é mais do que promotor, é mais do que o Rio Branco, é mais do que a diplomacia, que é um dos mais concorridos do Brasil. A consultoria legislativa da Câmara, ela é muito qualificada. A gente tem especialistas em todas as áreas, né? Porque cada comissão da Câmara tem seus consultores especializados. Então, tem Especialista em saúde, tem especialista em infraestrutura, tem especialista em meio ambiente. A consultoria de orçamento da
Câmara dos Deputados, ela é extremamente competente, é ela que produziu esse relatório. O governo negava o que o que a consultoria e eh colocou nesse nesse relatório até chegar ao meio do ano agora e o próprio governo Lula mandar um projeto de lei de diretrizes orçamentárias reconhecendo não só que a consultoria tá certa, mas Que esse estrangulamento do orçamento pode acontecer antes. Por isso o desespero do governo agora de aumentar o IOF, de tributar eh letra de LCA, LCI, né? Eh, porque que o que que vai acontecer? A gente tem despesas obrigatórias que são aquelas
que a Constituição obriga o governo a gastar com aquilo, né? Eh, então você tem algumas despesas de seguridade social, previdência, folha de pagamento, o piso da educação, o piso da saúde. Hoje já é uma situação bizarra. 92% do orçamento é obrigatório. Ou seja, o presidente da República, de tudo que é arrecadado no Brasil decide só para onde vai 8%. Nãoé? E nesse 8% tem despesas que a gente chama de discricionárias, ou seja, opcionais, por assim dizer, mas que na prática são obrigatórias, como conta de luz de prédio público, conta de água de prédio público. Então,
mesmo discricionário não é tão discricionário assim. E é uma parcela muito pequena, Porque primeiro, historicamente, a gente já tem uma constituição que engessa muitos gastos, né? E inessa não só pro governo federal, pros estados e pros municípios também. É muito comum, mas muito comum você encontrar município que precisa de dinheiro na saúde, mas tá sobrando dinheiro na educação. Aí ele não pode, ele não pode repassar o que tá sobrando da educação paraa saúde por causa do piso da Constituição. E aí ele precisa inventar maneiras De gastar aquele dinheiro, porque se ele não gasta, ele tá
cometendo crime, car. Ele é obrigado a gastar, mesmo que de maneira irresponsável e incompetente. Então, tem prefeito que troca todos os computadores de todas as salas de aula, todos os anos para gastar o dinheiro. Eu conheci o caso de um prefeito que cometeu uma ilegalidade em nome do bem. Veja só, foi o seguinte, eh, tinha muito dinheiro para educação, só que tava faltando pro básico, né? Tinha muita rua de chão batido. Então, tinha uma escola e não era asfaltada, assim, os arredores dela não eram asfaltado e o prefeito não tinha dinheiro para asfaltar. Quer dizer,
ele tinha, mas não podia gastar porque aqui ele tava carimbado paraa educação. Ã, os professores concordaram em fazer um acordo com ele, que é uma que é ilegal, que eles não podem fazer esse acordo. Mas qual que foi o acordo? O prefeito pagava um bônus pros Professores e aí os professores doavam o bônus pra prefeitura, pra prefeitura asfaltar os arredores da escola. Transferiu a verba. É isso. É ilegal, porque na prática ele tá fraudando o piso da educação. Ah, mas você entende que é é irracional você ter essa vinculação, ainda mais quando em 2026 o
número de idosos vai superar o número de jovens. Então, cada vez, só para falar de educação e saúde, cada vez menos a gente vai ter que gastar com educação e Cada vez mais com saúde. Não faz sentido você estabelecer pisos, mas aí qualquer mudança nos pisos é o esquerda assim estrebuchando, dando pulo de metro, falando: "Vocês querem sucatear a educação, vocês querem sucatear a saúde". E aí tem que ser PEC também. E não, e aí tem que ser PEC também. Exatamente. Aí é uma barulheira, né? Porque para aprovar é difícil, né? É, é, é um
