a discussão se a letra de música poesia não é muito antiga e já se discute isso há anos e anos sem chegar a conclusão nenhuma é bom que se diga é difícil negar a poesia de noel rosa de um cartola né o próprio manuel bandeira e ele dizia que o verso mais bonito da língua portuguesa vem de uma música né era aquilo e tu pisava nos astros distraída é que a dor estas barbosa mas o chico buarque mesmo não se considera um poeta embora escreva versus fantásticos né a saudade dói como marta a saudade é
arrumar o quarto do filho que já morreu ele disse uma das músicas mas a construção dessa poesia que tem coisas curiosas quando chico buarque escreveu para o tom jobim o retrato em branco e preto com joguinhos irmã com essa história de retrato em branco e preto achava que não era correto né inverso dizia vou colecionar mais um soneto do retrato em branco e preto não existe existe preto e branco né eu chego acrescentou tá bom vamos mudar a letra né não vou dizer assim vou colecionar mais um tamanco outro retrato em preto e branco e
tom jobim é o resolveu optar pelo soneto e pelo branco e preto mesmo né e é sobre isso que a gente vai acabar conversando com o fausto nilo tua saudade chegou ousou em meu coração tempo silenciou e as estrelas caíram luxa deixou meus versos assim com lima sem solução só vamos começar essa conversa por um tema que eu acho particularmente curioso né essa dimensão da poesia das letras de música né há quem diga que não chega a ser coisa o próprio chico buarque e nega um pouco isso que você acha disso a pois é é
uma expressão literária também a letra da música creio que não creio porque como a própria palavra a atividade literária pressupõe no meu entendimento a coisa escrita e o ritmo interno silencioso da poesia que é transmitido ou frases impressas e intervalos com isso você próprio joão cabral dizia o poeta da minha predileção que e que ele já fazia música né na poesia e mesmo um letrista quando e não é meu caso eu faço pouco isso eu gosto mais de ler e traz canções fazê-las cantar né os parceiros me dão a base melódica e eu desenvolvo ali
há há há o texto em cima mas o o que o que eu acho é que tem um canadense que eu não posso lembrar o nome nesse momento mas é um livro que eu comprei no exterior comprei equivocadamente porque apressadamente vem não lembraria a letra ea música e julguei que era alguma coisa falando sobre essa atividade de diretriz na verdade não era era exatamente isso era é a história devidamente interpretada da poesia escrita e da canção quando você tem palavras com uma melodia apoiando a narrativa a nossa é mais antiga do que a poesia como
se entende oi no livro nesse sentido eu seria da antiguidade ou seria colega dos da prova eo pessoal da troca os jogadores e eu me quantas emoções é eu me considero muito assim mesmo eu já fiz muitas letras 100 sem computador sem caneta andando pela rua em grande parte delas do desenvolvimento da letra às vezes eu fiz assim entendeu então a coisa elas têm realmente diferença eu não diria é complexo avaliar se o valor poético de um de uma obra de canção e uma escrita devem ser considerados maiores ou menores um em relação ao outro
por conta da sua forma de expressão eu não me arriscaria a dizer isso a letra de canções que são politicamente muito fortes e tudo agora de fato o ofício é bem diferente o próprio é manuel bandeira ele curiosamente ele dizer que o verso mais bonito da língua portuguesa ela tem uma canção né é ato pisava nos astros distraída adoro barbosa é curiosamente manuel bandeira apaixonada por isso isso o grande poeta manuel bandeira é que a gente está falando né é lindo e escreveu letras de músicas também né ele realmente teve esse grande maioria experimentou muitos
experimentaram fazer canções ou alguém musicou poemas que às vezes dá certo e às vezes pode não dar a música a música não a canção quer dizer a ela tem umas técnicas depois desses 46 anos e de quase 500 letras de canções que eu fiz na minha vida você vai aprendendo algumas coisas às vezes tem um momento da melodia que se você perder a chance a letra pode ser a melhor do mundo ela não decola é impressionante isso tem toda uma canção ela tem um tenho naturalmente um ritmo tem tudo aquilo que a própria música e
saltou que eu me referi ele faz a diferença inclusive demonstra a origem independente da canção e da música porque a música era delicada o ritual ea dança ea canção era uma narrativa a gente se junta com os músicos como letrista hoje e após a obra você tem um intérprete também que antes não tinha é por isso que os franceses tinham hazuda vôo como seu o cantor passou nove anos fazendo testes e todos diziam que ele tinha ritmo e tinha a voz em harmonia tinha mas que a voz que nasceu não era uma voz é interessante
