Você precisa sentir tédio. E hoje eu vou te provar porquê. E por mais estranho que pareça isso que eu vou te dizer aqui, se você não se acostumar a sentir tédio na sua vida, você vai viver desmotivado, sem energia, insatisfeito com a sua vida.
Você vai procrastinar o tempo inteiro, você vai se sentir cansado o tempo inteiro e a falta de tédio pode inclusive aumentar o seu risco de depressão e ansiedade clínica. E para te explicar tudo isso, eu vou me basear nas neurociências e na ciência psicológica, mas em uma linguagem simples que todo mundo consegue entender. E se você ficar comigo até o final do vídeo, eu vou te mostrar na prática como você pode usar o tédio para melhorar o seu cérebro e assumir o controle da sua vida.
[Música] [Música] Mês passado eu fui jantar com um amigo meu que eu não via há bastante tempo. Nós combinamos de nos encontrar em um restaurante que nós dois gostamos muito. Eu cheguei primeiro que ele enquanto o meu amigo não chegava, eu fiquei no celular arrastando a tela na rede social vizinho.
Meu amigo chegou minutos depois, a gente se cumprimentou com um forte abraço e quando nós dois sentamos à mesa, a gente fez o que a maioria das pessoas costuma fazer. Você provavelmente faz isso também. Nós dois colocamos os nossos celulares em cima da mesa.
Como de costume, o papo começou com as coisas triviais, o trânsito que tava ruim para chegar no restaurante, o frio que estava fazendo, foi um dos invernos mais frios de São Paulo nas últimas décadas. E aí o garçom chegou, nós pedimos a bebida, nós folhamos o cardápio enquanto nós conversávamos sobre essas trivialidades cotidianas. Cada um escolheu o seu prato.
Nós pedimos a comida e aí nós começamos a conversar sobre as coisas mais sérias. Eu perguntei como ele estava, como foram os últimos anos. A gente não se via há alguns anos.
Ele me contou sobre a separação da esposa, a distância do filho, que era difícil para ele por causa da separação, sobre o trabalho que estava bem crescendo. E depois que ele terminou de fazer esse resumo, ele virou para mim e fez a mesma pergunta. E você me conta aí como estão as coisas, como foram esses últimos anos para você.
E cerca de um minuto depois que eu comecei a falar, ele pegou o celular dele. Enquanto eu falava, ele ficava alternando o olhar entre mim e o celular, respondendo daquela forma genérica, sabe? Ah, legal.
Aham. Hum. E por aí vai.
Depois de alguns minutos assim, eu parei de falar, esperei um tempo e eu disse para ele em um tom amigável, em um tom bem tranquilo, cara, resolve aí o que você precisa resolver no celular, não tem problema, eu te espero. Ele rapidamente digitou alguma coisa no celular e colocou ele de novo na mesa, pediu desculpas e eu perguntei: "Tá tudo bem? Você quer ligar para alguém?
" E ele falou: "Não, não, não é nada demais, não". E nós continuamos conversando. A comida chegou e aí eu notei uma coisa muito interessante.
Todas as vezes que eu estava comendo, sabe, pegando a comida com garfo, mastigando, etc. , todas as vezes, nesse breve momento de silêncio, esse meu amigo pegava o celular dele para olhar alguma coisa. É claro que foi um prazer, uma alegria encontrar esse meu amigo, mas eu confesso que esse comportamento dele com o celular me deixou preocupado, porque isso revela muito sobre o cérebro de uma pessoa.
Aliás, foi isso que eu notei no cérebro de centenas de pessoas ano passado, quando eu fui renovar os meus documentos no poupatempo. Como você sabe, o poupaempo não poupa tempo de ninguém. Eu precisei renovar minha carteira de motorista e meu RG.
E eu passei deliciosas 4 horas dentro do poupatempo para conseguir finalizar tudo. E quando eu estou nesses lugares, sabe, cheios de gente, eu sou neurocientista, eu gosto de observar as pessoas, observar o comportamento humano. E enquanto eu estava lá sentado esperando ou então nas várias filas que eu peguei, a imensa maioria das pessoas ao meu redor estava mexendo no celular.
E esse é o mundo em que eu e você vivemos hoje em dia. Na fila do pão, na fila do banco, nos jantares, nos almoços, em qualquer intervalo no dia de trabalho, lá está ele, o celular, como refúgio da nossa mente. Muitas vezes no trânsito, quando eu estou dirigindo, eu paro atrás de alguém em um semáforo vermelho e aí o semáforo abre e a pessoa da frente continua parada.
Eu dou uma olhada e percebo que na maioria das vezes essa pessoa está onde? No celular. A onipresença do celular é um fato inescapável.
No Brasil, 89% das pessoas acima de 10 anos de idade possuem um aparelho celular. Segundo uma outra pesquisa, os brasileiros passam em média 5 horas por dia no celular. Então, se nós considerarmos 8 horas de sono por noite, isso significa que o brasileiro passa em média quase 1/3 do tempo dele acordado no celular.
Mas e quando nós não estamos no celular, o que nós fazemos? Os estudos científicos demonstram que a maioria das pessoas costuma ocupar o tempo livre com algum tipo de estímulo. E na maioria dos casos, o seu tempo é passado em telas.
