E aí o senhor vai ter muita coisa para falar sobre isso, que esse programa aqui ele tenta incentivar os jovens, né, a não fugirem da ciência. >> É, >> porque acontece isso, né, por incrível que pareça, né? A criança ela gosta, né? Eu falo que toda criança gosta de se quer ser astronauta, eu gosto de dinossauro, >> sem dúvida. >> E aí chega num determinado momento que ela escapa e ela foge e não volta mais, né? >> Por que que você acha que isso acontece? Bom, eu acho que basicamente é porque no sistema educacional também
não ajuda, né? Porque as crianças são cobradas na maioria, não é só no Brasil, fora do Brasil também. Meus filhos cresceram nos Estados Unidos e >> não é muito diferente, né? >> Não é muito, tá piorando muito, piorou Muito ultimamente, mas é, eles são cobrados por memorização, são cobrados por, né, repetir o que eles ouviram. Não existe um incentivo da busca da descoberta, criatividade, né? Eu falei naquele dia no flow que a a minha avó que foi uma minha grande incentivadora para ser para eu virar cientista dis que eu ia até emendando já. >> Ela
eu usava uma frase, uso uma frase dela, sempre usei com meus alunos de pós-graduação, pós-doutorado, né, que Ser cientista é ser pago para ser criança pro resto da vida. >> Boa, >> né? E é isso que nós devimos incentivar, né? As crianças continuarem sendo crianças no sentido não que elas não amadureçam e se tornem adultas, né? Eh, eu tava até vendo um livro muito interessante do daquele sociólogo Nobert Norbert Elias. >> Uhum. >> Dizendo que a sociedade moderna ela Impede que as crianças virem adultos. Uhum. >> Né, da maneira correta, né? Ela joga você na
na fase adulta da sua vida, no mercado de trabalho, na nas universidades, seja onde for, sem preparar essas crianças para o que é essa vida adulta, sem literalmente e instruir essas crianças a fazer essa transição. >> Com certeza. adolescência, vamos dizer, para o adulto jovem, né? E eu acho que Nessa transição, principalmente no mundo moderno, a gente perdeu a noção de que nós vivemos no mundo altamente tecnológico. As crianças estão circundadas de tecnologia, mas ninguém diz para elas que tecnologia não é ciência, né? >> Isso aí. >> Então, >> tecnologia é aplicação, né? >> Aplicação.
Aplicação. >> Ela é extremamente útil para se fazer Ciência, mas a ela não é o ela não é o fim, ela é o meio, né? Então, as crianças não são introduzidas >> ao que é o método científico ou ao que é essa coisa. >> Eu eu acho que a ciência no mundo inteiro, eu acabei de voltar da Europa e a minha sensação se confirmou lá, né? >> Tá, é, eu tava na University College of London dando uma aula e >> se qualquer coisa nós estamos burocratizando mais e mais a prática da Ciência. Então nós queremos
toda essa série de rituais, mestrado, doutorado, pós-doutorado, é uma cadeia infinita de, né, obstáculos, eu não chamo nem mais de títulos, tá? Eu chamo de obstáculos, né, que você tem que cruzar >> para ser certificado que você pode ser cientista, né? E essa coisa tá matando o o processo de formação dos cientistas, porque você pode ter um jovem com mega talento, criativo, que não aceita a Imposição do dogma e tenta, né, buscar algo novo, mas ele é completamente decaptado no processo de certificação. >> Entendi. e vários cientistas. Eu tava conversando na Itália também, eh, em
Milão, o pessoal falando, a gente não consegue contratar estatístico ou cientista de dados pra universidade. Todo mundo tá indo pros bancos, todo mundo tá indo para, né, a iniciativa privada, >> mas nós não temos mais, nós conseguimos Competir, >> porque o que a gente oferece tanto do ponto de vista >> financeiro, principalmente >> finir, principalmente, não tem como competir, mas na, né, a gente fez essa opção, né, a minha geração, as gerações anteriores mais ainda, você sabia que você não tava entrando no, né, para ganhar que nem jogador de futebol, você tava entrando pelo prazer
de uma vida >> Sim, >> totalmente diferente. e e uma bolha. E essa bolha acabou. Essa bolha ela explodiu e os jovens não têm o incentivo, né, de continuar uma carreira acadêmica, porque eles olham e tinha um professor que dizia sempre para mim assim: "As brigas acadêmicas são sempre as mais sangrentas que existem, porque elas não valem nada, né? >> São coisas muito minúsculas, né? Brigas de egos e disputas por, né? Recompensas mínimas. E >> mas lá fora que você tem uma experiência grande lá fora tem tem essa briga também, essa brigaiada que tem aqui?
>> Nossa, meu Deus, eu passei, eu digo, eu digo pra minha mãe que eu sobrevivi 35 anos no sistema acadêmico americano. Nem sei como. >> Entendi. >> Nesse momento eu não tenho ideia. Nossa, uma berga de foice, mas muito pior que aqui, porque, né? >> Ah, você tá ali, você tá jogando numa outra liga, né? Entendi. >> Eh, aqui hoje em dia, é o que eu sempre falo, aqui se briga por coisas mínimas, né? Eu saí da USP, quando eu fui embora, cheguei nos Estados Unidos, que eu me dei conta, né, que um monte de
gente que eu via brigando à minha volta na USP e tal. Cheguei lá, ninguém conhecia, ninguém sabia quem era, ninguém tinha menor noção, né? E quando eu contava pro meu chefe, meu orientador e Pós-doutorado, como era que um jovem cientista tinha que sobreviver aqui, ele olhava para mim assim: "Uau, né? Era [risadas] era os contos noturnos de sexta-feira à noite de terror do John Chape, o meu, o meu orientador, né? >> John. Uhum. >> Mas lá o abriga é em outro nível, é num outro sentido, porque se disputa coisas muito grandes, né? >> Ah, sim,
sim. É, porque aqui eu sei que Tem pessoas aí que passam a vida dividindo uma parede, né? Uma sala do lado da outra e não se falam. >> Não, não se falam, né? Incrível. É, não eu vi coisas na minha nos anos 80 aqui em São Paulo, assustadoras, eu nunca imaginei. >> Mas isso prejudica para caramba, não prejudica >> não. Sim, porque é o que eu sempre falo, né, o talento humano pra ciência, o Brasil tem explosivo, como nada, não tem Nada a dever ninguém lugar do mundo, né? Eu conheço os temas acadêmicos do planeta
inteiro e o talento humano que eu encontro aqui no Brasil é, eu tive dezenas de alunos brasileiros geniais, extremamente competentes, criativos, só que assim, o sistema aqui é engessado. É, então o moleque vira doutor e ele tem que pedir permissão para orientar, sendo que lá fora você vira doutor, no dia seguinte, você é contratado para uma universidade, você Já tá orientando. Meus postdocs, terminava o póstdoc, eram contratados com professor assistente e estavam orientando. >> Entendi. >> Os alunos que se eles pudessem dar conta eles davam. Aqui não. Você tem que pedir permissão, tem que pedir
ordem, tem que beijar a mão. >> Aqui vamos te colocar numa matéria introdutória, entendeu? Que não tem nada a ver com com a sua especialização. Você >> vai ter que penar ali alguns anos >> e pedir a bção, né? Não, tem que pedir >> porque nós temos uma igreja no Brasil, né? Tem os caris, tem os bispos e >> é a famosa torre de marfim, né, que a gente fala, né? A >> é a torre de marfim, talvez lá fora aqui a torre um de é um pouco pior o material. É, [risadas] >> é verdade.
É pior, mas a pessoa que tá lá dentro se acha que tá na torre de Barfim, né? >> Não, não, meu Deus. É na coisa não é fácil não. >> Não, não é. Tá louco. Eu >> e o mundo acadêmico tá sofrendo nesse instante exatamente essa ruptura da bolha. Entendi. >> A maioria, né, de nós que optou por isso décadas atrás ou nos últimos anos, queria um lugar onde você tivesse fora do mundo, onde os, né, os seus valores de vida, o seu dia a dia fosse Independente da loucura >> que o planeta se transformou.
E isso acabou porque o mundo corporativo penetrou dentro das universidades, principalmente nos Estados Unidos, né? E elas se transformaram em empresas, né, que vivem dos grants do governo americano. >> Então o a métrica mudou >> e a bolha foi rompida, >> né? Então, tanto é que eu me lembro, meus meu melhor amigo na universidade Era um professor de história muito famoso e ele vira, o John French, ele virava para mim e falou: "Pô, não sei como você consegue viver no medical school, na faculdade de medicina, porque é um, né, corta pescoço, carote da exposta. Aqui
na história a gente ainda pode ficar fazendo nossos livrinhos aí, né? >> Ah, tá. Porque lá na medicina você tinha esses grants aí violentos. >> Era uma coisa, uma competição brutal, Né? E eu passei, vivi 35 anos disso, né? E é um jogo, é um jogo que as pessoas não têm ideia, né? É muito difícil de, de transmitir em palavras o dia a dia, entendeu? >> Não, isso aí imagino. Agora uma, mas isso aí, isso aí é totalmente ruim, mas tem um lado bom também, >> não? Tem um lado bom, tem. Eu vivi, eu acredito
que eu vivi na minha carreira, boa parte da minha carreira, 3/4 da minha carreira, diria, o última janela Do do modelo americano que deu certo. >> Entendi. >> Entendeu? Que é o apoio à ciência básica, eh, você ter a você não precisa pedir permissão para ninguém para fazer o experimento que você fazer. Se você é dono do seu nariz, >> você consegue o seu dinheiro, você tem o seu laboratório. O meu departamento tinha sei lá quantos professores titulares, não era um só. Eu não tinha que pedir bênção para ninguém. né? Eh, Fui fazendo minha carreira,
né? E e isso era o lado positivo e o lado positivo de você ousar, né? Eh, até mais ou menos 2010, até a crise 2008, a crise, né, bancários. Até aquele momento deu um tempinho a mais, uns dois, tr anos a mais. Eu me lembro quando eu eu fui pro Eu ganhei o prêmio do Ena do Pioneira War 2010. Eu fui lá, né, o Francisco Collins era o que veio até o Brasil para tirar uma foto conosco com no projeto da Copa com O Exo, né, porque ele falou: "Bom, nós financiamos você 30 anos, né?"
Eu falei: >> "Tem que lá ver o que que vai acontecer, né? >> Tentei fazer isso nos Estados Unidos, no, né?" >> Aí ele falou para mim: "Nós estamos vivendo os últimos suspiros desse modelo que você e eu >> crescemos, né?" Eh, tanto é, ele foi diretor do projeto Genoma, >> teve uma ideia, né? Hoje em dia ele não, Provavelmente não conseguiria e ele e o grupo, né, fazer o financiamento para fazer o que ele fez. >> Caramba. >> Mas o o projeto Apolo, >> né, com todos os as nuances políticas do projeto Apolo, >>
o cara falou: "Nós vamos precisar na Lua antes do final da década e os caras chegaram lá." E isso para mim, quando eu era moleque >> foi um foi um negócio assim, né? Porque Você podia sonhar alto e fazer. >> É mais ou menos como Santos do Mão fez e ninguém sabe, né? Então teve isso, a gente vai falar de saí de edição porque teve momentos ali nos Estados agora tá na na moda aí por causa do Oppenheimer, né, o projeto Manhattan. Foi uma um momento em que tinha eu chamo, né, de grana infinita, né?
É grana infinita. É >> o meu chefe que era um cara jovem, quando eu cheguei lá, ele tinha o quê? O John era 10 anos mais velho que eu, né? Eu cheguei na Filadélfia em 89, ele tinha 40 anos, 38 anos. O John veio, falava para mim, eu sou da geração onde 50% dos grantes eram financiados, ou seja, tinha uma chance em dois. >> Entendi. >> Eu vivi para ser um em 10, 10%. Só que quando eu eu no meio da pandemia que eu vi como a situação tava pintando, naquele momento tava entre um e
seis. Quer dizer, de cada 100 grants, seis eram financiados. >> Entendi, >> né? Então o você vu o meu orientador de pós-doutorado, que era só 10 anos mais velho que eu, era 50%, né? Então é o que você falou, os anos 70, 80, quando ele tava fazendo a carreira dele, e era dinheiro infinito, porque a ciência trouxe os Estados Unidos onde ele tava. Eles foram pra lua, eles ganharam a guerra, né? Eles se transformaram numa potência econômica no século XX, em final do século XIX, Começo do século XX, >> mas calcado na ciência, né? >>
Sim. E se você parar para para ler a história da ciência americana, o século XIX, a grande preocupação Jones Hopkins, né, que foi uma universidade que foi criada para fazer ciência, a primeira >> e sofreu uma perseguição medonha do IV League da Harvard, porque a Harvard era direito, religião, né, e não queria um. E o cara, o Jones Hopkins, deu dinheiro para criar a universidade porque todos Os cientistas de ponta em física, química, eram europeus, eram trazidos a preço de ouro e muitos não queriam vir pros Estados Unidos, né, depois da Guerra Civil, aquela confusão
toda. >> E o cara falou: "Não, nós temos que nós temos que ter um prêmio nobre de física americano. Nós temos que começar a fazer esses caras aqui, porque senão nós vamos ficar para trás". E eles começaram a ver a queda da Inglaterra, né? Eles começaram a ver como a Inglaterra tava Indo pro buraco. >> Certo, >> eles não queriam repetir aquilo lá. >> Não queriam repetir, mas eles começaram a trazer os caras ensinar, >> começar a trazer os alemães, começaram a trazer os ingleses e pagando o preço de ouro. E criaram uma massa crítica
que explodiu no século XX. Não é à toa, né? Que o projeto Marrata. Eh, a gente, o filme eu ainda não assisti, eu quero assistir, mas a crítica que eu li, Porque eu li a história inteira dele, conheci o lugar, fui lá ver, é, eu preciso ver o filme para >> para me situar como que foi, né? Porque o Alenheimer, ontem mesmo eu tava lendo uma coisa que o Einstein escreveu para ele, né? Uhum. >> Que o grande problema do Openheimer é que ele ele amava uma mulher que não correspondia o amor dele, que chamava-se
Governo dos Estados Unidos. [risadas] >> É isso aí. >> E foi isso que o Ester falou para ele, entendeu? >> Isso aí. Mas ali o legal, uma pá assim, não é nem é spoiler do filme, não. Muito lembra pro senhor, muito menos o mostra muito dessa dessa treta de cientista porque o Einstein tinha uma treta gigante com ele, né? >> É bom. Oppenheim era virou diretor do Instituto de Estudos Avançados, né? >> E o Einstein, ele foi isolado lá dentro. >> O Einstein tinha um grande amigo, >> né? E >> que na época era o
Godel, né? Na época >> Godel era o Kurt Godel. Então quando perguntaram pro Einstein no no quando ele tá antes um pouquinho dele morrer, >> qual por que razão ele ainda tava em Princeton, né? Porque naquela época quando ele chegou em Princeton, Princeton era uma fazenda, né? No lugar nenhum em New Jersey, né? Uhum. Ele falou pelo privilégio De ter conversas com o professor Kurt Godel. >> É isso mesmo. >> E ninguém sabe dessas conversas. Essas conversas não foram publicadas, eles não escreveram, não teve um documento, né? Uma história. E é Deus sabe o que
>> se falavam. >> Eu queria ser uma mosca na parede só para ouvir 10 minutos. Provavelmente não ia entender nada, mas >> tem essa cena no uns 3 segundos. 3 Segundos que pouca gente sabe, mas na hora que eu vi falei: "Caramba, olha lá cara os passeios dele com o gole." Não, e a e a história genial, né, que o Godel o tinha que virar americano para poder ficar na New Jersey. E ele tá indo no trem com o Einstein e com o diretor do instituto, um economista muito famoso, tô bloqueando o nome dele. Ah,
e eles estão coach, né, o o Gud para não abrir a boca, que é só pro juiz falar se ele acredita na Constituição Americana. E o E ele fala assim e acabou porque ele estava morrendo de medo que ele abrisse a boca porque ele não ficava quieto. >> Aí ele virou pro Aer no trem. Mas eu descobri um erro de lógica na Constituição Americana. E se um ditador, é possível que um ditador tome conta do governo americano porque tem uma abertura na Constituição e o W falou: "Pelo amor de Deus, hoje não, hoje não, qualquer
outro dia a gente conversa". Bom, então eles na audiência lá, >> o juiz tá fazendo todo aquele negócio tal. Aí o juiz vem e fala: "O senhor tem algo a dizer?" Aí o Godel, o Godel levanta o dedo [risadas] >> e começa a dizer: "Eu não sei se foi um Eino, se foi economista que quase deram uma para ele cala a boca, para ele conseguir virar americano, senão ele ia tinha que voltar pra Europa, né? >> Então você vê esse tipo de coisa, eu presenciei, Eu ainda consegui ver isso, tá? >> Essa liberdade de você
de você dizer: "Olha, não sei, eu não tenho a resposta, eu preciso conversar com o cara". Ele também não tem, mas eu quero ver, vamos ver. E não, e eu conversei com caras, infelizmente um deles faleceu recentemente, um dos meus heróis lá, que me ajudou demais, eh, professor Shepard, né, Gordon Shepard, porque eu cheguei na nos Estados Unidos, eu tive duas ofertas. Eu sempre conto Isso porque é importante pro jovem saber isso. >> Legal. >> Eu escrevi 59 cartas. >> O seu, só para, só para posicionar o pessoal, o senhor se formou aqui na USP.
É, eu tava terminando meu doutorado aqui na USP, na medicina USP. Tive que ter uma permissão especial para defender minha tese durante a greve dos professores da USP, porque eu tinha que ir paraos Estados Unidos, já tinha Emprego lá e se eu não defendesse naquele dia, né, tava frito, dia, né? >> Mas enfim. Ah, eu eu escrevi 59 cartas para os maiores neurocientistas dos Estados Unidos. Tive duas respostas só. >> Olha só. >> Uma foi um do cara de E Gordon Shepard, esse que acabou de falecer com mais de 90 anos agora. E outra foi
desse jovem neurocientista chamado John Chape na Philadphia. >> Entendi. >> E o meu professor, né, o professor César de Maria, falou: "Bom, não tem dúvida nenhuma, você vai paraa Io porque se você não for para E eu te dou um tiro na cabeça, né?" E falei: "Não, deixa eu conhecer, né?" E eu fui lá, conheci o Gordon Sheper, né? E ele queria que eu fizesse registro de neurônio isolado no bubofatório da Salamandra. >> Salamandra. >> É, eu olhei pra Salamandra, a Salamandra olhou para [risadas] mim e nós chega a Uma conclusão boa, ambos, né? que
nenhum de nós, que nenhum de nós teria uma carreira, né? Eu registrando Euronisolá Salamandra, no Bubofatório e a Salamandra também não foi muito com a minha cara. Aí eu fui na Filadélphia falar com esse cara que ninguém conhecia, né, na época. E o John virou para mim: "Eu vi o seu trabalho que você fez no Brasil e vi a carta que você me escreveu. Você e eu somos os únicos dois caras no planeta que queremos registrar Sem neurônio simultaneamente num bicho desperto. Não tem mais ninguém. E eles vão chamar ele de louco, eles vão dizer
que não, isso não vale nada, mas eu tenho dinheiro para fazer e você é o único cara que eu consegui que tá disposto a mergulhar de cabeça. >> Bom, voltei para São Paulo, falei pro Dr. César, eu vou pra Filadélphia, ele falou: "Não, não acredito. Ninguém sabe quem é esse John Chapy. Eu nem encontrei o cara no Rose Ruis Ru, né? na na eu Falei não interessa. Dr. Dr. César o cara quer fazer o que eu quero e o Gordon Shepard, né, lá com a salamandra dele >> na salamandra. Então você esperaria pelo, né, pelo
nosso habituê latino que o Gordon Sheper nunca mais falaria comigo, né? Porque eu tive que telefonar para ele, gastei uma fortuna na época, ele telefone, falava: "Dror Sheper, foi maravilhoso, o senhor me mostrou >> o escritório do Kushin, que é um médico Famoso, né? Ele tá lá preservado quando o cara morreu. O escritório do cara lá. >> Ah, o escritório ficou do jeito que ele >> ficou do jeito no último dia que ele, né? O cx era um cara para quem fez medicina era, né? >> Era. >> E mas eu falei: "Doutor Sheper, o o
John tá querendo fazer o que eu quero fazer". Ele falou: "Deixa, deixa eu investigar o John. Não, não recuse ainda a minha oferta". Passou umas duas semanas, o Cara me liga, fala: "Olha, chequei, o cara é bom, você tem que ir lá, a gente conversa depois, quem sabe você faz outro postdoc comigo, tal". Esse cara, Guardon Sheper, apesar de dizer não, pelos próximos 30 anos, ele escreveu cartas de recomendação para mim, para tudo. >> Que legal. >> E eu ia visitar ele, ele via me visitar na Duke. Eu, nós encontrávamos os meetings, ele morria, ele
ia ver meus Pôsteres, ele queria ver meu e antes, >> trabalho, ele ficou interessado. >> E antes da pandemia eu tava lançando o meu livro pela Yale, pela Invale Press. >> Deu a volta, né? Deu a volta. A editora me liga e fala: "Dr. Shepard, com 80 e tantos anos, me ligou que ele tem que escrever a o blur, >> o blurb do seu livro." >> Ah, olha só. >> E o cara me escreveu uma coisa maravilhosa, emocionante, né? Aos 80, Professor emérito já, mas, né? Um cara que eu não pude trabalhar aqui no Brasil,
o cara nunca mais olha pr sua cara, >> nunca mais olha essa cara. >> Então esse é o tipo de cientista que eu conheci, entendeu? Esse é o cara que ele tá a fim de ver o troço pra frente. Se é ele, se é o vizinho ou se é o cara da outra cidade, >> não importa, né? >> Não importa. Ele quer ver o progresso da Área, né? >> E eu me lembro do uma das últimas vezes que eu falei com ele >> numeting da Sociedade Fer Science, ele olhou para mim porque a gente ia
tomar, saía do coisa, ia jantar, ia fazer, ele não podia, ele tava muito velhinho. Ele virou para mim e falou assim: "Você fez muito bem de ir pro shaping". Ah, até até agora ele lembrava >> 30 anos depois, entendeu? >> Que legal. >> Então, esse espírito eh e foi a parte positiva. Eu acho que isso eu descobri lá, eu tenho que dar crédito. Tanto é que no prefácio do do meu primeiro livro nos Estados Unidos, eu agradeci ao taxpayer americano, que a minha editora falou: "Nunca ninguém agradeceu ao pagador de imposto americano." Eu falei: "Bom,
mas eles financiaram minha carreira, >> financiaram minha meu minha pesquisa >> quase 40 anos aqui, né?" >> Caramba. e agradecia a esses caras, ele, o John Cas, o John Chapen e vários outros, né, que alguns dos quais eu nunca trabalhei, entend? >> Mas que me ajudaram a amadurecer como cientista, a ir paraa frente. E quando eu pedi uma carta para eles, >> eles não recusavam nunca. >> Que demais. >> Nunca. É isso. Eu acho que é o o lado mais emocionante da minha carreira lá. E essa fazer parte de uma confraria, vamos Dizer assim, sabe?
>> Sim, com certeza. Hoje isso já meio se perdeu. Que você acha? >> Olha, é bem é bem é bem diferente. É bem diferente. Eu escrevo carta para todos os meus alunos até hoje, qualquer um pedir para ir jogar no New York Giants, eu escrevo a carta, não tô nem aí, né? >> Mas e mudou muito, mudou muito porque o cara do lado tá competindo com você pelo mesmo dinheiro, entendeu? Então a coisa fica bem bem séria, fica bem é e o como Eu falei complicada >> essa esse mundo corporativo, essa febre das startups penetrou
no mundo acadêmico. >> Entendi. >> Então todo mundo tem uma startup, tá? Então você começa a ter conflitos de interesse na revisão de projetos, revisão de papers, >> que eu nunca tinha visto muito muito e vai mudar, tá? Vai ter que ter uma, porque >> durante a pandemia houve uma explosão de fraude científica, né? maior explosão. É mesmo. >> Ou nas grandes revistas e tudo que você possa imaginar >> para todo lado. >> E para todo lado, não só nos dados, eh, né, sobre a pandemia, de de tudo, porque, né, foi um momento terrível >>
e e isso vai ter que vai ter que sofrer uma mudança. o processo de publicação e não dá mais para você ter duas ou três Pessoas revisando um trabalho e a a o destino do trabalho de anos ficar >> depender daquela, >> não, porque os conflitos de interesse hoje são gigantescos, né? E e não sempre declarados. >> Ah, é. >> Tá, isso complica, né? O que era diferente na época desses caras, né? Um outro cara famosíssimo, eu estudei pelo livro texto dele, chamava Verncastle. E o Verncastle, ele chegou para mim um Dia e falou assim:
"Eh, Dr. Nicoleles, na minha época, na minha, nessa tinha uma cadernetinha preta com telefones lá, aquela antiga, né, antes do celular. >> Sim, >> essa cadernetinha preta tinha todos os números de telefone de todos os neurocientistas do mundo, >> caramba. >> Na década de 60 cabia na cadernetinha, hoje são mais de 60.000, né? >> Então é é difícil você pôr na Cadernetinha, né? Certeza. E o mais curioso é que o esse cara, outra história genial, o Verncastle era um aristocrata da Virgínia, tá? O cara antes dele pro laboratório às 6 da manhã, ele andava de
cavalo toda manhã, >> caramba, >> na fazenda que ele tinha e ele andava com aquela >> roupinha, sabe? Aqua roupa de de de joking, né? >> De Joken, né? Perfeito. Aí ele chegava Lá, tal, >> e o Joe Chapin, o meu orientador, dizia assim para mim: "Eu nunca tive tanto medo do que de uma pessoa do que a minha entrevista com esse cara". Cara, não é possível. O cara é médico, o cara é um neurocientista. Escreveu o livro texto que todo mundo usava. Eu usei naqui na medicina USP, né? Ele falava: "Não, você não tem
ideia. O Vermont Castle, o o genro dele era o chefe das Forças Armadas Americanas na guerra do Vietnã. >> Caramba. E no livro de memórias desse cara, esse general West Miller, se eu não me engano o nome dele, ele escreve uma frase assim: "Eu nunca me senti depois de participar da guerra do Vetin combater VCong, bater não sei o quê, Cambódia, eu nunca me senti tanto intimidado quando eu tinha que almoçar no domingo de manhã na casa do meu professor. Caramba, >> para para pensar numa brincadeira dessa. Então esse era o cara que passava nos
Seus pôsters assim quando eu era moleque, né? E ele definia quem ia ter uma carreira e quem não ia ter. >> Olha só, >> se ele punha o dedo e falava: "Não, isso aqui não serve para nada, pode ser vai jogar bola, vai ser professor de algo mais". >> Mas se ele parava no seu posto por 5 minutos, olhava para você e falava: "Você pode me explicar mais?" Sua Carreira tava feita, entendeu? Ele era o a gente chamava ele do king maker. Sim, >> né? >> Uhum. >> Então, e foi uma época ainda romântica do
negócio. >> Que legal, né? Sabe, você ainda tinha esse contato humano com mentes brilhantes, né? E você, eu era um moleque chegando lá do, né? Tanto é que eu sempre conto isso. Minha primeira aula profissional nos Estados Unidos. Terminou a aula, eu já era pósdoc. O cara fala: "Universidade de São Paulo, é daí que você vem?" Eu falei: "É". Daí ele falou: "E que de parte da Califórnia é isso?" Falei: "Um pouco mais ao sul." Sério mesmo? Juro. >> Que doideira. >> Você já imaginou? [risadas] É, é, para você ter uma ideia o que era
os anos 80. você sair daqui para ir fazer ciência lá, entendeu? Era o jogo pesado. >> É. >> E tinha algum brasileiro lá já? Não, >> não tinha. Tinha brasileiros muitos famosos, mas eram poucos. >> E alguns não nem diziam que eram brasileiros. Tem essa também, tá? Tinha gente que nem se identificava como brasileiro, talvez com certo receio, né, de, >> né, e não tinha internet, não tinha nada, não dava para descobrir, não, não tinha. Mas era muito divertido porque o O meu primeiro aluno na na Duke, quando eu cheguei lá em 94, era um
descendente de paquistaneses. Deus, >> mas nasci nos Estados Unidos, tá? Imagina, nasceu em Idahou, Moscou. Moscou o cidade chama Moscou em Aidahou, que é o estado mais supremacista branco que tem dos Estados Unidos. O cara é filho de paquistano. >> Caramba. Aí o meu laboratório era o chefe do laboratório do Brasil e o Primeiro aluno do Paquistão. Então o apelido que deram pro nosso laboratório, sem contar pra gente, né? Era era piada do departamento, era o laboratório de lugar nenhum. >> Nossa, >> porque tinha um cara do Brasil dirigindo e um aluno do Paquistão, tá?
