Bom dia, moçada! Tudo bem? Espero que sim.
Dia 24 de janeiro, baita prazer falar com vocês mais uma vez. Obrigado a todos pela audiência aqui nesse projeto que eu tenho feito com tanto carinho e tenho aprendido muito. Como tem me feito bem, né?
Não me canso de falar porque não é só essa ideia de que "ah, não, se o Denis está comentando essas meditações, então ele é um homem completamente resolvido, é um homem estóico". Não, ninguém é completamente resolvido, né? Os estóicos dizem isso: nós temos que trabalhar essas meditações o resto da nossa existência.
Isso só para no dia em que nós morrermos. Então, como me faz bem, espero que tenha feito bem e esteja fazendo bem a vocês também. Dia 24 de janeiro, com uma meditação muito legal, buscar uma compreensão profunda, uma meditação de Marco Aurélio que diz o seguinte: "Com Rústico, aprendi a ler atentamente e a não me satisfazer com uma compreensão aproximada do todo e a não concordar depressa demais com aqueles que têm muito a dizer sobre alguma coisa".
Para mim, essa é uma das mais importantes meditações que nós temos a fazer aqui durante esse ano todo. Nós vivemos uma época particularmente marcada pela pressa, pela velocidade, a era das redes sociais, a era na qual todo mundo tem que manifestar opinião sobre qualquer coisa, mesmo sobre aquilo que não domina, mesmo sobre aquilo a que não se dedicou, mesmo sobre aquilo que não entende. E é muito triste viver nesse período e ver a celebração da ignorância como uma virtude.
Eu sou de um tempo, mas eu não vou dizer que sou de um tempo porque eu sou desse tempo — esse tempo que estou denunciando. Mas eu sou de um processo educacional no qual eu fui estimulado a não me manifestar sobre aquilo que eu não sei. E parece que, para as pessoas, tornou-se um desafio quase impossível dizer simplesmente: "Ah, não sei.
O que você acha daquela notícia do dia? O escândalo do dia no Brasil". Todo dia nós temos um escândalo, né?
O escândalo do dia! "Qual que é a sua opinião sobre isso? " — "Não sei, nunca me debrucei sobre o assunto, não entendo de Ciência Política, não entendo de Filosofia, não entendo de pautas policiais, não entendo do que é crime e do que não é crime".
Mas é assim: o sujeito passa na segunda-feira, ele é especialista em Ramaz; na terça-feira, ele é especialista em astronomia; na quarta-feira, ele é especialista em Rússia, sabe tudo de império czarista e de Putin; e, no outro dia, ele é especialista em vacinas. Cara, que coisa ridícula, que coisa patética! Ler atentamente, não se satisfazer com uma compreensão aproximada, ter mais cuidado com a sua própria formação, não concordar depressa demais com quem tem muito a dizer sobre as coisas.
Você vê o jornalismo, o que virou? Ficam lá dois, três, cinco palpiteiros o dia inteiro palpitando sobre as coisas, mas ninguém ali parou para ler, para investigar, para entender categorias conceituais sobre as quais fala o dia inteiro. Tem que ter um mínimo de vergonha na cara para dizer: "Não, não sei".
Vocês estão com muita pressa para marcar posição, não vou marcar posição sobre isso porque não meditei a respeito. Se Sócrates falou que só sabia que nada sabia, talvez a gente tenha que, né? Se um homem como Sócrates diz: "Só sei que nada sei", e isso faz de mim o homem mais sábio entre todos, reconhecer a minha ignorância, talvez a gente tenha que pensar um pouco sobre as nossas posições.
Os comentadores dessa meditação dizem o seguinte: o primeiro livro das Meditações de Marco Aurélio começa com uma lista de agradecimentos. Quem tem aí em casa as Meditações de Marco Aurélio sabe do que estou falando, né? O primeiro livro, ali, das Meditações, ele faz uma espécie de lista de agradecimento.
Ele agradece uma por uma as influências da sua vida. Uma dessas pessoas é Rústico, exatamente esse citado na meditação: um professor que desenvolveu em seu aluno um amor pela clareza e pela compreensão profundas. Um amor pela clareza e pela compreensão profundas, um desejo de não parar na superfície quando se trata de aprendizado.
Você tem que ficar indignado com você mesmo quando abraça a superfície como se estivesse abraçando a profundidade do tema. É tão difícil assim? Não, é treino, é treino como tudo na vida.
Reconhecer quando não sabe, reconhecer quando sabe pouco, não sabe o suficiente. Claro que Marco Aurélio deveria agradecer mesmo ao homem. Foi também por meio de Rústico que Marco Aurélio foi apresentado a Epicteto.