negócio assim, eh, eh, eh, absurdo. Só que o argumento de que precisa ter Piso, senão não vai ter dinheiro é falacioso, porque não existe, por exemplo, piso constitucional para programa social. E a despesa que mais aumentou proporcionalmente nos últimos 20, 30 anos foi com assistência, foi nos programas sociais. O Bolsa Família não é despesa obrigatória, mas ele triplicou, quadruplicou de valor por uma necessidade que enxergada pelos governantes de política pública de que ele precisava aumentar e não é Obrigatório. Ou seja, isso só mostra que não precisa ter um piso para obrigar o governante a gastar
com X, YZ. É a própria população que tem que eleger um cara que vai falar: "Olha, eu vou gastar com isso, eu vou gastar com aquilo, vocês vão me eleger, me deixem governar, vocês confiam em mim, eu vou administrar da melhor maneira possível". Então, mais uma vez, quando você compara com outros países, o gasto obrigatório eh eh no máximo, no máximo é 60%. 40% o Governante tem liberdade de decidir para onde o dinheiro vai. no Brasil é oito. E o esse relatório produzido pela consultoria de orçamento mostrou que os gastos obrigatórios estão avançando tanto que
em 2027 vai ser 100%. Ou seja, não vai ter, se o presidente quiser 10 centavos para comprar um chiclete, ele não vai ter. E isso significa que todas as áreas que não t despesa obrigatória prevista na Constituição vão receber zero. O que que seriam mais ou menos Elas? meio ambiente, segurança pública, bolsa família, zero zero de recursos para tudo isso, porque não estão previstas na infraestrutura zero. E por que que vai chegar no Senkin? Qual que é a lógica de ir comendo esses 8%? Porque vamos lá, o desenho que foi feito pelo e eh governo
Lula, somando a PEC da transição, a PEC da transição revogou o teto de gastos, né? O que que o teto de gastos previa? O governo só pode gastar o que gastou no ano anterior corrigido Pela inflação, né? Ou seja, ele só gasta teoricamente a mesma coisa em termos reais. Gasta mais em termos nominais, mas a mesma coisa em termos reais. Eh, e aí isso limitava o piso da saúde e da educação, porque eh agora o governo, se quisesse gastar mais com saúde ou com educação ou com qualquer outra área, precisava tirar de outra área e
realocar para lá, né? Ou seja, precisa fazer um remanejamento. Ele não podia mais se endividar para gastar mais com uma área Ou com outra, como acontece hoje. Eh, quando o governo Lula então revoga ao teto, volta a regra anterior do piso que vincula o gasto com saúde e o gasto com educação a receita corrente líquida. Ou seja, quanto mais o governo arrecadar, mais ele é obrigado a gastar com saúde e com educação. Ainda que ele não precise ou ainda que não queira, ou ainda que não seja a melhor política pública no momento. Outro ponto é
o seguinte, o arcabolso fiscal, como é que funciona o Arcabolso fiscal do Hadad, que foi vendido como uma medida, como um novo teto, uma medida de responsabilidade fiscal, mas eu vou mostrar aqui para você como não tem nada de responsabilidade fiscal, como é o contrário. O arcabolso diz o seguinte: o governo pode gastar 80% do aumento da corrente da receita corrente líquida do exercício anterior, ou seja, 80% do que o governo arrecadar a mais, ele pode gastar. Só que esses 80% são corrigidos por um piso e por um teto. O piso é de 0,6% real.