Apesar de ser americano, ele ele era mais parado na imigração americana do que eu quando a gente viajava pro exterior e voltava. >> Entendi. Por causa das características, Né? Pô, mas ele era cidadão americano e eu não era. E e era a coisa mais divertida do mundo, porque ele falava para mim: "Não é possível, olha, o meu chefe é brasileiro. >> Aí eu quero passar, >> não, nós temos que conversar". >> Então, e foi um momento, era um, era um momento ainda onde a ciência era muito mais talento >> Uhum. >> Esforço, né? Perseverança do
que dinheiro. >> Entendi. >> Tá, você não precisava de tanto dinheiro. Você conseguia fazer coisas muito boas, né? com muito mais dinheiro que aqui, né? Quando eu cheguei lá, eh, essa outra história que eu gosto de contar, o John virou para mim e falou: "Miguel, não precisa economizar seringa, não precisa economizar agulha, não precisa Fazer autoclave todo dia, a gente compra novo, tá? Tem dinheiro". Falei: "Não, John, aprendi assim. Trabalhei no Brasil, fiz minha tese lá, tinha que economizar tudo, tal, tal." Bom, seis meses depois, ele chega para mim: "Sabe aquele seu método de economizar?"
Falei: "Sei, continua fazendo. Você me salvou $3.000 Olha [risadas] só, é aquilo que a gente fala, o brasileiro de pena aqui quando chega lá, né? A gente põe o nosso estilo e esse barato De você improvisar, de você ter que se virar com pouco, >> para mim foi espetacular, porque eu cheguei na Duke, consegui alguns prêmios rápido, né? Mas eu consegui fazer com o que eu ganhei muito mais do que o cara do lado. >> Uhum. Porque o cara do lado não não saía da cadeira se não tivesse o, >> né, o equipamento de última
>> tinha que tá tudo certinho, né? >> Tudo certinho. E eu até brinco com o Pessoal que quando eu começo a falar de inteligência artificial fala: "Ó, o tiozão aí nunca mexeu". Bom, eu programo há 40 anos, né? Eu programei os primeiros Apple 2 que chegaram aqui na USP. Eu fui o o eu era aluno de medicina, para você ter uma ideia. Ninguém sabia mexer em computador. >> Você pegou lá e foi na raça. >> A medicina ganhou 25 computadores Apple 2. Eu era o responsável pela por lidar, manter, programar e e foi daí que
nós Criamos uma disciplina. Eu fui professor da USP por dois anos da disciplina informática médica, né? >> E eu trouxe aqui o Alexandre, não sei se conhece. >> Qual deles? >> Alexandre Kiveato. >> Não, acho que não. >> Que hoje ele dá aula lá na medicina na parte de de data science inteligência social. E o Coix Samishima, que era meu colega do turma, que deve estar se Aposentando agora. Nós dois tinhamos acabar de se formar. Nós somos os primeiros dois professores de informática médica do Brasil, tá? E da América Latina, provavelmente tá ali. Olha só.
>> E a gente começou a aprender Pascal, basic. Eu saí do Brasil programando Prolog, Lisp. >> Sim. >> Né? Program todas as linguagens da moda dos final dos anos 80, né? >> Uhum. >> E quando eu chego nos Estados Unidos, eu vi os caras, né, que não sabiam fazer nada. ou ou muito pouco. Então eu comecei a treinar os meus estudantes da maneira que eu fui treinado aqui, fazendo tudo >> de cirurgia a programação. E esses caras hoje estão, né, professor da Princeton, professor da Berkley, enfim, >> criou uma galera legal aí, né? >> É.
E eles e eles perceberam que ciência Não era só a parte técnica, porque eu sempre falava para eles, né? Tecnologia é uma coisa, mas a questão é o que você quer perguntar? Porque, qual é a pergunta que você quer fazer? >> É isso que meio tá se perdendo, né? >> É isso que tá assumindo. Isso tá sumindo. O meu, o os últimos alunos que eu tive no Estados Unidos antes da pandemia chegaram assim para mim: "Eu quero trabalhar com microscópio dois fótons". Eu falei: "Não, ótimo, nós Temos microscópio dois fotótons". >> Exato. Qual é a
pergunta que você quer fazer? Ah, não, eu quero trabalhar com microscópio de dois fotos. Eu falei: "Não, veja, você vai usar uma ferramenta, talvez você use o microscópio dois fotos, mas depende do que você quer estudar, né? Depende do que você quer perguntar, porque não adianta você só falar: "Não, mas é que para conseguir um emprego no MIT, eu preciso saber como funciona o Microscópio dois fótons, né?" Eu falei: "Bom, isso não é bem o caminho, >> né, para ser um cientista, né?" >> E é difícil. Eu tenho, eu tenho aluno também que chega para
mim e fala assim: "Não, não, porque eu quero mexer nisso aqui". Eu falei: "Calma, cara, você não sabe nem o que que você vai fazer. É, talvez isso que você queira mexer. Não, não, mas eu quero porque eu fiquei sabendo que estão contratando quem mexe com isso. Eu falei: "Então, aí o que que Eu falo?" Então, beleza. Então, você não quer fazer ciência, você quer se preparar pro mercado de trabalho. É uma aí é uma outra coisa, entendeu? Não é, não é muito, é muito conflitante isso hoje em dia. >> Isso muito >> é muito
porque mesmo porque eu acho que é o primeiro momento que você tem desemprego de cientistas fora daqui, não no Brasil, né? Fora na Europa, na nos Estados Unidos, porque as Universidades não estão conseguindo dar conta, >> né? >> Então, ah, o mercado de trabalho antigamente não era o nosso o fator decisivo para o que você queria perguntar. Exatamente. >> Eu lembro claramente disso, né? E e hoje não, hoje é o que >> hoje é o contrário, né? Vem, vem do isso para mim que é a parte ruim, o tipo, o problema vem deles, né? É
isso, né? >> Sim. É. E e é e esse outra coisa que a gente perdeu também, tá perdendo, né? Que é essa fazer parte de um time, sabe? Você pode nem conhecer o cara. Eu eu depois de muitos anos eu encontrei um um professor japonês que eu li todos os trabalhos dele pra minha tese de doutorado aqui no Brasil. >> Legal demais. Você encontra pessoa, né? >> [ __ ] E eu nunca tinha visto o cara, né? Mas aí em 93 eu fui pro Japão e fui Japão com com o John John Chapin, né? E
de repente t lá no congresso, Sociedade Japonesa de Neurociência, porque nós íamos dar, eu e ele íamos dar palestras, né? E não é que o cara vem falar comigo, eu olho no no craxado o cara, falei: "Não acredito". é o cara que eu ficava em cima lendo os papers, né, cara? Isso, isso é uma das coisas mais sensacionais. Sensacional, porque na época também não tinha internet, não tinha nada disso, né? E aí eu fui um saco, o cara eu Contei para ele que eu, né? E o cara ficou todo feliz, né? Porque no alguém no
Brasil tinha criado um programa de computação com os dados que ele gerou. >> Dos. Olha só, >> né? Porque eu eu estudei a eh quais os caminhos não diretos de núcleos do cérebro, de neurônios que controla o coração, função cardiovascular. E ele era o cara que tinha descrito todas essas conexões diretas. Então, criei uma matriz com as Conexões diretas e fiz a pergunta: se eu sair de A e quiser chegar em Z, mas não for direto, >> qual que é o caminho que faz? >> Qual os caminhos? Eu usei os dados dele. A vida dele
tava no meu programa de computador, mais de 50 papers. E eu me lembro, eu sempre conto essa história porque é muito legal, eu programei os meus 20 Apple >> Uhum. >> com 20 caminhos e perguntei >> quantas vias existem possíveis, né? E pensando, ah, vai dar umas 50, vai dar umas 100. E isso era sexta-feira antes do carnaval, 1983, se eu não me engano, 82, 83. E fui pro carnaval, né? Quando eu volto e deixei os computadores de gatos com a impressora rodando. >> É, Dr. Arnaldo no porão. [risadas] >> Eu era, eu limpava a
sala, eu entendi >> dava o cafezinho, arrumava os computadores, né? >> Enfim. >> Fui pro carnaval, quarta-feira à tarde eu volto, o troço rodando ainda. Eu acabei com a com o suprimento de papel de impressora da faculdade. >> Caramba, >> porque eram centenas de milhares de vias, dezenas de milhares de vias. tinha uma que chegou a quase 1 milhão de possibilidades. E isso foi minha tese, né? E e esse cara >> foi a primeira vez que teoria de grafos Foi usada para analisar >> essa a conectividade cerebral, né? >> E tudo, a boa parte dos
trabalhos eram desse pesquisador que eu só fui encontrar 10 anos depois. >> Isso é demais. >> E isso a gente perde, eu acho. Eu acho que a gente tá perdendo, né? Eh, porque eu criei vínculos científicos com gente que eu nunca encontrei. >> Uhum. É, não é isso mesmo. E eles ficam, é legal porque ele se eu também já Aconteceu isso de encontrar em congresso. Isso eu falo pro pessoal para ir em congresso, porque hoje o pessoal não quer muito em congresso mais, né? >> É, ele tá, os congressos ainda estão tentando se adaptar, né?
>> É, >> ao mundo eh, pandêmico, né? >> É. Não, mas aí eu pego que no caso do Brasil, por exemplo, que a gente tem o tal do Latis lá, que ele não dá muito ponto para Congresso, então o pessoal Não quer ir em Congresso, sabe? >> É, mas isso é outra coisa. Os melhores meetings que eu fui na minha carreira não dão ponto para nada. Exatamente. Mas o conhecimento, encontrar os caras, isso aí não tem, não tem preço, cara. >> Você sentar para jantar com certos caras que eu conheci na minha carreira, >> não
tem preço, não tem ponto que que vale aquilo, >> não. O cara que descobriu a plasticidade do adulto, do cérebro adulto, se chama, São dois, né? Um, ambos são grandes amigos meus. Um é >> é a mais amigo meu, John Cas, né? Eu tenho inclusive um trabalho publicado com ele. O John Cas, primeiro primeira vez que eu saí do laboratório do John lá na Shaping lá na Filadelphia, foi o convite do John Car para ir pr pro Tennessee, porque ele é o Centennial Professor, que é é o título mais absoluto da Verbuild, Verbild University, tá?
>> E ele falou: "Olha, você tá usando esse barato aí, essas esses e corantes para marcar conexões neurais e fluorescente? Vem aqui, eu tenho vamos fazer uns experimentos aqui comigo. Eu eu falei: "Não, tá bom, mas eu não não tenho onde ficar, não sei". Ele falou: "Não, você vai ficar na minha casa, tal". É sim, os car >> fquei na casa do cara, né? Aí amanhã, a primeira manhã eu imagina, né? Um dos É, você tá falando com com o Einstein da Sua área, o Goldel da sua área. O cara me põe no Chevete, o
>> Ford Scort, perdão. Ele, o primeiro carro dele foi Ford Scort. Eu sento no banco do passageiro e sinto, não tinha mais almofada, né? Aí eu sentei, senti um troço estranho no banco, põe a mão atrás, quando eu puxo tinha um sixpack de cerveja, né? Aí eu olhei pro Dr. Cas, meu herói neurocientífico, olhei pro cara, ele falou: "Você nunca sabe quando os russos vão atacar. >> Esta é minha reserva, esta é minha reserva e e, né, estratégica pessoal. Eu falei: [risadas] "Meu Deus, eu estudei a vida desse cara de trás pra frente, fico na
casa dele achando que eu tô no templo da neurociência e de repente o cara senta em cerveja para ir para trabalhar, né?" >> É. >> Não, mas eram as melhores conversas do mundo, né? E e esses meetings eram meetings pequenos. >> Sim. >> 15 caras, 20 caras. >> E se você era convidado, você já ficava, >> né? >> Já tinha alguma coisa, né? >> É, tinha alguma coisa rolando, né? Então isso tudo eu acho que a gente tá perdendo, né? Porque hoje você vai no na sociedade de neurociência americana, você tem 40, 50.000 caras lá
e você não consegue ver nada, né? Porque é um é um é uma cidade. >> Uhum. >> Né? E é mais um evento social mais do que nada, porque não dá tempo de você quase fazer nada, né? >> E com a pandemia, evidentemente, não teve durante anos, né? Então, mudou muito, mudou muito, né? Mas esse contato social entre cientistas, eu também acho que ele tá sofrendo com o mundo moderno. >> Sim. >> Com as nossas ferramentas modernas, né, De de >> interação virtual, né? Pessoal tá perdendo isso, né? É triste, né? Mas por causa disso,
né? Tem que ter heróis, cara. Eu falo, tem que ter, você tem que ter seus heróis aí para querer encontrar, cara. mesmo verno monquera uma brabeza da, né, do cão. Eh, você vê esse cara andando na direção do seu posto e você fala: "Bom, esse é essa é a bifurcação da sua carreira". >> É ali, né? É um momento decisivo, né? [risadas] É um momento decisivo, não é isso mesmo. Mas e aqui o Isaac aqui tá mandando uma pergunta aqui, ó. Ele falou: "Quero muito ser neurocirurgião e depois migrar para neuroengenharia". Pode perguntar para o
Miguel Nicolelles como eu posso conquistar isso? B é um caminho, esse é um caminho, é o mais tortuoso possível, né? Porque pra neurocirurgia, depois da faculdade de medicina, agora no Brasil, não sei Quanto é mais, mas vai fazer cinco ou se anos de residência, depois você provavelmente vai ter que fazer um estágio, uma especialização. Então você vai comer boa parte da sua vida. Nesse momento você vai começar a operar depois de todo esse tempo, então vai ser difícil você voltar pra neuroengenharia, né? Entendi. >> Então, acho que neuroengenharia geralmente o pessoal faz engenharia biomédica ou
faz medicina e vai fazer Doutorado ou faz biologia e vai fazer doutorado. Nós temos lá em no nosso instituto Rio Grande do Norte o primeiro mestrado de neuroengenharia da América Latina. >> Olha que legal. >> Nós já temos mais de 120 mestres, né? Estamos esperando para por alguma razão misteriosa, a gente não consegue ainda autorização para ter o doutorado que já era para ter há anos, né? né? >> Olha só, >> porque desde a Copa, desde 2014, quando a gente fez o projeto, a gente transferiu toda essa tecnologia >> para um instituto para criar um
mestrado. >> Uhum. >> E e e estamos inclusive exportando o nosso currículo para fora do Brasil, para pra Europa, para outros lugares do mundo que querem ter >> currículos de doutorado em em neuroengenharia, tão usando o modelo Nosso. >> Entendi, >> né? Mas >> mas aqui não, né? Mas >> mas aqui o problema é isso, é toda aquela burocracia, todo, né? um sistema de o pessoal pegou métricas de economia e jogou em ciência. >> Uhum. >> E acha que isso é para me eh você vai mensurar resultados com índice de citação, índice de não sabe
e tudo isso >> virou o cara virou um administrador de tabela do Excel, né? >> Mais ou menos, né? >> É isso, né? >> E e o todos os julgamentos são eu chamo do economês, né? Você usa o economês, né? O índice de eh aqui é o índice de >> gravidade, né? o peso específico do papel que você produz, né? Põe na balança, mede, dá um número. >> Não é isso? Os caras usam isso aí hoje em na maior parte dos departamentos que Eu conheço como se fosse um negócio de empresa, entendeu? Cara, você tá
abaixo da pô abaixo do quê, cara? Eu tô aqui fazendo pesquisa, ciência, cara. Você sabe que eu peguei 30 alunos e fui pro meio do mato lá com eles e tal. Eu não, não fica, eu sempre uso o exemplo do Darwin, né? Você imagina o Darwin chegar pro chefe do departamento dele: "Olha, eu vou produzir um livro que vai mudar a história da biologia na no mundo. Vai mudar o mundo, mas eu vou levar 20 anos. Então eu preciso de uma você ter paciência que daqui a 20 anos eu publico barato, né? O cara ia
olhar para ele e falou: "Tchau, né?" >> Exatamente. Hoje não, hoje você tem a meta, ó, você tá abaixo aqui, ó. A a nossa tem meta, tem meta de publicação. Uau. É, eu não vi, isso não chegou a e eu não passei por isso mesmo. Porque >> tem meta de publicação. E aí o que que acontece? Se o cara faz um trabalho e ele vai pegando pedacinhos do trabalho >> e publicando porque não, cara, eu tenho que fazer porque eu tenho que atingir a meta, porque tem um quadro, tem lugar que tem quadro, entendeu? É
uns negóci assim, sa nem sabia, nunca vi isso. É, >> isso aí é, eu acho meio terrível isso aí, >> não, isso não tem menor sentido, né? Não tem >> é eu eu me lembro 10 anos atrás, 2010, 14 anos atrás, quando eu vi qual eram os critérios, o polinômio lá para você Cientista 1A, né, o A1 do do CNPq, eu falei: "Olha, >> Einstein, Darwin, nenhum desses os caras não tinham aluno de doutorado, né? Não, né? O cara, o Ein quatro, cinco trabalhos no mesmo ano. Os caras iam achar que era pouco, né? Mas
cada um deles fez, ele fez cinco trabalhos e acabou, né, cara? Isso aí. Ele fez outro, mas é, o pessoal falou para mim: "Não, mas ele publicou 200 trabalh". Eu falei: "Não, mas não tem nem comparação O que aconteceu no ano Nobeles dele com o resto, né?" >> Claro. >> E mas cada um daqueles era um um prêmio Nobel. Ele podia ter ganho quatro, cinco, né? Mas ele não tava ali fazendo aquilo e impulsionado por uma métrica que ele tinha que bater, uma meta que ele tinha que bater, né? >> Não, imagine o goddel >>
só o que eles gastavam de tempo conversando, né? É, não >> é isso mesmo. É, o pessoal tá aqui até lembrou aqui o Robert é os tals. É isso mesmo. A universidade ela usa um negócio que a gente usa na indústria >> para medir como que é o desenvolvimento de um projeto. Não. Ah, você tá abaixo dos KPIs aqui, tal. Cara, isso é um negócio não existe, cara. Entendeu? Não existe >> não. Mesmo porque e você descobre um monte de coisa no meio do caminho. >> Exato. >> Você atira num lado e você acerta, né?
Dois coelhos do outro lado, né? Isso aconteceu tantas vezes na minha carreira. Eh, você é não, você tá, você tem uma ideia, >> você tem evidência que esse caminho é o, aí você começa a ir por esse caminho, de repente aparece uma um negócio muito maior do que você, >> você vira totalmente, tá tudo bem, né? >> E isso é o imponderável da ciência, que É não computável, não é reduzível a uma métrica. >> Não tem. Exatamente. >> Tem, é isso, >> né? E as pessoas têm que eh porque o problema é o seguinte, eu
acho que tudo isso deriva do fato que a ciência não é encarada no Brasil como um investimento estratégico, >> não é? Mas isso aí não é mesmo? Não é. >> É. Então o porquê dos Estados Unidos teve esse período de ouro, vamos dizer Um século, vai porque eles falaram: "Nós vamos jogar dinheiro no negócio e nós não vamos ficar preocupado com quanto dinheiro nós jogamos. Nós vamos ficar >> e nem com resultado assim, né? Imediato. >> Vamos fazendo, vão fazendo, né? Isso. O quando o Kennedy, eu não sei se você viu a história, quando o
John Kennedy disse que queria ir pra Lua, >> isso, >> ele tava no meio de uma crise política Tremenda. Ele precisava galvanizar o país para, na época ele foi eleito por um fio de cabelo, né? Tem gente que acredita que o pai dele foi de lavada, né? >> É. Não, ele perdeu pro, ele ganhou do Nixon, mas em Chicago, onde o pai dele era nos anos 20 era fazia contrabando de álcool, né? Por isso que ele ficou bilionário. Acredita-se que até morto votou naquela eleição para eleger o Kennedy. Tá, [risadas] >> ressuscitaram uma meia dúia
lá, né? Ele tava num momento instável, né, para decidir se ele ia conseguir se reeleger e tal. O cara vem e fala: "Nós vamos pra Lua". Ele não tinha a menor ideia. Os caras da NASA não tinham a menor ideia que eles iam conseguir, tá? Só que ele falou: "Nós vamos pra Lua antes do final da década." E foram. >> É, ele chamou no coração da galera ali, né? >> É. O negócio, eu conheci o filho de um Dos engenheiros que trabalhou com o Von Brown. >> Olha que demais. >> É, o cara trabalhou na
equipe da do do Saturno 5. >> Saturno 5, lá no começo. É. >> E o cara contava, ele cresceu, né? E ele não viu o pai porque o pai sumia, laboratório, pro laboratório sumia porque eles eles tinham que chegar na lua e não tinha veja o que eles jogaram de dinheiro para chegar na lua. É algo Hoje nunca aconteceria. menor chance, tá? >> Só que quando o cara, e o mais divertido, eu conto isso também, ninguém sabe, né? New Armston pousou na Lua no dia do aniversário de Santos Dumon, aí >> 20 de julho de
1969. >> É isso mesmo. >> Quando o cara pousa, né? Ele põe o pé ali, o aquilo pro pro pra psicologia americana, pro moleque que tava assistindo televisão, pro professor Universitário, pro cara que trabalhava na ferrovia, não interessa, no aeroporto. Os caras falavam: "Nós somos imbatíveis". >> É, >> nós som pra Lua. Eu tô olhando aqui pro céu, tô vendo a lua, tem um cara ali, né? Isso fez um algo para para o o inconsciente coletivo do país que mudou porque eles estavam no meio de uma guerra, tava numa meio de uma disputa quase que
uma guerra civil por, né, os Direitos civis nos anos 60 estavam comendo os Estados Unidos por dentro, né, >> e de repente os caras pousaram na lua. Então o impacto disso tá sendo reverberado até hoje, né? Quando você fala da NASA, >> claro, >> fora dos Estados Unidos, todo mundo fala: "Uau, a NASA ninguém sabe o que é, mas todo mundo fala: "Uau, né? Você fala da NASA hoje, a impressão é que ela Continua tendo grana infinita e não tem hoje é uma briga de Eja, fortunas estão sendo feitas porque terceirizaram >> sim pro SpaceX,
por exemplo, o dinheiro que seria da NASA. >> É, >> né? E até eu faço isso, né? Se me derem 9 bilhões de dólares sem sem licitação, sem preocupação, a gente monta o foguete. É só pegar os caras da NASA e fazer, né? Que >> traz engenheiros lá, né? Isso mesmo. >> E o Brasil deu a sua base de alcân deu. Ninguém consegue explicar isso para mim até hoje, tá? A base de Alcântra foi entregue, né? Ninguém ninguém sabe, ninguém fala. >> Não, mas não foi entregue não. >> Não, mas você a gente entra lá.
>> Ah, não. A gente >> eu fui, eu fui, eu fui visitar. Mas assim, o Mas se eu falo o quê? Do do acordo aí que a gente assou. >> É, eu vi o acordo um pouco que eu que eu vi, né? Eu tava na China quando eu vi esse acordo. >> Então, mas é que o acordo de salvaguardas ele é mais pra questão de é o que tem, por exemplo, lá na Nova Zelândia que hoje lança o foguete do da Rocket Lab, entendeu? >> Sim. >> Pro das peças são americanas, aquele acordo ali, ele
é meio para garantir que quando chegar um negócio aqui, nós não Vamos desmontar e >> Ah, entendi. >> fazer tal coisa. >> Mas olha, eu fui lá para Alcânra. Eu fui para Alcantra em 2016. Foi uma das coisas mais emocionantes que eu já vi na minha vida, sinceramente. >> Era tudo feito pelo aqui, né? >> É, aqui no IMP aqui. >> Isso é mandado para lá. >> E de do CTA, né? >> CTA. Ali no CTA >> ali em São José dos Campos, que eu também visitei. >> Foi uma das coisas mais emocionantes que eu
vi, tá? Aquilo lá para mim era um dos e eu fui, eu tava um dia, isso é outra coisa que mostra como o guestal de países são diferentes. Ninguém no Brasil sabe nada de Alcântara, >> não. >> Você pergunta na esquina aqui, ninguém vai saber. >> Seja, eu falo exatamente isso. O pessoal Ficou falando de Alcant, falei: "Cara, vai na esquina aí, pergunta para 10 pessoas, você sabe onde que fica?" >> Fica. Mas então, eu tava na China quando eles soltaram o primeiros satélite quântico. >> Ah, o Ah, tá. O quântico, tá? Tô ligado. >>
É, eu tava numa no refeitório do hospital. tá passando na televisão, o pessoal levantou e aplaudiu, emocionado, como se fosse o gol de Copa do Mundo. >> É isso mesmo. >> Os caras celebraram como se fosse, juro, como se fosse o gol, né, do Brasil na final da Copa do Mundo. Eu e tudo médico não era físico, era tudo gente de medicina. >> É porque era uma ali era um, vamos dizer, um feito do país, né? >> Do país. Do país. E eles vão pra Lua agora. >> Vão e vão chegar antes. El >> eles
vão chegar lá. Eu acho que eles vão chegar antes da NASA de novo. >> Vão chegar antes. Sim, com certeza. >> Então, mas é isso que eu sabe o pessoal falando o que é ciência, o que que é, qual é a definição, qual é o que significa para mim significa isso. É, é uma outra expressão de arte, né? Uma outra forma de expressão artística. É diferente, né? Mas é é a mesma que deveria ser celebrada ou compartilhada, comemorada como, né? >> Sim. Exatamente. >> É o, é por isso que eu digo o Santos Don, né?