Rústico apresentou Epicteto. Nós vivemos a citar aqui a Marco Aurélio. Na verdade, Rústico emprestou ao aluno seu exemplar das palestras de Epicteto.
Marco Aurélio claramente não ficou satisfeito em apenas entender a ideia básica dessas palestras, nem as aceitou simplesmente por recomendação do seu professor. Paul Johnson gracejou uma vez que Edmund Wilson lia livros como se a vida do autor estivesse em julgamento. Acho isso maravilhoso: ler um livro querendo extrair cada palavra de compreensão que ele pode oferecer e não aceitar menos do que isso.
Foi assim que Marco Aurélio leu Epicteto. Tão bonito isso, né? É bonito e comovente: um filósofo imperador lendo um filósofo que foi escravo com esse grau de admiração e com esse grau de troca.
Você quer vir pro colo do papai? É isso? Quer falar bom dia pra galera, pra quem tá ouvindo aí no Spotify?
Quando eu faço essas paradas estratégicas, é o Tales de Mileto, meu companheiro de escritório, querendo aparecer, querendo dar bom dia para todo mundo, né? Tal, meu! Xob, as pessoas vão achar que você é o preferido do papai quando tem a Alissa; quando tem o Thas, tem os dois gatinhos, o Dionísio.
Ah, lá eu falei, toma sol. Eu vejo o gordo, todo mundo acha que foi o seu preferido. Será?
Será! Desce aí, seu magrelo! Então, essa beleza, né, dessa relação do Marco Aurélio, admirador de Epicteto, e quando as lições se mostraram satisfatórias, ele, Marco Aurélio, as absorveu.
Elas se tornaram parte do seu DNA, parte do seu viver, parte da sua existência. Sabe quando você fica tão bom nisso em meditar e investigar que isso se torna uma natureza para você? E é isso que eu mais desejo para mim e para vocês: que vocês fiquem indignados com a ideia de conhecer superficialmente as coisas mais importantes, especialmente conhecer superficialmente a vocês próprios.
É preciso se indignar com isso! Se eu me que conheço superficialmente, o que é que eu posso conhecer profundamente? Ele as citou extensamente ao longo da vida, encontrando clareza e força reais em suas palavras, mesmo em meio ao luxo e ao poder imensos que viria a possuir.
Eu quero que vocês entendam que as pessoas pensam assim: "Ah, é fácil ser estoico para um homem rico e poderoso como Marco Aurélio. " Não! É muito mais difícil ser estoico nessa situação do que para um sujeito que não tem nada, né, tá preso, enfiado num cárcere, não tem vida, não tem o que comer, não tem o que beber.
Ah, para esse cara ser estoico é muito mais simples do que para um homem que vive no luxo, cercado de atenção, cercado de gente abrindo portas, fechando portas e fazendo massagens, e dizendo "ó", dando tapinha nos ombros. Para esse cara, é muito mais difícil ser estoico! Imagine o poder de Marco Aurélio.
Esse é o tipo de leitura e estudo profundos que precisamos cultivar. A razão pela qual estamos lendo apenas uma página por dia, em vez de um capítulo por vez, é para que possamos ter tempo de ler com atenção e profundidade, com a profundidade necessária. É muito fácil acumular cultura, tá?
É muito fácil acumular erudição. Você é aquilo que Platão chamava de doxa: sabedoria, doxa, opinião. Doxa é o sábio pela opinião.
Sabe aquelas pessoas que ficam citando autores o tempo inteiro, mas você olha pra vida do cara e não tem nada a ver com aquilo que ele cita? Ele é um cabide de opiniões alheias, né? Sabe citar Marco Aurélio, sabe citar Epicteto; o que tem de gente assim que quer frequentar as coisas da filosofia só para aparecer bem na foto, sentar à mesa e ficar citando, como se fosse gente inteligente?
Mas é uma pessoa que fala assim: "Tudo bem, o que você entendeu disso? " O cara começa a gaguejar. Você tá citando os estóicos, o que você sabe dos estóicos?
O que você sabe da origem desse tipo de reflexão? O cara começa a gaguejar. Ele só sabe as frases decoradas, e os aprendizados mais difíceis exigem meditação.
Os aprendizados que realmente modificam a nossa vida exigem esse grau de calma e meditação. Não adianta pressa: "Nossa, esse ano eu li 20 livros! " Mentira!
Você passou os olhos sobre 20 livros e fez isso para postar ao final do ano uma foto assim, com todos os livros que você diz ter lido. Se eu voltar ao primeiro livro, ao segundo livro, e começar a te fazer algumas perguntas básicas de compreensão daqueles livros, você não vai saber me responder. Tô mentindo?
Eu sei que eu não tô. Beijo grande para vocês. Um excelente dia!
Amanhã a gente se encontra por aqui.