Tela do computador, tela da televisão, da Netflix, esta tela aqui em que você está assistindo ao YouTube e por aí vai. E sabe o que tudo isso revela sobre a humanidade? Nós eliminamos o tédio da vida das pessoas, especialmente as tecnologias modernas, os aparelhos de tela, eliminaram o tédio do nosso dia a dia.
Isso pode parecer bom, mas na verdade é terrível pro nosso cérebro. Mas não é à toa que essas tecnologias fizeram tanto sucesso tão rápido, porque o nosso cérebro odeia o tédio. Mas antes de eu te explicar isso, vamos definir aqui em primeiro lugar o que é o tédio.
Tdio é todo o tempo que você passa sem nenhum tipo de estimulação externa, sem direcionar a sua atenção para algo fora de você, ou seja, sem realizar uma atividade específica. É o tempo que você passa convivendo apenas com os seus próprios pensamentos. E como eu disse, o nosso cérebro odeia o tédio.
E a demonstração disso vem de um estudo científico curioso e até engraçado. Deixa eu te contar sobre ele. Pesquisadores da Universidade de Harvard fizeram uma série de 10 estudos científicos que foram publicados em um artigo na prestigiosa revista Science, uma das mais respeitadas revistas científicas no mundo.
Foram vários estudos, então eu vou fazer um resumo aqui de maneira geral para você. Esses estudos demonstraram que as pessoas passam a maior parte do tempo buscando algum tipo de estímulo externo, como eu tinha te dito agora a pouco. Mas esses cientistas também demonstraram que grande parte das pessoas considera conviver com os próprios pensamentos algo desprazeroso.
Ou seja, não é gostoso paraa grande parte das pessoas conviver com os próprios pensamentos, conviver, portanto, com o tédio. Quando você dá a uma pessoa a opção de algum estímulo externo, a maioria considera o estímulo externo, qualquer que seja ele, muito mais prazeroso do que conviver com os próprios pensamentos. Mas aí esses pesquisadores foram mais a fundo nessa questão e essa é a parte engraçada do estudo.
Eles levaram pessoas para uma sala, uma pessoa por vez. Nessa sala eles deram um choque elétrico nessas pessoas, um choque dolorido. E aí eles perguntaram: "Você pagaria dinheiro para evitar esse choque?
" Muitas pessoas disseram que pagariam para evitar o choque. Outras disseram que não pagariam para evitar o choque. Daí eles selecionaram pra segunda fase do estudo só as pessoas que disseram que pagariam para evitar aquele choque.
Colocaram essas pessoas em uma sala sem nada, uma pessoa por vez. Uma sala sem celular, sem revista, sem tela nenhuma. Uma sala completamente sem graça, branca, de laboratório, sem estímulo externo nenhum.
Só tinha uma mesa com um botão. Daí os cientistas deram a seguinte instrução pra pessoa: você deverá passar 15 minutos aqui nessa sala tentando conviver com seus próprios pensamentos. Esse é o seu objetivo.
Mas se você quiser, você pode apertar esse botão na sua frente e aí você vai levar aquele mesmo choque de antes. E o resultado disso, gente, foi interessantíssimo. 67% dos homens apertaram o botão em média de uma a quatro vezes e 25% das mulheres apertaram o botão em média de uma a vezes.
Ou seja, essas pessoas preferiram tomar um choque, um choque que elas pagariam para não receber, em vez de ficar 15 minutos direto convivendo com seus próprios pensamentos. Essa é uma demonstração muito clara de como nós evitamos o tédio e do quanto o tédio é ruim pro nosso cérebro, ou pelo menos o nosso cérebro sente o tédio como algo ruim. E agora você entende por essas tecnologias que eliminam o tédio da vida foram adotadas e cresceram tão rapidamente na sociedade.
As pessoas adoram qualquer coisa que tire elas do tédio. E por que isso é um problema? Afinal, esse é o tema do nosso vídeo.
É porque nada para o seu cérebro é absoluto. Tudo no seu cérebro é relativo. Ou seja, o cérebro interpreta as coisas em relação umas às outras.
É isso que significa dizer que algo é relativo. O cérebro interpreta em comparação com outras coisas. As tecnologias modernas, as tecnologias de telas, as redes sociais, a própria Netflix e serviços semelhantes não apenas ocupam a sua mente.
Você deve concordar comigo que as coisas ocupam a sua mente de maneiras diferentes. Você pode ocupar sua mente indo à academia se exercitar. Você pode ocupar sua mente lendo um bom livro, assistindo a uma aula de um curso ou de uma formação que é importante pro seu crescimento pessoal ou profissional.
Ou você pode ocupar sua mente arrastando a tela no TikTok ou no Instagram maratonando série na Netflix. Existem formas diferentes, portanto, de você ocupar sua mente. E as tecnologias que ocupam a sua mente através dessas telas tendem a ocupar a sua mente através de hiperestimulação.
E agora vamos entender isso a fundo. O que significa isso? Hiperestímulo é um estímulo artificialmente construído para gerar uma ativação muito intensa do sistema de recompensa, do sistema de motivação e desejo do seu cérebro.
Fast food, comida ultra processada, altamente palatável, muito gostosa, de maneira geral são exemplos de hiperestímulos na alimentação. Não é à toa que tem chocolate e salgadinho que é impossível comer um só. Eles foram engenheirados, criados para ativar de forma intensa os circuitos de motivação, desejo e prazer do seu cérebro.