Foi a, o aniversário de 150 anos dele, né? >> Isso. >> Agora, semana, dia 20. Esse cara, [risadas] esse cara abriu o mundo pra modernidade. Não deveria ser só a aeronáutica que celebra o Santos do M. O Brasil tinha que parar. Dia 20 de julho e tinha que ser, tem tanto feriado, tinha que ser um feriado nacional pra gente celebrar >> um ato de ousadia, de loucura, né? O cara sentar num selinho de bicicleta, >> fazer o que ele fez, né? de seda japonesa, bambu e cordão de nylon de piano e contornar a torre e
feles, você vai lá na França. Eu eu fiz uma viagem em 2013, onde eu fui por todos os pontos fundamentais das decolagens dos Santos do Mon, tá? >> É, desde os balões, tudo tudo. Campo de Bagatelli do 14 Bis, mas eu o mais Importante é Sancude. >> Sim. onde ele no dia 19 de outubro de 1901 ele decolou, finalmente contornou a Torre Fel e ganhou o prêmio Deut, né? >> Isso no balão, né? >> No balão, no dirigível, né? >> É isso aí. >> A praça chama Santos do Mon, >> a estação do metrô chama
Santos do Mom e criaram um doce na época que ficou >> Ah, é famoso doce Santos Mom. Doce Santos Tum. Sei disso. >> Isso foram os franceses, >> tá? E tem uma pedra no centro dessa praça, tem um Ícaro >> na ponta dos pés se projetando em direção à Torre Fel, né? E na pedra tá escrito homenagem do clube aéreo da França ao grande Santos do Mon, né? Quer dizer, é, ele é o cara muito mais respeitado, admirado fora do que aqui. Isso aí não tem nem dúvida. Que é até triste, né? Pr caramba. >>
É triste para caramba porque é um cara Que e e as pessoas falam: "Não, o Santos Dumon se suicidou porque ele viu o avião sendo usado na revolução de 32, tal". É parte, é isso, mas não é só isso. Ele tinha uma mágoa de não ser tratado bem no país dele, porque o balão chamava Brasil. >> É, >> né? Então não é o só o Openenheimer que tem um problema com uma mulher bonita que não que não retribui esse amor, né? Examente. É, mas aqui era mais que uma Mulher que era a nação toda, né?
Era só o governo, né? >> Não era só o governo, aqui era nação. >> E ele também nem precisava do governo, né? Ele tinha, ele tinha grana, né? Não, ele era o fazendeiro de café mais rico do mundo. >> Eu falo, tem um pessoal que eu não gosto, não sei se, mas eu falo, o Santos do M era tipo o Elon Musk da época, cara, entendeu? >> Ele era muito melhor, né? >> Mas pela questão de grana, >> não, não. Grana, ele era um bilionário. Hoje ele seria um bilionário. É, o pai dele quando faleceu
>> deixou deixou pro Santos Dumon a maior fortuna de fazendas de café do mundo. É, >> né? >> É, acho que a mãe dele chegou para ele e falou, né? Cara, você é um dos caras mais ricos do mundo, que que você vai fazer agora? >> Isso não. E ele falou: "Vou voar". >> É, >> você já imaginou? Eu li, as biografias dele são sensacionais, cara. >> Não, e o e os designs dele, porque além do da do projeto de engenharia, ele tinha uma visão estética >> de como ele ia voar, tá? Por eu sempre
conto isso para meus alunos americanos, inclusive. >> O Demoel, >> Uhum. >> como não tinha botão, né? Não tinha o Que hoje a gente, né? No avião >> é tudo alavanca, né? >> Alavanca, é tudo analógico, né? Ele conectava o terno dele aos cabos >> S. >> Dos controladores, né? Do do do o estabilizador horizontal, vertical, >> o o que era, né? A >> é porque aí ele mexia tipo o corpo, né? Com o corpo ele ia. Eu eu falei outro dia, não me lembro onde foi, eh o Santos Dumon era um grande neurocientista, Porque
ele fala numa das passagens do livro dele >> que teve um momento que ele sabia que deu certo, é quando o avião ele incorporou o avião como extensão do corpo dele. >> Cara, que demais. >> Isso a gente veio provar 100 anos depois. Era um exoesqueleto. É, exato. Era o exoesqueleto aéreo. >> Exatamente. >> Mas isso foi provado. Isso foi provado Por meu laboratório, outros laboratórios fizeram experimentos, demonstraram categoricamente que é isso, né? E o e ele teve a percepção >> de entender que o corpo dele tinha se estendido pro limite do avião >> e
aí ele tinha controle daquilo ali. Total daquil total. Então por isso que ele falou que ele ele se sentia como um pássaro, né? Certo. >> Ele se sentia a dinâmica do fazia, né, >> o banking do avião era o corpo dele que Tava fazendo, né? Porque ele tinha que mover o >> porque ele fazia ali tudo preso na roupa, né? >> Mas como que vocês provaram isso? Essa parte é interessante. Como isso? Ah, nós nós fizemos em macaco, >> estudo em macaco com ilusões. Nós criamos ilusões em usando realidade virtual >> que e tem um
fenômeno chamado fenômeno membro de borracha. >> Ah, e eu sei o que que é. Eu acho terrível esse negócio. >> É, mas funciona. É real. >> Funciona mesmo, né? Nós fizemos >> só para explicar, explica pro pessoal o que que é o domingo coisa sensacional, né? Você, por exemplo, você põe os seus dois braços aqui e um cara vem com, a gente usou pincel, né? Pincelar, né? Então você pega no na pessoa que pode falar com você, evidentemente o macaco não fala, você passa primeiro no no Braço dele e ele sente, evidentemente. Aí você põe
você, né? Primeiro você >> tem um tem uma divisória aqui no meio. Isso, isso mesmo. Mas primeiro ele vê, né? A gente fazia com a versão em que ele, você põe um membro de manequim, um braço de manequim >> e você começa a passar nos dois ao mesmo tempo. E ele tá vendo primeiro os dois ao mesmo tempo. Aí você põe essa divisória, >> isso >> que oclui a visão do braço de manequim, >> que ele não vai saber aonde que vai passar. >> Exato. E aí ele não tá vendo, né? Então você começa a
passar nos dois, né? Mas ele tem que ver no começo para fazer a associação. >> Certo. Certo. >> Só que depois você põe o braço do manequim em cima ou você oclui o braço dele, né? A gente punha em braço da mesa, embaixo da mesa, >> o braço do macaco e põe o braço, ou um braço de manequim ou um braço virtual, literalmente um computador com braço virtual. E aí você, no nosso caso, a gente punha um estimulador virtual no braço virtual e o cérebro do macaco respondia como se a gente tivesse tocando >> no
braço dele de verdade. Só que a diferença é que a gente registrou >> sim >> a área tátil. Vocês colocaram vários Sensores no cérebro e ali foi foi medido. E os neurônios ligavam >> como se você tivesse encostando no braço dele. >> Então o negócio do braço de borracha de é verdadeiro. >> Não, não é uma ilusão famosíssima. É um amigo meu da Princeton que que foi o primeiro a publicar isso, né? Ele usou undergrads, né? Alunos de Sim. >> de de graduação. >> Graduação como cobaia. >> Como cobaia. >> E quando ele publicou isso,
todo mundo achou que era loucura, né? Mas tranquilo, foi reproduzido em todo lugar. Aí chegou a medida nos alunos. >> É, ele só não fez os sensores cerebrais, ele fez comportamentalmente, né? Tem até um vídeo que roda aí na internet que mostra >> o experimento. >> O experimento e um rapaz que ele dá com martelo, né? >> Isso é o do Ah, esse é do martelo, então experimenta. Experimenta. É. E o cara dá dá uma martelada num membro de borracha e o cara dá o berro e tira o braço dele, né? Tá embaixo, né? Isso
mesmo. >> É. >> Então essa ilusão é real. E mas o que é mais incrível é que você documenta, a gente documentou, né, o o os neurônios da região tátil do Córtex, que é essa parte mais superficial, respondendo ao estímulo no membro de borracha depois da Car >> depois que houve essa associação, né, porque é uma associação votátil, né? >> Entendi. Tem que ter primeiro associa Mas isso aí é é tá ligado ao que? Ao negócio do Santos do Moment, >> tá ligado ao fato que o cérebro humano ele incorpora todas as ferramentas que a
gente desenvolve. Por isso que nós somos animais tão >> por isso que o Sena falava, cara, que ele tinha, ele falava assim: "Eu tenho Muito medo porque tem hora que eu acho que eu sou o carro". Ele falava uma frase dessa. >> Não, eu conheci o Ron Dennis numa das minhas palestras. Ele falou que o o Sena não gostava de >> de banco >> de banco mole, porque ele tinha que sentir a o carro batendo no asfalto. A isso eu acho que é a suspensão, né? tendo vibrando para ele ajustar o carro e que ele
conseguia ajustar o carro Melhor que os engenheiros da eh da Honda da Mara, é Mara Honda, né? >> Então ele precisava sentir a incorporação do carro, >> né? Então, no documentário do Cena, porque tem na Netflix o documentário dele, tem uma hora lá que mostra ele, acho que é em Mônaco, né, que é em rua, que ele tá tá pilotando lá assim e aí ele tá falando no fundo assim, dando entrevista e ele fala: "Eu eu tenho hora que eu fico com muito medo porque eu Sinto que eu sou o carro, que eu não tenho
mais diferença entre eu e o carro". Então, é esse fenômeno aí, >> não é? Não. Eu me lembro de uma, eu tô tentando lembrar o nome do circuito na Inglaterra, >> é o Silverston? Não, não é Silverson, tava chovendo na primeira volta. É a volta mais impressionante da história da Fórmula 1. >> Ah, sim. É Doniton Park, né? >> Donon Park. Exato. É, tava tentando Lembrar qual era. >> Eu me lembro dessa corrida vividamente. Ele pôs uma volta em par na primeira volta ele quase pôs uma volta em todo o pelotão, entendeu? Porque ele saiu
na chuva como se ele tivesse possuído e como se o carro fosse literalmente ele, né? Como se ele ele tivesse correndo na chuva, né? Hum. >> E eu e o conversando com o Bron Denis, ele me contou nesse dia que eles tinham chegado no limite nos simuladores, >> certo? >> Eh, biomecânicos, >> não tinha mais como conseguir tempo. >> E eu tava falando dos meus experimentos e da interface cér máquina, que quando a gente liga, ligou o cérebro de uma macaquinho na na costa leste americana, na Carolina do Norte, onde é a Duke, né, para
controlar um robô no Japão em Kyoto. >> Que doide. e usamos uma conexão, quebramos todas as firewalls que Existiam no meio do caminho na época 2007 fazer isso. Uhum. >> O a perna do robô em Kyoto se moveu mais rápido do que a perna do macaco controlada pelo mesmo sinal ã elétrico do cérebro. >> Caramba. E como isso? >> Nós escalamos o tempo, nós reduzimos porque a transmissão na velocidade da luz, né? >> Caramba. Vocês dilataram o tempo. >> É. E aqui só é 120 m/s, segs, né? >> Nossa. Então você viu o robô era
o quê? Uns 30 40 msundos mais rápido. >> Mas tá louco. Só é uma pare mágica, >> né? Nós documentamos n e o o mais incrível é que tinha um jornalista do New York Times em Kyoto e um jornalista no meu laboratório no telefone conversando entre si e isso saiu, tá no New York Times. E eles falaram: "Não dá para acreditar, o braço robótico tá o a perna robótica tá se mexendo mais depressa do que a perna do macaco." >> Que louco. >> E eu tô do lado do macaco, né? E então aí que e
eu tava dando uma aula em Nova York sobre isso e o Bron Denis estava na plateia. >> Entendi. >> E ele veio falar comigo: "Olha, se você incorporar o que você tá falando no simulador de Fórmula 1, se você me der 100 msegundos, é a diferença entre ganhar um campeonato, >> claro. >> E ficar em quinto lugar, né?" >> Exatamente. >> E aí aconteceu a pandemia, deu tudo errado. >> Chegou a trabalhar com o Sen deveria ter sido um estudo de caso para neurocênia violento. Será que não >> ser interessante? Seria muito não, não seria
interessante, mas ah eu tenho >> esses caras de auto desempenho, eles eles têm isso, né? Não, eu tenho, eu Tenho um projeto que eu tô desenvolvendo, tô começando a amadurecer muito, que chama neurociência de do esporte auto de alto performance. >> Ah, olha só. >> Mas para times, né, para grupos de de indivíduos para porque eu criei esse conceito de rede de cérebro, se chama Brainet. Sim. E eu estudei e demonstrei como qual como é que você para formar um grupo social coeso, humano ou qualquer animal, você tem que eh maximizar a Sincronização da atividade
elétrica dos cérebros, dos indivíduos. Entendi. >> Porque você vê um time, vai, um time, o Palmeiras ontem ganhando do Atlético Mineiro, um time de futebol profissional que joga >> unido, >> unido, se você for, e eu fiz esse experimento no Palmeiras, inclusive >> chegou a fazer lá? >> Cheguei a fazer um testezinho lá, mas aí o Palmeiras acho que se assustou, não Quis continuar, mas >> achou muita ficção isso aí. Não sei não. >> Não, eu fui, acho que eu sou o primeiro, [risadas] o primeiro neurocientista do planeta a registrar o cérebro de pares de
jogadores e mostrar sincronização em tempo real. >> Caramba. Aí na parede o Abel viu, ficou completamente bobo porque eu fiz um estudo controle rapidamente, né? >> Aham. >> Peguei do sub 20 pares de jogadores e Pedi pro Abel dar uma instrução do que eles tinham que fazer na no jogo teórico, >> jogo, tá certo? >> E depois fui eu. A mesma instrução, a mesma instrução. Comigo não aconteceu nada. O jogador não deram menos uma bola. O Abel falando com eles, o lobo préfrontal da molecada sincronizou na hora. >> Car, >> e a gente projetou isso
na parede do Centro. >> Mas isso aí pode ser um negócio revolucionário no esporte, não é? Palmeiras. O Palmeiras não teve coragem, mas tem uns outros timezinhos assim. >> Corinthians, vamos lá no Corinthians fazer. >> No Corinthians não tem. Eu não escapo, eu não vivo 10 milsundos. [risadas] >> Você imaginou a Fiel, a Fiel vendo o neurocientista [risadas] palmeirense treinando a mente dos jogadores. Depois Vai falar que perdeu só isso. >> Alguma coisa aqui na cabeça. >> Doping. Será que você pode virar dopping depois? Alguma coisa. Não, mas eu quero, eu eu tô interessado nisso
pela evidentemente porque eu tenho uma teoria de como >> a a a própria história da civilização humana dependeu >> dessa sincronização >> do nosso cérebro desenvolver mecanismos de sincronizar e formar grupos coesos. >> N eu li o tô lendo o livro sensacional da biografia do Alexandre Grande. >> Hum. >> Pelo autor do Zórbo grego, né? O filme, né? >> Sim. que eu descobri recentemente. Tem um livro Zorbo grego, eu tô acabando de ler, mas tem esse mesmo autor Kazanzakes, Nicos Casanzques, escreveu um livro sobre o o Alexandre Grande. E tem uma frase do Alexandre Grande
que é sensacional. Ele fala assim quando os Generais dele, quando ele fala, olha, nós vamos sair da Macedônia e vamos conquistar o mundo aí os caras fala: "Como?" E ele fala e fala e repete e repete. Antes de sair da Macedônia, quando ele herdou o trono do Felipe II, que foi morto, né? o pai dele. Aí os cara, mas por que você não para de falar nisso? Ele falou: "Porque antes de você ter um império físico, >> você tem que ter um império mental." >> Mental. É isso mesmo. >> Eu preciso convencer vocês de que
isso é possível. >> E esse convencer é sincronizar. Entendi. >> Então, por isso que os exércitos de todo mundo t músicas, >> por isso que os países de todo mundo t bandeiras, hinos, porque para você criar um uma nação, >> e aí você tem que ter um cara, tipo, um líder que entenda disso, >> isso tem, você tem que ter, né, você tem Que ter um catalisador, >> certo? Às vezes o cara, ele não sabe o que ele tá fazendo, mas ele tá fazendo isso aí, >> não? E essa teoria tá evoluindo de uma maneira
muito, Por isso que eu quero testar em orquestras sinfônicas, quero testar, vou fazer isso na Itália. Ah, orquestra com certeza deve ter. Porque >> não, eu conversei com um pianista essa semana, genial, um dos maiores pianistas do planeta lá na Itália, e o cara falou: "Nossa, ideia nós temos que fazer no lá escala de milão". Entendeu? Porque eu tenho certeza o que você tá falando é o que acontece. >> Caramba. >> Ele me contou, né, da como que funciona >> Sim, >> o o behind the scenes de uma orquestra sinfônica para os caras sincronizarem em
perfeição, né? >> Tudo tocar na mesma no mesmo tom, tudo direitinho. >> Exatamente. É a mesma coisa de um time de futebol, tá? E mas é, tem coisas ainda mais interessantes. >> Mas o futebol é aquele, é isso aí que que o senhor tá tá provando agora. É aquilo que a gente sempre falou, ah, esse time aí joga por música, né? >> Isso. Lembra quando a gente falava esse esse time tem química? >> Tem química. A tal da química >> deu Exato. Deu deu liga. >> Deu liga. >> Eu mostrei nesses experimentos que eu fiz
lá no Palmeiras que o troço sincroniza, os jogadores sincronizam o cérebro. Mas aí, por exemplo, assim, vamos pegar um time assim, você vai poder escolher os jogadores. Por isso, tipo, eu posso colocar uma peça ali e esse cara, tipo, quebrar essa cadeira. Não >> acredita. É, é tudo é preliminar, né? Porque é uma coisa muito pequena, mas a gente mediu tempos de reação >> dos jogadores e a gente conseguiu dizer que o tempo de reação pra bola e para um jogador adversário do lateral direito é diferente do back central e é diferente do centroavante. >>
Entendi. >> Então o lateral direito se preocupa muito mais com a bola do que com o jogador. Já o back central se preocupa com o jogador do que a bola. >> É quebrar o >> E o centroavante. Exato. E o Centroavante ele tem a menor tempo de reação pra bola e pro jogador, >> porque ele tem que pegar a bola, driblar e fazer o gol. né? Então a gente não só, eu acredito, vai conseguir fazer um scouting, >> certo? Claro, >> mas nós vamos conseguir fazer o que eu chamei de um augmenting. Nós vamos conseguir
treinar a química. >> Ah, é possível treinar, >> é, nós, eu mostrei ali >> sincronizar, >> é possível aumentar o grau de sincronização. >> Chega um cara, porque, por exemplo, aí contrata isso, contratou o Palmeiras, contratou um cara novo agora. >> Car, tá difícil, tá difícil. [risadas] P contratou o piloto já do avião. >> Já contratou o avião. É, >> o piloto também essa semana, né? Também. É, >> mas aí você traz esse cara, esse cara Ele tá, vamos dizer, fora de sincronia. >> Ele não é, não tem a química. >> E aí você consegue
colocar ele. >> Nós temos um plano completo para isso. >> Caramba. Pá no Corinthians. Projeto completo. É. E infelizmente o Palmeiras não teve, né? Não achou que era muito muito avançado. Não sei, né? Mas tem uns timezinhos aí que acho que as pessoas conhecem que estão interessados. Então vou nos próximos meses, quem sabe a gente tem uma novidade aí. >> Nossa, isso aí é um negócio sensacional. E até para equipes, vamos dizer assim, olímpica, por exemplo. Sem dúvida. É, não vai ser. E o mais curioso >> é que não só eu acredito que essa teoria
das brainets explica o processo civilizatório no sentido de a história do mundo não é nada mais do que conflitos de brainets, tá? Tentando obter a hegemonia mental >> da espécie. Então você pega os muçulmanos com os cristãos >> na época das cruzadas, por exemplo, >> cruzadas, não pega os gregos e os persas, né? Você os grandes movimentos da história, o que são? São >> o dia deve ter sido uma brainet gigantesca que tem coisas ainda mais curiosas. Por exemplo, parte da teoria, as brainetes se informam em grupos sociais de animais, tá? Baleias, cachorros, olha só,
>> lobos, ursos. >> Por isso que eles vivem mat. essas Coisas. >> E a uma das hipóteses que eu tô testando, que eu espero ter uma demonstração em breve, é que os animais que nós conseguimos domesticar são aqueles em que as brainets sincronizam >> com a nossa >> com a nossa. >> Ah, >> e os animais que a gente não consegue domesticar é porque não sincroniza. Entendi. >> Entendeu? Então essa teoria não é só para espécie humana, >> ela se aplica para qualquer eh animal com cérebro, qualquer vertebrado, né? É por isso você vê um
rebanho, por exemplo, de boiando, por que que um escapa e vai embora para outro lado, né? Eles vão sempre seguindo ali, né? >> A riqueza. Eu tenho por causa da pandemia, eu comecei a estudar isso, né? Tava em casa trancado, >> tinha nada que fazer, >> tinha nada que fazer além de [risadas] coordenar um comitê de combate à pandemia, né? >> Não é trivial. [risadas] Fecha Fortaleza amanhã, né? Fecha Salvador. Não quiseram fechar Salvador, mas, >> né? Deu no que deu. >> Mas enfim, nesse brincadeira, eu comecei a acompanhar, por exemplo, uma patrulha de macacos
rezos no Cambodia, num templo budista, porque o pesquisador Colocava vídeos todos os dias de como esse grupo >> que legal. Ah, aqueles, eu sei, aqueles videozinos que o pessoal põe, cara, eu fico perco, perco horas vendo essas coisas, viu? E eu comecei a seguir eh eh grupos específicos de de macacos, macaquinhas e, né, e ver como eles se comportavam e, né, e começar por meses. Eu fiquei, acho que é quase um ano seguindo um grupo muito específico. Aí eu descobri a mesma coisa para aqueles Eh wild dogs da África, né, que são os caçadores mais
>> mais e o índice de sucesso de uma caça desses W Dogs é acima de 80%, tá? Muito mais alto que leão, hiena. Por quê? Porque eles não, eles agem em perfeita sincronia de grupo. >> Perfeit grupo. Uhum. >> Tá. O não existe o conceito do indivíduo ali na caça. Eles >> todo mundo sabe, faz parte de uma de uma engrenagem. >> Eles tem uma estratégia. Eles têm uma estratégia. É um matriarcado. Só a fêmea alfa se reproduz e todo o grupo quando ela se reproduz e caça para manter os filhotes. >> É, é uma
família estendida, né? E se você vê os padrões, claramente esses esses cachorros selvagens devem ter um grau de sincronia em certas frequências absurda, né? E ninguém nunca estudou, né? >> Entendi. >> Mesma coisa com as baleias, né? A forma como as baleias conseguem emitir uma vocalização que se espalha por oceano, >> dezenas de quilômetros, mas elas têm provavelmente um grau de sincronia enquanto grupo social >> também não foi estudado, né? Então eu comecei a ver esse tipo de >> aplicação que foge da da do típica coisa médica, né? Não não é não é para criar
uma terapia, não é? Apesar que a gente tá usando também, né? >> Mas aí vem uma pergunta assim, se um líder, por exemplo, sabe disso, ele pode criar um exército mais, vamos pegar um exército assim poderosíssimo. >> Não, mas tá acontecendo no nosso mundo atual. Mas eu falo assim, tá tá acontecendo de forma inconsciente, porque o pessoal não sabe disso, >> não sabe do dos meandros neurofisiológicos. Mas o que eles estão fazendo é isso, né? >> As grandes empresas de tecnologia tem neurocientistas, >> ah, >> trabalhando lá dentro, né? Eu tenho um aluno que trabalha
na meta, exaluno meu de doutorado. >> É. Ah, não, daqui a pouco nós vamos entrar que tem um pessoal perguntando um monte de coisa aqui que nós vamos falar disso aí. Mas, >> por exemplo, eu falava isso e quando foi, acho que foi no Flow aquela vez, Que é a primeira vez que eu vim aqui, quando o Trump fazia um tweet, >> hum, >> né? O tweet dele alcançava mais pessoas instantaneamente que a soma de todas as contas do Twitter de toda a imprensa americana. >> Uhum. >> Então o que ele falava, >> ele tava
conectando, >> ele tava sincronizando, >> ele tava sincronizando. >> E eu chamo isso de um vírus informacional, tá? >> Mas tipo, ele não sabia disso, >> não. Ele provavelmente não tinha noção do que nós estamos falando aqui, >> mas ele sabia que ele tinha um um tipo de um poder com a palavra. Mas ele foi um dos primeiros a descobrir quão poderoso seria >> ah, entendi. >> O uso das redes sociais >> da questão política, tá? Eu acho que ele Foi, talvez não porque ele, >> mas porque ele usava o Twitter, >> né? Tinha até
gozação, né? De que, né? Ele tava lá o tempo inteiro, né? Então, ah, e você vê isso claramente nas redes sociais e a a a mídia tradicional demorou muito >> para perceber. Isso. >> Nossa, agora que eu tô me lembrando, o Trump ele trocou, né? Ele trocou o potos que o pessoal usa, ele usava o dele, né? >> Pô, isso aí devia ter um poder assim de nesse lance aí absurdo, né? >> Sim, sim, sim. E veja, você foi criando tudo que nós temos visto nos últimos anos, né? Eu tava até brincando com meu filho
lá hoje lá nos Estados Unidos, ele mora em Nova York, né? Que ele falou: "Não, aqui agora só se fala de OVNE". É, você, >> você entra no táxi, o cara tá ouvindo o relato do OVN, você vê a televisão, o cara, né? >> E basicamente >> tá sincronizando, >> tá sincronizando. É um país inteiro absorvido porque tá fazendo parte de uma brainette nesse momento, >> né? >> Então você não discute mais nada, né? O o a onda de calor nos Estados Unidos tá fazendo 50º no quer saber se tem um OVNE na zona 5,
51, né? >> Lá na área 51, né? Então, e é um fenômeno esse vírus informacional e e é o discurso do Alexandre, né? >> Sim. >> Antes de você ter o império físico, você tem que convencer os generais do seu exército que você tem um império mental, né? E o mais sensacional de tudo é que o Alexandre tinha uma caixa de cedro preto que ele capturou quando ele matou o o imperador da Pérsia, né, o Darius. E aí disseram os, quando ele capturou a Pérsia, os, né, os sacerdotes Pérsas falam: "Nessa caixa, como era uma
caixa que vem da tradição dos heróis, dos imperadores persas, você tem que pôr a coisa mais preciosa que você tem na sua vida dentro dessa caixa e carregar com você no campo de batalha." >> Entendi. >> Aí pergunta: "Qual é a coisa mais preciosa que você tem?" Alexandre vira pro cara e fala: "Uma cópia da Elíada anotada pelo meu professor Aristóteles." >> Olha só, >> o carava por todos os lugares. Esse cara conquistou meio planeta, tá? Por todo o lugar que ele ia, ele carregava uma cópia da Elíada. >> Uhum. >> Né? O poema do
Homero. >> Sim. >> Anotografada só pelo Aristóteles, que foi o professor dele, tá? Ah, então você vê a magia da o poder e os generais dele sabiam disso. >> Entendi. >> Porque ele lia passagens da Elíada eh pros caras antes das batalhas. Ele falava: "Olha, eu sou eu sou aqui o herdeiro do Aquiles. Eu sou a reencarnação do Aquiles e nós vamos conquistar nossa Troia", tá? >> E aí o pessoal vai naquilo, vai naquela. >> O cara saiu, o cara saiu da Macedônia e foi parar na Índia. Para para pensar. Olha o que ele criou
Na mente dos caras. Os caras desistiram, né? Chegou na Índia, os caras não aguentavam mais, né? Tanto é que tem a hipótese que ele foi morto por um general que queria voltar para Macedônia. >> Entendi. Chega, né? Já fomos até aqui, já tá de >> Já deu. Já tá bom demais. >> Caramba, isso aí é um negócio sensacional mesmo. E tá em que nível? O senhor tá estudando? Em qual? >> Não, tô fazendo um experimento. Não, eu eu demonstrei isso primeiro em macacos. Nós publicamos antes da pandemia, meses antes da pandemia começar. Nós publicamos o
primeiro trabalho em 2018, mostrando que quando você põe pares de macacos de uma hierarquia, né, um alfa monkey com delta mank num ambiente e como a gente tava registrando sem fio, eles podiam caminhar, andar, >> entendi. Aí dava toda uma liberdade ali. >> E nós mostramos um grau de sincronia. Eu Nunca tinha imaginado que era tão alto, né? Quando o macaco Alfa, nós pusemos ele num carro elétrico que ele dirigia pensando, então ele podia, era uma, era uma cadeira de rodas elétrica, >> mas que ele aprendeu a dirigir mentalmente. Então ele ia buscar a uva,
ele ia ver o outro cara, ele ia ver a gente. Nós estamos numa outra sala com vidro, então ele podia ver a gente, né? >> Entendi. >> E na quando o Alfa tava dirigindo em Direção ao Delta Monk, a sincronia era máxima. Quando era o inverso, o Delta dirigindo o carrinho na direção do Alfa que tava sentado só observando, a sincronia caía dramaticamente. Então isso era o córtex motor, isso não era uma área altamente na hierarquia da das áreas corticais do dogma central que eu tô tentando demolir há uns 10 anos. O Córtex motor é
uma área lá embaixo, tu sabe? Um é um é um ralé >> do Córtex, né? Porque só controla os movimentos do corpo >> no livro texto, não é verdade isso? Certo? >> Nós começamos a a conseguir prever o ranking social dos animais da colônia, só pelo grau de sincronia dos cérebros, >> caramba, >> quando um tava se dirigindo em direção ao outro, >> você via quem que era o líder ali. >> Sem você olhar pra sala, >> certo? >> Se a sincronia disparava, você sabia que era o Alfa Mank que tava, >> era o líder
que tava indo em direção. >> Exatamente. E essa informação não tava num, numa área sofisticada do Cortex, tava lá no pobre Cortex Motor, entendeu? Entendi. >> E aí isso prova completamente destrói o dogma de que o córtex é dividido em áreas especializadas só para uma coisinha ou outra, né? E tem áreas Menores e áreas maiores. Não, funciona como um todo. >> O como um todo. >> É, é um sistema distribuído e dinâmico, >> né? E essa esse paper começou a ser citado em todos os estudos de numa nova área que chama neurociência social, que é
o estudo dos mecanismos neurofisiológicos dos grupos sociais, >> certo? >> Humanos ou de animais, né? >> Uhum. >> E eles estão reproduzindo exatamente o que a gente viu nos macaquinhos. >> Caramba, olha só. Isso aí é um negócio demais. >> E o no e na pandemia, será que teve alguma influência nesses anos? Ah, sem dúvida, porque a nossa vida, só de você ficar em casa usando Zoom ou usando, né? >> Uhum. >> mudou tudo. Mudou o nosso relacionamento humano. >> Sim. >> Mudou a a nossa forma de imaginar o que é um relacionamento social, principalmente
pr as crianças, né? Que algumas crianças passaram 2, tr anos sem ter nenhum, né? >> E num momento, sei lá, importante, né? CR, momento importante, né? Isso >> mudou a linguagem, mudou o impacto é é tremendo, né? É, é tremendo. E, e mas curiosamente, pouco se fala, né? O, o vírus, o Coronavírus tem um tropismo cerebral o do sistema nervoso. Ele ele pela pelo pelo nariz principalmente, né, ele atinge o sistema nervoso. Então, tá tendo um aumento de doença de Parkson, >> eh doenças neurodenativas de toda sorte, derrame, porque ele ataca a vasculatura do cérebro,
>> os vasos sanguíneos, né? E isso tá provocando toda a sorte de, por exemplo, na Inglaterra, eu tava lá agora em Londres, eh, eles estão tendo Uma explosão de de derrames, de de paron em jovens, demência como Alzheimers em pessoas jovens, né? >> É que chegava a falar mesmo que na época que um dos efeitos colaterais depois era a pessoa ficava, né? Alguém ficava esquecido, >> fogue, né? O fog mental, né? Problemas de memória, problemas de de não lembrar, de não, né? Isso, isso mesmo. >> E eu vi isso, eu vi meus colegas lá em
Londres contando para mim, olha, tá um Tá tendo uma explosão no nossos hospitais da universidade aqui, né? >> Caramba. É, e nós vamos ter, nós vamos ter na, como aconteceu na pandemia, aliás, que ninguém fala, mas se você for ler os trabalhos científicos mesmo de historiadores da pandemia, eh depois da de 18, eu tô falando, né, depois da da crise de 18, 19, na década de 20, começou a aparecer toda sorte de efeitos colaterais. >> É que tem um tempo, né, teve teve um Delay, né? Isso >> é, por exemplo, aquele filme famoso que o
Robert Williams e ele é, eu tô bloqueando o nome do filme que ele encontra uma série de pacientes que estão completamente congelados, que eles achavam que eram parquisonianos, >> né? >> E o Robert Williams é o é o é o personagem principal, é o médico, né? Que é um historiador famoso, um neuro neuropsiquiatra que escreveu um monte de Livros, né? E nessa história em particular, agora, a hipótese que tá surgindo é que esses pacientes que estavam congelados e que eles deram dopamina e os caras começaram a andar de novo, né, começaram a sair desse coma,
>> provavelmente era a complicação da influenza. >> Olha só >> que eles tinham sofrido uma complicação do sistema nervoso central durante a Pandemia, sobreviveram. Entendi. >> Mas 10 anos depois é que veio o efeito. >> Isso. É, >> e isso é difícil o pessoal entender, né? Porque o pessoal quer sempre acha que vai acontecer o negócio, terminou agora, amanhã e não é assim, né? Agudo. Tem, tem, teve um delay e nós vamos ver isso. Eu não tenho dúvida, nós já estamos vendo, né? >> E o pessoal tá se preparando para isso já. Como que é?