Ou seja, o governo todos os anos é obrigado a gastar a inflação, o que ele gastou no ano anterior, mais a inflação, mais 06%. mesmo. Esse é o piso de gasto. Mesmo que a nossa arrecadação caia, vamos supor que o PIB caia 10%, o Brasil obrigado a gastar, que gastou no ano anterior, inflação 06. O limitador de gastos é a banda superior Do arcabolso, que é 2,5%. Então, se o aum se 80% do aumento de arrecadação significar um aumento real superior a 2,5, eu só posso gastar 2,5. Qual que é a questão? A gente nunca
vai bater esse teto. A gente nunca vai crescer nesse com o cenário atual, a gente nunca vai crescer a ponto de ter, né, um gasto superior a a 2,5%. Então, o que que a gente a gente tá vivendo, né, de da obrigatoriedade de se gastar mais do que no ano passado, Mesmo quando a gente vai mal. Uhum. E veja só, o aumento de gasto, ele não é vinculado ao aumento de PIB, ele é vinculado ao aumento de arrecadação. Então, o país pode ir mal, mas se o governo tiver arrecadando bem, ele precisa gastar como se
o país estivesse indo bem. E aí a tese é que esse gasto, porque deve ter uma tese para sustentar esse argumento. A tese é que esse gasto vai aumentar o giro da economia, vai Industrializar, vai não sei o quê, né? Essa é a tese. É isso. É isso. A tese é: olha, o teto de gasto não faz sentido porque em tempos de crise a gente também precisa gastar para sair da crise. Uhum. e o em tempos de bonança, aí a gente gasta livremente. Só que é é meio que um é um keinesianismo deturpado, né? Porque
o o keinesianismo de maneira superficial, né? Ele diz o seguinte: "Olha, quando o país vai bem, passa a caixa, né? Guarde o dinheiro. Eh, quando O país vai mal, gaste aquele dinheiro que você que você guardou". No, no caso do petismo é quando o país vai mal, quando o país vai bem, gasta que você tá indo bem. Quando o país vai mal, gasta mais ainda, que é para deixar de ser e é um gasto ineficiente muitas vezes, né? E aí que tá o problema também, porque não se apoia nem na tese, na própria tese, né?
A gente não tem o controle do, a gente não chegou num nível de civilização, nem De controlar o quanto é gasto. Para chegar no nível de controlar como é gasto, a qualidade, a gente tá muito longe disso. Principal diferença do Brasil para países envolvidos em relação à eficiência de gasto público e a serviço público é que a gente não responsabiliza nem político nem gestor pela qualidade dos serviços. Então eu posso gastar, por exemplo, AAD na gestão do Ministério da Educação quadruplicou os gastos com Educação e a gente piorou no PISA. Ou seja, a gente gastou
quente, teve a capacidade, imagina você, Eslle, vamos supor que eu que eu que você ganha X e aí eu falo: "Eeslin, o sua missão é usar roupas melhores, então eu vou você vai ganhar 4x agora". Você tem a capacidade de gastar quatro vezes mais e vir vestido pior do que você vestido antes. Uhum. É assim, é um negócio Então vai lá, compra um carro, você consegue comprar um carro pior, com quatro vezes Maior o custo e ninguém é responsabilizado, ninguém perde os direitos políticos, ninguém é demitido, ninguém é preso. País sério, desenvolvido, nesse nível de
de incompetência, não, eu não tô nem falando de cometer crime, não tô nem falando de colocar dinheiro no próprio bolso, de ser canalha, de ser mau caráter, tô falando de ser incompetente. competência em país sério dá punição séria. Mesmo que o sujeito não seja um Mau caráter, se ele é incompetente, ele é punido. Uhum. Aqui educação, nenhum secretário de de educação é responsabilizado, nenhum diretor de escola é responsabilizado. Os sindicatos dos professores são contra avaliações independentes do desempenho dos alunos em sala de aula para eles também não serem responsabilizados. Mesma coisa acontece no setor de