A questão é que as tecnologias de telas modernas, tais como as redes sociais, são fonte de hiperestímulos informacionais, ou seja, hiperestimulação de informação. Essas tecnologias oferecem um bombardeio de informação, um grande volume de informação que é transmitido a você com intensidade emocional extrema, com movimento, com velocidade, em formatos extremamente engajantes pro seu cérebro. Ou seja, o engajamento psicológico que você tem quando você está nas redes sociais ou quando você está assistindo a Netflix é muito mais elevado do que o engajamento psicológico que você teria se você estivesse lendo um livro ou se você estivesse treinando na academia.
Você deve saber que essas empresas de tecnologia, como a Meta, que é a empresa dona do Instagram, do Facebook, do WhatsApp, a Alphabet, que é dona do YouTube, ou a Bite Dance, que é a dona do TikTok, essas empresas possuem no seu quadro de funcionários cientistas comportamentais do mais alto calibre. Eu tô falando de neurocientistas, psicólogos, etc. E sabe qual é o trabalho desses cientistas?
é literalmente construir um algoritmo que vai mostrar para você aquilo que vai manter você preso à tela pelo máximo de tempo possível. Isso não é segredo nenhum, isso é informação pública, inclusive divulgada por pessoas que trabalham ou trabalharam nessas empresas. Curiosamente, até a Netflix tem criado critérios para séries e pros filmes da plataforma.
Critérios, por exemplo, para você conseguir assistir ao filme ou à série usando o seu celular ao mesmo tempo. Critérios que envolvem não ter longos diálogos. Critérios que envolvem não permanecer no mesmo plano, ou seja, usar cenas movimentadas, não permanecer na mesma cena por muito tempo, ou seja, mudar de cena com frequência e por aí vai.
Tudo isso para quê? Para hiperestimular e engajar o seu cérebro. E a grande questão aqui é que o seu cérebro é engajado através de processos que são profundamente emocionais e inconscientes.
Nós não estamos falando aqui de um engajamento intelectual, racional, consciente. Nós estamos falando de um engajamento que é emocional e inconsciente. Nós, seres humanos, não podemos esquecer que nós somos seres biológicos, nós somos animais, nós fazemos parte do reino animal.
E dentro de nós habitam sistemas e processos biológicos que são profundamente animalescos. Eu costumo brincar com os meus alunos. Eu digo que é a bestafera interior de todos nós.
É a bestafera interior em você que deseja comer aquela pizza maravilhosa em vez de ir pra academia ou em vez de comer legumes e salada. É a besta fera interior que deseja aquela pessoa errada através de uma paixão profundamente irracional. uma pessoa que te faz mal, uma pessoa que não retribui os seus afetos.
A besta féria interior é aquilo que as nossas pulsões emocionais nos levam a fazer. Ela não é a nossa consciência, a nossa racionalidade, a nossa prudência. A grande questão aqui é que os algoritmos dessas tecnologias que querem que você fique grudado a todo custo numa tela, esses algoritmos são direcionados para a sua bestafera interior, para os processos biológicos, pulsionais, emocionais dentro de você.
E elas são muito eficientes nisso. O Instagram anunciou semana passada que atingiu 3 bilhões de usuários ativos com B de bola. Você tem noção disso, desse número?
37% da população mundial está no Instagram. Esses algoritmos funcionam. Eles são muito bons no que eles fazem.
Se você já se pegou perdendo minutos ou às vezes até horas do seu dia arrastando a tela em rede social? Se você já se pegou maratonando uma série da Netflix ou de alguma outra plataforma dessa, se você já se pegou arrependido pelo tempo que você tem passado em frente a uma tela, é porque você certamente já está sendo afetado por tudo isso. Eu estou preparando um vídeo aqui pro canal sobre o que os celulares e as redes sociais fazem com o seu cérebro.
Então eu não vou me aprofundar nessa questão aqui agora, mas o que eu gostaria que você compreendesse é que essa hiperestimulação nada mais é do que uma construção muito consciente por parte dessas empresas para sequestrar os sistemas de motivação e desejo do seu cérebro, que são circuitos cerebrais profundamente emocionais e inconscientes aí dentro de você. E o resultado é que você nem percebe conscientemente que essas tecnologias estão afetando a sua vida com muita intensidade, com muito engajamento psicológico, tudo para grudar você a uma tela, que é o objetivo último dessas plataformas. Sabia que esses gurus, os donos e os altos executivos das empresas de tecnologia não costumam permitir que seus filhos, quando criança usem celular, redes sociais, etc?
Muitos deles não permitem nem na adolescência ou no mínimo limitam severamente. Os filhos desses chefões das empresas de tecnologia frequentam escolas que proíbem esse tipo de tecnologia. E não é à toa isso tudo.
Quanto mais jovem você é, maior é a probabilidade dessa hiperestimulação literalmente reconfigurar o seu cérebro para pior. E eu já te explico porquê. Mas tudo isso significa que o nosso cérebro hoje em dia está habituado à hiperestimulação.
A hiperestimulação virou a regra. Ela se tornou o lugar comum dos estímulos que ocupam a mente da maioria das pessoas a maioria do tempo. A questão é que é simplesmente incomparável a quantidade de engajamento psicológico que você tem quando você assiste e maratona uma série da Netflix dessas que são muito engajantes.