Como que >> essa é uma ótima pergunta. Eu eu lá em Londres, o sistema de saúde pública dele tá colapsando. O NHS, que já foi o sistema mais famoso, mais eficiente do mundo. Ah, por exemplo, se você tem um um infarto ou um derrame hoje em casa, leva 6 horas para uma ambulância chegar para te pegar. Quer dizer, já foi, >> isso aí, já é um tempo, já era, né? >> Já foi, né? Então eles estão sofrendo um um >> um colapso, né? E curiosamente eles Estão eles estudam o o escritório de estatística inglês é
sensacional, né? é um dos mais ah tradicionais da história, né? E eles estão mostrando que a as mortes em excesso em 2023 ainda ainda estão altíssimas. Só que ninguém associa essas mortes a com COVID, mas são infartos em jovens, >> são e >> são efeitos >> efeitos colaterais, exatamente, de um vírus que que permanece no corpo, >> né? Por isso que a gente fala, né? Isso que eu falava, cansei de falar que uma pandemia não termina assim por decreto nem termina de um dia para outro. >> Ah, é? Você não chega combina com o vírus,
né? Acabou. Acabou. Exato. Não dá para combinar com os russos, né? Para terminar a pandemia, né? >> Então, Sax, o nome do autor do do neuro e >> é o Robin Williams, né? >> É, o Robin Williams fez o papel do Sax, >> que era o que ficou muito famoso eh reportando esses pacientes, né? porque ele deu dopamina para eles. Ele achou que eles estavam sofrendo de alguma coisa semelhante ao Parkinson, né? E na realidade, outro caso fundamental que eu conto no meu livro de ficção científica é que tá pronto, tá? >> Tá pronto, >>
tá acabado, tá em produção. >> Que legal. >> Primeiro semestre do ano que vem tá Saindo. Mas eu conto a história do presidente americano, Woodward Wilson, que foi quando acabou a Primeira Guerra, ele vai para Paris. >> Uhum. E ele vai com uma posição política de que ele não quer destruir a Alemanha no acordo de Versal. Ele quer deixar uma brecha pros caras não terem uma crise social, os caras não passarem fome, não não fomentar o que a reunião, o que aconteceu, >> certo? >> Fomentar o radicalismo de extrema direita, o nazismo, né? Então ele
vai para Paris com a família inteira para segurar a sanha dos ingleses, dos franceses que queriam acabar com a Alemanha, né? Queriam também, né? tudo o que aconteceu. Bom, ele chega lá, começa a brigar com o primeiro ministro inglês e o primeiro ministro francês, brigar, brigar, brigar, pega a influenza, >> hum, >> quase morre. A mulher pega, a filha pega e mas ele pegou assim quatro dias os caras achavam que ele ia morrer em Paris, tá? Porque teve um outro uma outra onda >> e tava morrendo gente que nem água e ele pegou e ninguém
sabia nem que era vírus na época, tá? Vacino, então pode esquecer, eles nem sabiam o agenteológico. Tá bom. Udson se recupera mais ou menos, volta pras negociações com uma posição 180º diferente. Caramba, >> ele aceita tudo que os ingleses e os franceses quiseram. Acabaram com, né, a economia alemã. A Alemanha entra no círculo de É esse o filme, >> o tempo despertar, né? >> Em português eu nunca soube porque eu vi nos Estados Unidos, então não sei. Awakening era nos Estados Unidos, né? >> Bom, o Wood Wilson vai lá e fala: "Não, agora eu concordo".
Muda, muda de uma. Aí eles assinam o acordo de Versai, ele volta paraos Estados Unidos, três meses depois ele morre. Olha >> de um AVC. Resultad >> 70 anos depois, 80 anos depois, não sei. O John Barry, que é o grande historiador da pandemia de 18, escreve um livro, foi pesquisar tudo, pega todos os relatos e descobre que, na realidade ele teve consequências cerebrais da influenza, que também é conhecida a afetar o sistema nervoso central >> e provavelmente morreu de um derrame pós influenza. Isso aí. >> Só que ele pode ter tido uma lesão do
lobo pré-frontal. Isso alterou o comportamento dele completamente e o mundo teve que pagar o preço por um cara ter influenza e ter uma complicação. 100 milhões de mortes 20 anos depois. >> Na Segunda Guerra. Exatamente. Caramba. O pessoal tá perguntando e como que fica, porque a vacina, a vacina afeta ali na hora que você tá com o vírus. Isso aí, pessoal, é uma coisa posterior, né? >> É uma coisa posterior. A vacina salvou centenas de milhões de vidas. Uh, quem tve e o e mas o vírus permaneceu ali, né? Você tem, por exemplo, >> nesse
estudo que eu nessa semana que eu passei em Londres, eu tava vendo o estudo sobre diabetes pós COVID. >> Uhum. >> Né? Que explodiu no mundo também, né? Então, como ele ataca os vasos Sanguíneos, ele vai para qualquer órgão do corpo. Teve problemas dentários, pessoas com problemas dentários, da mucosa, da oral, né? Ah, então, e não é um não é um vírus eh trivial, tá? Por isso que a gente fala até hoje, curiosamente, eu era o único cara de máscara no avião que foi para lá, para Londres e voltei. E quando eu tava em Londres,
eu comentei com esse meu amigo, falei: "Poxa, eu não vi ninguém de máscara, né?" Aí ele Falou: "Olha, a atitude das pessoas é o seguinte, eles ficaram tão enclausurados, tão, né, que agora o pessoal é como se é que nem a bela época do final do século XIX em Paris, né? O pessoal quer viver >> sim, >> intensamente o máximo possível, só que ninguém tá parando para pensar, né, no que nós estamos falando aqui, >> com certeza >> o que vai ser o longo prazo, né? Então, Se você só lê a história da influenza, que
eu recomendo, é um dos é um esses esse livro desse cara, a grande influenza, que chama em português. É, eu li isso no, eu tava fazendo ciência de guerra no comitê, né? Eu tinha, a gente tinha que fazer recomendações diárias, >> certo? Do que do que que ia >> pro outro. Então eu eu li esse livro em dois dias, né, para ver o que que é que aconteceu naquela época. E é muito parecido o que aconteceu aqui nesse Momento. Nós não aprendemos muita coisa, tá? 100 anos depois. Entendi. >> É só que as consequências crônicas
elas não tiveram uma divulgação eh pós ciclo agudo, né, 18, 19, que foram os piores anos. O que aconteceu nos anos 20 passou batido, muito pouca gente associou. Não teve isso. >> É só muito tempo, décadas depois >> que foram recuperar essas coisas. >> Foram recuperar essas informações. É, >> entendi. Olha aqui a Cassandra aqui, uma uma espectadora falou: "Nicoléis, minha filha de 15 anos teve um AVC durante uma infecção de COVID, recuperou-se, mas os médicos não dão devido valor, >> não?" Ainda bem que ela se operou, porque é um quadro grave, né? >> Uhum.
Meus melhores votos para ela, né? Então é que tem esse esse negócio, esse pós aí que que demora anos, né? >> Por isso eu não sabia disso na época, tá? Porque isso só foi, a gente só foi Descobrir no final, né, do há um ano atrás e tal. E eu falava desde o começo, este é um vírus para não se vírus para não se ter. É quando o pessoal falava, não, não, vamos infectar todo mundo, vamos pegar imunidade de rebanho, que não existe para esse vírus. Eu sempre me lembro disso. Eu falava quase todo lugar
que eu ia na na mídia, eu falava: >> "Não é bom ter não, né? para não ter. >> Entendi. >> Tá, tem coisas que você tem para ganhar imunidade, né? Antigamente você, quando eu era criança, um primo pegava sarampo, toda os primos iam postos no quarto para pegar, né? Para você ter depois livre, acabou, né? >> Calivre. Exato. É, mas não é o caso desse aí porque tem essa esse efeito aí e a gente ainda não sabe direito, né? >> Não, não. E tem coisas sensacionais, acho que você vai gostar disso. Eu comecei a descobrir
eh estudos que são Inclusive de brasileiros aqui da UFRJ. eh estudos da dos americanos correlacionando a aparência de pandemias com atividade solar, >> ah >> e com a interferência de raios cósmicos >> galáticos, dependendo >> do ciclo do Sol por, né? Porque existe uma briga, né, >> entre o vento solar, incidência dos raios cósmicos, né? >> E esses caras estão estudando como isso Influencia as mutações de vírus na Terra, >> tá? Sim. Ele deve ter algum problem. Não, não. Eu acho que sim, porque os trabalhos são extremamente interessantes, né? Também não teve nenhuma divulgação, muito
pouco, mas a gente tem uma intimidade muito maior com o sol do que a gente imagina. >> Com certeza. Não, na vida, a nossa vida depende, né, cara? >> Depende do nosso querido eh amigo ali, Né? >> É, é. Tem muita gente aqui relatando um aqui, ó. Perdi a função renal devido à COVID, ó. por provavelmente a insufência renal e provavelmente por uma lesão vascular. É uma uma das possibilidades dos endotélio do rim, tá? >> Entendi. >> E no pâncreas é o que acontece, por exemplo, né? >> Tá OK. Tem pergunta aí na plataforma, Cris?
>> Vamos pôr algumas aí pra gente ver, porque com certeza vai ter uma aqui que o pessoal quer que a gente fale de qualquer jeito, que é do Neuralink, mas aí senhor vai explicar aí. [risadas] O Rodrigo Alves, boa noite, Sérgio Nicoleles, por favor, pergunta pro senor Nicoleles se ele há alguma base científica para se cogitar o surgimento. Ah, isso aí é legal para caramba. >> É >> que é um tema aí que você já tá falando Há muito. >> Não, não. Eu falo isso desde do meu primeiro livro em 2010, >> porque ninguém tava
interessado nessa época. >> Então é, exatamente. Eu falo pro pessoal, cara, eu uso, eu uso inteligência artificial. Na minha tese de doutorado de 2007, tem lá um capítulo e o mundo não acabou até agora, cara. Não, não, não. Veja o é você tão bem quanto eu ou mais porque eu uso redes Neurais artificiais >> ah >> desde os anos 90. >> É. Então >> o que eu o que nós fizemos, nós estávamos pela primeira vez registrando a atividade elétrica de 100 neurônios simultaneamente. Eram terabytes e terabytes de dados contínuos. O que que a gente fazia?
>> A gente queria reconhecer o padrão da atividade, né? O ratinho, tá? Eh, no nosso caso eram eram estimulações estáteis, >> certo? >> A gente fazia padrões estáteis no nos bigodes do rato. >> Ah, é você falou no bigode, né? Passar isso. >> A minha eu passei 10 anos na minha vida estimulando bigode de rato. [risadas] >> Foi o começo do ilustre da minha carreira. Mas a gente queria analisar esses padrões e o que que a gente, né? E Eu conhecia o papa das redes neurais da da Brown Universe na época. E ele falou: "Olha,
nós, por que você não usa uma rede neural X YZ, que era a rede tinha um input, tinha uma camada intermediária e um output. E a gente treinava essa rede >> e a gente começou a usar back propagation, né, que era o algoritmo que esse cara tinha sido um dos caras participando disso. >> Ele nos deu o código, a gente adaptou e A gente fazia predições em tempo real, né? É, o o bichinho encostava em uma parede com certa configuração geométrica >> e a gente saía a resposta qual era a parede baseada na atividade elétrica
do cérebro. >> Bom, porque gerava um sinal, né? Jogava processamento de sinal. É o que a rede gosta. E nós tínhamos centenas de tentativas >> de treino, né? Treino, né? Exatamente. Então a gente pegava, >> vamos supor, nós tínhamos 500 tentativas, eu tô usando da cabeça, a gente usava 400 para treinar a rede e 100 para fazer um teste para ver como a rede performa, quer dizer, trivial. E aí o pessoal começou a dar nomes maravilhosos para esse barato, deep learning, né? O que que é o deep learning? São mais camadas, mais neurônios, mais conexões.
Para quem lida com isso, não é um método estatístico. >> Só que sim. Então, na minha época, eu Acho, a gente chamava de estatística multivariada. Ó, que nome horrível. >> Ia falar é o principal componente. Exatamente. Isso aí >> PCA. Eu fui, eu tenho o primeiro trabalho de neurofisiologia com PC. >> Olha que demais. >> Eu e o John Chape, o cara que eu mencionei aqui, >> que legal, >> que era um especialista em Principal Componel. >> Usei muito PC na minha vida. >> É, ele me ajudou, ele me ensinou a estatística mulivariada, porque eu
não tinha menor ideia. Quando eu cheguei no laboratório dele, falou: "Ó, esse livro é que você tem que saber, um livro desse tamanho de estatística multivariada." >> E nós fizemos o código, eu falo isso porque as pessoas não sabem, nós trabalhamos num computador, você deve conhecer, Eclipse. >> Hum. >> Que tinha 64 KB de memória RAM, >> que era o top, né? >> Era o top do top, era o era o computador da Challenger, tá, >> né? Aí o John sempre falava: "É, os caras explodiram aqui, a gente tem que ver se a coisa funciona".
Mas enfim, a gente usava esses métodos corriqueiramente, tá? E eles foram criando uma mística, foi criando toda uma metafísica em cima desse barato. E aí não, as máquinas vão ser pensantes, Não vão. Porque primeiro, ah, o nosso cérebro não é digital, ele não funciona com a lógica digital. tem sinais. Quando o neurônio dispara, a produção do potencial de ação, que é o sinal de comunicação entre neurônios, ele é modelável por um sistema digital, sim ou não? Tá? Mas ele é um sinal analógico. Ele gera um campo elétrico, um campo eletromagnético. >> É um sinal o
quê? Um químico. >> É, não, ele é um sinal elétrico. Ah, tá. É uma corrente mesmo. Ao longo do axônio, do nervo, né? Sim, é gerado no corpo do neurônio. Aqui, pum, gera uma corrente elétrica, ele é ele é propagado. Então, ao longo desse cilindro se gera um campo elétrico e um campo magnético, tá? >> E esse campo eletromagnético se dissemina, ele se espalha. Então ele influencia outros neurônios, pequenas influências quânticas, mas ele faz. Se tiver muito perto, a influência é maior, Se tiver loja é menor, >> enfim, o cérebro computa com o seu hardware
orgânico, ele computa com o tecido. É como a regra de cálculo, né? Quando a gente fazer logarismo, a regra de cálculo, o cérebro quando ele quando a gente pensa, quando a gente aprende, quando a gente fala, se move, >> ele organicamente ele tá alterando a sua estrutura microscópica. Então ele não é Um sistema que é divisível em hardware, em software, e ele não pode ser modelável ou modelado por uma lógica digital. Ele é um sistema não computável >> por definição. >> E eu sempre falo isso, eu não sou cientista de computação, mas os caras que
são bons pesquisadores e tal, sabem isso? É o beabá. O Alan Touring definiu um sistema não computável, é o halting problem. >> Isso, >> né? Você não consegue prever quando um software vai parar de rodar numa máquina. ele já sabia disso teoricamente, tá? >> E os fenômenos que regem a biologia do nosso cérebro são, na maioria deles, não computáveis. Você não não vai conseguir um algoritmo, você não vai criar uma fórmula. >> Claro. >> Então, nesse sentido, a primeira resposta para ele é a seguinte: o Cérebro humano não é reduzível, ou como diria o meu
um grande amigo meu, ele não é algoritimizável, >> certo? >> Tá? você não vai reduzir a nossa plenitude neurobiológica a um algoritmo. Pode esquecer. Os sistemas expert system, e isso não sou eu que tô falando, são os maiores pesquisadores da área, os caras sérios, né? O strong AI que eles falam, né? O strong artificial intelligence não tá nem no Horizonte. E a vasta maioria dos caras sérios não acredito que jamais vai estar. E eu acredito que nunca vai estar. Nós nunca vamos conseguir ter máquinas que pensam como nós. Elas vão imitar coisas que nós fazemos
muito bem. Vão jogar xadrez. É porque é padrão, né? Reconhecer padrões. >> Reconhecer padrões. E mas eu falo que é o seguinte, >> e comparar, né, rapidamente essas coisas. >> Isso. A velocidade de computação não tá como, não dá para como comparar, né? >> E e é o que eu sempre falo, as máquinas, os sistemas espertos, inteligentes, que ar que o nome é um missnomer, né? O nome é um >> Sim, tem um problema, tem vários problemas semânticos aí nesse negócio, né? primeiro rede neural e até a maneira que eu já vi pessoas explicando a
quem é leigo e olha uma explicação do jeito que ela é dada, o cara fala: "Caramba, os Caras estão reproduzindo o funcionamento do nosso neurônio no computador". >> Não, isso vem, isso vem dos anos 50, >> sim, >> dois caras muito famosos, o cara que era um ícone Mulaken Pits, que criaram o termo redes neurais, começou toda essa história ali, >> né? E o John Mitchell, se eu não tô enganado, que é o cara que propôs o nome Artificial Intelligence, porque ele queria dinheiro >> para fazer uma conferência. >> Claro, precisa ter um nome legal,
né? >> Tinha que ter um nome legal para vender o peixe. Não, todo mundo sabe disso, né? >> E eu sempre falo, a inteligência é uma propriedade dos organismos. É o que surge durante do processo de interação de um ser vivo com um ambiente e com outros ser vivos. Ela foi moldada pelo processo de seleção natural, ou seja, ela ela é aleatória porque é uma o processo de seleção natural é formado Por uma sequência quase infinita de eventos aleatórios. Então você não é programável, você não programa o caos ou um fenômeno randômico, não tem como.