saúde, um grande desastre. Nenhum diretor de hospital responsabilizado, ministro não é Responsabilizado, secretário de saúde não é responsabilizado. Em nenhum setor você tem essa análise. E como os nossos gastos são obrigatórios, mesmo que a gente tivesse análise de qualidade, a gente não poderia mudar os gastos porque eles são obrigatórios. É, pois é. Exatamente. Daí, daí a minha defesa e a necessidade de ter uma nova constituição, voltando para que a gente estava falando antes. Perfeito. E aí, o que que pode acontecer nesse cenário Kim De de despesas? Sei lá, vamos assumir que entre um governo de
direita ou esquerda e por questões de política não consiga fazer um movimento muito importante, embora se o país começar a dar uma colapsada, acho que vai ter força política para isso, mas hipoteticamente vamos num cenário que não consiga. Aí o que acontece? O governo vai ter que emitir títulos, pegar mais, se endividar mais e e isso mexe inflação, mexe um monte de coisa, Mexe taxa de juros. É mais ou menos para esse cenário. Nesse que que o relatório de 2027 ele apontou, qual qual que seriam os desfechos assim? Então, na verdade, nem empréstimo o governo
consegue fazer, porque a gente tem uma norma na nossa Constituição chama regra de ouro. A regra de ouro diz que o governo não pode tomar empréstimos para pagar despesas correntes, né? Ou seja, o governo só pode tirar dinheiro emprestado se for para investimento, se For para alguma coisa que vai dar retorno no futuro ou se houver alguma calamidade pública, né? Ah, tem caiu um meteoro, furacão, enchente, alargamento. Aí o governo pode tomar empréstimos. Agora, para pagar salário, o governo não pode pagar empréstimo. Para pagar previdência, o governo não pode pegar empréstimo. Então, pela primeira vez
na história do Brasil, aconteceria o que se chama de shutdown, né? a máquina pública iria parar. Então, ah, parou emissão de Passaporte, parou Bolsa Família, parou pagamento de de eh das bolsas de pesquisa, por exemplo, parou o pagamento de todos os serviços ambientais e ia ia ser um caos mesmo generalizado que a gente nunca viveu antes. Alguns outros países viveram, mas a gente não viveu antes. Para você ter uma ideia, a Grécia chegou a ter uma quebradeira generalizada e num ponto da da Suprema Corte ali da mais alta corte em nível administrativo da Grécia, ela
teve que Eh acabar com direitos adquiridos de aposentados. Então, do dia paraa noite, a regressa falou: "Olha, o aposentado que tá recebendo um salário mínimo vai receber meio". eh eh chegou nesse ponto de crise. Na minha avaliação, o que o que que eu acho que é mais provável de acontecer? eh, e ganhe um novo presidente. E quando esse novo presidente ganhar, ele faça como o Lula fez de antes de assumir, ele Negocia com o Congresso anterior uma PEC para, no caso do Lula foi para engessar o orçamento. Novo presidente vai ser para flexibilizar o orçamento
para não ter que começar o seu mandato nesse ponto de caos absoluto, né? Eh, por que negociar antes? Só, só curiosidade, não entendi a lógica do por negociar antes de assumir, porque quando ele assumir já vai ser 2027 e já vai ter paralisado. Ah, tá. Ele precisa aprovar em 26 antes dele assumir. Entendi. Ele não é Presidente ainda. Entendi. Mas ele vai ter que negociar como presidente eleito com o Congresso anterior. Entendi. Entendi. Perfeito. É, e aí quem agora para encerrar aqui e a gente já fechar, é, cara, você como deputado federal e e enfim,
vem vem criticando isso publicamente, dando entrevistas sobre isso, essa lógica da Constituição e tudo mais, defendendo uma ideia mais racional dentro da política, estudando o mérito das coisas, etc. Eh, o que que que você o o movimento Brasil Livre, as entidades ali que você compõe, o que que vocês têm feito de articulação propondo solucionar todos esses problemas que a gente apontou pro futuro? Acho que o primeiro a gente deu o nosso grito de independência fundando o nosso partido, partido missão, né? Ele deve ficar pronto ali em no máximo e novembro, né, desse ano de 2025.