Ou quando você passa tempo nas redes sociais arrastando a tela, ou quando você joga videogame, que é uma outra fonte de hiperestimulação. É incomparável isso versus você sentar para ler um livro, um livro difícil, um texto que é longo, mas que é capaz de expandir os horizontes do seu intelecto. A grande questão é que a hiperestimulação é muito mais engajante do que qualquer outro tipo de estímulo que nós tínhamos antes dessas tecnologias.
E o nosso cérebro está cada vez mais habituado a essa hiperestimulação. E como eu te disse, o cérebro trabalha com contrastes, com comparações, de forma relativa, comparando uma coisa à outra, uma coisa em relação à outra. E tudo nos dias de hoje, tudo que você faz, tudo que você deseja fazer, está convivendo em contraste, em comparação ao quê?
A essa hiperestimulação das telas e das tecnologias. O seu cérebro compara tudo que você faz e tudo que você quer fazer a esses hiperestímulos, porque o seu cérebro está habituado a eles. Perto dessas tecnologias, qualquer outro estímulo é fraco, sem graça, desmotivador.
E aqui nós temos a grande questão. Você já deve ter ouvido falar por aí que as pessoas não querem mudar. Acontece que isso é mentira.
A maioria das pessoas quer sim mudar. A maioria das pessoas quer mudar de vida, mudar de patamar profissional e financeiro, ler mais, aprender mais, se exercitar com regularidade, conquistar um corpo saudável, se alimentar melhor e por aí vai. Muitas pessoas, inclusive sabem o que elas precisam fazer para conquistar uma vida melhor.
O problema é que essas pessoas não conseguem se obrigar a fazer essas coisas. Às vezes você até começa a fazer o que precisa ser feito, mas você não consegue dar continuidade, você não consegue manter constância. Seja para começar ou para dar continuidade, você sente aí dentro de você uma coisa, uma resistência, uma dificuldade de fazer o que precisa ser feito, mesmo sabendo o que você precisa fazer.
E o nome disso, você sabe, é a procrastinação. Só que agora você já sabe, o seu cérebro está habituado a hiperestimulação. Todas essas coisas que você sabe que precisa fazer são muito menos interessantes e motivadoras pro seu cérebro do que os hiperestímulos aos quais o seu cérebro está acostumado.
E não é que você pensa isso conscientemente, tá? Não é que você, por exemplo, deseja ir à academia ou ler um livro e você pensa conscientemente: "Ai, a Netflix é muito mais estimulante para minha mente ou o videogame é muito mais motivador ou algo assim". Não é isso que acontece.
E você sabe, esses processos, como eu disse, são emocionais largamente inconscientes. O que você sente, o que você percebe é uma resistência, uma dificuldade de fazer as coisas que você precisa fazer. Essas coisas parecem para você realmente muito difíceis, mas isso nada mais é do que o seu cérebro operando em contraste, em comparação.
Ele se acostumou com aquela motivação intensa, aquela motivação rápida e fácil vinda dos hiperestímulos. Se você chegou até aqui nesse vídeo, é porque você se interessa por autoconhecimento, é porque você gosta de entender sobre o seu cérebro, suas emoções e os seus hábitos. E é isso que eu faço aqui no canal Neurovox.
Eu te trago a ciência mais séria e atual. mas em uma linguagem simples que todo mundo consegue entender. E se você acha que esse é um nobre objetivo, eu te peço um pequeno gesto que não vai te custar nada e vai levar 3 segundos da sua vida, que é você se inscrever aqui no canal.
E se você já for inscrito, é você apertar o botão de notificações, o sininho, que fica ao lado do botão de inscrição depois que você se inscrever. Se você puder e se você quiser, esse pequeno gesto ajuda a gente demais, ajuda que esse canal cresça e que esse conhecimento chegue a mais pessoas. E já que você vai se inscrever e ativar as notificações, eu peço também que você aperte o joinha, o botão de curtir, que também sinaliza pro algoritmo do YouTube que esse vídeo tem valor e ele é mostrado para mais pessoas.
De qualquer forma, sou muito grato por você estar aqui junto comigo. Bora voltar pro tema do nosso vídeo. Essa não é a única raiz da procrastinação, segundo a ciência, mas é uma delas.
Por que diabos você vai achar gostoso ler um livro se você pode ligar Netflix ou puxar o celular ou jogar videogame? Ler uma experiência fácil e rápida. Para ler com qualidade, você precisa reservar tempo.
Para entender em profundidade você precisa encarar o desconforto de parágrafos e capítulos e autores difíceis. A mesma coisa vale paraa academia ou para qualquer outra coisa que você precisa fazer e que não é rápida nem fácil. Netflix é rápida e fácil, é motivação e prazer instantâneos, celular também, videogame também.
Mas além disso, hiperestímulos são intensos. A intensidade, a potência emocional dessas coisas é muito maior do que a de um livro ou da academia. Quando você habitua o seu cérebro ao que é rápido, fácil e intenso, ele vai usar isso como régua para regular a sua motivação.