>> Uhum. >> Né? Então a inteligência é um nome que a palavra inteligência é definida como uma propriedade orgânica. >> Sim. E eu digo e e vários pesquisadores americanos concordam com isso, inclusive outro dia eu vi o Chomski usar a mesma definição que eu usei, que eu falo que Ela não é nem inteligente, nem artificial. Ela não é artificial porque hoje ela consome um trabalho humano gigantesco. >> É, o ser humano tá ali atrás, né? tá ali e tá treinando e tá vigiando e tá contornando. E um ponto de vista muito interessante de uma pesquisadora
da Microsoft, que eu tô bloqueando o nome agora, mas ela publicou um um livro em 2021 muito interessante que eu tô começando a ler. Eh, ela falou o Seguinte: "A inteligência artificial, primeiro, tem um monte de gente atrás funcionando >> e ela consome um grau de eletricidade, né, o Bitcoin, mining, treinamento altíssimo." Hum. >> Para dizer que não é artificial. >> Claro, >> ela é natural por definição, porque ela usa o talento humano e ela usa eh recursos naturais energia toda, >> energia de, né, dessas grandes, >> senão você torra todos os servidores aí, não
faz nada. >> Teve uma tem uma uma instituição europeia que calcula diariamente a quantidade de energia que nós estamos usando para mine, Bitcoin, criptomoedas, tal, é uma coisa de novo, de bitcoins, né? não é coisa 3, 4% da eletricidade produzida no mundo, >> tá sendo consumida por esses grandes redes de computadores para para fazer mineração de Bitcoin, tá? Ou de Criptomoeda, né? Então, a a longa resposta dele é a seguinte: eu tenho mais medo, aí é um medo real, na minha opinião, da gente se transformar em zumbis digitais, entendeu? Como o cérebro é um grande
camaleão, ele é plástico e como a maior parte das recompensas do mundo moderno estão ligadas à lógica digital, >> certo? >> A gente começar a imitar os computadores, >> é o oposto. Entendi. >> Tá? Porque veja bem, e >> e o cérebro teria essa capacidade de se adaptar a essa mudança assim, >> tem o cérebro se adapta às estatísticas do mundo exterior que maximizam a nossa sobrevivência. Entendi. >> Então, se você mudar a estatística do que tá aqui fora, o servo fala: "Opa, >> para eu fazer esse cristão sobreviver mais duas décadas, eu tenho que
me comportar como sistema digital. Então, Eu vou perder empatia, vou perder intuição, vou perder todas as atributos analógicos que nos trouxeram aqui." >> Uhum. >> Por isso que eu falo que a inteligência artificial perriga criar um futuro sem futuro, porque ela tá usando o passado para prever o futuro. >> Sim. >> Só que nós nunca fizemos. A gente usa o passado para prever algumas coisas do futuro, mas a gente inova, a gente acha Novos caminhos criativos, novas tendências científicas, artísticas, políticas. >> Agora pode ser com isso, não. A gente dá uma travada, vai travar o
cérebro. >> Dá travada no mecanismo de inovação. >> Caramba, isso é perigoso, né? >> Isso acaba conosco, né? Entendi. >> Porque nós só inovamos, não é porque a gente é genial, porque a gente a gente inova para sobreviver, isso aí >> é porque se você não se adaptar aumento Da atividade solar, a global warming, seja o que for, você desaparece como espécie, né? >> Isso. E como que a gente se adapta? inovando, criando tudo, >> tendo, tendo algo entre as orelhas que tá continuamente medindo as estatísticas do mundo externo e falando: "OK, eu tenho que
me comportar diferente ou eu tenho que sincronizar de uma maneira diferente com os outros seres humanos, ou eu tenho que Sincronizar com outros animais de maneira diferente." Por exemplo, a a o exemplo maravilhoso disso é quando você olha paraas pinturas rupestes do da pré-história. >> Uhum. O que você vê na nas galerias de, né, de Altamira, das das daquelas cavernas subterrâneas, isso >> da da Europa, né, dos Pirineus lá, ah, são pinturas de animais, são pinturas do mundo natural, porque naquele instante Da nossa história, a sobrevivência nossa dependia de uma verdadeira sincronia ou comunhão com
o mundo natural. Ah, sim, claro, >> porque se você não entendesse como os animais migravam, se você não entendesse as estações do ano, com que planta surgia, em que hora, onde tinha, >> sabia que a partir de uma determinada data tudo ia ficar coberto de neve, >> ia demorar tanto tempo que você tinha que migrar para latitudes mais, eh, né, Próximas do Equador. Se você não tivesse uma conexão literal com com o planeta, você não tinha chance de sobreviver. O que que os caras pintaram na Capela Cistina da pré-história, né? Essas todas, >> a cosmologia
deles, >> né? Sim, >> né? Então, quando o Michelangelo foi lá em Roma e pintou o Vaticano, ele pôs o homem no centro do mundo porque ele vivia no Renascimento, né? Era uma outro Ponto de vista. >> Exatamente. >> Mas esses caras, essas pinturas rupestes, não tem reproduções do ser humano, >> né? É todo um boi, um >> é boi, bisão, bichos que existiam, que não existem mais. né, em relevo, em três dimensões os caras eram bons, eles usavam as pedras, >> isso, para fazer para dar profundidade, é, dar profundidade do urso, né, o ombro
Do urso, tal, é uma coisa de louco você vê esse barato, né? >> E então, por quê? Porque naquele instante o cérebro sabia que essa conexão era vital. Aqueles caras sabiam que se eles não andassem com os rebanhos, que eles não soubessem as estações do ano, que planta tinha mais caloria que outra, quando é que ela surgia o fruto, né, dessas plantas? Sim, claro. >> Ah, você não, você tava frito, você não Tinha como sobreviver, né? >> É isso. >> Então, esse é o nosso drama. A gente não eh não tá se dando conta de
que a literalmente é é quase a mitologia grega de novo, que a criatura pode absorver o criador, entendeu? >> Entendi. Tem que tomar esse cuidado aí, então. E como que toma esse cuidado aí? >> Esse é difícil. >> É difícil, né? É difícil porque envolve >> Ah, é. O mundo hoje tá complicado. [risadas] >> Eu eu eu a mesma coisa o o em Londres e agora parece que em São Paulo também a o número de atropelamentos, né? O a maior causa, uma das maiores causas de atropelamento é a pessoa atravessar a rua olhando o celular.
>> Ah, é? >> Então o cara tá olhando o celular, entra na rua. >> Ela não é, ela tá num outro mundo, né? >> Exatamente. >> Tá num outro mundo. >> Por quê? Porque ele tá literalmente ampliando a realidade. O cérebro tá falando: "Olha, tem uma outro mundo aí. Você pega esse baratinho, põe na frente da sua". É outro planeta. E a atenção dele entra nesse mundo. É, >> ela desliga do que tá na realidade real aqui fora, entendeu? >> E aí que estão os neurocientistas nas grandes empresas, porque eles sabem o que tem que
fazer pro cérebro ficar Vidrado naquilo, né? Eu fiz uma viagem pra Ásia que três meses antes da pandemia, conversei com gente que desenvolvia videogame, >> é >> neurocientistas. E eles falaram: "Não, a gente sabe >> tudo que tudo que eu e você sabemos do, né, Neuroscience 101, a gente aplica pra molecada ficar jogando." >> Olha só, né? >> Tanto que o pessoal fala aí, tem uma um Alguns lugares que falam que o algoritmo do TikTok te te conhece em 3 minutos. Ele precisa de 3 minutos. É. padronizar. >> E ele é muito, aparentemente ele é
muito melhor, por exemplo, do que do Instagram. >> Isso falam que ele é o melhor que tem. >> É, é o melhor. Tanto que tanto que é uma coisa impressionante, né? Os caras falam do chat GPT. Eu falei, ó, eu tava num evento outro dia aqui em São Paulo, o pessoal falou: "Não, o chat GPT é o Primeiro ã ferramenta humana a atingir 100 milhões de usuários, né?" Eu falei: "É". "E vai ser a primeira ferramenta humana a perder os 100 milhões de usuários na maior velocidade possível, porque vai aparecer outra coisa no dia seguinte,
quando o TikTok apareceu nos Estados Unidos, foi avacelador." >> É, >> foi seu quiseram proibir, né? >> Vocês chegaram a proibir, chegaram a proibir. Eu acho que a produção do Conteúdo, né? Tem que ser na Estados Unidos. É, >> mas a a China limitou a hora das crianças, o tempo das crianças por semana para jogar videogame, porque eles estavam tendo uma uma epidemia. eh, de jovens adultos, adolescentes e jovens adultos que não faziam mais nada a vida, né? Então, era um problema de saúde pública. É, >> né? >> Mas aí foi um neurocientista que Programou,
né? >> Eu tenho não, eu não tenho dúvida. Eu não tenho dúvida, porque eu conversei com gente da área, >> sim, >> que trabalha numa mega empresa e falou para mim, ó, não, o o a gente sabe a hora, olha só, eles sabem a hora que a criança tá para desistir de tá jogando, porque não tá muito difícil. Aí, dá uma recompensa, >> eles falam, aí nós damos fix de Dopamina. >> É isso aí. >> E aí o o menino fala: "Ah, não, vou jogar mais um pouquinho". >> É, exatamente. >> Entendeu? >> Então é
impressionante. Eu eu não sabia disso. Eu descobri 4 anos atrás, né? >> É, você vai perdendo, perdendo, ah, vou deixar. E eles já sabem que você tá tá aqui, ó. Toma sua recompensa. Aí você porque eles estão usando a experiência De milhões de pessoas. >> Isso e como que isso engana o cérebro da gente que a gente sabe que aquilo ali não existe. >> É impressionante, né? >> É impressionante, né? >> É. E com a realidade aumentada, >> vai piorando, né? >> É mais ainda, porque você funde os dois mundos. >> Ah, sim, >> né?
Então vai ter gente tentando passar Pela parede. >> É, >> você vai, pode esperar, você vai Não é que bateu no vidro, né? Antigamente a piada era o cara e não >> bate. É, não vê o vidro, né? >> Não. Agora vai ter gente que vai tentar atravessar a parede porque na realidade aumentada você atravessa a parede, né? Eu já falei aqui, eu trouxe um pessoal aí que que que que trabalha com isso tudo. Eu falei: "O problema é quando Esse outro mundo ali for melhor do que esse daqui de fora". >> Então essa é
uma excelente pergunta que foi feita ela já, porque o metaverso >> se pensou que ia ser uma explosão. >> É, >> começou sendo. Tanto que a meta, né? Existir uma, né? >> E de repente aconteceu alguma coisa >> e começou a cair, né? Porque as pessoas estavam comprando espaço no mundo virtual. Né, que a gente chama, né? >> E de repente isso começou a ter tanto é que a própria meta tá desinvestindo o multiverso, tá? Aconteceu alguma coisa ali no business plan dos caras que eu não sei o que é, não tenho a resposta, mas
ah, é muito curioso isso, porque talvez tenha, eles tenham encontrado algum limite, >> sim, >> algum momento onde isso começou a ser, por exemplo, hoje no Guardian sai uma Matéria no jornal Guardian Inglês. >> Uhum. que no Kênia, Nairób, pela crise econômica, se transformou na capital da checagem de conteúdos abusivos nesses programas de eh inteligência artificial. >> Então, os caras têm que ler durante o dia e ver >> imagens de atrocidades, de coisas mais absurdas que o ser humano comete contra si mesmo para remover ou para treinar os algoritmos a reconhecer e não permitir que
isso fe. >> Os caras começaram a ter crises psiquiátricas. O cara que tá avaliando, cara que tá faliando, que ganha 20 por hora, os os como chama? Os curadores, vamos chamar, >> começaram a ter problemas psiquiátricos >> das coisas que eles estavam vendo. >> Das coisas que eles estavam vendo. Começaram a ter crises paranoicas, crises psicóticas, não dormir, eh, crise de ansiedade. E é um problema realmente sério. E as empresas começaram a ficar Assustadas, ir embora, sair e tentar contratar outro lugar. Só que a em Nairobi, no Kenia, para para pensar num negócio desse, >>
caramba. >> Você tem um número de gente que tá precisando de auxílio psiquiátrico médico, porque não tá dando conta de passar 8, 10 horas por dia e lendo, exato, >> coisa de maluco, >> para treinar >> o algoritmo para recon para reconhecer o que é eh material abusivo, racista, sexista, homofóbico, enfim. Veja só, nós estamos criando ferramentas. Exatamente. Os seres humanos estão tendo distúrbios >> gravíssimos porque eles viraram escravos do algoritmo, né? Eles estão trabalhando pro algoritmo. Basicamente eles nem sabem quem é a empresa que contrata eles. Eles não tm a menor ideia quem é
open, não sei o quê, quem é não Sei o quê. Eles estão trabalhando pro algoritmo. >> Uhum. >> Né? Então aquele, eu sempre falo que o 1984 de George Orel hoje em dia é leitura do jardim de infância. >> É. >> Ah, é verdade. Porque acontece pior do que ele previu, entendeu? >> Pior. É isso mesmo. O pessoal fala que a gente não gosta de inteligência artificial, cara. Muito pelo contrário, A gente usa. >> Não, a gente usou, né? >> A gente só usa isso, entendeu? O que o que eu não sou, acho que o
Nicol, eu não sou desse alarmismo aí que vai ter, que vai dominar e que vai te pegar. Eu também, eu acho que vai. E porque aí começa toda uma discussão o que que é inteligente, o que que é consciência, né, que ele falou ali que é consciência, né? O que que é, mas esse esse debate é muito importante porque você também tem Que desmistificar o que é por marketing, entendeu? Sim, >> porque o problema da ciência nesse momento, eh, quando eu comecei minha carreira, você nem ouvia falar de cientista, você tinha o Cagigan, você tinha,
né, três ou quatro cristãos na que apareciam na televisão e era isso. E você não tinha essa tentativa de venda, tá? De, né? Então você abre o jornal hoje, eu como cientista profissional, eu já nem mais leio as manchetes de >> que se publicam, não revolucionar isso, revolucionar aquilo. Aí você vai ler o trabalho em falar: "Meu, isso aqui tá 30 anos, 40, se der certo." >> Mas é a supercondutividade seu chegou a ver >> do da Coreia? >> É. E aí? Tipo, eu não tenho a menor ideia se é verdade ou não. Saiu, foi
publicado, todo mundo ficou maluco. >> Não, e agora já saíram só essa semana mais quatro, cinco. Hoje, hoje saiu Outro >> do mesmo grupo, >> não. Aí de vários grupos que que reproduziram o material. >> Eu não tenho dúvida que é verdade, mas >> e eles estão, alguns conseguem, outros não conseguem. Tá uma corrida, tá uma briga sensacional. Se for verdade é sensacional, não é dúvida, revoluciona tudo, né? Agora, essa questão da inteligência artificial, ela virou muito mais, na minha opinião, o debate e ele é Uma estratégia de marketing. >> Ah, sim, com certeza. >>
É deixar no hype, tem que deixar no hype de você, eu e todo mundo que usou essas ferramentas e você usa, são ótimas, mas, por exemplo, ninguém consegue traçar o caminho pelo qual a rede neural chegou naquela decisão. Não tem transparência nenhuma. Você não, você não consegue olhar nas unidades escondidas, né, da camada hidden layers, né, e falar: "Não, foi isso aqui, porque cada uma tá Pegando um feature, cada uma tá pegando um baratinho, você não consegue reconstruir como ele chegou numa decisão." >> Exatamente. >> Então, por exemplo, tem programas de xadrez por inteligência artificial
que estão fazendo jogadas que nem um ser humano fez. Não, né? Cara, não, isso é inteligência, não é? Eles eles têm que maximizar ganhar o jogo. >> Claro. >> Aí o barato tenta probabilisticamente todas as possibilidades e encontra uma que ele não sabe dizer. Ele não vai conseguir explicar. Olha, eu pensei que se eu ver a rainha, pegar o bispo, fazer isto aqui, eu ganho o jogo. Não, ele ele tá fazendo um passeio probabilístico. >> Exatamente. >> Nada mais do que isso. Então, >> a diferença é que ele consegue fazer isso muito mais rápido do
que a gente. Essa que é o que é o Tian, né? >> Então, o meme da das revistas estatísticas. Agora eu vi um estatístico falando isso outro dia, é que eles agora são eh data scientist. >> Data scientist. >> Eles se chamavam estatísticos, ele falava: "Eu me formei em estatística, tenho do >> agora cientista de dados". >> Exatamente. É, sou a mais chique, né? Sou a mais >> requintado, né? É, >> mas é a mesma coisa. >> É. Não, e eu eu tenho aplicações aí muito legal. Eu falo que todo dia. Um dia esses caras
ainda vão me pagar uma grana. Tem aplicativos desse aí, dessa dessa inteligência artificial agora marqueteira aí >> que tão que são muito legais, que eu passo para meus alunos de ler artigo científico, de você interagir com o artigo e rapidamente você, ah, cara, tá aqui, ó, leia esses 10 artigos que a Gente sabe que isso acontece. Aí você vai chegar no final de meia dúia daqui, falar: "Pô, isso aqui não era o que eu tava querendo" e tal. >> Sim. Existem hoje aplicativos que te ajudam a rapidamente você fazer um resumo daquilo ali, ver, não,
isso aqui é legal, depois vou guardar para ler melhor. >> Então você consegue, as aplicações, eu acho que são, >> mas eu vi o problema do outro lado, >> hã, o antes da pandemia começar, né, começaram antes mesmo do chat GPT, né, esse essa versão anteriores, >> agora só piorou. As universidades americanas não sabem o que fazer para evitar o plágio e a e a cola. >> Ah, sim. Eles não sabem mais o que fazer. Porque eu sempre falo isso, eu não, eu não dava prova presencial, eu dava a prova, o cara ia para casa,
me entregava na segunda-feira, ele fazia em casa, não tinha, não tinha o, né, como Aqui, né, não tinha. E e eu nunca peguei um aluno colando nesses 40 anos de carreira, nunca. Tá, agora tá maior desespero porque os caras têm programas para detetar >> isso. O que que foi feito inteligência e eles estão encontrando assim um grau de plágio, um grau de de tiring que eles falam, né, de trapassa, >> que eles não sabem o que fazer. Então eles vão trazer de volta, provavelmente As provas presenciais. >> Ah, entendi. >> Em sala de aula que
não para certas coisas não tem, não tinha, né? Então, e outra coisa, o que é o meu temo, eu sempre uso o exemplo da caligrafia. >> Ah, sim. Ah, eu gosto disso. >> Nós paramos de escrever, né? >> É, eu escrevo ainda, viu? >> Eu também. Eu eu me adoro sou colecionador de caneta tinteiro, porque eu adoro caneta tinta e escrever, né, Tal. >> Minha esposa até briga comigo que eu gosto de comprar caderno, escritinho, fazer meu, eu tenho hobby de caderninho e caneta. Pois bem, >> eu chego uma pessoa fala: "Olha, tá aqui minha
caneta. Escreve aí". Aí o cara, meu, eu não consigo mais escrever, não. Claro, nós completamente paramos, né, de nós estamos digitando, né, e não é só a caligrafia, o escrever é um exercício muito mais Complexo do que só >> é a mecânica toda, né, envolvida, né, >> não e a parte cognitiva, né, você tá encadiando palavras, você tá criando eh sequências linguísticas, né, você tá exercitando seu vocabulário de uma maneira eh gráfica, né? Uhum. >> E você, por que a gente fazia aqueles cadernos na escola, né? Eu fiz, >> sim. Caderno de caligrafia, famosrafia, porque
a sua letra, né, melhorava com o treino, melhorava. Então você viam, Então, por exemplo, essa semana aqui o governo do estado de São Paulo decidiu não comprar livros didáticos, né, 10 milhões de livros didáticos sem comprar. Eu tava em Elsinc no em 2019, outubro de 2019, conversando com os professores da universidade que tinham me convidado para falar sobre o nosso projeto educacional do Rio Grande do Norte de educação científica que nós temos por 10 anos. E eles falam: "Nós estamos tirando os computadores da sala de aula. Nós fizemos uma porque eles são muito bons disso.
Nós vamos fazer, vão voltar, nós estamos voltando atrás. Os caras vão escrever na mão, vão praticar leitura em livro físico, vão sair da tela, vão fazer maquetes, né? Hum. >> E a essa semana com essa polêmica toda, eu vi que a Suécia também tá fazendo isso. A Suécia tá voltando, tirando o computador da sala de aula, porque as análises a longo prazo que eles fizeram mostraram que eles estavam coibindo Criatividade, coibindo eh iniciativa, >> estavam massificando, né? estavam criando, segundo a ministra da educação sueca, eu vi isso na numa artigo da imprensa, uma citação dela
dizendo que estavam criando analfabetos funcionais do ponto de vista criativo. >> Sim, claro, >> tá? >> Porque tudo tava sendo massificado. >> Então eu tinha lido isso num outro livro, por exemplo, esses programas de Arquitetura, né, digital, o a queixa de um grande arquiteto era a seguinte: tá tudo ficando igual, as pessoas estão desenhando a mesma coisa porque eles usam o mesmo programa de CADC. Então os projetos arquitetônicos estão a o grau de criatividade tá indo pra cucuia, entendeu? >> Entendi. >> Então e claro que é conveniente e claro que todo mundo usa tecnologia. >>
Claro que e uma coisa também, claro que A pessoa o dia que ela estiver trabalhando lá, um aluno lá da Suécia, lógico quando ele tiver trabalhando ele vai usar. >> Claro, claro. >> Só que tem um momento que ele precisa exercitar, né? Que é o back to basics que a gente fala, né? O cara já quer. Não, não, cara. que é igual aquele negócio, não, não, mas eu quero usar a rede neural, não sei o que, não sei o qu, não sei o quê, tal, cara. Mas e daí? Você sabe o que que tá por
trás? Você sabe a matemática, você sabe o que não sabe, ele não quer nem saber, ele quer só chegar e jogar um monte de coisa e ver que vai sair. >> E eu também fiz esse teste numa audiência, milhares, eu acho que de umas 6000 pessoas nesse auditório numa palestra que eu dei recentemente aqui em São Paulo. O sea, >> é o moderador, tá vendo? Essa é a Vantagem do [risadas] mundo moderno, né? O moderador falou o seguinte: "Quantos de vocês já usaram o chat GPT? 80 e tantos% da audiência levantou a mão." Eu falei:
"Posso interrogar a plateia também?" Ele falou: "Não tava no script, né?" Mas ele falou: "Não, pode." Claro. Eu falei: "Quantas de vocês sabem tirar a raiz quadrada na mão?" >> Quatro caras, tá? Eu falei: "Daqui 10 anos nós vamos fazer a mesma reunião. Eu vou voltar aqui e eu vou perguntar para Vocês: quantos de vocês sabem multiplicar na mão? Ninguém vai responder. Agora a gente aprende aritmética só para aprender aritmética, não, né? Aritmética é o primeiro passo para você exercitar o seu raciocínio lógico matemático para você, né? >> Claro. >> Aí você vai pra geometria,
aí você entra para álgebra e as pessoas falam: "Mas eu vou usar isso na vida". Vai. Talvez você Não calcule o triângulo de Pitágoras na sua vida, mas ter aprendido, né, a fazer a geometria, da plasticidade c >> plasticidade cerebral. Exatamente. Eu fui ver o livro do grande Pitágoras, né? As pessoas falam quadrado, né, dos catetos igual quadrado hipotenus. Ninguém para para pensar que ele pôs um quadrado. >> Sim, ele põe um quadrado. Quadrado hipotenusa. Ele pôs quadrado cateto. Não Foi como ele chegou na porcaria. Aí ele mediu a área isso. Área quadr área aqui
e dá isso aqui. Tá. E a demonstração foi geométrica. >> Isso mesmo, >> né? E a gente não faz mais isso. Você recebe a fórmula, né? >> Você aprende a fórmula. Então, esses caras, eles inventaram o mundo moderno, Euclides, todos esses caras lá em Alexandria, porque eles tinham um raciocínio lógico que foi desenvolvido A partir de pequenos passos incrementais, tá? Então não é, você não aprende a dividir ou fazer geometria, área do triângulo para fazer a área do triângulo. Não. Você tá exercitando e você tá induzindo um grau de plasticidade X no seu cérebro, >>
que vai te permitir raciocinar, estabelecer causas e efeitos, entendeu? Criar, né? >> É isso mesmo. >> E isso tá sendo retirado do sistema Educacional. >> É isso é perigoso. >> E essa é a minha preocupação, entendeu? Porque você vai contraindo o aparato cognitivo que nos trouxe até aqui. >> Uhum. >> São bobeou. Bobeou. Se você for contar a Luci lá como o começo da história, 4 milhões e mei anos, né? >> Exatamente. Muito bom. Tem mais aí, Cris? Põe lá Para nós. >> Tem >> um interlocutor. Boa noite, pessoal. Nicoléries, você sempre enfatiza que as
IAS não tem inteligência. Mas não existe um consenso sobre a aquilo que já tá falando, o que é inteligência, né? >> Qual é a sua? >> Não, a minha é que eu falei, eu acho que tem um consenso na área, em biologia tem e a inteligência para todos os grandes eh biólogos eh que eu conheci na minha Carreira, né? Eu tô pensando aqui, tô lembrando de todos esses caras aí. é uma propriedade dos organismos, como eu falei, né, que emerge através do processo de seleção natural durante a interação do organismo com o ambiente e com
outros organismos, >> certo? >> Sejam da sua espécie ou sejam de outras espécies. É essa, >> essa é a definição. >> Stephen J Gold, né, que era um dos meus Grandes heróis Gold. >> Era essa definição que ele dava. >> Isso, >> né? Isso mesmo. >> Não seria melhor focar no que a IA é capaz ou não de fazer? Então, mas é isso, cara. A gente usa, cara. É, a gente usa aí o Nicoleles, porque o pessoal fala assim: "Ah, mas o Nicoleles é um cara radical contra IAK". Lógico que não, cara, ele usou desde
o início da vida dele, continua, né? >> Não, o nosso último paper também antes da pandemia, 2020 era machine learning. Nós usamos para analisar esse padrão de interação do dos cérebros dos dois animais. >> Não tenho nada contra os algoritmos. >> Não é porque é isso que a galera não entende. Uma coisa é é você, como que eu vou dizer assim? Uma coisa é a gente que usa esse negócio, ah, sei lá, o Nicolas há uns 30, eu há uns desde eu desde 2007 que uso todos os dias, entendeu? Então, Cara, o negócio não vai
dominar, não vai fazer nada, não é essa coisa, não é esse alarmismo todo que esse pessoal coloca, entendeu? Ela tem muita coisa boa que ajuda a gente. Claro que ajuda, ainda mais no mundo que a gente vive hoje. Como que você vai ligar um monte de sensor no cérebro e analisar aqueles dados? Não tem como, a não ser por esses algoritmos. Ei, mas é, mas é por isso que a estatística multivariada é tão útil, né? A gente tá falando de Principal component analysse, se continuasse chamando estatística multivariada, >> não ia ter nenhum desses problemas, viu?
>> Põe a outra ali, Cris. >> A outra é dele também. >> A gente podia chamar de, né? Tem um nome, me fizeram outro dia no Twitter essa pergunta. Que nome você daria? Eu não parei para pensar, né? Mas podia ser algo como algoritmos interativos, né? Algoritmos multivariados, Qualquer coisa assim >> um pouco mais realista, né? >> Ó, ele falou que vários pesquisadores, até neurocientistas como Christoph Cock a >> Cristo Cock eu conheço há 40 anos, meu. >> Ele acha que a IA tem inteligência e podem se tornar mais inteligentes que nós num futuro próximo.