e interessante agora o processo criativo na casa você prefere letrar as músicas nas canções assim né mas a canção tem algumas temos caprichos digamos assim na casa como é esse processo de adequar a sua poética a esses caprichos muito bem eu quando comecei a fazer letras de música eu sou o último do chamado pessoal do ceará que na verdade não era um grupo como o manifesto não era o movimento eram pessoas individuais né às vezes acho até que isso é de forma a visão que se tem do pessoal do ceará eu fui o último a
aderir a essa atividade e foi por essa circunstância muito acidental eu morava aqui em brasília professor da arquitetura que na unb e o fagner e ia migrar pra ser profissional a cantora que ele pretendia e ele queria letras novas e na falta de letrista me pediu disse que eu poderia você pode você vai conseguir fazer e tal e aqui foi um transtorno foi mesmo com a noite horrível antes de entregar ou não o ataque entreguei essa música foi gravada pela marília medalha na época era uma cantora a importância acho que isso na minha vida foi
muito importante e eu devo ao armando fai eu passei a ser um letrista mas eu tive que aprender esse ofício é com a prática e descobrir muitas coisas interessantes primeiro que para mim alguns não preferem escrever e entregar a letra para mim o resultado melhor que eu pude obter é ouvindo ouvindo ouvindo assimilando a melodia e fazendo com que ela cante como eu sempre digo com os parceiros né mas há o aprendizado foi duro porque aquilo vai prum por uma multidão em várias circunstâncias você tem que que ver como é que eu aprendi muita coisa
inclusive se subestima muito público ele suporta digamos assim experiências poéticas às vezes até ousadas no sentido do realismo ou não eu testei muito isso com o público brasileiro com músicas as vezes que todo mundo pensa que sua música sem sentido mas não é verdade tem um tem um sentido que é traduzido pelo agora tem um aspecto no seu grupo inicial né que era uma formação poética profunda o próprio fagner belquior que quer um conhecedor profundo de poesia né sim e o seu contato também com a poesia popular você desde muito cedo sem levar uma convivência
muito próxima da poesia popular filme seja como era essa vivência concreta do bom eu eu morava eu nasci em quixeramobim uma cidade cearense que que é o lugar onde nasceu antônio conselheiro meu conterrâneo é a nossa casa é onde ele nasceu era hoje é um museu foi aí que eu vivi até os 10 anos e meio não é e ali dois avós um vaqueiro que depois tornou-se plantadores de algodão e do outro lado um coletor estadual eles o coletou ele tinha uma mania de trazer cantadores então eu eu eu fiquei horas olhando o cego aderaldo
o famoso cego aderaldo limpando seu sua viola eo garotinho ficava ali o dia todo olhando acompanhando tudo e de noite eles cantavam na casa do meu avô costumava fazer isso e cedo eu eu fui percebendo que havia uma poesia que é uma herança é essa mas a diferença entre ela ea poesia digamos mais intelectualizada antt tive 11 curso primário e quase ginasial dramático com relação à poesia eu fui traído pela minha timidez em praça pública na praça da matriz eu tinha da escola tinha que dizer olavo bilac esqueci e não conseguir lembrar e sai arrasado
do palco aí eu criei com a poesia um uma coisa traumática assim e quando entrei no liceu do ceará que é uma espécie de pedro 2º aí eu conheci os meninos que se emitiram com isso em um deles foi golpe o que tinha não só conhecimento de latim era o melhor da nossa turma era mais novo do que o quase dois anos e recém chegado do interior conhece a bíblia de uma maneira fantástica todos que conheciam romances brasileiros e alguns franceses razoavelmente bem e ficamos amigos então aquilo também me influencia um pouco depois ele foi
se frade deu intervalo nessa vida de estudante nossa eu encontro na universidade e me dizendo que era compositor vienense e quando me mostrou aquelas letras aquelas coisas dele tá aí fizemos uma reconexão que somos parceiros em duas músicas só nossa amizade era muito grande quando a gente se encontrava não era pra fazer músicas assim ninguém ninguém colocava um para o outro se colocava como interdependentes na produção de canções era pra conversar muito ri muito ele era muito engraçado também e assim depois descobrir a poesia de um modo geral descobrir eu tenho até hoje eu gosto