Ou seja, o padrão da sua motivação vai ser baseado na comparação com esses hiperestímulos. E o resultado disso é que se não for rápido, fácil e intenso, você vai sentir uma enorme resistência para fazer aquilo. Mas além disso, essa hiperestimulação faz você desejar constantemente o quê?
Hiperestímulos. O meu amigo que eu te contei no começo do vídeo, ele estava se sentindo tão entediado com a nossa conversa ao ponto de não conseguir parar de mexer no celular por alguns minutos. Você deve ver isso ou entre os seus amigos ou até na sua família ou até em você mesmo.
As pessoas hoje em dia criaram uma relação de dependência tão forte com essas tecnologias hiperestimulantes que elas nem percebem que elas não conseguem ficar longe da hiperestimulação, nem por um pequeno período de tempo. E esse é o primeiro motivo pelo qual você precisa sentir tédio, porque o tédio é um reset disso tudo. O tédio regula os sistemas de motivação, desejo e prazer do seu cérebro para você voltar a sentir desejo e prazer perante coisas que não são rápidas, fáceis e intensas.
Se você passar um mês sem hiperestímulos, sem Netflix ou streaming, sem videogame, sem redes sociais ou de preferência sem celular, exceto pro for essencial, sem pornografia, que é um hiperestímulo muito prejudicial quando você habitua seu cérebro a ele, sem exagerar no café, toma só uma xícara de café por dia, antes do meio-dia, sem comida ultra processada, que é super gostosa e que você sabe que te faz mal, comendo apenas comida de verdade. Durante esse mês, reserva todos os dias, algum tempo, sabe? Pelo menos uma hora por dia, para você não fazer nada, ficar sozinho com seus pensamentos.
Vai pra academia sem celular, sem ouvir música. Transporte público, sem celular, sem ouvir música. Andando na rua, sem celular, sem ouvir música.
Exercita, tal como você treina um músculo, a sua capacidade de ficar sozinho com seus pensamentos. vai ser desconfortável, eu te garanto. Vai ser desagradável, especialmente no começo.
Mas se você passar um mês fazendo isso todos os dias, você vai voltar a ter desejo de ler e prazer com a leitura, desejo de treinar e prazer com o exercício físico, desejo de comer uma fruta saborosa, uma comida saudável. Depois dessa regulada, a música que você ouve no transporte público ou na academia vai ser muito mais agradável. O tédio vai resetar, ele vai mudar a régua do seu cérebro e você vai voltar a se sentir motivado e sentir prazer com essas coisas que hoje parecem sem graça.
Por quê? Porque você está acostumado aos hiperestímulos. E depois desse mês de resete, toma cuidado para não voltar aos mesmos hábitos de antes.
Continua colocando períodos de tédio proposital, intencionais na sua semana. Pelo menos duas ou três vezes por semana, fica 30 minutos a uma hora sem fazer nada. Só você e seus pensamentos.
Você pode fazer isso na academia, na esteira. Compra um protetor de ouvido, sabe? Daqueles bem baratinhos, protetor de ruído, para diminuir o ruído que você ouve, para você ficar mais em silêncio, mesmo se a academia estiver barulhenta e cheia.
Faz a esteira ou talvez o treino inteiro, só você e os seus pensamentos. Se você usar a academia para isso, você já vai exercitar o seu corpo e o seu tédio ao mesmo tempo. É uma ótima estratégia.
Eu mesmo uso essa estratégia frequentemente. Então, toma cuidado com hiperestímulos, sejam eles quais forem. Lembra que eles são semelhantes a fast food.
Você não come no McDonald's todo dia, nem toda semana, certo? Então, por que raios, você bombardeia o seu cérebro com hiperestímulos várias vezes por dia todos os dias? Mas existem outros benefícios do tédio na sua vida para além de você regular os sistemas de motivação e desejo do seu cérebro, para além de você combater a sua procrastinação.
Quando você convive com os seus pensamentos sem fazer nada, sem nenhum tipo de estímulo externo, sem prestar atenção a nada, isso ativa uma circuitaria cerebral chamada rede de modo padrão. Ou seja, é a rede de neurônios que está ativa quando o cérebro está em modo padrão, sem fazer nada específico, sem focar em nada específico. Talvez você imagine que essa rede não está fazendo nada, mas isso é um grande equívoco.
O cérebro está trabalhando muito quando a rede de modo padrão está ativa e essa rede está associada a uma série de funções importantes paraa nossa vida. Essa circuitaria cerebral é muito importante para a introspecção, para você refletir sobre as suas próprias emoções, os seus próprios pensamentos, a sua própria vida interna. Ela é importante para integrar as suas lembranças pessoais com cenários futuros, ou seja, para você integrar o seu passado com o seu presente, com seus planos futuros.
Ela participa da sua habilidade de refletir sobre as suas relações importantes e sobre a capacidade que você tem de se colocar no lugar das outras pessoas, de tentar imaginar dentro de você o que as outras pessoas pensam e sentem. Ela tá envolvida no processamento de informações, de significados, da capacidade que você tem de interpretar as palavras conceitualmente. E tudo isso faz com que a rede, de modo padrão, seja fundamental para vários aspectos da vida humana.
em primeiro lugar, paraa coesão do seu eu, da sua identidade ao longo do tempo. Afinal, é essa rede, essa circuitaria que interliga passado, presente e futuro. Ela dá continuidade narrativa pra sua vida.