>> É, eu já tive esse debate com o Christopher Co ele, como a gente diz nos Estados Unidos, é full shit. É, >> é não qu [risadas] Esse eu conheço há décadas, meu amigo. Fique tranquilo. Tá aí, ó. Tá vendo? >> Esse eu já, esse eu já passei por cima. Fique tranquilo. [risadas] >> Boa. Tem a outra ali, né? Aí tem um monte de gente aqui pedindo >> sim. >> Pra gente falar do Neuralink. >> Vamos. >> Porque o Neuralink a gente sabe, né, que Você já falou lá no Flow aquele dia, né? Mas tem
um monte de gente aqui pedindo para contar a história do Neuralink. Simples. É, >> que era os seus alunos, né? Um dia eu não sabia, eu três alunos, né, do meu laboratório criaram uma empresa que eu nem sabia porque eles não contaram para mim. E de repente >> nesse esquema novo que a gente tava falando no começo de ter empresas hoje surgindo dentro das >> saí do meu laboratório com algumas ideias que uma delas, por exemplo, eu falei: "Ó, não vale a pena". Um deles, o Tim Hamson, é um dos melhores engenheiros que eu já
trabalhei na minha vida. O cara é como engenheiro biomédico, ele é brilhante. >> Seu aluno? meu aluno de doutorado e pós-doutorado. John é outro. >> O Max Hodak foi meio undergrad quatro anos no laboratório e mas ele sempre quis fazer negócio, então não Tinha nenhuma vida acadêmica. Não, o Rodark virou o CEO da Neurolink, mas eu nem sabia. Um dia em 2017 eu tô numa Califórnia, encontro um deles, acho que foi o time, e eu descobri que eles tinham uma empresa. Eu falei: "Ah, ótimo, boa sorte, né?" E de repente eu descubro meses depois, em
2018, se eu não me engano, que o Elon tinha comprado a empresa ou tinha posto uma fortuna lá. >> Comprado >> só que assim, sem nenhuma arrogância aqui, tá? Implantes invasivos corticais para interface a máquina foi inventado no meu laboratório. Eu e o John Chape inventamos. Nós sabemos exatamente para que eles servem, para investigar o cérebro. Sensacional. Você registra hoje 5.000 neurônios, tá? Simultaneamente eu comecei minha carreira >> com 100, né? >> E não, o primeiro primeiro registro que eu publiquei no s do meu post doc eram 48. >> 48, >> tá? E e só
se restrava um naquela >> 48 já foi uma um marco, né? >> Foi. É quando o Verno Montcastle, aquele cara que eu falei, veio para mim e falou assim: "Drutor Nicoleles, >> eu morrendo de medo, né? Tremendo as pernas, né? Querendo chamar minha mãe, por que o senhor acha que registrar 48 Neurônios vale a pena?" Eu falei: "Doutor Montess, com toda a cara de pau da Bela Vista, né? Dr. Mcastle, porque é 48 vezes melhor do que o senhor faz". Aí ele virou para mim e falou: "I love you". [risadas] Aí isso em público não
foi no não foi no no barzinho, foi numa aula na Jones Hopkins. Aí terminou o troço porque tem todas as liturgias da ciência, né? Ele era o emérito >> da do instituto do Cérebro da Mente da Jones Hop. Aham. >> E ele fazia a última pergunta de todas as palestras. Então, antes de eu começar a minha palestra, eu era um moleque na época, >> 2000 e alguma coisa, 2001, 2002, ele, o, o chefe do departament falou: "Olha, não se preocupe com a pergunta do Vernon, ele mata todo mundo, ele não gosta de nada, ele destrói
todo mundo, mas nenhum de nós vai se importar". Tá? Eu falei: "Não, tudo bem. Eu estudei com o livro texto do cara. Pensa numa brincadeira dessa. Fisiologia humana Verncastle, três volumes. Isso foi minha vida na faculdade de medicina." Bom, >> na hora que ele levantou lá, cai que senor tremeu, né? >> Ele levantou, falou o que eu acabei de falar, eu respondi, ele falou assim: >> "Dr. Nicoleles, can I do a post doc in your lab?" Posso fazer um post doc no seu laboratório? Falei: "Dr. Montastle anytime". [risadas] Porque aí foi o, né, aquele momento
eu, >> claro, >> eu senti, eu falei, minha mãe tinha que est aqui porque nesse instante a minha carreira começou. >> Entendi. >> Depois de 15 anos, né? Começou porque o cara falar o que você tá fazendo é o futuro >> foi, né? E fui descobrir depois, porque Eu fui no escritório dele, né? Quando passa palestra, você vai no escritório de cada um. O último escritório é o dele, >> é o do cara. E ele tinha uma imagem de um argentino, depois eu soube, argentino super bem vestido, terno branco, os anos 40, um cara super
elegante, professor Miguel Covian, ele falou: "Foi meu primeiro aluno". Eu falei: "Não acredito." Miguel Covian foi orientador do meu caramba, >> César Timunharia. Aí ele virou para mim: "You are my grandchild". >> Ah, é mesmo? [risadas] Academicamente falando, né? >> É. E eu não sabia, eu descobri no escritório dele. >> Que demais, >> tá? Então aí eu entendi toda a conexão, entendeu? O cara descobriu que o ex-aluno dele tinha tido um aluno no Brasil, >> né? E >> ele sabia, né? >> Eu fazia parte de uma, eu fazia parte de uma família sem eu nem
saber, >> de uma linhagem, né? Uma linhagem. Exatamente. Linha >> que eu nem sabia. Então >> demais. Eh, o, mas esse cara, o Verncastle, ele virou para mim e falou: "Olha, o nosso drama é o seguinte: nós vamos coletar aí os seus 100 neurônios, 200, a gente não sabe o que fazer com os Dados". E foi aí que eu me, eu e o John Chaping falamos: "Nós temos que usar, né, o que você me ensinou". Ele falou para mim: "Olha, lembra do que eu te falei para você ler aquela livrão lá nos anos 90, agora
vai analisar os >> agora a gente tem como fazer". E o John foi um gênio nesse sentido, porque ele foi o primeiro cara a programar, >> entendi. >> Todos esses troços, PCA e análise Discriminatória, cluster análisis, >> clusters, né, caminhos que >> ele programou nesse eclipse e nós, porque eu não conhecia o eclipse, né, nunca tinha trabalhado, >> porque até então era um neurôio só, não precisava, >> era um neurônio, você usava série temporal, né? >> Somava os disparos, fazia um gráfico, fazia o espectro, FFT, né? Furier Transformer, Eh, que aliás eu aprendi com um
grande amigo meu aqui no Brasil antes de ir embora, o Luiz Bacalá, que me ensinou tudo sobre isso. >> Mas o John teve esse insight que 10 anos depois, quando a gente tivesse a tecnologia, tivesse eletrodos, tal, fast forward pra Neurolink. >> Uhum. >> A Neurolink chega e fala: "Não, nós vamos fazer esses implantes que eu sei como funciona". Só que assim, >> mas na época lá atrás vocês faziam para coletar dados. Era isso que era ideia. Mas nós fomos o primeiro laboratório do mundo na Philadphia a implantar e a deixar por meses, certo? >>
E registrar. Nós chegamos a 100 neurônios quando eu mudei para Duke. >> Eu fiz o seu neurônios na Duke, >> ficava registrando sinais ali com esse implante >> continuamente e o animal >> andando, vivendo, >> fazendo o que ele queria fazer. >> Nuncaou. Só que assim >> em macac era macaco, era rato. >> Não, nós começamos com ratos e depois eu na di fiz em macacos. >> Macacos. Beleza. >> Só que assim, eu consegui manter macacos com esses implantes e depois eu desenvolvi um chip wireless em 2014, que eu foi a capa da Nature Methods.
Ah, 9 anos. É o limite, esse é o limite máximo que a Tecnologia conseguiu até hoje. Só que num ser humano não adianta 9 anos, você tem que manter por 20, por 30. O que você vai fazer? Você vai tirar quando para de funcionar? Não pode, né? porque vai vir tecido cerebral junto. >> Entendi. >> Então a gente sabia que era uma ferramenta espetacular para estudar o cérebro. continua senda. Em último caso, em doenças devastadoras, em casos absurdos, que é uma minoria, é Um número muito pequeno, você vai ter que provavelmente fazer o implante pro
cara ganhar alguma mobilidade, >> que é aquele caso vegetativo que >> o Steve Hopkins, que inclusive a secretária dele uma época entrou em contato comigo para ver se havia alguma possibilidade. É, >> eu falei: "Ana não dá, é muito cedo, não, para ele não adianta". Entendi. H, então eu cheguei pros meus alunos na época, eu falei: "Olha, quando eu vim Fazer a Copa aqui, eu vim para cá para fazer, eu falei: "Olha, primeiro os pacientes não querem sofrer uma neurocirurgia, os pacientes paraplégicos que têm movimentos acima, né, >> que é muito arriscado. >> É porque
para que você vai tentar um outro procedimento se você tiver algo que não é invasivo?" Os pacientes tinham essa, eu entrevistei um monte de pacientes lá e aqui, Estados Unidos e aqui e eles diziam: "Se puder Fazer sem invadir o cérebro, eu prefiro". >> Que é o exesqueleto, >> que é o exoesqueleto controlado pelo EG, >> pelo certo, >> pela touca de natação lá que tem contatos do couro cabeludo >> e funcionou e acabou de ser reproduzido aqui. >> O seu o seu então o seu o seu sistema, o da Copa lá, ele é concorrente
da do Neuralink? Não, ele é concorrente com a Com a eu não tenho, né, a ambição, mas muito mais pacientes vão usar o sistema não invasivo. Inclusive os maiores investimentos em Neurotec do mundo, 95% do dinheiro de venture capital em Neurotec vai para não invasivo, >> porque o invasivo ele tem vários, vários. >> Ele infecta, ele pode infectar, ele pode parar de funcionar, não tá? paper que saiu aqui, que eu tenho críticas gravíssimas aí, é o que que saiu Recentemente o grupo da Suíça, que eu fundei o laboratório nessa universidade na Suíça, um dos implantes
se infectou e eles não pararam trial, eles continuaram e era um cara, >> já era ser humano, não >> era um ser humano, platou cérebro e medula espinal e o cara já andava, >> o cara é um paraplégico parcial, >> ele já tinha, não precisava ter feito implante do ponto de vista ético. É um absurdo, porque o cara tinha movimento, >> certo? Tá, ele melhorou uma merreca, só para ele não fez diferença, >> não. Fizeram estardalhaz, fizeram hype, saiu em todo lugar do mundo. Mas para quem é profissional e sabe como é o cara, eles
já tinham publicado o estudo desse cara antes e ele ficou treinando 48 meses antes do implante. Os nossos pacientes em se meses estavam recuperando mobilidade sem invadir o cérebro. >> Entendi. >> Tá. E a gente treinava uma hora por dia, duas vezes por semana, tá? OK. O pessoal em outro lugar do mundo treinou uma hora por dia, cinco dias por semana, foi muito mais rápida a recuperação. Então você não precisa, para vasta maioria, >> a invasão é é nesse caso, é um caso vegetativo, né, que a gente fala, o cara tá ali no cara que
não consegue mover nada, né, enfim, mas eles venderam, não os meus alunos, mas o, né, o nosso querido Musk fez um marketing que até as Pessoas normais vão querer um implante. Isso é um absurdo. Você não vai pôr um risco um ser humano, >> tipo, o cara, ele vai ser um ah isso aí, né? >> Vai jogar videogame só pensando, vai dirigir o carro só pensando. Não precisa, primeiro que não precisa. >> Eu vou me conectar à máquina para ter uma uma inteligência maior isso. E é isso que eu não concordo. E e como eu
disse, né, eu fiquei razoavelmente Ínfamous nos Estados Unidos quando eu disse que o Mr. Musk barely knows where the brain is located, né? [risadas] E foi foi sensacional. criar um meme. Foi muito legal. Eh, porque na realidade eu não compro o hype, da mesma maneira que eu não compro o hype da inteligência artificial, apesar de usar, os caras começaram a fazer um hype de algo que eu inventei. Eu com a minha mão, eu fazia a cirurgia, eu implantava o barato, tá? Entendi. >> Então eu sei as limitações e quando eu tive a oportunidade, porque eu
poderia chegar, né, falar: "Olha, desculpa, nós vamos implantar você, os caras eram capazes de concordar". Mas do ponto de vista ético, médico, ético, não faz sentido. >> E você não vai correr o risco de dar uma miningite numa pessoa que já é paraplégica, né? >> Caramba, >> você não vai fazer um barato desse, né? E foi o que aconteceu. O cara infectou, >> eles e eles não pararam o trial. Em qualquer lugar do mundo você tem que parar o trial, o o estudo clínico, né? Se dá uma complicação, você para na hora. >> Isso aí
a ética tá ficando meio de lado, então, nesse >> por, claro, tem uma startup por trás, o grupo da Suíça tem uma startup atrás deles também e eles >> lá é o quê? É um neurolink também. >> É um neurolink da vida. É um neurolink da vida. Não, não tem um um elom, >> certo? Mas é um implante de de um chip, >> a mesma coisa. Só que eles não entram no cérebro profundamente, eles põe na superfície. Eles fazem o uma craniotomia e eles >> entram por baixo entre o osso e o cérebro, onde ficam
as menines, você põe o chama eog. É um sistema, é parece um coisa planar assim, como se fosse essa capa aqui >> com sensores >> e você põe isso entre o osso e o cérebro, tá? >> Que é útil, é útil para outras coisas, para epilepsia crônica, para coisa, mas para você deixar lá 10 anos, nem eles con nem eles podem assegurar que vai funcionar. Uhum. >> Tá. Então, a minha disputa com a Neurolink é primeiro é irônico, né? Porque são alunos meus que saíram e criaram e não falaram nada, né? E alguma Das ideias
ali, >> né? Todo mundo sabe da onde veio, né? >> Entendi. >> E e é isso. Foi aí que eu comecei a ver que o essa é o que eu falei no começo aqui, a bolha acadêmica tinha explodido. >> Entendi. Eu tive o quê? 30 alunos de pós-graduação, de doutorado e 43 póstdoc na nesses 35 anos lá nos Estados Unidos. No no final, antes da pandemia, ninguém queria ficar na Academia. >> É aquele lance, né? O cara já tava pensando na startup que ele ia criar. >> Os caras queriam vir trabalhar comigo porque eles já
estavam pensando na startup ou no sei lá onde, entendeu? >> E aí eu falei: "Não, não é bem isso que eu quero fazer", entendeu? Por isso que agora >> para terminar, eu acho, né? Eu decidi criar o meu próprio instituto, espalhar ele pelo mundo e fazer do jeito que eu Quero fazer. >> Entendi. >> Porque qual é a vantagem do não invasivo? Ele é barato, ele é seguro e ele é escalável. Então a Organização Mundial da Saúde estima, e agora explodiu esse número por causa da pandemia, mas antes da pandemia se estimava que mais de
1 bilhão de pessoas têm algum problema do sistema nervoso central. Então um em cada sete seres humanos tem algum distúrbio Neurológico ou psiquiátrico, tá? E a questão medicamentosa, todos nós sabemos, não não dá, né? Ela tem efeitos colaterais, não não tem tratamentos eficazes. Então, o que que eu quando a pandemia tava no meio, eu comecei a saber uma coisa? Seguro, barato, escalável. Eu vou criar um projeto com meus amigos espalhados pelo mundo chamado Treat One Billion. E vamos usar interface máquinas não invasivas, como Eu fiz pra Copa do Mundo, para as grandes doenças que são
responsáveis por esse bilhão. >> Entendi. Que é um bilhão de pessoas que tm esse problema. >> Isso porque se você usar a não invasiva, ela é industrialmente escalável, >> certo? >> O implante vai custar 250.000. ou os exos que empresas que estão semifalidas estão vendendo aqui no Brasil através de políticos aí que Custam 200.000 dotes que não vão a lugar nenhum porque é exo de quarta geração, né, lá atrás, né, já tá ultrapassado. >> Ah, 50.000 200.000, quem vai conseguir pagar isso? Que sistema de saúde vai conseguir pagar isso >> para 1 bilhão escala, né?
>> Multiplica 200.000 por 1 bilhão. Veja o número que dá, >> né? Então não vai funcionar. vai funcionar se a terapia custa 1000. >> Entendi. >> Ou 500. Aí você escala, tá? OK. >> Entendeu? Então foi para isso que eu criei, né? Tá, tá sendo anunciado agora em outubro. >> Ah, é. >> O Nicoleles Institute for Advanced Brain Studies. >> Que demais. A séde vai ser aonde? >> Vai ser espalhada pelo mundo. >> Brasil, Estados Unidos, Europa, Ásia e África, né? E nós vamos eh em Provavelmente em outubro anunciar o nosso parceiro europeu. >> Legal,
>> né? Então, >> e aí é o quê? Mas aí é baseado no exesqueleto. >> Não, no o exesqueleto é só a veste robótica, né? O a coisa mais importante não era nem o exo, era a interface do céu. >> Ah, tá. Interface ali. Claro. Aham. Lógico. >> Então nós estamos, vamos apar que a interface não invasiva. Invasiva. Só que essa que nós começamos com lesão medular, ela evoluiu pra doença de Parxon, epilepsia crônica. Teve um grupo que usou a minha técnica para depressão crônica, que a gente falou no flow ano passado. Sim. Ah, ou
seja, você é porque o pessoal tá perguntando, ah, e o Exos, que quer dizer, evoluiu esse negócio? >> Evoluiu e o Exo tem tem um exo de quarta geração, eh, nosso, que nós vamos também Anunciar, que foi testado fora do Brasil. Que >> demais. >> E que custa 1/5, >> caramba, >> porque é um exo Volkswagen, entendeu? É um exo que as pessoas vão poder eventualmente comprar ou um sistema de saúde nacional vai poder comprar, >> certo? >> Não 250.000, entendeu? Entendi. >> Então, porque senão não funciona. >> Claro, >> porque é outro grande drama
da da sociedade moderna. Não adianta só você desenvolver grandes tecnologias se elas não forem >> acessíveis. >> Acessíveis, >> claro. >> Inclusive, o sucesso desse barato aqui >> é >> é o sucesso desse telefonezinho aqui, Celular, é que a vasta maioria dos seres humanos podem comprar ou podem comprar de algum jeito, não precisa ser esse, mas, né? >> Pode ter alguma coisa parecida.Uma coisa parecida. >> Isso mesmo. >> Então, se você tiver dispositivo, né? É, se você tiver uma tecnologia que custa 250.000 para começar >> sem sem a garantia de que você vai poder manter
isso pro resto da vida Funcionando, tá? Então a Neurolink, o business plan deles não tem futuro. É um é um hobby. É um hobby ali. >> É porque tem é que tem um marketing pesado, né? >> Tem. Claro. E levantou um monte de dinheiro. Você chegava para pessoa nos Estados Unidos, os caras iam falar comigo: "Ô, você é o cara que inventou o barato, tal. Nós estamos pondo sei lá quantos milhões na que você acha?" Eu Falo: "Meu, se fosse o meu dinheiro, eu não fazia isso nem morto." Eles falam: "Não, mas é o Elon
Musk." Eu falei: "Bom, e daí o que, qual curso de neurociência ele fez, né? O curso de marketing ele é ótimo, né? Né? Eh, mas >> não é, tem esse marketing todo por trás, né? >> Tem não. E mas esse esse eu não compro porque não é é fácil de de você fazer marketing, né? Veja aquela moça lá da, você lembra da da como que chama o nome Da empresa que prometeu mundos e fundos. >> Vixe, essa já deu uma deu uma confusão aqui. Eu sei. >> Você lembra >> a do a que foi no
>> Elizabeth? Eu tô esquecendo o nome. >> Você fala aqui do Brasil, né? >> Não, digo do da Califórnia, do Silicon Vale. >> Ah, sim. É do sangue. >> É do sangue da teste que era, né? >> Que com uma gota já fazia não sei Quantos mil anos. Tem até o documentário agora, né? né? >> Exato. Então é isso que eu não compro, entendeu? >> Uhum. >> E eu lamento que hoje em dia você quando vai >> Mas aí sabe por quê? Porque vamos dizer, ela com certeza é uma pessoa que tem uma especialização, >>
ah sim, >> em algo que pouquíssimas pessoas no Mundo sabem. >> Sim. E aí ela chega, fala o negócio daquele com as palavras certas, do jeito certo e tudo. Cara, assim, 99% da população que não tem nem ideia do que ela tá falando vai falar: "Cara, >> não, mas não é só isso. Ela convenceu os maiores fundos de venture capital do céu. Mas aí, aí vem aquela aquela a mesma pergunta que você fez pro Elon Musk e o cara do V cap sabe onde que fica o cérebro, né? Ou ele sabe o que Que é
um sã, uma gota de sangue, né? Então >> não, e outra coisa, em san consciência você não precisa nem ser neurocientista, você não precisa ser absolutamente nenhuma especialidade. Você acha que faz sentido você implantar um adolescente com um chip no cérebro para jogar videogame? Faz >> nenhum. Qual? Nenhum pai, eu sou pai. >> Não, não consegue conceber alguém falar isso publicamente porque, né? Eh, ah, Não, eu vou pôr em mim mesmo. B, você quer pôr em você mesmo? Boa sorte, >> né? Aí, >> mas você influenciar milhões de jovens a pensar que isso é uma
possibilidade real sem nenhuma preocupação. >> É, esse é o perigo que eles têm o poder da palavra, né? A gente volta lá na sincronia, né? >> Sem dúvida. O vírus informacional >> vai embora, né? >> Vai embora, né? >> Esse é o problema. Tem algumas pessoas perguntando aqui o seguinte: "Eu vou ler o da o da Ana Paula, mas tem umas três ou quatro da mesma linha, >> que é um negócio aqui inter. Eh, tão perguntando se você sabe. Ah, não, da Ana Paula é uma outra coisa. Não vou ler a dona Paula aqui, ó.
Tem como ver com ele se existe alguma coisa que você que o senhor saiba sobre a esclerose lateral amiotrófica? >> Não foi essa? Essa era a doença do meu Orientador, Dr. César, ele faleceu disso e era do Steve Hawkins. >> Do Stephen Hawking. Isso >> é não, não. Isso é uma é não, >> esse trabalho aí, essa esse tudo isso aí que vocês estão fazendo tem vai ter coisa ligada a isso? Não, esse essa essa doença em particular, eu conheço pessoas que trabalham a vida inteira trabalhando para tentar e os mecanismos de morte neuronal, o
que acontece, eu vi o meu orientador >> depois do 70, não foi uma coisa impressão, porque ele, Dr. César, nos anos 50, trabalhando com um neurocientista americano muito famoso chamado Brooks e Vincent Brooks, Vernon Brooks, eh, idealizou o teste clínico para fazer o diagnóstico dessa doença, >> duela, né, que a gente chama aqui >> duela doela. Lá nos Estados Unidos é chamada Laren disease, >> porque foi um jogador de beisbol muito famoso, Laren, >> que morreu disso. Morreu disso. >> E ele era um astro, né? E o do Exato. Do do New York Yankes. E
o Dr. César, que era um torcedor do New York Yanks, estava em Nova York fazendo o seu post doc e foi uma comoção. >> Da cidade, porque ele era um herói, né, da do do time. >> Então, Dr. Com o Vernon Brooks e o Dr. César criaram o teste clínico de condutividade para fazer o diagnóstico. Bom, eu tô um dia no meu laboratório lá nos Estados Unidos em 2000, se eu não me engano. Telefone Dr. César, Miguel, eu tô com ela. Eu falei: "Não, Dr. César, não quer isso?" Mas eu fiquei sem ar, né? Eu
falei: "Não, doutora, como como senhor tá com ela? Como o senhor pode saber?" Ele falou: "Mas como eu posso saber?" Eu inventei o diagnóstico, eu fiz em mim mesmo e eu tô, não tem dúvida nenhuma. >> Caramba. >> E ele era um homem de uma dignidade. Eu nunca vi uma pessoa dada essa notícia, né? >> Uhum. >> Dizer para eu, porque eu fiquei sem fala, eu fiquei completamente aturdido. Eu peguei um avião o quê? duas, três semanas depois eu tava em São Paulo e naquela época não era tão fácil vir para cá, né? >> E
ele falou: "Não, tô bem, vivi uma vida muito boa, tal, mas eu não tenho dúvida Nenhuma, né? E o que você tá fazendo?" Que eu eu tinha publicado o primeiro trabalho em rato e o primeiro trabalho em macaco na Nature meses antes. >> Uhum. >> E ele vira para mim e fala: "A sua interface ser máquina ainda vai ajudar muita gente com ela, mas não a mim. Não vai dar tempo". >> Entendi. >> E não deu tempo. >> Olha só. Mas ele ele sacou, entendi. >> que que ia ter uma aplicação clínica, né, no futuro,
que é o que a gente pensa, né, porque foi uma das doenças que motivou o John Chapeu, particularmente por causa do meu >> que nós tínhamos que correr, >> né? E em 2004 nós publicamos o primeiro estudo clínico em pacientes, em seres humanos, e mostramos que ia funcionar, >> certo, >> né? Eh, mas levou 10 anos para eu poder fazer a demonstração da Copa, >> certo? >> Que o intuito era esse, era mostrar pro mundo, >> claro, >> que tava chegando, né? E onde você vai mostrar para qual é o melhor lugar? As pessoas não
publica na Science. Falei: "Não, já publiquei na Science na Nature." >> Melhor lugar está do Corinthians. >> Melhor está Não, exato. Foi no estádio errado, [risadas] mas foi. E você sabe Que eu eu sempre falo isso, ninguém acredita. Mas um dia eu vou fazer isso? Quando eu não tiver decidir que eu não vou ficar no Brasil, eu vou publicar tod Não, eu vou publicar todas as fotos que eu tirei de verde dentro do estado do Corinthians, >> no vestiário, >> porque nós montamos, nós montamos um laboratório no estacionamento do do estado do Corinthians. >> Caramba,
>> nos últimos 15 dias os testes foram feitos. >> Morou lá, né? Praticamente morou lá. >> Morá, morei. Na noite anterior, eu literalmente dormi lá numa casa ao lado. Mas nós tivemos o único laboratório de neurociência da história >> dentro de um estado de futebol. >> Dentro de um estádio de futebol. durante três semanas. >> Que demais. >> E eu chegava todo dia com o uniforme do Agasalho que eu comprei pra Copa que é verde, mas tá escrito Brasil atrás e amarelo, tá? E o segurança do estado. Falava: "Doutor, o senhor sabe, não pode entrar
>> de verde, não pode". >> Falava, mas veja é do Brasil, né? Tá escrito Brasil aqui. E eu fui no banheiro, fui no nos lugares mais chiques do estádio e tirava foto. E algumas vezes, porque ninguém reparou, porque tinha uma camisa do Palmeiras Embaixo do agasalho, entendeu? Então eu devo ser o único ser humano >> vivo, ainda vivo, se eu sobreviver depois de contar isso, >> que tenho fotos, né, lá dentro, né? E foi uma coisa de louco, porque o Juliano, Juliano fez 57 chutes no campo como, né, para chutar a bola, para praticar >>
antes, né? >> Antes, antes, >> nos dias antes. É. >> E ele acertou 55. >> Caramba, >> pensa numa brincadeira dessa. Você um T4 por 10 anos é no atleta. >> T4 é o quê? Só mexe aqui >> toráxico aqui, ó. >> Entendi. >> No nível do mamilo aqui, tá? >> Só mexe daí para cima. É isso. >> Você tem uma ideia? Nós tivemos que pôr o feedback tátil do exo porque cada vez Que o exo pisa no chão, uma onda de pressão é gerada e gera uma onda tátil pro pra pessoa sentir o chão.
>> Entendi. >> Como os pacientes tinham lesões altas, nós só podíamos usar os braços deles, >> saquei. >> Tá. Então eles sentiam é o é o membro borracha ao inverso. >> Sim. >> Eles sentiam os pés nos braços. >> Olha só. cérebro deles remapeou, >> caramba. >> E eles diziam: "Tô andando, tô sentindo o chão, meu pé tá tocando o chão, mas você não, né? Você para plecha, você não sente nada. Não >> tá sentindo seu braço?" O >> cérebro, eles não falavam que a sensação era no antebraço, >> eles falavam que era no pé.
>> Era no pé. >> Que doid isso é muito louco, né? >> Tá, eu usei o a ilusão do da borracha Para planejar esse barato. >> Sim. Então, quando o Juliano faz isso, quando ele sente, começa a sentir, né, e começa a chutar tal, nós falamos, nós temos que montar o laboratório no estádio porque nós vamos ter que fazer a prática com o tempo aberto, tempo nublado, tempo com vento, porque nós não sabíamos >> qual que ia ser a condição no dia, >> qual era uma condição do dia, né? Tínhamos que testar o que fosse
possível. E o Juliana, ele dois chutes não foi nem culpa dele, foi que o terreno do campo tava tinha chovido. >> Não, não vem falar mal do do do nosso >> a grama a grama tava cedendo, tava afundendo, né? Porque tinha muita água e a plataforma que a gente usava para estabilizar o exos, as pessoas falaram: "Não, puseram uma plataforma". Falaram tudo que é só de absurdo, né? Eu fui bombardeado, eu entendi bem a frase do Santos do Mon, né? Entendi muito bem a frase do Ein queriam que o o cara saísse correndo pelo campo.