de traduzir poesias de poetas - estrangeiros e não sou aquela pessoa super culta mas passei a ter a minha vida toda mas sempre separei muito da canção sabe de uma maneira é prática assim eu separo muito do da canção são duas coisas que eu fiz o deputado todo tentam uma coisa curiosa na sua carreira existem duas músicas especificamente que você tem você é acusado de traduzir chega a receber uma tradução que é o romance no deserto nem vem do bob dylan e o três irmãos que de uma canção francesa para a zona que você é
transforma isso não é uma tradução e também não é aquele tipo de diversão que se fazia nos anos 60 é uma recriação literária mesmo leilão uma nova obra literária é como foi o processo aí é isso eu a primeira vez eu fiz por acaso na realidade eu acho que a primeira versão que eu fiz pode estar enganado eu comecei a fazer foi uma pessoa que admirava muito por esse caminho que eu chamei de do de cerro da maneira é do autor que diz suas letras para o público eu era muito fã do jac breve e
uma música dele que chama nem que te pá em segredo eu passei dez anos lutando lutando há maneira de dizer que era um grande prazer né aí pessoas brasileiras que moram na frança eu pedia mostrava que você acha disso é uma grosseria tem e também com cuidado porque eu sou autodidata em línguas eu falo mal todas elas mas por ser urbanista foi obrigado a lei italiana em francês e inglês e espanhol minimamente essas línguas você é obrigado a se não tem informação completa né então é eu gosto de palavras e eu não vou eu só
poderia aprender para falar muito bem se eu morasse nesse lugar isso não vai mais acontecer mas eu eu gosto dessa coisa eu tenho das dessas línguas todas eu tenho a christie's alrosa que dicionários eu gosto da história das palavras descobriremos o primeiro uma palavra que que se submeter o que mudou de significado durante séculos voltou a errar mas ocorre isso é palavras que morreram palavra e como elas uma próxima da outra como as cores também elas alteram a outra como uma palavra sozinha pode alterar uma letra de música eu coloco com ela a letra você
tirar a letra muda eu fui aprendendo tudo isso que são muitos anos de convívio ea poesia eu passei a aam eu não sou como estou dizendo aqui um enciclopédia uma pessoa culta no novo tempo na minha vida para ser culto eu vou sob referência naquilo que eu sinto com espontaneidade que a informação necessária e passei então a fazer essa versão foi uma luta muito grande porque em primeiro lugar a a a letra começa com a frase que a rigor quer dizer não me deixes e isso eliminaria a hipótese de ter uma letra em português porque
eu não podia dentro da métrica colocar não me deixes não dava certo então discutir com muitas pessoas com autoridade e e fui convencido que não havia nenhuma agressão e que se eu dissesse não me deixes mais e em seguida balancear se a letra de forma que aquilo não tivesse um esse é o trabalho de uma versão na verdade é isso porque eu tenho que facilitará que na cultura nossa isso seja entendido com equivalência a experiência de lá mas não pode ser totalmente igual é impossível isso a mesma coisa bob dylan porque é inclusive bob dylan
é uma coisa curiosa não fui eu que traduzir o fai pediu a um amigo dele e já me deu traduzida naturalmente eu fui fazer também eu quando faço uma versão eu busco até é hoje com a internet eu procuro ver todos os lugares do mundo antes fez versão para que eu fique nesse bloco pra que eu não estou e desça eu não eu não prejudique que um conteúdo qualquer da canção por conta de de um erro e de tradução é de 7 então do bob dylan eu não podia falar daquela califórnia dele da fronteira eu
tinha falado do brasil e do rural brasileiro misturado com o cubano e por aí vai assim que e essas letras no meu caso a letra de bob dylan aí a letra de jacmel que era vivo ainda elas foram para lá e demorar um tempo para ser analisado para ver se se estava conveniente pra provar né muitas dessas temas que não essas super comerciais assim às vezes e não há essa exigência mas de um modo geral os grandes autores eles você tem que você tem que cantou a prova dele é agora você também é responsável por
uma coisa interessante no bom sentido responsável do banco tipo que é a popularização é da florbela espanca no brasil né curiosamente você tá na que não se conhecia era um ilustre desconhecido aqui no brasil né quer dizer como é que foi esse episódio a uma coisa muito casual e quase engraçada nós fomos pra espanha eu fui com fagner foi um trabalho fantástico esse porque eu sempre digo que elas era um choque e sancho pança no caso eu era mas graças à ousadia dele muito jovem acima e aí a a digamos assim a persistência eu às