E aí nós vamos ter um partido próprio, né? Porque até hoje o que que a gente fazia, Né? Entrava no partido político negociando a nossa liberdade, falando: "Olha, eu tô entrando nesse partido, eh, a minha contribuição pro partido são os meus votos, porque os seus votos aumentam o tempo de TV e o fundo partidário daquele partido. Mas eu não vou votar de acordo com o líder do partido. Eu vou não vou discursar em favor das bandeiras do partido, né? Não é como se fosse muito difícil, porque os partidos hoje não tm bandeira nenhuma, Né? Pois
é. É exemplo do meu partido. Eu tô no Brasil, tem da base, tem oposição. É, eu tô no União Brasil. União Brasil, teoricamente tem três ministros no governo, mas tem deputado que vota com governo, tem uns 15 deputados que que igual a mim são de oposição, então tem ministério no governo, mas tem o King Daag, tem a Rosângela Moro, tem o Mendonça Filho, tem gente que só vota contra o governo e tem os tem ainda tem o o centro do centro, né, que é aquele Cara que eh eh não tá votando sempre com o governo,
tende a votar com o governo, mas ele Ele também fala: "Ó, não é assim, também tem que vir conversar comigo caso a caso." Eh, então é uma salada, né? Eh, só que a gente não tinha a liberdade de montar a nossa própria chapa, de ter todos os candidatos eh eh que a gente quer, né? Eh, a gente não tinha, principalmente a capacidade de lançar candidata majoritária. Então, prefeitura, governo Do estado, presidência da República, a gente sempre ia depender da anuência de um cacique partidário para lançar as nossas candidaturas. Agora a gente pode lançar para pro
cargo que a gente quiser, sendo completamente independente, né? Claro que com uma estrutura infinitamente menor do que os grandes partidos, porque a gente começa com zero deputados, né? eh eh porque é a nossa primeira eleição. Eh, e zero deputado significa, né, zero de fundo Partidário e zero de tempo de televisão contra os outros que vão estar gigantes. Eh, mas pelo menos a gente vai ter independência, a gente vai ter uma uma militância e um partido de verdade, que é um partido que tem bandeiras ideológicas e que mobiliza a sociedade por causa daquilo que acredita que
é a própria definição de um partido político, né, que aqui foi deturpada. E o outro ponto de mobilizar e levantar o debate. Só o fato da gente começar a Mostrar que a Constituição é o problema, que não é uma reforma ou outra, não é eleger o presidente da República apenas, não é só mudar um ou outro ministro do Supremo, que é um um uma mudança radical do zero, rasgando a Constituição que a gente tem hoje. Quanto mais a gente vê as pessoas falando, as pessoas entendendo que esse é o problema e quais são as razões
desse problema e a solução que é ter uma nova constituição, mas a gente mobiliza a sociedade para chegar Num ponto em que nós vamos ter que discutir uma nova constituição, que eu acho que sinceramente eu acho que a nossa geração vai viver uma constituinte, né? Já a nossa constituição em termos de história do Brasil já é já é a mais longeva, né? as nossas constituições não costumam durar tanto. Eh, então ela já tá durando mais tempo do que as outras, tendo todos os problemas que tem, né? E eu acho que isso vai inevitavelmente levar a
um Momento breve do ponto de vista histórico, né? Não breve semana que vem, ano que vem, daqui a do anos, mas breve do ponto de vista histórico, né? a gente discutir uma nova constituição e a gente tem trabalhado levantando esse assunto. Eh, e assim, hoje o assunto mais preocupante para todos nós é a segurança pública, mas amanhã são vários, podem ser vários outros, pode ser a saúde, pode ser a educação, em que a gente consegue dar exata e precisamente como a Gente faz com a segurança, mostrar toda a culpa e toda a responsabilidade da nossa
constituição em relação ao fracasso nesse setor. Como hoje a gente fala da segurança, tem um estudo que eu gosto muito, que eu vivo citando, que é um estudo de dois anos atrás de um sujeito chamado Perikida, né? Ele é especialista em economia do crime, né? com base no Gary Becker, né, que é um um prêmio Nobel, né, que se desenvolveu com base nisso, em que ele mostra Entrevistando criminosos, e ele faz estudos desse tipo há alguns anos no estado de São Paulo, que 80% dos criminosos nunca teriam cometido o crime se houvesse pena de morte