>> Não, ele ia ele ia andar e dar o chute. A FIFA cortou o tempo. Nós não tivemos. Eu falei: "Olha, >> esse é uma é um exo experimental. Nós não temos autorização e para uso indiscriminado. Então nós vamos tos que montar a grade de segurança, vai ter que ter o barato para não ia acontecer nada. >> Um experimento científico. >> Um experimento científico em público. Era o voo do santoon. foi planejado na minha cabeça em homenagem aousadia do Santos do Mão, fazer uma demonstração neurocientífica para 1 bilhão de pessoas. Foi 1.Hão200 na realidade a
audiência, né? A FI falou: "Não, não dá porque vocês vão ter que montar". Isso falei: "Leva 3 minutos". A gente praticou, montou, criou. Tanto que no nosso laboratório eles andam, andam pelo corredor, andam pela sala principal e Chutam a bola no final de dar 20 passos, 12 passos. A gente define o número de passos. Ah, não pode, tem que ser na lateral do campo. Falei, bom, vocês estão me dendo menos de 30 segundos, o que você quer que eu faça? >> E começou com quanto? O original era quanto? >> Não, eram 10 minutos na demonstração
inteira. Na véspera, na noite anterior, eu recebo um telefonema >> de uma componente da comissão dizendo Para mim: "Olha, vai reduzir o tempo e e by the way, vai ter um delay. Se vocês não acertarem, a gente nem mostra". >> Caramba, >> olha a pressão. Tá. E o E o Juliano como >> não, o Juliano. Bom, o Juliano, a vantagem Juliano, por isso que ele foi, uma das razões que ele foi escolhido é que ele era um atleta olímpico >> antes do acidente. >> Então ele já tinha uma preparação aquele barato de, né, enfrentar pressão
de Público, tal. E outra coisa, ele era um atleta paraolímpico naquele momento. Ele quase foi pra Olimpíada aqui no Brasil em 2016. >> Entendi. >> Ah, ele provavelmente pode ir agora. Eu encontrei com ele outro dia, ele tá treinando para ir. >> Legal. Então ele era um cara, um, a gente chamava ele de um pepino, entendeu? Porque ele não, não esquentava com nada. Ele era um cara tranquilo. >> Entendi. Tinha preparação, >> ele tinha essa preparação mental e ele era capaz de modular o EG dele de uma maneira que eu nunca mais vi. >> Caramba.
>> Ele conseguia fazer vários níveis de atividade, então a gente conseguia tirar três bits dele, entendeu? Entendi. >> A gente conseguia fazer, eh, né, coisas do arco da velha coeja e do Juliano. Então, >> mas isso aí, isso aí depende da pessoa, >> depende. Tem, tem pessoas que não conseguem, tem uma 10% das pessoas não conseguem modular >> o ritmo que a gente usou específico, né? O ritmo 1000 que chama, né? >> E o Juliano conseguia ter oito posições ali, né? >> Caramba. Então a gente conseguia fazer coisas com ele que a gente não faria
com outra pessoa. Só que a gente não sabia o que ia acontecer no dia e nós tivemos 30 segundos que foi diminuindo, né? E a Mulher falou para mim assim no telefone: "Não, nós temos eh você vai ter que fazer em 20 e poucos segundos, 21, 22". Tá. Eu falei: "Mão, o cara tá fazendo em 28, é o melhor tempo dele." E o Juliano vira para mim e fala: "Não, eu tô fazendo em 28, mas eu vou fazer". E fez >> e fez. E e onde eu vou no mundo, é isso que eu falo, o
Brasil ele é muito cruel, >> tá? >> O p o Brasil é a a mulher maravilhosa do Einstein, tá? Que não te corresponde o seu amor. Eu >> eu é o Openheimer, eu juro por Deus, eu senti isso na pele, tá? Eu senti isso na pele de uma maneira. Os meus amigos americanos que estavam aqui viravam para mim e falaram: "Não dá para acreditar". >> E foi na B. Ia ser no meio, né? >> Ia ser no meio do campo. Esse era o plano, né? Mas aí tinha que fazer o show, tinha que não sei
quem cantar. Não, e acabou sendo junto com a saída do Ônibus. Não tem isso. >> Isso é no Brasil eles dividiram a tela e mostraram. Só que o que ninguém sabe é que fora do Brasilã >> não só os caras mostraram o barato todo, mas leram o texto que eu preparei. >> Ai que >> eu preparei um texto, quatro parágrafos, pros narradores de televisão, explicaram o que tava acontecendo. Informação correta, né? >> Aqui ninguém ligou, >> mas no resto do mundo o povo ligou. >> Que legal. >> Entendeu? Então, onde eu ia no mundo, por
exemplo, eu acho que é a coisa mais louca que aconteceu na minha carreira. Um mês depois eu tinha me tinham me convidado para ir pra Trinidad Tobago. >> Tr aqui no na América Central aqui as ideazinas. >> É, no Caribe, se eu não me engano, a capital Portin, Se eu não me engano. >> Isso, Porto Spain. >> Eu chego lá para dar aula na universitário pensando, né, uma aula no auditório, vai ter uns quatro gato pingado. A praça do auditório da universidade lotada de gente, não cabia. gente no no auditório, eles projetaram na parede do
prédio a minha palestra lá dentro, porque não entrava gente >> foi uma das coisas mais emocionantes. Eu Não tava nem no meu país, eu tava num lugar que ninguém sabia quem eu era. Todavia, os caras espalharam que o o cientista que fez a abertura da Copa, o EXO, ia dar a palestra no universitário, os caras saíram e foram ver lá o barato, >> né? Aqui nunca aconteceu isso. 10, vai fazer 10 anos ano que vem >> vai fazer 10 anos. É verdade. >> Vai fazer um monte de coisas. vai fazer, vai fazer uma comemoração aí,
>> pô, os car ag >> lá de novo, >> eh, não, vai ser, vai ser num outro lugar, >> pô. [risadas] Tem que ser lá. >> É, não, lá eu que eu gostaria de voltar lá um dia, sinceramente, porque eu fiquei, apesar de ser o estado do Corinthians, eu foi uma coisa inesquecível. >> Com certeza. >> Olha, você entrar no estádio, eu não sou brasileiros, né? Futebol tá no DNA, né? >> Tá no sangue, né? Isso. >> Ah, você entrar na história com todos os oito pacientes que ficaram seis meses treinando com a gente e
os outros sete ficaram mais 20 meses com a gente, tá? >> Caramba. >> Você tá lá na Copa do Mundo no Brasil 65.000 pessoas nesse estádio berrando, gritando, tá? E você falar: "Puts, grila, eu vou fazer o meu voo de Santos tumon aqui". Entendeu? >> É >> porque eu cresci com a minha avó contando, né? voou ali, fez o que? Eu falei e não, >> talvez eu tenha a chance de fazer algo próximo disso, né? E eu brinco, né? E com a minha mãe, né? Que lembra da minha avó fazendo todo esse barato. Eu falo:
"Ó, o Santos Dumon quando vou em Paris dia 19 de outubro de 1901, tinha 1 milhão de parisenses na rua". >> Uhum. Quando Neil Armstrong pousou eh na Lua No 20 de julho de 69, as estimativas da NBC, que foi quem transmitiu, eram entre 400 e 600 milhões de pessoas no mundo. >> O nosso chutezinho humilde de 21 segundos, 1.2 bilhões. >> Bilhão, né, cara? É muita coisa. >> E aqui era para ter sido celebrado, era para ter sido uma baita festa. Aí teve jornalista reclamando da roupa do cara que não andou, que tinha prometido
que ia levantar e sair correndo e chutar bola. Eu falei: "Meu >> caramba, [risadas] >> eu não sabia no que el estavam falando, né?" >> É, uma coisa é ciência, outra coisa é ficção científica. O Artur Clark era capaz de escrever uma cena dessas, né? >> Uhum. >> E veja bem, aquele foi o primeiro chute. Tá cheio de grupos fazendo isso pelo mundo agora e funcionando. >> Funciona, né? >> Né? Só que o Santos do Montha uma frase que eu adoro. Quando um jornalista do Lemondde veio reclamar dele, porque ele era um cara meio quieto,
né? Falou: "Olha, os irmãos WS chegaram aqui, estão voando 220 km com o avião deles, né?" >> Sim. >> E o senhor só voou 80 m. O que o senhor tem a dizer? Aí o Santos tomou um mineiro, né? Virou pro jornalista e Falou: "É, meu filho, mas os primeiros 80 m são sempre os mais difíceis". >> Exatamente. >> Entendeu? Tem que ter os primeiros 80, né? >> E eu sempre digo isso, tem um livro, o Wings of Madness, que é um americano, escreveu história do Santos do Mão. >> Sim. Ah, é esse aí que
eu li. É o As loucura aqui no Brasil chama As. >> Lemb, você lembra dele falando que em Tolido, >> a cidade dos irmãos Ws, quando os irmãos WS voaram na onde eu moro, na Carne do Norte, a manchete do Jornal da Cidade Natal deles, >> ele reproduziu que o Dumon fez, né? O grande Dumon. >> Eh, meninos da terra ou garotos da terra >> reproduzem o grande do Mom. É isso mesmo. >> Até os caras da cidade dos irmãos W sabiam quem deu os primeiros 80 m. Mas nós, a nossa cultura Vira lata nega
que os primeiros 80 m são sempre os mais difíceis, entendeu? >> Isso mesmo. >> É isso mesmo. Ah, então a pergunta lá que tem um monte de gente fazendo é o seguinte, que o Roger Pen Rose, >> Sim. O o Mateus e várias pessoas que falaram, mandaram super chat. Meu nome difícil aqui. >> Isso que o Roger Pen Rose falou que que os computadores quânticos, né? >> Aham. >> Eh, falava que o nosso que ele ele propôs que o nosso cérebro era como um computador quântico. >> É, eu conheço. Inclusive eu eu contei essa história,
acho que no Flow Flow. Acho é que >> que nós fomos no banheiro, né? >> Isso. >> Depois da palestra dele, depois da minha ele falou: "O que que o senhor acha da minha ideia dos microtúbulos?" >> Isso. >> E eu eu não sabia que o cara ia ganhar o prêmio Nobre, né? Mas eu já sabia que ele era um mega físico. Eu junto com o Stephen Hawkins, né, ele é o idealizador do da matemática do do buraco negro, né? >> Buraco negro. Isso. >> E aí ele virou para mim: "Que que você achou?" Eu
falei: "Dr painose, beautiful, but just bullshit." [risadas] E aí, não, eu acho, eu tava lendo, eu tô lendo um livro muito interessante sobre computadores quânticos, que eu quis Aprender mais sobre, né? Porque não é a minha área nem de longe. >> Ore que o último passo do barato é digital. Sim, >> no momento que você tem, né, a saída digital, >> o computador quântico, na verdade, é uma uma melhoria gigantesca na velocidade, velocidade processamento, né? Porque se eu entendi correto a >> e foi o que eu entendi, né? >> É isso. Não tem mais é
>> E aí um um grande amigo meu que entende disso para caramba virou para mim e falou: "Não, basicamente é uma máquina de turouring, mas é uma máquina de turing explosivamente veloz." >> Veloz. Isso mesmo. >> Muito bom. O Rafael aqui falou aqui, ó. Quanto tempo que o senhor acha que levará para recuperarmos a ciência brasileira? >> Faço pósdoc no ICB da USP. >> Ô, foi onde eu fiz a minha graduação >> e os corredores estão desertos. Ele falou >> verdade falou aqui. >> Pergunta para ele se ainda tem o cheiro de xixi dos ratinhos
lá porque era a coisa mais assustadora que eu me eu eu sonhei com isso durante 10 anos nos Estados Unidos. Mas eu fiz meu meu doutorado lá >> lá no ICB. >> Foi. Muito orgulho. Tenho muita, muitas Boas memórias do ICB. Olha, honestamente, eu eu gosto de ser otimista, sempre sou muito otimista. Eu tô eu tô com grande receio que vai demorar muito, né, né? que a mentalidade é muito provinciana. Nós ainda temos cardeis que, né, mandam na ciência brasileira sem ter feito grandes coisas, mas ainda mandam, mandam e mandam e mandam e indicam seus
prepós esses prepóstos que não entendem nada do ramo viram altos cargos de Comando. Eu tô muito desanimado. Eu acho que a ciência brasileira vai sofrer muito porque ela não faz parte de um projeto de nação. É, é isso que eu falo, tá? Eu falo isso, a galera mexiga. Eu falo que o Brasil odeia ciência. Não, mas ah, fulano gosta. Eu falo sim, as pessoas podem, mas o Brasil como nação, como país, né? >> Ela não. É porque o Brasil nunca entendeu >> diferente dos Estados Unidos. Veja, Final do século XIX, tá? A Inglaterra não pode
comprar algodão dos Estados Unidos porque tá tendo a guerra civil lá. De quem ela vai comprar? Do Brasil. Era o momento, tá? Dois países, nós tivemos a guerra do Paraguai na mesma época, tá? Eles tiveram na guerra civil, acaba a guerra civil, os caras fala, sabe uma coisa, se a gente não partir para cima, investir, >> claro, >> né, na na educação, na unificação do País, que nunca ocorreu aqui, digamos, né, isso na minha opinião, depois de viver quase 40 anos lá, a guerra civil nunca acabou nos Estados Unidos. Mas enfim, eles chegaram e falaram:
"Nós vamos construir uma nação e nós vamos investir na base". >> Na base. É isso. >> Se nós tivéssemos feito com aquele dinheiro que a gente ganhou a mesma coisa, nós provavelmente estaríamos igual ou melhor, tá? E o e o [ __ ] é que A gente teve várias chances depois também, né? >> Teve, teve. E veja, nós tivemos café, nós tivemos E veja, é o que eu falo, nesse momento da nossa história, nós já perdemos bonde de múltiplas indústrias, >> né? Os caras falam: "Não, nós vamos investir na indústria de microprocessador". Não tem o
menor sentido. Como que nós vamos competir com o Taiwan, >> com os Estados Unidos, com a China? Acabou. Indústria bélica, esqueça. Não tem o menor sentido. Nós nós não conseguimos chegar nem no na nós vamos vender cartucho de pólvora. Nós não vamos conseguir, né? Nós não conseguimos avix para pôr nos aviões da Embraer. Tem que ter licença americana para para trazer para cá. Onde tem >> passou tudo, passou tudo, >> tem onde nós temos chance. E indústrias que os caras não abriram o olho ainda e que nós temos talento humano para fazer. Ninguém sabe disso,
tá? Nós temos uma das maiores redes públicas universitárias do mundo. >> É, >> ninguém fala disso. Rede federal, tô me referindo, né? eh, é muito maior do que em qualquer outro lugar do mundo. Nós temos a medicina brasileira é de altíssimo nível, a biomedicina brasileira é de altíssimo nível, tem indústrias múltiplas, inclusive na minha área de Neurotec, por exemplo, em que o Brasil tinha chance de de criar essas indústrias e ser pioneiro e ser player. Mas nós estamos pensando nas indústrias que já foram. Não adianta aumentar consumo de automóvel, não, não vai levar lugar nenhum,
é voo de galinha, entendeu? Então o o meu drama da ciência, >> mas é o voo de galinha que que importa pra galera que tá no poder hoje, né? Porque aqueles 4 anos ali, põe, eu saio por cima e depois >> é, mas esse é o problema. Nós não temos um projeto de nação que é independente de visões ideológicas, visões políticas. Eu sou um cara político, eu tenho uma visão peculiar. Todavia, quando eu vejo que a ciência brasileira, o, né, o poder da é moeda de troca para mínima ali do sobrou um cargo aqui. Quem
que tá precisando do cargo que a gente não deu? Ah, vamos dar o Ministério da Ciência e Tecnologia. Não faz o menor sentido, >> né? É, é a China, né? A China que tem Esses, esse negócio de longo prazo, >> [ __ ] E vão chegar na bom chegar na eu viajo muito para lá antes da pandemia, né? Viajii muito. Eu e o o professor Beluso, que é um grande amigo meu, me conta uma história o seguinte. Quando ele era secretário aqui no governo de São Paulo, anos 80, veio uma delegação chinesa aqui, passou não
sei quanto tempo aqui, um mês, sei lá, interrogando ele e outras pessoas o que o Brasil fez para se industrializar, >> tá? Eles anotaram tudo, tá? O Brasil tava na frente no projeto espacial, o Brasil tava na frente do projeto computacional. Nós tínhamos um computador aqui na poli sendo desenvolvido. Nós estamos e energia renovável era um país com maior número de hidrelétricas. Nós até recentemente, quando a última vez que eu olhei isso, uns 10 anos atrás, o Brasil tinha quase 50% da sua energia vindo de fontes renováveis. Era uma das maiores do Mundo. Os chineses
anotaram tudo, foram para lá, fizeram um projeto de 50 anos. >> É isso aí. >> Passaram a gente em tudo, >> né? Enquanto nós ficamos aqui, né, indo para cá, indo para lá, né? E o que faltou para nós, no caso, faltou um monte de coisa, né? Mas uma das coisas que faltou é que se você não incluir a ciência >> como plano, né, >> como dentro do coração de um plano de Nação e a nação abraçar esse barato que educa, eu sempre falo isso, nunca vai acontecer, mas se eu fosse presidente do Brasil, ciência,
tecnologia, educação, saúde, eles sentavam na frente e o cara que é da fazenda, economia, sei lá o que chama, fazendo conta para pagar o que esses caras falavam que tinha que fazer, mas caras que entendem do ramo, entendeu? Porque esse é o projeto, esse é o core, essa é a fundação de um Projeto de nação que com todos os problemas, todas as críticas que eu mesmo tenho, os Estados Unidos fizeram no final do século XIX. >> Claro, >> eles chegaram falaram: >> "A Rússia fez também, né? Também a União Soviética fez. Eles só conseguiram sobreviver
>> no limite, né, de um sistema que tava tendo toda sorte de problemas de logística, de suprimentos, porque, bom, Os caras tinham os matemáticos, físicos, os caras quase chegaram na lua. É, >> se o couro leve não tivesse morrido na mesa de cirurgia de uma pendicite aguda que tinha um tumor ali que os caras não souberam o que fazer, >> morrer na mesa, eles iam chegar na frente dos Estados Unidos. Eles tinham um foguete, né? União Soviética. >> Eu fui, eu fui em Moscou, no Museu Aeroespacial. É a coisa mais sensacional do mundo. >> E
tá muito claro que eles tinham o, ele não contou, ele tinha medo de contar pro vice dele para ele não ficar um cara dispensável, né? Porque era um sistema, né? Sim, claro. >> Então ele chegou, ele não contou os planos do foguete lunar, mas ele tinha tudo pronto para mandar os caras antes do dos americanos, tá? E se ele não tivesse morrido na mesa, eles tinham chegado. >> Mas por que eles fizeram isso? Porque Livro era quase de graça na União Soviética. Os caras tinham um sistema educacional, os caras formavam matemáticos de primeira linha, físicos
de primeira linha, né? E os Estados Unidos fez a mesma coisa. E agora a China fez igual a China inteiro aprender e voltou para lá e pronto. >> E olha, você visita as universidades chinesas, o seu queixo cai, tá? Olha, é, >> é, eu trouxe uma astrofísica brasileira Que que trabalha lá e tal, ela falou que lá o cientista é um cara ovacionado. >> Não, você não imagina se você é membro da academia chinesa, você tem preferência de embarque nos aviões, nos trens. Se o seu cientista convidado, quando eu vou lá, a sensação que eu
tenho, eu vou lá daqui a 15 dias, eu tô indo de novo pela primeira vez depois da pandemia. Eu nunca fui tratado dessa maneira em lugar nenhum do mundo. >> É, >> é uma coisa inacreditável. Eu eu fui dar uma palestra em 2019, antes da pandemia explodir, um mês antes, na Tinha University, tá? Que é a Harvard deles. >> Uhum. >> Em Pequim, eu entrei no troço, eu fui ovacionado antes de começar a falar. É, é o cara ser ovacionado antes de fazer o gol. >> Sim, >> né? Nunca tinha nunca tinha visto isso em
lugar nenhum do mundo. E a forma como Eles me trataram depois que eu terminei a palestra, os alunos, né, para autografar o livro que eu tinha publicado lá. Aí eles me contaram: "Se você é membro da academia chinesa, você entra no trem primeiro, você entra no avião primeiro, você tem não sei o que vantagem, desconto, não sei o quê". Você entende? Você é tratado como um herói nacional. >> As crianças, né? querem elas vêm você como um exemplo. Não, eu quero que você Quer >> onde que eu fiz a única celebração oficial do num dia
que é 12 de junho qualquer me lembro. Ah, sim. >> Na TV chinesa. >> Caramba, >> falei pra China inteira. >> Nossa, >> isso nunca aconteceu aqui. Os caras me puseram na CCTTV lá. CGTV. >> CCTV. CCTV famosíssimo. >> Horário nobre. >> Aham. >> Né? Fui homenageado lá em Pequim falando pro país inteiro. >> Caramba. >> Então, quando eu cheguei no meu hotel, essa foi a Nunca vou esquecer disso também. Tinha um restaurante que eles me levaram para comer depois no hotel, né? Quando o porteiro abre a porta, ele começa a falar com o meu
amigo >> e o meu amigo vira para mim. O porteiro Tá perguntando se você que apareceu na televisão hoje à tarde. >> O cara tinha visto a minha aula na televisão. >> Caramba, >> é isso nunca aconteceria aqui, >> não. É, é um outro, não tem nem como medir, né? É um outro patamar totalmente diferente. >> É, mas é factível. A China prova que é factível. Sim. >> Se você separar 1980, 2024, o Brasil Estava à frente tecnologicamente em tudo, em tudo. E o e reverteu em uma geração, >> o barato reverteu. >> Então, se
a gente quisesse o talento e pior que tem outros países assim, a Índia também, né, >> com todos os problemas, pobreza e tudo, a Índia é um país, >> eu não sei o resultado, mas a Índia tinha lançado o foguete aí para pôr na no hemisfério sul da lua. Sim, a Xandraianta isandra tá tá a caminho, eu acho. Caminho. >> Nós podíamos ser a Índia, nós podíamos ser a China do ponto de vista, né, do programa espacial. >> Sim. Não, e de várias outras coisas, né? Quantos indianos tem nos Estados Unidos trabalhando lá nas universidades
e tudo? >> No Silicon Valley. >> No Silicon Valley. >> Você anda no Silicon Valley, você entra na na sei lá, na Apple, na Google, você Fala: "Bom, tô em tô em Nova Delhi, né? Eu tô no Paquistão." É uma coisa impressionante. E você vai nos institutos. Eu não tive o prazer de ir pessoalmente ainda na Índia. Uhum. >> Mas eu tive muitos alunos >> indianos. >> Indianos. Muitos. Muitos. E eles todos voltaram. >> Voltam. Isso é que é porque eles vão aprender e trazem, né? >> Todos eles hoje são pessoas de destaque Nos ITTs
LAN. >> Entendi. >> Toda molecada que trabalhou comigo e eu espero poder pôr um branch do meu instituto lá com um deles em algum lugar da Índia, entendeu? >> Porque eles estão carregando a o bastão, entendeu, né? E de uma, >> como a gente chama isso? de é como se fosse parte da família, tá? >> Sim. >> Durante a pandemia eu falei na TV Indiana contando a situação brasileira, me convidaram para falar na em várias universidades, >> que elas tiveram um problema sério também, né? Sério? >> Muito não. Nova Deli, meu Deus. >> É, né?