Sabe quem eu sou, de onde eu vim, para onde eu vou. Em segundo lugar, pra capacidade que você tem de planejar e pra sua tomada de perspectiva naquilo que envolve outras pessoas. Ela permite você simular cenários dentro de você, sabe?
Entrar, entre aspas, na cabeça dos outros seres humanos. E isso é central para você imaginar e prever o que vai acontecer nas suas relações importantes, para você cooperar com as outras pessoas, para você decidir com inteligência coisas que envolvem as suas relações, sejam elas pessoais ou profissionais. Em terceiro lugar, atribuição de sentido.
Essa rede integra conhecimento, sabe? semântica, as suas experiências de vida, ela dá significado à situações e isso é a base para comunicação, aprendizagem e criatividade intencional. Ou seja, você tem suas melhores ideias quando essa rede está ativa.
E se você já teve boas ideias tomando banho ou algo parecido, quando você não estava focado em nada específico, você já sabe o motivo. E talvez você pense que criatividade não é algo útil para você. Afinal, você não é artista, não trabalha diretamente com criatividade.
Só que essa é uma visão bastante limitada e ingênua do papel da criatividade na vida humana. Não importa a sua profissão, criatividade é fundamental paraa sua vida. Se você tem problemas difíceis de resolver, problemas pessoais, problemas profissionais, problemas financeiros, problemas nas suas relações, criatividade é a competência que permite que você pense em soluções diferentes, soluções eficazes para você resolver esses problemas.
Sem criatividade, você fica limitado a uma vida onde você só consegue resolver problemas com as ideias dos outros ou usando ideias que você teve no seu passado. Sem criatividade, o futuro se torna uma espécie de labirinto, um quebra-cabeças que você tem dificuldade de atravessar porque você tem uma limitação na sua capacidade de resolução de problemas. Então, jamais subestime o papel da criatividade na vida humana.
E voltando ao papel da rede de modo padrão na vida humana, em quarto lugar nós temos o equilíbrio entre a realidade interna e a realidade externa da mente. A rede, de modo padrão, permite um vai e vem saudável entre o foco nas coisas do mundo e o processamento interno dessas coisas. Muita gente quer aprender, estudar para concurso, sei lá, e acha que a solução é você passar horas e horas e horas direto focado.
E isso é completamente equivocado. A melhor forma de aprender, segundo a ciência mais atual, é alternando o modo focado do seu cérebro com o modo difuso. Ou seja, é passar um tempo focado naquilo que você deseja aprender e alternar isso com um tempo difuso, usando a rede de modo padrão, sem fazer nada focado, sem estímulo externo específico, chamando o seu foco.
Esse vai e vem entre foco e modo padrão é o melhor caminho para você aprender qualquer coisa com qualidade, segundo a ciência. E agora eu creio que você já começa a perceber o problema que nós temos nas nossas mãos. Quando você elimina o tédio, você elimina um dos principais momentos onde a rede, de modo padrão, está ativa.
Você perde, pelo menos em parte, esses benefícios que eu acabei de mencionar. E não é à toa que se você elimina o tédio da sua vida, você tende a ser uma pessoa mais infeliz, com um risco de depressão e ansiedade maior, menos satisfeita com a sua vida de maneira geral. Você pode viver cansado o tempo inteiro e também procrastinar muito.
Agora eu quero fazer um alerta. Treinar seu cérebro para você ficar sozinho com seus pensamentos, sem estimulação externa, vai trazer ideias e coisas que não são agradáveis. Vai obrigar você a lidar com pensamentos, com lembranças difíceis, com planos desafiadores, com aspectos desagradáveis da sua própria mente ou das coisas do mundo ou das outras pessoas.
É nesses momentos que os podres, sabe, da vida surgem, os fantasmas emocionais aparecem para conversar com a gente. E o que a maioria das pessoas faz é fugir disso, é tentar se distrair de alguma forma. É o que eu vi lá no poupaempo, né?
É o que eu vejo nas filas da padaria ou do banco, enfim, em qualquer momento de silêncio. As pessoas adultas se comportando como crianças. Sabe a criança que tem um bichinho de pelúcia que traz segurança emocional para ela?
A criança leva esse bichinho para todo lugar, não consegue ficar sem ele de jeito nenhum. As pessoas adultas hoje em dia fazem a mesma coisa com o celular. Bateu o silêncio, bateu o tédio, puxa o celular, tal como o bichinho de pelúcia para buscar o quê?
Conforto emocional, distração das coisas desagradáveis, fugir do tédio. O celular é um mecanismo de fuga simples, rápido e fácil. e as demais tecnologias de telas também.
Mas eu preciso deixar uma coisa bem clara aqui para você. Eu não estou aqui para demonizar o celular ou as tecnologias. Eu uso celular.
Eu trabalho com redes sociais, produzindo conhecimento e disseminando conhecimento aqui na internet. Eu adoro assistir a filmes e séries. Eu gosto muito de jogar videogame.
A questão não é dizer que essas tecnologias são um grande vilão ou coisa parecida. A questão é compreender que o uso dessas tecnologias, a maneira de usar da maioria das pessoas simplesmente não é saudável. E olha que eu nem entrei a fundo nos malefícios do celular pro cérebro humano.