vezes dá um tom de realismo que atrapalha entre aspas que atrapalhava a ele às vezes a gente teve momentos difíceis com relação a isso mas ele obteve os resultados que ele queria nós fomos para a espanha no primeiro dia fomos numa placa de de touros lá próximo de madrid onde nasceu o cervantes de uma coisa significado pesadíssimo pra mim é alcalá de henares e e lá vimos os maiores por sorte nós os maiores cantores flamengos vivos nessa tarde nesta noite conhecemos camarón de la isla do grande karoo conhecemos favorito que era mais velho já estava
nu e conhecemo lo ali manuel eu estou falando aqui de pessoas grandiosas a da música flamenca e o fagner ficou louco e ele dizia para o rapaz da gravadora ao lado isso era um ano e meio do franco da data da morte do então as pessoas da própria gravadora elas parecessem os padres a roupa era uma coisa muito conservadora muito sabida e agente e da bandeira brasileira muito esculhambado é mais jovem e o fine ele ouve dizer que esse cara frontal coloca aí no meio diz que o cara não entendia muito e ele colocou todos
né e nesse nesse processo e terminamos o disco e voltamos eu com eles vemos portugal paramos em lisboa alguns dias e por coincidência ele encontrou glauber rocha a hospitalizado e me levou numa manhã e por uma circunstância casual fiquei sozinho no quarto eo glauber rocha sem saber quem eu era e ele saiu jorge amado fainé e e 11 uma pessoa da academia portuguesa eo tomar as providências lá com relação à saúde do glauber rocha eu fui confidente ali de de gemidos gritos tudo que você imaginar até o momento quem perguntou meu nome e que eu
estava fazendo ali com fagner e eu desenho quando eu viajo faço os esquetes ele visse desenhos pediu pra ele que eu soube que ficou até os últimos minutos davi ao lado da cama e ficamos amigos eu fui uns três dias seguidos lago conversar com ele quando ele descobriu que a minha casa era do conselheiro felipe ficou desorientado e disse que ia fazer um filme sobre o conselheiro a encher mobic e o fine seríamos atores e foi muito interessante isso porque ele não sabia quem eu era e ele me perguntou o que eu fazia e confessou
olha confesso que não convenceu nome mas gostei muito você ficamos amigos dessa maneira quase no anonimato uma dessa desses dias eu vou na livraria no centro de lisboa comprou o livro porque a florbela espanca ficou proibida muito tempo durante a ditadura havia uma história que circulava que circula que havia uma paixão entre ela eo irmão e que isso terá considerado uma coisa e a reprimir né entre outras e isso fez com que o livro dela desaparecer por muito tempo quando eu fui viajar meu professor querido josé liberal de castro meu mestre muito culto e ele
me disse isso olha um amigo português me disse que saiu um livro dessas dessa poet isa e me explicou de quem se tratava e que eu comprasse dois exemplares um pra ele e um pra mim que eu ia ter um bom proveito disso fagner entrou no meu quarto no hotel e vi o livro já na volta com um disco pronto da espanha e vi o livro olhou e diz quem é essa mulher aí eu falei a história eles estão me empresta esse livro sim e ele me acorda batendo na porta tem é alguns minutos depois
mostrando minha alma de sonhar tiné anda perdido e tornou se a música de trabalho a música principal do disco ea florbela espanca chegou no brasil a partir desse episódio dessa história é uma história fantástica nós estamos aqui falando sobre poesia com o fausto nilo e falar depois eu queria falar um pouco do ferreira gullar o último livro que ele publicou ainda vivo ainda em vida em alguma parte alguma é um livro fantástico que é o livro de maturidade do ferreira gullar mas ele sobretudo ele retoma temas primordiais dele como a poesia cotidiana e as lembranças
do maranhão perdido na sua infância as bananas quando eles mauritânia de seu pai é uma experiência curiosa esse livro de maturidade do ferreira gullar porque não tem só essa força poética do goulart como sobretudo tem um sentimento humanitário humanístico mesmo que o gullar permeia por toda a sua obra é uma das experiências mais fantásticas da poesia brasileira em alguma parte alguma do ferreira gullar falso então muito obrigado pela sua participação aqui obrigado mas foi uma ótima goiás e viu nele muito obrigado obteve após conquistar nosso padrinho que nasceu século 18 espero o mesmo risco é
é um exemplo [Música] ae [Música]