>> E esses caras estavam na plateia online, tá? Meus ex-alunos. >> Que legal, >> tá? Então você você vê que existe ainda aquele >> aquela conexão intelectual, entendeu? >> É, porque às vezes o pessoal fala: "Ah, mas você tá falando da China que é muito". Tudo bem, cara. Mas tem a Índia, cara, que que é pobre, que tem problema para caramba. Tem outros países que estão vindo. Tão outros países que estão vindo que ninguém tá falando. Indonésia, Vietnã, >> Coreia do A Coreia teve, né, o barato, deu uma estagnada, mas >> Bangladeste com a luta
pelo pelo negócio De mudança climática, porque eles sofrem para caramba com >> eles são é uma tragédia atrás da outra ali, né? Mas a gente tá perdendo o bonde as gerações. E o pior não é, como dizia um outro professor meu, o pior não é a derivada ser negativa, é a gente não alterar a derivada, entendeu? >> Isso é que mata, >> isso que é o problema. >> Então, e e nesse momento eu sou, infelizmente, >> pessimista. Eu também sou. Estamos junto aí, nessa, infelizmente. E o pior que é isso, né, que a gente tá
falando que os indianos voltam e tal, o brasileiro não volta, né? >> Será que tá voltando agora? Não volta, né? Eu acho que agora não dá, né? Eu acho que nós estamos tendo um um >> um êxodo aí, >> um êxodo silencioso. >> Entendi. >> Tá, um êxodo silencioso não tá sendo, Né? Mas eu eu sou de uma geração que saiu, né, no final dos anos 80, porque era virou virtualmente impossível fazer qualquer coisa aqui. Eu conheci a geração dos anos 60, >> que eram todos estabelecidos, mais na Europa, >> né, mas eu conheci todos
eles, né, gente? Espetacular. O casal no Svine em Nova York que provavelmente do do Moisés, né, que você disse, >> não tem o Moisés aqui da física, mas o Irmão dele que eu conheci, a mulher dele, a Rute no Sensvai, >> ficaram meus amigos, ficaram meus padrinhos lá, né? >> Gen, >> geniais. O filho deles, que é o professor na Rockfeller, imunologista famosíssimo nos Estados Unidos. Ah, mas eles, você falava com eles, o casal no Sens Viker sempre falava, né? E você tinha aquela essa visão que a gente discutiu da velha guarda acadêmica, tá? >>
Eles eram de outra área, mas eles quase que me adotaram. E quando eu disse que eu ia fazer o projeto do Instituto no Rio Grande do Norte, eles vieram aqui 2004, despencaram de Nova York para participar do simpósio >> que eu fiz lá para dar apoio, o apoio do nome deles, né? Porque onde eles iam, né? >> Vinha, vinha trazer, >> vinha. E eles não ganharam o prêmio Nóbel por isso aqui, né? Foi, não sei Por, foi por muito pouco, né? Então, eh, esses caras ainda tinham essa visão comunitária da ciência, sabe? >> Tinha. Não,
com certeza. >> Então, se eles viam um brasileiro jovem, eles adotavam esse cara, tá? >> E o então eh o nosso problema é esse. Nós, eh, enquanto a ciência não for considerada algo prioritário e parte, eu, eu diria hoje que ela é parte até de um projeto de democrático do país, tá? Porque ela Ela ainda não é a prática da ciência no Brasil ainda não é democratizada, né? Nós não nós não aproveitamos todo o talento humano que a gente tem aqui, né? Quando eu fiz o por 10 anos, eu tive três escolas de educação científica
no Nordeste. >> Sim. >> Foram 12.000 crianças. 100 no final dos últimos 2 anos eram 1500 por ano. >> Caramba. >> Crianças da periferia de Natal da de Serrinha no interior da Bahia em Macaíba, que é a área metropolitana de Natal. como se fosse Osasco aqui. >> Uhum. >> E um professor da USP virou, você é louco, não vai sair nada disso, não tem, não tem massa crítica. Eu falei: "Ah, vamos ver." Foi uma explosão. Essas crianças começaram a entrar nas universidades federais do Brasil, começaram a sair do Brasil, fazer doutorado. Legal. >> Entendeu? O
talento tá lá, >> tá? Não, o talento a gente >> talento existe em cada canto aqui e nós somos muito bons nisso. >> Somos >> a ciência tá tá muito >> tanto que o brasileiro que sai o pessoal às vezes nem deixa ele voltar. Deixa, não, não, não, não. Você tem, né, quase impossível. Tem horas que não, não tem como, né? >> Então, o nosso drama é esse, é não Colocar a ciência no centro de um projeto nacional. Isso mesmo. >> Como que era? O cara tinha, o cara da ciência e tecnologia tinha que estar
com o cara da indústria e comércio, tinha que estar com o cara das relações exteriores, com o cara do MEC, com o cara, você entendeu, da saúde. Tinha que ser uma, a teoria de grafos tinha que ser aplicada para, né, hiperconectar. Aqui, aqui é uma bola dividida demais. lado, tem a ciência e tecnologia de um Lado, aí e tá fora educação. Você fala de universidade, uma hora tá ministério da educação, outra hora na Aí fica essa bola dividida. Não vai, cara. >> Não, não vai. Não vai mesmo, porque os egos não permitem, né? >> Também
tem isso mesmo. >> É >> o Wilson aqui, ele perguntou o seguinte sobre a o a toca, ela pode ajudar nesses impactos que a gente falou aí da COVID aí, esses posteriores? Então ela pode Usar, ela pode a interface cérebro máquina, o a gente chama o termo mais técnico hoje em dia, a interface cbquina é a tecnologia, >> certo? >> O termo clínico que tá sendo usado hoje em dia é neuroprótese. >> Neuroprótese. >> É. Tá. >> Então as neuropróteses é é o que eu tô postulando, vão ser o as terapias não medicamentosas para os
efeitos Colaterais gerados por, por exemplo, o vírus da COVID, né? Parkinson, depressão crônica, >> eh, enfim. É, então essa é a premissa desse projeto Treat One Billion que nós vamos anunciar em outubro, provavelmente. >> Tá legal demais. >> Mundialmente, né? >> Entendi. E aí vai vai ter alguma coisa na China? Vai ter um >> Não, nós temos colaborações lá. Eles Inclusive eh usaram o nosso protocolo do Walk Again e reproduziram os nossos resultados. Então eles vão publicar. Eu, a última vez que eu fui antes da pandemia, ele está começando e uma das situações que eu
tô indo lá agora é para ver os resultados, porque eles me mandaram, né? >> Uhum. >> E é impressionante. Eles eles têm mais pacientes, evidentemente, e eles reproduziram o que a gente achou aqui, Independentemente. >> Legal. >> Então isso aí vai ser para mim vai ser uma grande felicidade, né? >> É. Não. E aí, só pro pessoal saber, tem muita que pergunta perguntando da atualização do exesqueleto, dessa coisa toda. Então, nós já falamos aqui, viu, galera? Instagram tem a foto do modelo de última geração, >> é claro, >> que é que é controlado pelo cérebro
e Que tem feedback tátil, né? E é >> que agora vai fazer vai fazer parte desse grande projeto aí que é essa >> isso e é autônomo, não precisa de ninguém ficar empurrando, ninguém segurando, entendeu? >> Vai aprendendo. Aqui tem o Felipe aqui mandou a mais importante da noite, ó. >> Sim, >> grande professor e gênio. Gostou do jogo de ontem? De ontem? >> Sensacional, né? [risadas] O plano Abel funcionou mais uma vez. >> É. Foi você que foi lá mostrando um negócio para ele. >> Veja, o Palmeiras não quis fazer o meu projeto, mas
eu passei tardes sensacionais falando de futebol com Abel Ferreira, então agradeço a ele a gentileza. >> Ele é bom mesmo. >> Ele é bom. >> É bom, né? >> Ele é bom. O cara é interessante. É. Não, e não é só ele não, viu? Toda a comissão técnica dele é extremamente profissional. Eu fiquei muito impressionado e foi muito divertido, >> apesar de, né? >> E ele, ele dá a impressão dele ser um cara de, o pessoal acha ele meio carrancudo, ele dá impressão de ser um cara divertido, né? >> Nada. E se dependesse dele, nós
tínhamos feito. >> Entendi. Ele gostou da ideia. >> Os burocratas que não não tiveram a coragem de >> Ele se impressionou na hora que você mostrou. >> Imagina. >> Ele ficou fissurado. >> Ainda mais. Aí que é [ __ ] né? Porque ele é o cara que trabalha com os cérebros do >> ficar eles ficaram fissurados. A comissão técnica inteir foi sensacional, porque eu vou levar isso, a gente Filmou, tem toda a documentação e e eu queria fazer, evidentemente, no Parque Antártica, mas como não houve visão para isso, a o que vai acontecer é o
que sempre acontece. Sabe o que vai acontecer? Nós vamos achar um clube na Europa gigantesco. >> Ah, sim. >> Que vai fazer, >> vai fazer. É. E aí depois nós vamos repetir. Infelizmente o Palmeiras vai ter que comprar, sendo que nós íamos Fazer de graça. Digas de passagem, tá? >> Probo, porque era pro Palmeiras. Deixaram aí, ó, a paixão aí do do professor aí, ó. Agora dançaram. >> É, é aquela história do Ein Openheimer. >> É isso mesmo. O Mignt que mandou aqui para nós, CCO falou: "Medicina ainda é a melhor porta de entrada para
trabalhar com neurociência, porque você tá falando muito do neurot >> no Brasil." É, não, não é, é, mas não é A única porta, tá? Eu fiz dessa maneira, talvez porque eu fiz medicina primeiro. Eu nunca pratiquei medicina, eu me formei, fiz meu internato, adoro medicina. Estudei para caramba, >> mas aí caiu pra área acadêmica. >> Aí eu fui pra área de pesquisa básica. Aqui no Brasil você pode fazer hoje em dia, inclusive a FBC, por exemplo, tem a graduação em neurociência. >> Que legal, >> né? Tem a graduação em engenharia Biomédica, você pode fazer biologia.
Nos Estados Unidos as pessoas não vão pra medicina, elas fazem, elas vão pra biologia, >> entendi. >> O premed no no college, né? E elas fazem doutorado direto, >> certo? >> Acabou a mestrada. >> É, acabou, né? Acabou. Então eu eu não tive ano de mestrado na minha carreira inteira nos Estados Unidos. Só doutorado E pós >> doutorado e pós-doutorado. >> Tá. >> Tá. Então aquilo >> porque essa a neurociência seria uma uma grande área aí multidisciplinar aí dentro disso. >> É por isso que eu eu acredito que para você ter uma ideia, o barato
que foi criado no meu laboratório em 99, 98, 99, vai fazer 25 anos do primeiro paper na Nature ano que vem, é uma indústria de 8 Bilhões de dólares nesse instante dos Estados Unidos. E não é a Neurolink, não, tá? Tem um tem um ecossistema. >> Entendi. >> Enorme, tá? E neurotec, você multiplica isso por algumas, né, alguns múltiplos aí, tá? E tá começando. Por isso que eu digo que o Brasil ainda tinha chance, >> entendeu? >> Não é a única área em biomedicina, mas é uma das áreas mais quentes nesse momento. >> Entendi. >>
Tá. É isso. É uma área que mexe com tecnologia, engenharia, biologia. Não, eu eu tenho um slide que eu nas minhas palestras eu mostro, tem engenharia mecânica, engenharia elétrica, ciência computacional, neurociência, eh, estatística multivariada, tá? Tá tudo lá convergendo, convergindo, perdão, nas interfaces cérebráquinas, né? >> Isso mesmo. Tem mais alguma aí no chat, Cris? >> Tem. Põe aí para nós no chat, não, no na plataforma. Foi mal. Leo Gerson, professor, toda forma de vida possui qualha. Acha que é possível? Que que é qualha, hein? Aí eu já >> é qualha. Bom, e aí é uma
discussão filosófica, [risadas] mas é essa experiência perceptual, né? Você ter a a a criar um uma percepção, né? uma uma descrição. Eu eu o meu livro eu chamei o O título do meu livro verdadeiro criador de tudo, porque o que eu acredito piamente é que o que existe aqui é existe algo aqui fora, mas é informação impotencial. Você precisa de um intérprete. >> Uhum. >> E o cérebro humano é um interprete. Mas não é um único interérprete, né? Os animais têm um coalha, eles têm um grau de coalha. Claro, o cachorro tem que sobreviver, o
gato tem que, né, né? CL. >> Então eles têm que ter uma interpretação. É, eu vi aqui, >> mas eles têm que ter uma interpretação do que existe aqui. Então eles transformam informação, todos nós, informação potencial e informação que eu chamo, você tem a informação de Shann, que todo mundo conhece, né, que é da da lógica binária, transmissão em canais ruidos e tal, mas o próprio Shan dizia que a definição dele é absolutamente limitada ou focada na transmissão de uma Mensagem por sistemas digitais. >> Uhum. Só que a definição biológica na informação, a gente deu
o nome, eu e o Ronald Screll, que é o meu parceiro, nesse nesse monograf, nessa monografia que nós escrevemos, nós chamamos de informação godeliana, baseado nos teoremas da inclopilitude do Godel, né? >> Entendi. >> A informação que o cérebro cria não é Digital, ela é analógica e ela é orgânica e ela é semântica. >> Ah, >> ela depende do meio, tá? Do meio orgânico, né? Por isso que nós chamamos de informação godeliana para diferenciar da informação chanoniana, tá? Então é essa informação que gera o qualha. >> E eu acredito que animais, sim, animais têm experiências
não iguais às nossas, mas né, >> porque ele é programador ali, ó, ele tá Falando que se é possível criar uma máquina que tenha qualiha. >> Eu acho que não. E ela vai te dar a impressão que tem, mas você vai ter que programar nela acep a descrições, as possíveis descrições, né? Legal. >> Que é como o os filmes de ficção científica que a gente viu, os grandes robôs da ficção científica, o Hall do 2001, tal, né? Tava lá programado, né? >> Sim. >> Mas ele mesmo, >> ele se voltou contra o coitado do cara
lá, né? Deixou ele lá fora da N. >> Mas é isso, eu falei, acho que a gente conversou isso a última vez. Esse é um dos grandes problemas da dita inteligência artificial. Quando você programa um algoritmo para realizar uma tarefa, você hierarquiza. >> Sim, >> né? A solução >> no hall 2001, a missão principal era chegar em Júpiter. >> Sim. Não era defender os caras, >> não era defender os caras ali dentro. Quando quebrou a máquina da hibernação lá e os caras falaram: "Olha, acho que elas vão ter que abortar". Ninguém pôs no programação do
hall que abortar era uma possível solução. >> O negócio era chegar. >> O negócio era chegar. Se os caras começaram a tentar abortar, o que que o R fez? >> Ele matou os caras. Ele tentou matar Porque eu vou atrás do meu objetivo. >> O objetivo que foi programado era chegar em Júpiter. Isso mesmo. >> Você entende? Então, é, são consequências não eh eh planejada pensou, ninguém pensou que o numa situação de emergência o computador se voltaria contra a tripulação. E na realidade eu acredito piamente que essa era a mensagem que o Stanley Kubrick >>
queria passar, né? >> Queria passar no filme. Talvez seja a Mensagem mais importante que ele quis passar. Eu nem sei se o Arthur Clark, que escreveu, né, o conto >> pensou tão profundamente nisso quanto o Stanley Kubrick, tá? É, o Stan Coelho meio que mostrou, né? Mostrou isso. Vai ver que vai ver que ele percebeu ali nas entregas. Acho que ele, porque naquela época ninguém falou isso, isso é da minha cabeça, tá? Você vai saber disso. Tinha um cara que criou o Elisa, que era o Joseph Weisenbau. >> Uhum. >> Que era um cara famosíssimo,
porque ele ele era um alemão do MIT, trabalhava no MIT e ele criou o primeiro chatbot que existe. Ele é é a grande, a gente chama ela da da bisavó do chat GPT, tá? E o, naquele momento, final dos anos 60, o Joseph Weisenba virou um pária da comunidade de inteligência artificial, porque ele falou: "Tem riscos aqui". Os meus alunos, minha secretária, ficaram viciadas. Eles acham que a Elisa é a Psicoterapeuta delas. E a Elisa não é nada. A Elisa, né? >> E eles estão emocionalmente ligados com o programa. Então eu tô percebendo que tem
riscos graves aqui. Eu eu se o Kubk fosse vivo e e o o Eisenbal, uma das perguntas que eu queria fazer para ambos é se um ou outro conversou um com o outro. >> Ah, sim. >> Se o KCK teve notícia que o Eisenbal tava pensando nisso já no final dos anos 60, tá? Porque o período é o mesmo. >> É, vai ver que eles conversaram. >> O 2001, se eu não me engano, é 1970 ou 71. Era o período em que o Eisenbal tá indo publicamente, ele publica um livro muito famoso e ele fala:
"Eu sou um dos pais do barato e eu tô com receio." Então eu fico pensando se isso não sai no New York Times ou não sai em alguma coisa e o Kubck viu e se inspirou nisso, entendeu? >> Era uma brainet ali de conveniência. [risadas] >> Muito bom. É isso. Terminou ali. Mais uma mais algumas. >> Põe lá. Uau! Alguém precisa dizer como tá o jogo do Flamengo. >> Falaram aqui que tá 0 a 0. Porque >> se o Igor tiver aqui do lado, eu já vou lá. [risadas] >> Acho que eles estão reagindo, não
tão hoje? >> Não tá, tá tendo flow, mas acho que Flow Esport não tá tendo não. >> Ah, tá. O Flamengo marcou um gol. Putz, crou >> aí, ó. >> Ó o Eduardo Freud. Boa noite, Sergião. Professor, sou aluno de PhD em Iá >> e concordo que nunca teríamos uma IA igual humana. Porém, se fosse possível, se a IA fosse inteligente, como nós, então seríamos nós apenas cálculos probabilísticos? >> Não, uma boa pergunta. Não, eu acho que Nós somos mais do que isso. Nós somos mais do que isso, porque nós não somos sóstica, né? E
você vê isso, não vê, você não vê só isso no ser humano, não, tá? Você vê isso em, por exemplo, quando eu estudei esse >> essa tropa de macacos rezos, que tinha uns 40, 50, >> você vê claramente, né, até quando os bebês começam a a crescer, o desenvolvimento da hierarquia entre, né, Quem é filho do alfa, quem é filho do delta. >> Ah, isso vai ser, vai se propagando aí essa hierarquia, >> essa cadeia. >> Entendi. >> E você vê a relação de defesa, como as mães defendem os filhotes, porque tem várias coisas que
acontecem lá, né? A, como não tem controle da população, explode a população das tropas e tem funcionários públicos lá no nesses Templos que vão lá e e eliminam alguns desses eh eh membros da tropa, né? E e você vê a reação da tropa quando isso acontece, tá? >> Entendi. >> E isso eu tô falando macacos rezos que divergiram de nós faz dezenas de milhões de anos, tá? Quando você olha pro ser humano, nós não somos só máquinas heurísticas, tá? Tem algo mais, >> tem mais. E se nós vamos conseguir Explicar isso do ponto de vista
>> científico, neurobiológico, eu tenho cá minhas dúvidas nesse momento, tá? Se você me perguntasse isso no começo da minha carreira, né, a arrogância da juventude, eu falar: "Claro, >> claro que vamos. Me dá aí um tempinho que >> é 40 anos depois, [risadas] né? >> É complicado mesmo. Boa. Manda outra aí, Cris. >> Vinipa. Olá, ciência. Enfim, muito legal o trabalho que vocês fazem. Valeu, cara. Tenho duas perguntas para o Dr. Miguel. Consigo estudar a sua área sendo um estudante física? >> Claro. >> Seria possível retardar a percepção humana sobre o tempo e assim conseguir
raciocinar mais ideias em um menor tempo? >> Bom, no meu livro, eu defendo a posição Que é defendida por outras pessoas, não só eu, que o tempo é uma criação da mente. A gente fala, né, que o tempo é uma ilusão, né? É uma ilusão criada pela mente. Tem al as coisas mudam, as coisas vai, mas quem cria a dimensão do tempo somos nós. E é essa é uma coisa super interessante que eu debati com os físicos, né? Porque o Einstein trouxe o observador pro universo, né? >> Sim. >> O Newton não tava nem aí
pro pro observador, mas o Einstein trouxe. Mas ele trouxe como uma caixa preta. E o Newsborn e o Heisenberg começou a dizer: "Não, o observador tem um papel porque não é que ele faz uma medida, né? A curva colapsa, né? O form colapsa e nós temos um evento, né? >> E eles batiam de frente um com o outro porque, né? Mas nenhum deles era neurocientista, né? >> Sim. >> Então ninguém entrou literalmente na caixa preta, que era o observador que os caras trouxeram pro universo, né? E nós hoje estamos entrando na caixa preta, né? Estamos
há várias décadas tentando entrar, mas existe uma ainda existe um preconceito muito grande das duas áreas de falar uma com outra, entendeu? >> Entendi. >> Existe uma barreira, os físicos acham que a gente não sabe nada de nada e os neurocientistas acham que os físicos Acham que sabem tudo de tudo, entendeu? >> Entendi. >> Então, mas é um é uma interface, é uma é um área multidisciplinar extremamente eh fecunda, na minha opinião. >> Vai sair muita coisa disso daí. Tá? Então o físico pode fazer neurociência sem problema nenhum. Eu tive um vários alunos >> que
fizeram graduação em física e vieram fazer doutorado ou pós-doutorado no Muito bom. Põe põe a próxima aí, Cris. >> JC Matos 9. Olá professor, muito fã dos dois. Valeu. O físico Michil Caco conhece ele? Claro, ele >> é não conheceu ele e fala assim, pessoalmente >> não, pessoalmente não, mas ele citou o meu trabalho num dos livros dele extensivamente. É, legal. >> É, eu vi o que ele falou. Isso >> tem dito que o computador, então é que aquele negócio que é do pain rose, né? Toda a ideia vem lá do pain rose, né? Do
Computador quântico, >> vai poder mapear todo o cérebro humano. >> Mas isso aí tudo bem, cara, porque é o poder de processamento que a gente fala. >> Isso. Mapear, tudo bem. >> A questão é reproduzir. E aí, aí eu acho que nem ele falou que vai. Eu não acredito que vá. >> É >> porque a lógica não é a mesma. >> Sim, >> né? >> É. Põe na cabeça, pessoal. Computador quântico, cara. O quântico é um outro problema semântico que eu falo. A palavra quântico, ela é muito bonita, cara, >> né? Então você usa ela.
O computador quântico é simplesmente, cara, um computador muito muito rápido. É isso. É o poder de processamento que vai aumentar assim numa escala violentíssima. >> Teve um período que tinham coaches Quânticos >> ainda. Período ainda tem. Agora tem coaches neur tem neurocientista em todo canto agora. >> Hã, tem um neurocientista quântico. >> Tem, deve ter [risadas] >> de Atlântida. >> De Atlântida. >> A gente tem, a gente tem os coach quânticos de Atlântida que eles vieram de Atlântida para poder mostrar a verdade. >> Não, não, mas é realmente é, mas a neurociência nos últimos anos,
eu vou te contar, >> é porque ela dá margem a muita coisa, pô. Nem fala. >> Põe a outra lá, Cris. Alisson Elias, boa noite, Miguel. Parabéns pelo seu trabalho. Existem avanços da interface cérebro máquina relacionados ao Alzheimer? Há medicamentos que retardam a progressão da doença, mas ainda muito tímidos. Não Vi ainda como recuperar a conexão entre os neurônios. >> Não existem novos medicamentos que estão sendo aprovados pelo FDA recentemente, inclusive tem muita gente que questiona, tem amigos meus que questionam vários eh de desses estudos clínicos recentes, né? Tem o meu colega, um grande neurologista
italiano, talvez o maior neurologista italiano, no momento é bem crítico da >> porque o Alzheimer que é uma doença que espalha aí neurodegenerativa, né? Mas Nós temos eh aquela terapia que eu comentei o ano passado, nós estamos planejando um estudo clínico para Alzheimers. >> Legal. >> No na fase inicial, >> certo? Porque aquela aquela descoberta que eu mencionei o ano passado tá sendo reproduzida de que aparecem crises epiléticas que potencializam no início da doença a morte neuronal. >> Então nós estamos tentando raciocinando Que se a gente conseguir bloquear >> essas crises epiléticas no começo, né,
>> você vai retardar a evolução da patologia. Você não vai curá-la, mas você vai esperase ampliar o período em que a pessoa não tem sintomas graves. Esse é o nosso objetivo, né? >> Mas a gente ainda não começou o trial, a gente quer planejar o trial. >> Legal. >> O ano que vem. TW Souza. Professor Nicoles, neurociências como instrumento De transformação social se tornou meu combustível. trabalho desenvolvendo IA para projetos sociais fora do Brasil e é fabuloso receber feedback positivo sempre que menciona o senhor com fonte de superação. Olha aí, ó. >> Ah, muito obrigado.
Agradeço profundamente. >> Legal demais. Põe outra lá, Cris. >> Luizeto. Caro Nicoles e Sérgio. Em vez de perguntar sobre multiplicação, aprendi com minha saudosa professora, Dona Lúcia. desenhou o triângulo mágico, três de um lado, quatro de outro e cinco na hipotenusa. Ah, é aquilo que a gente tava falando, >> mostrou que o lado três possui três ao ao cubo quadrados. É isso mesmo. >> Mas foi isso que a gente isso que eu falei, né? >> Falou que ele que ele colocou os quadrados mesmo para demonstrar. >> É, foi assim que ele fez, né? >> Isso
aí. Boa, Luiz. Ah, tem outra dele aí. Ah, ele continua, né? E 4 16 qu é hipotenusa, tal. E sempre usem no plural a soma dos quadrados dos catetos é igual quadrado. [risadas] >> Se vocês usarem as palavras no plural sempre será correta. Boa. >> Não, acho que é no plural. Foi o que eu aprendi. Som dos catetos, do quadrado dos catetos. >> O Renê aqui mandou aqui cincão. Ele perguntou assim: "Por que chamam de a Inteligência artificial se o que melhor descreve a tecnologia é inteligência digital?" Nós somos analógicos, certo? >> É. É, talvez.
>> É esse problema. Mas aí, cara, o negócio é o seguinte, eles têm que pôr um nome bonito, senão não chama a galera, né? >> Eu sempre conto essa história do cara precisava de uma grana para fazer um simpósio, ele tinha que vender o peixe dele, certo? E mais divertido, eu pus no meu Livro isso. Tinha uma, saiu uma manchete no final dos anos 50 no New York Times enorme dizendo: "Marinha aguarda para as próximas semanas o seu primeiro cérebro e eletrônico, que era um computador inteligente >> e eu sempre pus no meu livro e
a Marinha continua esperando, [risadas] >> né? >> Tá lá, não chegou ainda, né? >> É 60 anos depois ela ela continua esperando e ainda não chegou, né? [risadas] Muito legal, muito bom. Tem mais lá, Cris? Não, >> professor, cara, prazerzão. Que é isso? Eu que agradeço. Especialíssimo papo. É assim, é muito bom. E deixa aí os seus projetos novos. Onde que nós vamos te encontrar tudo isso? O livro quando que sai >> vai lançar aqui no Brasil, como que é? >> Claro. Não, vai lançar. >> Ele é em português originalmente? Não, Eu escrevi inglês originalmente,
aí eu eu fiz a tradução pro português, por isso que demorou um pouco, mas ele é grande. >> Beleza, >> mas ele sai no no Brasil, ele sai no primeiro semestre do ano que vem. >> Legal. >> É, e vai ser parte das comemorações dos 10 anos da Copa vai vir aqui para lançar e tudo. >> Vamos lançar pelo Brasil todo. >> E espero que até o final do ano a gente possa anunciar o novo instituto, >> certo? Tava falando hoje de manhã com nossos parceiros lá na Europa para coordenar o anúncio, né? Certo. >>
E vai ser um >> e vai chamar como mesmo? >> O em inglês vai se chamar Nicoleles Institute for Advanced Brain Studies. Em português Instituto Nicoleles de Estudos Avançados do Cérebro. >> Legal. E aí vai ter coisas no Brasil em Vários. >> Vai o nosso instituto em no Rio Grande do Norte vai ser parceiro. Nós vamos ter a sede aqui em São Paulo. >> Que legal. >> Uma sede, né? Tem sede nos Estados Unidos, na Europa. Estamos conversando na África para ver se a gente tem uma sede lá. E na Ásia acho que tá quase
tudo certo que vai ter uma sede lá também. Que demais. E redes sociais, o que que o senhor usa? O que onde que o Pessoal te encontra? >> Eu usava o Twitter, né? Mas o Twitter foi abatido. É, virou. O passarinho tomou um tiro na testa. Virou um super simpático o Twitter. De repente, quer dizer, falta de imaginação, né? Ex >> virou o ex. Tudo dele é ex. Eu queria que ele colocasse um foguetinho. Se ele colocasse fog super nova, qualquer coisa um pouco mais criativa. >> Agora esse X aí que >> é, desanimou. Desanimou.
Então, >> então o senhor só usava lá mesmo? >> Eu usava lá e o Instagram, mas o Twitter é o meu favorito, né? Porque eu gostava de dizer que era literatura instantânea, né? >> Ah, sim. >> 144 caracteres. Era uma, é uma demonstração se você ainda era um ser humano ou um bote. >> É, >> mas agora tiraram o teste. >> É verdade. É verdade. Mas muito bom, Então. Então, >> mas muito obrigado. >> Não, eu que agradeço. E aí, o Palmeiras como que vai esse ano? Vai ser campeão? Vai nada, né? >> Não, não.
O palmeirense não comemora, espera 24 horas depois do título para ter certeza. Então, então, >> né, ninguém comemora nada antes, mas que o Abel é um fenômeno. É um fenômeno. Pessoal tá agora impressionando o palmeirense, cara, é o seguinte, os Caras estão ganhando tudo, cara. >> Perde dois, três jogos a torcida esperar todo mundo. Ninguém presta. >> Mas me faz um favor, se você vê o Igor >> hã depois ou qualquer desses dias, fala que o Deivinho mandou lembrança. >> Deivinho. [risadas] >> Põ o Deivinho agora foi parar no Cuiabá, cara. >> Putz. E ele
faz juras de amor pro Palmeiras jogando no Cuiabá. É sensacional. Você [risadas] Viu o pênalti que ele bateu outro dia? Como que explica aquilo lá na neurociência? Vamos lá. Você lembra que nós estamos falando dele no programa? Ele tava ouvindo? Ah, sim. >> Ele mandou uma mensagem para mim no Instagram. >> Porque você falou que na hora que ele chegou na frente do goleiro, o cérebro dele fez as ligações. >> Claro. E ele fez a sinapse perfeita, né? >> E esse pênalti que ele >> não, aquilo foi a coisa mais surreal que eu já vi
na minha vida. Ele comemorou antes de bater que [risadas] perdeu pênalti. >> Como que pode o negócio daquele? >> Sensacional. Esse é o maior. E na realidade o Daverson deveria ser outro astro nacional do futebol, porque >> tinha porque ele é muito bom, né? >> Ele é muito bom. Ele é muito bom. Eu eu lamentei muito quando ele foi embora do Palmeiras, porque se é no estádio, você Não sabia o que podia acontecer. >> É. E era tipo diversão garantida, né?