Tudo bem pessoal? Hoje comentário sobre Nuremberberg, que é o novo filme dirigido pelo James Vanderbuildt. Eu tinha colocado na minha lista dos mais aguardados de 2025, só que esse filme vai acabar aparecendo na minha lista das maiores decepções de 2025.
Uma experiência bem ruim. O Verbilt já tinha dirigido um filme antes. Teve altos e baixos na carreira.
O melhor momento da sua carreira foi quando ele escreveu o roteiro de zodíaco. Como era um filme sobre o julgamento de Nuremberg, eu imaginei que tinha que fazer muita força para criar algo ruim, sabe? E não é que eles conseguiram, eles desperdiçaram o potencial de Nuremberg, quanto à mensagem, quanto a questão do próprio julgamento, para tentar estabelecer uma relação que nunca consegue realmente criar pelo menos um vínculo maior de interesse, o que é uma pena.
Digo isso porque o julgamento de Nuremberg foi um marco pro direito internacional pelo estabelecimento de conceitos, a definição de crime contra a humanidade, tudo que foi feito desde os primeiros indícios que os nazistas poderiam ser julgados ainda na época da conferência de alta, depois confirmada na conferência de São Francisco. Eu já trabalhei na minha carreira acadêmica no período do doutorado com os livros azuis de Nuremberg. Tem muito conteúdo, tem todas as transcrições, julgamento, tem os registros médicos e os registros dos psiquiatras.
Esse filme, teoricamente, ele é adaptado de um livro chamado e O nazista e o Psiquiatra. Esse livro não tem lá muito rigor acadêmico. Na verdade é um compilado de registros feitos pelo Douglas Kelly.
Ele foi um dos psiquiatras que estiveram em Nuremberg porque existia nos aliados um interesse para compreender a mente nazista. E eles tinham a seguinte definição. Bom, se essa é a ideia, vamos então direcionar um esforço para enviar psiquiatras para Nuremberg para fazer as entrevistas, né, com os 22 nazistas que estariam no julgamento.
O registro dos psiquiatras é riquíssimo. Existem até estudos bem divergentes, quanto ao Gering, ao Rudolph e isso até hoje é discutido na historiografia. Só que eu fico impressionado como nada disso é valorizado no filme.
E aí, deixa eu começar falando do que que esse filme não é. Esse filme não é um longa sobre o julgamento em Nuremberg. É impressionante que um filme que fala do tribunal mais famoso da humanidade, julgamento com maior repercussão, não consegue estabelecer mais que uma cena relevante dentro do tribunal.
Existe um direcionamento, para lá de óbvio, eu diria, na figura do Herman Gering, porque na hierarquia nazista ele era por muito tempo, né, o segundo homem mais importante da Alemanha. Ele tinha um prestígio ímpar e no próprio julgamento ele simbolicamente era o líder dos nazistas novamente. Só que durante seu desenvolvimento, o filme comete algumas barbaridades.
Descarta totalmente a presença francesa no tribunal, a presença soviética, a presença da Grã-Bretanha é pontuada por um personagem que é interpretado pelo Richard Grant. Uma outra barbaridade cometida nesse filme é a seguinte: "Obviamente não dá tempo para você em um longa de 2 horas falar sobre os 22 nazistas que estavam no julgamento. Esse não é um documentário, não é um cinejornal.
Teria, no entanto, uma maneira muito mais viável de você pelo menos pontuar as três linhas de nazistas, né, os três tipos de pensamento no julgamento de Nuremberg. os que eram os leais ao Hitler, os que não reconheciam a legitimidade do tribunal e aqueles nazistas que de uma forma ou de outra publicamente pediram desculpa, como foi o caso do Albert Peer, que nem é citado nesse filme. O que que o Longa faz?
Depois de colocar o Geing como protagonista, o Longa acaba selecionando alguns outros nazistas só para mostrar um pouquinho do dia a dia do tribunal. Imaginei que nós encontraríamos no filme um destaque maior pra figura do Gering, que é interpretado pelo Russell Crow. Mas gente, não é o caso.
O interesse do filme pontuar a relação do psiquiatra interpretado pelo Ry Mek com o Hermaning. Então a figura que tem a maior presença de tempo de tela nesse filme é a do personagem do Remy Malic, o que estruturalmente é indefensável. Um filme de tribunal que tem poucas cenas no tribunal e um filme que repetidamente o personagem do Remy Meleck quer fazer mágica.
Essa mágica, ela volta na última cena do Herman Ging com uma das cenas mais constrangedoras que eu vi num filme desse tipo, num filme histórico desse tipo. Negócio que é inexplicável, inexplicável mesmo. Uma das barbaridades, dos absurdos históricos que acontece, um filme que não prioriza o tribunal, que quer fazer uma brincadeira com mágica, quer criar uma cena e apresenta isso do Gering, interessado em aprender uma mágica que chama a atenção do personagem do Remy Malic, um filme que se ele não tem tempo para falar sobre os nazistas que estavam no julgamento, tem tempo para criar um subplote de romance e depois nem tocar nesse romance de novo durante o longametragem.