Como eu te disse, eu vou fazer isso em um vídeo específico dedicado só a esse tema. Tecnologias são ferramentas e esse tipo de ferramenta não é necessariamente boa ou ruim. Tudo depende do uso que nós fazemos dessas ferramentas.
Mas uma coisa é bem clara e a literatura científica corrobora isso de maneira robusta. Eliminar o tédio da vida humana é um caminho extremamente prejudicial para todas as esferas e dimensões da vida. E as perguntas que eu te faço agora, então, são as seguintes: quanto tempo de tédio você tem vivido aí no seu dia a dia?
Quanto tempo você passa sendo hiperestimulado por coisas fora de você? Será que você não está habituando o seu cérebro a uma hiperestimulação constante? Será que a régua de desejo e motivação do seu cérebro não está regulada de acordo com essas coisas muito fáceis, rápidas e intensas?
Será que não é isso a raiz da sua procrastinação, da resistência que você tem para fazer as coisas que precisam ser feitas? Será que isso também não está contribuindo para você viver uma vida menos feliz, menos satisfatória, mais cansada, sem disposição? Só você pode responder essas perguntas.
O que eu, como professor posso fazer é dar a você algumas ferramentas práticas para você corrigir isso. A primeira ferramenta foi a que eu dei antes, um mês de reset, um mês de tédio intencional para você regular o seu cérebro, para que você volte a sentir desejo e motivação perante as coisas que hoje te parecem difíceis e chatas. Agora eu quero te dar mais algumas ferramentas práticas baseadas em ciência.
E a segunda ferramenta é uma das principais. Determina um tempo todos os dias para você ficar longe do celular, longe do tablet, longe do computador. Não adianta fazer isso de vez em quando, precisa ser algo diário.
E aí você vira e fala: "Ah, mas Pedro, o que que eu vou fazer nesse período? Você pode ficar só com seus pensamentos ou ir à academia ou ir caminhar ou ir ao supermercado ou ler um livro, enfim, tanta coisa para fazer. Outra dica prática, não usa esses aparelhos durante as refeições.
Se você está sozinho, faça sua refeição com seus próprios pensamentos. Se você está entre família ou amigos, façam suas refeições convivendo com vocês mesmos e não convivendo com aparelhos. A humanidade passou a vasta maioria da sua existência sem esses aparelhos.
E não é uma ou duas horas por dia sem eles que vão te matar. Além disso, de tempos em tempos, passa períodos mais longos longe desses aparelhos, tira eles de perto, por exemplo, um fim de semana inteiro sem o celular, sem tablet, sem computador. Agora, a terceira ferramenta, regula o seu ambiente.
Torna difícil no seu ambiente mexer nesses aparelhos ou buscar hiperestímulos. Deixa o seu celular carregando longe de você, por exemplo, longe da sua cama quando você está dormindo. Instala aplicativos que limitam o seu tempo de uso, o tempo de uso daqueles aplicativos que estão hiperestimulando, aqueles aplicativos que você não quer perder muito tempo usando.
Existem vários aplicativos que fazem isso. Eles meio que travam o teu celular de acordo com o que você comanda. Por exemplo, tem um bom aplicativo chamado Opal que faz isso e tem vários outros também.
Se você tem dificuldade de ficar sem mexer nesses aparelhos, deixa esses aparelhos longe de você, sabe? Literalmente longe, fisicamente. Guarda em outro cômodo da casa ou dentro do armário atrás do saco de arroz ou dentro da panela de pressão.
Esconde do seu alcance. A distância física desses estímulos vai reduzir a probabilidade de você sentir necessidade de se distrair com eles. Organiza sua casa de modo que seja difícil você hiperestimular o seu cérebro, mas também pensa em formas de tornar mais fácil você fazer as coisas que você precisa fazer.
Se você quer ler mais, coloca uma pequena estante bonita de livros perto do lugar onde você costuma passar tempo na sua casa. Se você quer aprender um instrumento musical, deixa esse instrumento no caminho entre a sala e a cozinha, por exemplo. De modo que vai ser fácil para você levantar, pegar um copo d'água e aí na volta você passa, pega o instrumento e toca um pouco.
Torna difícil aquilo que hiperestimula e fácil aquilo que transforma você em uma pessoa melhor. Esses são só alguns exemplos, tá? Usa a sua criatividade para construir um ambiente que favoreça os hábitos que você deseja adotar e dificulte os hábitos que você não quer alimentar na sua vida.
E acima de tudo, não para de observar sua vida. Não aceita viver no modo automático, como a maioria das pessoas costuma viver por aí. Você aguenta ficar meia hora sozinho com seus próprios pensamentos, sem fazer nada?
Você aguenta fazer o seu treino na academia sem ouvir música, sem ouvir um podcast ou coisa parecida? Você consegue, aliás, ir pra academia sem o celular, assistir a um filme sem precisar pausar para olhar alguma coisa na outra tela, no celular, ou seja lá o que for, consegue ler um livro por uma, duas horas seguidas sem interrupções? Essas são perguntas que você precisa fazer sempre para si mesmo.
E o motivo é muito simples. O mundo de hoje é configurado de modo a incentivar a hiperestimulação. Se você não parar para refletir, para questionar e remar contra essa maré, você vai se habituar à hiperestimulação, porque esse é o modus operande do mundo atual.