ou prisão perpétua. E ele também mostra que a principal razão pela qual um criminoso comete crime é a ideia de impunidade, de ganho fácil. Eu já vi isso também. Diferente daquela ideia que é vendida de não é a pobreza, é a desigualdade, né? Não é e é é o sujeito ter a garantia de Que ele vai ganhar bem correndo poucos riscos. E a renda média de um bandido no estado de São Paulo, também ali estimada, estudada pelo por esse pesquisador, é de R$ 40.000 por mês. Então o cara pensa: "Pô, eu vou ser caixa de
supermercado, ganhar um salário mínimo, trabalhar para [ __ ] ou eu vou ser bandido e vou ganhar 40.000 e nunca vou ser preso. Sem falar que é cool, né? No imaginário popular é cool ser bandido para algumas tribos. A ainda tem essa. O No top cinco razões, uma delas é viver uma aventura. Isso. Ou seja, o cara o cara, não, eu quero ser bandido. Não é nem para ganhar dinheiro, não é nem porque eu tô passando necessidade, é porque é legal. Porque, pô, os caras estão aqui cantando que é legal ser bandido. O bandido tá
vindo aqui na favela com [ __ ] de um carrão, tá ostentando não sei o quê. Então, [ __ ] você também, né? é é uma coisa da hora, né? Então, eh, também essa crise de Referência que a gente tem, né, da da de enquanto nação, a gente não tem o mito fundador, a gente não tem heróis, eh, eh, e e das gerações, quanto mais novas, menos ela tem qualquer tipo de de de referência, às vezes nem referência da figura paterna a pessoa tem. E a gente vive, a gente vive essa crise em que a
pessoa e o e o próprio crime organizado também eh estourou uma operação chamada Grito Falso no Ministério Público de São Paulo, descobrindo que o PCC, além da Divisão das gravatas, que são os advogados, juízes, promotores vinculados à facção, dos jalecos, que é os médicos, os enfermeiros, etc., ligados à facção. Tem também a divisão multimídia, tem também a divisão de propaganda que eh é feita para produzir música e filme para vangloriar as facções criminosas, já entendendo a importância dessa batalha pelas mentes e pelos corações das pessoas. Os caras tão implementando um Gramch ali, um uma guerra
cultural para Infiltrar na É, exatamente, cheio muito eficiente, né? Aproveitando a sua referência, cheio de intelectuais orgânicos espalhados por aí. Exatamente, Kim. Muito legal, cara. Agradeço demais o seu tempo. Sei que você tem que pegar um voo agora. Mais paraa frente a gente bate mais um papo aí com com sobre outras pautas. Acho que daria para entrar mais na economia, daria para aprofundar mais nessa parte do crime organizado. Eu tenho lido Bastante e algum inclusive alguns desses pesquisadores que você citou mostrando que de fato se a pessoa tiver uma sensação de que vai ser eh
vai ser punida, principalmente temporalmente, acho que esse é o grande dado que eu que eu vi nesses estudos, posso te encaminhar depois, é um dado bem robusto. Percepção de punição temporalmente próxima ao ato é uma das coisas que mais parece inibir a pessoa de cometer um Outro crime. Então, ela ela ser punida duas horas depois é muito melhor do que ela ser punida daqui sei lá quanto tempo que o sistema de justiça leva aí para punir aqueles que punem, né? Fora que a maioria passa ileso. Acho que daria um debate bem legal. Mais para frente
a gente troca mais uma ideia sobre esse tema. Deixa suas redes aí. Acho que o pessoal te encontra em todas as redes com Kim Cataguiri, né? YouTube, Instagram. Isso. YouTube, acho que é a Rede que eu mais produzo conteúdo, porque dá para você desenvolver melhor o raciocínio, né? O pessoal acompanha mais, passa mais tempo, mas para quem tem menos tempo aí tem o Instagram, tem o TikTok, ambos aí aqui em Cataguiri. E assim, eu tenho, confesso que assim tem sido bem raro eu fazer, mas eu ainda faço lives jogando na Twitch também com Kim Catagui
jogando Dota, que é o jogo que eu tô sempre jogando, apesar de saber que no Brasil tem um público cada Vez menor. Legal, legal, Kim. Obrigado, pessoal.