Porque uma coisa que eu devo imaginar que deve ter ocorrido é que esse filme também sofreu muito durante a montagem. Devia ter muita coisa e eles tentaram simplificar muitas passagens, tentaram pelo menos conseguir achar uma cena para cada grande nome envolvido como Michael Shannon e como Richard. Grant.
Enfim, as modificações da história real são grosseiras. E aqui eu não quero dizer que você precisa fazer um documentário, um cinejornal. Repito, não é o caso.
Tem um filme de 1961 chamado Julgamento em Nuremberg. Fica a recomendação, é maravilhoso. É um filme que tem uma história que é fictícia, mas é inspirada no julgamento real dos juízes no processo subsequente de Nuremberg.
Vale muito a pena. Tem uma mensagem forte. Por que que eu digo isso?
Porque eu tava na sessão de estreia mundial do filme em Toronto e depois dessa sessão o diretor ele disse uma coisa que ficou marcado. Ele disse assim que ele queria fazer um filme acessível para as pessoas conseguirem entender a relevância de Nuremberg e a acessibilidade para ele é criar uma relação, no caso do nazista com psiquiatra. O foco dessa relação do Genas Kelly transforma um evento da justiça internacional, do tribunal militar internacional num uma relação, né, de um estranha aproximação, uma estranha admiração.
O filme parece que nunca quer mesmo tomar um posicionamento pro que foi pedido. O Russell Crow tá bem. Um sotaque super carregado.
O Ging falava realmente a língua inglesa, né? falava com sutar que o Crow ele tenta limitar para poucas palavras por frase. Você fica muito mais com a reação.
O Gerf, né, de desafiar, de também querer tomar sempre a liderança. Era visto como uma figura carismática, uma figura que conseguiu fazer amizades. O long ele começa inclusive com a cena em que o Gering vai se entregar pros soldados dos Estados Unidos ali no começo de maio de 45.
Três coisas positivas. Primeira, trabalho do cenário. Muito interessante.
Eles conseguiram montar ali a estrutura eh muito parecida com a do julgamento de Nuremberg mesmo. Tem uma tentativa de lidar com o ângulo do registro das imagens de arquivo que nós temos. Tinha nas imagens, dava para notar que o Gerado.
E o Russell Crow repetidamente faz isso também. Dá para ver que eles tiveram essa atenção aos detalhes. Segundo ponto positivo, os figurinos.
Trabalho impecável. E esse é um filme que quer passar uma mensagem, né, para nunca esquecer o que aconteceu na Alemanha nazista, para nunca esquecer dos crimes que foram cometidos. faz isso de uma maneira bem eh forte, um posicionamento muito eh diria corajoso do diretor ao mostrar as imagens que foram usadas no próprio tribunal de Nuremberg com a narração original do tribunal falando ali sobre os campos de sermínio.
Ã, é uma sequência ali que deve ter uns 5 minutos, que é bem pesada mesmo. E eu senti isso na sala, né? As pessoas chorando, as pessoas muito envolvidas.
E é o que o filme consegue acertar. Ele precisa recorrer pra imagem de arquivo porque não desenvolve um diálogo de maneira competente, não desenvolve uma troca simples de argumentos de maneira competente. Michael Shannon, que é um ator que eu adoro, uma participação em um determinado momento que tá totalmente pautada num registro documental que é muito específico para historiador que trabalha com Alemanha nazista e julgamento de Nuremberg, que vai fazer uma discussão sobre o holocausto.
Não ganha nada. O filme não ganha nada com isso, mas o que que eles querem mostrar? Olha, o Geir estava sendo julgado.
O processo todo é muito rápido. Nem dá para falar que tem algo sobre o Douglas Kell e o Gering, porque é tudo superficial. Eles riscam a superfície para mostrar uma cena ali da mágica.
Pergunta quantas cenas tem do Douglas Kelly trabalhando. Não tem nenhuma. Não tem nada sobre o método de pesquisa dele.
Não tem absolutamente nada. Então, gente, é um filme esculhambado na montagem, filme de tribunal que não consegue, não, simplesmente não consegue estabelecer uma dinâmica interessante no tribunal para Nuremberg nota 4. Tem em um momento aquela confirmação do fascínio que Hollywood tem com a figura do gênio do mal.
E eles tentam criar um cenário pro Giring se tornar essa figura do mal. E o Russell Crow, ele é muito carismático, ele tá muito à vontade no papel, na maneira como ele também tem o Gerintinha, um traço manipulador e o Russell Cor consegue aproveitar um pouquinho disso quando ele tem espaço. Tem muitas produções sobre isso.
Tem muitas produções que entram em choque num conflito com o que é apresentado em Nuremberg. uma oportunidade ímpar, porque não é todo dia que vai ser feito um filme sobre Segunda Guerra Mundial num contexto do julgamento. E mesmo assim, né, por mais nobre que seja a ideia de passar uma mensagem em torno do tribunal, não dá, pelo menos no meu caso, para esconder que não tinha um um plano, não foi bem feito.
Certo, pessoal? Muito obrigado pela atenção.