Ou você desperta e rema contra isso, ou você vai ser levado por essa tendência tão prejudicial. Aliás, se você decidiu assistir a esse vídeo aqui, se você chegou até aqui, eu posso apostar que você tá sentindo os prejuízos disso tudo. Se você não está sentindo isso em você, na sua vida, provavelmente você está observando isso em pessoas próximas a você.
No livro chamado Apologia de Sócrates, o Platão traz uma ideia muito importante. Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida. Ou seja, uma vida em que você não examina, não reflete sobre a sua própria vida, é uma vida vazia, uma vida não examinada é uma vida onde você acaba fatalmente vivendo a vida dos outros, seguindo o fluxo daquilo que a sociedade ou as outras pessoas incentivam e impõem a você.
E como nós vimos, o que a sociedade incentiva e impõe hoje em dia, tem criado uma legião por aí de pessoas que mais parecem zumbis, que não conseguem fazer qualquer coisa que não seja fácil, rápida e emocionalmente intensa. Isso é ótimo pros donos dessas empresas de tecnologia. Afinal, isso garante que essas redes sociais e outras tecnologias continuem crescendo cada vez mais.
e pode apostar, elas vão continuar crescendo vertiginosamente, porque existem cientistas muito competentes garantindo que essas telas sejam cada vez mais sedutoras para quem? Paraa nossa bestafera interior. Mas a pergunta que fica aqui é: isso tudo é bom para você, pra sua família, pro seu crescimento pessoal e profissional?
Isso está melhorando a sua vida? E olha, celular, internet, tecnologias, telas podem ser incríveis para você adquirir conhecimento, por exemplo, como você está fazendo aqui, para você se divertir, para você se conectar com outras pessoas, mas também podem ser terríveis. E cabe a nós saber discernir essas coisas, porque eu te garanto que essas empresas de tecnologia não farão absolutamente nada que possa diminuir o tempo que você fica grudado nas telas.
E aqui eu quero fazer uma ressalva final muito importante. Tudo isso que eu falei aqui vale para adultos, mas é muito mais perigoso para crianças e adolescentes. Crianças e adolescentes estão com o cérebro em formação.
O cérebro deles é maleável e exatamente por isso é mais vulnerável. Eu vou abordar isso mais a fundo no vídeo sobre os males do celular pro cérebro, mas você que é mãe, que é pai, toma cuidado. Crianças não deveriam ser expostas a essas telas, a esses aplicativos.
Adolescentes também não. Aliás, eu sou da opinião de que redes sociais, por exemplo, deveriam ser proibidas para menores de idade. Se você quiser ler e saber por eu acredito isso como neurocientista, eu recomendo o livro Geração Ansiosa de um grande cientista chamado Jonathan Heyde.
Se você é pai ou mãe, ou se você pretende um dia ser, essa é uma leitura obrigatória para você entender o impacto de tudo isso na vida dos jovens. Quando eu falo isso, geralmente eu recebo uma resposta indignada de algumas pessoas. Mas Pedro, como é que eu vou controlar isso se todos os amigos da escola têm celular e usam esse tipo de coisa?
E aí eu te faço uma pergunta. Se todos os amigos da escola do seu filho comerem fast food e comida ultraprocessada o tempo inteiro, todos os dias, ao ponto deles desenvolverem doenças metabólicas sérias por causa disso, você acha que isso seria aceitável? E aqui eu te falo uma segunda questão importante.
Escolas públicas já proíbem uso de celular. Eu acho que demoraram para fazer isso. Diversas escolas particulares também.
Essa é uma tendência que só vai se acirrar conforme a ciência sobre isso se desenvolve. Algumas das melhores escolas, inclusive, tem isso como regra central. Nada de telas ou de computador ou coisa parecida.
A Finlândia e a Suécia são países modelo em termos de sistema de educação. Eles foram pioneiros em adoção de tecnologias na sala de aula. Ou seja, antes de outros países adotaram computador, etc.
Tablet em sala de aula. E adivinha só? Eles estão voltando atrás agora e proibindo telas dentro das escolas.
Que isso sirva de lição para todos os países e para todos nós. Nós temos um ritual aqui no canal Neurovox para você que chegou até o final. Em um vídeo como esse, cerca de 65, 70% das pessoas que começaram a assistir não chegaram até aqui.
Então, para estimular os preguiçosos, comenta aí embaixo: "Cheguei até o final e foi incrível. ou então o final é a melhor parte do vídeo. Eu sei que parece coisa boba, mas se vocês comentarem isso aí, os preguiçosos vão ler seu comentário e isso aumenta significativamente o número de pessoas que chegam até o final do vídeo.
É isso que as estatísticas do YouTube mostram para mim. Se você gostou do vídeo, eu te peço, se você puder e se você quiser, para você se inscrever aqui no canal. E se você já for inscrito, aperta o botão do sininho que fica ao lado do botão de inscrição para você receber a notificação quando nós publicarmos vídeos novos aqui no canal.
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Se você quiser continuar assistindo, nós temos dezenas de vídeos aqui no canal, mas eu vou deixar este aqui em especial que eu tenho certeza que você vai gostar. E se você quiser conhecer o nosso novo canal focado em neurociências e psicologia aplicada aos negócios, é só tocar aqui. Um grande abraço para você e eu te vejo no próximo vídeo.